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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS.

João Ferreira d' Almeida translation

Prefacio

6 Annos antes do Anno Domini

1 Tendo pois muitos emprehendido pôr em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram,

2 Segundo nos transmittiram [1] os mesmos que as viram desde o principio, e foram ministros da palavra,

3 Pareceu-me [2] tambem a mim conveniente escrevel-as a ti, ó excellente Theophilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o principio;

4 Para que conheças [3] a certeza das coisas de que já estás informado.

Annuncio do nascimento de João.

5 Existiu, no tempo [4] de Herodes, rei da Judéa, um sacerdote chamado Zacharias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas d’Aarão; e o seu nome era [AGV] Isabel.

6 E eram ambos [5] justos perante Deus, andando sem reprehensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

7 E não tinham filhos, porquanto Isabel era esteril, e ambos eram avançados em edade.

8 E aconteceu que, exercendo elle o sacerdocio [6] diante de Deus, na ordem da sua turma,

9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor [7] a offerecer o incenso.

10 E toda a multidão do povo estava fóra, orando á hora do incenso,

11 E um anjo do Senhor lhe appareceu, posto em pé, á direita do [8] altar do incenso.

12 E Zacharias, vendo-o, [9] turbou-se, e caiu temor sobre elle.

13 Mas o anjo lhe disse: Zacharias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará á luz um filho, e lhe porás o [10] nome de João;

14 E terás prazer e alegria, [11] e muitos se alegrarão no seu nascimento;

15 Porque será grande diante do Senhor, e não [12] beberá vinho, nem [AGW] bebida forte, e será cheio do Espirito Sancto, até desde o ventre de sua mãe;

16 E converterá muitos [13] dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus;

17 E irá adiante d’elle no espirito e virtude d’Elias, para converter os corações dos paes aos filhos, e os rebeldes á prudencia dos justos; para preparar ao Senhor um povo bem disposto.

18 Disse então Zacharias ao anjo: [14] Como conhecerei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em edade.

19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou [15] Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a fallar-te e dar-te estas alegres novas;

20 E eis que ficarás mudo, e não [16] poderás fallar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não crêste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir.

21 E o povo estava esperando a Zacharias, e maravilhavam-se de que tanto se demorasse no templo.

22 E, saindo elle, não lhes podia fallar; e entenderam que tinha visto alguma visão no templo. E fallava por acenos, e ficou mudo.

23 E succedeu que, terminados [17] os dias do seu ministerio, voltou para sua casa.

24 E depois d’aquelles dias Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco mezes se occultou, dizendo:

25 Porque isto me fez o Senhor, nos dias em que attentou em mim, para destruir o meu [18] opprobrio entre os homens.

Annuncio do nascimento de Jesus.

26 E, no sexto mez, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galilea, chamada Nazareth,

27 A uma virgem [19] desposada com um varão, cujo nome era José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.

28 E, entrando o anjo aonde ella estava, disse: [20] [AGX] Salve, agraciada; o Senhor é comtigo: bemdita tu entre as mulheres.

29 E, vendo-o ella, [21] turbou-se muito das suas palavras, e considerava que saudação seria esta.

30 Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus;

31 E eis que em teu ventre conceberás, [22] e darás á luz um filho, e pôr-lhe-has o nome de Jesus.

32 Este será grande, [23] e será chamado filho do Altissimo; e o Senhor Deus lhe dará o throno de David, seu pae;

33 E reinará eternamente na casa de Jacob, e o [24] seu reino não terá fim.

34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto? pois não conheço varão.

35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espirito Sancto, e a virtude do Altissimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que tambem o Sancto, [25] que de ti ha de nascer, será chamado Filho de Deus.

36 E eis que tambem Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mez para aquella que era chamada esteril;

37 Porque para [26] Deus nada será impossivel.

38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se d’ella.

Maria visita Isabel.

39 E n’aquelles dias, levantando-se Maria, foi apressada ás [27] montanhas, a uma cidade de Juda,

40 E entrou em casa de Zacharias, e saudou a Isabel.

41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a creancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espirito Sancto,

42 E exclamou com grande voz, e disse: Bemdita [28] tu entre as mulheres, e bemdito o fructo do teu ventre.

43 E d’onde me provém isto a mim, que a mãe do meu Senhor venha a mim?

44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a creancinha saltou de alegria no meu ventre;

45 E bemaventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.

O cantico de Maria.

46 Disse então Maria: [29] A minha alma engrandece ao Senhor,

47 E o meu espirito se alegra em Deus meu Salvador;

48 Porque attentou [30] na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bemaventurada:

49 Porque me fez grandes coisas o [31] Poderoso; e sancto é o seu nome.

50 E a sua misericordia [32] é de geração em geração sobre os que o temem.

51 Com o seu braço obrou valorosamente: [33] dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.

52 Depoz dos thronos [34] os poderosos, e elevou os humildes.

53 Encheu de bens [35] os famintos, e despediu vasios os ricos.

54 Auxiliou a Israel seu [36] servo, recordando-se da sua misericordia;

55 Como fallou a nossos paes, a Abrahão [37] e á sua posteridade, para sempre.

56 E Maria ficou com ella quasi tres mezes, e depois voltou para sua casa.

O nascimento de João Baptista.

57 E completou-se para Isabel o tempo de dar á luz, e teve um filho.

58 E os seus visinhos e parentes ouviram que tinha Deus usado para com ella de grande misericordia, [38] e alegraram-se com ella.

59 E aconteceu que, ao oitavo [39] dia, vieram circumcidar o menino, e lhe chamavam Zacharias, do nome de seu pae.

60 E, respondendo sua mãe, disse: [40] Não, porém será chamado João.

61 E disseram-lhe: Ninguem ha na tua parentela que se chame por este nome.

62 E perguntaram por acenos ao pae como queria que lhe chamassem.

63 E, pedindo elle uma taboinha de escrever, escreveu, dizendo: [41] O seu nome é João. E todos se maravilharam.

64 E logo a bocca se lhe abriu, [42] e a lingua se lhe soltou; e fallava, louvando a Deus.

65 E veiu temor sobre todos os seus circumvisinhos, e em todas as [43] montanhas da Judea foram divulgadas todas estas coisas.

66 E todos os que as ouviam as conservavam em seus corações, dizendo: [44] Quem será pois este menino? E a mão do Senhor estava com elle.

O cantico de Zacharias.

67 E Zacharias, seu pae, foi cheio do [45] Espirito Sancto, e prophetizou, dizendo:

68 Bemdito [46] o Senhor Deus d’Israel, porque visitou e remiu o seu povo,

69 E nos levantou [AGY] uma salvação poderosa [47] na casa de David seu servo,

70 Como fallou pela bocca dos [48] seus sanctos prophetas, desde o principio do mundo;

71 Que nos livraria dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos aborrecem;

72 Para manifestar [49] misericordia a nossos paes, e lembrar-se do seu sancto concerto,

73 E do juramento [50] que jurou a Abrahão nosso pae,

74 De conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, [51] o serviriamos sem temor,

75 Em [52] sanctidade e justiça perante elle, todos os dias da nossa vida.

76 E tu, ó menino, serás chamado propheta do Altissimo, porque has de ir adiante [53] da face do Senhor, a preparar os seus caminhos;

77 Para dar ao seu povo conhecimento da salvação, [54] na remissão dos seus peccados;

78 Pelas entranhas da misericordia do nosso Deus, com que o Oriente do alto [55] nos visitou;

79 Para [56] alumiar aos que estão assentados em trevas e sombra de morte; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.

80 E o [57] menino crescia, e se robustecia em espirito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel.

O nascimento de Jesus.

Antes do Anno Domini 5

2 E aconteceu n’aquelles dias que saiu um decreto da parte de Cesar Augusto, para que todo o mundo se alistasse

2 (Este primeiro [1] alistamento foi feito sendo Cyrenio [AGZ] presidente da Syria),

3 E todos iam alistar-se, cada um á sua propria cidade.

4 E subiu tambem José da Galilea, da cidade [2] de Nazareth, á Judea, á cidade de David, chamada Bethlehem (porque era da casa e familia de David),

5 Para alistar-se com Maria, [3] sua mulher, que estava gravida.

6 E aconteceu que, estando elles ali se cumpriram os dias em que havia de dar á luz.

7 E deu á luz a [4] seu filho primogenito, e envolveu-o em pannos, e deitou-o n’uma mangedoura, porque não havia logar para elles na estalagem.

Os pastores de Bethlehem.

8 Ora havia n’aquella mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigilias da noite o seu rebanho.

9 E eis que o anjo do Senhor veiu sobre elles, e a gloria do Senhor os cercou de resplendor, [5] e tiveram grande temor.

10 E o anjo lhes disse: Não temaes, porque eis aqui vos dou novas de grande alegria, [6] que será para todo o povo:

11 Que hoje, na cidade de David, vos [7] nasceu o Salvador, que é Christo, o Senhor.

12 E isto vos será por signal: Achareis o menino envolto em pannos, e deitado n’uma mangedoura.

13 E, no mesmo instante, [8] appareceu com o anjo uma multidão dos exercitos celestiaes, louvando a Deus, e dizendo:

14 Gloria a Deus nas [9] alturas, paz na terra, [10] boa vontade para os homens.

15 E aconteceu que, ausentando-se d’elles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos pois até Bethlehem, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos notificou.

16 E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na mangedoura.

17 E, vendo-o, divulgaram a palavra que ácerca do menino lhes fôra dita;

18 E todos os que os ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam.

19 Mas [11] Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração.

20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.

A circumcisão e apresentação de Jesus.

21 E, quando os oito dias [12] foram cumpridos, para circumcidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fôra posto antes de ser concebido.

22 E, cumprindo-se os dias da purificação, [13] segundo a lei de Moysés, o levaram a Jerusalem, para o apresentarem ao Senhor,

23 Segundo o que está escripto na lei do Senhor: Todo o [14] macho primogenito será consagrado ao Senhor;

24 E para darem a offerta segundo o [15] disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos.

Simeão e Anna.

Antes do Anno Domini 4

25 E eis que havia em Jerusalem um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, e esperava a [16] consolação d’Israel; e o Espirito Sancto estava sobre elle.

26 E fôra-lhe divinamente revelado pelo Espirito Sancto [17] que elle não morreria antes de ter visto o Christo do Senhor.

27 E pelo [18] Espirito foi ao templo, e, quando os paes introduziram o menino Jesus, para com elle procederem segundo o uso da lei,

28 Elle então o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:

29 Agora, Senhor, [19] despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra.

30 Pois já os meus [20] olhos viram a tua salvação,

31 A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;

32 Luz [21] para alumiar as nações, e para gloria de teu povo Israel.

33 E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que d’elle se diziam,

34 E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação [22] de muitos em Israel, e para signal que será contradicto;

35 E uma espada [23] traspassará tambem a tua propria alma; para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.

36 E estava ali a prophetiza Anna, filha de Fanuel, da tribu de Aser. Esta era já avançada em edade, e tinha vivido com o marido sete annos, desde a sua virgindade,

37 E era viuva, de quasi oitenta e quatro annos, e não se affastava do templo, [24] servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.

38 E esta, sobrevindo na mesma hora, dava graças a Deus, e fallava d’elle a todos os [25] que esperavam a redempção em Jerusalem.

O menino Jesus no meio dos doutores.

39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram á Galilea, para a sua cidade de Nazareth.

40 E o menino [26] crescia, e se fortalecia em espirito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre elle.

41 Ora, todos os annos iam [27] seus paes a Jerusalem, á festa da paschoa;

42 E, tendo elle já doze annos, subiram a Jerusalem, segundo o costume do dia da festa.

43 E, regressando elles, terminados aquelles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalem, e não o souberam seus paes.

44 Pensando, porém, elles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e buscavam-n’o entre os parentes e conhecidos;

45 E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalem em busca d’elle.

46 E aconteceu que, passados tres dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.

47 E todos [28] os que o ouviam admiravam a sua intelligencia e respostas.

48 E elles, vendo-o, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, porque fizeste assim para comnosco? Eis que teu pae e eu anciosos te buscavamos.

49 E elle lhes disse: Porque é que me buscaveis? Não sabeis que me convem [29] tratar dos negocios de meu Pae?

50 E elles não [30] comprehenderam as palavras que lhes dizia.

51 E desceu com elles, e foi para Nazareth, e era-lhes sujeito. E sua mãe [31] guardava no seu coração todas estas coisas.

52 E crescia Jesus em [32] sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.

A prégação de João Baptista.

Mat. 3.1-12.

