O LIVRO DOS PSALMOS. (continued 2)
João Ferreira d' Almeida translation
10 Em Deus louvarei a sua palavra; no Senhor louvarei a sua palavra.
11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem.
12 Os teus votos estão sobre mim, ó Deus; eu te renderei acções de graças;
13 Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?
David acha soccorro contra os seus inimigos e louva a Deus.
Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth, quando fugia de diante de Saul na caverna.
57 Tem misericordia de mim, ó Deus, tem misericordia de mim, porque a minha alma confia em ti; e na sombra das tuas azas me abrigo, até que passem [1] as calamidades.
2 Clamarei ao Deus altissimo, ao Deus que por mim tudo executa.
3 Elle enviará desde os céus, e me salvará do desprezo d’aquelle que procurava devorar-me (Selah). Deus enviará a sua misericordia e a sua verdade.
4 A minha alma está entre leões, e eu estou entre aquelles que estão abrazados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e frechas, e a sua lingua espada afiada.
5 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; seja a tua gloria sobre toda a terra.
6 Armaram uma rede aos meus passos; a minha alma está abatida; cavaram uma cova diante de mim, porém elles mesmos cairam no meio d’ella (Selah).
7 Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei, e direi psalmos.
8 Desperta, gloria minha, desperta, alaude e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva.
9 Louvar-te-hei, Senhor, entre os povos; eu te cantarei entre as nações.
10 Pois a tua misericordia é grande até aos céus, e a tua verdade até ás nuvens.
11 Sê exaltado, ó Deus, sobre os céus; e seja a tua gloria sobre toda a terra.
David reprova os impios. Deus os castigará, e salvará os justos.
Mictam de David para o cantor-mór Al-tascheth.
58 Acaso fallaes vós devéras, ó congregação, a justiça? Julgaes realmente, ó filhos dos homens?
2 Antes no coração obraes perversidades: sobre a terra pesaes a violencia das vossas mãos.
3 Alienam-se os impios desde a madre; andam errados desde que nasceram, fallando mentiras.
4 O seu veneno é similhante ao veneno da serpente; são como a vibora surda que tapa os ouvidos,
5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sabio em encantamentos.
6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas boccas; arranca, Senhor, os dentes queixaes aos filhos dos leões.
7 Escorram como aguas que correm constantemente; quando elle armar as suas frechas, fiquem feitos em pedaços.
8 Como a lesma se derrete, assim se vá cada um d’elles, como o aborto d’uma mulher, que nunca viu o sol.
9 Antes que as vossas panellas sintam os espinhos, elle os arrebatará na sua indignação como com um redemoinho.
10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do impio.
11 Então dirá o homem: Devéras ha uma recompensa para o justo; devéras ha um Deus que julga na terra.
David supplica a Deus que o livre, e protesta a sua innocencia.
Mictam de David para o cantor-mór Al-taschet, quando Saul lhes mandou que guardassem a sua casa para o matarem.
59 Livra-me, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me d’aquelles que se levantam contra mim.
2 Livra-me dos que obram a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinarios.
3 Pois eis que põem ciladas á minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por peccado meu, ó Senhor.
4 Elles correm, e se preparam, sem culpa minha: desperta para me ajudares, e olha.
5 Tu, pois, ó Senhor, Deus dos Exercitos, Deus d’Israel, desperta para visitares [PK] todos os gentios: não tenhas misericordia de nenhum dos perfidos que obram a iniquidade (Selah).
6 Voltam á tarde: dão ganidos como cães, e rodeiam a cidade.
7 Eis que elles dão gritos com as suas boccas; espadas estão nos seus labios, porque dizem elles: Quem ouve?
8 Mas tu, Senhor, te rirás d’elles: zombarás de todos os gentios.
9 Por causa da sua força eu te aguardarei; pois Deus é a minha alta defeza.
10 O Deus da minha misericordia me prevenirá: Deus me fará ver o meu desejo sobre os meus inimigos.
11 Não os mates, para que o meu povo se não esqueça: espalha-os pelo teu poder, e abate-os, ó Senhor, nosso escudo.
12 Pelo peccado da sua bocca e pelas palavras dos seus labios fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que fallam.
13 Consome-os na tua indignação, consome-os, para que não existam, e para que saibam que Deus reina em Jacob até aos fins da terra (Selah).
14 E tornem a vir á tarde, e dêem ganidos como cães, e cerquem a cidade.
15 Vagueiem para cima e para baixo por mantimento, e passem a noite sem se saciarem.
16 Eu porém cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericordia; porquanto tu foste o meu alto refugio, e protecção no dia da minha angustia.
17 A ti, ó fortaleza minha, cantarei psalmos; porque Deus é a minha defeza e o Deus da minha misericordia.
Acção de graças por varias victorias.
Mictam de David, de doutrina, para o cantor-mór, sobre Susan Eduth, quando pelejou com os syros de Mesopotamia, e com os syros de Zoba, e Joab, tornando, feriu no Valle do Sal a doze mil dos idumeos.
60 Ó Deus, tu nos rejeitaste, tu nos espalhaste, tu te indignaste; oh, volta-te para nós.
2 Abalaste a terra, e a fendeste; sara as suas fendas, pois ella treme.
3 Fizeste ver ao teu povo coisas arduas; [1] fizeste-nos beber o vinho da perturbação.
4 Déste um estandarte aos que te temem, para arvorarem no alto, por causa da verdade (Selah).
5 Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua dextra, e ouve-nos;
6 Deus fallou na sua sanctidade: Eu me regozijarei, [2] repartirei a Sichem e medirei o valle de Succoth.
7 Meu é Galaad, e meu é Manasseh; Ephraim é a força da minha cabeça; Judah é o meu legislador.
8 Moab é o meu vaso de lavar; sobre Edom lançarei o meu sapato; alegra-te, ó Palestina, por minha causa.
9 Quem me conduzirá á cidade forte? Quem me guiará até Edom?
10 Não serás tu, ó Deus, que nos tinhas rejeitado? tu, ó Deus, que não saiste com os nossos exercitos?
11 Dá-nos auxilio na angustia, porque vão é [PL] o soccorro do homem.
12 Em Deus faremos proezas; porque elle é que pisará os nossos inimigos.
David confia em Deus como seu refugio.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Neginoth.
61 Ouve, ó Deus, o meu clamor; attende á minha oração.
2 Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.
3 Pois tens sido um refugio para mim, e uma torre forte contra o inimigo.
4 Habitarei no teu tabernaculo para sempre: abrigar-me-hei no occulto das tuas azas (Selah).
5 Pois tu, ó Deus, ouviste os meus votos: déste-me a herança dos que temem o teu nome.
6 Prolongarás os dias do rei; e os seus annos serão como muitas gerações.
7 Elle permanecerá diante de Deus para sempre; prepara-lhe misericordia e verdade que o preservem.
8 Assim cantarei psalmos ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.
Exhortação a que se confie sómente em Deus.
Psalmo de David para o cantor-mór, sobre Jeduthun.
62 A minha alma [PM] espera sómente em Deus: d’elle vem a minha salvação.
2 Só elle é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defeza; não serei grandemente abalado.
3 Até quando maquinareis o mal contra um homem? sereis mortos todos vós, [1] sereis como uma parede encurvada e um vallado bambaleante.
4 Elles sómente consultam como o hão de derribar da sua excellencia: deleitam-se em mentiras; com a bocca bemdizem, mas nas suas entranhas maldizem (Selah).
5 Ó minha alma, [PN] espera sómente em Deus, porque d’elle vem a minha esperança.
6 Só elle é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defeza; não serei abalado.
7 Em Deus está a minha [2] salvação e a minha gloria: a rocha da minha fortaleza, e o meu refugio estão em Deus.
8 Confiae n’elle, ó povo, em todos os tempos; derramae perante elle o vosso coração; Deus é o nosso refugio (Selah).
9 Certamente [3] que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens d’ordem elevada são mentira; pesados em balanças, elles juntos são mais leves do que a vaidade.
10 Não confieis na oppressão, nem vos ensoberbeçaes na rapina; se as vossas riquezas augmentam, não ponhaes n’ellas o coração.
11 Deus fallou uma vez; duas vezes tenho ouvido isto: que o poder pertence a Deus.
12 A ti tambem, Senhor, pertence a misericordia; [4] pois retribuirás a cada um segundo a sua obra.
David anhela pela presença de Deus.
Psalmo de David quando estava no deserto de Judah.
63 Ó Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei: a minha alma tem sêde de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra secca e cançada, onde não ha agua,
2 Para [1] ver a tua fortaleza e a tua gloria, como te vi no sanctuario.
3 Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus labios te louvarão.
4 Assim eu te bemdirei emquanto viver: em teu nome levantarei as minhas mãos.
5 A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha bocca te louvará com alegres labios,
6 Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigilias da noite.
7 Porque tu tens sido o meu auxilio; portanto na sombra das tuas azas me regozijarei.
8 A minha alma te segue de perto: a tua dextra me sustenta.
9 Mas aquelles que procuram a minha alma para a destruir, irão para as profundezas da terra.
10 Cairão á espada, serão uma ração para as raposas.
11 Mas o rei se regozijará em Deus; [2] qualquer que por elle jurar se gloriará; porque se taparão as boccas dos que fallam a mentira.
David supplica a Deus que guarde a sua vida, e espera que lh’o conceda.
Psalmo de David para o cantor-mór.
64 Ouve, ó Deus, a minha voz na minha oração: guarda a minha vida do temor do inimigo.
2 Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que obram a iniquidade.
3 Que afiaram as suas linguas como espadas; e armaram por suas frechas palavras amargas,
4 A fim de atirarem em logar occulto ao que é recto; disparam sobre elle repentinamente, e não temem.
5 Firmam-se em mau intento; fallam de armar laços secretamente, e dizem: Quem os verá?
6 Andam inquirindo malicias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e o intimo pensamento de cada um d’elles, e o coração, é profundo.
