ISAIAS.
João Ferreira d' Almeida translation
Descripção dos peccados e dos soffrimentos do povo, com exhortações e ameaças.
Antes de Christo 760
1 Visão [1] d’Isaias, filho d’Amós, a qual viu sobre Judah e Jerusalem, nos dias d’Uzias, Jothão, Achaz, e Ezequias, reis de Judah.
2 Ouvi, [2] ó céus, e presta ouvido, tu ó terra; porque falla o Senhor: Criei filhos, e exalcei-os; mas elles prevaricaram contra mim.
3 O boi conhece [3] o seu possuidor, e o jumento a mangedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.
4 Ai da nação peccadora, do povo carregado d’iniquidade, da semente de malignos, [4] dos filhos corruptores: deixaram ao Senhor, blasphemaram o Sancto d’Israel, tornaram-se para traz.
5 Porque [5] ainda mais serieis castigados? ainda tanto mais vos rebellarieis: toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco.
6 Desde a planta do pé até á cabeça não ha n’elle coisa inteira, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, [6] nem vendadas, nem nenhuma d’ellas amollecida com oleo.
7 A vossa terra é uma assolação, [7] as vossas cidades estão abrazadas do fogo: a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e é uma assolação, como a subversão por estranhos.
8 E a filha de Sião se ficou como a cabana na vinha, [8] como a choupana no pepinal, como a cidade cercada.
9 Se o [9] Senhor dos Exercitos nos não deixara algum pouco de resto, [10] já como Sodoma seriamos, e similhantes a Gomorrha.
10 Ouvi a palavra do Senhor, vós [TX] [11] principes de Sodoma: prestae ouvidos á lei do nosso Deus, vós, ó povo de Gomorrha.
11 De que me serve a mim a multidão de vossos [12] sacrificios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura d’animaes cevados: nem folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
12 Quando [13] vindes a apparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viesseis a pisar os meus atrios?
13 Não me tragaes [14] mais offertas debalde: o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sabbados, e a convocação das congregações; não posso supportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento solemne.
14 As vossas luas novas, [15] e as vossas solemnidades as aborrece a minha alma; já me são pesadas: já estou cançado de as soffrer.
15 Pelo que, quando estendeis [16] as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; [17] e até quando multiplicaes a oração não ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
16 Lavae-vos, [18] purificae-vos, tirae a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos: cessae de fazer mal:
17 Aprendei a fazer bem; [19] procurae o juizo; ajudae o oppresso; fazei justiça ao orphão; tratae da causa das viuvas.
18 Vinde agora, e argui-me, [20] diz o Senhor: ainda que os vossos peccados sejam como a escarlata, elles se tornarão brancos como a neve: ainda que sejam vermelhos como o carmezim, se tornarão como a branca lã.
19 Se quizerdes, e ouvirdes, comereis o bem d’esta terra.
20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados á espada; [21] porque a bocca do Senhor o disse.
21 Como [22] se fez prostituta a cidade fiel! ella que estava cheia de juizo, justiça habitava n’ella, mas agora homicidas.
22 A tua prata [23] se tornou em escorias, o teu vinho se misturou com agua.
23 Os teus principes [24] são rebeldes, e companheiros dos ladrões: cada um d’elles ama as peitas, e correm após salarios: não fazem justiça ao orphão, e não chega perante elles a causa das viuvas.
24 Porquanto diz o Senhor Deus dos Exercitos, o Forte de Israel: [25] Ah, consolar-me-hei ácerca dos meus adversarios, e vingar-me-hei dos meus inimigos:
25 E tornarei contra a minha mão, [26] e purificarei [TY] inteiramente as tuas escorias; e tirar-te-hei todo o teu estanho.
26 E te restituirei os teus juizes, [27] como foram d’antes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.
27 Sião será remida com juizo, e os que voltam para ella com justiça.
28 Mas para os transgressores [28] e os peccadores haverá juntamente [TZ] destruição; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.
29 Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cubiçastes, e sereis confundidos [29] pelos jardins que escolhestes.
30 Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como a floresta que não tem agua.
31 E o forte se [30] tornará em estopa, e a sua obra em faisca; e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague.
A gloria futura do verdadeiro Israel. Juizos preparatorios. O dia do Senhor. A purificação de Jerusalem.
2 [UA] Visão que viu Isaias, filho de Amós, no tocante a Judah e a Jerusalem:
2 E acontecerá no ultimo dos dias que [1] se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros: e concorrerão a elle todas as nações.
