APOCALYPSE DO APOSTOLO S. JOÃO.
João Ferreira d' Almeida translation
O titulo e assumpto do livro.
Anno Domini 96
1 Revelação de Jesus Christo, a qual Deus lhe deu, [1] para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo;
2 O qual testificou da palavra [2] de Deus, e do testemunho de Jesus Christo, e de tudo o que tem visto.
3 Bemaventurado [3] aquelle que lê, e os que ouvem as palavras d’esta prophecia, e guardam as coisas que n’ella estão escriptas; porque o tempo está proximo.
Dedicação ás sete egrejas da Asia.
4 João, ás sete egrejas que estão na Asia: [4] Graça e paz seja comvosco da parte d’aquelle que é, e que era, e que ha de vir, e da dos sete espiritos que estão diante do seu throno;
5 E da parte de Jesus Christo, [5] que é a fiel testemunha, o primogenito dos mortos e o principe dos reis da terra. Aquelle que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos peccados,
6 E nos fez [6] reis e sacerdotes para Deus e seu Pae: a elle gloria e poder para todo o sempre. Amen.
7 Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, [7] até os mesmos que o traspassaram, e todas as tribus da terra se lamentarão sobre elle. Sim. Amen.
8 Eu sou [8] o Alpha e o Omega, o principio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que ha de vir, o Todo-poderoso.
Jesus apparece a João na ilha de Patmos. Ordena-lhe que escreva o que viu e o participe ás sete egrejas da Asia.
9 Eu, João, que tambem sou vosso irmão, e companheiro na afflicção, e no reino, [9] e paciencia de Jesus Christo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Christo.
10 Eu fui arrebatado [10] em espirito no dia do Senhor, e ouvi detraz de mim uma grande voz, como de trombeta,
11 Que dizia: O que vês, escreve-o n’um livro, e envia-o ás sete egrejas que estão na Asia: a Epheso, e a Smyrna, e a Pergamo, e a Thyatira, e a Sardo, e a Philadelphia, e a Laodicéa.
12 E virei-me para vêr quem fallara comigo. E, virando-me, [11] vi sete castiçaes de oiro;
13 E no meio dos sete [12] castiçaes um similhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de um vestido comprido, e cingido pelos peitos com um cinto de oiro.
14 E a sua cabeça e [13] cabellos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chamma de fogo;
15 E os seus pés, [14] similhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados n’uma fornalha, e a sua voz como a voz de muitas aguas.
16 E tinha na sua [15] dextra sete estrellas; e da sua bocca sahia uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.
17 E eu, quando o vi, [16] cahi a seus pés como morto; e elle poz sobre mim a sua dextra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o derradeiro;
18 E o que vivo [17] e fui morto; e eis aqui vivo para todo o sempre. Amen: e tenho as chaves da morte e do [ANQ] inferno.
19 Escreve as coisas [18] que tens visto e as que são, e as que depois d’estas hão de acontecer:
20 O mysterio das sete [19] estrellas, que viste na minha dextra, e dos sete castiçaes de oiro. As sete estrellas são os anjos das sete egrejas, e os sete castiçaes, que viste, são as sete egrejas.
Cartas ás sete egrejas da Asia. Primeira carta, á egreja em Epheso.
2 Escreve ao anjo da egreja que está em Epheso: [1] Isto diz aquelle que tem na sua dextra as sete estrellas, que anda no meio dos sete castiçaes de oiro.
2 Eu sei as tuas obras, [2] e o teu trabalho, e a tua paciencia, e que não pódes soffrer os maus; e provaste os que dizem ser apostolos [3] e o não são; e tu os achaste mentirosos.
3 E soffreste, e tens paciencia; e trabalhaste pelo meu nome, [4] e não te cançaste.
4 Porém tenho contra ti que deixaste [ANR] a tua primeira caridade.
5 Lembra-te pois d’onde decaiste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e, [5] senão, brevemente a ti virei, e tirarei do seu logar o teu castiçal, se te não arrependeres.
6 Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaitas, [6] as quaes eu tambem aborreço.
7 Quem tem ouvidos, [7] ouça o que o Espirito diz ás egrejas: Ao que vencer, [8] dar-lhe-hei a comer da arvore da vida, que está no meio do paraiso de Deus.
Segunda carta, á egreja em Smyrna.
8 E ao anjo da egreja que está em Smyrna, escreve: Isto diz o primeiro e o derradeiro, que foi morto, e reviveu:
9 Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza ([9] porém tu és rico), e a blasphemia dos que se dizem judeos, e o não são, mas são a synagoga de Satanás.
10 Nada temas [10] das coisas que has de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejaes tentados; e tereis tribulação de dez dias. [11] Sê fiel até á morte, e dar-te-hei a corôa da vida.
11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas: [12] O que vencer não receberá damno da segunda morte.
Terceira carta, á egreja em Pergamo.
12 E ao anjo da egreja que está em Pergamo escreve: [13] Isto diz aquelle que tem a espada aguda de dois fios:
13 Eu sei as tuas obras, e onde habitas, [14] que é onde está o throno de Satanás; e retens o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Porém umas poucas de coisas tenho contra ti: que tens lá os que reteem a doutrina de Balaão, [15] o qual ensinava Balac a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrificios da idolatria e fornicassem.
15 Assim tens tambem os que reteem a doutrina dos nicolaitas: o que eu aborreço.
16 Arrepende-te, e, senão, em breve virei a ti, [16] e contra elles batalharei com a espada da minha bocca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas: Ao que vencer darei eu a comer do manná escondido, e dar-lhe-hei um seixo branco, [17] e um novo nome escripto no seixo, o qual ninguem conhece senão aquelle que o recebe.
Quarta carta, á egreja em Thyatira.
18 E ao anjo da egreja em Thyatira, escreve: Isto diz o Filho de Deus, [18] que tem seus olhos como chamma de fogo, e os pés similhantes ao latão reluzente:
19 Eu conheço as tuas obras, e [ANS] caridade, e serviço, e fé, e a tua paciencia, e as tuas ultimas obras, e que as derradeiras são mais do que as primeiras.
20 Porém umas poucas de coisas tenho contra ti: que deixas a Jezabel, [19] mulher que se diz prophetiza, ensinar e enganar os meus servos, para que forniquem e comam dos sacrificios da idolatria.
21 E dei-lhe tempo [20] para que se arrependesse da sua fornicação; e não se arrependeu.
22 Eis que a deito na cama, e aos que adulteram com ella, em grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.
23 E matarei de [ANT] morte a seus filhos, [21] e todas as egrejas saberão que eu sou aquelle que penetra os rins e os corações. [22] E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.
