O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. MATTHEUS. (continued 2)
João Ferreira d' Almeida translation
3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e não quizeram vir.
4 Depois enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eisque tenho o meu jantar preparado, [2] os meus bois e cevados já mortos, e tudo já prompto: vinde ás bodas.
5 Porém elles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu trafico:
6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7 E o rei, tendo noticia d’isto, encolerisou-se: [3] e, enviando os seus exercitos, destruiu aquelles homicidas, e incendiou a sua cidade.
8 Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, [4] mas os convidados não eram dignos.
9 Ide pois ás saidas dos caminhos, e convidae para as bodas a todos os que encontrardes.
10 E os servos, saindo pelos caminhos, [5] ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e as bodas encheram-se de convidados.
11 E o rei, entrando para vêr os convidados, viu ali um homem [6] que não estava trajado com vestido de bodas,
12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido de bodas? E elle emmudeceu.
13 Disse então o rei aos servos: Amarrae-o de pés e mãos, levae-o, [7] e lançae-o nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.
14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.
A questão do tributo.
Mar. 12.13-17. Luc. 20.20-26.
15 Então, retirando-se os phariseos, consultaram entre si como o surprehenderiam n’alguma palavra;
16 E enviaram-lhe os seus discipulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade, e de ninguem se te dá, porque não olhas á apparencia dos homens;
17 Dize-nos, pois, que te parece? É licito pagar o tributo a Cesar, ou não?
18 Jesus, porém, conhecendo a sua malicia, disse: Porque me experimentaes, hypocritas?
19 Mostrae-me a moeda do tributo. E elles lhe apresentaram um dinheiro.
20 E elle diz-lhes: De quem é esta effigie e esta inscripção?
21 Dizem-lhe elles: De Cesar. Então elle lhes diz: [8] Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus.
22 E elles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.
23 No mesmo dia chegaram junto d’elle os sadduceos, [9] que dizem não haver resurreição, e o interrogaram,
24 Dizendo: [10] Mestre, Moysés disse: Se morrer alguem, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher d’elle, e suscitará descendencia a seu irmão:
25 Ora houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu, e, não tendo descendencia, deixou sua mulher a seu irmão.
26 Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao setimo;
27 Por fim, depois de todos, morreu tambem a mulher.
28 Portanto, na resurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuiram?
29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: [11] Erraes, não conhecendo as Escripturas, nem o poder de Deus;
30 Porque na resurreição nem casam nem se dão em casamento; [12] mas serão como os anjos de Deus no céu.
31 E, ácerca da resurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo:
32 Eu sou o Deus d’Abrahão, [13] o Deus d’Isaac, e o Deus de Jacob? Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.
33 E, as turbas, ouvindo isto, [14] ficaram maravilhadas da sua doutrina.
O grande mandamento.
Mar. 12.28-34. Luc. 10.25-27.
34 E os phariseos, ouvindo que fizera emmudecer os sadduceos, reuniram-se no mesmo logar;
35 E um d’elles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
36 Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
37 E Jesus disse-lhe: [15] Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38 Este é o primeiro e grande mandamento.
39 E o segundo, similhante a este, é: [16] Amarás o teu proximo como a ti mesmo.
40 D’estes dois mandamentos depende toda a lei e os prophetas.
Christo Filho de David.
Mar. 12.35-37. Luc. 20.41-44.
41 E, [17] estando reunidos os phariseos, interrogou-os Jesus,
42 Dizendo: Que pensaes vós do Christo? De quem é filho? Elles disseram-lhe: De David.
43 Disse-lhes elle: Como é então que David, em espirito, lhe chama Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor: [18] Assenta-te á minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.
45 Se David pois lhe chama Senhor, como é seu filho?
46 E ninguem podia [19] responder-lhe uma palavra: nem desde aquelle dia ousou mais alguem interrogal-o.
Jesus censura os escribas e os phariseos.