3 E irão muitos povos, e dirão: Vinde, [2] subamos ao monte do Senhor, á casa do Deus de Jacob, para que nos ensine ácerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; [3] porque de Sião sairá a [UB] lei, e de Jerusalem a palavra do Senhor.
4 E julgará entre as gentes, e reprehenderá a muitos povos; [4] e converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices: não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.
5 Vinde, ó casa de Jacob: [5] e andemos na luz do Senhor.
6 Porém tu desamparaste ao teu povo, a casa de Jacob; [6] porque se encheram [UC] d’impiedade mais do que os do oriente e são agoureiros como os philisteos; e [UD] mostram o seu contentamento nos filhos dos estranhos.
7 E a sua terra está [7] cheia de prata e oiro, e não ha fim de seus thesouros: tambem está cheia a sua terra de cavallos, e dos seus carros não ha fim.
8 Tambem está cheia [8] a sua terra de idolos: inclinaram-se perante a obra das suas mãos, perante o que fabricaram os seus dedos.
9 Ali o povo se abate, e os nobres se humilham: portanto lhes não perdoarás.
10 Vae, entra nas [9] rochas, e esconde-te no pó, da presença espantosa do Senhor e da gloria da sua magestade.
11 Os olhos altivos [10] dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada: [11] e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.
12 Porque o dia do Senhor dos Exercitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o exalçado, para que seja abatido;
13 E contra todos [12] os cedros do Libano, altos e sublimes, e contra todos os carvalhos de Basan;
14 E contra todos [13] os montes altos, e contra todos os outeiros levantados;
15 E contra toda a torre alta, e contra todo o muro firme;
17 E a altivez [15] do homem será humilhada, e a altivez dos varões se abaterá, e só o Senhor será exaltado n’aquelle dia.
18 E todos os idolos totalmente perecerão.
19 Então metter-se-hão pelas cavernas das rochas, [16] e pelas concavidades da terra, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da gloria da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a terra.
20 N’aquelle [17] dia o homem lançará ás toupeiras e aos morcegos os seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que se fizeram para se prostrarem diante d’elles.
21 E metter-se-hão [18] pelas fendas das rochas, e pelas cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da gloria da sua magestade, quando elle se levantar para espantar a terra.
22 Pelo que deixae-vos do homem cujo folego está no seu nariz; porque em que se deve elle estimar?
3 Porque, eis que o Senhor Deus dos Exercitos [1] tirará de Jerusalem e de Judah o bordão e o cajado: a todo o [UF] sustento de pão, e a toda a borda d’agua;
2 Ao valente, [2] e ao soldado, ao juiz, e ao propheta, e ao adivinho, e ao ancião,
3 Ao capitão de cincoenta, e ao respeitavel, e ao conselheiro, e ao sabio entre os artifices, e ao eloquente.
4 E dar-lhes-hei mancebos [3] por principes, e creanças dominarão sobre elles.
5 E o povo será opprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu proximo: o menino se atreverá contra o ancião, e o vil contra o nobre.
6 Quando algum travar de seu irmão da casa de seu pae, dizendo: Capa tens, sê nosso principe, e toma sob a tua mão esta ruina;
7 Então levantará a sua voz n’aquelle dia, dizendo: Não posso ser medico, nem tão pouco ha em minha casa pão, nem vestido algum: não me ponhaes por principe do povo.
8 Porque tropeçou Jerusalem, [4] e Judah é caido; porquanto a sua lingua e as suas obras são contra o Senhor, para irritarem os olhos da sua gloria.
9 A apparencia das suas faces testifica contra elles; [5] e publicam os seus peccados como Sodoma; não os dissimulam: ai da sua alma! porque se fazem mal a si mesmos.
10 Dizem ao justo [6] que bem lhe irá; que comerão do fructo das suas obras.
11 Ai do impio! mal lhe irá: porque o galardão das suas mãos se lhe dará.
12 Os exactores do meu [7] povo são creanças, e mulheres dominam sobre elle: ah, povo meu! os que te guiam te enganam, e devoram o caminho das tuas veredas.
13 O Senhor se apresenta a pleitear, [8] e se põe a julgar os povos.
14 O Senhor vem em juizo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus principes; porque vós consumistes esta vinha, [9] o despojo do afflicto está em vossas casas.