7 Mas Deus atirará sobre elles uma setta, e de repente ficarão feridos.
8 Assim elles farão com que as suas linguas tropecem contra si mesmos; todos aquelles que os virem fugirão.
9 E todos os homens temerão, [1] e annunciarão a obra de Deus; e considerarão prudentemente os feitos d’elle.
10 O justo se alegrará no Senhor, e confiará n’elle, e todos os rectos de coração se gloriarão.
David louva a Deus e dá-lhe graças pelas bençãos concedidas.
Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.
65 [PO] A ti, ó Deus, espera o louvor em Sião, e a ti se pagará o voto.
2 Ó tu que ouves as orações, [1] a ti virá toda a carne.
3 Prevalecem as iniquidades contra mim; porém tu expias as nossas transgressões.
4 Bemaventurado aquelle a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus atrios: nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu sancto templo.
5 Pelas coisas tremendas em justiça nos responderás, ó Deus da nossa salvação; tu és a esperança de todas as extremidades da terra, e d’aquelles que estão longe sobre o mar.
6 O que pela sua força consolida os montes, cingido de fortaleza:
7 O que applaca o ruido dos mares, o ruido das suas ondas, e o tumulto das gentes.
8 E os que habitam nos fins da terra temem os teus signaes; tu fazes alegres as saidas da manhã e da tarde.
9 Tu visitas [2] a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio d’agua; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada.
10 Enches d’agua os seus regos, fazendo-a descer em suas margens: tu a amoleces com a muita chuva: abençoas as suas novidades.
11 Coroas o anno da tua bondade, e as tuas veredas distillam gordura.
12 Distillam sobre os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria.
13 Os campos se vestem de rebanhos, [3] e os valles se cobrem de trigo: elles se regozijam e cantam.
Cantico de louvor a Deus pelas suas grandes obras.
Cantico e psalmo para o cantor-mór.
66 Jubilae a Deus, todas as terras.
2 Cantae a gloria do seu nome; dae gloria ao seu louvor.
3 Dizei a Deus: Quão terrivel és tu nas tuas obras! pela grandeza do teu poder se submetterão a ti os teus inimigos.
4 Toda a terra te adorará e te cantará louvores: elles cantarão o teu nome (Selah).
5 Vinde, e vêde as obras de Deus: é terrivel nos seus feitos para com os filhos dos homens.
6 Converteu o [1] mar em terra secca; passaram o rio a pé; ali nos alegrámos n’elle.
7 Elle domina eternamente pelo seu poder: os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes (Selah).
8 Bemdizei, povos, ao nosso Deus, e fazei ouvir a voz do seu louvor:
9 Ao que sustenta com vida a nossa alma, e não consente que sejam abalados os nossos pés.
10 Pois tu, ó Deus, nos provaste; [2] tu nos afinaste como se afina a prata.
11 Tu nos metteste na rede; affligiste os nossos lombos.
12 Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; [3] passámos pelo fogo e pela agua; mas nos trouxeste a um logar copioso.
13 Entrarei em tua casa com holocaustos; pagar-te-hei os meus votos.
14 Os quaes pronunciaram os meus labios, e fallou a minha bocca, quando estava na angustia.
15 Offerecer-te-hei holocaustos gordurosos com incenso de carneiros; offerecerei novilhos com cabritos (Selah).
16 Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que elle tem feito á minha alma.
17 A elle clamei com a minha bocca, e elle foi exaltado pela minha lingua.
18 Se eu attender [4] á iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;
19 Mas, na verdade, Deus me ouviu; attendeu á voz da minha oração.
20 Bemdito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericordia.
O reino de Deus abrange toda a terra.
Psalmo e cantico para o cantor-mór sobre Neginoth.
67 Deus tenha misericordia de nós e nos abençõe; [1] e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selah).
2 Para [2] que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação.
3 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra (Selah).
5 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
6 Então a terra dará [3] o seu fructo; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará.
7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.
Cantico de louvor e acção de graças a Deus como nosso salvador.
Psalmo e cantico de David para o cantor-mór.
68 Levante-se Deus, [1] e sejam [PP] dissipados os seus inimigos; fugirão de diante d’elle os que o aborrecem.
2 Como se impelle o fumo assim tu os impelles; assim como a cera se derrete diante do fogo, assim pereçam os impios diante de Deus.
3 Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem d’alegria.
4 Cantae a Deus, cantae louvores ao seu nome; louvae aquelle que vae montado sobre os céus, pois o seu nome é Jah, e exultae diante d’elle.
5 Pae d’orphãos e juiz de viuvas é Deus, no seu logar sancto.
6 Deus faz que o solitario viva em familia; liberta aquelles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra secca.
7 Ó Deus, [2] quando sahias diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto, (Selah).
8 A terra se abalava, e os céus distillavam perante a face de Deus; [3] até o proprio Sinai foi commovido na presença de Deus, do Deus de Israel.
9 Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundancia, confortaste a tua herança, quando estava cançada.
10 N’ella habitava o teu rebanho; tu, ó Deus, preparaste na tua bondade para o pobre.
11 O Senhor deu a palavra: grande era o exercito dos que annunciavam as boas novas.
12 Reis de exercitos fugiram á pressa; e aquella que ficava em casa repartia os despojos.
13 Ainda que vos tenhaes deitado entre [PQ] panellas, comtudo sereis como as azas d’uma pomba, cobertas de prata, e as suas pennas d’oiro amarello.
14 Quando o Omnipotente ali espalhou os reis, ella ficou alva como a neve em Salmon.
15 O monte de Deus é como o monte de Basan, um monte elevado como o monte de Basan.
16 Porque [PR] saltaes, ó montes elevados? este é o monte que Deus desejou para a sua habitação, e o Senhor habitará n’elle eternamente.
17 Os [4] carros de Deus são vinte milhares, milhares de milhares. O Senhor está entre elles, como em Sinai, no logar sancto.
18 Tu subiste ao alto, levaste captivo o captiveiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre elles.
19 Bemdito seja o Senhor, que de dia em dia nos carrega de beneficios: o Deus que é a nossa salvação (Selah).
20 Aquelle que é o nosso Deus é o Deus da salvação; e a Jehovah, o Senhor, pertencem as saidas da morte.
21 Mas Deus ferirá gravemente a cabeça de seus inimigos e o craneo cabelludo do que anda em suas culpas.
22 Disse o Senhor: Eu os farei voltar de Basan, farei voltar o meu povo das profundezas do mar.
23 Para que o teu pé mergulhe no sangue de teus inimigos, e no mesmo a lingua dos teus cães.
24 Ó Deus, elles teem visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus, meu Rei, no sanctuario.
25 Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atraz; entre elles as donzellas tocando adufes.
26 Celebrae a Deus nas congregações; ao Senhor, desde a fonte d’Israel.
27 Ali está o pequeno Benjamin, que domina sobre elles, os principes de Judah com o seu ajuntamento, os principes de Zabulon e os principes de Naphtali.
28 O teu Deus ordenou a tua força: fortalece, ó Deus, o que já obraste para nós.
29 Por amor do teu templo em Jerusalem, os reis te trarão presentes.
30 Reprehende asperamente as feras das cannas, a multidão dos toiros, com os novilhos dos povos, até que cada um se submetta com pedaços de prata; dissipa os povos que desejam a guerra.
31 Embaixadores reaes virão do Egypto; a Ethiopia cedo estenderá para Deus as suas mãos.
32 Reinos da terra, cantae a Deus, cantae louvores ao Senhor (Selah),
33 Áquelle que vae montado sobre os céus dos céus, que existiam desde a antiguidade; eis que envia a sua voz, dá um brado vehemente.
34 Dae a Deus fortaleza: a sua excellencia está sobre Israel e a sua fortaleza nas mais altas nuvens.
35 Ó Deus, tu és tremendo desde os teus sanctuarios: o Deus d’Israel é o que dá fortaleza e poder ao seu povo. Bemdito seja Deus!
Os soffrimentos de David prefiguram os do Messias.
Psalmo de David para o cantor-mór sobre Shoshannim.
69 Livra-me, ó Deus, pois as aguas entraram até á minha alma.
2 Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não póde estar em pé; entrei na profundeza das aguas, onde a corrente me leva.
3 Estou cançado de clamar; a minha garganta se seccou: os meus olhos desfallecem esperando o meu Deus.
4 Aquelles que me aborrecem sem causa [1] são mais do que os cabellos da minha cabeça; aquelles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos: então restitui o que não furtei.
5 Tu, ó Deus, bem conheces a minha insipiencia; e os meus peccados não te são encobertos.
6 Não sejam envergonhados por minha causa aquelles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exercitos; não sejam confundidos por minha causa aquelles que te buscam, ó Deus d’Israel.
7 Porque por amor de ti tenho supportado affrontas; a confusão cobriu o meu rosto.
8 Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.
9 Pois o zelo da tua casa me devorou, e as affrontas dos que te affrontam cairam sobre mim.
10 Quando chorei, e castiguei com jejum a minha alma, isto se me tornou em affrontas.
11 Puz por vestido um sacco, e me fiz um proverbio para elles.
12 Aquelles que se assentam á porta fallam contra mim; e fui o cantico dos bebedores de bebida forte.
13 Eu porém faço a minha oração a ti, Senhor, [2] n’um tempo acceitavel: ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericordia, segundo a verdade da tua salvação.
14 Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me aborrecem, e das profundezas das aguas.
15 Não me leve a corrente das aguas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a sua bocca sobre mim.
16 Ouve-me, Senhor, pois boa é a tua misericordia: olha para mim segundo a tua muitissima piedade.
17 E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado: ouve-me depressa.
18 Approxima-te da minha alma, e resgata-a; livra-me por causa dos meus inimigos.
19 Bem tens [3] conhecido a minha affronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti estão todos os meus adversarios.