23 Então fallou Jesus á multidão, e aos seus discipulos,
2 Dizendo: [1] Na cadeira de Moysés estão assentados os escribas e phariseos.
3 Observae, pois, e practicae tudo o que vos disserem; mas não procedaes em conformidade com as suas obras, [2] porque dizem e não praticam:
4 Pois atam fardos pesados e difficeis de supportar, [3] e os põem aos hombros dos homens; elles, porém, nem com o dedo querem movel-os;
5 E fazem todas as obras [4] a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largas phylacterias, e estendem as franjas [5] dos seus vestidos,
6 E amam os primeiros logares nas ceias [6] e as primeiras cadeiras nas synagogas,
7 E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens—Rabbi, Rabbi.
8 Vós, porém, não queiraes ser chamados Rabbi, [7] porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Christo: e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguem na terra chameis vosso pae, [8] porque um só é o vosso Pae, o qual está nos céus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Christo.
11 Porém [9] o maior d’entre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar [10] será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
13 Mas ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [11] pois que fechaes aos homens o reino dos céus; porque nem vós entraes nem deixaes entrar aos que entram.
14 Ai de vós, escribas e phariseos, [12] hypocritas! pois que devoraes as casas das viuvas, e isto com pretexto de prolongadas orações; por isso soffrereis mais rigoroso juizo.
15 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um proselyto; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
16 Ai de vós, conductores cegos! [13] pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo isso nada é; mas o que jurar pelo oiro do templo é devedor.
17 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o oiro, [14] ou o templo, que sanctifica o oiro?
18 E aquelle que jurar pelo altar isso nada é; mas aquelle que jurar pela offerta que está sobre o altar é devedor.
19 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a offerta, [15] ou o altar, que sanctifica a offerta?
20 Portanto, o que jurar pelo altar jura por elle e por tudo o que sobre elle está:
21 E o que jurar pelo templo jura por elle [16] e por aquelle que n’elle habita:
22 E o que jurar pelo céu jura pelo throno de Deus [17] e por aquelle que está assentado n’elle.
23 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [18] pois que dizimaes a hortelã, o endro e o cominho, e desprezaes o mais importante da lei, o juizo, a misericordia e a fé: deveis, porém, fazer estas coisas, e não omittir aquellas.
24 Conductores cegos! que coaes o mosquito e engulis o camelo.
25 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [19] pois que limpaes o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e iniquidade.
26 Phariseo cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que tambem o exterior fique limpo.
27 Ai de vós, escribas e phariseos, hypocritas! [20] pois que sois similhantes aos sepulchros caiados, que por fóra realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios d’ossos de mortos e de toda a immundicia.
28 Assim tambem vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estaes cheios de hypocrisia e iniquidade.
29 Ai de vós, [21] escribas e phariseos, hypocritas! pois que edificaes os sepulchros dos prophetas e adornaes os monumentos dos justos.
30 E dizeis: Se existissemos no tempo de nossos paes, nunca nos associariamos com elles para derramar o sangue dos prophetas.
31 Assim, [22] vós mesmos testificaes que sois filhos dos que mataram os prophetas.
32 Enchei [23] vós pois a medida de vossos paes.
33 Serpentes, [24] raça de viboras! como escapareis da condemnação do inferno?
34 Portanto, eis que [25] eu vos envio prophetas, sabios e escribas; e a uns d’elles matareis e crucificareis; e a outros d’elles açoitareis nas vossas synagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, [26] que foi derramado sobre a terra, desde o sangue d’Abel, o justo, até ao sangue de Zacharias, filho de Baraquias, que matastes entre o templo e o altar.
36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
37 Jerusalem, Jerusalem, [27] que matas os prophetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quiz eu ajuntar os teus filhos, como a gallinha ajunta os seus pintos debaixo das azas, e vós não quizestes!
38 Eis que a vossa casa vae ficar-vos deserta;
39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digaes: [28] Bemdito o que vem em nome do Senhor.
O sermão prophetico; o principio de dôres.
Mar. 13.1. Luc. 21.5-36.
24 E, quando Jesus ia saindo do templo, approximaram-se d’elle os seus discipulos para lhe mostrarem a estructura do templo.
2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo [1] que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.
3 E, estando assentado no monte das Oliveiras, [2] chegaram-se a elle os seus discipulos em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas, e que signal haverá da tua vinda e do fim do mundo?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: [3] Acautelae-vos, que ninguem vos engane;
5 Porque [4] muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo; e seduzirão muitos.
6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhae não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.