24 Mas eu vos digo a vós, e aos demais que estão em Thyatira, a todos quantos não teem esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, [23] que outra carga vos não porei.
25 Porém o que tendes [24] retende-o até que eu venha.
26 E ao que vencer, [25] e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,
27 E com vara de ferro [26] as regerá: serão quebradas como vasos de oleiro, como tambem recebi de meu Pae.
28 E dar-lhe-hei a estrella da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas.
Quinta carta, á egreja em Sardo.
3 E ao anjo da egreja que está em Sardo escreve: Isto diz o que tem os sete Espiritos [1] de Deus, e as sete estrellas: Eu sei as tuas obras, [2] que tens nome de que vives, e estás morto.
2 Sê vigilante, e confirma o resto que estava para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
3 Lembra-te pois do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. [3] E, se não velares, virei sobre ti como o ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
4 Mas tambem [4] tens em Sardo [ANU] algumas pessoas que não contaminaram seus vestidos, [5] e comigo andarão em vestidos brancos; porquanto são dignos d’isso.
5 O que vencer [6] será vestido de vestidos brancos, e em maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pae e diante dos seus anjos.
6 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas.
Sexta carta, á egreja em Philadelphia.
7 E ao anjo da egreja que está em Philadelphia escreve: Isto diz o que é sancto, [7] o que é verdadeiro o que tem a chave de David; o que abre, e ninguem cerra; e cerra, e ninguem abre:
8 Eu sei as tuas obras: eis que diante de ti puz uma porta aberta, [8] e ninguem a pode cerrar: porque tens pouca força, e guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.
9 Eis aqui dou, [9] da synagoga de Satanás, dos que se dizem judeos, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.
10 Porque guardaste a palavra da minha paciencia, [10] tambem eu te guardarei da hora da tentação que ha de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
11 Eis que venho logo; [11] guarda o que tens, para que ninguem tome a tua corôa.
12 A quem vencer, [12] eu o farei columna no templo do meu Deus, e d’elle nunca sairá; e escreverei sobre elle o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, o da nova Jerusalem, que desce do céu do meu Deus, e o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas.
Setima carta, á egreja em Laodicea.
14 E ao anjo da egreja que está em Laodicea escreve: [13] Isto diz o Amen, a testemunha fiel e verdadeira, o principio da creação de Deus:
15 Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: oxalá fôras frio ou quente!
16 Assim, pois que és morno, e nem és frio nem quente, vomitar-te-hei da minha bocca.
17 Porque dizes: [14] Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miseravel, e pobre, e cego, e nú.
18 Aconselho-te [15] a que de mim compres oiro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não appareça a vergonha da tua nudez; e unge os teus olhos com collyrio, para que vejas;
19 Eu reprehendo e castigo a todos quantos amo: [16] sê pois zeloso, e arrepende-te.
20 Eis que estou á porta, [17] e bato: se alguem ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com elle cearei, e elle comigo.
21 Ao que vencer [18] lhe concederei que se assente comigo no meu throno; assim como eu venci, e me assentei com meu Pae no seu throno.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espirito diz ás egrejas.
A visão do throno da magestade divina; os vinte e quatro anciãos e os quatro animaes.
4 Depois d’estas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu: [1] e a primeira voz, que como de uma trombeta ouvira fallar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-hei as coisas que depois d’estas devem acontecer.
2 E logo fui arrebatado em [2] espirito, e eis que um throno estava posto no céu, e um assentado sobre o throno.
3 E o que estava assentado era, ao parecer, similhante á pedra jaspe e sardonica; [3] e o arco celeste estava ao redor do throno, no parecer similhante á esmeralda.
4 E ao redor [4] do throno havia vinte e quatro thronos; e vi assentados sobre os thronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestidos brancos; e tinham sobre suas cabeças corôas de oiro.
5 E do throno sahiam relampagos, e trovões, [5] e vozes; e diante do throno ardiam sete lampadas de fogo, as quaes são os sete Espiritos de Deus.
6 E havia diante do throno um mar de vidro, [6] similhante ao crystal. E no meio do throno, e ao redor do throno, quatro [ANV] animaes cheios de olhos, por diante e por detraz.
7 E o primeiro animal era similhante a um leão, [7] e o segundo animal similhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era similhante a uma aguia voando.
8 E os quatro animaes tinham [8] cada um de per si seis azas ao redor, e por dentro estavam cheios de olhos; e não descançam nem de dia nem de noite, dizendo: Sancto, Sancto, Sancto é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que ha de vir.
9 E, quando os animaes davam gloria, e honra, e acções de graças ao que estava assentado sobre o throno, [9] ao que vive para todo o sempre,
10 Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o throno, [10] e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas corôas diante do throno, dizendo:
11 Digno és, [11] Senhor, de receber gloria, e honra, e poder; porque tu creaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram creadas.
O livro sellado com sete sellos. Sómente o Cordeiro é digno de abril-o.
5 E vi na dextra do que estava assentado sobre o throno um livro escripto [1] por dentro e por fóra, sellado com sete sellos.
2 E vi um anjo forte, apregoando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus sellos?
3 E ninguem [2] no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para elle.
4 E eu chorava muito, porque ninguem fôra achado digno de abrir o livro, nem de o lêr, nem de olhar para elle.
5 E disse-me um dos anciãos: Não chores: [3] eis aqui, o Leão da tribu de Judah, a raiz de David, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete sellos.
6 E olhei, e eis que no meio dos anciãos estava um [4] Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete cornos, e sete olhos, que são os sete Espiritos de Deus enviados a toda a terra.
7 E veiu, e tomou o livro da [5] dextra do que estava assentado no throno.
8 E, havendo tomado o livro, os quatro animaes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos elles harpas [6] e [ANW] salvas de oiro cheias de incenso, que são as orações dos sanctos.
9 E cantavam um novo cantico, dizendo: [7] Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus sellos; porque foste morto, [8] e com o teu sangue para Deus nos compraste, de toda a tribu, [9] e lingua, e povo, e nação;
10 E para [10] o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra.
11 E olhei, [11] e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do throno, e dos animaes, e dos anciãos; e era o numero d’elles milhões de milhões, e milhares de milhares,
12 Que com grande voz [12] diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e gloria, e acções de graças.
13 E ouvi a toda a creatura [13] que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que n’elles ha, dizendo: Ao que está assentado sobre o throno, e ao Cordeiro, sejam dadas acções de graças, [14] e honra, e gloria, e poder para todo o sempre.