20 Affrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquissimo: esperei por alguem que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei.
21 Deram-me fel por mantimento, e na minha sêde me deram a beber vinagre.
22 Torne-se-lhes a sua mesa diante d’elles em laço e [PS] para sua recompensa em ruina.
23 Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente.
24 Derrama sobre elles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira.
25 Fique desolado o seu [PT] palacio; e não haja quem habite nas suas tendas.
26 Pois perseguem áquelle a quem feriste, e conversam sobre a dôr d’aquelles a quem chagaste.
27 Accrescenta iniquidade á iniquidade d’elles, e não entrem na tua justiça.
28 Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam escriptos com os justos.
29 Eu porém sou pobre, e estou triste; ponha-me a tua salvação, ó Deus, n’um alto retiro.
30 Louvarei o nome de Deus com um cantico, e engrandecel-o-hei com acção de graças.
31 Isto será mais agradavel ao Senhor do que o boi ou bezerro que tem pontas e unhas.
32 Os mansos verão isto, e se agradarão; o vosso coração viverá, pois que buscaes a Deus.
33 Porque o Senhor ouve os necessitados, e não despreza os seus captivos.
34 Louvem-n’o os céus e a terra, os mares e tudo quanto n’elles se move.
35 Porque Deus salvará a Sião, e edificará as cidades de Judah, para que habitem n’ella e as possuam.
36 E herdal-a-ha a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão n’ella.
Na sua afflicção David supplica a Deus que se apresse em livral-o.
Psalmo de David para o cantor-mór, para lembrança.
70 Apressa-te, ó Deus, em me livrar; Senhor, apressa-te em ajudar-me.
2 Fiquem envergonhados e confundidos os que procuram a minha alma; voltem para traz e confundam-se os que me desejam mal.
3 Virem as costas por causa da recompensa da sua vergonha os que dizem: Ha! ha!
4 Folguem e alegrem-se em ti todos os que te buscam; e aquelles que amam a tua salvação digam continuamente: Engrandecido seja Deus.
5 Eu porém estou afflicto e necessitado; apressa-te a mim, ó Deus; tu és o meu auxilio e o meu libertador: Senhor, não te detenhas.
David confia em Deus, e roga que o livre dos seus inimigos, e o proteja.
71 Em ti, Senhor, confio; nunca seja eu confundido.
2 Livra-me na tua justiça, e faze-me escapar: inclina os teus ouvidos para mim, e salva-me.
3 Sê tu a minha habitação forte, á qual possa recorrer continuamente: déste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
4 Livra-me, meu Deus, das mãos do impio, das mãos do homem injusto e cruel.
5 Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a [1] minha mocidade.
6 Por ti tenho sido sustentado desde o ventre: tu és aquelle que me tiraste das entranhas de minha mãe: o meu louvor será para ti constantemente.
7 Sou como um prodigio para muitos, mas tu és o meu refugio forte.
8 Encha-se a minha bocca do teu louvor da tua gloria todo o dia.
9 Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se fôr acabando a minha força.
10 Porque os meus inimigos fallam contra mim, e os que espiam a minha alma consultam juntos,
11 Dizendo: Deus o desamparou: persegui-o e tomae-o, pois não ha quem o livre.
12 Ó Deus, não te alongues de mim: meu Deus, apressa-te em ajudar-me.
13 Sejam confundidos e consumidos os que são adversarios da minha alma; cubram-se d’opprobrio e de confusão aquelles que procuram o meu mal.
14 Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais.
15 A minha bocca manifestará a tua justiça e a tua salvação todo o dia, pois não conheço o numero d’ellas.
16 Sairei na força do Senhor Deus, farei menção da tua justiça, e só d’ella.
17 Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho annunciado as tuas maravilhas.
18 Agora tambem, quando estou velho e de cabellos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha annunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.
19 Tambem a tua justiça, ó Deus, está muito alta, pois fizeste grandes coisas: ó Deus, quem é similhante a ti?
20 Tu, que me tens feito ver muitos males e angustias, me [2] darás ainda a vida, e me tirarás dos abysmos da terra.
21 Augmentarás a minha grandeza, e de novo me consolarás.
22 Tambem eu te louvarei com o psalterio, bem como á tua verdade, ó meu Deus, cantarei com a harpa a ti, ó [3] Sancto d’Israel.
23 Os meus labios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste.
24 A [4] minha lingua fallará da tua justiça todo o dia; pois estão confundidos e envergonhados aquelles que procuram o meu mal.
A excellencia, justiça e gloria do reino de Salomão prefiguram as do Messias.
Psalmo [PU] de Salomão.
72 Ó Deus, dá ao rei dos teus juizos, e a tua justiça ao filho do rei.
2 Elle julgará [1] ao teu povo com justiça, e aos teus pobres com juizo.
3 Os montes trarão paz ao povo e os outeiros com justiça.
4 Julgará os afflictos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o oppressor.
5 Temer-te-hão emquanto durar o sol e a lua, de geração em geração.
6 Elle descerá [2] como a chuva sobre a herva ceifada, como os chuveiros que humedecem a terra.
7 Nos seus dias florescerá o justo, [3] e abundancia de paz emquanto durar a lua.
8 Dominará de mar a mar, e desde o rio até ás extremidades da terra.
9 Aquelles que habitam no deserto se inclinarão ante elle, e os seus inimigos lamberão o pó.
10 Os reis de Tarsis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sheba e de Saba offerecerão dons.
11 E todos os reis se prostrarão perante elle; todas as nações o servirão.
12 Porque elle livrará ao necessitado quando clamar, como tambem ao afflicto e ao que não tem quem o ajude.
13 Compadecer-se-ha do pobre e do afflicto, e salvará as almas dos necessitados.
14 Libertará as suas almas do engano e da violencia, e precioso será o seu sangue aos olhos d’elle.
15 E viverá, e se lhe dará do oiro de Sheba; e continuamente se fará por elle oração; e todos os dias o bemdirão.
16 Haverá um punhado de trigo em terra sobre as cabeças dos montes; o seu fructo se abalará como o Libano, e os da cidade florescerão como a herva da terra.
17 O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de paes a filhos emquanto o sol durar, e os homens serão abençoados n’elle; todas as nações lhe chamarão bemaventurado.
18 Bemdito [4] seja o Senhor Deus, o Deus d’Israel, que só elle faz maravilhas.
19 E bemdito seja para sempre o seu nome glorioso; e encha-se toda a terra da sua gloria. Amen e Amen.
20 Aqui acabam as orações de David, filho de Jessé.
A prosperidade dos impios faz duvidar da justiça de Deus, mas o seu fim a demonstra.
Psalmo de Asaph.
73 Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração.
2 Emquanto a mim, os meus pés quasi que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.
3 Pois eu tinha inveja dos loucos, quando via a prosperidade dos impios.
4 Porque não ha apertos na sua morte, mas firme está a sua força.
5 Não se acham em trabalhos como outra gente, nem são afflictos como outros homens.
6 Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violencia como de adorno.
7 Os olhos d’elles estão inchados de gordura: elles teem mais do que o coração podia desejar.
8 São corrompidos e tratam maliciosamente de oppressão; [1] fallam arrogantemente.
9 Põem as suas boccas contra os céus, e as suas linguas andam pela terra.
10 Pelo que o seu povo volta aqui, e aguas de copo cheio se lhes espremem.
11 E dizem: Como o sabe Deus? ou ha conhecimento no Altissimo?
12 Eis que estes são impios, e [PV] prosperam no mundo; augmentam em riquezas.
13 Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; [2] e lavei as minhas mãos na innocencia.
14 Pois todo o dia tenho sido afflicto, e castigado cada manhã.
15 Se eu dissesse: Fallarei assim; eis que offenderia a geração de teus filhos.
16 Quando pensava em entender isto [3] foi para mim muito doloroso;
17 Até que entrei no sanctuario de Deus: então entendi eu o fim d’elles.
18 Certamente tu os pozeste em logares escorregadios: tu os lanças em destruição.
19 Como caem na desolação, quasi n’um momento! ficam totalmente consumidos de terrores.
20 Como um sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás a apparencia d’elles.
21 Assim o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins.
22 Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como uma besta perante ti.
23 Todavia estou de continuo comtigo; tu me sustentaste pela minha mão direita.
24 Guiar-me-has com o teu conselho, e depois me receberás em gloria.
25 Quem tenho [4] eu no céu senão a ti? e na terra não ha a quem eu deseje além de ti.
26 A minha carne e o meu coração desfallecem; mas Deus é a [PW] fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.
27 Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu [5] tens destruido todos aquelles que se desviam de ti.
28 Mas para mim, bom é approximar-me de Deus; puz a minha confiança no Senhor Deus, para annunciar todas as tuas obras.
A assolação do sanctuario, e a supplica para que se lembrasse do seu povo afflicto.
Maschil de Asaph.
74 Ó Deus, porque nos rejeitaste para sempre? Porque se accende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto?
2 Lembra-te da tua congregação que compraste [1] desde a antiguidade, [PX] da vara da tua herança que remiste, este monte de Sião, em que habitaste.