15 Que tendes vós, [10] que atropellaes o meu povo e moeis as faces dos afflictos? diz o Senhor, o Deus dos Exercitos.
16 Diz ainda mais o Senhor: Porquanto as filhas de Sião se exalçam, e andam com o pescoço emproado, fazendo acenos com os olhos, e, indo andando, andam como dançando, e [UG] cascavelando com os pés:
17 Portanto o Senhor fará [UH] calva a mioleira das filhas de Sião, e o Senhor descobrirá as suas vergonhas.
18 N’aquelle dia tirará o Senhor o enfeite [11] das ligas, e as redezinhas, e as luetas,
19 Os pendentes, e as manilhas, e os vestidos resplandecentes,
20 Os diademas, e os enfeites dos braços, e os cendaes, e as bocetas cheirosas, e as arrecadas,
21 Os anneis, e as joias pendentes do nariz,
22 Os vestidos de festa, e os mantos, e as coifas, e os alfinetes,
23 Os espelhos, e as capinhas de linho finissimas, e as toucas, e os véus.
24 E será que em logar de cheiro suave haverá fedor; e por cinto uma corda; [12] e em logar d’encrespadura de cabellos, calva; e em logar de veste larga, cingimento de sacco; e queimadura em logar de formosura.
25 Teus varões cairão á espada, e teus valentes na peleja.
26 E as suas portas [13] gemerão e prantearão; e ella, ficando desolada, se assentará no chão.
4 E sete mulheres n’aquelle [1] dia lançarão mão d’um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos: tão sómente que sejamos chamadas pelo teu nome; [2] tira o nosso opprobrio.
2 N’aquelle dia [3] o Renovo do Senhor será [UI] um ornamento e uma gloria; e o fructo da terra excellente e formoso para os que escaparem d’Israel.
3 E será que aquelle que ficar de resto em Sião, e o que ficar em Jerusalem, [4] será chamado sancto: todo aquelle que em Jerusalem está escripto para vida;
4 Quando [5] o Senhor lavar a immundicia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalem do meio d’ella, com o espirito de juizo, e com o espirito de ardor.
5 E creará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião, e sobre as suas congregações, [6] uma nuvem de dia, e um fumo, e um resplandor de fogo chammejante de noite; porque sobre toda a gloria haverá protecção.
6 E haverá um tabernaculo para sombra com o calor do dia: [7] e para refugio e esconderijo contra o alagamento e contra a chuva.
A parabola da vinha, e a sua applicação.
5 Agora cantarei ao meu amado o cantico do meu bem querido da sua [1] vinha. O meu amado tem uma vinha n’um outeiro fertil.
2 E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou d’excellentes vides; e edificou no meio d’ella uma torre, e tambem fundou n’ella um lagar; e esperava que desse uvas boas, porém deu uvas bravas.
3 Agora pois, ó moradores de Jerusalem, e homens de Judah, [2] julgae, vos peço, entre mim e a minha vinha.
4 Que mais se podia fazer á minha vinha, que eu lhe não tenha feito? como, esperando eu que desse uvas boas, veiu a dar uvas bravas?
5 Agora pois vos farei saber o que eu hei de fazer á minha vinha: tirarei a sua cerca, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada;
6 E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; porém crescerão n’ella sarças e espinheiros; e ás nuvens darei ordem que não chovam chuva sobre ella.
7 Porque a vinha do Senhor dos Exercitos é a casa d’Israel, e os homens de Judah são a planta das suas delicias: e esperou que fizesse juizo, e eis aqui é [UJ] oppressão; justiça, e eis aqui clamor.
8 Ai dos que ajuntam [3] casa a casa, achegam herdade a herdade, até que não haja mais logar, e só vós fiqueis os moradores no meio da terra!
9 Nos meus ouvidos [4] estão estas coisas, disse o Senhor dos Exercitos: em verdade que muitas casas se tornarão em deserto, as grandes e excellentes sem moradores.
10 E dez geiras de vinha não darão mais do que um [UK] batho: e um homer de semente não dará mais do que um efa.
11 Ai [5] dos que se levantam pela manhã, e seguiram a bebedice; e se deteem ali até á noite, até que o vinho os esquenta!
12 E harpas [6] e alaudes, tamboris e gaitas, e vinho ha nos seus banquetes; e não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras das suas mãos.
13 Portanto [7] o meu povo será levado captivo, porque não tem entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se seccará de sêde.
14 Portanto a sepultura grandemente se alargou, e se abriu a sua bocca desmesuradamente; e a gloria d’elles, e a sua multidão, com o seu arruido, e com os que galhofam a ella desceram.
15 Então o plebeu se abaterá, [8] e o nobre se humilhará; e os olhos dos altivos se humilharão.
16 Porém o Senhor dos Exercitos será exaltado com juizo; e Deus, o Sancto, será sanctificado com justiça.
17 Então os cordeiros pastarão como de costume, e os estranhos comerão dos logares assolados dos gordos.
18 Ai dos que puxam pela iniquidade com cordas de vaidade, e pelo peccado como com cordagens de carros!
19 E dizem: [9] Avie-se já com isso, e acabe a sua obra, para que já a vejamos; e achegue-se e venha já o conselho do Sancto de Israel, para que o venhamos a saber.
