← Table of contents
A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

O LIVRO DOS PSALMOS.

João Ferreira d' Almeida translation

A felicidade dos justos e o castigo dos impios.

Antes de Christo

1 Bemaventurado o [1] varão que não anda no conselho dos impios, nem está no caminho dos peccadores, nem se assenta [2] no assento dos escarnecedores.

2 Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua [3] lei medita de dia e de noite.

3 Pois será como a arvore plantada junto [4] a ribeiros de aguas, que dá o seu fructo no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto [5] fizer prosperará.

4 Não são assim os impios: mas são como a [6] moinha que o vento espalha.

5 Pelo que os impios não subsistirão no juizo, nem os peccadores na congregação dos justos.

6 Porque o Senhor [7] conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos impios perecerá.

A rebellião das gentes e a victoria do Messias.

2 Porque [1] se amotinam as gentes, e os povos imaginam a vaidade?

2 Os reis da terra se levantam, e os principes consultam juntamente contra o Senhor [2] e contra o seu ungido, dizendo:

3 Rompamos [3] as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.

4 Aquelle que habita nos céus se rirá: o Senhor zombará [4] d’elles.

5 Então lhes fallará na sua ira, e no seu furor os turbará.

6 Eu porém ungi o meu Rei sobre o meu sancto [5] monte de Sião.

7 Recitarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, [6] eu hoje te gerei.

8 Pede-me, [7] e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão.

9 Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; [8] tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.

10 Agora pois, ó reis, sêde prudentes; deixae-vos instruir, juizes da terra.

11 Servi [9] ao Senhor com temor, e alegrae-vos com tremor.

12 Beijae ao Filho, para que [10] se não ire, [11] e pereçaes no caminho, quando em breve se accender a sua ira: bemaventurados todos aquelles que n’elle confiam.

David confia em Deus na sua adversidade.

Psalmo de David, quando fugiu de diante da face de Absalão seu filho.

3 Senhor, como se teem [1] multiplicado os meus adversarios! são muitos os que se levantam contra mim.

2 Muitos dizem da minha alma: Não ha salvação [2] para elle em Deus (Selah).

3 Porém tu, Senhor, és um escudo [3] para mim, a minha gloria, e o que exalta a minha cabeça.

4 Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu sancto monte (Selah).

5 Eu me deitei e dormi: [4] acordei; porque o Senhor me sustentou.

6 Não temerei os milhares de povo que se pozeram contra mim e me cercam.

7 Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois [5] feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos impios.

8 A salvação vem [6] do Senhor; sobre o teu povo seja a tua benção. (Selah).

David ora a Deus na sua angustia.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

4 Ouve-me; quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angustia me déste largueza; tem misericordia de mim e ouve a minha oração.

2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha gloria em infamia? até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selah).

3 Sabei [1] pois que o Senhor separou para si aquelle que lhe é querido; o Senhor ouvirá quando eu clamar a elle.

4 Perturbae-vos [2] e não pequeis: fallae com o vosso coração sobre a vossa cama, e calae-vos. (Selah).

5 Offerecei sacrificios [3] de justiça, e confiae no Senhor.

6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Senhor, [4] exalta sobre nós a luz do teu rosto.

7 Pozéste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram [5] o seu trigo e o seu vinho.

8 Em paz tambem me deitarei e dormirei, [6] porque só tu, [7] Senhor, me fazes habitar em segurança.

Deus aborrece os impios e abençoa os justos.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Nehiloth.

5 Dá ouvidos ás minhas palavras, ó Senhor, entende a minha meditação.

2 Attende á voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei.

3 Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apresentarei a ti, e vigiarei.

4 Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem comtigo habitará o mal.

5 Os loucos não [1] pararão á tua vista; [2] aborreces a todos os que obram a maldade.

6 Destruirás aquelles que fallam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinario e fraudulento.

7 Porém eu entrarei em tua casa pela grandeza de tua benignidade; e em teu temor me inclinarei para o teu sancto templo.

8 Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos: endireita diante de mim o teu caminho.

9 Porque não ha rectidão na bocca d’elles: as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulchro aberto; lisongeam com a sua lingua.

10 Declara-os culpados, ó Deus: caiam [3] por seus proprios conselhos; lança-os fóra por causa da multidão de suas transgressões, pois se rebellaram contra ti.

11 Porém alegrem-se [4] todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome.

12 Pois tu, Senhor, abençoarás ao justo; coroal-o-has com a tua benevolencia, como de um escudo.

David recorre á misericordia de Deus e alcança perdão.

Psalmo de David para o cantor-mór em Neginoth, sobre Sheminith.

6 Senhor, [1] não me reprehendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.

2 Tem misericordia de mim, Senhor, porque sou fraco: [2] sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.

3 Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?

4 Volta-te, Senhor, livra a minha alma: salva-me por tua benignidade.

5 Porque na morte [3] não ha lembrança de ti; no sepulchro quem te louvará?

6 Já estou cançado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lagrimas.

7 Já os meus olhos estão consumidos pela magoa, e teem-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.

8 Apartae-vos de [4] mim todos os que obraes a iniquidade; porque o Senhor já ouviu a voz do meu pranto.

9 O Senhor já ouviu a minha supplica; o Senhor acceitará a minha oração.

10 Envergonhem-se e perturbem-se todos os meus inimigos; tornem atraz e envergonhem-se n’um momento.

David confia em Deus e protesta a sua innocencia.

Schiggaion de David que cantou ao Senhor, sobre as palavras de Cush, filho de Jemini.

7 Senhor, meu [1] Deus, em ti confio: salva-me de todos os que me perseguem, e livra-me;

2 Para que [2] elle não arrebate a minha alma, como leão, despedaçando-a, sem que haja quem a livre;

3 Senhor, meu Deus, [3] se eu fiz isto, se ha perversidade nas minhas mãos,

4 Se paguei com o mal áquelle que tinha paz comigo (antes livrei ao que me opprimia sem causa):

5 Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha gloria. (Selah.)

6 Levanta-te Senhor, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus oppressores; [4] e desperta por mim para o juizo que ordenaste.

7 Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa d’elles pois volta-te para as alturas.

8 O Senhor julgará aos povos; julga-me, Senhor, [5] conforme a minha justiça e conforme a integridade que ha em mim.

9 Tenha já fim a malicia dos impios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo [6] Deus, provas os corações e os rins.

10 O meu escudo é de Deus, que salva os rectos de coração.

11 Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.

12 Se elle se não converter, amolará a sua espada; [7] já tem armado o seu arco, e está apparelhado.

13 E já para elle preparou armas mortaes; e porá em obra as suas settas inflammadas contra os perseguidores.

14 Eis que elle está [8] com dôres de perversidade; concebeu trabalhos, e parirá mentiras.

15 Cavou [9] um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez.

16 A sua obra cairá [10] sobre a sua cabeça; e a sua violencia descerá sobre a sua mioleira.

17 Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor altissimo.

Deus é glorificado nas suas obras e na sua bondade para com o homem.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Gittith.

8 Ó Senhor, [1] nosso Senhor, quão admiravel é o teu nome em toda a terra, [2] pois pozeste a tua gloria sobre os céus!

2 Tu ordenaste força [3] da bocca das creanças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.

3 Quando vejo [4] os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrellas que preparaste;

4 Que é o homem [5] mortal para que te lembres d’elle? e o filho do homem, para que o visites?

5 Pois pouco menor o fizeste do que [NL] os anjos, e de gloria e de honra o coroaste.

6 Fazes com que elle tenha dominio sobre [6] as obras das tuas mãos; tudo pozeste debaixo de seus pés:

7 Todas as ovelhas e bois, assim como os animaes do campo,

8 As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares.

9 Ó Senhor, nosso Senhor, quão admiravel é o teu nome sobre toda a terra!

Acção de graças por um grande livramento.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Muth-labben.

9 Eu te louvarei, Senhor, com todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas.

2 Em ti me alegrarei [1] e saltarei de prazer; cantarei louvores ao teu nome, ó Altissimo.

3 Porquanto os meus inimigos voltaram para traz, cairam e pereceram diante da tua face.

4 Pois tu tens sustentado o meu direito e a minha causa; tu te assentaste no tribunal, julgando justamente.

5 Reprehendeste as nações, destruiste os impios; [2] apagaste o seu nome para sempre e eternamente.

6 Oh! inimigo! acabaram-se para sempre as assolações;—e tu arrazaste as cidades, e a sua memoria pereceu com ellas.

7 Mas o Senhor está assentado [3] perpetuamente; já preparou o seu tribunal para julgar.

8 Elle mesmo julgará o mundo com justiça; fará juizo aos povos com rectidão.

9 O Senhor será tambem [4] um alto refugio para o opprimido; um alto refugio em tempos de angustia.

10 E em ti confiarão os que conhecem [5] o teu nome; porque tu, Senhor, nunca desamparaste aos que te buscam.

11 Cantae louvores ao Senhor, que habita em Sião; annunciae entre os povos os seus feitos.

12 Pois quando [6] busca derramamento de sangue, lembra-se d’elles; não se esquece do clamor dos miseraveis.

13 Tem misericordia de mim, Senhor, olha para a minha miseria, que soffro d’aquelles que me aborrecem; tu que me levantas das portas da morte,

14 Para que eu conte todos os teus louvores nas portas da filha de Sião, e me alegre na tua salvação.

15 As gentes [7] enterraram-se na cova que fizeram; na rede que ocultaram ficou preso o seu pé.

16 O Senhor é conhecido [8] pelo juizo que fez; enlaçado foi o impio nas obras de suas mãos (Higgaion; Selah).

17 Os impios serão lançados no inferno, e todas as gentes [9] que se esquecem de Deus.

18 Porque o necessitado não será esquecido para sempre, [10] nem a expectação dos miseraveis perecerá perpetuamente.

19 Levanta-te, Senhor; não prevaleça o homem; sejam julgadas as gentes diante da tua face.

20 Põe-os em medo, Senhor, para que saibam as nações que não são mais do que homens (Selah).

A audacia dos perseguidores, e o refugio em Deus.

10 Porque estás ao longe, Senhor? Porque te escondes nos tempos de angustia?

2 Os impios na [1] sua arrogancia perseguem furiosamente o miseravel; sejam apanhados nas ciladas que machinaram.

3 Porque o impio gloria-se do desejo da sua alma; [2] bemdiz ao avarento, e blasphema do Senhor.

4 Pela altivez do seu rosto o impio não busca a Deus: todas as suas cogitações são que não ha Deus.

5 Os seus caminhos atormentam sempre: os teus juizos estão longe da vista d’elle em grande altura, e despreza aos seus inimigos.

6 Diz em seu coração: [3] Não serei commovido, porque nunca me verei na adversidade.

7 A sua bocca está cheia [4] d’inprecações, d’enganos e d’astucia; debaixo da sua lingua ha molestia e maldade.

8 Põe-se nas emboscadas das aldeias; nos logares [5] occultos mata ao innocente; os seus olhos estão occultamente fitos contra o pobre.

9 Arma ciladas [6] no esconderijo, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar ao miseravel; rouba ao miseravel, trazendo-o na sua rede.

10 Encolhe-se, abaixa-se, para que os pobres caiam em suas fortes garras.

11 Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, [7] e nunca o verá.