7 Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, [5] e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em varios logares.
8 Mas todas estas coisas são o principio de dôres.
9 Então vos hão de entregar para serdes atormentados, [6] e matar-vos-hão: e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome.
10 Então muitos serão escandalizados, [7] e trahir-se-hão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão,
11 E surgirão muitos falsos prophetas, [8] e enganarão muitos.
12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
13 Mas aquelle que perseverar até ao fim [9] será salvo.
14 E este evangelho do reino será prégado em todo o mundo, [10] em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.
O sermão continúa. A grande tribulação.
15 Quando pois virdes que a abominação da desolação, [11] de que fallou o propheta Daniel, está no logar sancto; quem lê, attenda;
16 Então, os que estiverem na Judea, fujam para os montes;
17 E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa da sua casa;
18 E quem estiver no campo não volte atraz a buscar os seus vestidos.
19 Mas ai das gravidas [12] e das que amamentarem n’aquelles dias!
20 E orae para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem em sabbado;
21 Porque [13] haverá então grande afflicção, como nunca houve desde o principio do mundo até agora, nem tão pouco ha de haver.
22 E, se aquelles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; [14] mas por causa dos escolhidos serão abreviados aquelles dias.
23 Então, se alguem vos disser: Eis que [15] o Christo está aqui, ou ali, não deis credito;
24 Porque [16] surgirão falsos christos e falsos prophetas, e farão tão grandes signaes e prodigios que, se possivel fôra, enganariam até os escolhidos.
25 Eis que eu vol-o tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que elle está no deserto, não saiaes; Eis que elle está nas camaras; não acrediteis.
27 Porque, como o relampago [17] sae do oriente e apparece até ao occidente, assim será tambem a vinda do Filho do homem.
28 Pois onde estiver o cadaver, [18] ahi se ajuntarão as aguias.
O sermão continúa: A vinda do Filho do homem.
29 E, logo depois da afflicção d’aquelles dias, [19] o sol escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor, e as estrellas cairão do céu, e as potencias dos céus serão abaladas.
30 Então apparecerá no céu [20] o signal do Filho do homem; e todas as tribus da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande gloria.
31 E enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, [21] e ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma á outra extremidade dos céus.
32 Aprendei pois esta parabola da figueira: [22] Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está proximo o verão.
33 Egualmente, quando virdes todas estas coisas, [23] sabei que está proximo ás portas.
34 Em verdade vos digo que não passará esta geração [24] sem que todas estas coisas aconteçam.
35 O céu e a terra passarão, mas [25] as minhas palavras não hão de passar.
O sermão continúa: Exhortação á vigilancia.
36 Porém d’aquelle dia e hora ninguem sabe, [26] nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pae.
37 E, como foi nos dias de Noé, assim será tambem a vinda do Filho do homem.
38 Porque como, [27] nos dias anteriores ao diluvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
39 E não o conheceram, até que veiu o diluvio, e os levou a todos,—assim será tambem a vinda do Filho do homem.
40 Então, [28] dois estarão no campo; será levado um, e deixado outro.
41 Duas estarão moendo no moinho; será levada uma, e deixada outra.
42 Vigiae, pois, [29] porque não sabeis a que hora ha de vir o vosso Senhor:
43 Mas considerae isto: [30] se o pae de familia soubesse a que vigilia da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.
44 Por isso, [31] estae vós apercebidos tambem; porque o Filho do homem ha de vir á hora em que não penseis.
O sermão continúa: A parabola dos dois servos.
45 Quem é pois o servo fiel e prudente, [32] que o Senhor constituiu sobre os seus servos, para lhes dar o sustento a seu tempo?
46 Bemaventurado aquelle servo que o Senhor, [33] quando vier, achar fazendo assim.
47 Em verdade vos digo [34] que o porá sobre todos os seus bens.
48 Porém, se aquelle mau servo disser comsigo: O meu senhor tarde virá;
49 E começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os temulentos,
50 Virá o senhor d’aquelle servo n’um dia em que o não espera, e á hora em que elle não sabe,
51 E separal-o-ha, e porá a sua parte com os hypocritas: [35] ali haverá pranto e ranger de dentes.
O sermão prophetico continúa: A parabola das dez virgens.