14 E os quatro animaes diziam: Amen. [15] E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre.
A abertura dos primeiros seis sellos.
6 E, havendo o Cordeiro [1] aberto um dos sellos, olhei, e ouvi um dos quatro animaes, que dizia como com voz de trovão: Vem, e vê.
2 E olhei, e eis um cavallo branco: [2] e o que estava assentado sobre elle tinha um arco; e foi-lhe dada uma corôa, e saiu victorioso, para que vencesse.
3 E, havendo aberto o [3] segundo sello, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.
4 E saiu outro cavallo, [4] vermelho; e ao que estava assentado sobre elle foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
5 E, havendo aberto o terceiro sello, [5] ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavallo preto: [6] e o que sobre elle estava assentado tinha uma balança na sua mão.
6 E ouvi uma voz no meio dos quatro animaes, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e tres medidas de cevada por um dinheiro; e não damnifiques o azeite e o vinho.
7 E, havendo aberto o quarto sello, [7] ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem e vê.
8 E olhei, [8] e eis um cavallo amarello, e o que estava assentado sobre elle tinha por nome Morte; e [ANX] o inferno o seguiu; [9] e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com mortandade, e com as feras da terra.
9 E, havendo aberto o quinto sello, [10] vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
10 E clamavam com grande voz, dizendo: [11] Até quando, ó Dominador, e sancto verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11 E deram-se-lhes a cada um vestidos [12] brancos compridos, e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que tambem se completasse o numero de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como elles.
12 E, havendo aberto o sexto sello, [13] olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como sacco de cilicio, e a lua tornou-se como sangue.
13 E as estrellas [14] do céu cairam sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.
14 E o céu retirou-se [15] como um [ANY] livro que se enrola; e todos os montes e ilhas se moveram dos seus logares.
15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas [16] e nas rochas das montanhas;
16 E diziam [17] aos montes e aos rochedos: Cahi sobre nós, e escondei-nos do rosto d’aquelle que está assentado sobre o throno, e da ira do Cordeiro;
17 Porque é vindo [18] o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?
Os israelitas fieis são salvos de perigos imminentes.
7 E depois d’estas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, [1] que retinham os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra arvore alguma.
2 E vi outro anjo subir da banda do sol nascente, e que tinha o sello do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos a quem fôra dado o poder de damnificar a terra e o mar,
3 Dizendo: [2] Não damnifiques a terra, nem o mar, nem as arvores, até que hajamos assignalado nas suas testas os servos do nosso Deus.
4 E ouvi o numero [3] dos assignalados, e foram cento e quarenta e quatro mil assignalados, de todas as tribus dos filhos de Israel.
5 Da tribu de Judah, doze mil assignalados: da tribu de Ruben, doze mil assignalados: da tribu de Gad, doze mil assignalados:
6 Da tribu de Aser, doze mil assignalados: da tribu de Naphtali, doze mil assignalados: da tribu de Manassés, doze mil assignalados:
7 Da tribu de Simeão, doze mil assignalados: da tribu de Levi, doze mil assignalados: da tribu de Issacar, doze mil assignalados:
8 Da tribu de Zabulon, doze mil assignalados: da tribu de José, doze mil assignalados: da tribu de Benjamin, doze mil assignalados.
Visão dos martyres na gloria.
9 Depois d’estas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, [4] a qual ninguem podia contar, de todas as nações, e tribus, e povos, e linguas, que estavam diante do throno, e perante o Cordeiro, [5] trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos:
10 E clamavam com grande voz, dizendo: [6] Salvação ao nosso Deus, que está assentado no throno, e ao Cordeiro.
11 E todos os anjos estavam ao redor [7] do throno, e dos anciãos, e dos quatro animaes; e prostraram-se diante do throno sobre seus rostos, e adoraram a Deus,
12 Dizendo: [8] Amen. Louvor, e gloria, e sabedoria, e acção de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amen.
13 E um dos anciãos respondeu, dizendo-me: Estes que estão vestidos de vestidos brancos, quem são, e d’onde vieram?
14 E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E elle disse-me: [9] Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro;
15 Por isso estão diante do throno de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e [10] aquelle que está assentado sobre o throno os cobrirá com a sua sombra.
16 Não mais terão fome, [11] nem mais terão sêde; nem sol nem calma alguma cairá sobre elles.
17 Porque o Cordeiro que está no meio do throno [12] os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das aguas; e Deus alimpará de seus olhos toda a lagrima.
A abertura do setimo sello. Os sete anjos com as sete trombetas; os primeiros quatro tocam-n’as.
8 E, havendo aberto [1] o setimo sello, fez-se silencio no céu quasi por meia hora.
2 E vi os sete [2] anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.
3 E veiu outro anjo, e poz-se junto ao altar, tendo um incensario de oiro; [3] e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os sanctos sobre o altar de oiro, que está diante do throno.
4 E o fumo [4] do incenso subiu com as orações dos sanctos desde a mão do anjo até diante de Deus.
5 E o anjo tomou o incensario, e encheu-o de fogo do altar, e lançou-o sobre a terra; e fizeram-se vozes, e trovões, [5] e relampagos e terremotos.
6 E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocal-as.
7 E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, [6] e houve saraiva, e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra; e queimou-se a terça parte das arvores, e toda a herva verde foi queimada.
8 E o segundo anjo tocou a trombeta; [7] e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar.
9 E morreu a terça parte [8] das creaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das náos.
10 E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, [9] e caiu do céu uma grande estrella, ardendo como uma tocha, e caiu na terça parte dos rios, e nas fontes das aguas.
11 E o nome da estrella [10] era Absyntho, e a terça parte das aguas tornou-se em absyntho, e muitos homens morreram das aguas, porque se tornaram amargas.
12 E o quarto anjo [11] tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrellas; para que a terça parte d’elles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e similhantemente a da noite.
13 E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: [12] Ai! ai! dos que habitam sobre a terra! por causa das outras vozes das trombetas dos tres anjos que hão de ainda tocar.
A quinta trombeta.
9 E o quinto anjo tocou a sua trombeta, [1] e vi uma estrella que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abysmo.
2 E abriu o poço do abysmo, [2] e subiu fumo do poço, como o fumo de uma grande fornalha, e com o fumo do poço escureceram-se o sol e o ar.
3 E do fumo [3] sairam gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que teem os escorpiões da terra.
4 E foi-lhes dito que não fizessem damno [4] á herva da terra, nem a verdura alguma, nem a arvore alguma, senão sómente aos homens que não teem nas suas testas o signal de Deus.