Anno Domini 26

3 E no anno quinze do imperio de Tiberio Cesar, sendo Poncio Pilatos presidente da Judea, Herodes tetrarcha da Galilea, e seu irmão Philippe tetrarcha da Iturea e da provincia de Traconites, e Lysaneas tetrarcha da Abylinia,

2 Sendo Annás [1] e Caiphás summos sacerdotes, veiu no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacharias.

3 E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, [2] prégando o baptismo de arrependimento, para o perdão dos peccados;

4 Segundo o que está escripto no livro das palavras [3] do propheta Isaias, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparae o caminho do Senhor; endireitae as suas veredas.

5 Todo o valle se encherá, e todo o monte e outeiro se abaixará; e os caminhos tortos se endireitarão, e os caminhos escabrosos se aplanarão;

6 E toda [4] a carne verá a salvação de Deus.

7 Dizia pois João á multidão que sahia a ser baptizada por elle: [5] Raça de viboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?

8 Dae pois fructos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abrahão por pae; porque eu vos digo que até d’estas pedras pode Deus suscitar filhos a Abrahão.

9 E tambem já está posto o machado á raiz das arvores; [6] toda a arvore, pois, que não dá bom fructo, corta-se e lança-se no fogo.

10 E a multidão o interrogava, dizendo: [7] Que faremos pois?

11 E, respondendo elle, disse-lhes: Quem tiver [8] duas tunicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira.

12 E chegaram tambem [9] uns publicanos, para serem baptizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?

13 E elle lhes disse: [10] Não peçaes mais do que o que vos está ordenado.

14 E uns soldados o interrogaram tambem, dizendo: E nós que faremos? E elle lhes disse: [11] Não trateis mal, nem defraudeis alguem, e contentae-vos com o vosso soldo.

15 E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Christo,

16 Respondeu João a todos, dizendo: [12] Eu, na verdade, baptizo-vos com agua, mas vem um mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos baptizará com o Espirito Sancto e com fogo.

17 E a sua pá está em sua mão; e limpará a sua eira, [13] e ajuntará o trigo no seu celleiro, porém queimará a palha com fogo que nunca se apaga.

18 E assim, admoestando, muitas outras coisas tambem annunciava ao povo.

19 Sendo, porém, o [14] tetrarcha Herodes reprehendido por elle por causa de Herodias, mulher de seu irmão Philippe, e por todas as maldades que Herodes tinha feito,

20 Accrescentou a todas as outras ainda esta, de encerrar João n’um carcere.

O baptismo de Jesus.

Mar. 3.13-17. João 1.32.

Anno Domini 27

21 E aconteceu que, como todo o povo fosse baptizado, e sendo baptizado tambem Jesus, e orando, abriu-se o céu,

22 E o Espirito Sancto desceu sobre elle em forma corporea, como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu filho amado, em ti me tenho comprazido.

Genealogia de Jesus.

23 E o mesmo Jesus começava a ser de quasi trinta [15] annos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli,

24 e Heli de Matthat, e Matthat de Levi, e Levi de Melchi, e Melchi de Joanna, e Joanna de José,

25 e José de Mattathias, e Mattathias de Amós, e Amós de Naum, e Naum de Essi, e Essi de Naggai,

26 e Naggai de Maath, e Maath de Mattathias, e Mattathias de Semei, e Semei de José, e José de Juda,

27 e Juda de Johanna, e Johanna de Rhesa, e Rhesa de Zorobabel, e Zorobabel de Salathiel, e Salathiel de Neri,

28 e Neri de Melchi, e Melchi de Addi, e Addi de Cozam, e Cozam de Elmodam, e Elmodam de Er,

29 e Er de José, e José de Eliezer, e Eliezer de Jorim, e Jorim de Matthat, e Matthat de Levi,

30 e Levi de Simeon, e Simeon de Juda, e Juda de José, e José de Jonan, e Jonan de Eliakim,

31 e Eliakim de Melea, e Melea de Mainan, e Mainan de Matthata, e Matthata de Nathan, [16] e Nathan de David,

32 e David de Jesse, e Jesse de Obed, e Obed de Booz, e Booz de Salmon, e Salmon de Naasson,

33 e Naasson de Aminadab, e Aminadab de Arão, e Arão de Esrom, e Esrom de Fares, e Fares de Juda,

34 e Juda de Jacob, e Jacob de Isaac, e Isaac de Abrahão, e Abrahão de Thare, [17] e Thare de Nachor,

35 e Nachor de Saruch, e Saruch de Ragau, e Ragau de Faleg, e Faleg de Heber, e Heber de Sala,

36 e Sala de Cainan, [18] e Cainan de Arfaxad, e Arfaxad de Sem, [19] e Sem de Noé, e Noé de Lamech,

37 e Lamech de Mathusala, e Mathusala de Henoch, e Henoch de Jared, e Jared de Maleleel, e Maleleel de Cainan,

38 e Cainan de Henos, e Henos de Seth, e Seth de Adão, [20] e Adão de Deus.

A tentação de Jesus.

Mat. 1.4-11.

Anno Domini 31

4 E Jesus, cheio do Espirito Sancto, voltou do Jordão [1] e foi levado pelo Espirito ao deserto;

2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e n’aquelles dias [2] não comeu coisa alguma; e, terminados elles, teve fome.

3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.

4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escripto está [3] que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe n’um momento de tempo todos os reinos do mundo.

6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-hei a ti todo este poder, e a sua gloria; porque a mim me foi entregue, [4] e dou-o a quem quero;

7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vae-te, Satanaz; porque está escripto: [5] Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Elle servirás.

9 Levou-o tambem a Jerusalem, [6] e pôl-o sobre o pinaculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te d’aqui abaixo;

10 Porque está escripto: [7] Mandará aos seus anjos, ácerca de ti, que te guardem,

11 E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

12 E, Jesus, respondendo, [8] disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.

13 E, acabando o [9] diabo toda a tentação, ausentou-se d’elle por algum tempo.

Jesus é expulso de Nazareth.

14 Então, [10] pela virtude do Espirito, voltou Jesus para a Galilea, [11] e a sua fama saiu por todas as terras em derredor.

15 E ensinava nas suas synagogas, e por todos era louvado.

16 E, chegando a Nazareth, [12] onde fôra criado, n’um dia de sabbado, segundo o seu costume, entrou na synagoga, e levantou-se para lêr.

17 E foi-lhe dado o livro do propheta Isaias; e, quando abriu o livro, achou o logar em que estava escripto:

18 O Espirito [13] do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para evangelizar aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,

19 A apregoar [AHA] liberdade aos captivos, e dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os opprimidos; a annunciar o anno acceitavel do Senhor.

20 E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na synagoga estavam fitos n’elle.

21 Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escriptura em vossos ouvidos.

22 E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam [14] das palavras de graça que sahiam da sua bocca: e diziam: Não é este o filho de José?

23 E elle lhes disse: Sem duvida me direis este proverbio: Medico, cura-te a ti mesmo; faze tambem aqui na tua patria todas essas coisas que ouvimos terem [15] sido feitas em Capernaum.

24 E disse: [16] Em verdade vos digo que nenhum propheta é bem recebido na sua patria;

25 Em verdade vos digo [17] que muitas viuvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por tres annos e seis mezes, de sorte que em toda a terra houve grande fome;

26 E a nenhuma d’ellas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidon, a uma mulher viuva.

27 E muitos leprosos havia em [18] Israel no tempo do propheta Eliseu, e nenhum d’elles foi purificado, senão Naaman o syro.

28 E todos, na synagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.

29 E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade d’elles estava edificada, para d’ali o precipitarem.

30 Elle, porém, passando [19] pelo meio d’elles, retirou-se.

31 E desceu [20] a Capernaum, cidade da Galilea, e ali os ensinava nos sabbados.

32 E admiravam a sua doutrina, porque a [21] sua palavra era com auctoridade.

Cura de um endemoninhado.

Mar. 1.23-28.

33 E estava na synagoga um homem que tinha um espirito de um demonio immundo, e exclamou em alta voz,

34 Dizendo: Ah! que temos nós comtigo, Jesus Nazareno? vieste a destruir-nos? [22] Bem sei quem és: o Sancto de Deus.

35 E Jesus o reprehendeu, dizendo: Cala-te, e sae d’elle. E o demonio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu d’elle sem lhe fazer mal algum.

36 E veiu espanto sobre todos, e fallavam entre si uns e outros, dizendo: Que palavra é esta, que até aos espiritos immundos manda com auctoridade e poder, e elles saem?

A cura da sogra de Pedro.

Mat. 8.14-17 e refs.

37 E a sua fama divulgava-se por todos os logares, em redor d’aquella comarca.

38 Ora, [23] levantando-se Jesus da synagoga, entrou em casa de Simão; e a sogra de Simão estava enferma com muita febre, e rogaram-lhe por ella.

39 E, inclinando-se para ella, reprehendeu a febre, e esta a deixou. E, levantando-se logo, servia-os.

40 E, ao pôr do sol, [24] todos os que tinham enfermos de varias doenças lh’os traziam; e, pondo as mãos sobre cada um d’elles, os curava.

41 E tambem de muitos sahiam demonios, clamando [25] e dizendo: [26] Tu és o Christo, o Filho de Deus. E elle, reprehendendo-os, não os deixava fallar, porque sabiam que elle era o Christo.

42 E, sendo já dia, [27] saiu, e foi para um logar deserto; e a multidão o buscava, e chegou junto d’elle; e o detinham, para que não se ausentasse d’elles.

43 Porém elle lhes disse: Tambem é necessario que eu annuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso sou enviado.

44 E prégava [28] nas synagogas da Galiléa.

A pesca maravilhosa: os primeiros discipulos.

5 E aconteceu [1] que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava elle junto ao lago de Genezareth;

2 E viu estar dois barcos junto á praia do lago; e os pescadores, havendo descido d’elles, estavam lavando as redes.

3 E, entrando n’um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o affastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão.

4 E, quando acabou de fallar, disse a Simão: [2] Faze-te ao mar alto, e lançae as vossas redes para pescar.

5 E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhámos; mas, sobre tua palavra, lançarei a rede.

6 E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede.

7 E fizeram signal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quasi iam a pique.

8 E Simão Pedro, vendo isto, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, [3] ausenta-te de mim, que sou um homem peccador.

9 Porque o espanto se apoderara d’elle, e de todos os que com elle estavam, por causa da pesca de peixe que haviam feito;

10 E, de egual modo, tambem de Thiago e João, filhos de Zebedeo, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas: [4] de agora em diante serás pescador de homens.

11 E, levando os barcos para terra, deixando tudo, [5] o seguiram.

Cura d’um leproso.

Mat. 8.1-4 e refs.

12 E aconteceu [6] que, estando n’uma das cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quizeres, bem podes limpar-me.

13 E elle, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo a lepra desappareceu d’elle.

14 E ordenou-lhe que a ninguem [7] o dissesse. Porém vae, disse, mostra-te ao sacerdote, e offerece, pela tua purificação, o que Moysés determinou, para que lhes sirva de testemunho.

15 Porém a sua fama se dilatava ainda mais, [8] e ajuntavam-se muitas gentes para o ouvirem e para serem por elle curados das suas enfermidades.

16 Porém elle retirava-se [9] para os desertos, e ali orava.

Cura d’um paralytico.

Mat. 9.1-8 e refs.

17 E aconteceu que, n’um d’aquelles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados phariseos e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galilea, e da Judea, e de Jerusalem, e a virtude do Senhor estava com elle para os curar.

18 E eis que [10] uns homens transportaram n’uma cama um homem que estava paralytico, e procuravam introduzil-o, e pôl-o diante d’elle;

19 E, não achando por onde podessem introduzil-o, por causa da multidão, subiram ao telhado, e pelas telhas o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus.

20 E, vendo elle a fé d’elles, disse-lhe: Homem, os teus peccados te são perdoados.

21 E [11] os escribas e os phariseos começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasphemias? Quem pode perdoar peccados, [12] senão só Deus?

22 Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoaes em vossos corações?

23 Qual é mais facil? dizer: Os teus peccados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?

24 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar os peccados (disse ao paralytico), A ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vae para tua casa.

25 E, levantando-se logo diante d’elles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus.

26 E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodigios.

A vocação de Levi.

Mat. 9.9-13 e refs.

27 E, depois [13] d’estas coisas, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.

28 E elle, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.

29 E fez-lhe Levi [14] um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com elles á mesa.

30 E os escribas d’elles, e os phariseos, murmuravam contra os seus discipulos, dizendo: Porque comeis e bebeis com publicanos e peccadores?