3 Levanta os teus pés para as perpetuas assolações, para tudo o que o inimigo tem feito de mal no sanctuario.
4 Os teus inimigos bramam [2] no meio das tuas synagogas; põem n’ellas as suas insignias por signaes.
5 Cada qual se fez afamado, conforme levantara o machado contra a espessura do arvoredo.
6 Mas agora toda a obra entalhada por uma vez quebram com machados e martellos.
7 Lançaram fogo no teu sanctuario; profanaram, derribando-a até ao chão, a morada do teu nome.
8 Disseram nos seus corações: Despojemol-os d’uma vez. Queimaram todas as synagogas de Deus na terra.
9 Já não vemos os nossos signaes, já não ha propheta: nem ha entre nós alguem que saiba até quando isto durará.
10 Até quando, ó Deus, nos affrontará o adversario? Blasphemará o inimigo o teu nome para sempre?
11 Porque retiras a tua mão, a saber, a tua dextra? tira-a de dentro do teu seio, e consome-os.
12 Todavia Deus é o meu Rei desde a antiguidade, obrando a salvação no meio da terra.
14 Fizeste em pedaços as cabeças do leviathan, e o déste por mantimento aos habitantes do deserto.
15 Fendeste a fonte e o ribeiro: seccaste os rios impetuosos.
16 Teu é o dia e tua é a noite: [4] preparaste a luz e o sol.
17 Estabeleceste todos os limites da terra; [5] verão e inverno tu os formaste.
18 Lembra-te d’isto: [6] que o inimigo affrontou ao Senhor, e que um povo louco blasphemou o teu nome.
19 Não entregues ás feras a alma da tua rola: não te esqueças para sempre da vida dos teus afflictos.
20 Attende ao teu concerto; pois os logares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de [PZ] crueldade.
21 Oh, não volte envergonhado o opprimido: louvem o teu nome o afflicto e o necessitado.
22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a sua propria causa; lembra-te da affronta que o louco te faz cada dia.
23 Não te esqueças [QA] dos gritos dos teus inimigos: o tumulto d’aquelles que se levantam contra ti augmenta continuamente.
O propheta louva a Deus e promette fazer observar a justiça.
Para o cantor-mór Al-tascheth. Psalmo e cantico de Asaph.
75 A ti, ó Deus, glorificamos, a ti damos louvor, pois o teu nome está perto, as tuas maravilhas o declaram.
2 Quando eu occupar o logar determinado, julgarei rectamente.
3 A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci as suas columnas (Selah).
4 Disse eu aos loucos: Não enlouqueçaes; e aos impios: Não levanteis a fronte:
5 Não levanteis a vossa fronte altiva, nem falleis com cerviz dura;
6 Porque nem do oriente, nem do occidente, nem do deserto vem a exaltação.
7 Mas Deus é o Juiz; a um abate, e a outro exalta.
8 Porque na mão do Senhor ha um calix, cujo vinho é roxo; está cheio de mistura; e dá a beber d’elle; mas as fezes d’elle todos os impios da terra as sorverão e beberão.
9 E eu o declararei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacob.
10 E [QB] quebrarei todas as forças dos impios, mas as forças dos justos serão exaltadas.
A magestade e o poder de Deus.
Psalmo e cantico de Asaph, para o cantor-mór, sobre Neginoth.
76 Conhecido é Deus em Judah: grande é o seu nome em Israel.
2 E em Salem está o seu tabernaculo, e a sua morada em Sião.
3 Ali quebrou as frechas do arco; o escudo, e a espada e a guerra (Selah).
4 Tu és mais illustre, ó glorioso, do que os montes de preza.
5 Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu somno, e nenhum dos homens de força achou as suas mãos.
6 Á tua reprehensão, [1] ó Deus de Jacob, carros e cavallos são lançados n’um somno profundo.
7 Tu, tu és terrivel; e quem subsistirá á tua vista, uma vez que te irares?
8 Desde os céus fizeste ouvir o teu juizo; a terra tremeu e se aquietou,
9 Quando Deus se levantou para fazer juizo, para livrar a todos os mansos da terra (Selah).
10 Porque a colera do homem redundará em teu louvor; o restante da colera tu o restringirás.
11 Fazei votos, e pagae ao Senhor, vosso Deus: tragam presentes, os que estão em redor d’elle, áquelle que é tremendo.
12 Elle ceifará o espirito dos principes: é tremendo para com os reis da terra.
O estado interno do psalmista; elle anima a sua alma pela consideração das grandes obras e da misericordia de Deus.
Psalmo de Asaph, para o cantor-mór, por Jeduthun.
77 Clamei ao Senhor com a minha voz: a Deus levantei a minha voz, e elle inclinou para mim os ouvidos.
2 No dia da minha angustia busquei ao Senhor: a minha mão se estendeu de noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada.
3 Lembrava-me de Deus, e me perturbei: queixava-me, e o meu espirito desfallecia (Selah).
4 Sustentaste os meus olhos acordados: estou tão perturbado que não posso fallar.
5 Considerava [1] os dias da antiguidade, os annos dos tempos antigos.
6 De noite chamei á lembrança o meu cantico: meditei em meu coração, e o meu espirito esquadrinhou.
7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favoravel?
8 Cessou para sempre a sua benignidade? acabou-se já a promessa de geração em geração?
9 Esqueceu-se Deus de ter misericordia? ou encerrou elle as suas misericordias na sua ira? (Selah).
10 E eu disse: A minha enfermidade é esta: mas eu me lembrei dos annos da dextra do Altissimo.
11 Eu me lembrarei das obras do Senhor: certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.
12 Meditarei tambem em todas as tuas obras, e fallarei dos teus feitos.
13 O teu caminho, ó Deus, está no sanctuario. [2] Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?
14 Tu és o Deus que fazes maravilhas: tu fizeste notoria a tua força entre os povos.
15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacob e de José (Selah).
16 As aguas te viram, ó Deus, as aguas te viram, e tremeram; os abysmos tambem se abalaram.
17 As nuvens lançaram agua, os céus deram um som; as tuas frechas correram d’uma para outra parte.
18 A voz do teu trovão estava no céu; os relampagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu.
19 O teu caminho é no mar, e as tuas veredas nas grandes aguas, e os teus passos não são conhecidos.
20 Guiaste o [3] teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moysés e d’Aarão.
A salvação que Deus concedeu a Israel; a rebellião contra Elle; Deus escolheu Judah e David para pastorear Israel.
Maschil de Asaph.
78 Escutae a minha lei, [1] povo meu: inclinae os vossos ouvidos ás palavras da minha bocca.
2 Abrirei a minha bocca n’uma parabola; fallarei enigmas da antiguidade.
3 As quaes temos ouvido e sabido, e nossos paes nol-as teem contado.
4 Não as encobriremos [2] aos seus filhos, mostrando á geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.
5 Porque elle estabeleceu um testemunho em Jacob, e poz uma lei em Israel, [3] a qual deu aos nossos paes para que a fizessem conhecer a seus filhos.
6 Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quaes se levantassem e a contassem a seus filhos.
7 Para que pozessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.
8 E não fossem como seus paes, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espirito não foi fiel com Deus.
9 Os filhos de Ephraim, armados e trazendo arcos, viraram costas no dia da peleja.
10 Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei.
11 E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 Maravilhas [4] que elle fez á vista de seus paes na terra do Egypto, no campo de Zoan.
13 Dividiu o mar, e os fez passar por elle; fez com que as aguas parassem como n’um montão.
14 De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.
15 Fendeu as penhas no deserto; e deu-lhes de beber como de grandes abysmos.
16 Fez sair fontes da rocha, e fez correr as aguas como rios.
17 E ainda proseguiram em peccar contra elle, [5] provocando ao Altissimo na solidão.
18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu appetite.
19 E fallaram [6] contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto?
20 Eis que [7] feriu a penha, e aguas correram d’ella; rebentaram ribeiros em abundancia: poderá tambem dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?
21 Pelo que o Senhor [8] os ouviu, e se indignou: e accendeu um fogo contra Jacob, e furor tambem subiu contra Israel;
22 Porquanto não creram [9] em Deus, nem confiaram na sua salvação:
23 Ainda que mandara ás altas nuvens, [10] e abriu as portas dos céus,
24 E chovera [11] sobre elles o manná para comerem, e lhes dera do trigo do céu.
25 O homem comeu o pão dos [QC] anjos; elle lhes mandou comida a fartar.
26 Fez ventar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força.
27 E choveu sobre elles carne como pó, e aves d’azas como a areia do mar.
28 E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.
29 Então comeram [12] e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.
30 Não refreiaram o seu appetite. Ainda [13] lhes estava a comida na bocca,
31 Quando a ira de Deus desceu sobre elles, e matou os mais gordos d’elles, e feriu os escolhidos d’Israel.
32 Com tudo isto ainda peccaram, e não deram credito ás suas maravilhas.
33 Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus annos na angustia.
34 Quando os [14] matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus.
35 E se lembravam de que Deus era a sua rocha, [15] e o Deus Altissimo o seu Redemptor.
36 Todavia lisongeavam-n’o com a bocca, e com a lingua lhe mentiam.
37 Porque o seu coração não era recto para com elle, nem foram fieis no seu concerto.
38 Porém elle, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade: e não os destruiu, antes muitas vezes desviou d’elles o seu furor, e não despertou toda a sua ira.
39 Porque se lembrou de que eram de carne, vento que vae e não torna.
40 Quantas vezes o provocaram no deserto, e o molestaram na solidão!
41 Voltaram atraz, [16] e tentaram a Deus; e limitaram o Sancto d’Israel.
42 Não se lembraram da sua mão, nem do dia em que os livrou do adversario;
43 Como obrou os seus signaes no Egypto, e as suas maravilhas no campo de Zoan;
44 E converteu [17] os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não podessem beber.
45 Enviou [18] entre elles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruiram.
46 Deu tambem ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.
47 Destruiu [19] as suas vinhas com saraiva, e os seus sycomoros com pedrisco.
48 Tambem entregou o seu gado á saraiva, e os seus rebanhos ás brazas ardentes.
49 Lançou sobre elles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angustia, mandando maus anjos contra elles.
50 Preparou caminho á sua ira; não retirou as suas almas da morte, mas entregou á pestilencia as suas vidas.
51 E feriu a todo o primogenito no Egypto, primicias da sua força nas tendas de Cão.
52 Mas fez com que o seu povo saisse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho.
53 E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.
54 E o trouxe até ao termo [20] do seu sanctuario, até este monte que a sua dextra adquiriu.
55 E expulsou as nações de diante d’elles, e as partiu em herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribus d’Israel.
