O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. MATTHEUS.
João Ferreira d' Almeida translation
A genealogia de Jesus Christo.
Luc. 3.23-38.
4 E Arão gerou a Aminadab; e Aminadab gerou a Naason; e Naason gerou a Salmon;
5 E Salmon gerou de Rachab a Booz, e Booz gerou de Ruth a Obed; e Obed gerou a Jessé;
7 E Salomão [11] gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abia; e Abia gerou a Asa;
8 E Asa gerou a Josaphat; e Josaphat gerou a Jorão; e Jorão gerou a Ozias;
9 E Ozias gerou a Joathão; e Joathão gerou a Achaz; e Achaz gerou a Ezequias;
10 E Ezequias gerou a Manassés; [12] e Manassés gerou a Amon; e Amon gerou a Josias;
11 E [13] Josias gerou a Jechonias e a seus irmãos na deportação para a Babylonia.
12 E, depois da deportação para a Babylonia, [14] Jechonias gerou a Salathiel; e Salathiel gerou a Zorobabel;
13 E [15] Zorobabel gerou a Abiud; e Abiud gerou a Eliakim; e Eliakim gerou a Azor;
14 E Azor gerou a Sadoc; e Sadoc gerou a Achim; e Achim gerou a Eliud;
15 E Eliud gerou a Eleazar; e Eleazar gerou a Matthan; e Matthan gerou a Jacob;
16 E Jacob gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Christo.
17 De sorte que todas as gerações, desde Abrahão até David, são quatorze gerações; e desde David até á deportação para a Babylonia, quatorze gerações; e desde a deportação para a Babylonia até o Christo, quatorze gerações.
O nascimento de Jesus Christo[AEX].
18 Ora o nascimento [16] de Jesus Christo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, [17] achou-se gravida do Espirito Sancto.
19 Então José, seu marido, como era justo, [18] e a não queria infamar, intentou deixal-a secretamente.
20 E, projectando elle isto, eis que n’um sonho lhe appareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de David, não temas receber a Maria tua mulher, porque [19] o que n’ella está gerado é do Espirito Sancto;
21 E dará á luz um filho [20] e chamarás o seu nome Jesus; [21] porque elle salvará o seu povo dos seus peccados.
Anno Domini
22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo propheta, que diz:
23 Eis que [22] a virgem conceberá e dará á luz um filho, e chamal-o-hão pelo nome Emmanuel, que traduzido é: Deus comnosco.
24 E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenára, e recebeu a sua mulher;
25 E não a conheceu até que deu á luz o seu filho, [23] o primogenito; e poz-lhe por nome Jesus.
Os magos do oriente[AEY].
2 E, tendo nascido Jesus em [1] Bethlehem de Judéa, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalem,
2 Dizendo: [2] Onde está aquelle que é nascido rei dos judeos? porque vimos a sua estrella no oriente, e viemos a adoral-o.
3 E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalem com elle.
4 E, congregados todos os principes dos sacerdotes, [3] e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Christo.
5 E elles lhe disseram: Em Bethlehem de Judea; porque assim está escripto pelo propheta:
6 E tu, Bethlehem, [4] terra de Judah, de modo nenhum és a menor entre [AEZ] as capitaes de Judah; porque de ti sairá o [AFA] Guia que ha de apascentar [5] o meu povo de Israel.
7 Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exactamente d’elles ácerca do tempo em que a estrella lhes apparecera.
8 E, enviando-os a Bethlehem, disse: Ide, e perguntae diligentemente pelo menino, e, quando o achardes, participae-m’o, para que tambem eu vá e o adore.
9 E, tendo elles ouvido o rei, foram-se; e eis-que a estrella, que tinham visto no oriente, ia adiante d’elles, até que, chegando, se deteve sobre o logar onde estava o menino.
10 E, vendo elles a estrella, alegraram-se muito com grande alegria.
11 E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus thesouros, lhe offertaram dadivas: [6] oiro, incenso e myrrha.
12 E, [7] sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.
A fugida para o Egypto; a matança dos innocentes.
13 E, tendo-se elles retirado, eis-que o anjo do Senhor appareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egypto, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes ha de procurar o menino para o matar.
14 E, levantando-se elle, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egypto,
15 E esteve lá até á morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo propheta, que diz: [8] Do Egypto chamei o meu Filho.
16 Então Herodes, vendo que tinha sido illudido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Bethlehem, e em todos os seus contornos, de edade de dois annos e menos, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
17 Então se cumpriu o que foi dito pelo propheta Jeremias, [9] que diz:
18 Em Rama se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto: Rachel chorando os seus filhos, e não quiz ser consolada, porque já não existem.
A volta do Egypto.
19 Morto porém Herodes, eis que o anjo do Senhor appareceu n’um sonho a José no Egypto,
20 Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vae para a terra d’Israel; porque já estão mortos os que procuravam a [AFB] morte do menino.
21 Então elle se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra d’Israel.
22 E, ouvindo que Archelau reinava na Judea em logar de Herodes, seu pae, receiou ir para lá: mas avisado em sonho por divina revelação, [10] foi para as partes da Galilea.
23 E chegou, e habitou n’uma cidade chamada Nazareth, [11] para que se cumprisse o que fôra dito pelos prophetas: Que se chamará Nazareno.
João Baptista.
Mar. 1.1-8. Luc. 3.1-18. João 1.6-8, 19-36.
Anno Domini 26
3 E, n’aquelles dias, [1] appareceu João Baptista prégando no deserto da Judea,
2 E dizendo: Arrependei-vos, [2] porque é chegado o reino dos céus;
3 Porque é este o annunciado pelo propheta Isaias, que disse: [3] Voz do que clama no deserto: preparae o caminho do Senhor, endireitae as suas veredas.
4 E este João tinha [4] o seu vestido de pellos de camelo, e um cinto de coiro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
5 Então ia ter com elle Jerusalem, [5] e toda a Judea, e toda a provincia adjacente ao Jordão,
6 E eram por elle baptizados no rio Jordão, [6] confessando os seus peccados.
7 E, vendo elle muitos dos phariseos e dos sadduceos, que vinham ao seu baptismo, dizia-lhes: [7] Raça de viboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?
8 Produzi pois fructos dignos de arrependimento;
9 E não presumaes de vós mesuros, dizendo: [8] Temos por pae a Abrahão; porque eu vos digo que mesmo d’estas pedras Deus pode suscitar filhos a Abrahão.
10 E tambem agora está posto o machado á raiz das arvores; toda [9] a arvore, pois, que não produz bom fructo, é cortada e lançada no fogo.
11 E eu, em verdade, [10] vos baptizo com agua, para o arrependimento; mas aquelle que vem após mim, é mais poderoso do que eu; cujas [AFC] alparcas não sou digno de levar; [11] elle vos baptizará com o Espirito Sancto, e com fogo.
12 Em sua mão tem a pá, [12] e limpará a sua eira, e recolherá no celleiro o seu trigo, [13] e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.
O baptismo de Jesus.
Mar. 1.9-11. Luc. 3.21, 22. João 1.32-34.
13 Então veiu Jesus da Galilea a João, [14] junto do Jordão, para ser baptizado por elle,
14 João oppunha-se-lhe, porém, dizendo: Eu careço de ser baptizado por ti, e vens tu a mim?
15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convem cumprir toda a justiça. Então elle o deixou.
16 E, sendo Jesus baptizado, [15] saiu logo da agua, e eis-que se lhe abriram os céus, e viu o Espirito de Deus [16] descendo como pomba e vindo sobre elle.
17 E eis que [17] uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
A tentação de Jesus.
Mar. 1.12-13. Luc. 4.1-13.
Anno Domini 27
4 Então foi conduzido Jesus pelo Espirito ao deserto, [1] para ser tentado pelo diabo.
2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
3 E, chegando-se a elle o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se façam pães.
4 Elle, porém, respondendo, disse: Está escripto: [2] Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sae da bocca de Deus.
5 Então o diabo o levou á cidade sancta, [3] e collocou-o sobre o pinaculo do templo,
6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; [4] porque está escripto: Que aos seus anjos ordenará a respeito de ti; e tomar-te-hão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
7 Disse-lhe Jesus: Tambem está escripto: [5] Não tentarás o Senhor teu Deus.
8 Novamente o levou o diabo a um monte muito alto, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a gloria d’elles.
9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10 Então disse-lhe Jesus: [6] Vae-te, Satanaz, porque está escripto: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a elle servirás.
11 Então o diabo o deixou; e, eis-que chegaram os anjos, [7] e o serviram.
Jesus em Galilea; os primeiros discipulos.
Mar. 1.14, etc. Luc. 4.14, etc.; 5.1-11.
Anno Domini 30
12 Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, [8] voltou para a Galilea;
13 E, deixando Nazareth, foi habitar em Capernaum, cidade maritima, nos confins de Zabulon e Naphtali;
14 Para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta Isaias, que diz:
15 A terra de Zabulon, [9] e a terra de Naphtali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galilea das nações;
16 O povo, [10] assentado em trevas, viu uma grande luz; e para os que estavam assentados na região e sombra da morte raiou a luz.