31 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de medico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos;

32 Eu não vim para chamar [15] os justos, mas, sim, os peccadores ao arrependimento.

Ácerca do jejum.

Mat. 9.14-17 e refs.

33 Disseram-lhe então elles: Porque jejuam os discipulos de João [16] muitas vezes, e fazem orações, como tambem os dos phariseos, porém os teus comem e bebem?

34 Mas elle lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles?

35 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, n’aquelles dias, jejuarão.

36 E disse-lhes tambem uma parabola: [17] Ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho; d’outra maneira o novo romperá o velho, e o remendo novo não condiz com o velho.

37 E ninguem deita vinho novo em odres velhos; d’outra maneira o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-ha o vinho, e os odres se estragarão;

38 Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.

39 E ninguem que beber o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.

Jesus é Senhor do sabbado.

Mat. 12.1-8 e refs.

6 E aconteceu [1] que, no sabbado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discipulos iam arrancando espigas, e, esfregando-as com as mãos, as comiam.

2 E alguns dos phariseos lhes disseram: Porque fazeis [2] o que não é licito fazer nos sabbados?

3 E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lêstes o que fez [3] David quando teve fome, elle e os que com elle estavam?

4 Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu tambem aos que estavam com elle, [4] os quaes não é licito comer senão só aos sacerdotes?

5 E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sabbado.

Cura d’um homem que tinha uma das mãos mirrada.

Mat. 12.9-14 e refs.

6 E aconteceu [5] tambem n’outro sabbado que entrou na synagoga, e estava ensinando; e estava ali um homem que tinha a mão direita mirrada.

7 E os escribas e phariseos attentavam n’elle, se o curaria no sabbado, para acharem de que o accusar.

8 Mas elle bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e põe-te em pé no meio. E, levantando-se elle, poz-se em pé.

9 Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É licito nos sabbados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?

10 E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E elle assim o fez, e a mão lhe foi restituida sã como a outra.

11 E ficaram cheios de furor, e uns com os outros praticavam sobre o que fariam a Jesus.

Eleição dos doze.

Mat. 10.1-4 e refs.

12 E aconteceu que [6] n’aquelles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite orando a Deus.

13 E, quando já era dia, chamou a si os seus discipulos, e escolheu doze d’elles, a quem tambem nomeou apostolos: a saber,

14 Simão, ao qual tambem chamou [7] Pedro, e André, seu irmão; Thiago e João; Philippe e Bartholomeo;

15 E Mattheus e Thomé; Thiago, filho d’Alfeo, e Simão, chamado o zelador;

16 E Judas, irmão de Thiago; [8] e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

O sermão da montanha.

Mat. caps. 5, 6, 7.

17 E, descendo com elles, parou n’um logar plano, e tambem uma grande turba de seus [9] discipulos, e grande multidão de povo de toda a Judea, e de Jerusalem, e da costa maritima de Tyro e de Sidon,

18 Que tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, como tambem os atormentados dos espiritos immundos: e eram curados.

19 E toda [10] a multidão procurava tocal-o; porque sahia d’elle virtude, e curava a todos.

20 E, levantando elle os olhos para os seus discipulos, dizia: [11] Bemaventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

21 Bemaventurados vós, que agora tendes fome, [12] porque sereis fartos. Bemaventurados vós, que agora choraes, porque haveis de rir.

22 Bemaventurados sereis [13] quando os homens vos aborrecerem, e quando vos separarem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.

23 Folgae n’esse dia, [14] exultae; porque, eis que é grande o vosso galardão no céu, porque assim faziam os seus paes aos prophetas.

24 Mas ai de [15] vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.

25 Ai [16] de vós, que estaes fartos! porque tereis fome. Ai de vós, que agora rides, porque lamentareis e chorareis.

26 Ai de vós [17] quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus paes aos falsos prophetas.

27 Mas a vós, que ouvis isto, [18] digo: Amae a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem;

28 Bemdizei os que vos [19] maldizem, e orae pelos que vos calumniam.

29 Ao que te ferir n’uma face, [20] offerece-lhe tambem a outra; e, ao que te houver tirado a capa, nem a tunica recuses;

30 E dá a [21] qualquer que te pedir; e, ao que tomar o que é teu, não lh’o tornes a pedir.

31 E, como vós quereis [22] que os homens vos façam, tambem da mesma maneira lhes fazei vós.

32 E, [23] se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores amam aos que os amam.

33 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores fazem o mesmo.

34 E, se emprestardes [24] áquelles de quem esperaes tornar a receber, que recompensa tereis? Porque tambem os peccadores emprestam aos peccadores, para tornarem a receber outro tanto.

35 Amae pois a vossos inimigos, [25] e fazei bem, e emprestae, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altissimo; porque é benigno até para com os ingratos e máus.

36 Sêde pois misericordiosos, [26] como tambem vosso Pae é misericordioso.

37 Não julgueis, [27] e não sereis julgados: não condemneis, e não sereis condemnados: soltae, e soltar-vos-hão.

38 Dae, [28] e ser-vos-ha dado; boa medida, recalcada, sacudida e trasbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes vos tornarão a medir.

39 E dizia-lhes uma parabola: [29] Pode porventura o cego guiar o cego? não cairão ambos na cova?

40 [30] O discipulo não é sobre o seu mestre, mas todo o que fôr perfeito será como o seu mestre.

41 E porque attentas tu [31] no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu proprio olho?

42 Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho; não attentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hypocrita, [32] tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

43 Porque não [33] ha boa arvore que dê máu fructo, nem má arvore que dê bom fructo.

44 Porque cada [34] arvore se conhece pelo seu proprio fructo; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.

45 O homem [35] bom do bom thesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau thesouro do seu coração tira o mal, porque da abundancia do seu coração falla a bocca.

46 E porque me chamaes, Senhor, Senhor, [36] e não fazeis o que eu digo?

47 Qualquer que vem para mim [37] e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é similhante:

48 É similhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e poz os alicerces sobre rocha, e, vindo a enchente, bateu com impeto a corrente n’aquella casa, e não a poude abalar, porque estava fundada sobre rocha.

49 Mas o que ouve e não obra é similhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com impeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a queda d’aquella casa.

O centurião de Capernaum.

Mat. 8.5-13 e refs.

7 E, depois de concluir todos estes discursos perante o povo, entrou em Capernaum.

2 E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.

3 E, quando ouviu fallar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeos, rogando-lhe que viesse e curasse o seu servo.

4 E, chegando elles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto,

5 Porque ama a nossa nação, e elle mesmo nos edificou a synagoga.

6 E foi Jesus com elles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incommodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;

7 Pelo que nem ainda me julguei digno de ir ter comtigo; dize, porém, uma palavra, e o meu creado sarará.

8 Porque tambem eu sou homem sujeito á auctoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vae; e elle vae; e a outro: Vem; e elle vem; e ao meu servo: Faze isto; e elle o faz.

9 E Jesus, ouvindo isto, maravilhou-se d’elle, e, voltando-se, disse á multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.

10 E, voltando para casa os que foram enviados, acharam são o servo enfermo.

O filho da viuva de Nain.

11 E aconteceu, no dia seguinte, que Jesus ia a uma cidade chamada Nain, e com elle iam muitos dos seus discipulos, e uma grande multidão;

12 E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho unigenito de sua mãe, que era viuva; e com ella ia uma grande multidão da cidade.

13 E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ella, e disse-lhe: Não chores.

14 E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Mancebo, a ti te digo: [1] Levanta-te.

15 E o defunto assentou-se, e começou a fallar; e entregou-o a sua mãe.

16 E de todos se apoderou [2] o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande propheta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.

17 E correu d’elle esta fama por toda a Judea e por toda a terra circumvisinha.

João envia dois discipulos seus a Jesus.

Mat. 11.1-19 e refs.

18 E os discipulos de João annunciaram-lhe todas estas coisas.

19 E João, chamando dois dos seus discipulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?

20 E, quando aquelles homens chegaram junto d’elle, disseram: João Baptista enviou-nos a dizer-te: És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?

21 E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espiritos máus, e deu vista a muitos cegos.

22 Respondendo então Jesus, [3] disse-lhes: Ide, e annunciae a João as coisas que tendes visto e ouvido: [4] que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos resuscitam e o Evangelho annuncia-se [5] aos pobres,

23 E bemaventurado aquelle que em mim se não escandalizar.

24 E, tendo-se retirado [6] os mensageiros de João, começou a dizer á multidão ácerca de João: Que saistes a ver ao deserto? uma canna abalada pelo vento?

25 Mas que saistes a vêr? um homem trajado de vestidos delicados? Eis que os que andam com preciosos vestidos, e em delicias, estão nos paços reaes.

26 Mas que saistes a vêr? um propheta? sim, vos digo, e muito mais do que propheta.

27 Este é aquelle de quem está escripto: [7] Eis que envio o meu anjo adiante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho.

28 Porque eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não ha maior propheta do que João Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior do que elle.

29 E todo o povo que o ouviu e os publicanos [8] justificaram a Deus, tendo sido baptizados com o baptismo de João.

30 Mas os phariseos e os doutores da lei rejeitaram [9] o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por elle.

31 E disse o Senhor: [10] A quem pois compararei os homens d’esta geração, e a quem são similhantes?

32 São similhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes; cantámos-vos lamentações, e não chorastes,

33 Porque [11] veiu João Baptista, que nem comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demonio;

34 Veiu o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis ahi [12] um homem comilão, e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos peccadores.

35 Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

A peccadora que ungiu os pés de Jesus.

36 E rogou-lhe [13] um dos phariseos que comesse com elle; e, entrando em casa do phariseo, assentou-se á mesa.

37 E eis que uma mulher da cidade, uma peccadora, sabendo que elle estava á mesa em casa do phariseo, levou um vaso de alabastro com unguento;

38 E, estando detraz, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lagrimas, e enxugava-lh’os com os cabellos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lh’os com o unguento.

39 E, quando isto viu o phariseo que o tinha convidado, fallava comsigo, dizendo: [14] Se este fôra propheta, bem saberia quem e qual é a mulher que o tocou, porque é peccadora.

40 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E elle disse: Dize-a, Mestre.

41 Um certo crédor tinha dois devedores; um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cincoenta.

42 E, não tendo elles com que pagar, perdoou-lhes a ambos a divida. Dize pois qual d’elles o amará mais?

43 E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquelle a quem mais perdoou. E elle lhe disse: Julgaste bem.

44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me déste agua para os pés; mas esta regou-me os pés com lagrimas, e m’os enxugou com os seus cabellos.

45 Não me déste osculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

46 Não me ungiste [15] a cabeça com oleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

47 Por isso te digo [16] que os seus muitos peccados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquelle a quem pouco se perdoa pouco ama.

48 E disse-lhe a ella: [17] Os teus peccados te são perdoados.

49 E os que estavam á mesa começaram [18] a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa peccados?

50 E disse á mulher: [19] A tua fé te salvou: vae-te em paz.

As mulheres que serviam a Jesus com os seus bens.

8 E aconteceu, depois d’isto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, prégando e annunciando o evangelho do reino de Deus: e os doze andavam com elle,

2 E [1] tambem algumas mulheres que haviam sido curadas de espiritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Magdalena, [2] da qual sairam sete demonios,

3 E Joanna, mulher de Chuza, procurador d’Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.

A parabola do semeador.

Mat. 13.1-23 e refs.

4 E, [3] ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com elle de todas as cidades, disse por parabola:

5 Um semeador saiu a semear a sua semente, e, quando semeava, caiu uma parte junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram;

6 E outra parte caiu sobre pedra, e, nascida, seccou-se, porquanto não tinha humidade;

7 E outra parte caiu entre espinhos, e, nascidos com ella os espinhos, a suffocaram;

8 E outra parte caiu em boa terra, e, nascida, produziu fructo, cento por um. Dizendo elle estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

9 E [4] os seus discipulos o interrogaram, dizendo: Que parabola é esta?

10 E elle disse: A vós é dado conhecer os mysterios do reino de Deus, mas aos outros por parabolas, [5] para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não entendam.

11 [6] Esta é pois a parabola: A semente é a palavra de Deus;

12 E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que se não salvem, crendo;

13 E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas estes não teem raiz, pois crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam;

14 E a que caiu entre espinhos, estes são os que ouviram, e, indo por diante, se suffocam com os cuidados, e riquezas e deleites da vida, e não dão fructo com perfeição;

15 E a que caiu em boa terra, estes são os que, ouvindo a palavra, a conservam n’um coração honesto e bom, e dão fructo [AHB] em perseverança.