12 Levanta-te, Senhor: oh! Deus, levanta [8] a tua mão; não te esqueças dos miseraveis.

13 Porque blasphema o impio de Deus? dizendo no seu coração: Tu não o esquadrinharás?

14 Tu o viste, porque attentas para o trabalho e enfado, para o entregar em tuas mãos; [9] a ti o pobre se encommenda, tu és o auxilio do orphão.

15 Quebra o braço do impio e malvado; busca a sua impiedade, até que nenhuma encontres.

16 O Senhor [10] é Rei eterno; da sua terra perecerão [NM] os gentios.

17 Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás [11] os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para elles;

18 Para fazer [12] justiça ao orphão e ao opprimido, afim de que o homem da terra não prosiga mais em usar da violencia.

Deus salva os rectos e castiga os impios.

Psalmo de David para o cantor-mór.

11 No Senhor confio; como dizeis á minha alma: Foge para a vossa montanha como passaro?

2 Pois eis que os impios armam o arco, põem as frechas na corda, para com ellas atirarem ás escuras aos rectos de coração.

3 Na verdade que já os fundamentos se transtornam: o que pode fazer o justo?

4 O Senhor está [1] no seu sancto templo: o throno do Senhor está nos céus; os seus olhos attendem, e as suas palpebras provam os filhos dos homens.

5 O Senhor prova [2] ao justo; porém ao impio e ao que ama a violencia aborrece a sua alma.

6 Sobre os impios fará [3] chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso: isto será a porção do seu copo.

7 Porque o Senhor é justo, [4] e ama a justiça; o seu rosto olha para os rectos.

A falsidade do homem e a veracidade de Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Sheminith.

12 Salva-nos, Senhor, [1] porque faltam os homens bons; porque são poucos os fieis entre os filhos dos homens.

2 Cada um falla [2] a falsidade ao seu proximo: fallam com labios lisongeiros e coração dobrado.

3 O Senhor cortará todos os labios lisongeiros e a lingua que falla [3] soberbamente.

4 Pois dizem: Com a nossa lingua prevaleceremos: são nossos os beiços; quem é o Senhor sobre nós?

5 Pela oppressão dos miseraveis, pelo gemido dos [4] necessitados me levantarei agora, diz o Senhor; porei em salvo aquelle para quem elles assopram.

6 As palavras do Senhor [5] são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.

7 Tu os guardarás, Senhor; d’esta geração os livrarás para sempre.

8 Os impios andam cercando, emquanto os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.

David, na sua extrema tristeza, recorre a Deus e confia n’elle.

Psalmo de David para o cantor-mór.

13 Até quando te esquecerás de mim, Senhor? para sempre? até quando [1] esconderás de mim o teu rosto?

2 Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo?

3 Attende-me, ouve-me, ó Senhor meu Deus; [2] alumia os meus olhos para que eu não adormeça na morte;

4 Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra elle; e os meus adversarios se não alegrem, vindo eu a vacillar.

5 Mas eu confio [3] na tua benignidade: na tua [4] salvação se alegrará o meu coração.

6 Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.

A corrupção do homem; sua redempção provém de Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór.

14 Disse o nescio no seu coração: Não ha Deus. Teem-se corrompido, [1] fazem-se abominaveis em suas obras, não ha ninguem que faça o bem.

2 O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.

3 Desviaram-se todos [2] e juntamente se fizeram immundos: não ha quem faça o bem, não ha sequer um.

4 Não terão conhecimento os que obram a iniquidade? [3] os quaes comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao Senhor.

5 Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos.

6 Vós envergonhaes o conselho dos pobres, porquanto o Senhor é o seu refugio.

7 Oh, se de Sião [4] tivera já vindo a redempção d’Israel! quando o Senhor fizer voltar os captivos do seu povo, se regozijará Jacob e se alegrará Israel.

O verdadeiro cidadão dos céus.

Psalmo de David.

15 Senhor, quem habitará no teu tabernaculo? quem morará no teu sancto monte?

2 Aquelle que anda sinceramente, e [1] obra a justiça, e falla a verdade do seu coração.

3 Aquelle que não murmura com a sua lingua, nem faz mal ao seu proximo, [2] nem acceita nenhum opprobrio contra o seu proximo.

4 Em [3] cujos olhos o reprobo é desprezado; mas honra aos que temem ao Senhor. Aquelle que jura com damno seu, e comtudo não muda.

5 Aquelle que não dá o seu dinheiro á usura, nem recebe peitas contra o innocente: quem faz isto nunca será abalado.

A confiança e felicidade do crente e a certeza da vida eterna.

Psalmo excellentissimo de David.

16 Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio.

2 A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor, [1] a minha bondade não chega á tua presença,

3 Mas aos sanctos que estão na terra, e aos illustres em quem está todo o meu prazer.

4 As dôres se multiplicarão áquelles que fazem offerendas a outro deus; eu não offerecerei as suas libações de sangue, [2] nem tomarei os seus nomes nos meus labios.

5 O Senhor [3] é a porção da minha herança e do meu calix: tu sustentas a minha sorte.

6 As [NN] linhas caem-me em logares deliciosos: sim, coube-me uma formosa herança.

7 Louvarei ao Senhor que me aconselhou: até os meus rins me ensinam de noite.

8 Tenho [4] posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que elle está á minha mão direita, nunca vacillarei.

9 Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha gloria: tambem a minha carne repousará segura.

10 Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permittirás que o teu [NO] Sancto veja corrupção.

11 Far-me-has ver a vereda da vida; na tua presença ha fartura de [5] alegrias; á tua mão direita ha delicias perpetuamente.

David pede a Deus que o proteja dos seus inimigos; confia na sua innocencia e na justiça de Deus.

Oração de David.

17 Ouve, Senhor, a justiça, attende ao meu clamor; dá ouvidos á minha oração, que não é feita com labios enganosos.

2 Saia o meu juizo de diante do teu rosto; attendam os teus olhos á razão.

3 Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me, e nada achaste; propuz que a minha bocca não transgredirá.

4 Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus labios me guardei das veredas do [NP] destruidor.

5 Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pégadas não vacillem.

6 Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus ouvidos, e escuta as minhas palavras.

7 Faze maravilhosas as tuas beneficencias, ó tu que livras aquelles que em ti confiam dos que se levantam contra a tua mão direita.

8 Guarda-me [1] como á menina do olho, esconde-me debaixo da sombra das tuas azas,

9 Dos impios que me [NQ] opprimem, dos meus inimigos mortaes que me andam cercando.

10 Na sua gordura se encerram, com a bocca fallam soberbamente.

11 Teem-nos cercado agora nossos passos; [NR] e abaixaram os seus olhos para a terra;

12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua preza, e com o leãosinho que se põe em esconderijos.

13 Levanta-te, Senhor, detem-n’a, derriba-o, livra a minha alma do impio, com a espada tua,

14 Dos homens que são a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção está n’esta vida, e cujo ventre enches do teu thesouro occulto: estão fartos de filhos e dão os seus sobejos ás suas creanças.

15 Emquanto [2] a mim, contemplarei a tua face na justiça; satisfazer-me-hei da tua similhança quando acordar.

Cantico de louvor a Deus pelas suas muitas bençãos.

Para o cantor-mór: psalmo do servo do Senhor, David, o qual fallou as palavras d’este cantico ao Senhor, no dia em que o Senhor o livrou de todos os seus inimigos e das mãos de Saul, e disse:

18 Eu te amarei do coração, ó Senhor, fortaleza minha.

2 O Senhor é o meu rochedo, e o meu logar forte e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio, [1] o meu escudo, [NS] a força da minha salvação, e o meu alto refugio.

3 Invocarei o nome do Senhor, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.

4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram.

5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surprehenderam.

6 Na angustia invoquei ao Senhor, e clamei ao meu Deus: desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.

7 Então a terra [2] se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes tambem se moveram e se abalaram, porquanto se indignou.

8 Do seu nariz subiu fumo, e da sua bocca saiu fogo que consumia; carvões se accenderam d’elle.

9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés.

10 E montou n’um cherubim, e voou; sim, voou sobre as azas do vento.

11 Fez das trevas o seu logar occulto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das aguas e as nuvens dos céus.

12 Ao resplandor da sua presença as nuvens se espalharam; a saraiva e as brazas de fogo.

13 E o Senhor trovejou nos céus, o Altissimo levantou a sua voz; a saraiva e as brazas de fogo.

14 Despediu [3] as suas settas, e os espalhou: multiplicou raios, e os perturbou.

15 Então foram vistas as profundezas das aguas, e foram descobertos os fundamentos do mundo; pela tua reprehensão, Senhor, ao sopro do vento dos teus narizes.

16 Enviou desde o alto, e me tomou: tirou-me das muitas aguas.

17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me aborreciam, pois eram mais poderosos do que eu.

18 Surprehenderam-me no dia da minha calamidade; mas o Senhor foi o meu encosto.

19 Trouxe-me para um logar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.

20 Recompensou-me [4] o Senhor conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.

21 Porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus.

22 Porque todos os seus juizos estavam diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.

23 Tambem fui sincero perante elle, e me guardei da minha iniquidade.

24 Portanto retribuiu-me o Senhor conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.

25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;

26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomavel.

27 Porque tu livrarás ao povo afflicto, e abaterás os olhos altivos.

28 Porque tu [5] accenderás a minha candeia; o Senhor meu Deus allumiará as minhas trevas.

29 Porque comtigo entrei pelo meio d’um esquadrão, com o meu Deus saltei uma muralha.

30 O caminho de Deus [6] é perfeito; a palavra do Senhor é provada: é um escudo para todos os que n’elle confiam.

31 Porque quem [7] é Deus senão o Senhor? e quem é rochedo senão o nosso Deus?

32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.

33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.

34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.

35 Tambem me déste o escudo da tua salvação: a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.

36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacillaram.

37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei: não voltei senão depois de os ter consumido.

38 Atravessei-os, de sorte que não se poderam levantar: cairam debaixo dos meus pés.

39 Pois me cingiste de força para a peleja: fizeste abater debaixo de mim aquelles que contra mim se levantaram.

40 Déste-me tambem o pescoço dos meus inimigos para que eu podesse destruir os que me aborrecem.

41 Clamaram, [8] mas não houve quem os livrasse: até ao Senhor, mas elle não lhes respondeu.

42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fóra como a lama das ruas.

43 Livraste-me das contendas do povo, e me fizeste cabeça das nações; um povo que não conheci, me servirá.

44 Em ouvindo a minha voz, me obedecerão: os estranhos se submetterão a mim.

45 Os estranhos decairão, e terão medo nos seus encerramentos.

46 O Senhor vive: e bemdito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.

47 É Deus que me vinga inteiramente, [9] e sujeita os povos debaixo de mim;

48 O que me livra de meus inimigos;—sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.

49 Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e cantarei louvores ao teu nome.

50 Pois [10] engrandece a salvação do teu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com David, e com a sua semente para sempre.

A excellencia da creação e das suas leis, assim como da palavra de Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór.

19 Os céus [1] declararam a gloria de Deus e o firmamento annuncia a obra das suas mãos.

2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.

3 Não ha linguagem nem falla onde se não oiçam as suas vozes.

4 A sua linha [2] se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. N’elles poz uma tenda para o sol,

5 O qual é como um noivo que sae do seu thalamo, e se alegra como um heroe, a correr o seu caminho.

6 A sua saida é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até ás outras extremidades d’elles, e nada se esconde ao seu calor.

7 A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma: o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simplices.

8 Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração: o mandamento do Senhor é puro, e allumia os olhos.