56 Comtudo tentaram [21] e provocaram o Deus altissimo, e não guardaram os seus testemunhos.
57 Mas retiraram-se para traz, e portaram-se infielmente como seus paes: viraram-se como um arco enganoso.
58 Pois o provocaram á ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de esculptura.
59 Deus ouviu isto e se indignou; e aborreceu a Israel em grande maneira.
60 Pelo que desamparou [22] o tabernaculo em Silo, a tenda que estabeleceu entre os homens.
61 E deu [23] a sua força ao captiveiro; e a sua gloria á mão do inimigo.
62 E entregou [24] o seu povo á espada; e se enfureceu contra a sua herança.
63 O fogo consumiu os seus mancebos, e as suas donzellas não foram dadas em casamento.
64 Os seus sacerdotes cairam á espada, e as suas viuvas não fizeram lamentação.
65 Então o Senhor despertou, [25] como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.
66 E feriu os seus adversarios por detraz, e pôl-os em perpetuo desprezo.
67 Além d’isto, recusou o tabernaculo de José, e não elegeu a tribu d’Ephraim.
68 Antes elegeu a tribu de Judah; o monte de Sião, que elle amava.
69 E edificou o seu sanctuario como altos palacios, como a terra que fundou para sempre.
70 Tambem elegeu a David seu servo, [26] e o tirou dos apriscos das ovelhas:
71 E o tirou do cuidado das que se achavam prenhes; para apascentar a Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança.
72 Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela [QD] industria de suas mãos.
A assolação de Jerusalem e a supplica de soccorro.
Psalmo de Asaph.
79 Ó Deus, [QE] os gentios vieram á tua [1] herança; contaminaram o teu sancto templo; reduziram Jerusalem a montões de pedras.
2 Deram os corpos mortos dos teus servos por comida ás aves dos céus, e a carne dos teus sanctos ás bestas da terra.
3 Derramaram o sangue d’elles como agua ao redor de Jerusalem, e não houve quem os enterrasse.
4 Somos feitos opprobrio para nossos visinhos, escarneo e zombaria para os que estão á roda de nós.
5 Até quando, Senhor? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?
6 Derrama o teu furor sobre os gentios que te não conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome.
7 Porque devoraram a Jacob, e assolaram as suas moradas.
8 Não te lembres [2] das nossas iniquidades passadas: previnam-nos depressa as tuas misericordias, pois já estamos muito abatidos.
9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela gloria do teu nome: e livra-nos, e espia os nossos peccados por amor do teu nome.
10 Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja elle conhecido entre os gentios, a nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado.
11 Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aquelles que estão sentenciados á morte.
12 E torna aos nossos visinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injuria com a qual te injuriaram, Senhor.
13 Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente: de geração em geração cantaremos os teus louvores.
O propheta supplica a Deus que livre a sua vinha dos que a destroem.
Para o cantor-mór. Sobre Sosanim Eduth. Psalmo de Asaph.
80 Tu, que és pastor d’Israel, dá ouvidos: tu, que guias a José como a um rebanho: tu, que te assentas entre os [1] cherubins, resplandece.
2 Perante Ephraim, Benjamin e Manasseh, desperta o teu poder, e vem salvar-nos.
3 Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.
4 Ó Senhor Deus dos Exercitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo?
6 Tu nos pões em contendas com os nossos visinhos: e os nossos inimigos zombam de nós entre si.
7 Faze-nos voltar, [3] ó Deus dos Exercitos, e faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.
8 Trouxeste uma vinha do Egypto: lançaste fóra as nações, e a plantaste.
9 Preparaste-lhe logar, e fizeste com que ella deitasse raizes; e encheu a terra.
10 Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram como os formosos cedros.
11 Ella estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio.
12 Porque quebraste então os seus vallados, de modo que todos os que passam por ella a vindimam?
13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.
14 Oh Deus dos Exercitos, volta-te, nós te rogamos, attende dos céus, e vê, e visita esta vide;
15 E a videira que a tua dextra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.
16 Está queimada pelo fogo, está cortada: pereceu pela reprehensão da tua face.
17 Seja a tua mão sobre o varão da tua dextra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti.
18 Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e invocaremos o teu nome.
19 Faze-nos voltar, Senhor Deus dos Exercitos: faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.
Deus reprehende a Israel pela sua ingratidão e rebellião.
Psalmo de Asaph para o cantor-mór, sobre Gittith.
81 Exultae a Deus, nossa fortaleza: jubilae ao Deus de Jacob.
2 Tomae o psalterio, e trazei o adufe, a harpa suave e o alaude.
3 Tocae a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solemnidade.
4 Porque isto era um estatuto para Israel, e uma ordenança do Deus de Jacob.
5 Ordenou-o em José por testemunho, quando saira pela terra do Egypto, onde ouvi uma lingua que não entendia.
6 Tirei de seus hombros a carga; as suas mãos foram livres [QG] das marmitas.
7 Clamaste na angustia, e te livrei; respondi-te no logar occulto dos trovões; [1] provei-te nas aguas de Meribah (Selah).
8 Ouve-me, povo meu, e eu te attestarei: ah, Israel, se me ouvisses!
9 Não haverá entre ti Deus alheio nem te prostrarás ante um Deus estranho.
10 Eu [2] sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egypto: abre bem a tua bocca, e t’a encherei.
11 Mas o meu povo não quiz ouvir a minha voz, e Israel não me quiz.
12 Pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus proprios corações, e andaram nos seus mesmos conselhos.
13 Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos!
14 Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversarios.
15 Os que aborrecem ao Senhor ter-se-lhe-hiam sujeitado, e o seu tempo seria eterno.
16 E o sustentaria com o trigo mais fino, e te fartaria com o mel saido da [QH] pedra.
O propheta reprehende os juizes por causa da sua injustiça.
Psalmo de Asaph.
82 Deus está [1] na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.
2 Até quando julgareis injustamente, e acceitareis as pessoas dos impios? (Selah).
3 Fazei justiça ao pobre e ao orphão: justificae o afflicto e necessitado.
4 Livrae o pobre e o necessitado; tirae-os das mãos dos impios.
5 Elles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacillam.
6 Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altissimo.
7 Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos principes.
8 Levanta-te, [2] ó Deus, julga a terra, pois tu possues todas as nações.
As nações congregam-se contra Israel, e o propheta supplica a Deus que o livre.
Cantico e psalmo de Asaph.
83 Ó Deus, não estejas em silencio; não te cales, nem te aquietes, ó Deus.
2 Porque eis que teus inimigos fazem tumulto, e os que te aborrecem levantaram a cabeça.
3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo, e consultavam contra os teus escondidos.
4 Disseram: Vinde, e desarreiguemol-os para que não sejam nação, nem haja mais memoria do nome de Israel.
5 Porque consultaram juntos e unanimes; elles se alliam contra ti:
6 As tendas de Edom, e dos ismaelitas, de Moab, e dos agarenos,
7 De Gebal, e de Ammon, e de Amalek, de Palestina, com os moradores de Tyro.
8 Tambem Assyria se ajuntou com elles: foram ajudar aos filhos de Lot (Selah).
9 Faze-lhes como aos madianitas; como a Sisera, como a Jabin na ribeira de Kison.
10 Os quaes pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra.
11 Faze aos seus nobres como [1] a Oreb, e como a Zeeb e a todos os seus principes, como a Zebah e como a Zalmuna;
12 Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão.
13 Deus meu, [2] faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento.
14 Como o fogo que queima um bosque, e como a chamma que incendeia as [QI] brenhas,
15 Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombra com o teu torvelinho.
16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, Senhor.
17 Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam.
18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de [QJ] Jehovah, és o Altissimo sobre toda a terra.
A felicidade d’aquelle que habita no sanctuario de Deus.
Para o cantor-mór sobre Gittith. Psalmo para os filhos de Korah.
84 Quão amaveis são os teus tabernaculos, Senhor dos Exercitos.
2 A minha alma está desejosa, e desfallece pelos atrios do Senhor: o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos exercitos, Rei meu e Deus meu.
4 Bemaventurados os que habitam em tua casa: louvar-te-hão continuamente. (Selah)
5 Bemaventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.
6 Que, passando pelo valle das [QK] amoreiras, faz d’elle uma fonte; a chuva tambem enche os tanques.
7 Vão indo de força em força; cada um d’elles em Sião apparece perante Deus.
8 Senhor Deus dos Exercitos, escuta a minha oração: inclina os ouvidos, ó Deus de Jacob! (Selah)
9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10 Porque vale mais um dia nos teus atrios do que mil. Preferiria estar á porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos impios.
11 Porque o Senhor Deus é um sol e escudo: o Senhor dará graça e gloria; não retirará bem algum aos que andam na rectidão.
12 Senhor dos Exercitos, bemaventurado o homem que em ti põe a sua confiança.
Fundando-se nos livramentos passados, o povo de Deus pede o livramento das afflicções presentes.
Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
85 Abençoaste, Senhor, a tua terra: fizeste voltar o captiveiro de Jacob.
2 Perdoaste a iniquidade do teu povo: cobriste todos os seus peccados. (Selah)
3 Fizeste cessar toda a tua indignação: desviaste-te do ardor da tua ira.
4 Torna-nos a trazer, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira de sobre nós.
5 Acaso estarás sempre irado contra nós? ou estenderás a tua ira a todas as gerações?
6 Não tornarás a reviver-nos, para que o teu povo se alegre em ti?
7 Mostra-nos, Senhor, a tua misericordia, e concede-nos a tua salvação.
8 Escutarei [1] o que Deus, o Senhor, fallar; porque fallará de paz ao seu povo, e aos sanctos para que não voltem á loucura.