5 E foi-lhes dado, não que os matassem, [5] mas que por cinco mezes os atormentassem; e o seu tormento era similhante ao tormento do escorpião, quando fere ao homem.
6 E n’aquelles dias os homens buscarão [6] a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá d’elles.
7 E o parecer dos gafanhotos era [7] similhante ao de cavallos apparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia como corôas similhantes ao oiro; e os seus rostos eram como os rostos de homens.
8 E tinham cabellos como cabellos de mulheres, [8] e os seus dentes eram como de leões.
9 E tinham couraças como couraças de ferro; [9] e o ruido das suas azas era como o ruido de carros, quando muitos cavallos correm ao combate.
10 E tinham caudas similhantes ás dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu [10] poder era de damnificarem os homens por cinco mezes.
11 E tinham sobre si um rei, [11] o anjo do abysmo; em hebreo era o seu nome [ANZ] Abaddon, e em grego tinha por nome Apollyon.
12 Passado [12] é já um ai; eis que depois d’isso veem ainda dois ais.
A sexta trombeta.
13 E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz dos quatro cornos do altar de oiro, que estava diante de Deus,
14 A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: [13] Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Euphrates.
15 E foram soltos os quatro anjos, que estavam prestes para a hora, e dia, e mez, e anno, para matarem a terça parte dos homens.
16 E o numero dos [14] exercitos dos cavalleiros era de duzentos milhões; e ouvi o numero d’elles.
17 E vi assim os cavallos n’esta visão; e os que sobre elles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacintho, e de enxofre; [15] e as cabeças dos cavallos eram como cabeças de leões; e de suas boccas sahia fogo e fumo e enxofre.
18 Por estes tres foi morta a terça parte dos homens, pelo fogo, pelo fumo, e pelo enxofre, que sahia das suas boccas.
19 Porque o seu poder está na sua bocca e nas suas caudas. [16] Porque as suas caudas são similhantes a serpentes, e teem cabeças, e com ellas damnificam.
20 E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, [17] não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demonios, e os idolos d’oiro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar.
21 E não se arrependeram de seus homicidios, [18] nem de suas feiticerias, nem de sua fornicação, nem de suas ladroices.
É comido por João um livrinho trazido do céu.
10 E vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, [1] e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como columnas de fogo;
2 E tinha na sua mão um livrinho aberto, [2] e poz o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;
3 E clamou com grande voz, como quando brame o leão; e, havendo clamado, [3] os sete trovões deram as suas vozes.
4 E, havendo os sete trovões dado as suas vozes, eu ia escrevel-as, e ouvi uma voz do céu, que me dizia: [4] Sella as coisas que os sete trovões fallaram, e não as escrevas.
5 E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão [5] ao céu,
6 E jurou por Aquelle que vive para todo o sempre, [6] o qual creou o céu e as coisas que n’elle ha, e a terra e as coisas que n’ella ha, e o mar e as coisas que n’elle ha, [7] que não haveria mais tempo;
7 Porém nos dias [8] da voz do setimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o [AOA] segredo de Deus, como annunciou aos prophetas, seus servos.
8 E a voz que eu do céu tinha ouvido [9] tornou a fallar comigo, e disse: Vae, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está sobre o mar e sobre a terra.
9 E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E elle disse-me: [10] Toma-o, e come-o, e fará amargo o teu ventre, porém na tua bocca será doce como mel.
10 E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; [11] e na minha bocca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo.
11 E elle disse-me: Importa-te prophetizar outra vez a muitos povos, e nações, e linguas e reis.
As duas testemunhas.
11 E foi-me dada uma cana similhante a uma vara: [1] e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que n’elle adoram.
2 Porém deixa [2] de fóra o atrio que está fóra do templo, e não o meças; porque foi dado ás nações, e pisarão a sancta cidade por quarenta e dois mezes.
3 E darei poder ás minhas duas testemunhas, [3] e prophetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de sacco.
4 Estas são as duas oliveiras [4] e os dois castiçaes que estão diante do Deus da terra.
5 E, se alguem os quizer empecer, [5] fogo sairá da sua bocca, e devorará os seus inimigos: e, se alguem quizer empecel-os, importa que assim seja morto.
6 Estes teem poder para fechar [6] o céu, para que não chova, nos dias da sua prophecia; e teem poder sobre as aguas para convertel-as em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de praga, todas quantas vezes quizerem.
7 E, quando acabarem o seu testemunho, [7] a besta que sobe do abysmo lhes fará [8] guerra, e os vencerá, e os matará.
8 E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande [9] cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egypto, onde nosso Senhor tambem foi crucificado.
9 E homens [10] de varios povos, e tribus, e linguas, e nações verão seus corpos mortos por tres dias e meio, e não permittirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulchros.
10 E os que habitam na terra se regozijarão sobre elles, [11] e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois prophetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra.
11 E depois d’aquelles tres dias [12] e meio o espirito da vida, vindo de Deus, entrou n’elles; e pozeram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram.
12 E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi cá. [13] E subiram ao céu em uma nuvem: e os seus inimigos os viram.
13 E n’aquella mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a decima parte da cidade, [14] e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorisados, e deram gloria ao Deus do céu.
14 É passado o segundo ai; [15] eis que o terceiro ai vem presto.
A setima trombeta.
15 E tocou o setimo [16] anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo tornaram-se no reino de nosso Senhor e do seu Christo, e elle reinará para todo o sempre.
16 E os vinte e quatro [17] anciãos, que estão assentados em seus thronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos, e adoraram a Deus,
17 Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, [18] e que has de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste.
18 E iraram-se as nações, [19] e veiu a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e para dares o galardão aos prophetas, teus servos, e aos sanctos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e para destruir os que destroem a terra.
19 E abriu-se no céu o templo de Deus, [20] e a arca do seu concerto foi vista no seu templo; e houve relampagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva.
A mulher e o dragão.
12 E viu-se um grande signal no céu: uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo dos seus pés, e uma corôa de doze estrellas sobre a sua cabeça.
2 E estava gravida, e com dôres de parto, [1] e gritava com ancias de dar á luz.
3 E viu-se outro signal no céu; [2] e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez cornos, e sobre as suas cabeças sete diademas.
4 E a sua cauda [3] levava após si a terça parte das estrellas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar á luz, para que, dando ella á luz, lhe tragasse o filho.
5 E deu á luz um filho, um varão [4] que havia de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu throno.
6 E a mulher fugiu [5] para o deserto, onde já tinha logar preparado por Deus, para que lá a mantivessem mil duzentos e sessenta dias.