9 O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente: os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.

10 Mais desejaveis são do que o oiro, sim, do que muito oiro fino; e mais doces do que o mel e [NT] o licor dos favos.

11 Tambem por elles é admoestado o teu servo; e em os guardar ha grande recompensa.

12 Quem pode entender os seus erros? expurga-me [3] tu dos que me são occultos.

13 Tambem das soberbas guarda o teu servo, para que se não assenhoreiem de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.

14 Sejam agradaveis as palavras da minha bocca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e [4] Libertador meu!

Oração pelo rei na guerra.

Psalmo de David para o cantor-mór.

20 O Senhor te oiça no dia da angustia, o nome do [1] Deus de Jacob te [NU] proteja.

2 Envie-te soccorro desde o seu sanctuario, e te sustenha desde Sião.

3 Lembre-se de todas as tuas offertas, e acceite os teus holocaustos (Selah).

4 Conceda-te conforme ao teu coração, e cumpra todo o teu conselho.

5 Nós nos alegraremos [2] pela tua [NV] salvação, e em nome do nosso Deus arvoraremos pendões; cumpra o Senhor todas as tuas petições.

6 Agora sei que o Senhor salva ao seu ungido: elle o ouvirá desde o seu sancto céu, com a força salvadora da sua mão direita.

7 Uns confiam em carros e outros em cavallos, mas [3] nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.

8 Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e estamos de pé.

9 Salva-nos, Senhor, oiça-nos o Rei quando clamarmos.

David louva a Deus pela victoria.

Psalmo de David para o cantor-mór.

21 O rei se alegra em tua força, Senhor; e na tua salvação grandemente se regozija.

2 Cumpriste-lhe o desejo do seu coração, e não negaste as supplicas dos seus labios (Selah).

3 Pois o prevines das bençãos de bondade; [1] pões na sua cabeça uma corôa d’oiro fino.

4 Vida te pediu, e lh’a déste, mesmo longura de dias para sempre e eternamente.

5 Grande é a sua gloria pela tua salvação; gloria e magestade pozeste sobre elle.

6 Pois o abençoaste para sempre: tu o enches de gozo com a tua face.

7 Porque o rei confia no Senhor, e pela misericordia do Altissimo nunca vacillará.

8 A tua mão [2] alcançará todos os teus inimigos, a tua mão direita alcançará aquelles que te aborrecem.

9 Tu os [3] farás como um forno de fogo no tempo da tua ira; o Senhor os devorará na sua indignação, e o fogo os consumirá.

10 Seu fructo [4] destruirás da terra, e a sua semente d’entre os filhos dos homens.

11 Porque intentaram o mal contra ti; machinaram uma trapaça, mas não prevalecerão.

12 Portanto tu lhes farás voltar as costas; e com tuas frechas postas nas cordas lhes apontarás ao rosto.

13 Exalta-te, Senhor, na tua força; então cantaremos e louvaremos o teu poder.

O Messias soffre, mas triumpha.

Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Aijeleth-hash-Shahar.

22 Meu Deus, [1] meu Deus, porque me desamparaste? porque te alongas do meu auxilio e das palavras do meu bramido?

2 Meu Deus, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho socego,

3 Porém tu és Sancto, o que habitas entre os louvores d’Israel.

4 Em ti confiaram nossos paes; confiaram, e tu os livraste.

5 A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos.

6 Mas eu [2] sou verme, e não homem, opprobrio dos homens e desprezado do povo.

7 Todos [3] os que vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça, dizendo:

8 Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois n’elle tem prazer.

9 Mas tu és o que me tiraste do ventre: fizeste-me esperar, estando aos peitos de minha mãe.

10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.

11 Não te alongues de mim, pois a angustia está perto, e não ha quem ajude.

12 Muitos [4] toiros me cercaram; fortes toiros de Bazan me rodearam.

13 Abriram contra mim suas boccas, como um leão que despedaça e que ruge.

14 Como agua me derramei, e todos os meus ossos [5] se desconjuntaram: o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.

15 A minha força se seccou como um caco, e a lingua se me pega ao paladar: e me pozeste no pó da morte.

16 Pois me rodearam cães: o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me [6] as mãos e os pés.

17 Poderia contar todos os meus ossos: elles o vêem e me contemplam.

18 Repartem [7] entre si os meus vestidos, e lançam sortes sobre a minha tunica.

19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim: força minha, apressa-te em soccorrer-me.

20 Livra-me a minha alma da espada, e a minha [NW] predilecta da força do cão.

21 Salva-me da bocca do leão, sim, ouviste-me, desde as pontas dos unicornios.

22 Então declararei o teu nome aos meus irmãos: louvar-te-hei no meio da congregação.

23 Vós, que temeis ao Senhor, louvae-o; todos vós, semente de Jacob, glorificae-o; e temei-o todos vós, semente d’Israel.

24 Porque não desprezou nem abominou a afflicção do afflicto, nem escondeu d’elle o seu rosto; antes, quando elle clamou, o ouviu.

25 O meu louvor virá de ti na grande congregação: pagarei os meus votos perante os que o temem.

26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam: [8] o vosso coração viverá eternamente.

27 Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor: e todas as gerações das nações adorarão perante a tua face.

28 Porque o reino é do Senhor, e elle domina entre as nações.

29 Todos os que na terra são gordos comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante elle: e ninguem poderá reter viva a sua alma.

30 Uma semente o servirá: será contada ao Senhor de geração em geração.

31 Chegarão e annunciarão a sua justiça ao povo que nascer, porquanto elle o fez.

A felicidade de termos o Senhor como nosso pastor.

Psalmo de David.

23 O Senhor [1] é o meu pastor, nada me faltará.

2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a aguas [NX] mui quietas.

3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.

4 Ainda que eu andasse pelo valle da sombra [2] da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com oleo, o meu calix trasborda.

6 Certamente que a bondade e a misericordia me seguirão todos os dias da minha vida: e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O dominio universal de Deus; quem é digno de entrar no seu sanctuario; Deus é o Rei da gloria.

Psalmo de David.

24 Do Senhor [1] é a terra e a sua plenitude, o mundo e aquelles que n’elle habitam.

2 Porque elle a fundou sobre os mares, e a firmou [2] sobre os rios.

3 Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu logar sancto?

4 Aquelle que é limpo de [3] mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma á vaidade, nem jura enganosamente,

5 Este receberá a benção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.

6 Esta é a geração d’aquelles que buscam, d’aquelles que buscam a tua face, ó Deus de Jacob (Selah).

7 Levantae, [4] ó portas, as vossas cabeças; levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.

8 Quem é este Rei da Gloria? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.

9 Levantae, ó portas, as vossas cabeças, levantae-vos ó entradas eternas, e entrará o Rei da Gloria.

10 Quem é este Rei da Gloria? O Senhor dos Exercitos, elle é o Rei da Gloria (Selah).

David roga a Deus que o livre dos seus inimigos e lhe perdoe os seus peccados.

Psalmo de David.

25 A ti, Senhor, levanto [1] a minha alma.

2 Deus meu, em ti confio, não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triumphem sobre mim.

3 Como, na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.

4 Faz-me saber [2] os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas.

5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.

6 Lembra-te, Senhor, das tuas misericordias e das tuas benignidades, porque são desde a eternidade.

7 Não te lembres dos peccados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas segundo a tua misericordia, lembra-te de mim, por tua bondade, Senhor.

8 Bom e recto é o Senhor: pelo que ensinará o caminho aos peccadores.

9 Guiará os mansos em direitura: e aos mansos ensinará o seu caminho.

10 Todas as veredas do Senhor são misericordia e verdade para aquelles que guardam o seu concerto e os seus testemunhos.

11 Por amor do teu nome, Senhor, [3] perdoa a minha iniquidade, pois é grande.

12 Qual é o homem que teme ao Senhor? elle o ensinará no caminho que deve escolher.

13 A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.

14 O segredo do Senhor é com aquelles que o temem; e elle lhes mostrará o seu concerto.

15 Os meus olhos estão continuamente no Senhor, pois elle tirará os meus pés da rede.

16 Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitario e afflicto.

17 As ancias do meu coração se teem multiplicado: tira-me dos meus apertos.

18 Olha [4] para a minha afflicção e para a minha dôr, e perdoa todos os meus peccados.

19 Olha para os meus inimigos, pois se vão multiplicando e me aborrecem com odio cruel.

20 Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti.

21 Guardem-me a sinceridade e a direitura, porquanto espero em ti.

22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angustias.

David recorre a Deus, confiando na sua propria integridade.

Psalmo de David.

26 Julga-me, Senhor, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho confiado tambem no Senhor; não vacillarei.

2 Examina-me, Senhor, e prova-me: esquadrinha os meus rins e o meu coração.

3 Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos; e tenho andado na tua verdade.

4 Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso com os homens dissimulados.

5 Tenho aborrecido [1] a congregação de malfeitores; nem me ajunto com os impios.

6 Lavo as [2] minhas mãos na innocencia; e assim andarei, Senhor, ao redor do teu altar.

7 Para publicar com voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas.

8 Senhor, eu tenho amado a habitação da tua casa e o logar onde permanece a tua gloria.

9 Não apanhes a minha alma com os peccadores, nem a minha vida com os homens sanguinolentos,

10 Em cujas mãos ha maleficio, e cuja mão direita está [3] cheia de subornos.

11 Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim.

12 O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações louvarei ao Senhor.

Confiança em Deus e anhelo pela sua presença.

Psalmo de David.

27 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me receiarei?

2 Quando os malvados, meus adversarios e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e cairam.

3 Ainda que um exercito me cercasse, o meu coração não temeria: ainda que a guerra se levantasse contra mim, n’isto confiarei.

4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: [1] que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.

5 Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão: no occulto do seu tabernaculo me esconderá: pôr-me-ha sobre uma rocha.

6 Tambem agora a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos que estão em redor de mim; portanto offerecerei sacrificio de jubilo no seu tabernaculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.

7 Ouve, Senhor, a minha voz quando clamo; tem tambem piedade de mim, e responde-me.

8 Quando tu disseste: Buscae o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei.

9 Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha salvação.

10 Porque, quando [2] meu pae e minha mãe me desampararem, o Senhor me recolherá.

11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita; por causa dos que me andam espiando.

12 Não me entregues á vontade dos meus adversarios; pois se levantaram falsas testemunhas contra mim, e os que respiram crueldade.

13 Pereceria sem duvida, se não cresse que veria os bens do Senhor na terra dos viventes.

14 Espera [3] no Senhor, anima-te, e elle fortalecerá o teu coração; espera pois no Senhor.

David roga a Deus que o aparte dos impios a e louva, Deus porque ouviu as suas supplicas.

Psalmo de David.

28 A ti clamarei, ó Senhor, Rocha minha; não emmudeças para comigo: se te calares para comigo, fique eu similhante aos que descem ao abysmo.

2 Ouve a voz das minhas supplicas, quando a ti clamar, [1] quando levantar as minhas mãos para o teu sancto oraculo.

3 Não me arremesses com os impios e com os que obram a iniquidade; que fallam de paz ao seu proximo, mas teem mal nos seus corações.

4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malicia dos seus esforços; dá-lhes conforme [2] a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.

5 Porquanto não attendem ás obras do Senhor, nem á obra das suas mãos; pelo que elle os derribará e não os reedificará.

6 Bemdito seja o Senhor, porque ouviu a voz das minhas supplicas.

7 O Senhor é a minha força e o meu escudo; n’elle confiou o meu coração, e fui soccorrido: pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.