A parabola da candeia.

Mar. 4.21-25 e refs.

16 E ninguem, [7] accendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; porém põe-n’a no velador, para que os que entram vejam a luz.

17 Porque não ha coisa [8] occulta que não haja de manifestar-se, nem coisa escondida que não haja de saber-se e vir á luz.

18 Vêde pois como ouvis; [9] porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece que tem lhe será tirado.

A familia de Jesus.

Mat. 12.46-50 e refs.

19 E foram ter [10] com elle sua mãe e seus irmãos, e não podiam chegar a elle, por causa da multidão.

20 E foi-lhe annunciado por alguns, dizendo: Estão lá fóra tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te.

21 Porém, respondendo elle, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aquelles que ouvem a palavra de Deus e a executam.

Jesus apazigua a tempestade.

Mat. 8.25-27 e refs.

22 E aconteceu [11] que, n’um d’aquelles dias, entrou n’um barco, e com elle os seus discipulos, e disse-lhes: Passemos para a outra banda do lago. E partiram.

23 E, navegando elles, adormeceu; e sobreveiu uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se d’agua, e perigavam.

24 E, chegando-se a elle, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E elle, levantando-se, reprehendeu o vento e as ondas d’agua; e cessaram, e fez-se bonança.

25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E elles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e á agua manda, e lhe obedecem?

O endemoninhado gadareno.

Mat. 8.28-34 e refs.

26 E navegaram para [12] a terra dos gadarenos, que está defronte da Galilea.

27 E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo era possesso de demonios, e não andava vestido, e não habitava em casa, mas nos sepulchros.

28 E, vendo a Jesus, prostrou-se diante d’elle, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu comtigo, Jesus, Filho do Deus Altissimo? Peço-te que não me atormentes.

29 Porque mandava ao espirito immundo que saisse d’aquelle homem; porque já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-n’o preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impellido pelo demonio para os desertos.

30 E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E elle disse: Legião; porque tinham entrado n’elle muitos demonios.

31 E rogavam-lhe que os não mandasse ir [13] para o abysmo.

32 E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar n’elles; e concedeu-lh’o.

33 E, tendo saido os demonios do homem, entraram nos porcos, e a manada arrojou-se de um despenhadeiro no lago, e afogaram-se.

34 E aquelles que os guardavam, vendo o que acontecera, fugiram, e foram annuncial-o na cidade e nos campos.

35 E sairam a vêr o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus; e acharam o homem, de quem haviam saido os demonios, vestido, e em seu juizo, assentado aos pés de Jesus: e temeram.

36 E os que tinham visto contaram-lhes tambem como fôra salvo aquelle endemoninhado.

37 E [14] toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor [15] lhe rogou que se retirasse d’elles; porque estavam possuidos de grande temor. E, entrando elle no barco, voltou.

38 E aquelle homem, de quem haviam saido os demonios, [16] rogou-lhe que o deixasse estar com elle; porém Jesus o despediu, dizendo:

39 Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E elle foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.

A filha de Jairo: a mulher que tinha um fluxo de sangue.

Mar. 5.21-43 e refs.

40 E aconteceu que, voltando Jesus, a multidão o recebeu, porque todos o estavam esperando.

41 E eis que [17] chegou um varão, cujo nome era Jairo, e era principe da synagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa;

42 Porque tinha uma filha unica, quasi de doze annos, e estava á morte. E, indo elle, apertava-o a multidão.

43 E [18] uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze annos, e gastara com os medicos todos os seus haveres, e por nenhum podéra ser curada,

44 Chegando por detraz d’elle, tocou a orla do seu vestido, e o fluxo do seu sangue logo estancou.

45 E disse Jesus; Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com elle: Mestre, a multidão te aperta e opprime, e dizes: Quem é que me tocou?

46 E disse Jesus: Alguem me tocou, [19] porque bem conheci que de mim saiu virtude.

47 Então a mulher, vendo que não se occultava, approximou-se tremendo, e, prostrando-se ante elle, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que o havia tocado, e como logo sarára.

48 E elle lhe disse: Tem bom animo, filha, a tua fé te salvou: vae em paz.

49 Estando [20] elle ainda fallando, chegou um dos do principe da synagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incommodes o Mestre.

50 Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas; crê sómente, e será salva.

51 E, entrando em casa, a ninguem deixou entrar, senão a Pedro, e a Thiago, e a João, e ao pae e á mãe da menina.

52 E todos choravam, e a pranteavam; e elle disse: Não choreis; não está morta, [21] mas dorme.

53 E riam-se d’elle, sabendo que estava morta.

54 Porém elle, pondo-os todos fóra, e pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: [22] Levanta-te, menina.

55 E o seu espirito voltou, e ella logo se levantou; e Jesus mandou que lhe déssem de comer.

56 E seus paes ficaram maravilhados; [23] e elle lhes mandou que a ninguem dissessem o que havia succedido.

A missão dos doze.

Mat. 10.5, etc.

Anno Domini 32

9 E, convocando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes virtude e poder sobre todos os demonios, e para curarem enfermidades;

2 E enviou-os a prégar o reino de [2] Deus, e a curar os enfermos.

3 E disse-lhes: [3] Nada leveis comvosco para o caminho, nem bordões, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhaes dois vestidos.

4 E, em qualquer casa em que entrardes, [4] ficae ali, e de lá sahi.

5 E, se quaesquer vos não receberem, [5] saindo vós d’aquella cidade, sacudi até o pó dos vossos [6] pés, em testemunho contra elles.

6 E, saindo elles, [7] percorreram todas as aldeias, annunciando o evangelho, e curando por toda a parte os enfermos.

Herodes o tetrarcha e João Baptista.

Mat. 14.1, etc.

7 E o tetrarcha Herodes [8] ouvia todas as coisas que Jesus fazia, e estava em duvida, porquanto diziam alguns que João resuscitara dos mortos,

8 E outros que Elias tinha apparecido, e outros que um propheta dos antigos havia resuscitado.

9 E disse Herodes: A João mandei eu degolar: quem é pois este de quem ouço dizer taes coisas? E procurava [9] vêl-o.

A primeira multiplicação dos pães.

Mat. 14.13-21 e refs.

10 E, regressando [10] os apostolos, contaram-lhe todas as coisas que tinham feito. E, tomando-os comsigo, retirou-se para um logar deserto de uma cidade chamada Bethsaida.

11 E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e elle os recebeu, e fallava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.

12 E já o dia começava a declinar, [11] e, chegando-se a elle os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos logares e aldeias em redor, se agasalhem, e achem que comer; porque aqui estamos em logar deserto.

13 Mas elle lhes disse: Dae-lhes vós de comer. E elles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes: salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.

14 Porque estavam ali quasi cinco mil homens. Disse então aos seus discipulos: Fazei-os assentar, aos ranchos de cincoenta em cincoenta.

15 E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.

16 E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discipulos para os porem diante da multidão.

17 E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

A confissão de Pedro.

Mat. 16.13, etc.

18 E aconteceu que, [12] estando elle só, orando, estavam com elle os discipulos; e perguntou-lhes, dizendo: Quem diz a multidão que eu sou?

19 E, respondendo elles, disseram: [13] Uns João Baptista, outros Elias, e outros que um dos antigos prophetas resuscitou.

20 E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? [14] E, respondendo Pedro, disse: O Christo de Deus.

21 E, admoestando-os, [15] mandou-lhes que a ninguem o dissessem,

22 Dizendo: [16] É necessario que o Filho do homem padeça muitas coisas, e seja rejeitado dos anciãos e dos escribas, e seja morto, e resuscite ao terceiro dia.

Cada um deve levar a sua cruz.

Mat. 16.24-28 e refs.

23 E dizia a todos: [17] Se alguem quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

24 Porque, qualquer que quizer salvar a sua [AHC] vida, perdel-a-ha; porém qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.

25 Porque, [18] que aproveita ao homem grangear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

26 Porque, [19] qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, d’elle se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua gloria, e na do Pae e dos sanctos anjos,

27 E em verdade [20] vos digo que, dos que aqui estão, alguns ha que não gostarão a morte até que vejam o reino de Deus.

A transfiguração.

Mat. 17.1-13 e refs.

28 E aconteceu que, [21] quasi oito dias depois d’estas palavras, tomou comsigo a Pedro, a João e a Thiago, e subiu ao monte a orar.

29 E, estando elle orando, transfigurou-se a apparencia do seu rosto, e o seu vestido ficou branco e mui resplandecente.

30 E eis que estavam fallando com elle dois varões, que eram Moysés e Elias,

31 Os quaes appareceram com gloria, e fallavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalem.

32 E Pedro e os que se achavam com elle estavam [22] carregados de somno, e, quando despertaram, viram a sua gloria e aquelles dois varões que estavam com elle.

33 E aconteceu que, apartando-se elles d’elle, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos tres tendas, uma para ti, uma para Moysés, e uma para Elias; não sabendo o que dizia.

34 E, dizendo elle isto, veiu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando elles na nuvem, temeram.

35 E veiu da nuvem uma voz que dizia: [23] Este é o meu amado Filho: [24] a elle ouvi.

36 E, tendo soado aquella voz, Jesus foi achado só: [25] e elles calaram-se, e por aquelles dias não contaram a ninguem nada do que tinham visto.

Cura d’um joven lunatico.

Mat. 17.14-21 e refs.

37 E aconteceu, no dia seguinte, que, descendo elles do monte, lhes saiu ao encontro uma grande multidão;

38 E eis que um homem da multidão clamou, dizendo: [26] Mestre, peço-te que olhes para o meu filho, porque é o unico que eu tenho,

39 E eis que um espirito o toma, e de repente clama, e o despedaça até escumar; e apenas o larga depois de o ter quebrantado.

40 E roguei aos teus discipulos que o expulsassem, e não poderam.

41 E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incredula e perversa! até quando estarei ainda comvosco e vos soffrerei? Traze-me cá o teu filho.

42 E, quando vinha chegando, o demonio o derribou e o convulsionou; porém Jesus reprehendeu o espirito immundo, e curou o menino, e o entregou a seu pae.

43 E todos pasmavam da magestade de Deus. E, maravilhando-se todos de todas as coisas que Jesus fazia, disse aos seus discipulos:

44 Ponde vós [27] estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens.

45 Mas [28] elles não entendiam esta palavra, e era-lhes encoberta, para que a não comprehendessem; e temiam interrogal-o ácerca d’esta palavra.

O maior no reino dos céus.

Mat. 18.1, etc. e refs.

46 E suscitou-se entre elles uma questão, [29] a saber, qual d’elles seria o maior.

47 Mas, vendo Jesus o pensamento de seus corações, tomou um menino, pôl-o junto a si,

48 E disse-lhes: [30] Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me recebe a mim, recebe o que me enviou; [31] porque aquelle que entre vós todos fôr o menor, esse será grande.

Quem não é contra nós é por nós.

Mar. 9.38-40.

49 E, respondendo João, [32] disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demonios, e lh’o prohibimos, porque não te segue comnosco.

50 E Jesus lhes disse: Não lh’o prohibaes, [33] porque quem não é contra nós é por nós.

Os samaritanos não recebem a Jesus.

51 E aconteceu que, completando-se os dias para a sua [34] assumpção, voltou o seu rosto para ir a Jerusalem.

52 E mandou mensageiros adiante da sua face; e, indo elles, entraram n’uma aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada,

53 Mas não o receberam, [35] porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalem.

54 E os seus discipulos, Thiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu o os [36] consuma, como Elias tambem fez?

55 Voltando-se, porém, elle, reprehendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espirito sois.

56 Porque [37] o Filho do homem não veiu para destruir as almas dos homens, mas para salval-as. E foram para outra aldeia.

Ácerca dos que seguem a Jesus.

Mat. 8.19-22.

57 E aconteceu que, indo elles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-hei para onde quer que fôres.

58 E disse-lhe Jesus: As raposas teem covis, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

59 E disse a outro: Segue-me. Porém elle disse: Senhor, deixa que primeiro eu vá, e enterre a meu pae.

60 Mas Jesus lhe disse: Deixa aos mortos enterrar os seus mortos: porém tu vae e annuncia o reino de Deus.

61 Disse tambem outro: [38] Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.

62 E Jesus lhe disse: Ninguem, que lança mão do arado e olha para traz, é apto para o reino de Deus.

A missão dos setenta discipulos.

10 E depois d’isto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os [1] adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e logares onde elle havia de ir.