20 Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal: que fazem das escuridades luz, e da luz escuridades; e fazem do amargoso doce, e do doce amargoso!
21 Ai dos que são sabios [10] a seus proprios olhos, e prudentes em si mesmos!
22 Ai [11] dos que são poderosos para beber vinho, e varões fortes para misturar bebida forte:
23 Dos que justificam [12] ao impio por peitas, e da justiça dos justos se desviam!
24 Pelo [13] que como a lingua do fogo consome a estopa, e a palha se desfaz [14] pela chamma, assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó: porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos Exercitos, e desprezaram a palavra do Sancto de Israel.
25 Pelo [15] que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, e estendeu a sua mão contra elle, e o feriu, [16] de modo que as montanhas tremeram, e os seus cadaveres foram como immundicia pelo meio das ruas: com tudo isto não tornou atraz a sua ira, antes ainda está alçada a sua mão.
26 Porque arvorará [17] o estandarte entre as nações de longe, e lhes assobiará a que venham desde a extremidade da terra: e eis que virão apressurada e ligeiramente.
27 Não haverá entre elles cançado, nem tropeçante; ninguem tosquenejará nem dormirá: nem se lhe desatará o cinto dos seus lombos, nem se lhe quebrará a correia dos seus sapatos.
28 As [18] suas frechas serão agudas, e todos os seus arcos entezados: as unhas dos seus cavallos serão tidas na conta de [UL] penha, e as rodas dos seus carros como redemoinho de vento.
29 O seu bramido será como o do leão: bramarão como filhos de leão, e rugirão, e arrebatarão a preza, e a levarão, e redemptor não haverá.
30 E bramarão contra elles n’aquelle dia, como o bramido do mar: [19] então olharão para a terra, e eis aqui trevas e ancia, e a luz se escurecerá em suas assolações.
Isaias é escolhido e consagrado para propheta.
6 No anno em que morreu o rei [1] Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime throno; e as suas [UM] fraldas enchiam o templo.
2 Seraphins estavam por cima d’elle: cada um tinha seis azas: [2] com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés e com duas voavam.
3 E clamavam uns aos outros, dizendo: Sancto, Sancto, Sancto é o Senhor dos Exercitos: toda a terra está cheia da sua gloria.
4 E os umbraes das portas se moveram com a voz do que clamava, [3] e a casa se encheu de fumo.
5 Então disse eu: [4] Ai de mim! que vou perecendo, porquanto sou de labios immundos, e habito no meio d’um povo immundo de labios, porque os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exercitos.
6 Porém um dos seraphins voou para mim, trazendo na sua mão uma braza viva, [5] que tomara do altar com uma tenaz;
7 E com ella [6] tocou a minha bocca, e disse: Eis que isto tocou os teus labios: assim já se tirou de ti a tua culpa, e já está expiado o teu peccado.
8 Depois d’isto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem ha e ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.
9 Então disse elle: Vae, e dize a este povo: [7] Ouvi, de facto, e não entendeis, e vede, em verdade, mas não percebeis.
10 Engorda [8] o coração d’este povo, e aggrava-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta, e elle o venha a sarar.
11 Então disse eu: Até quando, Senhor? E respondeu: [9] Até que se assolem as cidades, e não fique morador algum, nem homem algum nas casas, e a terra seja assolada de todo.
12 E [10] o Senhor alongue d’ella aos homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.
13 Porém ainda a decima parte ficará n’ella, e tornará a ser pastada: e como no carvalho, e como na azinheira, em que depois de se desfolharem, ainda fica firmeza, [11] assim a sancta semente será a firmeza d’ella.
Prophecias contra Israel e Syria. Manassés contra Judah.
Antes de Christo 742
7 Succedeu pois nos dias [1] de Achaz, filho de Jothão, filho d’Uzias, rei de Judah, que Resin, rei da Syria, e Peka, filho de Remalias, rei d’Israel, subiram a Jerusalem, para pelejar contra ella, porém, pelejando, nada poderam contra ella.
2 E deram aviso á casa de David, dizendo: A Syria repousa sobre Ephraim. Então se commoveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se commovem as arvores do bosque com o vento.
3 Então disse o Senhor a Isaias: [2] Agora tu e teu filho Sear-jasub sahi ao encontro de Achaz, ao fim do canal do viveiro superior, ao caminho do campo do lavandeiro.