25 Então o reino dos céus será similhante a dez virgens que, tomando as suas [AFV] lampadas, sairam ao encontro do [1] esposo.
2 E cinco d’ellas eram prudentes, [2] e cinco loucas.
3 As loucas, tomando as suas lampadas, não levaram azeite comsigo,
4 Mas as prudentes levaram azeite nos seus vasos, com as suas lampadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, [3] e adormeceram.
6 Mas á meia noite ouviu-se um clamor: [4] Ahi vem o esposo, sahi-lhe ao encontro.
7 Então todas aquellas virgens se levantaram, [5] e prepararam as suas lampadas.
8 E as loucas disseram ás prudentes: Dae-nos do vosso azeite, porque as nossas lampadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide antes aos que o vendem, e comprae-o para vós.
10 E, tendo ellas ido compral-o, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com elle para as bodas, [6] e fechou-se a porta.
11 E depois chegaram tambem as outras virgens, dizendo: [7] Senhor, Senhor, abre-nos.
12 E elle, respondendo, disse: Em verdade vos digo [8] que vos não conheço.
13 Vigiae pois, [9] porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem ha de vir.
O sermão continúa: A parabola dos dez talentos.
Luc. 19.11-27.
14 Porque, é tambem como um homem que, partindo para fóra da sua terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens;
15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, [10] e ausentou-se logo para longe.
16 E, tendo elle partido, o que recebera cinco talentos negociou com elles, e grangeou outros cinco talentos.
17 Da mesma sorte, o que recebera dois, grangeou tambem outros dois;
18 Mas o que recebera um foi enterral-o no chão, e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 E muito tempo depois veiu o senhor d’aquelles servos, e fez contas com elles.
20 Então approximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que grangeei com elles.
21 E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. [11] Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; [12] entra no gozo do teu senhor.
22 E, chegando tambem o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com elles grangeei outros dois talentos.
23 Disse-lhe o seu senhor: [13] Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Mas, chegando tambem o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;
25 E, atemorisado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei;
27 Por isso te cumpria dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.
28 Tirae-lhe pois o talento, e dae-o ao que tem os dez talentos.
29 Porque a qualquer que tiver será dado, [14] e terá em abundancia; mas ao que não tiver até o que tem será tirado.
30 Lançae pois o servo inutil nas trevas exteriores: ali haverá pranto e [15] ranger de dentes.
O fim do sermão prophetico: A vida eterna e o castigo eterno.
31 E quando o Filho do homem vier em sua gloria, [16] e todos os sanctos anjos com elle, então se assentará no throno da sua gloria;
32 E todas as nações serão reunidas diante d’elle, e apartará uns dos outros, [17] como o pastor aparta dos bodes as ovelhas,
33 E porá as ovelhas á sua direita, mas os bodes á esquerda.
34 Então dirá o Rei aos que estiverem á sua direita: [18] Vinde, bemditos de meu Pae, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, [19] e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 Estava nú, [20] e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te démos de comer? ou com sede, e te démos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedámos? ou nú, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo [21] que, quando o fizestes a um d’estes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41 Então dirá tambem aos que estiverem á sua esquerda: [22] Apartae-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 Porque tive fome, e não me destes de comer: tive sede, e não me destes de beber;
43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nú, não me vestistes; enfermo, e na prisão, não me visitastes.
44 Então elles tambem lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nú, ou enfermo, ou na prisão, e te não servimos?
45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando [23] a um d’estes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
46 E estes irão [24] para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.
A consulta dos sacerdotes e dos escribas.
Mar. 14.1, 2. Luc. 22.1, 2.
26 E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discipulos:
2 Bem sabeis que d’aqui a dois dias é [1] a paschoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.
3 Então os principes dos sacerdotes, e os escribas, [2] e os anciãos do povo reuniram-se na sala do summo sacerdote, o qual se chamava Caiphás,
4 E consultaram-se juntamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem.
5 Porém diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.
O jantar em Bethania.