8 O Senhor é a força d’elles: tambem é a força salvadora do seu ungido.

9 Salva o teu [3] povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre.

David exhorta a louvar a magestade de Deus.

Psalmo de David.

29 Dae ao Senhor, ó filhos dos poderosos, dae ao Senhor gloria e força.

2 Dae ao Senhor a gloria devida ao seu nome, adorae o Senhor [NY] na belleza da sanctidade.

3 A voz do Senhor se ouve sobre as suas aguas; o Deus da gloria troveja; o Senhor está sobre as muitas aguas,

4 A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de magestade.

5 A voz do Senhor quebra os cedros; sim, o Senhor quebra os cedros do Libano.

6 Elle os faz saltar como um bezerro; ao Libano e Sirion, como novos unicornios.

7 A voz do Senhor separa as labaredas do fogo.

8 A voz do Senhor faz tremer o deserto; o Senhor faz tremer o deserto de [1] Kades.

9 A voz do Senhor faz parir as cervas, e descobre as brenhas; e no seu templo cada um falla da sua gloria.

10 O Senhor [2] se assentou sobre o diluvio; o Senhor se assenta como Rei, perpetuamente.

11 O Senhor dará [3] força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com paz.

A ira de Deus dura um momento só, mas a sua benignidade é eterna.

Psalmo e canção na dedicação da Casa. Psalmo de David.

30 Exaltar-te-hei, ó Senhor, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.

2 Senhor, meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste.

3 Senhor, fizeste subir a minha alma [NZ] da sepultura: conservaste-me a vida para que não descesse ao abysmo.

4 Cantae ao Senhor, [1] vós que sois seus sanctos, e celebrae a [OA] memoria da sua sanctidade.

5 Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida: o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.

6 Eu dizia [2] na minha prosperidade: Não vacillarei jámais.

7 Tu, Senhor, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha: tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.

8 A ti, Senhor, clamei, e ao Senhor suppliquei.

9 Que proveito ha no meu sangue, quando desço á cova? Porventura te louvará o pó? annunciará elle a tua verdade?

10 Ouve, Senhor, e tem piedade de mim, Senhor; sê o meu auxilio.

11 Tornaste [3] o meu pranto em folguedo: desataste o meu sacco, e me cingiste de alegria:

12 Para que a minha gloria a ti cante louvores, e não se cale: Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre.

David roga a Deus que o livre, louva a sua benignidade e exhorta a confiar n’Elle.

Psalmo de David para o cantor-mór.

31 Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido: livra-me pela tua justiça.

2 Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortissima que me salve.

3 Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me.

4 Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu és a minha força.

5 Nas tuas mãos [1] encommendo o meu espirito: tu me redimiste, Senhor Deus da verdade.

6 Aborreço aquelles que se entregam a vaidades enganosas; eu porém confio no Senhor.

7 Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha afflicção: [2] conheceste a minha alma nas angustias.

8 E não me entregaste nas mãos do inimigo; pozeste os meus pés n’um logar espaçoso.

9 Tem misericordia de mim, ó Senhor, porque estou angustiado: consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre.

10 Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus annos de suspiros; a minha força descae por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.

11 Fui opprobrio entre todos os meus inimigos, até entre os meus visinhos, e horror para os meus conhecidos: os que me viam na rua fugiam de mim.

12 Estou esquecido no coração d’elles, como um morto; sou como um vaso quebrado.

13 Pois ouvi [3] a murmuração de muitos, temor havia ao redor; emquanto juntamente consultavam contra mim, intentaram tirar-me a vida.

14 Mas eu confiei em ti, Senhor: e disse: Tu és o meu Deus.

15 Os meus tempos estão nas tuas mãos: livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.

16 Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo: salva-me por tuas misericordias.

17 Não me deixes confundido, Senhor, porque te tenho invocado: deixa confundidos os impios, e emmudeçam na sepultura.

18 Emmudeçam os labios mentirosos que fallam [OB] coisas más com soberba e desprezo contra o justo.

19 Oh! quão grande é a tua bondade, que guardaste para os que te temem! a qual obraste para aquelles que em ti confiam na presença dos filhos dos homens!

20 Tu os esconderás, no secreto da tua presença, dos desaforos dos homens: encobril-os-has em um pavilhão da contenda das linguas.

21 Bemdito seja o Senhor, pois fez maravilhosa a sua misericordia para comigo em cidade segura.

22 Pois eu dizia [OC] na minha pressa: Estou cortado de diante dos teus olhos; não obstante, tu ouviste a voz das minhas supplicas, quando eu a ti clamei.

23 Amae ao Senhor, vós todos que sois seus sanctos; porque o Senhor guarda os fieis e retribue com abundancia ao que usa de soberba.

24 Esforçae-vos, e elle fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperaes no Senhor.

A felicidade do homem perdoado; exhortação ao arrependimento.

Maschil de David.

32 Bemaventurado aquelle cuja transgressão [1] é perdoada, e cujo peccado é coberto.

2 Bemaventurado o homem a quem o Senhor não [2] imputa maldade, e em cujo espirito não ha engano.

3 Quando eu guardei silencio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.

4 Porque de dia e de noite a tua mão [3] pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio (Selah).

5 Confessei-te o meu peccado, e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu peccado (Selah).

6 Portanto todo aquelle que é sancto orará a ti, em tempo que te possa achar: até no trasbordar de muitas aguas, estas não lhe chegarão.

7 Tu és o logar [4] em que me escondo, tu me preservas da angustia: tu me cinges d’alegres cantos de livramento (Selah).

8 Instruir-te-hei, e ensinar-te-hei o caminho que deves seguir; guiar-te-hei com os meus olhos.

9 Não sejaes como o cavallo, nem como a mula, que não tem entendimento, cuja bocca precisa de cabresto e freio, para que se não cheguem a ti.

10 O impio tem [5] muitas dôres, mas áquelle que confia no Senhor a misericordia o cercará.

11 Alegrae-vos no Senhor, e regozijae-vos, vós os justos; e cantae alegremente, todos vós que sois rectos de coração.

O jubilo do crente na contemplação das obras de Deus.

33 Regozijae-vos no Senhor, vós, justos, pois aos rectos convem o louvor.

2 Louvae ao Senhor com harpa, cantae a elle com psalterio de dez cordas.

3 Cantae-lhe [1] um cantico novo: tocae bem e com jubilo.

4 Porque a palavra do Senhor é recta, e todas as suas obras são fieis.

5 Elle ama a justiça e o juizo: a terra está cheia da bondade do Senhor.

6 Pela [2] palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exercito d’elles pelo espirito da sua bocca.

7 Elle ajunta as aguas do mar como n’um montão; põe os abysmos em [OD] thesouros.

8 Tema toda a terra ao Senhor; temam-n’o todos os moradores do mundo.

9 Porque fallou, e foi feito: mandou, e logo appareceu.

10 O Senhor desfaz [3] o conselho das nações, quebranta os intentos dos povos.

11 O conselho do Senhor permanece para sempre: os intentos do seu coração de geração em geração.

12 Bemaventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu [4] para sua herança.

13 O Senhor olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens.

14 Do logar da sua habitação contempla todos os moradores da terra,

15 Aquelle que forma [5] o coração de todos elles, que contempla todas as suas obras.

16 Não ha rei que se salve com a grandeza d’um exercito, nem o homem valente se livra pela muita força.

17 O cavallo é fallaz para a segurança: não livra ninguem com a sua grande força.

18 Eis que [6] os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericordia;

19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.

20 A nossa alma espera no Senhor: elle é o nosso auxilio e o nosso escudo.

21 Pois n’elle se alegra o [7] nosso coração; porquanto temos confiado no seu sancto nome.

22 Seja a tua misericordia, Senhor, sobre nós, como em ti esperamos.

David louva a Deus, porque respondeu ás suas supplicas, e exhorta a confiar n’Elle.

Psalmo de David, quando mudou o seu semblante perante Abimelech, e o lançou fóra, e se foi.

34 Louvarei [1] ao Senhor em todo o tempo: o seu louvor estará continuamente na minha bocca.

2 A minha alma se [2] gloriará no Senhor: os mansos o ouvirão e se alegrarão.

3 Engrandecei ao Senhor comigo; e juntos exaltemos o seu nome.

4 Busquei [3] ao Senhor, e elle me respondeu: livrou-me de todos os meus temores.

5 Olharam para elle, e foram illuminados; e os seus rostos não ficaram confundidos.

6 Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angustias.

7 O anjo [4] do Senhor acampa-se em redor dos que o temem, e os livra.

8 Provae, e vêde que o Senhor é bom; bemaventurado o homem que n’elle confia.

9 Temei ao Senhor, vós, os seus sanctos, pois não teem falta alguma aquelles que o temem.

10 Os filhos dos leões necessitam e soffrem fome, mas aquelles que temem ao Senhor não teem falta de coisa alguma.

11 Vinde, meninos, ouvi-me: eu vos ensinarei o temor do Senhor.

12 Quem [5] é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para vêr o bem?

13 Guarda [6] a tua lingua do mal, e os teus labios de fallarem o engano.

14 Aparta-te do mal, e faze o bem: procura a paz, e segue-a.

15 Os olhos [7] do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos attentos ao seu clamor.

16 A face [8] do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarreigar da terra a memoria d’elles.

17 Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angustias.

18 Perto [9] está o Senhor dos que teem o coração quebrantado, e salva os contritos de espirito.

19 Muitas são as afflicções do justo, mas o Senhor o livra de todas.

20 Elle lhe guarda [10] todos os seus ossos; nem sequer um d’elles se quebra.

21 A malicia matará o impio, e os que aborrecem o justo serão [OE] desolados.

22 O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que n’elle confiam será [OF] desolado.

David pede o castigo dos impios; descripção da miseria d’estes e supplica para que Deus os julgue.

Psalmo de David.

35 Pleiteia, Senhor, com aquelles que pleiteiam comigo: peleja contra [1] os que pelejam contra mim.

2 Pega do escudo e da rodela, e levanta-te em minha ajuda.

3 Tira da lança e [OG] obstroe o caminho aos que me perseguem; dize á minha alma: Eu sou a tua salvação.

4 Sejam [2] confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida: voltem atraz e envergonhem-se os que contra mim tentam mal.

5 Sejam como moinho perante o vento, o anjo do Senhor os faça fugir.

6 Seja o seu caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do Senhor os persiga.

7 Porque sem causa encobriram de mim a rede na cova, a qual sem razão cavaram para a minha alma.

8 Sobrevenha-lhe destruição sem o saber, e prenda-o a rede que occultou; caia elle n’essa mesma destruição.

9 E a minha alma se alegrará no Senhor; alegrar-se-ha na sua salvação.

10 Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem é como tu, que livras o pobre d’aquelle que é mais forte do que elle? sim, o pobre e o necessitado d’aquelle que o rouba.

11 Falsas testemunhas se levantaram: depozeram contra mim coisas que eu não sabia.

12 Tornaram-me o mal pelo bem, roubando a minha alma.

13 Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, o meu vestido era o sacco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio.

14 Portava-me como se elle fôra meu irmão ou amigo; andava lamentando e muito encurvado, como quem chora por sua mãe.

15 Mas elles com a minha adversidade se alegravam e se congregavam: os objectos se congregavam contra mim, e eu não o sabia; [OH] rasgavam-me, e não cessavam.