4 E dize-lhe: Guarda-te, e está descançado, não temas, nem se desanime o teu coração por causa d’estes dois rabos de tições fumegantes, por causa do ardor da ira de Resin, e da Syria, e do filho de Remalias.
5 Porquanto a Syria teve contra ti maligno conselho, com Ephraim, e com o filho de Remalias, dizendo:
6 Vamos subir contra Judah, e despertemol-o, e repartamol-o entre nós, e façamos reinar no meio d’elle como rei o filho de Tabeal.
7 Assim diz o Senhor Deus: [3] Isto não subsistirá, nem tão pouco acontecerá.
8 Porém o cabeça da Syria será Damasco, e o cabeça de Damasco Resin: e dentro de sessenta e cinco annos Ephraim será quebrantado, e deixará de ser povo.
9 Entretanto o cabeça de Ephraim será Samaria, e o cabeça de Samaria o filho de Remalias: [4] se o não crerdes, devéras não ficareis firmes.
10 E continuou o Senhor a fallar com Achaz, dizendo:
11 Pede [5] para ti ao Senhor teu Deus um signal; pede-o ou em baixo nas profundezas ou em cima nas alturas.
12 Porém disse Achaz: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor.
13 Então disse: Ouvi agora, ó casa de David: Pouco vos é afadigardes os homens, senão que ainda afadigareis tambem ao meu Deus?
14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um signal: [6] Eis que a virgem conceberá, e parirá um filho, e chamará o seu nome [UN] Emmanuel.
15 Manteiga e mel comerá, até que elle saiba rejeitar o mal e escolher o bem.
16 Na verdade, [7] antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis.
17 Porém o Senhor [8] fará vir sobre ti, e sobre o teu povo, e sobre a casa de teu pae, dias taes, quaes nunca vieram, desde o dia em que Ephraim se desviou de Judah, pelo rei d’Assyria.
18 Porque ha de acontecer que n’aquelle dia assobiará [9] o Senhor ás moscas, que ha no extremo dos rios do Egypto, e ás abelhas que andam na terra da Assyria;
19 E virão, e pousarão todas nos valles desertos e nas fendas [10] das penhas, e em todos os espinhos e em todas as florestas.
20 N’aquelle dia rapará o Senhor com uma navalha [11] alugada, que está d’além do rio, com o rei da Assyria, a cabeça e os cabellos dos pés: e até a barba totalmente tirará.
21 E succederá n’aquelle dia que alguem creará uma vacca e duas ovelhas:
22 E acontecerá que por causa da abundancia do leite que lhe derem comerá manteiga; e manteiga e mel comerá todo aquelle que ficar de resto no meio da terra.
23 Succederá tambem n’aquelle dia que todo o logar, em que houver mil vides, do valor de mil moedas de prata, [12] será para as sarças e para os espinheiros.
24 Com arco e frechas se entrará n’elle, porque toda a terra será sarças e espinheiros.
25 E tambem todos os montes, que costumam cavar com enxadas, se não irá a elles por causa do temor das sarças e dos espinheiros, porém servirão para enviarem ali bois e serem pisados do gado miudo.
A ruina dos reinos de Israel e Syria.
Antes de Christo 740
8 Disse-me tambem o Senhor: Toma um grande volume, [1] e escreve n’elle em estylo de homem: [UO] Apressando-se ao despojo, apressurou-se á preza.
2 Então tomei comigo fieis testemunhas, [2] a Urias sacerdote, e a Zacharias, filho de Jeberechias,
3 E cheguei-me á prophetiza, a qual concebeu, e pariu um filho; e o Senhor me disse: Chama o seu nome Maher-shalal-hash-baz.
4 Porque [3] antes que o menino saiba chamar pae meu, ou mãe minha, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samaria, diante do rei da Assyria.
5 E continuou o Senhor a fallar ainda comigo, dizendo:
6 Porquanto este povo desprezou as aguas de [4] Siloé que correm brandamente, e com Resin e com o filho de Remalias se alegrou:
7 Portanto eis que o Senhor fará subir sobre elles as aguas do rio, fortes e impetuosas, ao rei da Assyria, com toda a sua gloria, e subirá acima sobre todos os seus leitos, e trasbordará por todas as suas ribanceiras.
8 E passará a Judah, inundando-a, e irá passando por elle [5] e chegará até ao pescoço: e a extensão de suas azas encherá a largura da tua terra, ó Emmanuel.
9 Ajuntae-vos [6] em companhia, ó povos, e quebrantae-vos; e dae ouvidos, todos os que sois de longes terras, cingi-vos e sêde feitos em pedaços, cingi-vos e sêde feitos em pedaços.