Mar. 14.3-9. João 11.1-8.
6 E, estando Jesus em Bethania, em casa de Simão, o leproso,
7 Approximou-se d’elle uma mulher com um vaso d’alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lh’o sobre a cabeça, estando elle assentado á mesa.
8 E os seus discipulos, vendo isto, [3] indignaram-se, dizendo: Porque se faz este desperdicio?
9 Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.
10 Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Porque affligis esta mulher? pois praticou uma boa acção para comigo.
11 Porquanto [4] sempre tendes comvosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.
12 Ora, derramando ella este unguento sobre o meu corpo, fel-o preparando-me para o meu enterramento.
13 Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho fôr prégado, em todo o mundo, tambem será dito o que ella fez, para memoria sua.
O preço da traição.
Mar. 14.10, 11. Luc. 22.3-6.
14 Então um dos doze chamado Judas Iscariotes, foi ter [5] com os principes dos sacerdotes,
15 E disse: [6] Que me quereis dar, e eu vol-o entregarei? E elles lhe arbitraram trinta [AFW] moedas de prata,
16 E desde então buscava opportunidade para o entregar.
A ultima paschoa, a sancta ceia.
Mar. 12.14-26. Luc. 22.7-23. I Cor. 11.23-29.
17 E, no [7] primeiro dia da festa dos pães asmos, chegaram os discipulos junto de Jesus, dizendo: Onde queres que te preparemos o necessario para comer a paschoa?
18 E elle disse: Ide á cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está proximo; em tua casa celebro a paschoa com os meus discipulos.
19 E os discipulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a paschoa.
20 E, chegada a tarde, [8] assentou-se á mesa com os doze.
21 E, comendo elles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me ha de trahir.
22 E elles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
23 E elle, respondendo, disse: [9] O que mette a mão no prato comigo, esse me ha de trahir.
24 Em verdade o Filho do homem vae, como ácerca [10] d’elle está escripto, mas ai d’aquelle homem por quem o Filho do homem é trahido! bom seria a esse homem se não houvera nascido.
25 E, respondendo Judas, o que o trahia, disse: Porventura sou eu, Rabbi? Elle disse: Tu o disseste.
26 E, quando comiam, [11] Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discipulos, e disse: Tomae, comei, isto é o meu corpo.
27 E, tomando o calix, e dando graças, deu-lh’o, dizendo: [12] Bebei d’elle todos;
28 Porque isto é o meu sangue, [13] o sangue do [AFX] Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos peccados.
29 E digo-vos que, desde agora, não beberei [14] d’este fructo da vide até áquelle dia em que o beber de novo comvosco no reino de meu Pae.
30 E, tendo cantado [15] o hymno, sairam para o monte das Oliveiras.
Pedro é avisado.
Mar. 14.27-31. Luc. 22.31-34. João 13.36-38.
31 Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; [16] porque está escripto: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.
32 Mas, depois de eu resuscitar, [17] irei adiante de vós para a Galilea.
33 Pedro, porém, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.
34 Disse-lhe Jesus: [18] Em verdade te digo que, n’esta mesma noite, antes que o gallo cante, tres vezes me negarás.
35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer comtigo, não te negarei. E o mesmo todos os discipulos disseram.
Jesus em Gethsemane.
Mar. 14.32-42. Luc. 22.39-46. João 18.1.
36 Então chegou Jesus com elles a um logar chamado Gethsemane, e disse aos discipulos: Assentae-vos aqui, emquanto vou além, a orar.
37 E, levando comsigo Pedro e [19] os dois filhos de Zebedeo, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
38 Então lhes disse: [20] A minha alma está cheia de tristeza até á morte; ficae aqui, e velae comigo.
39 E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando [21] e dizendo: Meu Pae, [22] se é possivel, passe de mim este calix; porém, não como eu quero, mas como tu queres.
40 E voltou para os seus discipulos, e achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora podeste velar comigo?
41 Vigiae e orae, [23] para que não entreis em tentação: na verdade, o espirito está prompto, mas a carne é fraca.
42 E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pae, se este calix não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam carregados.