9 Certamente que a salvação está perto d’aquelles que o temem, para que a gloria habite na nossa terra.
10 A misericordia [2] e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram.
11 A verdade [3] brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.
12 Tambem o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fructo.
13 A justiça irá adiante d’elle, e a porá no caminho das suas pisadas.
David implora ardentemente o soccorro de Deus.
Oração de David.
86 Inclina, Senhor, os teus ouvidos, e ouve-me, porque estou necessitado e afflicto.
2 Guarda a minha alma, pois sou sancto; oh Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia.
3 Tem misericordia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia.
4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma.
5 Pois tu, Senhor, és bom, e prompto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.
6 Dá ouvidos, Senhor, á minha oração, e attende á voz das minhas supplicas.
7 No dia da minha angustia clamo a ti, porquanto me respondes.
8 Entre os deuses não ha similhante a ti, Senhor, nem ha obras como as tuas.
9 Todas [1] as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome.
10 Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus.
11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade: une o meu coração ao temor do teu nome.
12 Louvar-te-hei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre.
13 Pois grande é a tua misericordia para comigo; e livraste a minha alma da sepultura mais profunda.
14 Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléas dos tyrannos procuraram a minha alma; e não te pozeram perante os seus olhos.
15 Porém tu, [2] Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, soffredor, e grande em benignidade e em verdade.
16 Volta-te para mim, e tem misericordia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva.
17 Mostra-me um signal para bem, para que o vejam aquelles que me aborrecem, e se confundam; porque tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.
Deus tem o maior prazer em Sião.
Psalmo e canto para os filhos de Korah.
87 O seu fundamento está nos montes sanctos.
2 O Senhor ama as portas de Sião, mais do que todas as habitações de Jacob.
3 Coisas [1] gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Selah)
4 Farei menção de Rahab e de Babylonia áquelles que me conhecem: eis-que da Philisteia, e de Tyro, e [QL] da Ethiopia, se dirá: Este homem nasceu ali.
5 E de Sião se dirá: Este e aquelle nasceu ali; e o mesmo Altissimo a estabelecerá.
6 O Senhor contará na descripção dos povos que este homem nasceu ali. (Selah)
7 Assim como os cantores e tocadores de instrumentos estarão lá, todas as minhas fontes estão dentro de ti.
O psalmista queixa-se das suas grandes desgraças, e supplica a Deus que o livre.
Cantico e psalmo para os filhos de Korah e para o cantor-mór sobre Mahalat Leannoth, instrucção de Heman Ezrahita.
88 Senhor Deus da minha salvação, [1] diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
2 Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
3 Porque a minha alma está cheia de angustias, e a minha vida se approxima da sepultura.
4 Estou contado com aquelles que descem ao abysmo: estou como homem sem forças,
5 Apartado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quaes te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.
6 Pozeste-me no abysmo mais profundo, em trevas e nas profundezas.
7 Sobre mim peza o teu furor: tu me affligiste com todas as tuas ondas (Selah).
8 Alongaste de mim os meus conhecidos, pozeste-me em extrema abominação para com elles: estou fechado, e não posso sair.
9 A minha vista desmaia por causa da afflicção: Senhor, tenho clamado a ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos.
10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selah)
11 Será annunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição?
12 Saber-se-hão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento?
13 Eu, porém, Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração.
14 Senhor, porque rejeitas a minha alma? porque escondes de mim a tua face?
15 Estou afflicto, e prestes tenho estado a morrer desde a minha mocidade: emquanto soffro os teus terrores, estou distrahido.
16 A tua ardente indignação sobre mim vae passando: os teus terrores me teem retalhado.
17 Elles me rodeiam todo o dia como agua; elles juntos me sitiam.
18 Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, e os meus conhecidos estão em trevas.
Traz-se á memoria o pacto de Deus com David, a fim de que Deus livre o seu povo dos males presentes.
Maschil de Ethan, o ezrahita.
89 As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente: com a minha bocca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração.
2 Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre: tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo:
3 Fiz [1] um concerto com o meu escolhido: jurei ao meu servo David, dizendo:
4 A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu throno de geração em geração (Selah).
5 E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade tambem na congregação dos sanctos.
6 Pois quem no céu se pode egualar ao Senhor? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser similhante ao Senhor?
7 Deus é muito formidavel na assembléa dos sanctos, e para ser reverenciado por todos os que o cercam.
8 Ó Senhor, Deus dos Exercitos, quem é forte como tu, Senhor? pois a tua fidelidade está á roda de ti?
9 Tu dominas o impeto do mar: quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.
10 Tu quebrantaste a Rahab como se fôra ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.
11 Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.
12 O norte e o sul tu os creaste; Tabor e Hermon jubilam em teu nome.
13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua dextra.
14 Justiça e juizo são o assento do teu throno, misericordia e verdade irão adiante do teu rosto.
15 Bemaventurado o povo que conhece o som alegre: andará, ó Senhor, na luz da tua face.
16 Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.
17 Pois tu és a gloria da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso [QM] poder.
18 Porque o Senhor é a nossa defeza, e o Sancto d’Israel o nosso Rei.
19 Então fallaste em visão ao teu sancto, e disseste: Puz o soccorro sobre um que é poderoso: exaltei a um eleito do povo.
20 Achei a David, meu servo; com sancto oleo o ungi:
21 Com o qual a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo não [QN] apertará com elle, nem o filho da perversidade o affligirá.
23 E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei aos que o aborrecem.
24 E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com elle; e em meu nome será exaltado o seu poder.
25 Porei tambem a sua mão no mar, e a sua direita nos rios.
26 Elle me chamará, dizendo: Tu és meu pae, meu Deus, e a rocha da minha salvação.
27 Tambem o farei meu primogenito, mais elevado do que os reis da terra.
28 A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e o meu concerto lhe será firme.
29 E conservarei para sempre a sua semente, e o seu throno como os dias do céu.
30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juizos,
31 Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,
32 Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com açoites.
33 Porém não retirarei totalmente d’elle a minha benignidade, nem faltarei á minha fidelidade.
34 Não quebrarei o meu concerto, não alterarei o que saiu dos meus labios.
35 Uma vez jurei pela minha sanctidade que não mentirei a David.
36 A sua semente durará para sempre, e o seu throno, como o sol diante de mim,
37 Será estabelecido para sempre como a lua, e como uma testemunha fiel no céu (Selah).
38 Porém tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido.
39 Abominaste o concerto do teu servo: profanaste a sua corôa, lançando-a por terra.
40 Derribaste todos os seus vallados; arruinaste as suas fortificações.
41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; é um opprobrio para os seus visinhos.
42 Exaltaste a dextra dos seus adversarios; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem.
43 Tambem embotaste os fios da sua espada, e não o sustentaste na peleja.
44 Fizeste cessar [QO] a sua gloria, e deitaste por terra o seu throno.
45 Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha (Selah).
46 Até quando, Senhor? Acaso te esconderás para sempre? arderá a tua ira como fogo?
47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; pelo que debalde creaste todos os filhos dos homens.
48 Que homem ha, que viva, e não veja a morte? Livrará elle a sua alma do poder [QP] da sepultura? (Selah)
49 Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a David pela tua verdade?
50 Lembra-te, Senhor, do opprobrio dos teus servos; como eu trago no meu peito o opprobrio de todos os povos poderosos:
51 Com o qual, Senhor, os teus inimigos teem diffamado, com o qual teem diffamado as pisadas do teu ungido.
52 Bemdito seja o Senhor para sempre. Amen, e Amen.
A fraqueza do homem e a providencia de Deus.
Oração de Moysés, varão de Deus.
90 Senhor, tu tens sido [QQ] o nosso refugio, de geração em geração.
2 Antes [1] que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu és Deus.
3 Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: [2] Tornae-vos, filhos dos homens.
4 Porque mil annos são aos teus olhos como o dia de hontem quando passou, e como a vigilia da noite.
5 Tu os levas como com uma corrente d’agua: são como um somno: de manhã são como a herva que cresce.
6 De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.
8 Diante de ti pozeste as [3] nossas iniquidades: os nossos peccados occultos á luz do teu rosto.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos annos como um conto que se conta.
10 Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d’elles é canceira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.
11 Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, assim é o teu furor.
12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sabios.
13 Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus servos.
14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias em que nos affligiste, e pelos annos em que vimos o mal.
16 Appareça [4] a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus filhos.
17 E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós [5] a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.
A segurança d’aquelle que se acolhe em Deus.
91 Aquelle que habita no esconderijo do Altissimo, á sombra do Omnipotente descançará.
2 Direi do Senhor: Elle é o meu Deus, o meu refugio, a minha fortaleza, e n’elle confiarei.
3 Porque elle te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
4 Elle te cobrirá com as suas pennas, e debaixo das suas azas te confiarás: a sua verdade será o teu escudo e rodella.
5 Não terás medo do terror de noite nem da setta que vôa de dia,
6 Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
7 Mil cairão ao teu lado, e dez mil á tua direita, mas não chegará a ti.
8 Sómente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos impios.
9 Porque tu, ó Senhor, és o meu refugio: no Altissimo fizeste a tua habitação.
10 Nenhum mal te succederá, nem praga alguma chegará á tua tenda.
11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito para te guardarem em todos os teus caminhos.
12 Elles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
13 Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e [QR] o dragão.
14 Porquanto tão encarecidamente me amou, tambem eu o livrarei; pôl-o-hei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
15 Elle me invocará, e eu lhe responderei; estarei com elle na angustia; d’ella o retirarei, e o glorificarei.
16 Fartal-o-hei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.
O psalmista louva a Deus por amor da sua obra, justiça e graça.
Psalmo e cantico para o sabbado.