10 Tomae [7] juntamente conselho, e será dissipado: dizei a palavra, porém não subsistirá, porque Deus é comnosco.
11 Porque assim me disse o Senhor com mão forte, e me ensinou que não andasse pelo caminho d’este povo, dizendo:
12 Não [8] chameis conjuração, a tudo quanto este povo chama conjuração: e não temaes o seu temor, nem tão pouco vos assombreis.
13 Ao [9] Senhor dos Exercitos, a elle sanctificae: e [10] seja elle o vosso temor e seja elle o vosso assombro.
14 Então [11] elle vos será por sanctuario, mas por pedra d’escandalo, e por penha de tropeço, ás duas casas d’Israel, por laço e rede aos moradores de Jerusalem.
15 E muitos tropeçarão [12] entre elles, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos.
16 Liga o testemunho, sella a lei entre os meus discipulos.
17 E esperarei ao Senhor, [13] que esconde o seu rosto da casa de Jacob, e a elle aguardarei.
18 Eis-me aqui [14] e os filhos que me deu o Senhor, por signaes e por maravilhas em Israel, da parte do Senhor dos Exercitos, que habita no monte de Sião.
19 Quando pois vos disserem: [15] Consultae os adivinhos e os encantadores, e que, chilrando entre dentes, murmuram: Porventura não perguntará o povo a seu Deus? ou perguntar-se-ha pelos vivos aos mortos?
20 Á Lei [16] e ao Testemunho, que se elles não fallarem segundo esta palavra, [UP] nunca verão a alva.
21 E passarão pela terra duramente opprimidos e famintos: e será que, tendo fome, e enfurecendo-se, [17] então amaldiçoarão ao seu rei e ao seu Deus, olhando para cima.
22 E, [18] olhando para a terra, eis-que haverá angustia e escuridão, e serão entenebrecidos com ancia, e empuxados com escuridão.
O advento e o poder do Messias.
Antes de Christo 738
9 Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; [1] envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zabulon, e a terra de Naphtali; mas nos ultimos a ennobreceu junto ao caminho do mar, d’além do Jordão, na Galilea dos gentios.
2 O povo [2] que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na terra da sombra de morte resplandeceu uma luz.
3 Tu multiplicaste a este povo, [UQ] porém a alegria lhe augmentaste: todos se alegrarão perante ti, como se alegram na sega, [3] e como exultam quando se repartem os despojos.
4 Porque tu quebraste o jugo da sua carga, [4] e o bordão dos seus hombros, e a vara do [UR] que o guiava, como no dia dos midianitas,
5 Quando toda a peleja d’aquelles que pelejavam se fazia com ruido, [5] e os vestidos se revolviam em sangue e se queimavam para pasto do fogo.
6 Porque [6] um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus hombros, e o seu nome se chama Maravilhoso, Conselheiro, Deus [7] forte, Pae da eternidade, Principe da paz.
7 Da grandeza d’este principado e da paz [8] não haverá fim, sobre o throno de David e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juizo e com justiça, desde agora para sempre: [9] o zelo do Senhor dos Exercitos fará isto.
Ameaças contra o reino de Israel.
8 O Senhor enviou palavra a Jacob, e ella caiu em Israel.
9 E todo este povo o saberá, Ephraim e os moradores de Samaria, em soberba e altivez de coração, dizendo:
10 Os ladrilhos cairam, mas com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se as figueiras bravas, mas em cedros as mudaremos.
11 Porque o Senhor exalçará os adversarios de Resin contra elle, e misturará entre si os seus inimigos.
12 Porque diante virão os syros, e por detraz os philisteos, e devorarão a Israel á bocca aberta: [10] e nem com tudo isto se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.
13 Porque [11] este povo se não torna para quem o fere, nem busca ao Senhor dos Exercitos.
14 Pelo que o Senhor cortará a cabeça, e a cauda, o ramo e o junco d’Israel n’um mesmo dia.
15 (O ancião e o varão de respeito é a cabeça, e o propheta que ensina a falsidade é a cauda.)
16 Porque [12] os guias d’este povo são enganadores, e os guiados por elles serão devorados.
17 Pelo que o Senhor não tomará contentamento nos seus mancebos, e não se compadecerá dos seus orphãos e das suas viuvas, [13] porque todos elles são hypocritas e malfazejos, e toda a bocca falla doidices: e nem com tudo isto se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão.
18 Porque a impiedade se [14] accende como um fogo, e até as sarças e os espinheiros devorará: e accenderá os confusos troncos da brenha, e subirão em espessas nuvens de fumo.