7 E houve batalha no céu: [6] Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos;
8 Mas não prevaleceram, nem mais o seu logar se achou nos céus.
9 E foi lançado o [7] grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; elle foi lançado na terra, e os seus anjos foram lançados com elle.
10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora chegada está a salvação, [8] e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Christo; porque já o accusador de nossos irmãos é derribado, o qual diante do nosso Deus os accusava de dia e de noite.
11 E elles o venceram [9] pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até á morte.
12 Pelo que alegrae-vos, [10] ó céus, e os que n’elles habitaes. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.
13 E, quando o dragão viu que fôra lançado na terra, [11] perseguiu a mulher que dera á luz o varão.
14 E [12] foram dadas á mulher duas azas de grande aguia, para que voasse ao deserto, ao seu logar, onde é sustentada por tempo, e tempos, e metade de tempo, fóra da vista da serpente.
15 E a serpente lançou [13] da sua bocca, atraz da mulher, agua como um rio, para que pelo rio a fizesse arrebatar.
16 E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua bocca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua bocca.
17 E o dragão irou-se contra a mulher, [14] e foi fazer guerra contra os demais da sua semente, que guardam os mandamentos de Deus, e teem o testemunho de Jesus Christo.
A besta que subiu do mar.
13 E eu puz-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma [1] besta que tinha sete cabeças e dez cornos, e sobre os seus cornos dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasphemia.
2 E a besta [2] que vi era similhante ao leopardo, e os seus pés como de urso, e a sua bocca como de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu throno, e grande poderio.
3 E vi uma de suas cabeças como ferida [3] de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.
4 E adoraram o dragão que deu á besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: [4] Quem é similhante á besta? quem poderá batalhar contra ella?
5 E deu-se-lhe bocca para fallar grandes coisas [5] e blasphemias; e deu-se-lhe poder para assim o fazer quarenta e dois mezes.
6 E abriu a sua bocca em blasphemias contra Deus, para blasphemar do seu nome, e do seu tabernaculo, [6] e dos que habitam no céu.
7 E deu-se-lhe poder para fazer guerra aos sanctos, e vencel-os; [7] e deu-se-lhe poder sobre toda a tribu, e lingua, e nação.
8 E adoraram-n’a todos os que habitam sobre a terra, [8] cujos nomes não estão escriptos no livro da vida do Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
9 Se alguem tem ouvidos, [9] ouça.
10 Se alguem leva em captiveiro, [10] em captiveiro irá: se alguem matar á espada, necessario é que á espada seja morto. Aqui está a paciencia e a fé dos sanctos.
A besta que subiu da terra.
11 E vi subir da terra outra besta, [11] e tinha dois cornos similhantes aos do Cordeiro; e fallava como o dragão.
12 E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que n’ella habitam adorem a primeira besta, [12] cuja chaga mortal fôra curada.
13 E faz grandes signaes, [13] de maneira que até fogo faz descer do céu á terra, diante dos homens.
14 E engana aos que habitam [14] na terra com signaes que se lhe permittiram que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem á besta que recebera a ferida da espada e vivia.
15 E foi-lhe concedido que désse espirito á imagem da besta, para que tambem a imagem da besta fallasse, [15] e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.
16 E faz que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, [16] ponham um signal na sua mão direita, ou nas suas testas;
17 E que ninguem possa comprar ou vender, senão aquelle que tiver o signal, [17] ou o nome da besta, ou o numero do seu nome.
18 Aqui está a sabedoria. [18] Aquelle que tem entendimento, conte o numero da besta; porque é o numero de um homem, e o seu numero é seiscentos e sessenta e seis.
O Cordeiro e os seus remidos no monte de Sião.
14 E olhei, [1] e eis que estava o Cordeiro sobre o monte de Sião, e com elle cento e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escripto o nome de seu Pae.
2 E ouvi uma voz do céu, [2] como a voz de muitas aguas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas.
3 E cantavam um como cantico [3] novo diante do throno, e diante dos quatro animaes e dos anciãos: e ninguem podia aprender aquelle cantico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.
4 Estes são os que não estão contaminados com mulheres: porque são virgens. [4] Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vae. Estes são os que d’entre os homens foram comprados por primicias para Deus e para o Cordeiro.
5 E na sua bocca [5] não se achou engano; porque são irreprehensiveis diante do throno de Deus.
Tres anjos proclamam os juizos de Deus.
6 E vi outro anjo voar pelo meio do céu, [6] e tinha o evangelho eterno, para proclamal-o aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribu, e lingua, e povo.
7 Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dae-lhe gloria; [7] porque vinda é a hora do seu juizo. E adorae aquelle que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das aguas.
8 E outro anjo seguiu, dizendo: É caída, é caída Babylonia, [8] aquella grande cidade, porque a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua fornicação.
9 E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguem adorar a besta, [9] e a sua imagem, e receber o signal na sua testa, ou na sua mão,
10 Tambem o tal beberá [10] do vinho da ira de Deus, que se deitou puro no calix da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos sanctos anjos e diante do Cordeiro.
11 E o fumo do [11] seu tormento sobe para todo o sempre; e não teem repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquelle que receber o signal do seu nome.
12 Aqui está a [12] paciencia dos sanctos: aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.
13 E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: [13] Bemaventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espirito; para que descancem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam.
A ceifa e a vindima.
14 E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um similhante ao Filho do homem, [14] que tinha sobre a sua cabeça uma corôa de oiro, e na sua mão uma foice aguda.
15 E outro anjo saiu [15] do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; pois já é vinda a hora de segar, porquanto já a seara da terra está madura.
16 E aquelle que estava assentado sobre a nuvem lançou a sua foice á terra, e a terra foi segada.
17 E saiu do templo, que está no céu, outro anjo, o qual tambem tinha uma foice aguda.
18 E saiu do altar outro anjo, [16] que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras.
19 E o anjo lançou a sua foice á terra e vindimou as uvas da vinha da terra, [17] e lançou-as no grande lagar da ira de Deus.
20 E o lagar foi pisado fóra da cidade, [18] e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavallos, por mil e seiscentos estadios.
Os sete anjos com as sete taças cheias das ultimas pragas.
15 E vi outro grande e admiravel signal [1] no céu: sete anjos, que tinham as sete ultimas pragas; porque n’ellas é consummada a ira de Deus.
2 E vi como um mar de vidro [2] misturado com fogo; e os que sairam victoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu signal, e do numero do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus.