2 E dizia-lhes; [2] Grande é, em verdade, a seára, mas os obreiros são poucos; rogae pois ao Senhor da seára que envie obreiros para a sua seára.

3 Ide: [3] eis que vos mando como cordeiros para o meio de lobos.

4 Não leveis bolsa, [4] nem alforge, nem alparcas; e a ninguem saudeis pelo caminho.

5 E, em qualquer [5] casa aonde entrardes, dizei primeiro: Paz seja n’esta casa.

6 E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre [AHD] elle a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

7 E ficae na mesma casa, [6] comendo e bebendo do que elles tiverem, [7] pois digno é o obreiro do seu salario. [8] Não andeis de casa em casa.

8 E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos pozerem adiante.

9 E curae [9] os enfermos que n’ella houver, e dizei-lhes: [10] É chegado a vós o reino de Deus.

10 Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

11 Até o pó, [11] que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, todavia, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.

12 E digo-vos [12] que mais tolerancia haverá n’aquelle dia para Sodoma do que para aquella cidade.

13 Ai de ti, Chorazin, [13] ai de ti, Bethsaida! [14] que, se em Tyro e em Sidon se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já ha muito, assentadas em sacco e cinza, se teriam arrependido.

14 Portanto, para Tyro e Sidon será mais toleravel no juizo, do que para vós.

15 E tu, Capernaum, [15] que estás levantada até ao céu, até ao inferno serás abatida.

16 Quem vos ouve a vós, [16] a mim me ouve; e, quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e, quem a mim me rejeita, rejeita aquelle que me enviou.

17 E [17] voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demonios se nos sujeitam.

18 E disse-lhes: [18] Eu via Satanaz, como raio, cair do céu.

19 Eis que vos [19] dou poder para pizar as serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará damno algum.

20 Mas não vos alegreis por isso, que se vos sujeitem os espiritos; alegrae-vos antes por estarem [20] os vossos nomes escriptos nos céus.

21 N’aquella mesma hora se alegrou Jesus em espirito, [21] e disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sabios e intelligentes, e as revelaste ás creancinhas; assim é, ó Pae, porque assim te aprouve.

22 Todas [22] as coisas me foram entregues por meu Pae; e ninguem conhece quem é o Filho senão o Pae, nem quem é o Pae senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.

23 E, voltando-se para os seus discipulos, disse-lhes em particular: [23] Bemaventurados os olhos que vêem o que vós vêdes;

24 Porque vos digo que muitos prophetas [24] e reis desejaram vêr o que vós vêdes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

A parabola do bom samaritano.

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: [25] Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26 E elle lhe disse: Que está escripto na lei? Como lês?

27 E, respondendo elle, [26] disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento; e [27] ao teu proximo como a ti mesmo.

28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, [28] e viverás.

29 Elle, porém, [29] querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu proximo?

30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalem para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quaes o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31 E, por acaso, descia pelo mesmo caminho um certo sacerdote; e, vendo-o, [30] passou de largo.

32 E d’egual modo tambem um levita, chegando-se ao logar, e vendo-o, passou de largo.

33 Porém um [31] certo samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé d’elle, e, vendo-o, moveu-se de intima compaixão;

34 E, approximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou d’elle;

35 E, partindo ao [32] outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida d’elle; e tudo o que de mais gastares, eu t’o pagarei quando voltar.

36 Qual, pois, d’estes tres te parece que foi o proximo d’aquelle que caiu nas mãos dos salteadores?

37 E elle disse: O que usou de misericordia para com elle. Disse, pois, Jesus: Vae, e faze da mesma maneira.

Martha e Maria.

38 E aconteceu que, indo elles de caminho, entrou n’uma aldeia; e uma certa mulher, por nome [33] Martha, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se tambem aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Porém Martha andava distrahida em muitos serviços, e, chegando, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois que me ajude.

41 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Martha, Martha, andas cuidadosa e afadigada com muitas coisas,

42 Mas [34] uma só é necessaria; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

A oração dominical.

Mat. 6.9-15 e refs.

Anno Domini 33

11 E aconteceu que, estando elle a orar n’um certo logar, quando acabou lhe disse um dos seus discipulos: Senhor, ensina-nos a orar, como tambem João ensinou aos seus discipulos.

2 E elle lhes disse: Quando orardes, dizei: Pae nosso, que estás nos céus, sanctificado seja o teu nome: venha o teu reino: seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

3 Dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano.

4 E perdoa-nos os nossos peccados, pois tambem nós perdoamos a qualquer que nos deve; e não nos mettas em tentação, mas livra-nos do mal.

Parabola do amigo importuno.

5 Disse-lhes tambem: Qual de vós terá um amigo, e, se for procural-o á meia noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me tres pães,

6 Porquanto um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;

7 Elle, respondendo de dentro, diga: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama: não posso levantar-me para t’os dar?

8 Digo-vos que, ainda que se não levante a dar-lh’os, [1] por ser seu amigo, levantar-se-ha, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

9 E eu digo-vos, a vós: [2] Pedi, e dar-se-vos-ha: buscae, e achareis: batei, e abrir-se-vos-ha;

10 Porque qualquer que pede recebe; e quem busca, acha; e a quem bate abrir-se-lhe-ha.

11 E qual o pae [3] d’entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou tambem, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

12 Ou tambem, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13 Pois se vós, sendo máus, sabeis dar boas dadivas aos vossos filhos, quanto mais dará o nosso Pae celestial o Espirito Sancto áquelles que lh’o pedirem?

A blasphemia dos phariseos.

Mat. 12.22-32 e refs.

14 E estava expulsando um demonio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demonio, o mudo fallou; e maravilhou-se a multidão.

15 Porém alguns d’elles diziam: [4] Elle expulsa os demonios por Beelzebú, principe dos demonios.

16 E outros, tentando-o, pediam-lhe [5] um signal do céu.

17 Mas, conhecendo elle os seus pensamentos, [6] disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá.

18 E, se tambem Satanaz está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demonios por Beelzebú;

19 E, se eu expulso os demonios por Beelzebú, [7] por quem os expulsam os vossos filhos? Elles pois serão os vossos juizes.

20 Mas, se eu expulso os demonios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.

21 Quando o homem [8] valente guarda armado a sua casa, em segurança está tudo quanto tem.

22 Mas, sobrevindo [9] outro mais valente do que elle, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos.

23 Quem não é comigo [10] é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.

24 Quando o espirito [11] immundo tem saido do homem, anda por logares seccos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, d’onde sahi.

25 E, chegando, acha-a varrida e adornada.

26 Então vae, e leva comsigo outros sete espiritos peiores do que elle, e, entrando, habitam ali: e o ultimo estado d’esse homem é [12] peior do que o primeiro.

27 E aconteceu que, dizendo elle estas coisas, uma mulher d’entre a multidão, levantando a voz, lhe disse: [13] Bemaventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.

28 Mas elle disse: [14] Antes bemaventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.

O signal do propheta Jonas.

Mat. 12.38-42 e refs.

29 E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração: ella pede um signal; e não lhe será dado outro signal, senão o signal do propheta Jonas:

30 Porque, assim como [15] Jonas foi signal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será tambem para esta geração.

31 A rainha do [16] sul se levantará no juizo com os homens d’esta geração, e os condemnará; pois até dos confins da terra veiu ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão.

32 Os homens de Ninive se levantarão no juizo com esta geração, e a condemnarão; [17] pois se converteram com a prégação de Jonas, e eis aqui está quem é maior do que Jonas.

A candeia do corpo.

33 E ninguem, [18] accendendo a candeia, a põe em logar occulto, nem debaixo do alqueire; porém no velador, para que os que entrarem vejam a luz.

34 A candeia [19] do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, tambem todo o teu corpo será luminoso, mas, se fôr mau, tambem o teu corpo será tenebroso.

35 Vê pois que a tua luz que em ti ha não sejam trevas.

36 Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te allumia com o seu resplendor.

Jesus censura os phariseos e os escribas.

Mat. 23.1, etc. e refs.

37 E, estando elle ainda fallando, rogou-lhe um phariseo que fosse jantar com elle; e, entrando, assentou-se á mesa.

38 Mas o phariseo [20] admirou-se, vendo que se não lavara antes de jantar.

39 E o Senhor lhe disse; [21] Vós, os phariseos, limpaes agora o exterior do copo e do prato; porém o vosso [22] interior está cheio de rapina e maldade.

40 Loucos! o que fez o exterior, não fez tambem o interior?

41 Antes dae [23] esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.

42 Mas ai de vós, [24] phariseos, que dizimaes a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezaes o juizo e amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras.

43 Ai de vós, phariseos, [25] que amaes os primeiros assentos nas synagogas, e as saudações nas praças.

44 Ai de vós, [26] escribas e phariseos hypocritas, que sois como as sepulturas que não apparecem, e os homens que sobre ellas andam não o sabem.

45 E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isto, tambem nos affrontas a nós.

46 Porém elle disse: Ai de vós tambem, doutores da lei, [27] que carregaes os homens com cargas difficeis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocaes nas ditas cargas.

47 Ai de vós [28] que edificaes os sepulchros dos prophetas, e vossos paes os mataram.

48 Bem testificaes, pois, que consentis nas obras de vossos paes; porque elles os mataram, e vós edificaes os seus sepulchros.

49 Portanto diz tambem a sabedoria de Deus: [29] Prophetas e apostolos lhes mandarei; e elles matarão uns, e perseguirão outros;

50 Para que d’esta geração seja requerido o sangue de todos os prophetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado,

51 Desde o sangue [30] de Abel, até ao sangue de Zacharias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido d’esta geração.

52 Ai de vós, doutores [31] da lei, que tirastes a chave da sciencia; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.

53 E, dizendo-lhes estas coisas, os escribas e os phariseos começaram a apertal-o fortemente, e a fazel-o fallar ácerca de muitas coisas,

54 Armando-lhe ciladas, a fim [32] de apanharem da sua bocca alguma coisa para o accusarem.

12 Ajuntando-se [1] entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropellavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discipulos: [2] Acautelae-vos primeiramente do fermento dos phariseos, que é a hypocrisia.

2 Mas nada [3] ha encoberto que não haja de ser descoberto; nem occulto, que não haja de ser sabido.

3 Porquanto tudo o que em trevas dissestes á luz será ouvido; e o que fallastes ao ouvido no gabinete sobre os telhados será apregoado.

Não devemos temer os homens.

Mat. 10.28-33 e refs.

4 E digo-vos, [4] amigos meus; Não temaes os que matam o corpo, e depois não teem mais que fazer.

5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquelle que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.

6 Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum d’elles está esquecido diante de Deus.

7 E até os cabellos da vossa cabeça estão todos contados. Não temaes pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

8 E digo-vos [5] que todo aquelle que me confessar diante dos homens, tambem o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.

9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.

10 E a todo [6] aquelle que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-ha perdoada, mas ao que blasphemar contra o Espirito Sancto não lhe será perdoado.

11 E, quando [7] vos conduzirem ás synagogas, aos magistrados e potestades, não estejaes solicitos de como ou do que haveis de responder nem do que haveis de fallar.

12 Porque na mesma hora vos ensinará o Espirito Sancto o que vos convenha fallar.

A parabola do rico louco.

13 E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

14 Mas elle lhe disse: Homem, [8] quem me poz a mim por juiz ou repartidor entre vós?

15 E disse-lhes: [9] Acautelae-vos e guardae-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundancia dos bens que possue.

16 E propoz-lhes uma parabola, dizendo: A herdade d’um homem rico tinha produzido com abundancia;

17 E arrazoava elle entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus fructos.

18 E disse: Farei isto: Derribarei os meus celleiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

19 E direi á minha [10] alma: Alma, tens em deposito muitos bens para muitos annos: descança, come, bebe, e folga.

20 Porém Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a [11] tua alma; e o que tens preparado para quem será?

21 Assim é o que para si ajunta thesouros, e não [12] é rico para com Deus.

Solicitude pela nossa vida.

Mat. 6.25-34 e refs.

22 E disse aos seus discipulos: Portanto vos digo: Não estejaes solicitos pela vossa vida, no que comereis, nem pelo corpo, no que vestireis.

23 Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido.

24 Considerae os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem teem dispensa nem celleiro, e Deus [13] os alimenta: quanto mais valeis vós do que as aves?

25 E qual de vós, sendo solicito, pode accrescentar um covado á sua estatura?

26 Pois, se nem ainda podeis fazer as coisas minimas, porque estaes solicitos pelo mais?

27 Considerae os lirios, como elles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua gloria, se vestiu como um d’elles.