16 Como hypocritas zombadores nas festas, rangiam os dentes contra mim.

17 Senhor, [3] até quando verás isto? resgata a minha alma das suas assolações, e a minha [OI] predilecta dos leões,

18 Louvar-te-hei na grande congregação: entre muitissimo povo te celebrarei.

19 Não se alegrem os meus inimigos de mim sem razão, nem acenem com os olhos aquelles que me aborrecem sem causa.

20 Pois não fallam de paz; antes projectam [OJ] enganar os quietos da terra.

21 Abrem a bocca de par em par contra mim, e dizem: Ólá, Ólá! os nossos olhos o viram.

22 Tu, Senhor, o tens visto, não te cales: Senhor, não te alongues de mim;

23 Desperta e acorda para o meu julgamento, para a minha causa, Deus meu, e Senhor meu.

24 Julga-me segundo a tua justiça, Senhor Deus meu, e não deixes que se alegrem de mim.

25 Não digam em seus corações: Eia, sus, alma nossa: não digam: Nós o havemos devorado.

26 Envergonhem-se [4] e confundam-se á uma os que se alegram com o meu mal; vistam-se de vergonha e de confusão os que se engrandecem contra mim.

27 Cantem [5] e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam continuamente: O Senhor seja engrandecido, o qual ama a prosperidade do seu servo.

28 E assim a minha lingua fallará da tua justiça e do teu louvor todo o dia.

A malicia dos impios. Nosso refugio está em Deus, que salva os rectos.

Psalmo de David, servo do Senhor, para o cantor-mór.

36 A prevaricação do impio diz no intimo do seu coração: Não ha temor [1] de Deus perante os seus olhos.

2 Porque em seus olhos se lisongeia, até que a sua iniquidade se descubra ser detestavel.

3 As palavras da sua bocca são malicia e engano: deixou de entender e de fazer o bem.

4 Projecta a malicia na sua cama; põe-se no caminho que não é bom: não aborrece o mal.

5 A tua misericordia, Senhor, está nos céus, e a tua fidelidade chega até ás mais excelsas nuvens.

6 A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juizos são um grande abysmo; Senhor, tu conservas os homens e os animaes.

7 Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam á sombra das tuas azas.

8 Elles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás [2] beber da corrente das tuas delicias;

9 Porque [3] em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz.

10 Estende a tua benignidade sobre os que te conhecem, e a tua justiça sobre os rectos de coração.

11 Não venha sobre mim o pé dos soberbos, e não me mova a mão dos impios.

12 Ali caem os que obram a iniquidade; cairão, e não se poderão levantar.

A prosperidade dos peccadores acaba, mas sómente os justos serão felizes.

Psalmo de David.

37 Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram a iniquidade.

2 Porque cedo serão ceifados como a herva, e murcharão como a verdura.

3 Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado.

4 Deleita-te [1] tambem no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.

5 Entrega o [2] teu caminho ao Senhor; confia n’elle, e elle o fará.

6 E elle fará sobresair a tua justiça como a luz, e o teu juizo como o meio-dia.

7 Descança no Senhor, e espera n’elle; não te indignes por causa d’aquelle que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos.

8 Deixa a ira, e abandona o furor: não te indignes para fazer sómente o mal.

9 Porque os malfeitores serão desarreigados; mas aquelles que esperam no Senhor herdarão a terra.

10 Pois ainda um pouco, e o impio não existirá; olharás para o seu logar, e não apparecerá.

11 Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundancia de paz.

12 O impio maquina contra o justo, e contra elle range os dentes.

13 O Senhor se rirá d’elle, pois vê que vem chegando o seu dia.

14 Os impios puxaram da espada e entesaram o arco, para derribarem o pobre e necessitado, e para matarem os [OK] de recta conversação.

15 Porém a sua espada lhes entrará no coração, e os seus arcos se quebrarão.

16 Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos impios.

17 Pois os braços dos impios se quebrarão, mas o Senhor sustem os justos.

18 O Senhor conhece os dias dos rectos, [3] e a sua herança permanecerá para sempre.

19 Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se fartarão.

20 Mas os impios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a gordura dos cordeiros; desapparecerão, e em fumo se desfarão.

21 O impio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece, e dá.

22 Porque aquelles que elle abençoa herdarão a terra, e aquelles que forem por elle amaldiçoados serão desarreigados.

23 Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e deleita-se no seu caminho.

24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustem com a sua mão.

25 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.

26 Compadece-se sempre, e empresta, e a sua semente é abençoada.

27 Aparta-te do mal e faze o bem; e habita para sempre.

28 Porque o Senhor ama o juizo e não desampara os seus sanctos; elles são preservados para sempre; mas a semente dos impios será desarreigada.

29 Os justos herdarão a terra e habitarão n’ella para sempre.

30 A bocca do justo falla a sabedoria: a sua lingua falla do juizo.

31 A lei do seu Deus está em seu coração; os seus passos não resvallarão.

32 O impio espreita ao justo, e procura matal-o.

33 O Senhor não o deixará em suas mãos, nem o condemnará quando fôr julgado.

34 Espera no Senhor, e guarda o seu caminho, e te exaltará para herdares a terra: tu o verás quando os impios forem desarreigados.

35 Vi o impio com grande poder espalhar-se como a arvore verde na terra natal.

36 Mas passou e já não apparece: procurei-o, mas não se poude encontrar.

37 Nota o homem sincero, e considera o recto, porque o fim d’esse homem é a paz.

38 Emquanto aos transgressores serão á uma destruidos, e as reliquias dos impios serão destruidas.

39 Mas a salvação dos justos vem do Senhor; elle é a sua fortaleza no tempo da angustia.

40 E o Senhor os [4] ajudará e os livrará; elle os livrará dos impios e os salvará, [5] porquanto confiam n’elle.

A dôr e o arrependimento do peccador; dirige-se a Deus para obter perdão e salvação.

Psalmo de David para lembrança.

38 Ó Senhor, não me reprehendas na tua ira, nem me castigues em teu furor.

2 Porque as tuas frechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu.

3 Não ha coisa sã na minha carne, por causa da tua colera; nem ha paz em meus ossos, por causa do meu peccado.

4 Pois já as minhas [1] iniquidades sobrepassam a minha cabeça: como carga pesada são de mais para as minhas forças.

5 As minhas chagas [2] cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura.

6 Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia.

7 Porque as minhas ilhargas estão cheias de ardor, e não ha coisa sã na minha carne.

8 Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração.

9 Senhor, diante de ti está todo o meu desejo, e o meu gemido não te é occulto.

10 O meu coração dá voltas, a minha força me falta; emquanto á luz dos meus olhos, ella me deixou.

11 Os meus amigos e os meus propinquos estão ao longe da minha chaga; e os meus parentes se pôem em distancia.

12 Tambem os que buscam a minha vida me armam laços, e os que procuram o meu mal fallam coisas que damnificam, e imaginam astucias todo o dia.

13 Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo que não abre a bocca.

14 Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja bocca não ha reprovação.

15 Porque em ti, Senhor, espero; tu, Senhor meu Deus, me ouvirás.

16 Porque dizia eu: Ouve-me, para que se não alegrem de mim: quando escorrega o meu pé, elles se engrandecem contra mim.

17 Porque estou prestes a coxear; a minha dôr está constantemente perante mim.

18 Porque eu declararei a minha iniquidade; affligir-me-hei por causa do meu peccado.

19 Mas os meus inimigos estão vivos e são fortes, e os que sem causa me odeiam se engrandecem.

20 Os que dão mal pelo bem são meus adversarios, porquanto eu sigo o que é bom.

21 Não me desampares, Senhor, meu Deus, [3] não te alongues de mim.

22 Apressa-te em meu auxilio, Senhor, minha salvação.

O cuidado com as nossas palavras; a brevidade e vaidade da vida; a supplica para que Deus o guarde da impaciencia.

Psalmo de David para o cantor-mór, para Jeduthun.

39 Disse: Guardarei os meus caminhos para não delinquir com a minha lingua: guardarei a bocca com um freio, emquanto o impio estiver diante de mim.

2 Com o silencio fiquei mudo; calava-me mesmo ácerca do bem, e a minha dôr se aggravou.

3 Esquentou-se-me o coração dentro de mim; emquanto eu meditava se accendeu um fogo: então fallei com a minha lingua.

4 Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou fragil.

5 Eis que fizeste os meus dias como a palmos, o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade que todo o homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade (Selah).

6 Na verdade que todo o homem anda como uma [OL] apparencia; na verdade que em vão se inquietam: amontoam riquezas, e não sabem quem as levará.

7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti.

8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opprobrio dos loucos.

9 Emmudeci: não abro a minha bocca, porquanto tu o fizeste.

10 Tira de sobre mim a tua praga; estou desfallecido pelo golpe da tua mão.

11 Quando castigas o homem, por causa da iniquidade, com reprehensões, fazes com que a sua belleza se consuma como a traça: assim todo o homem é [OM] vaidade (Selah.)

12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lagrimas, porque [1] sou estranho para ti e peregrino como todos os meus paes.

13 Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais.

Deus ouve a alma paciente: a obediencia é melhor do que o sacrificio; oração a Deus para que o livre dos males.

Psalmo de David para o cantor-mór.

40 Esperei com paciencia ao Senhor, e elle se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.

2 Tirou-me [ON] d’um lago horrivel, d’um charco de lodo, poz os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos,

3 E poz um novo cantico na minha bocca, um hymno ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.

4 Bemaventurado [1] o homem que põe no Senhor a sua confiança, e o que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.

5 Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens obrado para comnosco, e os teus pensamentos não se podem contar por ordem diante de ti; se eu os quizera annunciar, e d’elles fallar, são mais do que se podem contar.

6 Sacrificio [2] e offerta não quizeste; as minhas orelhas [OO] abriste, holocausto e expiação pelo peccado não reclamaste.

7 Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escripto.

8 Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.

9 Préguei a justiça na grande congregação; eis-que não retive os meus labios, Senhor, tu o sabes.

10 Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação: [3] não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.

11 Não retires de mim, Senhor, as tuas misericordias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.

12 Porque males sem numero me teem rodeado: as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima: são muitas mais do que os cabellos da minha cabeça; pelo que desfallece o meu coração.

13 Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxilio.

14 Sejam á uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruil-a; tornem atraz e confundam-se os que me querem mal.

15 Desolados sejam em pago da sua affronta os que me dizem: Ha! Ha!

16 Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam: digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.

17 Mas eu sou pobre e necessitado; comtudo o Senhor [4] cuida de mim: tu és o meu auxilio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

O cuidado de Deus para com os pobres. David queixa-se da traição de seus inimigos e busca o soccorro de Deus.

Psalmo de David para o cantor-mór.

41 Bemaventurado [1] é aquelle que attende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal.

2 O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás á vontade de seus inimigos.

3 O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu farás toda a sua cama na doença.

4 Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim; sára [2] a minha alma, porque pequei contra ti.

5 Os meus inimigos fallam mal de mim, dizendo: Quando morrerá elle, e perecerá o seu nome?

6 E, se algum d’elles vem ver-me, falla coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fóra, falla d’ella.

7 Todos os que me aborrecem murmuram á uma contra mim; contra mim imaginam o mal, dizendo:

8 Uma má doença se lhe tem apegado; e, agora que está deitado, não se levantará mais.

9 Até o meu proprio amigo intimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.

10 Porém tu, Senhor, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago.

11 Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triumpha de mim.