92 Bom é louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altissimo:
2 Para de manhã annunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade:
3 Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o psalterio: sobre a harpa com som solemne.
4 Pois tu, Senhor, me alegraste pelos teus feitos: exultarei nas obras das tuas mãos.
5 Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! mui profundos são os teus pensamentos.
6 O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto.
7 Quando o impio crescer como a herva, e quando florescerem todos os que obram a iniquidade, é que serão destruidos perpetuamente.
8 Mas tu, Senhor, és o Altissimo para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que obram a iniquidade,
10 Porém tu exaltarás o meu [QS] poder, como o do unicornio: serei ungido com oleo fresco.
11 Os meus olhos verão o meu desejo sobre os meus inimigos, e os meus ouvidos ouvirão o meu desejo ácerca dos malfeitores que se levantam contra mim.
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Libano.
13 Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos atrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão fructos: serão viçosos e florescentes;
15 Para annunciar que o Senhor é recto: elle é a minha rocha, e n’elle não ha injustiça.
O poder e magestade do reino de Deus.
93 O Senhor reina; está vestido de magestade: o Senhor está vestido; cingiu-se de fortaleza: o mundo tambem está firmado, e não poderá vacillar.
2 O teu throno está firme desde então: tu és desde a eternidade.
3 Os rios levantam, ó Deus, os rios levantam o seu ruido, os rios levantam as suas ondas.
4 Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso do que o ruido das grandes aguas e do que as grandes ondas do mar.
5 Mui fieis são os teus testemunhos: a sanctidade convem á tua casa, Senhor, para sempre.
Appellação á justiça de Deus contra os malfeitores.
94 Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, [1] ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente.
2 Exalta-te, tu, que és juiz da terra: dá a paga aos soberbos.
3 Até quando os impios, Senhor, até quando os impios [QT] saltarão de prazer?
4 Até quando proferirão, e fallarão coisas duras, e se gloriarão todos os que obram a iniquidade?
5 Reduzem a pedaços o teu povo, e affligem a tua herança.
6 Matam a viuva e o estrangeiro, e ao orphão tiram a vida.
7 Comtudo dizem: O Senhor não o verá; nem para isso attenderá o Deus de Jacob.
8 Attendei, ó brutaes d’entre o povo; e vós, loucos, quando sereis sabios?
9 Aquelle que fez o ouvido não ouvirá? e o que formou o olho não verá?
10 Aquelle que argúe as gentes não castigará? e o que ensina ao homem o conhecimento não saberá?
11 O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.
12 Bemaventurado é o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei;
13 Para lhe dares descanço dos dias maus, até que se abra a cova para o impio.
14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.
15 Mas o juizo voltará á rectidão, e seguil-o-hão todos os rectos do coração.
16 Quem será por mim contra os malfeitores? quem se porá por mim contra os que obram a iniquidade?
17 Se o Senhor não tivera ido em meu auxilio, a minha alma quasi que teria ficado no silencio.
18 Quando eu disse: O meu pé vacilla; a tua benignidade, Senhor, me susteve.
19 Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações recrearam a minha alma.
20 Porventura [2] o throno d’iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei?
21 Elles se ajuntam contra a alma do justo, e condemnam o sangue innocente.
22 Mas o Senhor é a minha defeza; e o meu Deus é a rocha do meu refugio.
23 E trará sobre elles a sua propria iniquidade; e os destruirá na sua propria malicia: o Senhor nosso Deus os destruirá.
O psalmista convida a louvar o Senhor e celebral-o de viva voz.
95 Vinde, cantemos ao Senhor: jubilemos á rocha da nossa salvação.
2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremol-o com psalmos.
3 Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses.
4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas.
5 Seu é o mar, e elle o fez, e as suas mãos formaram a terra secca.
6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos: [1] ajoelhemos diante do Senhor que nos creou.
7 Porque elle é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz,
8 Não endureçaes [2] os vossos corações, assim como [QU] na provocação e como no dia [QV] da tentação no deserto;
9 Quando vossos paes me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.
10 Quarenta annos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra do coração, e não tem conhecido os meus caminhos.
11 A quem jurei [3] na minha ira que não entrarão no meu repouso.
Convite a toda a terra para louvar e temer o Senhor.
96 Cantae ao Senhor um cantico novo, cantae ao Senhor toda a terra.
2 Cantae ao Senhor, bemdizei o seu nome; annunciae a sua salvação de dia em dia.
3 Annunciae entre as nações a sua gloria; entre todos os povos as suas maravilhas.
4 Porque grande é o Senhor, e digno de louvor, mais tremendo do que todos os deuses.
5 Porque [1] todos os deuses dos povos são idolos, mas o Senhor fez os céus.
6 Gloria e magestade estão ante a sua face, força e formosura no seu sanctuario.
7 Dae ao Senhor, ó familias dos povos, dae ao Senhor gloria e força.
8 Dae ao Senhor a gloria devida ao seu nome: trazei offerenda, e entrae nos seus atrios.
9 Adorae ao Senhor na belleza da sanctidade: tremei diante d’elle toda a terra.
10 Dizei entre as nações que o Senhor reina: o mundo tambem se firmará para que se não abale: julgará os povos com rectidão.
11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra: brama o mar e a sua plenitude.
12 Alegre-se o campo com tudo o que ha n’elle: então se regozijarão todas as arvores do bosque,
13 Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra: [2] julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade.
A magestade do reino de Deus: o castigo dos impios: exhortação á piedade e ao regozijo.
97 O Senhor reina; regozije-se a terra: [1] alegrem-se as muitas ilhas.
2 Nuvens [2] e obscuridade estão ao redor d’elle: justiça e juizo são a base do seu throno.
3 Um fogo vae adiante d’elle, [3] e abraza os seus inimigos em redor.
4 Os seus relampagos alumiam o mundo; a terra viu e tremeu.
5 Os montes [4] se derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.
6 Os céus annunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua gloria.
7 Confundidos sejam todos os que servem imagens de esculptura, que se gloriam de idolos: prostrae-vos diante d’elle, todos os deuses.
8 Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judah se alegraram por causa da tua justiça, ó Senhor.
9 Pois tu, Senhor, és o mais alto sobre toda a terra; tu és muito mais exaltado [5] do que todos os deuses.
10 Vós, que amaes ao Senhor, aborrecei o mal: elle guarda as almas dos seus sanctos, elle os livra das mãos dos impios.
11 A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os rectos de coração.
12 Alegrae-vos, ó justos, no Senhor, e dae louvores á memoria da sua sanctidade.
Convite a louvar o Senhor por amor de sua salvação.
Psalmo.
98 Cantae ao Senhor um cantico novo, porque fez maravilhas; a sua dextra e o seu braço sancto lhe alcançaram a salvação.
2 O Senhor fez [1] notoria a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.
3 Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa d’Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.
4 Exultae no Senhor, toda a terra; exclamae e alegrae-vos de prazer, e cantae louvores.
5 Cantae louvores ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz do canto.
6 Com trombetas e som de cornetas, exultae perante a face do Senhor, o Rei.
7 Brama o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que n’elle habitam.
8 Os rios [2] batam as palmas: regozijem-se tambem as montanhas,
9 Perante a face do Senhor, porque vem a julgar a terra: com justiça julgará o mundo, e o povo com equidade.
A grandeza do reino de Deus.
99 O Senhor reina; tremam as nações: [1] está assentado entre os cherubins; commova-se a terra.
2 O Senhor é grande em Sião, e mais alto do que todas as nações.
3 Louvem o teu nome, grande e tremendo, pois é sancto.
4 Tambem o poder do Rei ama o juizo: tu firmas a equidade, fazes juizo e justiça em Jacob.
5 Exaltae ao Senhor nosso Deus, e prostrae-vos diante do escabello de seus pés, pois é sancto.
6 Moysés [2] e Aarão, entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocam o seu nome, clamavam [3] ao Senhor, e Elle os ouvia.
7 Na columna de nuvem lhes fallava: elles guardavam os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera.
8 Tu os escutaste, Senhor nosso Deus: tu foste um Deus que lhes perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos.
9 Exaltae ao Senhor nosso Deus e adorae-o no seu monte sancto, pois o Senhor nosso Deus é sancto.
Exhortação a toda a creatura a celebrar ao Senhor.
Psalmo de louvor.
100 Celebrae com jubilo ao Senhor, todas as terras.
2 Servi ao Senhor com alegria; e entrae diante d’elle com canto.
3 Sabei que o Senhor é Deus: foi elle que nos fez, e não nós outros a nós; somos povo seu e ovelhas do seu pasto.
4 Entrae pelas portas d’elle com louvor, e em seus atrios com hymno: louvae-o, e bemdizei o seu nome.
5 Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericordia; e a sua verdade dura de geração em geração.
David promette a Deus andar perante elle com sinceridade e oppor-se aos impios.
Psalmo de David.
101 Cantarei a misericordia e o juizo: a ti, Senhor, cantarei.
2 Portar-me-hei [1] com intelligencia no caminho recto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero.
3 Não porei coisa má diante dos meus olhos: aborreço a obra d’aquelles que se desviam; não se me pegará a mim.
4 Um coração perverso se apartará de [2] mim: não conhecerei o homem mau.
5 Aquelle que murmura do seu proximo ás escondidas, eu o destruirei: aquelle que tem olhar altivo, e coração soberbo, não soffrerei.
6 Os meus olhos estarão sobre os fieis da terra, para que se assentem comigo: o que anda n’um caminho recto esse me servirá.
7 O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que falla mentiras não está firme perante os meus olhos.
8 Pela manhã destruirei todos os impios da terra, para desarreigar da cidade do Senhor todos os que obram a iniquidade.
Na sua grande afflicção, o psalmista recorre a Deus para que restabeleça o seu povo e o reconduza á sua terra.