28 E, se Deus assim veste a herva que hoje está no campo, e ámanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

29 Vós pois não pergunteis que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.

30 Porque as gentes do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pae sabe que haveis mister d’ellas.

31 Buscae antes [14] o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão accrescentadas.

32 Não temas, [15] ó pequeno rebanho, porque a vosso Pae agradou dar-vos o reino.

33 Vendei o que tendes, e [16] dae esmola. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; thesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão, e a traça não roe.

34 Porque, onde estiver o vosso thesouro, ali estará tambem o vosso coração.

Parabola do servo vigilante.

Mat. 24.45-51.

35 Estejam cingidos os [17] vossos lombos, e accesas as vossas candeias.

36 E sêde vós similhantes aos homens que esperam a seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe.

37 Bemaventurados aquelles servos, os [18] quaes, quando o Senhor vier, os achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar á mesa, e, chegando-se, os servirá.

38 E, se vier na segunda vigilia, e se vier na terceira vigilia, e os achar assim, bemaventurados são os taes servos.

39 Sabei, porém, isto, [19] que, se o pae de familia soubesse a que hora, havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa.

40 Portanto, estae vós tambem [20] apercebidos; porque virá o Filho do homem a hora que não imaginaes.

41 E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parabola a nós, ou tambem a todos?

42 E disse o Senhor: [21] Qual é pois o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor poz sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?

43 Bemaventurado aquelle servo, o qual o senhor, [22] quando vier, achar fazendo assim.

44 Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá.

45 Mas, se aquelle servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os creados e creadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se,

46 Virá o senhor d’aquelle servo no dia em que o não espera, e n’uma hora que elle não sabe, e separal-o-ha, e porá a sua parte com os infieis.

47 E o servo [23] que soube a vontade do seu senhor, e não se apercebeu, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;

48 Mas o [24] que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito fôr dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá.

Jesus traz fogo e dissensão á terra.

49 Vim lançar fogo na terra; [25] e que quero, se já está acceso?

50 Importa, porém, que seja baptizado com um baptismo; [26] e como me angustio até que venha a cumprir-se!

51 Cuidaes [27] vós que vim dar paz á terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;

52 Porque d’aqui em [28] diante estarão cinco divididos n’uma casa: tres contra dois, e dois contra tres:

53 O pae estará dividido contra o filho, e o filho contra o pae; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.

Os signaes dos tempos.

54 E dizia tambem á multidão: [29] Quando vêdes a nuvem que vem do occidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim succede.

55 E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim succede.

56 Hypocritas, sabeis distinguir a face da terra e do céu, e como não distinguis este tempo?

57 E porque não julgaes tambem por vós mesmos o que é justo?

58 Quando [30] pois vaes com o teu adversario ao magistrado, procura livrar-te d’elle no caminho; para que não succeda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão.

59 Digo-te que não sairás d’ali emquanto não pagares o derradeiro ceitil.

A mortandade dos galileos e a queda da torre em Siloé.

13 E n’aquelle mesmo tempo estavam presentes ali alguns que lhe fallavam dos galileos cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrificios.

2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidaes vós que esses galileos foram mais peccadores do que todos os outros galileos, por terem assim padecido?

3 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.

4 Ou aquelles dezoito, sobre os quaes caiu a torre em Siloé e os matou, cuidaes que foram mais [AHE] culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalem?

5 Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de egual modo perecereis.

A parabola da figueira esteril.

6 E dizia esta parabola: Um [1] certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi buscar n’ella algum fructo, e não o achou;

7 E disse ao vinhateiro: Eis que ha tres annos venho buscar fructo a esta figueira, e não o acho; corta-a; porque occupa ainda a terra inutilmente?

8 E, respondendo elle, disse-lhe: Senhor, deixa-a este anno, até que eu a escave e a esterque;

9 E, se der fructo, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar.

Cura d’uma mulher paralytica.

10 E ensinava no sabbado, n’uma das synagogas.

11 E eis que estava ali uma mulher que tinha um espirito de enfermidade, havia já dezoito annos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se.

12 E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.

13 E poz as mãos sobre ella, [2] e logo se endireitou, e glorificava a Deus.

14 E, tomando a palavra o principe da synagoga, indignado porque Jesus curava no sabbado, disse á multidão: [3] Seis dias ha em que é mister trabalhar: n’estes pois vinde para serdes curados, [4] e não no dia de sabbado.

15 Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hypocrita, [5] no sabbado não desprende da mangedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber?

16 E não convinha soltar d’esta prisão, no dia de sabbado, a esta filha [6] de Abrahão, a qual ha dezoito annos Satanaz tinha presa?

17 E, dizendo elle estas coisas, todos os seus adversarios se confundiam, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por elle.

Parabolas, do grão de mostarda e do fermento.

Mat. 13.31-33 e refs.

18 E dizia: [7] A que é similhante o reino de Deus, e a que o compararei?

19 É similhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande arvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.

20 E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?

21 É similhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em tres medidas de farinha, até que tudo levedou.

A porta estreita.

22 E percorria as cidades [8] e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalem.

23 E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E elle lhe disse:

24 Porfiae por entrar pela porta estreita; [9] porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.

25 Quando o pae de familia se levantar e cerrar a porta, [10] e começardes a estar de fóra, e a bater á porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo elle, vos disser: Não sei d’onde vós sois;

26 Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tens ensinado nas nossas ruas.

27 E elle dirá: [11] Digo-vos que não sei d’onde vós sois; [12] apartae-vos de mim, vós todos os que obraes iniquidade.

28 Ali haverá choro e ranger de dentes, [13] quando virdes Abrahão e Isaac, e Jacob, e todos os prophetas, no reino de Deus, e vós lançados fóra.

29 E virão do oriente, e do occidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-hão á mesa no reino de Deus.

30 E eis que derradeiros ha [14] que serão os primeiros; e primeiros ha que serão os derradeiros.

Jesus é avisado do odio de Herodes.

31 N’aquelle mesmo dia chegaram uns phariseos, dizendo-lhe: Sae, e retira-te d’aqui, porque Herodes quer matar-te.

32 E disse-lhes: Ide, e dizei áquella raposa: Eis que eu expulso demonios, e effectuo curas, hoje e ámanhã, e no terceiro dia sou [15] consummado.

33 Importa, porém, caminhar hoje, ámanhã, e no dia seguinte, para que não succeda que morra um propheta fóra de Jerusalem.

34 Jerusalem, [16] Jerusalem, que matas os prophetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a gallinha os seus pintos debaixo das suas azas, e não quizeste?

35 Eis que a vossa casa se vos deixará [17] deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digaes: Bemdito aquelle que vem em nome do Senhor.

Cura d’um hydropico.

14 Aconteceu n’um sabbado que, entrando elle em casa de um dos principaes dos phariseos para comer pão, elles o estavam espiando.

2 E eis que estava ali adiante d’elle um certo homem hydropico.

3 E, Jesus, tomando a palavra, fallou aos doutores da lei, e aos phariseos, dizendo: [1] É licito curar no sabbado?

4 Elles, porém, calaram-se. E, tomando-o, elle o curou e despediu.

5 E, respondendo-lhes, disse: [2] Qual será de vós o que, caindo-lhe n’um poço, em dia de sabbado, o jumento ou o boi, o não tire logo?

6 E nada lhe podiam replicar a estas coisas.

Parabola dos primeiros assentos e dos convidados.

7 E disse aos convidados uma parabola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes:

8 Quando por alguem fôres convidado ás bodas, não te assentes no primeiro logar, não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

9 E, vindo o que te convidou a ti e a elle, te diga: Dá o logar e este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro logar.

10 Mas, quando fores [3] convidado, vae, e assenta-te no derradeiro logar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem comtigo á mesa.

11 Porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, [4] e aquelle que a si mesmo se humilhar será exaltado.

12 E dizia tambem ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem visinhos ricos, para que não succeda que tambem elles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, [5] aleijados, mancos e cegos,

14 E serás bemaventurado; porquanto não teem com que t’o recompensar; porque recompensado te será na resurreição dos justos.

Parabola da grande ceia.

Mat. 22.1-14 e refs.

15 E, ouvindo isto um dos que estavam com elle á mesa, disse-lhe: Bemaventurado [6] aquelle que comer pão no reino de Deus.

16 Porém elle lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.

17 E á hora da ceia [7] mandou o seu servo a dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

18 E todos á uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vêl-o: rogo-te que me hajas por escusado.

19 E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou a experimental-os: rogo-te que me hajas por escusado.

20 E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.

21 E, voltando aquelle servo, annunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pae de familia, indignado, disse ao seu servo: Sae depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.

22 E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda ha logar.

23 E disse o senhor ao servo: Sae pelos caminhos e vallados, e força-os a entrar para que a minha casa se encha.

24 Porque eu vos digo [8] que nenhum d’aquelles varões que foram convidados provará a minha ceia.

Parabola ácerca da providencia.

25 Ora ia com elle uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:

26 Se alguem vier a mim, [9] e não aborrecer a seu pae, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda tambem a sua propria vida, não pode ser meu discipulo.

27 E qualquer que não levar a sua cruz, [10] e não vier após mim, não pode ser meu discipulo.

28 Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, [11] não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?

29 Para que não aconteça que, depois de haver posto o alicerce, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer d’elle,

30 Dizendo: Este homem começou a edificar e não poude acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo á guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra elle com vinte mil?

32 D’outra maneira, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores, e pede condições de paz.

33 Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discipulo.

34 Bom é o sal; [12] porém, se o sal degenerar, com que se adubará?

35 Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-n’o fóra. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Parabolas, da ovelha e da drachma perdidas.

15 E chegavam-se a [1] elle todos os publicanos e peccadores para o ouvir.

2 E os phariseos e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe peccadores, [2] e come com elles.

3 E elle lhes propoz esta parabola, dizendo:

4 Que homem d’entre [3] vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma d’ellas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vae após a perdida até que venha a achal-a?

5 E, achando-a, a põe sobre seus hombros, gostoso;

6 E, chegando a casa, convoca os amigos e visinhos, dizendo-lhes: Alegrae-vos comigo, porque já achei a minha ovelha [4] perdida.

7 Digo-vos que assim haverá mais alegria no céu sobre um peccador que se arrependa [5] do que sobre noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8 Ou qual a mulher que, tendo dez drachmas, se perder uma drachma, não accende a candeia, e não varre a casa, e não busca com diligencia até a achar?

9 E, achando-a, convoca as amigas e visinhas, dizendo: Alegrae-vos comigo, porque já achei a drachma perdida.

10 Assim vos digo que ha alegria diante dos anjos de Deus sobre um peccador que se arrepende.

Parabola do filho prodigo.

11 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;

12 E o mais moço d’elles disse ao pae: Pae, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E elle lhes repartiu [6] a fazenda.

13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra mui longe, e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.

14 E, havendo elle já gastado tudo, houve n’aquella terra uma grande fome, e começou a padecer necessidade.

15 E foi, e chegou-se a um dos cidadãos d’aquella terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar os porcos.

16 E desejava saciar o seu estomago com as [AHF] bolotas que os porcos comiam, e ninguem lhe dava nada.

17 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pae teem abundancia de pão, e eu pereço de fome!

18 Levantar-me-hei, e irei ter com meu pae, e dir-lhe-hei: Pae, pequei contra o céu e perante ti;

19 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.