17 Desde então começou Jesus a prégar, e a dizer: [11] Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
18 E Jesus, andando junto ao mar da Galilea, [12] viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores:
19 E disse-lhes: [13] Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
20 Então elles, deixando logo as redes, [14] seguiram-n’o.
21 E, adiantando-se d’ali, [15] viu outros dois irmãos, Thiago, filho de Zebedeo, e João, seu irmão, n’um barco com seu pae Zebedeo, concertando as redes; e chamou-os;
22 Elles, deixando immediatamente o barco e seu pae, seguiram-n’o.
23 E percorria Jesus toda a Galilea, [16] ensinando nas suas synagogas e prégando o Evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo.
24 E a sua fama correu por toda a Syria, e traziam-lhe todos os que padeciam, accommettidos de varias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunaticos, e os paralyticos, e elle os curava.
25 E seguia-o uma grande multidão de gente da Galilea, [17] de Decapolis, de Jerusalem, da Judea, e d’além do Jordão.
O sermão da montanha. As beatitudes.
Luc. 6.20-29.
Anno Domini 31
5 E Jesus, vendo a multidão, [1] subiu a um monte, e, assentando-se, approximaram-se d’elle os seus discipulos:
2 E, abrindo a sua bocca, os ensinava, dizendo:
3 Bemaventurados os pobres de espirito, [2] porque d’elles é o reino dos céus;
4 Bemaventurados os que choram, [3] porque elles serão consolados;
5 Bemaventurados os mansos, [4] porque elles herdarão a terra;
6 Bemaventurados os que teem fome e sêde de justiça, [5] porque elles serão fartos;
7 Bemaventurados os misericordiosos, [6] porque elles alcançarão misericordia;
8 Bemaventurados os limpos de coração, [7] porque elles verão a Deus;
9 Bemaventurados os pacificadores, porque elles serão chamados filhos de Deus;
10 Bemaventurados os que soffrem perseguição por causa da justiça, [8] porque d’elles é o reino dos céus;
11 Bemaventurados sois vós, [9] quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, fallarem todo o mal contra vós por minha causa.
12 Exultae e alegrae-vos, [10] porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os prophetas que foram antes de vós.
Os discipulos são o sal da terra e a luz do mundo.
13 Vós sois o sal da terra; [11] e se o sal fôr insipido, com que se ha de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fóra, e ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo: não [12] se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte,
15 Nem se accende a candeia [13] e se colloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, [14] para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pae, que está nos céus.
O cumprimento da lei e dos prophetas.
17 Não cuideis [15] que vim destruir a lei ou os prophetas: não vim a derogar, mas a cumprir.
18 Porque em verdade vos digo, que, [16] até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um só til se omittirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
19 Qualquer [17] pois que violar um d’estes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquelle, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e phariseos, [18] de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
21 Ouvistes que foi dito aos antigos: [19] Não matarás; mas qualquer que matar será [AFD] réu de juizo.
22 Eu vos digo, porém, que [20] qualquer que, sem motivo, se encolerisar contra seu irmão, será réu de juizo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, [21] será réu do synhedrio; qualquer que lhe disser: Louco, será [AFE] réu do fogo do inferno.
23 Portanto, [22] se trouxeres a tua offerta ao altar, e ahi te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 Deixa ali diante do altar a tua offerta, [23] e vae, reconcilia-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua offerta.
25 Concilia-te depressa com o teu adversario, [24] emquanto estás no caminho com elle, para que não aconteça que o adversario te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao [AFF] ministro, e te encerrem na prisão.
26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás d’ali emquanto não pagares o ultimo ceitil.
27 Ouvistes que foi dito aos antigos: [25] Não commetterás adulterio.
28 Eu vos digo, porém, que [26] qualquer que attentar n’uma mulher para a cobiçar, já em seu coração commetteu adulterio com ella.
29 Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, [27] arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
30 E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca, do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
31 Tambem foi dito: [28] Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.
32 Eu, [29] porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, sem ser por causa de fornicação, faz que ella commetta adulterio, e qualquer que casar com a repudiada commette adulterio.
33 Outrosim, ouvistes que foi dito aos antigos: [30] Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.
34 Eu vos digo, porém, [31] que de maneira nenhuma jureis: nem pelo céu, porque é o throno de Deus;
35 Nem pela terra, porque é o escabello de seus pés; nem por Jerusalem, [32] porque é a cidade do grande Rei;
36 Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabello branco ou preto.
37 Seja, porém, o vosso fallar: [33] Sim, sim, Não, não, porque o que passa d’isto é de procedencia maligna.
38 Ouvistes que foi dito: [34] Olho por olho, e dente por dente.
39 Eu vos digo, porém, [35] que não resistaes ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, offerece-lhe tambem a outra;
40 E ao que quizer pleitear comtigo, e tirar-te o vestido, larga-lhe tambem a capa;
41 E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, [36] vae com elle duas.
42 Dá a quem te pedir, [37] e não te desvies d’aquelle que quizer que lhe emprestes.
43 Ouvistes que foi dito: [38] Amarás o teu proximo, e aborrecerás o teu inimigo.
44 Eu vos digo, porém: [39] Amae a vossos inimigos, bemdizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orae pelos que vos maltratam e vos perseguem;
45 Para que sejaes filhos do vosso Pae que está nos céus; [40] porque faz que o seu sol se levante sobre os maus e os bons, e a chuva desça sobre os justos e os injustos.
46 Pois, se amardes os que vos amam, [41] que galardão havereis? não fazem os publicanos tambem o mesmo?
47 E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? não fazem os publicanos tambem assim?
48 Sêde vós pois perfeitos, [42] como é perfeito o vosso Pae que está nos céus.
Continuação do sermão da montanha. Esmolas. Oração. Jejum.
6 Guardae-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por elles: aliás não tereis galardão junto de vosso Pae, que está nos céus.
2 Quando pois deres esmola, não [1] faças tocar trombeta adiante de ti, como fazem os hypocritas nas synagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3 Mas, quanto tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;
4 Para que a tua esmola seja dada occultamente: e teu Pae, que vê em segredo, [2] te recompensará publicamente.
5 E, quando orares, não sejas como os hypocritas; pois se comprazem em orar em pé nas synagogas, e ás esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6 Mas tu, quando orares, [3] entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pae que está em occulto; e teu Pae, que vê secretamente, te recompensará.
7 E, orando, [4] não useis palavras vãs, como os gentios, que pensam que por muito [5] fallarem serão ouvidos.
8 Não vos assimilheis pois a elles; porque vosso Pae sabe o que vos é necessario, antes de vós lh’o pedirdes.
9 Portanto, vós orareis assim: [6] Pae nosso, que estás nos céus, sanctificado seja o teu nome;
11 O pão nosso de cada [9] dia nos dá hoje;
12 E perdoa-nos as nossas dividas, [10] assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
13 E não nos induzas [11] á tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a gloria, para sempre. Amen.
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas offensas, [12] tambem vosso Pae celestial vos perdoará a vós;
15 Se, porém, [13] não perdoardes aos homens as suas offensas, tambem vosso Pae vos não perdoará as vossas offensas.
16 E, [14] quando jejuaes, não vos mostreis contristados como os hypocritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
17 Porém tu, quando jejuares, unge [15] a tua cabeça, e lava o teu rosto.
18 Para não parecer aos homens que jejuas, mas a teu Pae, que está em occulto; e teu Pae, que vê em occulto, te recompensará.
O thesouro no céu. O olho puro. Os dois senhores. A anciosa solicitude pela nossa vida.
19 Não ajunteis thesouros na terra, [16] onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
20 Mas ajuntae thesouros no céu, [17] onde nem a traça nem a ferrugem corrompe, e onde os ladrões não minam nem roubam.
21 Porque onde estiver o vosso thesouro, ahi estará tambem o vosso coração.
22 A candeia do corpo é o [18] olho; de sorte que, se o teu olho fôr bom, todo o teu corpo terá luz;
23 Se, porém, o teu olho fôr mau, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti ha são trevas, quão grandes serão as trevas!
24 Ninguem pode servir a [19] dois senhores; porque ou ha de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. [20] Não podeis servir a Deus e [AFG] a Mammon.
25 Por isso vos digo: [21] Não andeis cuidadosos emquanto á vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem, emquanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?
26 Olhae para as aves do céu, [22] que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celleiros; e vosso Pae celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que ellas?
27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, accrescentar um covado á sua estatura?
28 E, emquanto ao vestido, porque andaes solicitos? Olhae para os lirios do campo, como elles crescem: não trabalham nem fiam;
29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como qualquer d’elles.
30 Pois, se Deus assim enfeita a herva do campo, que hoje existe e ámanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
31 Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32 (Porque todas estas coisas os gentios procuram) Pois vosso Pae celestial bem sabe que necessitaes de todas estas coisas;
33 Mas buscae primeiro o reino de Deus, [23] e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão accrescentadas.
34 Não vos inquieteis pois pelo dia d’ámanhã, porque o dia d’ámanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Continuação do sermão da montanha. O juizo temerario. As coisas sanctas não deis aos cães. Perseverança na oração. A porta estreita. Os falsos prophetas. Devemos ouvir e executar as palavras de Jesus.
7 Não julgueis, [1] para que não sejaes julgados.
2 Porque com o juizo com que julgardes sereis julgados, [2] e com a medida com que tiverdes medido hão de medir para vós.
3 E porque reparas tu no argueiro que [3] está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; e, eis uma trave no teu olho?