12 Emquanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me pozeste diante da tua face para sempre.

13 Bemdito seja o Senhor Deus d’Israel, de seculo em seculo: Amen e Amen.

A alma anhela por servir a Deus no seu templo.

Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

42 Assim como o cervo [OP] brama pelas correntes das aguas, assim brama a minha alma por ti, ó Deus!

2 A minha alma tem sêde de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

3 As minhas lagrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, emquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

4 Quando me lembro d’isto, dentro de mim derramo a minha alma: pois [1] eu havia ido com a multidão; fui com elles á casa de Deus, com voz d’alegria e louvor, com a multidão que festejava.

5 Porque estás abatida, ó alma minha, e porque te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.

6 Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; portanto lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde [OQ] o pequeno monte.

7 Um abysmo [2] chama outro abysmo; ao ruido das tuas catadupas: todas as tuas ondas e as tuas vagas teem passado sobre mim.

8 Comtudo o Senhor mandará a sua misericordia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, e a oração ao Deus da minha vida.

9 Direi a Deus, minha Rocha: Porque te esqueceste de mim? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?

10 [OR] Com ferida mortal em meus ossos me affrontam os meus adversarios, quando todo o dia me dizem: Onde está o teu Deus?

11 Porque estás [3] abatida, ó alma minha, e porque te perturbas dentro de mim? espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é [OS] a salvação da minha face, e o meu Deus.

Oração para que seja restituido aos privilegios do sanctuario.

43 Faze-me justiça, ó Deus, e pleiteia a minha causa contra a [OT] gente impia; livra-me do homem fraudulento e injusto.

2 Pois tu és o Deus da minha fortaleza; porque me rejeitas? porque ando lamentando por causa da oppressão do inimigo?

3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu sancto monte, e aos teus tabernaculos.

4 Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é [OU] a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.

5 Porque estás abatida, ó alma minha? e porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face e Deus meu.

O povo de Deus recorda os favores antigos, e roga o livramento dos males presentes.

Maschil para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

44 Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, [1] e nossos paes nos teem contado a obra que fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade.

2 Como expelliste as nações com a tua mão e os plantaste a elles: como affligiste os povos e [OV] os derribaste.

3 Pois não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou, mas a tua dextra e o teu braço, e a luz da tua face, porquanto te agradaste d’elles.

4 Tu és o meu Rei, ó Deus: ordena [OW] salvações para Jacob.

5 Por ti escornearemos [2] os nossos inimigos: pelo teu nome pizaremos os que se levantam contra nós:

6 Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.

7 Mas tu nos salvaste dos nossos inimigos, e confundiste os que nos aborreciam.

8 Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o teu nome eternamente (Selah).

9 Mas agora tu nos rejeitaste e nos confundiste, e não saes com os nossos exercitos.

10 Faze-nos [3] retirar do inimigo, e aquelles que nos odeiam nos saqueiam para si.

11 Tu nos entregaste como [4] ovelhas para comer, e nos espalhaste entre as nações.

12 Tu vendes por nada o teu povo, e não augmentas a tua riqueza com o seu preço.

13 Tu nos pões por opprobrio aos nossos visinhos, por escarneo e zombaria de aquelles que estão á roda de nós.

14 Tu nos pões por proverbio entre as nações, por movimento de cabeça entre os povos.

15 A minha [OX] confusão está constantemente diante de mim, e a vergonha do meu rosto me cobre:

16 Á voz d’aquelle que affronta e blasphema, por causa do inimigo e do vingador.

17 Tudo [5] isto nos sobreveiu: comtudo não nos esquecemos de ti, nem nos houvemos falsamente contra o teu concerto.

18 O nosso coração não voltou atraz, nem os nossos passos se desviaram das tuas veredas;

19 Ainda que nos quebrantaste n’um logar de [OY] dragões, e nos cobriste com a sombra da morte.

20 Se nós esquecemos o nome do nosso Deus, e estendemos as nossas mãos para um deus estranho,

21 Porventura não esquadrinhará Deus isso? pois elle sabe os segredos do coração.

22 Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia: somos tidos na conta de ovelhas para o matadouro.

23 Desperta, porque dormes, Senhor? acorda, não nos rejeites para sempre.

24 Porque escondes [6] a tua face, e te esqueces da nossa miseria e da nossa oppressão?

25 Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega á terra.

26 Levanta-te em nosso auxilio, e resgata-nos por amor das tuas misericordias.

Descripção prophetica da união entre Christo e a sua egreja.

Maschil, cantico d’amor, para o cantor-mór, entre os filhos de Korah, sobre Shoshannim.

45 O meu coração ferve com palavras boas, fallo do que tenho feito no tocante ao Rei: a minha lingua é a penna de um dextro escriptor.

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; [1] a graça se derramou em teus labios; portanto Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge [2] a tua espada á coxa, ó Valente, com a tua gloria e a tua magestade.

4 [OZ] E n’este teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua dextra te ensinará coisas terriveis.

5 As tuas frechas são agudas [PA] no coração dos inimigos do Rei, e por ellas os povos cairam debaixo de ti.

6 O teu throno, ó Deus, é eterno e perpetuo; o sceptro do teu reino é um sceptro d’equidade.

7 Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; portanto, Deus, o teu Deus, te ungiu com oleo de alegria, mais do que a teus companheiros.

8 Todos os teus vestidos cheiram a myrrha, e aloes e cassia, desde os palacios de marfim de onde te alegram.

9 As filhas dos reis estavam entre as tuas illustres donzellas; á tua direita estava a rainha ornada de finissimo oiro de Ophir.

10 Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pae.

11 Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois elle é teu Senhor; adora-o.

12 E a filha de Tyro estará ali com presentes; os ricos do povo supplicarão o teu favor.

13 A filha do rei é toda illustre por dentro: o seu vestido é de oiro engastado.

14 Leval-a-hão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham a trarão a ti.

15 Com alegria e regozijo as trarão: ellas entrarão no palacio do rei.

16 Em logar de teus paes serão teus filhos; d’elles farás [3] principes sobre toda a terra.

17 Farei lembrado [4] o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te louvarão eternamente.

A fé perfeita que aquelle que crê tem em Deus.

Cantico sobre Alamoth, para o cantor-mór entre os filhos de Korah.

46 Deus é o nosso refugio e fortaleza, soccorro [1] bem presente na angustia.

2 Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.

3 Ainda que as aguas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza (Selah).

4 Ha um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o sanctuario das moradas do Altissimo.

5 Deus está [2] no meio d’ella, não se abalará; Deus a ajudará ao romper da manhã.

6 As nações se embraveceram; os reinos se moveram; elle levantou a sua voz e a terra se derreteu.

7 O Senhor dos Exercitos está comnosco: o Deus de Jacob é o nosso refugio (Selah).

8 Vinde, contemplae as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra!

9 Elle faz cessar as guerras até ao fim da terra: quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo.

10 Aquietae-vos, e sabei que eu sou Deus; [3] serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra.

11 O Senhor dos Exercitos está comnosco: o Deus de Jacob é o nosso refugio (Selah).

O triumpho do reino de Deus.

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

47 Applaudi com as mãos, todos os povos; cantae a Deus com voz de triumpho.

2 Porque o Senhor Altissimo é tremendo, e Rei grande sobre toda a terra.

3 Elle nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés.

4 Escolherá para nós a nossa herança, a gloria de Jacob, a quem amou (Selah).

5 Deus subiu com jubilo, o Senhor subiu ao som de trombeta.

6 Cantae louvores a Deus, cantae louvores; cantae louvores ao nosso Rei, cantae louvores.

7 Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantae louvores com intelligencia.

8 Deus reina sobre as nações: Deus se assenta [PB] sobre o throno da sua sanctidade.

9 Os principes do povo se ajuntam, o povo do Deus de Abrahão; porque os escudos da terra são de Deus: elle está muito elevado!

A belleza e os privilegios de Sião.

Cantico e psalmo para os filhos de Korah.

48 Grande é o Senhor e mui digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no seu monte sancto.

2 Formoso de [PC] sitio, e alegria de toda a terra é o monte de Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.

3 Deus é conhecido nos seus palacios por um alto refugio.

4 Porque eis que os reis se ajuntaram: elles passaram juntos.

5 Viram-n’o, e ficaram maravilhados; ficaram assombrados e se apressaram em fugir.

6 Tremor ali os tomou, e dôres como de mulher de parto.

7 Tu quebras as náus de Tarsis com um vento oriental.

8 Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do Senhor dos Exercitos, na cidade do nosso Deus. [1] Deus a confirmará para sempre (Selah).

9 Lembramo-nos, ó Deus, da tua benignidade no meio do teu templo.

10 Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor, até aos fins da terra: a tua mão direita está cheia de justiça.

11 Alegre-se o monte de Sião; alegrem-se as filhas de Judah por causa dos teus juizos.

12 Rodeae Sião, e cercae-a, contae as suas torres.

13 Marcae bem os seus antemuros, considerae os seus palacios, para que o conteis á geração seguinte.

14 Porque este Deus é o nosso Deus para sempre, elle será nosso guia até á morte.

A vaidade dos bens terrestres. Só Deus salva da morte.

Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.

49 Ouvi isto, vós todos os povos; inclinae os ouvidos, todos os moradores do mundo,

2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.

3 A minha bocca fallará de sabedoria; e a meditação do meu coração será de entendimento.

4 Inclinarei [1] os meus ouvidos a uma parabola: declararei o meu enigma na harpa.

5 Porque temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?

6 Aquelles [2] que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,

7 Nenhum d’elles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate d’elle

8 (Pois a redempção da sua alma é carissima, e cessará para sempre);

9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção:

10 Porque elle vê que os sabios morrem: perecem egualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.

11 O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpetuas e as suas habitações de geração em geração; dão ás suas terras os seus proprios nomes.

12 Todavia o homem que está na honra [3] não permanece; antes é como os brutos que perecem.

13 Este caminho d’elles é a sua loucura; comtudo a sua posteridade approva as suas palavras (Selah).

14 Como ovelhas são postos na [PD] sepultura; a morte se alimentará d’elles; e os rectos terão dominio sobre elles na manhã, e a sua formosura na sepultura se consumirá [PE] da sua morada.

15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá (Selah).

16 Não temas, quando alguem se enriquece, quando a gloria da sua casa se engrandece.

17 Porque, quando morrer, nada levará comsigo, nem a sua gloria o acompanhará.

18 Ainda que na sua vida elle bemdisse a sua alma, e os homens te louvam, quando fizeres bem a ti mesmo,

19 Irá para a geração de seus paes; elles nunca verão a luz.

20 O homem que está na honra, e não tem entendimento, é similhante ás bestas que perecem.

Deus governa o mundo: Deus tem mais prazer na obediencia do que no sacrificio.

Psalmo de Asaph.

50 O Deus poderoso, o Senhor, fallou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu occaso.

2 Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus.

3 Virá o nosso Deus, e não se calará; um fogo se irá consumindo diante d’elle, e haverá grande tormenta ao redor d’elle.

4 Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo.

5 Ajuntae-me os meus sanctos, aquelles que fizeram comigo um concerto com sacrificios.

6 E os céus annunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz (Selah).

7 Ouve, povo meu, e eu fallarei; Ó Israel, e eu protestarei contia ti; Sou Deus, sou o teu Deus.

8 Não te reprehenderei pelos teus sacrificios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim.

9 Da tua casa não tirarei [1] bezerro nem bodes dos teus curraes.

10 Porque meu é todo o animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas.

11 Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo.

