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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

NAHUM.

João Ferreira d' Almeida translation

A justiça e misericordia de Deus: a destruição de seus inimigos e o livramento do seu povo.

Antes de Christo 713

1 Carga de [1] Ninive. Livro da visão de Nahum, o elcoshita.

2 O Senhor [2] é Deus zeloso e que toma vingança, o Senhor toma vingança e tem furor: o Senhor toma vingança contra os seus adversarios, e guarda a ira contra os seus inimigos.

3 O Senhor é tardio [3] em irar-se, porém grande em força, e ao culpado não tem por innocente: [4] o Senhor, cujo caminho é na tormenta, e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.

4 Elle reprehende [5] ao mar, e o faz seccar, e esgota todos os rios: desfallecem Basan e Carmelo, [6] e a flor do Libano se murchou.

5 Os montes tremem perante [7] elle, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta na sua presença; e o mundo, e todos os que n’elle habitam.

6 Quem parará diante do seu furor? [8] e quem persistirá diante do ardor da sua ira? a sua colera se derramou como um fogo, e as rochas foram por elle derribadas.

7 O Senhor é bom, [9] elle serve de fortaleza no dia da angustia, e conhece aos que confiam n’elle.

8 E com uma inundação trasbordante acabará d’uma vez com o seu logar; e as trevas perseguirão os seus inimigos.

9 Que pensaes vós contra o Senhor? [10] elle mesmo vos consumirá de todo: não se levantará por duas vezes a angustia.

10 Porque elles se entrelaçam como os espinhos, [11] e se embebedam como bebados; serão inteiramente consumidos como palha secca.

11 De ti saiu um que pensou mal contra o Senhor, [12] um conselheiro de Belial.

12 Assim diz o Senhor: Por mais seguros que estejam, [13] e por mais numerosos que sejam, ainda assim serão tosquiados, e elle passará: eu te affligi, porém não te affligirei mais.

13 Mas agora quebrarei [14] o seu jugo de sobre ti, e romperei os teus laços.

14 Porém contra ti o Senhor deu ordem, que mais ninguem do teu nome seja semeado: da casa do teu deus exterminarei as imagens de esculptura e de fundição: ali te [15] farei o teu sepulchro, porque és vil.

15 Eis que [16] sobre os montes os pés do que traz as boas novas, do que annuncia a paz! celebra as tuas festas, ó Judah, cumpre os teus votos, [17] porque o impio não tornará mais a passar por ti: elle é inteiramente exterminado.

O cerco e tomada de Ninive.

2 O destruidor [1] subiu diante de ti, guarda tu a fortaleza, observa o caminho, esforça os lombos, fortalece muito a força.

2 Porque [2] o Senhor tornará a excellencia de Jacob como a excellencia de Israel; porque os que despejam os vazaram, e corromperam os seus sarmentos.

3 Os escudos dos seus valentes serão tintos [3] de vermelho, os homens valorosos andam vestidos de escarlate, os carros correrão como fogo de tochas no dia do seu apercebimento, e os pinheiros se abalarão.

4 Os carros se enfurecerão nas praças, discorrerão pelas ruas: o seu parecer é como o de tochas, correrão como relampagos.

5 Este se lembrará dos seus valentes, elles porém tropeçarão na sua marcha: apresentar-se-hão ao seu muro, quando o amparo fôr apparelhado.

6 As portas do rio se abrirão, e o palacio se derreterá.

7 Pois determinado está; será levada captiva, será feita subir, e as suas servas a acompanharão, [4] gemendo como pombas, batendo em seus peitos.

8 Ninive desde que existiu tem sido como um tanque de aguas, porém ellas agora fogem. Parae, parae, clamar-se-ha; mas ninguem olhará para traz.

9 Saqueae a prata, saqueae o oiro, porque não tem termo o provimento, abastança ha de todo o genero de moveis appeteciveis.