19 Pelo furor do Senhor dos Exercitos [15] a terra se escurecerá, e será o povo como pasto do fogo; ninguem poupará ao seu irmão.
20 Se cortar da banda direita, ainda terá fome, e se comer da banda esquerda, [16] ainda se não fartará: cada um comerá a carne de seu braço.
21 Manassés a Ephraim, e Ephraim a Manassés, e ambos elles serão contra Judah, e nem com tudo isto se apartou a sua ira, [17] mas ainda está estendida a sua mão.
10 Ai dos que ordenam ordenanças injustas, e dos que prescrevem [US] trabalho aos escrivães.
Antes de Christo 713
2 Para desviarem aos pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos afflictos do meu povo, para despojarem as viuvas e para roubarem os orphãos!
3 Mas que fareis [1] vós-outros no dia da visitação, e da assolação, que ha de vir de longe? a quem vos refugiareis para obter soccorro, e onde deixareis a vossa gloria?
4 Sem que cada um se abata entre as prezas, e caia entre os mortos? [2] Com tudo isto a sua ira se não apartou, mas ainda está estendida a sua mão.
Predicção da ruina da Assyria.
5 Ai da Assyria! [3] a vara da minha ira: porque a minha indignação é o bordão nas suas mãos.
6 Envial-o-hei contra uma nação [4] hypocrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube o roubo, e lhe despoje o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas:
7 Ainda que elle não cuide [5] assim, nem o seu coração assim o imagine: antes no seu coração intentará destruir e desarraigar nações não poucas.
8 Porque diz: [6] Porventura todos os meus principes não são elles reis?
9 Não [7] é Calno como Carchemis? não é Hamath como Arphad? e Samaria como Damasco?
10 Como a minha mão achou os reinos dos idolos, ainda que as suas imagens de vulto fossem melhores do que as de Jerusalem e de que as de Samaria.
11 Porventura como fiz a Samaria e aos seus idolos, não faria eu tambem assim a Jerusalem e aos seus idolos?
12 Porque acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no monte de Sião [8] e em Jerusalem, então visitarei o fructo da arrogante grandeza do coração do rei da Assyria e a pompa da altivez dos seus olhos.
13 Porquanto disse: Com a força da minha mão o fiz, e com a minha sabedoria, porque sou entendido: e terei os limites dos povos, e roubei [UT] a sua provisão, e como valente abati aos [UU] moradores.
14 E achou [9] a minha mão as riquezas dos povos como a um ninho, e como se ajuntam os ovos deixados, assim eu ajuntei a toda a terra, e não houve quem movesse a aza, ou abrisse a bocca, ou chilrasse.
15 Porventura gloriar-se-ha [10] o machado contra o que corta com elle? ou presumirá a serra contra o que puxa por ella? como se o bordão movesse aos que o levantam, ou a vara se levantasse como não sendo pau?
16 Pelo que o Senhor, o Senhor dos Exercitos, enviará magreza entre [11] os seus gordos, e debaixo da sua gloria accenderá incendio, como incendio de fogo.
17 Porque a Luz d’Israel virá a ser por fogo e o seu Sancto por labareda, que abraze [12] e consuma os seus espinheiros e as suas sarças n’um dia.
18 Tambem consumirá a gloria [13] da sua brenha, e do seu campo fertil, [UV] desde a alma até á carne, e será como quando o porta-bandeira se desmaia.
19 E o resto das arvores da sua brenha será tão pouco em numero, que um menino as possa escrever.
20 E acontecerá n’aquelle dia que os residuos d’Israel, e os escapados da casa de Jacob, nunca mais se estribarão sobre o que os feriu: antes se estribarão verdadeiramente sobre o Senhor, o Sancto d’Israel.
21 Os residuos se converterão, os residuos, digo, de Jacob, ao Deus forte.
22 Porque [14] ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, todavia só um resto d’elle se converterá: já a destruição está determinada, trasbordando em justiça.
23 Porque [15] determinada já a destruição, o Senhor Jehovah dos Exercitos a executará no meio de toda esta terra.
24 Pelo que assim diz o Senhor Jehovah dos Exercitos: Não temas, povo meu, que habitas em Sião, [16] á Assyria, quando te ferir com a vara, e contra ti levantar o seu bordão ao modo dos egypcios,
25 Porque [17] d’aqui a bem pouco se cumprirão a minha indignação e a minha ira, para os consumir.
26 Porque o Senhor dos Exercitos levantará um açoite [18] contra elle, qual a matança de Midian junto á rocha d’Oreb, e qual a sua vara sobre o mar, que levantará ao modo dos egypcios.