5 Hypocrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.
6 Não deis aos cães as coisas sanctas, [4] nem deiteis aos porcos as vossas perolas, não seja caso que as pizem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem.
7 Pedi, [5] e dar-se-vos-ha; buscae, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-ha.
8 Porque, [6] aquelle que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, se abre.
9 E qual d’entre vós é o homem que, [7] pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 Se vós, pois, sendo maus, [8] sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pae, que está nos céus, [AFH] dará bens aos que lh’os pedirem?
12 Portanto, [9] tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lh’o tambem vós, porque esta é a lei e os prophetas.
13 Entrae pela porta [10] estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz á perdição, e muitos são os que entram por elle;
14 Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva á vida, e poucos ha que o encontrem.
15 Acautelae-vos, porém, dos falsos prophetas, [11] que veem para vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 Por seus fructos [12] os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 Assim, [13] toda a arvore boa produz bons fructos, e toda a arvore má produz fructos maus.
18 Não pode a arvore boa dar maus fructos; nem a arvore má dar fructos bons.
19 Toda a arvore [14] que não dá bom fructo corta-se e lança-se no fogo.
20 E, assim, pelos seus fructos os conhecereis.
21 Nem todo o que me diz: [15] Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquelle que faz a vontade de meu Pae, que está nos céus.
22 Muitos me dirão n’aquelle dia: Senhor, Senhor, [16] não prophetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demonios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: [17] Nunca vos conheci: apartae-vos de mim, vós que obraes a iniquidade.
24 Todo aquelle, [18] pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assimilhal-o-hei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 E aquelle que ouve estas minhas palavras, e as não executa, comparal-o-hei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, [19] a multidão se admirou da sua doutrina,
29 Porque os ensinava como tendo auctoridade; [20] e não como os escribas.
O leproso purificado.
Mar. 1.40-45. Luc. 5.12-14.
8 E descendo elle do monte, seguiu-o uma grande multidão.
2 E, eis-que veiu um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se tu queres, podes purificar-me.
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero: sê puro. E logo ficou purificado da lepra.
4 Disse-lhe então Jesus: [1] Olha não o digas a alguem, mas vae, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a offerta que Moysés determinou, [2] para lhes servir de testemunho.
O centurião de Capernaum.
Luc. 7.1-10.
5 E, entrando Jesus em Capernaum, chegou junto d’elle um centurião, rogando-lhe,
6 E dizendo: Senhor, o meu creado jaz em casa paralytico, e violentamente atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saude.
8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, [3] não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, [4] mas dize sómente uma palavra, e o meu creado sarará;
9 Pois tambem eu sou homem sujeito ao poder, e tenho soldados ás minhas ordens; e digo a este: Vae, e elle vae; e a outro: Vem, e elle vem; e ao meu creado: Faze isto, e elle o faz.
10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé.
11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente [5] e do occidente, e assentar-se-hão á mesa com Abrahão, e Isaac, e Jacob, no reino dos céus;
12 E os filhos do reino [6] serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.
13 Então disse Jesus ao centurião: Vae, e como creste te seja feito. E n’aquella mesma hora o seu creado sarou.
A sogra de Pedro.
Mar. 1.29-31. Luc. 4.38-41.
14 E Jesus, entrando em casa de Pedro, [7] viu a sogra d’este jazendo com febre.
15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os.
16 E, chegada a tarde, [8] trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e com a palavra expulsou d’elles os espiritos malignos, e curou todos os que estavam enfermos;
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz: [9] Elle tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.
Como devemos seguir a Jesus.
Luc. 9.57, &c.
18 E Jesus, vendo em torno de si uma grande multidão, ordenou que passassem para a banda d’alem;
19 E, approximando-se d’elle um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei.
20 E disse Jesus: As raposas teem seus covis, e as aves do céu teem seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E [10] outro de seus discipulos lhe disse: Senhor, [11] permitte-me que primeiro vá sepultar meu pae.
22 Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos.
Jesus apazigua a tempestade.
Mar. 4.35-41. Luc. 8.22-25.
23 E, entrando elle no barco, seus discipulos o seguiram;
24 E eis que no mar se levantou uma tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas; elle, porém, estava dormindo.
25 E os seus discipulos, approximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.
26 E elle disse-lhes: Porque temeis, homens de pouca fé? [12] Então, levantando-se, reprehendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.
27 E aquelles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
Os endemoninhados gergesenos.
Mar. 5.1. Luc. 8.26, etc.
28 E, tendo chegado á outra banda, á provincia dos gergesenos, sairam-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulchros, tão ferozes que ninguem podia passar por aquelle caminho.
29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós comtigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui a atormentar-nos antes de tempo?
30 E andava pastando distante d’elles uma manada de muitos porcos.
31 E os demonios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permitte-nos que entremos n’aquella manada de porcos.
32 E elle lhes disse: Ide. E, saindo elles, se introduziram na manada dos porcos; e eis que toda aquella manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas aguas.
33 E os porqueiros fugiram, e, chegando á cidade, divulgaram todas aquellas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.
34 E eis que toda aquella cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-o, [13] rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.
O paralytico de Capernaum.
Mar. 2.3-12. Luc. 5.18-36.
9 E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou á sua cidade. E eis que [1] lhe trouxeram um paralytico deitado n’uma cama.
2 E [2] Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralytico: Filho, tem bom animo, perdoados te são os teus peccados.
3 E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Elle blasphema.
4 Mas Jesus, [3] conhecendo os seus pensamentos, disse: Porque ajuizaes mal em vossos corações?
5 Pois qual é mais facil? dizer: Perdoados te são os teus peccados; ou dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem na terra auctoridade para perdoar peccados (disse então ao paralytico): Levanta-te; toma a tua cama, e vae para tua casa.
7 E, levantando-se, foi para sua casa.
8 E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal auctoridade aos homens.
A vocação de Mattheus.
Mar. 2.14-17. Luc. 5.27-32.
9 E Jesus, passando adiante d’ali, viu assentado na alfandega um homem, chamado Mattheus, e disse-lhe: Segue-me. E elle, levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, [4] estando elle em casa assentado á mesa, chegaram muitos publicanos e peccadores, e assentaram-se juntamente á mesa com Jesus e seus discipulos.
11 E os phariseos, vendo isto, disseram aos seus discipulos: [5] Porque come o vosso Mestre com os publicanos e peccadores?
12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de medico os sãos, senão os doentes.
13 Ide, porém, e aprendei o que significa: [6] Misericordia quero, e não sacrificio. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os peccadores, ao arrependimento.
O jejum.
Mar. 2.18-22. Luc. 5.33, etc.
14 Então chegaram ao pé d’elle os discipulos de João, dizendo: Porque jejuamos nós e os phariseos muitas vezes, e os teus discipulos não jejuam?
15 E disse-lhes Jesus: Podem porventura [7] andar tristes [AFI] os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, [8] e então jejuarão.
16 E ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho, porque similhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior o rasgão;
17 Nem deitam vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deitam vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.
A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue.
Mar. 5.22-43 e refs.
18 Dizendo-lhes elle estas coisas, eis que chegou um [AFJ] principal, e o adorou, dizendo: Minha filha falleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ella viverá.
19 E Jesus, levantando-se, seguiu-o, elle e os seus discipulos.
20 E eis que uma mulher [9] que havia já doze annos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detraz d’elle, tocou a orla do seu vestido;
21 Porque dizia comsigo: Se eu tão sómente tocar o seu vestido, ficarei sã.
22 E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: [10] Tem animo, filha, a tua fé te salvou. E immediatamente a mulher ficou sã.
23 E [11] Jesus, chegando a casa d’aquelle principal, e vendo os instrumentistas, e o povo em alvoroço,
24 Disse-lhes: [12] Retirae-vos, que a menina não está morta, mas dorme. E riam-se d’elle.
25 E, logo que o povo foi posto fóra, entrou, e pegou-lhe na mão, e a menina levantou-se.
26 E espalhou-se aquella noticia por todo aquelle paiz.
A cura de dois cegos e um mudo.
27 E, partindo Jesus d’ali, seguiram-o dois cegos, clamando, e dizendo: [13] Tem compaixão de nós, filho de David.
28 E, quando chegou a casa, os cegos se approximaram d’elle; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.
29 Tocou então os olhos d’elles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.
30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: [14] Olhae não o saiba alguem.
31 Mas, [15] tendo elle saido, divulgaram a sua fama por toda aquella terra.
32 E, [16] havendo-se elles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e endemoninhado.
33 E, expulso o demonio, fallou o mudo; e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.
34 Mas os phariseos diziam: [17] Elle expulsa os demonios pelo principe dos demonios.
A seara, e os ceifeiros.
35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, [18] ensinando nas synagogas d’elles, e prégando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo.
36 E, vendo a multidão, teve grande compaixão d’elles, [19] porque andavam desgarrados e errantes, como ovelhas que não teem pastor.
37 Então disse aos seus discipulos: A [20] seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.
38 Rogae pois [21] ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara.
Os doze e a sua missão.
10 E, chamando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes poder sobre os espiritos immundos, para os expulsarem, e curarem toda a enfermidade e todo o mal.