12 Se eu tivesse fome, não t’o diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude.

13 Comerei eu carne de toiros? ou beberei sangue de bodes?

14 Offerece a Deus sacrificio de louvor, e paga ao Altissimo os teus votos.

15 E invoca-me [2] no dia da angustia: eu te livrarei, e tu me glorificarás.

16 Mas ao impio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar o meu concerto na tua bocca?

17 Visto que [3] aborreces a correcção, e lanças as minhas palavras para detraz de ti.

18 Quando vês o ladrão, consentes com elle, e tens a tua parte com adulteros.

19 Soltas a tua bocca para o mal, e a tua lingua compõe o engano.

20 Assentas-te a fallar contra teu irmão; fallas mal contra o filho de tua mãe.

21 Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu; mas eu te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos.

22 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que vos não faça em pedaços, sem haver quem vos livre.

23 Aquelle [4] que offerece o sacrificio de louvor me glorificará; e áquelle que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.

David confessa o seu peccado, supplica o perdão e roga a Deus que lhe renove um espirito recto.

Psalmo de David para o cantor-mór, quando o propheta Nathan veiu a elle, depois d’entrar a Bathseba.

51 Tem misericordia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericordias.

2 Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu peccado.

3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu peccado está sempre diante de mim.

4 Contra ti, contra ti sómente pequei, e fiz o que é mau á tua vista, para que sejas justificado quando fallares, e puro quando julgares.

5 Eis que em iniquidade fui formado, e em peccado me concebeu minha mãe.

6 Eis que amas a verdade no intimo, e no occulto me fazes conhecer a sabedoria.

7 Purifica-me [1] com hyssope, e ficarei puro: lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

8 Faze-me ouvir jubilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

9 Esconde a tua face dos meus peccados, e apaga todas as minhas iniquidades.

10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espirito recto.

11 Não me lances fóra da tua presença, [2] e não retires de mim o teu Espirito Sancto.

12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustem-me com o teu Espirito voluntario.

13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os peccadores a ti se converterão.

14 Livra-me [3] dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha lingua louvará altamente a tua justiça.

15 Abre, Senhor, os meus labios, e a minha bocca entoará o teu louvor.

16 Pois não queres os sacrificios que eu daria; tu não te deleitas em holocaustos.

17 Os sacrificios para Deus são o espirito quebrantado; [4] a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalem.

19 Então te agradarás [5] dos sacrificios da justiça, dos holocaustos e das offertas queimadas; então se offerecerão novilhos sobre o teu altar.

David prediz a ruina do impio, e confia em Deus.

Maschil de David para o cantor-mór, quando Doeg, o idumeo, o annunciou a Saul, e lhe disse: David veiu a casa de Abimelech.

52 Porque te glorias na malicia, ó homem poderoso? pois a bondade de Deus permanece continuamente.

2 A tua lingua intenta o mal, como uma navalha amolada, traçando enganos.

3 Tu amas mais o mal do que o bem, e a mentira [1] mais do que o fallar a rectidão (Selah).

4 Amas todas as palavras devoradoras, ó lingua fraudulenta.

5 Tambem Deus te destruirá para sempre; arrebatar-te-ha e arrancar-te-ha da tua habitação; e desarreigar-te-ha da terra dos viventes (Selah).

6 E os justos [2] o verão, e temerão: e se rirão d’elle:

7 Eis aqui o homem que não poz em Deus a sua fortaleza; antes confiou na abundancia das suas riquezas, e se fortaleceu na sua maldade.

8 Mas eu [3] sou como a oliveira verde na casa de Deus; confio na misericordia de Deus para sempre, eternamente.

9 Para sempre te louvarei, porque tu o fizeste, e esperarei no teu nome, porque é bom diante de teus sanctos.

O impio nega a existencia de Deus e se corrompe.

Maschil de David para o cantor-mór sobre Machalath.

53 Disse o [PF] nescio no seu coração: Não ha Deus. Teem-se corrompido, [1] e commettido abominavel iniquidade: não ha ninguem que faça o bem.

2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.

3 Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram immundos; não ha quem faça o bem, não, nem sequer um.

4 Acaso não teem conhecimento [2] os que obram a iniquidade, os quaes comem o meu povo como se comessem pão? elles não invocaram a Deus.

5 Ali se acharam em grande temor, onde não havia temor, [3] pois Deus espalhou os ossos d’aquelle que te cercava; tu os confundiste, porque Deus os rejeitou.

6 Oh! se já de Sião viera a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os captivos do seu povo, então se regozijará Jacob e se alegrará Israel.

David roga a Deus que o salve dos seus inimigos.

Maschil de David para o cantor-mór sobre Neginoth, quando os zipheos vieram e disseram a Saul: Porventura não está escondido entre nós?

54 Salva-me, ó Deus, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder.

2 Ó Deus, ouve a minha oração, inclina os teus ouvidos ás palavras da minha bocca.

3 Porque os estranhos se levantam contra mim, e tyrannos procuram a minha vida: não teem posto Deus perante os seus olhos (Selah).

4 Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor está com aquelles que susteem a minha alma.

5 Elle recompensará com o mal aquelles que me andam espiando: destroe-os na tua verdade.

6 Eu te offerecerei voluntariamente sacrificios, louvarei o teu nome ó Senhor, porque é bom.

7 Pois me tem livrado de toda a angustia; e os meus olhos viram o meu desejo sobre os meus inimigos.

David queixa-se da malicia dos seus inimigos; persevera em oração, e lança a sua carga sobre o Senhor.

Maschil de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.

55 Inclina ó Deus os teus ouvidos á minha oração, e não te escondas da minha supplica.

2 Attende-me, e ouve-me: lamento na minha queixa, [1] e faço ruido,

3 Pelo clamor do inimigo e por causa da oppressão do impio: pois lançou sobre mim a iniquidade, e com furor me aborrecem.

4 O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores da morte cairam sobre mim.

5 Temor e tremor vieram sobre mim; e o horror me cobriu.

6 Pelo que disse: Oh! quem me déra azas como de pomba! porque então voaria, e estaria em descanço.

7 Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto (Selah).

8 Apressar-me-hia a escapar da furia do vento e da tempestade.

9 [PG] Despedaça, [2] Senhor, e divide as suas linguas, pois tenho visto violencia e contenda na cidade.

10 De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malicia estão no meio d’ella.

11 Maldade ha dentro d’ella: astucia e engano não se apartam das suas ruas.

12 Pois não era um inimigo que me affrontava: então eu o houvera supportado: nem era o que me aborrecia que se engrandecia contra mim, porque d’elle me teria escondido.

13 Mas eras tu, homem meu egual, meu guia e meu intimo amigo.

14 Consultavamos juntos suavemente, [3] e andavamos em companhia na casa de Deus.

15 A morte os assalte, e vivos desçam ao [PH] inferno; porque ha maldade nas suas habitações e no meio d’elles.

16 Porém eu invocarei a Deus, e o Senhor me salvará.

17 De tarde [4] e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e elle ouvirá a minha voz.

18 Livrou em paz a minha alma da peleja que havia contra mim; pois havia muitos [PI] comigo.

19 Deus ouvirá, e os affligirá, Aquelle que preside desde a antiguidade (Selah), porque não ha n’elles nenhuma mudança, e portanto não temem a Deus.

20 Elle [5] poz as suas mãos n’aquelles que teem paz com elle: quebrou a sua alliança.

21 As palavras da sua bocca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; comtudo, eram espadas nuas.

22 Lança [6] a tua carga sobre o Senhor, e elle te susterá: não permittirá nunca que o justo seja abalado.

23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.

David roga a Deus que o livre dos seus inimigos, e confia em que elle lh’o conceda.

Mictam de David para o cantor-mór, sobre Jonath-elem-rechokin, quando os philisteos o prenderam em Gath.

56 Tem misericordia de mim, ó Deus, porque o homem procura devorar-me; pelejando todo o dia, me opprime.

2 Os que me andam espiando procuram devorar-me todo o dia; pois são muitos os que pelejam contra mim, ó Altissimo.

3 Em qualquer tempo que eu temer, me confiarei de ti.

4 Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus puz a minha confiança; [1] não temerei o que me possa fazer a carne.