44 E, deixando-os, voltou, e orou terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
45 Então chegou junto dos seus discipulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousae; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos peccadores.
46 Levantae-vos, partamos; eis que é chegado o que me trahe.
Jesus é preso.
Mar. 14.43-50. Luc. 22.47-53. João 18.2-11.
47 E, estando elle ainda a fallar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com elle uma grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
48 E o que o trahia tinha-lhes dado signal, dizendo: O que eu beijar é elle; prendei-o.
49 E logo, approximando-se de Jesus, disse: Eu te saudo Rabbi. E [24] beijou-o.
50 Jesus, porém, lhe disse: [25] Amigo, a que vieste? Então, approximando-se, lançaram mão de Jesus, e prenderam-n’o.
51 E eis que [26] um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do summo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.
52 Então Jesus disse-lhe: Mette no seu logar a tua espada; porque [27] todos os que lançarem mão da espada á espada morrerão.
53 Ou pensas tu que não poderia eu agora orar a meu Pae, e elle não me daria mais de doze legiões [28] d’anjos?
54 Como pois se cumpririam as Escripturas, [29] que dizem que assim convem que aconteça?
55 Então disse Jesus á multidão: Saistes, como a um salteador, com espadas e varapaus para me prender? todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.
56 Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escripturas dos prophetas. [30] Então todos os discipulos, deixando-o, fugiram.
Jesus perante o synhedrio.
Mar. 14.53-65. Luc. 22.63-71. João 18.12-27.
57 E, os que prenderam a Jesus, o conduziram ao summo sacerdote, Caiphás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.
58 E Pedro o seguiu de longe até ao pateo do summo sacerdote: e, entrando dentro, assentou-se entre os creados, para vêr o fim.
59 E os principes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para o poderem matar,
60 Mas não o achavam, apezar de se apresentarem [31] muitas testemunhas falsas; [32] mas por fim chegaram duas falsas testemunhas,
61 E disseram: Este disse: Eu posso [33] derribar o templo de Deus, e reedifical-o em tres dias.
62 E, levantando-se o [34] summo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti?
63 Jesus, porém, [35] guardava silencio. E, insistindo o summo sacerdote, disse-lhe: [36] Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Christo, o Filho de Deus.
64 Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis [37] em breve o Filho do homem assentado á direita da magestade divina, e vindo sobre as nuvens do céu.
65 Então [38] o summo sacerdote rasgou os seus vestidos, dizendo: Blasphemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasphemia.
66 Que vos parece? E elles, respondendo, disseram: [39] E réu de morte.
67 Então cuspiram-lhe [40] no rosto; e uns lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam,
68 Dizendo: [41] Prophetiza-nos, Christo, quem é o que te bateu?
Pedro nega a Jesus.
Mar. 14.66-72. Luc. 22.54-62. João 18.15-18.
69 E Pedro estava assentado fóra, no pateo, e approximou-se d’elle uma creada, dizendo: Tu tambem estavas com Jesus, o galileo.
70 Mas elle negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71 E, saindo para o vestibulo, viu-o outra, e disse aos que ali estavam: Este tambem estava com Jesus, o nazareno.
72 E elle negou outra vez com juramento, dizendo: Não conheço tal homem.
73 E, d’ahi a pouco, approximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente tambem tu és um d’elles, pois a [42] tua falla te denuncia.
74 Então começou elle a [43] imprecar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E immediatamente o gallo cantou.
75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: [44] Antes que o gallo cante, tres vezes me negarás. E, saindo d’ali, chorou amargamente.
O suicidio de Judas.
Act. 1.16-19.
27 E, chegando a manhã, [1] todos os principes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;
3 Então Judas, [3] o que o trahira, vendo que fôra condemnado, devolveu, arrependido, as trinta [AFZ] moedas de prata aos principes dos sacerdotes e aos anciãos,
4 Dizendo: Pequei, trahindo o sangue innocente. Elles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é comtigo.
5 E elle, atirando para o templo as moedas de prata, [4] retirou-se, e, indo, enforcou-se.
6 E os principes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é licito mettel-as no cofre das offertas, porque são preço de sangue.