3 E cantavam o cantico de Moysés, [3] o servo de Deus, e o cantico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-poderoso! justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos sanctos.
4 Quem te não temerá, [4] ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és sancto; por isso todas as nações virão, e adorarão diante de ti, porque os teus juizos são manifestos.
5 E depois d’isto olhei, e eis que o templo [5] do tabernaculo do testemunho se abriu no céu.
6 E os sete anjos que tinham as sete pragas sairam do templo, [6] vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de oiro ao redor de seus peitos.
7 E um dos quatro animaes deu aos sete anjos sete [AOB] salvas [7] de oiro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre.
8 E o templo encheu-se com [8] o fumo da gloria de Deus e do seu poder; e ninguem podia entrar no templo, até que se consummassem as sete pragas dos sete anjos.
16 E ouvi do templo uma grande voz, [1] que dizia aos sete anjos: Ide, e derramae sobre a terra as sete salvas da ira de Deus.
2 E foi o primeiro, e derramou a sua salva sobre a terra, [2] e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o signal da besta e que adoravam a sua imagem.
3 E o segundo anjo derramou a sua salva no mar, [3] e tornou-se em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente.
4 E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios [4] e nas fontes das aguas, e tornaram-se em sangue.
5 E ouvi o anjo das aguas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e que serás sancto, [5] porque julgaste estas coisas.
6 Porque derramaram o sangue dos sanctos [6] e dos prophetas, tambem tu lhes déste o sangue a beber; porque d’isto são dignos.
7 E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus [7] Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juizos.
8 E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, [8] e foi-lhe dado que abrazasse os homens com fogo.
9 E os homens foram abrazados com grandes calores, e blasphemaram do nome de Deus, [9] que tem o poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem gloria.
10 E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o throno da besta, [10] e o seu reino se fez tenebroso; e mordiam as suas linguas de dôr.
11 E por causa das suas dôres, e por causa das suas chagas, [11] blasphemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras.
12 E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande [12] rio Euphrates; e a sua agua seccou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente.
13 E da bocca do dragão, e da bocca da besta, e da bocca do falso propheta, [13] vi sair tres espiritos immundos, similhantes a rãs.
14 Porque são [14] espiritos de demonios, que fazem signaes; os quaes vão aos reis de todo o mundo, para os congregar para a batalha, n’aquelle grande dia de Deus Todo-poderoso.
15 Eis que venho como [15] ladrão. Bemaventurado aquelle que vigia, e guarda os seus vestidos, para que não ande nú, e não se vejam as suas vergonhas.
16 E congregaram-n’os [16] no logar que em hebreo se chama Armageddon.
17 E o setimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu uma grande voz do templo do céu, do throno, [17] dizendo: Está feito.
18 E houve vozes, [18] e trovões, e relampagos, e um grande terremoto, qual nunca houve desde que ha homens sobre a terra: tal foi este tão grande terremoto.
19 E a grande cidade fendeu-se em tres partes, [19] e as cidades das nações cairam; e a grande Babylonia veiu em memoria diante de Deus, para elle lhe dar o calix do vinho da indignação da sua ira.
20 E toda a ilha fugiu; [20] e os montes não se acharam.
21 E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, [21] como do peso de um talento; e os homens blasphemaram de Deus por causa da praga da saraiva: porque a sua praga era mui grande.
A queda de Babylonia. A visão da grande prostituta assentada sobre a besta.
17 E veiu um dos sete anjos [1] que tinham as sete taças, e fallou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-hei a condemnação da grande prostituta que está assentada sobre muitas aguas;
2 Com a qual fornicaram os reis da terra; [2] e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua fornicação.
3 E levou-me em espirito a um deserto, [3] e vi uma mulher assentada sobre uma besta de côr de escarlata, que estava cheia de nomes de blasphemia, e tinha sete cabeças e dez cornos.
4 E a mulher estava vestida de purpura e de escarlata, [4] e adornada com oiro, e pedras preciosas e perolas; e tinha na sua mão um calix de oiro cheio das abominações e da immundicia da sua fornicação;
5 E na sua testa escripto o nome: Mysterio: [5] A grande Babylonia, a mãe das fornicações e abominações da terra.
6 E vi que a mulher [6] estava embriagada do sangue dos sanctos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.
7 E o anjo me disse: Porque te admiras? Eu te direi o mysterio da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez cornos.
8 A besta que viste foi e já não é, e ha de subir do abysmo, [7] e ir-se á perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escriptos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão vendo a besta que era e já não é, ainda que é.
9 Aqui ha sentido, que tem sabedoria. [8] As sete cabeças são sete montes, sobre os quaes a mulher está assentada.
10 E são tambem sete reis; os cinco são caidos; e um já é, outro ainda não é vindo; e, quando vier, convem que dure um pouco de tempo.
11 E a besta que era e já não é, esta é tambem o oitavo, e é dos sete, [9] e vae-se á perdição.
12 E os dez cornos [10] que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, porém receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta.
13 Estes teem um mesmo intento, e entregarão o seu poder e auctoridade á besta.
14 Estes combaterão [11] contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá (porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis), e os que estão com elle são os chamados, e eleitos, e fieis.
15 E disse-me: [12] As aguas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e linguas.
16 E os dez cornos que viste na besta [13] são os que aborrecerão a prostituta, e a farão assolada e núa, e comerão a sua carne, e a queimarão com fogo.
17 Porque Deus deu-lhes em seus corações [14] que cumpram o seu intento, e que tenham um mesmo intento, e que deem á besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus.
18 E a mulher que viste é a grande cidade [15] que reina sobre os reis da terra.
A queda de Babylonia. Lamentações sobre a terra.
18 E depois d’estas [1] coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi illuminada da sua gloria.
2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: É caida, é caida a grande Babylonia, [2] e é feita morada de demonios, e coito de todo o espirito immundo, e coito de toda a ave immunda e aborrecivel.
3 Porque todas as nações [3] beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra fornicaram com ella; e os mercadores da terra se enriqueceram da abundancia de suas delicias.
4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sae d’ella, [4] povo meu, para que não sejas participante dos seus peccados, e para que não recebas das suas pragas.
5 Porque já os seus peccados se accumularam até ao céu, [5] e Deus se lembrou das iniquidades d’ella.
6 Tornae-lhe como ella vos tem dado, [6] e duplicae-lhe em dobro conforme as suas obras: no calix em que vos deu de beber dae-lhe a ella em dobro.