20 E, levantando-se, foi para seu pae; e, quando [7] ainda estava longe, viu-o seu pae, e se moveu de intima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

Notes in this chapter

Note 1 · Heb. 2.3. I Ped. 5.1. II Ped. 1.16. I João 1.1. Mar. 1.1. João 15.27.Note 2 · Act. 15.19, 25, 28. I Cor. 7.40. Act. 11.4 e 1.1.Note 3 · João 20.31.Note 4 · Mat. 2.1. I Chr. 24.10, 19. Neh. 12.4, 17.Note 5 · Heb. Elizabeth.Note 6 · Gen. 7.1 e 17.1. I Reis 9.4. II Reis 20.3. Job 1.1. Act. 23.1 e 24.16. Phi. 3.6.Note 7 · I Chr. 24.19. II Chr. 8.14 e 31.2.Note 8 · Exo. 30.7, 8. I Sam. 2.28. I Chr. 23.13. II Chr. 29.11. Lev. 16.17. Apo. 8.3, 4.Note 9 · Exo. 30.1.Note 10 · ver. 20. Jui. 6.22 e 13.22. Dan. 10.8. cap. 2.9. Act. 10.4. Apo. 1.17.Note 11 · ver. 60, 63.Note 12 · ver. 58.Note 13 · Num. 6.3. Jui. 13.4. cap. 7.33. Jer. 1.5. Gal. 1.15.Note 14 · Gr. sikera.Note 15 · Mal. 4.5, 6 e 4.5. Mat. 11.14. Mar. 9.11.Note 16 · Gen. 17.17.Note 17 · Dan. 8.16 e 9.21, 22, 23. Mat. 18.10. Heb. 1.14.Note 18 · Eze. 3.26 e 24.27.Note 19 · II Reis 11.5. I Chr. 9.25.Note 20 · Gen. 30.23. Isa. 4.1 e 54.1, 4.Note 21 · Mat. 1.18. cap. 2.4, 5.Note 22 · Dan. 9.23 e 10.19. Jui. 6.12.Note 23 · Eu te saudo, muito favorecida.Note 24 · ver. 12.Note 25 · Isa. 7.14. Mat. 1.21.Note 26 · Mar. 5.7. II Sam. 7.11. Psa. 132.11. Isa. 9.6 e 16.5. Jer. 23.5. Apo. 3.7.Note 27 · Dan. 2.44 e 7.14, 27. Abd. 21. Miq. 4.7. João 12.34. Heb. 1.8.Note 28 · Mat. 1.20 e 14.33 e 26.63. Mar. 1.1. João 1.34 e 20.31. Act. 8.37. Rom. 1.4.Note 29 · Gen. 18.14. Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. Mar. 10.27. cap. 18.27. Rom. 4.21.Note 30 · Jos. 21.9, 10, 11.Note 31 · ver. 28. Jui. 5.24.Note 32 · I Sam. 2.1. Psa. 34.2, 3 e 35.9. Hab. 3.18.Note 33 · I Sam. 1.11. Psa. 138.6. Mal. 3.12. cap. 11.27.Note 34 · Psa. 71.19 e 126.2, 3 e 111.9.Note 35 · Gen. 17.7. Exo. 20.6. Psa. 103.17.Note 36 · Psa. 98.1 e 118.15 e 33.10. Isa. 40.10 e 51.9 e 52.10. I Ped. 5.5.Note 37 · I Sam. 2.6. Job 5.11. Psa. 113.6.Note 38 · I Sam. 2.5. Psa. 34.10.Note 39 · Psa. 98.3. Jer. 31.3, 20.Note 40 · Gen. 17.19. Psa. 132.11. Rom. 11.28. Gal. 3.16.Note 41 · ver. 14.Note 42 · Gen. 17.12. Lev. 12.3.Note 43 · ver. 13.Note 44 · ver. 13.Note 45 · ver. 20.Note 46 · ver. 39.Note 47 · cap. 2.19. Gen. 39.2. Psa. 80.17.Note 48 · Joel 2.28.Note 49 · I Reis 1.48. Psa. 41.13 e 111.9. Exo. 3.16.Note 50 · Gr. um corno da salvação.Note 51 · Psa. 132.17.Note 52 · Jer. 23.5. Dan. 9.24. Act. 3.21. Rom. 1.2.Note 53 · Lev. 26.42. Psa. 98.3 e 106.45. Eze. 16.60.Note 54 · Gen. 12.3 e 17.4. Heb. 6.13, 17.Note 55 · Rom. 6.18. Heb. 9.14.Note 56 · Jer. 32.39. Eph. 4.24. II The. 2.13. II Tim. 1.9. Tito 2.12. I Ped. 1.15. II Ped. 1.4.Note 57 · Isa. 40.3. Mal. 3.1 e 4.5. Mat. 11.10. ver. 17.Note 58 · Mar. 1.4. cap. 3.3.Note 59 · Isa. 11.1. Mal. 4.2.Note 60 · Isa. 9.2 e 42.7 e 49.9. Mat. 4.16. Act. 26.18.Note 61 · cap. 2.40. Mat. 3.1 e 11.7.Note 62 · Act. 5.37.Note 63 · ou, governador.Note 64 · I Sam. 16.1, 4. João 7.42. Mat. 1.16. cap. 1.27.Note 65 · Mat. 1.18. cap. 1.27.Note 66 · Mat. 1.25.Note 67 · cap. 1.12.Note 68 · Gen. 12.3. Mat. 28.19. Mar. 1.15. cap. 24.47. Col. 1.23.Note 69 · Isa. 9.6. Mat. 1.21 e 2.6 e 16.16. Act. 2.36. Phi. 2.11.Note 70 · Gen. 28.12. Psa. 103.20. Dan. 7.10. Heb. 1.14. Apo. 5.11.Note 71 · cap. 19.38. Eph. 1.6 e 2.17. Apo. 5.13. Isa. 57.19. Rom. 5.1. Col. 1.20.Note 72 · João 3.16. Eph. 2.4, 7. II The. 2.16. I João 4.9.Note 73 · Gen. 37.11. cap. 1.66. ver. 51.Note 74 · Gen. 17.12. Lev. 12.3. cap. 1.59 e 1.31. Mat. 1.21, 25.Note 75 · Lev. 12.2, 3, 4, 6.Note 76 · Exo. 13.2 e 22.29 e 34.19. Num. 3.13 e 8.17 e 18.15.Note 77 · Lev. 12.2, 6, 8.Note 78 · Isa. 40.1. Mar. 15.43. ver. 38.Note 79 · Psa. 88.48. Heb. 11.5.Note 80 · Mat. 4.1.Note 81 · Gen. 46.30. Phi. 1.23.Note 82 · Isa. 52.10. cap. 3.6.Note 83 · Isa. 9.2 e 42.6. Mat. 4.16. Act. 13.47 e 28.28.Note 84 · Isa. 8.14. Ose. 14.9. Mat. 21.41. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. II Cor. 2.16. I Chr. 2.7. Act. 28.22.Note 85 · Psa. 42.10. João 19.25.Note 86 · Act. 26.7, 8. I Tim. 5.5.Note 87 · Mar. 15.43. ver. 25. cap. 24.21.Note 88 · ver. 52. cap. 1.80.Note 89 · Exo. 23.15 e 34.23. Deu. 16.1, 16.Note 90 · Mat. 7.28. Mar. 1.22. cap. 4.22, 32. João 7.15, 46.Note 91 · João 2.16.Note 92 · cap. 9.45 e 18.34.Note 93 · ver. 19. Dan. 7.28.Note 94 · I Sam. 2.26. ver. 40.Note 95 · João 11.49, 51 e 18.13. Act. 4.6.Note 96 · Mat. 3.1. Mar. 1.4. cap. 1.77.Note 97 · Isa. 40.3. Mat. 3.3. Mar. 1.3. João 1.23.Note 98 · Psa. 98.2. Isa. 52.10. cap. 2.11.Note 99 · Mat. 3.7.Note 100 · Mat. 7.19.Note 101 · Act. 2.37.Note 102 · cap. 11.41. II Cor. 8.14. Thi. 2.15. I João 3.17.Note 103 · Mat. 21.32. cap. 7.29.Note 104 · cap. 19.8.Note 105 · Exo. 23.1. Lev. 19.11.Note 106 · Mat. 3.11.Note 107 · Miq. 4.12. Mat. 13.30.Note 108 · Mat. 14.3. Mar. 6.17.Note 109 · Num. 4.3, 35, 39, 43, 47.Note 110 · Zac. 12.12. II Sam. 5.14. I Chr. 3.5. Ruth 4.18, etc. I Chr. 2.10, etc.Note 111 · Gen. 11.24.Note 112 · Gen. 11.12.Note 113 · Gen. 5.6, etc. e 11.10, etc.Note 114 · Gen. 5.1, 2.Note 115 · Mat. 4.1. Mar. 1.12. ver. 14. cap. 2.27.Note 116 · Exo. 34.28. I Reis 19.8.Note 117 · Deu. 8.3.Note 118 · João 12.31 e 14.30. Apo. 13.2, 7.Note 119 · Deu. 6.13 e 10.20.Note 120 · Mat. 4.5.Note 121 · Psa. 91.11, 12.Note 122 · Deu. 6.16.Note 123 · João 14.30. Heb. 4.15.Note 124 · Mat. 4.12. João 4.43. ver. 1.Note 125 · Act. 10.37.Note 126 · Mat. 2.23 e 13.54. Mar. 6.1. Act. 13.14 e 17.2.Note 127 · Isa. 61.1.Note 128 · Gr. remissão.Note 129 · Psa. 45.2. Mat. 13.54. Mar. 6.2. cap. 2.47. João 6.42.Note 130 · Mat. 4.13 e 11.23 e 13.54. Mar. 6.1.Note 131 · Mat. 13.57. Mar. 6.4. João 4.44.Note 132 · I Reis 17.9 e 18.1. Thi. 5.17.Note 133 · II Reis 5.14.Note 134 · João 8.59 e 10.39.Note 135 · Mat. 4.13. Mar. 1.21.Note 136 · Mat. 7.28, 29. Tito 2.15.Note 137 · ver. 41. Psa. 16.10. Dan. 9.24. cap. 1.35.Note 138 · Mar. 1.29.Note 139 · Mar. 1.32.Note 140 · Mar. 1.34 e 3.11.Note 141 · Mar. 1.25, 34. ver. 34, 35.Note 142 · Mar. 1.35.Note 143 · Mar. 1.39.Note 144 · Mat. 4.18. Mar. 1.16.Note 145 · João 21.6.Note 146 · II Sam. 6.9. I Reis 17.18.Note 147 · Mat. 4.19. Mar. 1.17.Note 148 · Mat. 4.20 e 19.27. Mar. 1.18. cap. 18.28.Note 149 · Mar. 1.40.Note 150 · Mat. 8.4. Lev. 14.4, 10, 21.Note 151 · Mat. 4.25. Mar. 3.7. João 6.2.Note 152 · Mat. 14.23. Mar. 6.46.Note 153 · Mar. 2.3.Note 154 · Mat. 9.3. Mar. 2.6.Note 155 · Psa. 32.5. Isa. 43.25.Note 156 · Mar. 2.13.Note 157 · Mat. 9.10. Mar. 2.15. cap. 15.1.Note 158 · Mat. 9.13. I Tim. 1.15.Note 159 · Mar. 2.18.Note 160 · Mat. 9.16, 17. Mar. 2.21.Note 161 · Mar. 2.23.Note 162 · Exo. 20.10.Note 163 · I Sam. 21.6.Note 164 · Lev. 24.9.Note 165 · Mar. 3.1. cap. 13.14 e 14.3. João 9.16.Note 166 · Mat. 14.23.Note 167 · João 1.42.Note 168 · Jud. 1.Note 169 · Mat. 4.25. Mar. 3.7.Note 170 · Mat. 14.36. Mar. 5.30. cap. 8.46.Note 171 · Mat. 5.3 e 11.5. Thi. 2.5.Note 172 · Isa. 55.1 e 65.13 e 61.3. Mat. 5.6 e 5.4.Note 173 · Mat. 5.11. I Ped. 2.19 e 3.14. João 16.2.Note 174 · Mat. 5.12. Act. 5.41. Col. 1.24. Thi. 1.2. Act. 7.51.Note 175 · Amós 6.1. Thi. 5.1. Mat. 6.2. cap. 16.25.Note 176 · Isa. 65.13. Pro. 14.13.Note 177 · João 15.19. I João 4.5.Note 178 · Exo. 23.4. Pro. 25.21. Mat. 5.44. ver. 35. Rom. 12.20.Note 179 · cap. 23.34. Act. 7.60.Note 180 · I Cor. 6.7. Mat. 5.39.Note 181 · Deu. 15.7, 8, 10. Pro. 21.26. Mat. 5.42.Note 182 · Mat. 7.12.Note 183 · Mat. 5.46.Note 184 · Mat. 5.42.Note 185 · ver. 27. Psa. 37.26. ver. 30. Mat. 5.45.Note 186 · Mat. 5.48.Note 187 · Mat. 7.1.Note 188 · Pro. 19.17. Psa. 79.12. Mat. 7.2. Mar. 4.24. Thi. 2.13.Note 189 · Mat. 15.14.Note 190 · Mat. 10.24.Note 191 · Mat. 7.3.Note 192 · Pro. 18.17.Note 193 · Mat. 7.16, 17.Note 194 · Mat. 12.33.Note 195 · Mat. 12.34, 35.Note 196 · Mal. 1.6. Mat. 7.21 e 25.11. cap. 13.25.Note 197 · Mat. 7.24.Note 198 · cap. 8.54. João 11.43. Act. 9.40. Rom. 4.17.Note 199 · cap. 1.65, 68 e 24.19. João 4.19 e 6.14 e 9.17.Note 200 · Mat. 11.4.Note 201 · Isa. 35.5.Note 202 · cap. 4.18.Note 203 · Mat. 11.7.Note 204 · Mal. 3.1.Note 205 · Mat. 3.5. cap. 3.12.Note 206 · Act. 20.27.Note 207 · Mat. 11.16.Note 208 · Mat. 3.4. Mar. 1.6. cap. 1.15.Note 209 · Mat. 11.19.Note 210 · Mat. 26.6. Mar. 14.3. João 11.2.Note 211 · cap. 15.2.Note 212 · Psa. 23.5.Note 213 · I Tim. 1.14.Note 214 · Mat. 9.2. Mar. 2.5.Note 215 · Mat. 9.3. Mar. 2.7.Note 216 · Mar. 5.34 e 10.52. cap. 8.48 e 18.42.Note 217 · Mat. 27.55, 56.Note 218 · Mar. 16.9.Note 219 · Mar. 4.1.Note 220 · Mat. 13.10. Mar. 4.10.Note 221 · Isa. 6.9. Mar. 4.12.Note 222 · Mat. 13.18. Mar. 4.14.Note 223 · Gr. com paciencia.Note 224 · Mat. 5.15. cap. 11.33.Note 225 · Mat. 10.26. cap. 12.2.Note 226 · Mat. 13.12 e 25.29. cap. 19.26.Note 227 · Mar. 3.31.Note 228 · Mar. 4.35.Note 229 · Mar. 5.1.Note 230 · Apo. 20.3.Note 231 · Mat. 8.34.Note 232 · Act. 16.39.Note 233 · Mar. 5.18.Note 234 · Mat. 9.1.Note 235 · Mat. 9.20.Note 236 · Mar. 5.30. cap. 6.19.Note 237 · Mar. 5.35.Note 238 · João 11.11, 13.Note 239 · cap. 7.14. João 11.43.Note 240 · Mat. 8.4 e 9.30. Mar. 5.43.Note 241 · Mar. 3.3, 6, 7.Note 242 · Mat. 10.7, 8. Mar. 6.12. cap. 10.1, 9.Note 243 · Mat. 10.9. Mar. 6.8. cap. 10.4 e 22.35.Note 244 · Mat. 10.11. Mar. 6.10.Note 245 · Mat. 10.14.Note 246 · Act. 13.5.Note 247 · Mar. 6.12.Note 248 · Mar. 6.14.Note 249 · cap. 23.8.Note 250 · Mar. 6.30.Note 251 · Mat. 14.15. Mar. 6.35. João 6.1, 5.Note 252 · Mar. 8.27.Note 253 · Mat. 14.2. ver. 7, 8.Note 254 · Mat. 16.16. João 6.69.Note 255 · Mat. 16.20.Note 256 · Mat. 16.21 e 17.22.Note 257 · Mat. 10.38. Mar. 8.34. cap. 14.27.Note 258 · ou, alma.Note 259 · Mat. 16.26. Mar. 8.36.Note 260 · Mat. 10.33. Mar. 8.38. II Tim. 2.12.Note 261 · Mat. 16.28.Note 262 · Mar. 9.1.Note 263 · Dan. 8.18 e 10.9.Note 264 · Mat. 3.17.Note 265 · Act. 3.22.Note 266 · Mat. 17.9.Note 267 · Mar. 9.14, 17.Note 268 · Mat. 17.22.Note 269 · Mar. 9.32. cap. 2.50 e 18.34.Note 270 · Mar. 9.34.Note 271 · Mat. 10.40 e 18.6. Mar. 9.37. João 12.44 e 13.20.Note 272 · Mat. 23.11, 12.Note 273 · Num. 11.28.Note 274 · Mat. 12.30. cap. 11.23.Note 275 · Mar. 16.19. Act. 1.2.Note 276 · João 4.4, 9.Note 277 · II Reis 1.10, 12.Note 278 · João 3.17 e 12.47.Note 279 · I Reis 19.20.Note 280 · Mat. 10.1. Mar. 6.7.Note 281 · Mat. 9.37, 38. João 4.35. II The. 3.1.Note 282 · Mat. 10.16.Note 283 · Mat. 10.9, 10. Mar. 6.8. cap. 9.3. II Reis 4.29.Note 284 · Mat. 10.12.Note 285 · ou, ella.Note 286 · Mat. 10.11.Note 287 · I Cor. 10.27.Note 288 · Mat. 10.10. I Cor. 9.4, etc. I Tim. 5.18.Note 289 · cap. 9.2.Note 290 · Mat. 3.2 e 4.17 e 10.7. ver. 11.Note 291 · Mat. 10.14. cap. 9.5. Act. 13.51 e 18.6.Note 292 · Mat. 10.15. Mar. 6.11.Note 293 · Mat. 11.21.Note 294 · Eze. 3.6.Note 295 · Mat. 11.23. Gen. 11.4. Deu. 1.28. Isa. 14.13. Jer. 51.53. Eze. 26.20.Note 296 · Mat. 10.40. Mar. 9.37. João 13.20 e 5.23. I The. 4.8.Note 297 · ver. 1.Note 298 · João 12.31 e 16.11. Apo. 9.1 e 12.8, 9.Note 299 · Mar. 16.10. Act. 28.5.Note 300 · Exo. 32.32. Psa. 69.28. Isa. 4.3. Dan. 12.1. Phi. 4.3. Heb. 12.23. Apo. 13.8.Note 301 · Mat. 11.25.Note 302 · Mat. 28.18. João 3.35 e 5.27 e 17.2. João 1.18 e 6.44, 46.Note 303 · Mat. 13.16.Note 304 · I Ped. 1.10.Note 305 · Mat. 19.16 e 22.35.Note 306 · Deu. 6.5.Note 307 · Lev. 19.18.Note 308 · Lev. 18.5. Neh. 9.29. Eze. 20.11, 13, 21. Rom. 10.5.Note 309 · cap. 16.15.Note 310 · Psa. 38.11.Note 311 · João 4.9.Note 312 · João 11.1 e 12.2, 3.Note 313 · I Cor. 7.32, etc. cap. 8.35. Act. 22.3.Note 314 · Psa. 27.4.Note 315 · cap. 18.1, etc.Note 316 · Mat. 7.7 e 21.22. Mar. 11.24. João 15.7. Thi. 1.6. I João 3.22.Note 317 · Mat. 7.9.Note 318 · Mat. 9.34 e 12.24.Note 319 · Mat. 12.38 e 16.1.Note 320 · Mat. 12.35. Mar. 3.24. João 2.25.Note 321 · Exo. 8.19.Note 322 · Mar. 3.27.Note 323 · Isa. 53.12. Col. 2.15.Note 324 · Mat. 12.30.Note 325 · Mat. 12.43.Note 326 · João 5.14. Heb. 6.4 e 10.26. II Ped. 2.20.Note 327 · cap. 1.28, 48.Note 328 · Mat. 7.21. cap. 8.21. Thi. 1.25.Note 329 · Jon. 2.1, 11.Note 330 · I Reis 10.1.Note 331 · Jon. 3.5.Note 332 · Mat. 5.15. Mar. 4.21. cap. 8.16.Note 333 · Mat. 6.22.Note 334 · Mar. 7.3.Note 335 · Mat. 23.25.Note 336 · Tito 1.15.Note 337 · Isa. 58.7. Dan. 4.24. cap. 12.33.Note 338 · Mat. 23.23.Note 339 · Mat. 23.6. Mar. 12.38, 39.Note 340 · Mat. 23.27. Psa. 6.10.Note 341 · Mat. 23.4.Note 342 · Mat. 23.29.Note 343 · Mat. 23.34.Note 344 · Gen. 4.8. II Chr. 24.20, 21.Note 345 · Mat. 23.13.Note 346 · Mar. 12.13.Note 347 · Mat. 16.6. Mar. 8.15.Note 348 · Mat. 16.12.Note 349 · Mat. 10.26. Mar. 4.22. cap. 8.17.Note 350 · Isa. 51.7, 8, 12, 13. Jer. 1.8. João 15.14, 15.Note 351 · Mat. 10.32. Mar. 8.38. II Tim. 2.12. I João 2.23.Note 352 · Mat. 12.31, 32. Mar. 3.28. I João 5.16.Note 353 · Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 21.14.Note 354 · João 18.36.Note 355 · I Tim. 6.7, etc.Note 356 · Ecc. 11.9. I Cor. 15.32. Thi. 5.5.Note 357 · Job 20.22 e 27.8. Psa. 52.5. Thi. 4.14. Psa. 39.6. Jer. 17.11.Note 358 · Mat. 6.20. ver. 33. I Tim. 6.18, 19. Thi. 2.5.Note 359 · Job 38.41. Psa. 147.9.Note 360 · Mat. 6.33.Note 361 · Mat. 11.25, 26.Note 362 · Mat. 19.21 e 6.20. Act. 2.45 e 4.34. cap. 16.9. I Tim. 6.19.Note 363 · Eph. 6.14. I Ped. 1.13. Mat. 25.1, etc.Note 364 · Mat. 24.46.Note 365 · Mat. 24.43. I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.Note 366 · Mat. 24.44 e 25.13. Mar. 13.33. cap. 21.34, 36. I The. 5.6. II Ped. 3.12.Note 367 · Mat. 24.45 e 25.21. I Cor. 4.2.Note 368 · Mat. 24.47, 48.Note 369 · Num. 15.30. Deu. 25.2. João 9.41 e 15.22. Act. 17.30. Thi. 4.17.Note 370 · Lev. 5.17. I Tim. 1.13.Note 371 · ver. 51.Note 372 · Mat. 20.22. Mar. 10.38.Note 373 · Mat. 10.34. ver. 49. Miq. 7.6. João 7.43 e 9.16 e 10.19.Note 374 · Mat. 10.35.Note 375 · Mat. 16.2.Note 376 · Pro. 25.8. Mat. 5.25. Psa. 32.6. Isa. 50.6.Note 377 · ou, devedores.Note 378 · Isa. 5.2. Mat. 21.19.Note 379 · Mar. 16.18. Act. 9.8.Note 380 · Exo. 20.9.Note 381 · Mat. 12.10. Mar. 3.2. cap. 6.7 e 14.3.Note 382 · cap. 14.5.Note 383 · cap. 19.9.Note 384 · Mar. 4.30.Note 385 · Mat. 9.34. Mar. 6.6.Note 386 · Mat. 7.13. João 7.34 e 8.21 e 13.33. Rom. 9.31.Note 387 · Psa. 32.6. Isa. 55.6. Mat. 25.10. cap. 6.46. Mat. 7.23 e 25.12.Note 388 · Mat. 7.23 e 25.41. ver. 25.Note 389 · Psa. 6.9. Mat. 25.41.Note 390 · Mat. 8.12 e 13.42 e 24.51 e 8.11.Note 391 · Mat. 19.30 e 20.16. Mar. 10.31.Note 392 · Heb. 2.10.Note 393 · Mat. 23.37.Note 394 · Lev. 26.31, 32. Psa. 69.25. Isa. 1.7. Dan. 9.27. Miq. 3.12. Psa. 118.26. Mat. 21.9. Mar. 11.10. cap. 19.38. João 12.13.Note 395 · Mat. 12.10.Note 396 · Exo. 23.5. Deu. 22.4. cap. 13.15.Note 397 · Pro. 25.6, 7.Note 398 · Job 22.29. Psa. 18.27. Pro. 29.23. Mat. 23.12. cap. 18.14. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.Note 399 · Neh. 8.10, 12.Note 400 · Apo. 19.9.Note 401 · Pro. 9.2, 5.Note 402 · Mat. 21.43 e 22.8. Act. 13.46.Note 403 · Deu. 13.6 e 33.9. Mat. 10.37. Rom. 9.13. Apo. 12.11.Note 404 · Mat. 16.24. Mar. 8.34. cap. 9.23. II Tim. 3.12.Note 405 · Pro. 24.27.Note 406 · Mat. 5.13. Mar. 9.50.Note 407 · Mat. 9.10.Note 408 · Act. 11.3. Gal. 2.12.Note 409 · Mat. 18.12.Note 410 · I Ped. 2.10, 25.Note 411 · cap. 5.32.Note 412 · Mar. 12.44.Note 413 · ou, alfarrobas.Note 414 · Act. 2.39. Eph. 2.13, 17.
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