2 Ora os nomes dos doze apostolos são estes: O primeiro, Simão, [2] chamado Pedro, e André, seu irmão; Thiago, filho de Zebedeo, e João, seu irmão;
3 Philippe e Bartholomeo; Thomé e Mattheus, o publicano; Thiago, filho de Alpheo, e Lebbeo, appellidado Thaddeo;
4 Simão Cananita, [3] e Judas Iscariotes, o mesmo que o trahiu.
5 Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: [4] Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 Mas ide antes [5] ás ovelhas perdidas da casa d’Israel;
7 E, indo, prégae, [6] dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curae os enfermos, purificae os leprosos, resuscitae os mortos, expulsae os demonios: [7] de graça recebestes, de graça dae.
9 Não possuaes oiro, nem prata, [8] nem cobre, em vossos cintos,
10 Nem alforges para o caminho, nem duas tunicas, nem alparcas, nem bordão; [9] porque digno é o operario do seu alimento.
11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, [10] procurae saber quem n’ella seja digno, e hospedae-vos ahi até que vos retireis.
12 E, quando entrardes n’alguma casa, saudae-a;
13 E, se a casa fôr digna, [11] desça sobre ella a vossa paz; porém, se não fôr digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguem vos receber, [12] nem escutar vossas palavras, saindo d’aquella casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juizo, haverá menos rigor [13] para o paiz de Sodoma e Gomorrah do que para aquella cidade.
16 Eis que vos envio [14] como ovelhas ao meio de lobos; portanto sêde prudentes como as serpentes [15] e simplices como as pombas.
17 Acautelae-vos, porém, dos homens; [16] porque elles vos entregarão aos synhedrios, e vos açoitarão nas suas synagogas;
18 E sereis até conduzidos [17] á presença dos governadores e dos reis por causa de mim, para lhes servir de testemunho a elles e aos gentios.
19 Mas, quando [18] vos entregaram, não estejaes cuidadosos de como, ou o que haveis de fallar, porque n’aquella mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer.
20 Porque [19] não sois vós que fallaes, mas o Espirito de vosso Pae, que falla em vós.
21 E o irmão entregará á morte o irmão, [20] e o pae o filho; e os filhos se levantarão contra os paes, e os matarão.
22 E odiados de todos sereis por causa do meu nome: [21] mas aquelle que perseverar até ao fim será salvo.
23 Quando pois [22] vos perseguirem n’esta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades d’Israel, [23] sem que venha o Filho do homem.
24 Não é o discipulo [24] mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.
25 Baste ao discipulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram [25] Beelzebú ao pae de familia, quanto mais aos seus domesticos?
26 Portanto, não os temaes; [26] porque nada ha encoberto que não haja de revelar-se, nem occulto que não haja de saber-se.
27 O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutaes ao ouvido prégae-o sobre os telhados.
28 E não temaes os que matam o corpo, [27] e não podem matar a alma: temei antes aquelle que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
29 Não se vendem dois passarinhos por um [AFK] ceitil? e nenhum d’elles cairá em terra sem a vontade de vosso Pae.
30 E até mesmo [28] os cabellos da vossa cabeça estão todos contados.
31 Não temaes pois: mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32 Portanto, [29] qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pae, que está nos céus.
33 Mas qualquer [30] que me negar diante dos homens, eu o negarei tambem diante de meu Pae, que está nos céus.
34 Não cuideis que vim trazer a paz á terra; [31] não vim trazer a paz, mas a espada;
35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pae, [32] e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
36 E serão [33] os inimigos do homem os que são seus familiares.
37 Quem ama o pae [34] ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
38 E quem não toma a sua cruz, [35] e não segue após mim, não é digno de mim.
39 Quem achar a sua [AFL] vida [36] perdel-a-ha; e quem perder a sua vida por amor de mim achal-a-ha.
40 Quem vos recebe, [37] me recebe a mim; e quem me recebe a mim, recebe aquelle que me enviou.
41 Quem recebe [38] um propheta em qualidade de propheta, receberá galardão de propheta; e quem recebe um justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo.
42 E qualquer [39] que tiver dado só que seja um copo d’agua fria a um d’estes pequenos, em qualidade de discipulo, em verdade vos digo que de modo nenhum perderá o seu galardão.
João Baptista envia dois discipulos seus a Jesus.
Luc. 7.18-35.
11 E, aconteceu que, acabando Jesus de dar seus preceitos aos seus doze discipulos, partiu d’ali a ensinar e a prégar nas cidades d’elles.
2 E João, ouvindo, [1] no carcere, fallar dos feitos de Christo, enviou dois dos seus discipulos,
3 Dizendo-lhe: [2] És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e annunciae a João as coisas que ouvis e vêdes:
5 Os cegos vêem, [3] e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são resuscitados, e o evangelho é annunciado aos pobres.
6 E bemaventurado é aquelle [4] que se não escandalizar em mim.
7 E, partindo elles, [5] começou Jesus a dizer ás turbas, a respeito de João: Que fostes vêr no deserto? uma canna agitada pelo vento?
8 Ou que fostes vêr? um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.
9 Ou então que fostes vêr? um propheta? sim, vos digo eu, [6] e muito mais do que propheta:
10 Porque é este de quem está escripto: [7] Eis que adiante da tua face envio o meu anjo, que preparará adiante de ti o teu caminho.
11 Em verdade vos digo que, entre os que de mulheres teem nascido, não appareceu alguem maior do que João Baptista; mas aquelle que é o menor no reino dos céus é maior do que elle.
12 E, desde os dias de João Baptista até agora, [8] se faz violencia ao reino dos céus, e os violentos se apoderam d’elle.
13 Porque [9] todos os prophetas e a lei prophetizaram até João.
14 E, se quereis dar credito, [10] é este o Elias que havia de vir.
15 Quem [11] tem ouvidos para ouvir oiça.
16 Mas, [12] a quem assimilharei esta geração? É similhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,
17 E dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes: cantámos-vos lamentações, e não chorastes.
18 Pois veiu João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demonio.
19 Veiu o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis ahi um homem comilão e beberrão, [13] amigo de publicanos e peccadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.
As tres cidades impenitentes.
Luc. 10.13-15, etc.
20 Então começou elle a lançar em rosto ás cidades onde se operou a maior parte dos seus prodigios o não se haverem arrependido, dizendo:
21 Ai de ti, Corazin! ai de ti, Bethsaida! porque, se em Tyro e em Sidon fossem feitos os prodigios que em vós se fizeram, ha muito que se teriam arrependido, [14] com sacco e com cinza.
22 Porém eu vos digo [15] que haverá menos rigor para Tyro e Sidon, no dia do juizo, do que para vós.
23 E tu, Capernaum, [16] que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se entre os de Sodoma fossem feitos os prodigios que em ti se fizeram, teriam permanecido até hoje.
24 Porém eu vos digo [17] que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juizo, do que para ti.
O jugo de Jesus.
Luc. 10.21, etc.
25 N’aquelle tempo, [18] respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que occultaste estas coisas aos sabios e intelligentes, e as revelaste aos meninos.
26 Sim, ó Pae, porque assim te aprouve.
27 Todas as coisas [19] me foram entregues por meu Pae: e ninguem conhece o Filho, senão o Pae; e ninguem conhece o Pae, senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.
28 Vinde a mim, todos os que estaes cançados e opprimidos, e eu vos alliviarei.
29 Tomae sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, [20] que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanço para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo [21] é suave e o meu fardo é leve.
Jesus é Senhor do Sabbado.
Mar. 2.2-18. Luc. 6.1.
12 N’aquelle tempo passou Jesus pelas searas, em um sabbado; e os seus discipulos tinham fome, e começaram a colher espigas, e a comer.
2 E os phariseos, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discipulos fazem o que não é licito fazer n’um sabbado.
3 Elle, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez David, [1] quando teve fome, elle e os que com elle estavam?
4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, [2] que não lhe era licito comer, nem aos que com elle estavam, mas só aos sacerdotes?
5 Ou não tendes lido na lei [3] que, aos sabbados, os sacerdotes violam o sabbado no templo, e ficam sem culpa?
6 Pois eu vos digo que está aqui [4] um maior do que o templo.
7 Mas, se vós soubesseis o que significa: [5] Misericordia quero, e não sacrificio, não condemnarieis os innocentes.
8 Porque o Filho do homem até do sabbado é Senhor.
A cura do homem que tinha uma das mãos mirrada.
Mar. 3.1-6. Luc. 6.6-11.
9 E, partindo d’ali, chegou á synagoga d’elles.
10 E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e elles, [6] para o accusarem, o interrogaram, dizendo: É licito curar nos sabbados?
11 E elle lhes disse: Qual d’entre vós será o homem que tenha uma ovelha, [7] e, se n’um sabbado a tal ovelha cair n’uma cova, não lance mão d’ella, e a levante?
12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequencia, licito fazer bem nos sabbados.
13 Então disse áquelle homem: Estende a tua mão. E elle a estendeu, e ficou sã como a outra.
14 E os phariseos, [8] tendo saido, formaram conselho contra elle, para o matarem,
15 Mas, sabendo-o, [9] retirou-se d’ali, e acompanhou-o uma grande multidão de gente, e elle os curou a todos.
16 E [10] recommendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem,
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz:
18 Eis aqui o meu servo, [11] que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz: porei sobre elle o meu espirito, e annunciará [AFM] aos gentios o juizo.