5 Todos os dias torcem as minhas palavras: todos os seus pensamentos são contra mim para o mal.

6 Ajuntam-se, escondem-se, marcam os meus passos, como aguardando a minha alma.

7 Porventura escaparão elles por meio da sua iniquidade? Ó Deus, derriba os povos na tua ira!

8 Tu contas as minhas [PJ] vagueações; [2] põe as minhas lagrimas no teu odre; não estão ellas no teu livro?

9 Quando eu a ti clamar, então voltarão para traz os meus inimigos: isto sei eu, porque Deus é por mim.

Notes in this chapter

Note 1 · Pro. 4.14, 15.Note 2 · Jer. 15.17.Note 3 · Jos. 1.8.Note 4 · Jer. 17.8. Eze. 47.12.Note 5 · Gen. 39.3, 23. Isa. 3.10.Note 6 · Job 21.18. Isa. 17.13 e 29.5. Ose. 13.3.Note 7 · Neh. 1.7. João 10.14. II Tim. 2.19.Note 8 · Act. 4.25, 26.Note 9 · João 1.41.Note 10 · Jer. 5.5. Luc. 19.14.Note 11 · Pro. 1.26.Note 12 · II Sam. 5.7.Note 13 · Act. 13.33. Heb. 1.5 e 5.5.Note 14 · Psa. 22.28.Note 15 · Apo. 2.27 e 12.5 e 19.15.Note 16 · Heb. 12.28. Phi. 2.12.Note 17 · Gen. 41.40. I Sam. 10.1. João 5.23.Note 18 · Apo. 6.16, 17. Pro. 16.20. Isa. 30.18. Jer. 17.7. I Ped. 2.6.Note 19 · II Sam. 15.12 e 16.15.Note 20 · II Sam. 16.8.Note 21 · Gen. 15.1.Note 22 · Lev. 26.6. Pro. 3.24.Note 23 · Job 16.10 e 29.17. Lam. 3.30.Note 24 · Pro. 21.31. Isa. 43.11. Jer. 3.23. Ose. 13.4. Apo. 7.10 e 19.1.Note 25 · II Tim. 2.19. II Ped. 2.9.Note 26 · Eph. 4.26. II Chr. 13.5.Note 27 · Deu. 33.19.Note 28 · Num. 6.26.Note 29 · Isa. 9.3.Note 30 · Job 11.18, 19.Note 31 · Lev. 25.18, 19.Note 32 · Hab. 1.13.Note 33 · Apo. 21.8.Note 34 · II Sam. 15.31 e 17.14, 23.Note 35 · Isa. 65.14.Note 36 · Jer. 10.24 e 46.28.Note 37 · Ose. 6.1, 2.Note 38 · Isa. 38.18.Note 39 · Mat. 25.41.Note 40 · Psa. 31.16.Note 41 · Psa. 38.13. Psa. 50.22.Note 42 · I Sam. 24.11.Note 43 · Psa. 44.23.Note 44 · Psa. 18.20.Note 45 · I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Apo. 2.23.Note 46 · Deu. 32.41.Note 47 · Job 15.35. Thi. 1.15.Note 48 · Psa. 35.8.Note 49 · I Reis 2.32. Est. 9.25.Note 50 · Psa. 149.13.Note 51 · Psa. 113.4.Note 52 · Mat. 21.16. I Cor. 1.27.Note 53 · Psa. 111.2.Note 54 · Job 7.17. Heb. 2.6, 7.Note 55 · ou, Deus Heb. Elohim.Note 56 · Gen. 1.26. I Cor. 15.27. Heb. 2.8.Note 57 · Psa. 5.12.Note 58 · Deu. 9.14. Pro. 10.7.Note 59 · Heb. 1.11.Note 60 · Psa. 32.7.Note 61 · Psa. 91.14.Note 62 · Gen. 9.5.Note 63 · Psa. 13.6. Pro. 5.22.Note 64 · Exo. 7.5.Note 65 · Job 8.13. Psa. 50.22.Note 66 · Pro. 23.18 e 24.14.Note 67 · Pro. 5.22.Note 68 · Rom. 1.32.Note 69 · Psa. 30.7.Note 70 · Rom. 3.14.Note 71 · Hab. 3.14.Note 72 · Miq. 7.2.Note 73 · Job 22.13. Eze. 8.12.Note 74 · Miq. 5.9.Note 75 · I Ped. 4.19.Note 76 · Jer. 10.10. I Tim. 1.17.Note 77 · ou, as nações.Note 78 · I Chr. 29.18.Note 79 · Isa. 11.4.Note 80 · Hab. 2.20. Isa. 66.1.Note 81 · Gen. 22.1.Note 82 · Gen. 19.24. Eze. 38.22.Note 83 · Job 36.7. I Ped. 3.12.Note 84 · Isa. 57.1. Miq. 7.2.Note 85 · Jer. 9.8. Rom. 16.18.Note 86 · I Sam. 2.3. Dan. 7.8.Note 87 · Exo. 3.7. Isa. 33.10.Note 88 · II Sam. 22.31. Pro. 30.5.Note 89 · Deu. 31.17. Job 13.24.Note 90 · Esd. 9.8. Jer. 51.39.Note 91 · Psa. 33.21, 22.Note 92 · Psa. 12.4, 7 e 119.17.Note 93 · Gen. 6.11. Rom. 3.10.Note 94 · Rom. 3.10, 11, 12.Note 95 · Jer. 10.25. Amós 8.4. Miq. 3.3.Note 96 · Psa. 53.7. Job 42.10.Note 97 · Isa. 33.15.Note 98 · Exo. 23.1.Note 99 · Est. 3.2.Note 100 · Rom. 11.35.Note 101 · Exo. 23.13. Jos. 23.16.Note 102 · Deu. 32.9.Note 103 · ou, sortes.Note 104 · Act. 2.25.Note 105 · ou, amado.Note 106 · Mat. 5.8. I João 3.2.Note 107 · ou, violento.Note 108 · Deu. 32.10. Zac. 2.8.Note 109 · Heb. despojam.Note 110 · ou, e fitam seus olhos para nos lançarem na terra.Note 111 · João 3.2.Note 112 · Heb. 1.13.Note 113 · Heb. o corno.Note 114 · Act. 4.31.Note 115 · Isa. 30.30.Note 116 · I Sam. 24.19.Note 117 · Job 18.6.Note 118 · Deu. 32.4.Note 119 · Deu. 32.31, 39.Note 120 · Pro. 1.28. Isa. 1.15.Note 121 · Psa. 47.4.Note 122 · II Sam. 7.13.Note 123 · Gen. 1.6. Rom. 1.19, 20.Note 124 · Rom. 10.18.Note 125 · ou, as gotas.Note 126 · Lev. 4.28.Note 127 · Isa. 44.6 e 47.4 e 48.14.Note 128 · Pro. 18.10.Note 129 · ou, ponha em alto.Note 130 · Exo. 17.6.Note 131 · ou, victoria.Note 132 · II Chr. 32.8.Note 133 · II Sam. 12.30.Note 134 · I Sam. 31.3.Note 135 · Mal. 4.1.Note 136 · I Reis 13.34. Job 18.16, 17, 19.Note 137 · Mat. 27.46. Mar. 15.34.Note 138 · Job 25.6.Note 139 · Mat. 27.29.Note 140 · Deu. 32.24.Note 141 · Dan. 5.6.Note 142 · Mat. 27.35. Mar. 15.24. Luc. 23.33.Note 143 · Luc. 23.34. João 19.23, 24.Note 144 · Heb. unica.Note 145 · João 65.1.Note 146 · Jer. 23.4. João 10.11.Note 147 · ou, de descanço.Note 148 · Job 3.5.Note 149 · Exo. 9.29 e 19.5.Note 150 · Gen. 1.9.Note 151 · Mat. 5.8.Note 152 · Isa. 26.2.Note 153 · Lam. 3.41.Note 154 · Exo. 33.13.Note 155 · Rom. 5.20.Note 156 · II Sam. 16.12.Note 157 · Psa. 31.7.Note 158 · Exo. 30.19, 20. I Tim. 2.8.Note 159 · Exo. 23.8. Deu. 16.19.Note 160 · Luc. 2.37.Note 161 · Isa. 49.15.Note 162 · Isa. 25.9. Hab. 2.3.Note 163 · II Reis 8.28, 29.Note 164 · II Tim. 4.14. Apo. 18.6.Note 165 · Deu. 9.29. I Reis 8.51, 53.Note 166 · ou, no sancto adorno, ou, no glorioso sanctuario.Note 167 · Num. 13.26, 27.Note 168 · Gen. 6.17.Note 169 · Psa. 28.8.Note 170 · Heb. do Sheol.Note 171 · I Chr. 16.4.Note 172 · ou, sua sancta memoria.Note 173 · Job 29.18.Note 174 · II Sam. 6.14. Jer. 31.4.Note 175 · Luc. 23.46. Act. 7.58.Note 176 · Psa. 33.5.Note 177 · Jer. 20.10.Note 178 · ou, contra o justo insolentemente.Note 179 · ou, no meu espanto.Note 180 · Rom. 4.6, 7, 8.Note 181 · II Cor. 5.19. João 1.47.Note 182 · I Sam. 5.6.Note 183 · Psa. 9.10.Note 184 · Pro. 13.21. Rom. 2.9.Note 185 · Isa. 42.10. Apo. 5.9.Note 186 · Gen. 1.6, 7. Heb. 11.3. II Ped. 3.5.Note 187 · ou, armazens.Note 188 · Isa. 10.8.Note 189 · Exo. 19.5. Deu. 7.6.Note 190 · Jer. 32.19.Note 191 · Job 36.7. I Ped. 3.12.Note 192 · Zac. 10.7. João 16.22.Note 193 · Eph. 5.20. I The. 5.18.Note 194 · Jer. 9.24. I Cor. 1.31.Note 195 · Mat. 7.7. Luc. 11.9.Note 196 · Dan. 6.22. Heb. 1.14.Note 197 · I Ped. 3.10, 11.Note 198 · I Ped. 2.22.Note 199 · I Ped. 3.12.Note 200 · Lev. 17.10. Jer. 44.11. Amós 9.4.Note 201 · Isa. 57.15 e 61.1.Note 202 · João 19.36.Note 203 · ou, condemnados.Note 204 · ou, condemnado.Note 205 · Lam. 3.58. Exo. 14.25.Note 206 · ou, da hacha de armas contra os que, etc.Note 207 · Isa. 29.5. Ose. 13.3.Note 208 · ou, dilaceravam-me.Note 209 · Hab. 1.13.Note 210 · Heb. unica.Note 211 · ou, palavras enganosas contra os quietos.Note 212 · ver. 4.Note 213 · Rom. 12.15. I Cor. 12.26.Note 214 · Rom. 3.18.Note 215 · Apo. 22.1.Note 216 · Jer. 2.13. João 4.10, 14.Note 217 · Isa. 58.14.Note 218 · Luc. 12.22.Note 219 · ou, os que são rectos no caminho.Note 220 · Isa. 60.21.Note 221 · Isa. 31.5.Note 222 · Dan. 3.17, 28 e 6.23.Note 223 · Esd. 9.6.Note 224 · Mat. 11.28.Note 225 · Isa. 12.2.Note 226 · ou, sombra.Note 227 · Heb. um assopro.Note 228 · Lev. 25.23. Heb. 11.13.Note 229 · ou, d’uma cova de destruição.Note 230 · Jer. 17.7.Note 231 · I Sam. 15.22.Note 232 · Heb. furaste.Note 233 · Act. 20.20, 27.Note 234 · I Ped. 5.7.Note 235 · Pro. 14.21.Note 236 · Psa. 6.3.Note 237 · ou, anhela.Note 238 · Isa. 30.29.Note 239 · Heb. o monte Mizar.Note 240 · Jer. 4.20. Eze. 7.26.Note 241 · Heb. Como com espada, ou, esmagamento.Note 242 · ver. 5.Note 243 · ou, a saude.Note 244 · ou, nação.Note 245 · Heb. a alegria da minha alegria.Note 246 · Exo. 12.26.Note 247 · ou, os lançaste fóra.Note 248 · ou, victorias.Note 249 · Dan. 8.6.Note 250 · Lev. 26.17.Note 251 · Rom. 8.36.Note 252 · ou, deshonra.Note 253 · Dan. 9.13.Note 254 · chacaes.Note 255 · Job 13.24.Note 256 · Luc. 4.22.Note 257 · Isa. 49.2. Heb. 4.12. Apo. 1.16.Note 258 · ou, E em tua magestade cavalga.Note 259 · ou, Os povos cairam debaixo de ti; ellas estão no coração, etc.Note 260 · I Ped. 2.9. Apo. 1.6.Note 261 · Mal. 1.11.Note 262 · Deu. 4.7.Note 263 · Deu. 24.14. Isa. 12.6. Ose. 11.9.Note 264 · Isa. 2.11, 17.Note 265 · ou, sobre o seu sancto throno.Note 266 · Heb. elevação.Note 267 · Isa. 2.2. Miq. 4.1.Note 268 · Mat. 13.35.Note 269 · Mar. 10.24. I Tim. 6.17.Note 270 · Luc. 12.10.Note 271 · Heb. Sheol.Note 272 · Heb. para que não haja morada para ella.Note 273 · Miq. 6.6. Act. 17.25.Note 274 · Zac. 13.9.Note 275 · Rom. 2.21, 22. Neh. 9.26.Note 276 · Rom. 12.1. Gal. 6.16.Note 277 · Num. 19.18. Heb. 9.19. Isa. 1.18.Note 278 · Rom. 8.9. Eph. 4.30.Note 279 · II Sam. 11.17.Note 280 · Isa. 57.15.Note 281 · Mal. 3.3.Note 282 · Jer. 9.4, 5.Note 283 · Mal. 1.5.Note 284 · Jer. 11.16.Note 285 · ou, louco.Note 286 · Rom. 3.10.Note 287 · Jer. 4.22.Note 288 · Eze. 6.5.Note 289 · Isa. 38.14.Note 290 · Heb. Devora-os.Note 291 · Jer. 6.7.Note 292 · Psa. 42.5.Note 293 · Heb. Sheol.Note 294 · Dan. 6.10. Luc. 18.1.Note 295 · ou, contra mim.Note 296 · Act. 12.1.Note 297 · Mat. 6.25.Note 298 · Isa. 31.3. Heb. 13.6.Note 299 · ou, peregrinações.Note 300 · Mal. 3.16.
Explore with AITake your curiosity a little further.

Reading settings