7 E, tendo deliberado juntamente, compraram com ellas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros.
8 Por isso foi chamado aquelle campo, [5] até ao dia d’hoje, Campo de sangue.
9 Então se realisou o que vaticinara o propheta Jeremias: [6] Tomaram as trinta moedas de prata, preço do avaliado, que os filhos d’Israel avaliaram,
10 E deram-n’as pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.
Jesus perante Pilatos.
Mar. 15.1-20. Luc. 23.1-25. João 18.26-28; 19.1-16.
11 E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos judeos? E disse-lhe [7] Jesus: Tu o dizes.
12 E, sendo accusado pelos principes dos sacerdotes e pelos anciãos, [8] nada respondeu.
13 Disse-lhe então Pilatos: [9] Não ouves quanto testificam contra ti?
14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.
15 Ora, [10] por occasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquelle que quizesse.
16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.
17 Portanto, reunindo-se elles, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Christo?
18 Porque sabia que por inveja o haviam entregado.
19 E, estando elle assentado no tribunal, mandou sua mulher dizer-lhe: Não entres na questão d’esse justo, porque n’um sonho muito soffri por causa d’elle.
20 Mas os [11] principes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram á multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.
21 E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual d’esses dois quereis vós que eu solte? E elles disseram: Barrabás.
22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Christo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.
23 O [AGA] presidente, porém, disse: Pois que mal tem feito? E elles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.
24 Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto [12] crescia, tomando agua, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou innocente do sangue d’este justo: considerae-o vós.
25 E, respondendo todo o povo, disse: O [13] seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos.
26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado [14] açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
27 E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus [AGB] á audiencia, reuniram junto d’elle toda a cohorte.
28 E, despindo-o, o cobriram com uma capa de [15] escarlata;
29 E, tecendo uma corôa [16] d’espinhos, pozeram-lh’a na cabeça, e em sua mão direita uma canna; e, ajoelhando diante d’elle, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeos.
30 E, cuspindo [17] n’elle, tiraram-lhe a canna, e batiam-lhe com ella na cabeça.
31 E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe os seus vestidos e o levaram a crucificar.
A crucifixão.
Mar. 15.21-24. Luc. 23.26-49. João 19.17-37.
32 E, quando sahiam, [18] encontraram um homem cyreneo, chamado Simão: a este constrangeram a levar a sua cruz.
33 E, chegando ao [19] logar chamado Golgotha, que se diz: Logar da Caveira,
34 Deram-lhe a beber vinagre misturado [20] com fel; mas, provando-o, não quiz beber.
35 E, havendo-o crucificado, repartiram [21] os seus vestidos, lançando sortes: para que se cumprisse o que foi dito pelo propheta: Repartiram [22] entre si os meus vestidos, e sobre a minha tunica lançaram sortes.
36 E, assentados, o [AGC] guardavam ali.
37 E por cima da sua cabeça pozeram [23] escripta a sua accusação: [24] ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEOS.
38 E foram crucificados [25] com elle dois salteadores, um á direita, e outro á esquerda.
39 E os que passavam [26] blasphemavam d’elle, meneando as cabeças,
40 E dizendo: [27] Tu, que destroes o templo, e em tres dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.
41 E da mesma maneira tambem os principes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e phariseos, escarnecendo, diziam:
42 Salvou a outros, a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei d’Israel, desça agora da cruz, e creremos n’elle;
43 Confiou em Deus; [28] livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.
44 E o mesmo lhe lançaram tambem em rosto os salteadores [29] que estavam crucificados com elle.
45 E desde a hora [30] sexta houve trevas sobre toda a terra, até á hora nona.
46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, [31] dizendo: Eli, Eli, lama sabachthani; isto é, [32] Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?
47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias.
48 E logo um d’elles, correndo, tomou uma esponja, [33] e encheu-a de vinagre, e, pondo-a n’uma canna, dava-lhe de beber.
49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livral-o.
50 E Jesus, [34] clamando outra vez com grande voz, rendeu o espirito.
51 E eis que o véu do templo [35] se rasgou em dois, d’alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as [AGD] pedras,
52 E abriram-se os sepulchros, e muitos corpos de sanctos que dormiam foram resuscitados,
53 E, saindo dos sepulchros, depois da resurreição d’elle, entraram na cidade sancta, e appareceram a muitos.
54 E o centurião [36] e os que com elle guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam succedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.