19 Não contenderá, nem clamará, nem alguem ouvirá pelas ruas a sua voz;
20 Não esmagará a canna quebrada, e não apagará o murrão que fumega, até que faça triumphar o juizo;
21 E no seu nome os gentios esperarão.
A blasphemia dos phariseos.
Luc. 11.14-23.
22 Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; [12] e, de tal modo o curou, que o cego e mudo fallava e via.
23 E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de David?
24 Mas [13] os phariseos, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demonios senão por Beelzebú, principe dos demonios.
25 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, [14] disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
26 E, se Satanaz expulsa a Satanaz, está dividido contra si mesmo; como subsistirá pois o seu reino?
27 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, por quem os expulsam então os vossos filhos? Portanto elles mesmos serão os vossos juizes.
28 Mas, se eu expulso os demonios pelo Espirito de Deus, [15] é conseguintemente chegado a vós o reino de Deus.
29 Ou, como pode alguem entrar em casa do homem valente, [16] e furtar os seus vasos, se primeiro não manietar o valente, saqueando então a sua casa?
30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
31 Portanto eu vos digo: [17] Todo o peccado e blasphemia se perdoará aos homens; porém a blasphemia contra o Espirito não será perdoada aos homens.
32 E, se qualquer fallar [18] alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-ha perdoado, mas, se alguem fallar contra o Espirito Sancto, não lhe será perdoado, nem n’este seculo nem no futuro.
Arvores e seus fructos.
Luc. 6.43-45.
33 Ou fazei a arvore boa, e o seu fructo bom, ou fazei a arvore má, e o seu fructo mau; porque pelo fructo se conhece a arvore.
34 Raça de viboras, [19] como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? pois do que é em abundancia no coração falla a bocca.
35 O homem bom tira boas coisas do thesouro do seu coração, e o homem mau do mau thesouro tira coisas más.
36 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juizo.
37 Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condemnado.
O milagre de Jonas.
Luc. 11.16, 19-32.
38 Então [20] alguns dos escribas e dos phariseos tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quizeramos ver da tua parte algum signal.
39 Mas elle lhes respondeu, e disse: A geração má e adultera pede [21] um signal, porém não se lhe dará senão o signal do propheta Jonas;
40 Pois,[22] como Jonas esteve tres dias e tres noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem tres dias e tres noites no seio da terra.
41 Os ninivitas [23] resurgirão no juizo com esta geração, e a condemnarão, [24] porque se arrependeram com a prégação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas.
42 A rainha do meio-dia [25] se levantará no dia do juizo com esta geração, e a condemnará; porque veiu dos confins da terra a ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão.
43 E, quando [26] o espirito immundo tem saido do homem, [27] anda por logares aridos, buscando repouso, e não o encontra.
44 Então diz: Voltarei para a minha casa d’onde sahi. E, voltando, acha-a desoccupada, varrida e adornada.
45 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: [28] e são os ultimos actos d’esse homem peiores do que os primeiros. Assim acontecerá tambem a esta má geração.
A familia de Jesus.
Mar. 3.31-35. Luc. 8.19-21.
46 E, fallando elle ainda á multidão, eis que [29] estavam fóra sua mãe e seus irmãos, pretendendo fallar-lhe.
47 E disse-lhe alguem: Eis que estão ali fóra tua mãe e teus irmãos, que querem fallar-te.
48 Porém elle, respondendo, disse ao que lhe fallára: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos?
49 E, estendendo a sua mão para os seus discipulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
50 Porque, [30] qualquer que fizer a vontade de meu Pae que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.
A parabola do semeador.
Mar. 4.1-20. Luc. 8.4-15.
13 E Jesus, tendo saido da casa n’aquelle dia, estava assentado junto ao mar;
2 E ajuntou-se muita gente ao pé d’elle, de sorte que, entrando n’um barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
3 E fallou-lhe de muitas coisas por parabolas, dizendo: [1] Eis que o semeador saiu a semear.
4 E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-n’a;
5 E outra parte caiu em pedregaes, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
6 Mas, vindo o sol, queimou-se, e seccou-se, porque não tinha raiz.
7 E outra caiu em espinhos, e os espinhos cresceram, e suffocaram-n’a.
8 E outra caiu em boa terra, e deu fructo: [2] um grão produziu cem, outro sessenta e outro trinta.
9 Quem tem ouvidos para ouvir, [3] oiça.
10 E, acercando-se d’elle os discipulos, disseram-lhe: Porque lhes fallas por parabolas?
11 Elle, respondendo, disse-lhes: Porque [4] a vós é dado conhecer os mysterios do reino dos céus, mas a elles não é dado;
12 Porque áquelle que tem, [5] se dará, e terá em abundancia; mas áquelle que não tem, até aquillo que tem lhe será tirado.
13 Por isso lhes fallo por parabolas; porque elles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem comprehendem.
14 E n’elles se cumpre a prophecia d’Isaias, que diz: [6] Ouvindo, ouvireis, mas não comprehendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis.
15 Porque o coração d’este povo está endurecido, [7] e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e oiçam com os ouvidos, e comprehendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.
16 Mas bemaventurados os vossos olhos, porque vêem, [8] e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17 Porque em verdade vos digo [9] que muitos prophetas e justos desejaram vêr o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram,
18 Escutae [10] vós pois a parabola do semeador.
19 Ouvindo alguem a palavra do reino, [11] e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;
20 Porém o que foi semeado em pedregaes é o que ouve a palavra, [12] e logo a recebe com alegria;
21 Mas não tem raiz em si mesmo, antes é temporão; e, chegada a angustia e a perseguição por causa da palavra, [13] logo se offende;
22 E o que foi semeado em espinhos [14] é o que ouve a palavra, mas os cuidados d’este mundo, e a seducção das riquezas, suffocam a palavra, e fica infructifera;
23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e comprehende a palavra; e dá fructo, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.
A parabola do trigo e do joio.
24 Propoz-lhes outra parabola, dizendo: O reino dos céus é similhante ao homem que semeia boa semente no seu campo;
25 Mas, dormindo os homens, veiu o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.
26 E, quando a herva cresceu e fructificou, appareceu tambem o joio.
27 E os servos do pae de familia, indo ter com elle, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Porque tem então joio?
28 E elle lhes disse: Um homem inimigo é que fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos colhel-o?
29 Porém elle lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranqueis tambem o trigo com elle.
30 Deixae crescer ambos juntos até á ceifa; e, por occasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atae-o em molhos para o queimar; [15] mas o trigo ajuntae-o no meu celleiro.
As parabolas, do grão de mostarda e do fermento.
Mar. 4.30-34. Luc. 13.18-21.
31 Outra parabola lhes propoz, dizendo: O reino dos céus é similhante ao grão de mostarda que o homem, pegando d’elle, semeou no seu campo;
32 O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma arvore, de sorte que veem as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.
33 Outra parabola lhes disse: [16] O reino dos céus é similhante ao fermento, que uma mulher, pegando d’elle, introduz em tres medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.
34 Tudo isto [17] disse Jesus por parabolas á multidão, e não lhes fallava sem parabolas;
35 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta, que disse: [18] Abrirei em parabolas a minha bocca; [19] publicarei coisas occultas desde a fundação do mundo.
Explicação da parabola do joio.
36 Então Jesus, despedindo a multidão, foi para casa. E chegaram ao pé d’elle os seus discipulos, dizendo: Explica-nos a parabola do joio do campo.
37 E elle, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem;
38 O campo é o mundo; [20] e a boa semente são os filhos do reino; [21] e o joio são os filhos do maligno;
39 O inimigo, que o semeou, [22] é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.
40 Como pois o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consummação d’este mundo.
41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e elles colherão do seu reino todos os escandalos, [23] e os que commettem iniquidade.
42 E lançal-os-hão na fornalha de fogo; [24] ali haverá pranto e ranger de dentes.
43 Então os justos resplandecerão como o sol, [25] no reino de seu Pae. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.
Parabolas, do thesouro escondido, da perola, da rede.
44 Tambem o reino dos céus é similhante a um thesouro escondido n’um campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo [26] d’elle, vae, vende tudo quanto tem, e compra aquelle campo.
45 Outrosim o reino dos céus é similhante ao homem, negociante, que busca boas perolas;
46 E, encontrando uma perola de grande valor, [27] foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.
47 Egualmente o reino dos céus é similhante a uma rede lançada ao mar, [28] e que prende toda a qualidade de peixes.
48 E, estando cheia, os pescadores a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fóra.
49 Assim será na consummação dos seculos: [29] virão os anjos, e separarão os maus d’entre os justos.
50 E lançal-os-hão na fornalha de fogo: [30] ali haverá pranto e ranger de dentes.
51 E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.
52 E elle disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruido ácerca do reino dos céus é similhante a um pae de familia, [31] que tira dos seus thesouros coisas novas e velhas.
53 E aconteceu que Jesus, concluindo estas parabolas, se retirou d’ali.
54 E, chegando á [32] sua patria, ensinava-os na synagoga d’elles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: D’onde veiu a este a sabedoria, e estas maravilhas?
55 Não é este [33] o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Thiago, e José, e Simão, e Judas?
56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? D’onde lhe veiu pois tudo isto?