Oração do afflicto, vendo-se desfallecido, e derramando a sua queixa perante a face do Senhor.
102 Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.
2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angustia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.
3 Porque os meus dias se consomem como o fumo, e os meus ossos ardem como um lar.
4 O meu coração está ferido e secco como a herva, pelo que me esqueço de comer o meu pão.
5 Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam á minha pelle.
6 Sou similhante ao pelicano [1] no deserto: sou como um mocho nas solidões.
7 Vigio, sou como o pardal solitario no telhado.
8 Os meus inimigos me affrontam todo o dia: os que se enfurecem contra mim teem jurado.
9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lagrimas a minha bebida.
10 Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremeçaste.
11 Os meus dias são como a sombra que declina, e como a herva me vou seccando.
12 Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre, e a tua memoria de geração em geração.
13 Tu te levantarás [2] e terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres d’ella, o tempo determinado, já chegou.
14 Porque os teus servos teem prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó.
15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua gloria.
16 Quando o Senhor edificar a Sião, apparecerá na sua gloria.
17 Elle attenderá á oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.
18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se crear louvará ao Senhor.
19 Pois [3] olhou desde o alto do seu sanctuario, desde os céus o Senhor contemplou a terra.
20 Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados á morte;
21 Para annunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor em Jerusalem;
22 Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor.
23 Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.
24 Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus annos são por todas as gerações.
25 Desde a antiguidade [4] fundaste a terra: e os céus são obra das tuas mãos.
26 Elles perecerão, [5] mas tu permanecerás: todos elles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.
27 Porém tu és [6] o mesmo, e os teus annos nunca terão fim.
28 Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.
Convite a louvar a Deus por amor de sua graça.
Psalmo de David.
103 Bemdize, ó alma minha ao Senhor, e tudo o que ha em mim, bemdiga o seu sancto nome.
2 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus beneficios.
3 O que perdôa [1] todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades,
5 Que farta a tua bocca de bens, de sorte que a tua mocidade se renove como a da aguia.
6 O Senhor faz justiça e juizo a todos os opprimidos.
7 Fez conhecidos os seus caminhos a Moysés, e os seus feitos aos filhos d’Israel.
8 Misericordioso e [3] piedoso é o Senhor; longanimo e grande em benignidade.
9 Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira.
10 Não nos tratou segundo os nossos peccados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.
11 Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericordia para com os que o temem.
12 Assim como está longe o oriente do occidente, assim affasta de nós as nossas transgressões.
13 Assim como [4] um pae se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece d’aquelles que o temem.
14 Pois elle conhece a nossa estructura, [5] lembra-se de que somos pó.
15 Emquanto ao homem, os seus dias são como a herva, como a flor do campo assim floresce.
16 Passando por ella o vento, logo se vae, e o seu logar não será mais conhecido.
17 Mas a misericordia do Senhor é desde a eternidade e até á eternidade sobre aquelles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;
18 Sobre aquelles que guardam o seu concerto, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprirem.
19 O Senhor tem estabelecido o seu throno nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.
20 Bemdizei ao Senhor, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardaes os seus mandamentos, obedecendo á voz da sua palavra.
21 Bemdizei ao Senhor, todos os seus exercitos, vós, [6] ministros seus, que executaes o seu beneplacito.
22 Bemdizei ao Senhor, todas as suas obras, em todos os logares do seu dominio; bemdize, ó alma minha, ao Senhor.
A gloria de Deus é manifestada na creação e conservação de todas as coisas.
104 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor: Senhor Deus meu, tu és magnificentissimo, estás vestido de gloria e de magestade.
2 Elle se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina.
3 Põe nas aguas as vigas das suas camaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as azas do vento.
4 Faz [1] dos seus anjos espiritos, dos seus ministros um fogo abrazador.
5 Lançou os fundamentos da terra, para que não vacille em tempo algum.
6 Tu a cobres com o abysmo, como com um vestido: as aguas estavam sobre os montes.
7 Á tua reprehensão [2] fugiram: á voz do teu trovão se apressaram.
8 Sobem aos montes, descem aos valles, até ao logar que para ellas fundaste.
9 Termo lhes pozeste, que não ultra-passarão, para que não tornem mais a cobrir a terra.
10 Tu, que fazes sair as fontes nos valles, as quaes correm entre os montes.
11 Dão de beber a todo o animal do campo; os jumentos montezes matam a sua sêde.
12 Junto d’ellas as aves do céu terão a sua habitação, cantando entre os ramos.
13 Elle rega os montes desde as suas camaras: a terra se farta do fructo das suas obras.
14 Faz crescer a herva para as bestas, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,
15 E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.
16 As arvores do Senhor fartam-se de seiva, [3] os cedros do Libano que elle plantou,
17 Onde as aves se aninham: emquanto á cegonha, a sua casa é nas faias.
18 Os altos montes são um refugio para as cabras montezes, e as rochas para os coelhos.
19 Designou [4] a lua para as estações: o sol conhece o seu occaso.
20 Ordenas [5] a escuridão, e faz-se noite, na qual saem todos os animaes da selva.
21 Os leõesinhos bramam pela preza, e de Deus buscam o seu sustento.
22 Nasce o sol e logo se acolhem, e se deitam nos seus covis.
23 Então sae [6] o homem á sua obra e ao seu trabalho, até á tarde.
24 Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.
25 Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde ha reptis sem numero, animaes pequenos e grandes.
26 Ali andam os navios; e o leviathan que formaste para n’elle folgar.
27 Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo opportuno.
28 Dando-lh’o tu, elles o recolhem; abres a tua mão, e se enchem de bens.
29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados: se lhes tiras o folego, morrem, e voltam para o seu pó.
30 Envias o teu Espirito, e são creados, e assim renovas a face da terra.
31 A gloria do Senhor durará para sempre: o Senhor se alegrará nas suas obras.
32 Olhando [7] elle para a terra, ella treme; tocando nos montes, logo fumegam.
33 Cantarei ao Senhor emquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, emquanto eu tiver existencia.
34 A minha meditação ácerca d’elle será suave: eu me alegrarei no Senhor.
35 Desçam da terra os peccadores, e os impios não sejam mais. Bemdize, ó alma minha, ao Senhor. [QX] Louvae ao Senhor.
O psalmista louva a Deus por haver guardado o seu pacto com os patriarchas, por haver livrado Israel d’Egypto, e pelo haver conduzido pelo deserto até Canaan.
105 Louvae [1] ao Senhor, e invocae o seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos.
2 Cantae-lhe, cantae-lhe psalmos: fallae de todas as suas maravilhas.
3 Gloriae-vos no seu sancto nome: alegre-se o coração d’aquelles que buscam ao Senhor.
4 Buscae ao Senhor e a sua força: buscae a sua face continuamente.
5 Lembrae-vos das maravilhas que fez, dos seus prodigios e dos juizos da sua bocca;
6 Vós, semente d’Abrahão, seu servo, vós, filhos de Jacob, seus escolhidos.
7 Elle é o Senhor, nosso Deus; [2] os seus juizos estão em toda a terra.
8 Lembrou-se [3] do seu concerto para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações.
9 O qual [4] concerto fez com Abrahão, e o seu juramento a Isaac.
10 E confirmou o mesmo a Jacob por estatuto, e a Israel por concerto eterno,
11 Dizendo: [5] A ti darei a terra de Canaan, a sorte da vossa herança.
12 Quando eram poucos homens em numero, sim, mui poucos e estrangeiros n’ella.
13 Quando andavam de nação em nação e d’um reino para outro povo.
14 Não permittiu [6] a ninguem que os opprimisse, e por amor d’elles reprehendeu a reis, dizendo:
15 Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus prophetas.
16 Chamou [7] a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão.
17 Mandou [8] perante elles um varão, José, que foi vendido por escravo:
18 Cujos pés apertaram com grilhões: foi mettido em ferros:
19 Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou.
20 Mandou [9] o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou.
21 Fel-o [10] senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda;
22 Para sujeitar os seus principes a seu gosto, e instruir os seus anciãos.
23 Então Israel entrou no Egypto, e Jacob peregrinou na terra de Cão.
24 E augmentou [11] o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos.
25 Virou [12] o coração d’elles para que aborrecessem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos.
26 Enviou [13] Moysés, seu servo, e Aarão, a quem escolhera.
27 Mostraram entre elles os seus signaes e prodigios, na terra de Cão.
28 Mandou trevas, e a fez escurecer; e não foram rebeldes á sua palavra.
29 Converteu [14] as suas aguas em sangue, e matou os seus peixes.
30 A sua terra produziu [15] rãs em abundancia, até nas camaras dos seus reis.
31 Fallou elle, e vieram enxames de moscas e piolhos em todo o seu termo.
32 Converteu [16] as suas chuvas em saraiva, e fogo abrazador na sua terra.
33 Feriu as suas vinhas e os seus figueiraes, e quebrou as arvores dos seus termos.
34 Fallou elle, e vieram gafanhotos e pulgão sem numero.
35 E comeram toda a herva da sua terra, e devoraram o fructo dos seus campos.
36 Feriu [17] tambem a todos os primogenitos da sua terra, as primicias de todas as suas forças.
37 E tirou-os para fóra com prata e oiro, e entre as suas tribus não houve um só fraco.
38 O Egypto [18] se alegrou quando elles sairam, porque o seu temor caira sobre elles.
39 Estendeu [19] uma nuvem por coberta, e um fogo para alumiar de noite.
40 Oraram, [20] e elle fez vir codornizes, e os fartou de pão do céu.
41 Abriu a penha, e d’ella correram aguas; correram pelos logares seccos como um rio.
42 Porque [21] se lembrou da sua sancta palavra, e de Abrahão, seu servo.
43 E tirou d’ali o seu povo com alegria, e os seus escolhidos com regozijo.