10 Vazia, e vazada e esgotada ficará, e derreteu-se o seu coração, [5] e tremem os joelhos, e em todos os lombos ha dôr, e os rostos de todos elles ennegrecem.

11 Onde está agora o covil dos leões, [6] e as pastagens dos leõesinhos? onde passeava o leão velho, e o cachorro do leão, sem haver ninguem que os espantasse?

12 O leão arrebatava o que bastava para os seus cachorros, e afogava a preza para as suas leôas, e enchia de prezas as suas cavernas, e os seus covis de rapina.

13 Eis que [7] eu estou contra ti, diz o Senhor dos exercitos, e queimarei no fumo os seus carros, e a espada devorará os teus leõesinhos, e arrancarei da terra a tua preza, [8] e não se ouvirá mais a voz dos teus embaixadores.

Os delictos de Ninive: a sua ruina inevitavel.

3 Ai [1] da cidade ensanguentada, que está toda cheia de mentiras e de rapina! não se aparta d’ella o roubo.

2 Estrepito [2] de açoite ha, e o estrondo do ruido das rodas; e os cavallos atropellam, e carros vão saltando.

3 O cavalleiro levanta assim a espada flammejante, como a lança relampagueante, e ali haverá uma multidão de mortos, e abundancia de cadaveres, e não terão fim os defuntos; tropeçarão nos seus corpos;

4 Por causa da multidão das fornicações da meretriz mui [3] graciosa, da mestra das feitiçarias, que vendeu os povos com as suas fornicações, e as gerações com as suas feitiçarias.

5 Eis que [4] eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exercitos, e descobrirei as tuas fraldas sobre a tua face, [5] e ás nações mostrarei a tua nudez, e aos reinos a tua vergonha.

6 E lançarei sobre ti coisas abominaveis, e te envergonharei, [6] e pôr-te-hei como espectaculo.

7 E ha de ser que, todos os que te virem, fugirão de ti, [7] e dirão: Ninive está destruida, quem terá compaixão d’ella? d’onde te buscarei consoladores?

8 És [8] tu melhor do que Nóammon, que está assentada nos rios, cercada de aguas, que tinha por esplanada o mar, cuja muralha é do mar?

9 Ethiopia e Egypto eram a sua força, e não havia fim: Put e Lybia te foram de soccorro.

10 Todavia foi levada captiva para o desterro: [9] tambem os seus filhos são despedaçados no topo de todas [10] as ruas, e sobre os seus honrados lançaram sortes, e todos os seus grandes foram presos com grilhões.

11 Tu tambem [11] serás embriagada, e te esconderás; tambem buscarás força por causa do inimigo.

12 Todas as tuas fortalezas serão como figueiras [12] com figos temporãos; se se sacodem, caem na bocca do que os ha de comer.

13 Eis que [13] o teu povo no meio de ti será como de mulheres: as portas da tua terra estarão de todo abertas aos teus inimigos: o fogo consumirá os teus ferrolhos.

14 Tira aguas para o cerco, fortifica as tuas fortalezas, [14] entra no lodo, e pisa o barro, repara o forno dos ladrilhos.

15 O fogo ali te consumirá, a espada te exterminará, te consumirá, como a locusta; [15] multiplica-te como a locusta, multiplica-te como os gafanhotos.

16 Multiplicaste os teus negociantes mais do que as estrellas do céu, a locusta se espalhará e voará.

17 Os [16] teus coroados são como os gafanhotos, e os teus chefes como os gafanhotos grandes, que se acampam nas sebes nos dias de frio; em subindo o sol voam, de sorte que não se conhece mais o logar onde estiveram.

18 Os teus pastores [17] dormitarão, ó rei da Assyria, os teus illustres deitar-se-hão, o teu povo se derramará pelos montes; sem que haja quem o ajunte.

19 Não ha cura para a tua quebradura, [18] a tua ferida é dolorosa: todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malicia?

Notes in this chapter

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