57 E escandalizavam-se n’elle. [34] Jesus, porém, lhes disse: Não ha propheta sem honra, senão na sua patria e na sua casa.
58 E não fez ali muitas maravilhas, [35] por causa da incredulidade d’elles.
A morte de João Baptista.
Mar. 6.14-29. Luc. 3.19-20; 9.7-9.
Anno Domini 32
14 N’aquelle tempo ouviu Herodes, o tetrarca, a fama de Jesus,
2 E disse aos seus creados: Este é João Baptista; resuscitou dos mortos, e por isso as maravilhas obram n’elle.
3 Porque Herodes tinha prendido João, [1] e tinha-o manietado e encerrado no carcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe;
4 Porque João lhe dissera: [2] Não te é licito possuil-a.
5 E, querendo matal-o, temia o povo; [3] porque o tinham como propheta.
6 Festejando-se, porém, o dia natalicio de Herodes, dançou a filha de Herodias diante d’elle, e agradou a Herodes.
7 Pelo que prometteu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse;
8 E ella, instruida previamente por sua mãe, disse: Dá-me aqui n’um prato a cabeça de João Baptista.
9 E o rei affligiu-se, mas, por causa do juramento, e dos que estavam com elle, mandou que se lhe désse.
10 E mandou degolar João no carcere,
11 E a sua cabeça foi trazida n’um prato, e dada á menina, e ella a levou a sua mãe.
12 E chegaram os seus discipulos, e levaram o corpo, e o sepultaram; e foram annuncial-o a Jesus.
A primeira multiplicação dos pães.
Mar. 6.30-34. Luc. 9.10-17. João 6.1-14.
13 E Jesus, ouvindo isto, retirou-se d’ali n’um barco, para um logar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades.
14 E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, [4] e foi possuido de intima compaixão para com ella, e curou os seus enfermos.
15 E, sendo chegada a tarde, os seus discipulos approximaram-se-lhe, dizendo: O logar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.
16 Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão: dae-lhes vós de comer.
17 Então elles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.
18 E elle disse: Trazei-m’os aqui.
19 E, mandando que a multidão se assentasse sobre a herva, e tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, [5] partindo os pães, deu-os aos discipulos, e os discipulos á multidão.
20 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias.
21 E os que comeram foram quasi cinco mil homens, além das mulheres e creanças.
Jesus anda por cima do mar.
Mar. 6.45-46. João 6.15-21.
22 E logo ordenou Jesus que os seus discipulos entrassem no barco, e fossem adiante d’elle para a outra banda, emquanto despedia a multidão.
23 E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar á parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.
24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrario;
25 Mas, á quarta vigilia da noite, dirigiu-se Jesus para elles, caminhando por cima do mar.
26 E os discipulos, vendo-o caminhar sobre o mar, [6] assustaram-se, dizendo: É um phantasma. [7] E gritaram com medo.
27 Jesus, porém, lhes fallou logo, dizendo: Tende bom animo, sou eu, não tenhaes medo.
28 E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter comtigo por cima das aguas.
29 E elle disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as aguas para ir ter com Jesus.
30 Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar-se, clamou, dizendo: Senhor, salva-me.
31 E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, porque duvidaste?
32 E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.
33 Então approximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-o, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.
34 E, tendo passado para a outra banda, [8] chegaram á terra de Genezareth.
35 E, quando os homens d’aquelle logar o conheceram, mandaram por todas aquellas terras em redor, e trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos.
36 E rogavam-lhe para que ao menos elles tocassem a orla do seu vestido; [9] e todos os que a tocavam ficavam sãos.
A tradição dos anciãos.
Mar. 7.1-23.
15 Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e phariseos de Jerusalem, dizendo:
2 Porque [1] transgridem os teus discipulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.
3 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Porque transgredis vós tambem o mandamento de Deus pela vossa tradição?
4 Porque Deus ordenou, [2] dizendo: Honra a teu pae e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pae ou á mãe, morra de morte.
5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pae ou á mãe: [3] É offerta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; desobrigado fica. Esse não honrará de modo algum nem a seu pae nem a sua mãe,
6 E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.
7 Hypocritas, [4] bem prophetizou Isaias a vosso respeito, dizendo:
8 Este povo honra-me com os seus labios, [5] mas o seu coração está longe de mim.
9 Mas em vão me veneram, [6] ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.
10 E, [7] chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:
11 O que contamina o homem [8] não é o que entra na bocca, mas o que sae da bocca isso é o que contamina o homem.
12 Então, acercando-se d’elle os seus discipulos, disseram-lhe: Sabes que os phariseos, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?
13 Elle, porém, respondendo, disse: Toda a planta, [9] que meu Pae celestial não plantou, será arrancada.
14 Deixae-os: [10] são conductores cegos de cegos: ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.
15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [11] Explica-nos essa parabola.
16 Jesus, porém, disse: [12] Até vós mesmos estaes ainda sem entender?
17 Ainda não comprehendeis que tudo o que entra pela bocca [13] desce para o ventre, e é evacuado?
18 Mas o que sae da bocca, [14] procede do coração, e isso contamina o homem.
19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, [15] mortes, adulterios, fornicações, furtos, falsos testemunhos e blasphemias.
20 São estas coisas que contaminam o homem; comer, porém, sem lavar as mãos não contamina o homem.
A mulher cananea.
Mar. 7.24-30.
21 E, partindo Jesus d’ali, foi para as partes de Tyro e de Sidon.
22 E eis que uma mulher cananea, que saira d’aquellas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.
23 Mas elle não lhe respondeu palavra. E os seus discipulos, chegando ao pé d’elle, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando após nós.
24 E elle, respondendo, disse: [16] Eu não sou enviado senão ás ovelhas perdidas da casa d’Israel.
25 Então chegou ella, e adorou-o, dizendo: Senhor, soccorre-me.
26 Elle, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deital-o aos [17] cachorrinhos.
27 E ella disse: Sim, Senhor, mas tambem os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
28 Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher! grande é a tua fé: seja-te feito como tu desejas. E desde aquella mesma hora a sua filha ficou sã.
A segunda multiplicação dos pães.
Mar. 8.1-10.
29 E Jesus, partindo d’ali, chegou ao pé do mar da Galilea, [18] e, subindo a um monte, [19] assentou-se ali.
30 E veiu ter com elle muito povo, que trazia côxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos: e os pozeram aos pés de Jesus, e elle os sarou:
31 De tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a fallar, os aleijados sãos, os côxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus d’Israel.
32 E Jesus, chamando os seus discipulos, [20] disse: Tenho intima compaixão da multidão, porque já está comigo ha tres dias, e não tem que comer; e não quero despedil-a em jejum, para que não desfalleça no caminho.
33 E os seus discipulos disseram-lhe: [21] D’onde nos viriam no deserto tantos pães, para saciar tal multidão?
34 E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E elles disseram: Sete, e uns poucos de peixinhos.
35 E mandou á multidão que se assentasse no chão.
36 E, tomando os sete pães e os peixes, [22] e dando graças, partiu-os, [23] e deu-os aos seus discipulos, e os discipulos á multidão.
37 E todos comeram e se saciaram; e levantaram, do que sobejou dos pedaços, sete cestos cheios.
38 Ora os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e creanças.
39 E, [24] tendo despedido a multidão, entrou no barco, e dirigiu-se ao territorio de Magdala.
O fermento dos phariseos.
Mar. 8.11-12.
16 E, chegando-se [1] os phariseos e os sadduceos, e tentando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse algum signal do céu.
2 Mas elle, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro.
3 E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hypocritas, sabeis differençar a face do céu, e não sabeis differençar os signaes dos tempos?
4 Uma geração má e adultera pede um signal, [2] e nenhum signal lhe será dado, senão o signal do propheta Jonas. E, deixando-os, retirou-se.
5 E, [3] passando seus discipulos para a outra banda, tinham-se esquecido de fornecer-se de pão.
6 E Jesus disse-lhes: [4] Adverti, e acautelae-vos do fermento dos phariseos e sadduceos.
7 E elles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não nos fornecemos de pão.
8 E Jesus, conhecendo-o, disse: Porque arrazoaes entre vós, homens de pouca fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?
9 Não comprehendeis [5] ainda, nem vos lembraes dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes?
10 Nem dos sete pães para quatro mil, [6] e de quantos cestos levantastes?
11 Como não entendestes que não vos fallei a respeito do pão, mas que vos guardasseis do fermento dos phariseos e sadduceos?
12 Então comprehenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos phariseos.
A confissão de Pedro.
Mar. 8.27-33. Luc. 9.18-22. João 6.66-69.
13 E, chegando Jesus ás partes de Cesarea de Philippo, interrogou os seus discipulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
14 E elles disseram: [7] Uns João Baptista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos prophetas.
15 Disse-lhes elle: E vós, quem dizeis que eu sou?
16 E Simão Pedro, respondendo, disse: [8] Tu és o Christo, o Filho de Deus vivo.
17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bemaventurado és tu, Simão Barjonas, [9] porque t’o não revelou a carne e o sangue, mas meu Pae, que está nos céus.
18 E tambem eu te digo que tu és [AFN] Pedro, [10] e sobre esta pedra edificarei a minha egreja, [11] e as portas do inferno não prevalecerão contra ella:
19 E eu te darei as chaves do reino dos céus; [12] e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
20 Então [13] mandou aos seus discipulos que a ninguem dissessem que elle era Jesus o Christo.
21 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discipulos [14] que convinha ir a Jerusalem, e padecer muito dos anciãos, e dos principaes dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e resuscitar ao terceiro dia.