7 Quanto ella se glorificou, [7] e em delicias esteve, tanto lhe dae de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viuva, e não verei o pranto.
8 Portanto n’um dia virão as suas pragas; [8] a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada com fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga.
9 E os reis da terra, [9] que fornicaram com ella, e viveram em delicias, a chorarão, e sobre ella prantearão, quando virem o fumo do seu incendio;
10 Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! [10] ai d’aquella grande Babylonia, aquella forte cidade! pois n’uma hora veiu o teu juizo.
11 E sobre ella choram e lamentam os mercadores [11] da terra; porque ninguem mais compra as suas mercadorias:
12 Mercadorias de oiro, [12] e de prata, e de pedras preciosas, e de perolas, e de linho fino, e de purpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorifera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosissima, de bronze e de ferro, e de marmore;
13 E canella, e especiaria, e perfume, e unguento odorifero, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e cavalgaduras, e ovelhas; e mercadorias de cavallos, e de carros, e de corpos [13] e de almas de homens.
14 E o fructo do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excellentes se foram de ti, e não mais as acharás.
15 Os mercadores [14] d’estas coisas, que por ellas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando, e lamentando,
16 E dizendo: Ai, ai d’aquella grande cidade! [15] que estava vestida de linho fino, e purpura, e escarlata; e adornada com oiro e pedras preciosas e perolas! [16] Porque n’uma hora foram assoladas tantas riquezas.
17 E todo o piloto, e todo o que navega em náos, e todo o marinheiro, e todos os que traficam por mar se pozeram de longe:
18 E, vendo o fumo do seu incendio, clamaram, [17] dizendo: Que cidade é similhante a esta grande cidade?
19 E lançaram pó sobre as suas cabeças, [18] e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai d’aquella grande cidade! na qual todos os que tinham náos no mar se enriqueceram da sua opulencia; porque n’uma hora foi assolada.
20 Alegra-te sobre [19] ella, ó céu, e vós, sanctos apostolos e prophetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ella.
21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: [20] Com egual impeto será lançada Babylonia, aquella grande cidade, e não será jámais achada.
22 E em ti não se ouvirá mais [21] a voz de harpistas, e de musicos, e de frauteiros, e de trombeteiros, e nenhum artifice de arte alguma se achará mais em ti; e ruido de mó em ti mais se não ouvirá;
23 E luz de candeia não mais alumiará em ti, [22] e voz de esposo e de esposa mais em ti se não ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feiticerias.
24 E n’ella se achou [23] o sangue dos prophetas, e dos sanctos, e de todos os que foram mortos na terra.
A queda de Babylonia. Alegria e triumpho nos céus.
19 E, depois d’estas coisas, ouvi como que uma grande voz de uma grande multidão no céu, que dizia: Alleluia: [1] Salvação, e gloria, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus:
2 Porque verdadeiros e justos são os seus juizos, [2] pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua fornicação, e da sua mão vingou o sangue dos seus servos.
3 E outra vez disseram: Alleluia. [3] E o seu fumo sobe para todo o sempre.
4 E os vinte e quatro [4] anciãos, e os quatro [AOC] animaes, prostraram-se e adoraram a Deus, assentado no throno, dizendo: Amen, Alleluia.
5 E saiu uma voz do throno, que dizia: [5] Louvae o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes.
6 E ouvi como que [6] a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas aguas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Alleluia: pois já o Senhor Deus Todo-poderoso reina.
7 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe gloria; [7] porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se apromptou.
8 E foi-lhe dado [8] que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos sanctos.
9 E disse-me: Escreve: [9] Bemaventurados aquelles que são chamados á ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.
10 E eu lancei-me a seus pés para o adorar; [10] porém elle disse-me: Olha não faças tal: sou teu conservo, e de teus irmãos, que teem o testemunho de Jesus: adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espirito de prophecia.
Victorias de Christo sobre a besta e sobre o falso propheta.
11 E vi o céu aberto, [11] e eis um cavallo branco: e o que estava assentado sobre elle chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja em justiça.
12 E os seus olhos eram [12] como chamma de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escripto, que ninguem sabia senão elle mesmo.
13 E estava vestido de uma [13] veste salpicada de sangue; e o seu nome chama-se a Palavra de Deus.
14 E seguiam-n’o os exercitos no céu em cavallos brancos, [14] e vestidos de linho fino, branco e puro.
15 E da sua bocca sahia uma aguda espada, [15] para ferir com ella as nações; e elle as [AOD] regerá com vara de ferro; e elle mesmo pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-poderoso.
16 E no vestido [16] e na sua coxa tem escripto este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.
17 E vi um anjo, que estava no sol, e clamou com grande voz, [17] dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntae-vos á ceia do grande Deus;
18 Para que comaes [18] a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavallos e dos que sobre elles se assentam; e a carne de todos os livres e servos, e pequenos e grandes.
19 E vi a besta, [19] e os reis da terra, e os seus exercitos ajuntados, para fazerem guerra áquelle que estava assentado sobre o cavallo, e ao seu exercito.
20 E a besta foi presa, [20] e com ella o falso propheta, que diante d’ella fizera os signaes, com que enganou os que receberam o signal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago do fogo e do enxofre.
21 E os demais foram mortos [21] com a espada que sahia da bocca do que estava assentado sobre o cavallo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.
Satanaz é amarrado por mil annos. Os fieis reinam com Christo.
20 E vi descer do céu um anjo, [1] que tinha a chave do abysmo, e uma grande cadeia na sua mão.
2 E prendeu o dragão, [2] a antiga serpente, que é o Diabo e Satanaz, e amarrou-o por mil annos.
3 E lançou-o no abysmo, [3] e ali o encerrou, e poz sello sobre elle, para que mais não engane as nações, até que os mil annos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.
4 E vi thronos; e assentaram-se sobre elles, [4] e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas d’aquelles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o signal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, [5] e reinaram com Christo, durante mil annos.
5 Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil annos se acabaram. Esta é a primeira resurreição.
6 Bemaventurado e sancto aquelle que tem parte na primeira resurreição: sobre estes não tem poder a segunda morte; [6] porém serão sacerdotes de Deus e de Christo, e reinarão com elle mil annos.
Satanaz é solto, e depois vencido para sempre.
7 E, [7] acabando-se os mil annos, Satanaz será solto da sua prisão,
8 E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gog e Magog, [8] para os ajuntar em batalha, cujo numero é como a areia do mar.
9 E subiram sobre [9] a largura da terra, e cercaram o arraial dos sanctos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo do céu, e os devorou.