55 E estavam ali olhando de longe muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galilea, [37] servindo-o,
56 Entre as quaes estavam Maria Magdalena, [38] e Maria, mãe de Thiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeo.
A sepultura de Jesus.
Mar. 15.42-47. Luc. 23.50-57. João 19.38-42.
57 E, vinda já a tarde, chegou um homem rico de Arimathea, por nome José, que tambem era discipulo de Jesus.
58 Este chegou a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.
59 E José, tomando o corpo, envolveu-o n’um fino e limpo lençol,
60 E o poz no seu sepulchro novo, [39] que havia lavrado n’uma rocha, e, revolvendo uma grande pedra para a porta do sepulchro, foi-se.
61 E estavam ali Maria Magdalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulchro.
62 E no dia seguinte, que é depois da preparação, reuniram-se os principes dos sacerdotes e os phariseos em casa de Pilatos,
63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquelle enganador, vivendo ainda, disse: [40] Depois de tres dias resuscitarei.
64 Manda pois que o sepulchro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, não seja caso que os seus discipulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Resuscitou dos mortos; e assim o ultimo erro será peior do que o primeiro.
65 E disse-lhes Pilatos: [AGE] Tendes a guarda; ide, guardae-o como entenderdes.
66 E, indo elles, seguraram o sepulchro com a guarda, [41] sellando a pedra.
A resurreição.
Mar. 16.1-8. Luc. 24.1-12. João 20.1-18.
28 E, no fim do sabbado, quando já começava a despontar para o primeiro dia da semana, Maria Magdalena e a outra Maria foram vêr o sepulchro;
2 E eis que houvera um grande terremoto, porque o anjo [1] do Senhor, descendo do céu, chegou, e revolveu a pedra da porta, e estava assentado sobre ella.
3 E o seu [2] aspecto era como um relampago, e o seu vestido branco como neve.
4 E os guardas, com medo d’elle, ficaram muito assombrados, e tornaram-se como mortos.
5 Mas o anjo, fallando, disse ás mulheres: Vós não tenhaes medo; pois eu sei que buscaes a Jesus, que foi crucificado.
6 Não está aqui, porque já resuscitou, como havia dito. [3] Vinde, vêde o logar onde o Senhor jazia.
7 E ide immediatamente, e dizei aos seus discipulos que já resuscitou dos mortos. E eis que elle vae [4] adiante de vós para a Galilea; ali o vereis. Eis que eu vol-o tenho dito.
8 E, saindo ellas pressurosamente do sepulchro, com temor e grande alegria, correram a annuncial-o aos seus discipulos;
9 E, indo ellas annuncial-o aos seus discipulos, eis que Jesus lhes sae ao encontro, [5] dizendo: Eu vos saúdo. E ellas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram.
10 Então Jesus disse-lhes: Não temaes; ide, e annunciae a [6] meus irmãos que vão a Galilea, e lá me verão.
A mentira dos judeos.
11 E, indo ellas, eis que alguns da guarda, chegando á cidade, annunciaram aos principes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.
12 E, congregados elles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, dizendo:
13 Dizei: Vieram de noite os seus discipulos e, dormindo nós, o furtaram;
14 E, se isto chegar a ser ouvido pelo [AGF] presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
15 E elles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruidos. E foi divulgado este dito entre os judeos, até ao dia d’hoje.
Jesus apparece aos seus discipulos em Galilea.
16 E os onze discipulos partiram para Galilea, para o monte, que [7] Jesus lhes tinha destinado.
17 E, quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram.
18 E, chegando-se Jesus, fallou-lhes, dizendo: [8] É-me dado todo o poder no céu e na terra.
19 Portanto ide, [9] [AGG] ensinae todas as nações, baptizando-as em nome do Pae, e do Filho e do Espirito Sancto;
20 Ensinando-as [10] a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou comvosco todos os dias, até á consummação do mundo. Amen.