22 E Pedro, tomando-o de parte, começou a reprehendel-o, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te aconteça isso.
23 Elle, porém, voltando-se, disse a Pedro: Arreda-te de diante de mim, Satanaz, que me serves de escandalo; porque não comprehendes as coisas que são de Deus, [15] mas só as que são dos homens.
Os discipulos de Jesus devem levar as suas cruzes.
Mat. 8.34-9.1. Luc. 9.23-27.
24 Então disse Jesus aos seus discipulos: [16] Se alguem quizer vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;
25 Porque aquelle que quizer salvar a sua [AFO] vida, [17] perdel-a-ha, e quem perder a sua vida por amor de mim, achal-a-ha.
26 Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder a sua [AFP] alma? [18] ou que dará o homem em recompensa da sua alma?
27 Porque o Filho do homem virá na gloria de seu Pae, [19] com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.
28 Em verdade vos digo que alguns ha, [20] dos que aqui estão, que não gostarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.
A transfiguração.
Mar. 9.1-13. Luc. 9.28-36.
17 Seis dias depois, Jesus levou comsigo a Pedro, e a Thiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,
2 E transfigurou-se diante d’elles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz.
3 E eis que lhes appareceram Moysés e Elias, fallando com elle.
4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui tres tabernaculos, um para ti, um para Moysés, e um para Elias.
5 E, estando elle ainda a fallar, [1] eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E eis que uma voz da nuvem disse: [2] Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo: escutae-o.
6 E os discipulos, ouvindo isto, [3] cairam sobre seus rostos, e tiveram grande medo.
7 E Jesus, approximando-se-lhes, tocou-os, e disse: [4] Levantae-vos; e não tenhaes medo.
8 E, erguendo elles os olhos, ninguem viram senão unicamente a Jesus.
9 E, descendo elles do monte, Jesus lhes ordenou, [5] dizendo: A ninguem conteis a visão, até que o Filho do homem seja resuscitado dos mortos.
10 E os seus discipulos o interrogaram, dizendo: [6] Porque dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?
11 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, [7] e restaurará todas as coisas;
12 Mas digo-vos que Elias já veiu, e não o conheceram, [8] mas fizeram-lhe tudo o que quizeram. Assim padecerá tambem d’elles o Filho do homem.
13 Então [9] entenderam os discipulos que lhes fallara de João Baptista.
A cura d’um lunatico.
Mar. 9.13-32. Luc. 9.37-45.
14 E, quando chegaram á multidão, approximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante d’elle, e dizendo:
15 Senhor, tem misericordia de meu filho, que é lunatico e soffre muito; pois muitas vezes cae no fogo, e muitas vezes na agua;
16 E trouxe-o aos teus discipulos; e não poderam cural-o.
17 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei eu comvosco, e até quando vos soffrerei? Trazei-m’o aqui.
18 E reprehendeu Jesus o demonio, e saiu d’elle, e desde aquella hora o menino sarou.
19 Então os discipulos, approximando-se de Jesus em particular, disseram: Porque não podémos nós expulsal-o?
20 E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; [10] porque em verdade vos digo que, se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a este monte: Passa d’aqui para acolá: e havia de passar; e nada vos seria impossivel.
21 Mas esta casta de demonios não se expulsa senão pela oração e por jejum.
22 Ora, achando-se elles na Galilea, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens;
23 E matal-o-hão, [11] e ao terceiro dia resuscitará. E elles se entristeceram muito.
Jesus paga o tributo.
24 E, [12] chegando elles a Capernaum, approximaram-se de Pedro os que cobravam as didrachmas, e disseram: O vosso mestre não paga as didrachmas?
25 Disse elle: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
26 Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, são livres os filhos:
27 Mas, para que os não escandalizemos, vae ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e, abrindo-lhe a bocca, encontrarás um státer; toma-o, e dá-o por mim e por ti.
O maior no reino dos céus.
Mar. 9.32-37. Luc. 9.46-48.
Anno Domini 33
18 N’aquella mesma hora chegaram os discipulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus?
2 E Jesus, chamando um menino, o poz no meio d’elles,
3 E disse: Em verdade vos digo que, [1] se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, [2] aquelle que se humilhar como este menino, este é o maior no reino dos céus.
5 E qualquer que receber em meu nome [3] um menino tal como este a mim me recebe.
6 Mas qualquer que escandalizar um d’estes pequeninos, [4] que crêem em mim, melhor lhe fôra que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e se submergisse na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos escandalos; [5] porque é mister que venham escandalos, [6] mas ai d’aquelle homem por quem o escandalo vem!
8 Portanto, [7] se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti: melhor te é entrar na vida côxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
9 E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno.
10 Olhae, não desprezeis algum d’estes pequeninos, [8] porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pae que está nos céus.
11 Porque [9] o Filho do homem veiu salvar o que se tinha perdido.
12 Que vos parece? [10] Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma d’ellas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou?
13 E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquella do que pelas noventa e nove que se não desgarraram.
14 Assim tambem não é vontade de vosso Pae, que está nos céus, que um d’estes pequeninos se perca.
O perdão do peccado d’um irmão.
15 Ora, [11] se teu irmão peccar contra ti, vae, e reprehende-o entre ti e elle só; se te ouvir, [12] ganhaste a teu irmão;
16 Se te não ouvir, porém, leva ainda comtigo [13] um ou dois, para que pela bocca de duas ou tres testemunhas toda a palavra seja confirmada.
17 E, se os não escutar, dize-o á egreja; e, se tambem não escutar a egreja, [14] considera-o como um gentio e publicano.
18 Em verdade vos digo [15] que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
19 Tambem vos digo [16] que, se dois de vós concordarem na terra ácerca de qualquer coisa que pedirem, [17] isso lhes será feito por meu Pae, que está nos céus.
20 Porque onde estiverem dois ou tres reunidos em meu nome, ahi estou eu no meio d’elles.
21 Então Pedro, approximando-se d’elle, disse: Senhor, até quantas vezes peccará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? [18] Até sete?
22 Jesus lhe disse: Não te digo: Até sete, [19] mas, até setenta vezes sete.
A parabola do credor incompassivo.
23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quiz fazer contas com os seus servos;
24 E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
25 E, não tendo elle com que pagar, o seu senhor mandou vendel-o, [20] e a sua mulher e filhos, com tudo quanto tinha, para que a divida se lhe pagasse.
26 Então aquelle servo, prostrando-se, o adorava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
27 Então o senhor d’aquelle servo, movido de intima compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a divida.
28 Saindo, porém, aquelle servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem [AFQ] dinheiros, e, lançando mão d’elle, suffocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
29 Então o seu conservo, prostrando-se aos seus pés rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
30 Elle, porém, não quiz, antes foi encerral-o na prisão, até que pagasse a divida.
31 Vendo pois os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passára.
32 Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquella divida, porque me supplicaste:
33 Não devias tu egualmente ter compaixão do teu companheiro, como eu tambem tive misericordia de ti?
34 E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.
35 Assim vos fará tambem meu Pae celestial, [21] se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas offensas.
Ácerca do divorcio.
Mar. 10.1-12.
19 E aconteceu que, [1] concluindo Jesus estes discursos, saiu da Galilea, e dirigiu-se aos confins da Judéa, dalem do Jordão;
2 E seguiram-o muitas gentes, [2] e curou-as ali.
3 Então chegaram ao pé d’elle os phariseos, tentando-o, e dizendo-lhe: É licito ao homem repudiar sua mulher por qualquer coisa?
4 Elle, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquelle que os fez no principio [3] macho e femea os fez?
5 E disse: Portanto deixará o homem pae e mãe, [4] e se unirá a sua mulher, [5] e serão dois n’uma só carne.
6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem.
7 Disseram-lhe elles: Então porque mandou Moysés dar-lhe carta de divorcio, [6] e repudial-a?
8 Disse-lhes elle: Moysés por causa da dureza dos vossos corações vos permittiu repudiar vossas mulheres; mas ao principio não foi assim.
9 Eu vos digo, [7] porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, commette adulterio; e o que casar com a repudiada tambem commette adulterio.
10 Disseram-lhe seus discipulos: [8] Se assim é a condição do homem relativamente á mulher, não convem casar.
11 Elle, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas [9] só aquelles a quem foi concedido.
12 Porque ha eunuchos que assim nasceram do ventre da mãe; [10] e ha eunuchos que foram castrados pelos homens; e ha eunuchos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.
Jesus abençoa os meninos.
Mar. 10.13-16. Luc. 18.15-17.
13 Trouxeram-lhe então alguns meninos, para que lhes impozesse as mãos, e orasse; mas os discipulos os reprehendiam.
14 Jesus, porém, disse: Deixae os meninos, e não os estorveis de vir a mim; [11] porque de taes é o reino dos céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu d’ali.
O mancebo rico.
Mar. 10.17-31. Luc. 18.18-30.