10 E o diabo, [10] que os enganava, foi lançado no lago do fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso propheta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.
O juizo final.
11 E vi um grande throno branco, e o que estava assentado sobre elle, [11] de cujo rosto fugiu a terra e o céu; e não se achou logar para elles.
12 E vi os mortos, [12] grandes e pequenos, que estavam diante de Deus; e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escriptas nos livros, segundo as suas obras.
13 E o mar deu os mortos que n’elle havia; [13] e a morte e o [AOE] inferno deram os mortos que n’elles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
14 E a morte e o inferno [14] foram lançados no lago de fogo: esta é a segunda morte.
15 E aquelle que não foi achado inscripto no livro da vida foi lançado no [15] lago do fogo.
Os novos céus e a nova terra.
21 E vi um novo céu, [1] e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e já não havia mar.
2 E eu, João, vi a sancta cidade, [2] a nova Jerusalem, que de Deus descia do céu, adereçada como a esposa ataviada para o seu marido.
3 E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: [3] Eis aqui o tabernaculo de Deus com os homens, e com elles habitará, e elles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com elles, e será o seu Deus.
4 E Deus alimpará de seus olhos toda a [4] lagrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dôr; porque já as primeiras coisas são passadas.
5 E o que estava assentado sobre o throno disse: [5] Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve: porque estas palavras são verdadeiras e fieis.
6 E disse-me: Está cumprido: [6] Eu sou o Alpha e o Omega, o principio e o fim. A quem quer que tiver sêde, de graça lhe darei da fonte da agua da vida.
7 Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, [7] e elle será meu filho,
8 Mas quanto aos timidos, [8] e aos incredulos, e aos abominaveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idolatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.
A nova Jerusalem.
9 E veiu a mim um dos sete anjos [9] que tinham as sete taças cheias das ultimas sete pragas, e fallou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-hei a esposa, a mulher do Cordeiro.
10 E levou-me em espirito [10] a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a sancta Jerusalem, que de Deus descia do céu.
11 E tinha [11] a gloria de Deus; e a sua luz era similhante a uma pedra preciosissima, como a pedra de jaspe, como o crystal resplandecente.
12 E tinha um grande e alto muro com doze portas, [12] e nas portas doze anjos, e nomes escriptos sobre ellas, que são os nomes das doze tribus de Israel.
13 Da banda do levante tinha tres portas, [13] da banda do norte tres portas, da banda do sul tres portas, da banda do poente tres portas.
14 E o muro da cidade tinha doze fundamentos, [14] e n’elles os nomes dos doze apostolos do Cordeiro.
15 E aquelle que fallava comigo tinha uma canna de oiro, [15] para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro.
16 E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto quanto a sua largura. E mediu a cidade com a canna até doze mil estadios: e o seu comprimento, largura e altura eram eguaes.
17 E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro covados, medida de homem, que era a do anjo.
18 E a fabrica do seu muro era de jaspe, e a cidade de oiro puro, similhante a vidro puro.
19 E os fundamentos [16] do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, saphira; o terceiro, chalcedonia; o quarto, esmeralda;
20 O quinto, sardonica; o sexto, sardio; o setimo, crisolito; o oitavo, beryllo; o nono, topazio; o decimo, crysopraso; o undecimo, jacintho; o duodecimo, amethysta.
21 E as doze portas eram doze perolas: [17] cada uma das portas era uma perola, e a praça da cidade de oiro puro, como vidro transparente.
22 E n’ella não vi templo, [18] porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro.
23 E a cidade não necessita de [19] sol nem de lua, para que n’ella resplandeçam, porque a gloria de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lampada.
24 E as nações [20] que se salvarem andarão á sua luz; e os reis da terra trarão para ella a sua gloria e honra.
25 E as suas portas [21] não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.
26 E a ella trarão a [22] gloria e honra das nações.
27 E não entrará n’ella coisa [23] alguma que contamine, e commetta abominação e mentira, mas só os que estão inscriptos no livro da vida do Cordeiro.
22 E mostrou-me o [1] rio puro da agua da vida, claro como crystal, que procedia do throno de Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça, [2] e de uma e outra banda do rio, estava a arvore da vida, que produz doze fructos, dando seu fructo de mez em mez; e as folhas da arvore são para a saude das nações.
3 E ali nunca mais haverá maldição contra alguem; [3] e n’ella estará o throno de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
4 E verão o seu rosto, [4] e nas suas testas estará o seu nome.
5 E ali não haverá mais noite, [5] e não necessitarão de lampada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; [6] e reinarão para todo o sempre.
Admoestações e promessas finaes. Conclusão.
6 E disse-me: [7] Estas palavras são fieis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos sanctos prophetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.
7 Eis aqui venho presto: [8] Bemaventurado aquelle que guarda as palavras da prophecia d’este livro.
8 E eu, João, sou aquelle que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, [9] prostrei-me aos pés do anjo que me mostrava estas coisas, para o adorar.
9 E disse-me: [10] Olha não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os prophetas, e dos que guardam as palavras d’este livro. Adora a Deus.
10 E disse-me: [11] Não selles as palavras d’este livro; porque perto está o tempo.
11 Quem [12] é injusto, faça injustiça ainda; e quem é sujo, seja sujo ainda; e quem é justo, faça justiça [AOF] ainda; e quem é sancto, seja sanctificado ainda.
12 E, eis que, presto venho, [13] e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.
13 Eu sou o Alpha [14] e o Omega, o principio e o fim, o primeiro e o derradeiro.
14 Bemaventurados aquelles [AOG] que [15] lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito á arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.
15 Porém estarão de fóra os cães [16] e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas, e os idolatras, e qualquer que ama e commette a mentira.
16 Eu, Jesus, enviei o meu anjo, [17] para vos testificar estas coisas nas egrejas: eu sou a raiz e a geração de David, a resplandecente estrella da manhã.
17 E o Espirito e a esposa dizem: Vem. [18] E quem o ouve, diga: Vem. E quem tem sêde, venha; e quem quizer, tome de graça da agua da vida.
18 Porque eu testifico a todo aquelle que ouvir as palavras da prophecia d’este livro que, [19] se alguem lhes accrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre elle as pragas que estão escriptas n’este livro;
19 E, se alguem tirar das palavras do livro d’esta prophecia, [20] Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade sancta, e das coisas que estão escriptas n’este livro.
20 Aquelle que testifica estas coisas diz: Certamente presto venho. [21] Amen: ora vem, Senhor Jesus.
21 A graça de nosso [22] Senhor Jesus Christo seja com todos vós. Amen.