16 E eis que, approximando-se d’elle um mancebo, disse-lhe: [12] Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?
17 E elle disse-lhe: Porque me chamas bom? Não ha bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
18 Disse-lhe elle: Quaes? E Jesus disse: [13] Não matarás, não commetterás adulterio, não furtarás, não dirás falso testemunho;
19 Honra teu pae e tua mãe, e [14] amarás o teu proximo como a ti mesmo.
20 Disse-lhe o mancebo: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, [15] vae, vende tudo o que tens, dá aos pobres, e terás um thesouro no céu; e vem, e segue-me.
22 E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuia muitas propriedades.
23 Disse então Jesus aos seus discipulos: Em verdade vos digo [16] que difficilmente entrará um rico no reino dos céus.
24 E outra vez vos digo que é mais facil passar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
25 Os seus discipulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?
26 E Jesus, olhando para elles, disse-lhes: Aos homens é isso impossivel, [17] mas a Deus tudo é possivel.
27 Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: [18] Eis que nós deixámos tudo, e te seguimos; qual será então o nosso galardão?
28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no throno da sua [19] gloria, tambem vos assentareis sobre doze thronos, para julgar as doze tribus d’Israel.
29 E todo aquelle que tiver deixado [20] casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pae, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.
30 Porém [21] muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros.
A parabola dos trabalhadores e das diversas horas do trabalho.
20 Porque o reino dos céus é similhante a um homem, pae de familia, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
2 E, ajustando com os trabalhadores a um [AFR] dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
4 E disse-lhes: Ide vós tambem para a vinha, e dar-vos-hei o que fôr justo. E elles foram.
5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6 E, saindo perto da hora undecima, encontrou outros que estavam ociosos, e diz-lhes: Porque estaes ociosos todo o dia?
7 Dizem-lhe elles: Porque ninguem nos assalariou. Diz-lhes elle: Ide vós tambem para a vinha, e recebereis o que fôr justo.
8 E, approximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando desde os derradeiros até aos primeiros.
9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undecima, receberam um dinheiro cada um.
10 Chegando, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; e tambem receberam um dinheiro cada um;
11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pae de familia,
12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os egualaste comnosco, que supportámos a fadiga e a calma do dia.
13 Elle, porém, respondendo, disse a um d’elles: Amigo, não te faço aggravo; não ajustaste tu comigo por um dinheiro?
14 Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
15 Ou não me é licito fazer o que quizer do que é meu? [1] Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim [2] os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
O pedido dos filhos de Zebedeo.
Mar. 10.32-45. Luc. 18.31-34.
17 E Jesus, subindo a Jerusalem, [3] chamou de parte os seus doze discipulos, e no caminho disse-lhes:
18 Eis que subimos a Jerusalem, [4] e o Filho do homem será entregue aos principes dos sacerdotes, e aos escribas, e condemnal-o-hão á morte.
19 E o entregarão aos gentios [5] para que d’elle escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia resuscitará.
20 Então [6] se approximou d’elle a mãe dos filhos de Zebedeo, com seus filhos, adorando-o, e pedindo-lhe alguma coisa.
21 E elle diz-lhe: Que queres? Diz-lhe ella: [7] Dize que estes meus dois filhos se assentem, um á tua direita e outro á tua esquerda, no teu reino.
22 Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; [8] podeis vós beber o calix que eu hei de beber, e ser baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado? Dizem-lhe elles: Podemos.
23 E diz-lhes elle: Na verdade bebereis [9] o meu calix e sereis baptizados com o baptismo com que eu sou baptizado, mas assentar-se á minha direita ou á minha esquerda não me pertence concedel-o, mas será para aquelles a quem meu Pae o tem preparado.
24 E, [10] quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos.
25 Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que os principes [AFS] dos gentios os dominam, e que os grandes exercem auctoridade sobre elles.
26 Não será assim entre vós; [11] mas todo aquelle que quizer entre vós fazer-se grande seja vosso [AFT] servente;
28 Assim como o Filho do homem não veiu para ser servido, [13] mas a servir, e a dar a sua vida em resgate por muitos.
Os dois cegos de Jericó.
Mar. 10.46-52. Luc. 18.35-43.
29 E, saindo elles de Jericó, seguiu-o grande multidão,
30 E eis que dois cegos, [14] assentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.
31 E a multidão os reprehendia, para que se calassem; elles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, Filho de David, tem misericordia de nós.
32 E Jesus, parando, chamou-os, e disse: Que quereis que vos faça?
33 Disseram-lhe elles: Senhor, que os nossos olhos sejam abertos.
34 Então Jesus, movido de intima compaixão, tocou-lhe nos olhos, e logo viram; e o seguiram.
A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.
Mar. 11.1-10. Luc. 19.29-38.
21 E, quando se approximaram de Jerusalem, e chegaram a Bethphage, ao monte das Oliveiras, [1] enviou então Jesus dois discipulos, dizendo-lhes:
2 Ide á aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ella; desprendei-a, e trazei-m’os.
3 E, se alguem vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os ha de mister: e logo os enviará.
4 Ora tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta, que diz:
5 Dizei á filha de Sião: [2] Eis que o teu Rei ahi te vem, manso, e assentado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho, filho de animal sujeito ao jugo.
6 E, indo os discipulos, [3] e fazendo como Jesus lhes ordenára,
7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, [4] e sobre elles pozeram os seus vestidos, e fizeram-n’o assentar em cima.
8 E muitissima gente estendia os seus vestidos pelo caminho, [5] e outros cortavam ramos d’arvores, e os espalhavam pelo caminho.
9 E a multidão que ia adeante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosanna ao Filho de David; [6] bemdito o que vem em nome do Senhor: Hosanna nas alturas.
10 E, entrando elle em Jerusalem, [7] toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?
11 E a multidão dizia: Este é Jesus, [8] o Propheta de Nazareth da Galilea.
A purificação do templo.
Mar. 11.15-18. Luc. 19.45-48.
12 E entrou Jesus no templo de Deus, [9] e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas:
13 E disse-lhes: Está escripto: [10] A minha casa será chamada casa de oração: mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.
14 E foram ter com elle ao templo cegos e côxos, e curou-os.
15 Vendo então os principaes dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo, Hosanna ao Filho de David; indignaram-se,
16 E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: [11] Pela bocca dos meninos e das creancinhas de peito aperfeiçoaste o louvor?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para Bethania, [12] e ali passou a noite.
A figueira secca.
Mar. 11.12-14 e 19-24.
18 E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;
19 E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ella, e não achou n’ella senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fructo de ti. E a figueira seccou immediatamente.
20 E os discipulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: [13] Como seccou immediatamente a figueira?
21 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, [14] se tiverdes fé e não duvidardes, [15] não só fareis isto á figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito;
22 E tudo o que pedirdes na oração, crendo, [16] o recebereis.
O baptismo de João.
Mar. 11.27-33. Luc. 20.1-8.
23 E, chegando ao templo, acercaram-se d’elle, estando já ensinando, os principes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que auctoridade fazes isto? e quem te deu essa auctoridade?
24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu tambem vos perguntarei uma coisa; se m’a disserdes, tambem eu vos direi com que auctoridade faço isto.
25 O baptismo de João d’onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos dirá: Então porque não o crestes?
26 E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, [17] porque todos consideram João como propheta.
27 E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Elle disse-lhes: Nem eu vos digo com que auctoridade faço isto.
A parabola dos dois filhos.
28 Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vae trabalhar hoje na minha vinha.
29 Elle, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi.
30 E, dirigindo-se ao segundo, fallou-lhe de egual modo; e, respondendo elle, disse: Eu vou, senhor; e não foi.
31 Qual dos dois fez a vontade do pae? Disseram-lhe elles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: [18] Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes vos precedem no reino de Deus.
32 Porque João veiu a vós no caminho de justiça, [19] e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram: vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer.
A parabola dos lavradores maus.
Mar. 12.1-12. Luc. 20.9, 18.
33 Ouvi ainda outra parabola: Houve um homem, pae de familia, que plantou uma vinha, [20] e circumdou-a de um vallado, e construiu n’ella um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe:
34 E, chegando o tempo dos fructos, enviou os seus servos aos lavradores, [21] para receberem os seus fructos.
35 E os lavradores, apoderando-se dos servos, [22] feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro.
36 Depois enviou outros servos, em maior numero do que os primeiros; e fizeram-lhes o mesmo;
37 E por ultimo enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho.
38 Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: [23] Este é o herdeiro; vinde, matemol-o, e apoderemo-nos da sua herança.
39 E, lançando mão d’elle, [24] o arrastaram para fóra da vinha, e o mataram.
40 Quando pois vier o senhor da vinha, que fará áquelles lavradores?
41 Dizem-lhe elles: [25] Dará affrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seus tempos lhe dêem os fructos.
42 Diz-lhes Jesus: [26] Nunca lestes nas Escripturas: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do angulo: pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos?
43 Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, [27] e será dado a gente que dê os seus fructos.
44 E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-ha; [28] e sobre quem ella cair esmagal-o-ha.
45 E os principes dos sacerdotes e os phariseos, ouvindo estas palavras, entenderam que fallava d’elles;
46 E, pretendendo prendel-o, receiaram o povo, [29] porquanto o tinham por propheta.
A parabola das bodas.
Luc. 14.16-24.
22 Então Jesus, tomando a [1] palavra, tornou a fallar-lhes em parabolas, dizendo:
2 O reino dos céus é similhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;