27 E acontecerá, no mesmo dia, que tirará a sua carga do teu hombro, [19] e o seu jugo do teu pescoço: e o jugo será despedaçado por amor [UW] do ungido.
28 Já vem chegando a Aiath, já vae passando por Migron, e em Michmas lança a sua bagagem.
29 Já vão passando [20] o vau, já se alojam em Geba: já Rama treme, e Gibeah de Saul vae fugindo.
30 Grita altamente [21] com a tua voz, ó filha de Gallim! ouve ó Lais! ó tu pobre Anathoth.
31 Já Madmena [22] se foi, os moradores de Gebim vão fugindo em bandos.
32 Ainda um dia parará [23] em Nob: moverá a sua mão contra o monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalem.
33 Porém eis-que o Senhor Jehovah dos Exercitos decotará os ramos com violencia, e os de alta estatura serão cortados, e os altivos serão abatidos.
34 E cortará com o ferro a espessura da brenha, e o Libano cairá á mão de um poderoso.
O reino do Messias é pacifico e prospero.
11 Porque sairá [1] uma vara do tronco de Jessé, e um renovo crescerá das suas raizes.
2 E repousará sobre elle o [2] espirito do Senhor, o espirito de sabedoria e de intelligencia, o espirito de conselho e de fortaleza, o espirito de conhecimento e do temor do Senhor.
3 E [UX] o seu deleite será no temor do Senhor: e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem reprehenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos,
4 Mas julgará [3] com justiça aos pobres, e reprehenderá com equidade aos mansos da terra, [4] porém ferirá a terra com a vara de sua bocca, e com o assopro dos seus labios matará ao impio,
5 Porque a justiça [5] será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto dos seus rins.
6 E morará o lobo [6] com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará.
7 A vacca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.
8 E brincará a creança de peito sobre o buraco do aspide, e o já desmamado metterá a sua mão na cova do basilisco.
9 Não se fará mal nem [7] damno algum em nenhuma parte de todo o monte da minha sanctidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as aguas cobrem o fundo do mar.
10 Porque acontecerá n’aquelle dia [8] que as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por pendão dos povos, e o seu repouso será glorioso.
11 Porque ha de acontecer [9] n’aquelle dia que o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez os residuos do seu povo, [10] que restarem da Assyria, e do Egypto, e de Pathros, e da Ethiopia, e de Elam, e de Sinear, e de Hamath, e das ilhas do mar.
12 E levantará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, [11] e os dispersos de Judah congregará desde os quatro confins da terra.
13 E a inveja de Ephraim se [12] desviará, e os adversarios de Judah serão desarraigados: Ephraim não invejará a Judah e Judah não opprimirá a Ephraim.
14 Antes voarão sobre os hombros dos philisteos ao occidente, juntos despojarão aos do oriente: [13] em Edom e Moab porão as suas mãos, e os filhos de Ammon lhes obedecerão.
15 E [14] o Senhor [UY] destruirá totalmente o braço do mar do Egypto, e moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento, e o ferirá nas sete correntes e fará que se passe [15] por elle com sapatos.
16 E haverá caminho [16] plano para os residuos do seu povo, que restarem da Assyria, como succedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egypto.
Deus é louvado por haver restaurado o seu povo.
Antes de Christo 712
12 E dirás [1] n’aquelle dia: Graças te dou, ó Senhor, de que, ainda que te iraste contra mim, comtudo a tua ira se retirou, e tu me consolas.
2 Eis que Deus é a minha salvação; n’elle confiarei, e não temerei; porque a minha força e o meu cantico é Deus Jehovah, e elle foi a minha salvação.
3 E vós tirareis aguas com alegria das fontes da salvação.
4 E direis n’aquelle dia: [2] Dae graças ao Senhor, invocae o seu nome, manifestae os seus feitos entre os povos, contae quão exalçado é o seu nome.
5 Psalmodiae [3] ao Senhor, porque fez coisas grandiosas: saiba-se isto em toda a terra.
6 Exulta [4] e canta de gozo, ó moradora de Sião, porque o Sancto de Israel grande é no meio de ti.
A ruina de Babylonia e o livramento de Israel.
13 Pezo [1] de Babylonia, que viu Isaias, filho de Amós.
2 Alçae [2] uma bandeira sobre um alto monte, levantae a voz a elles: movei a mão em alto, para que entrem pelas portas dos principes.
3 Já eu passei ordens aos meus sanctificados: [3] já tambem chamei aos meus valentes para minha ira, os quaes são exaltados na minha magestade.
4 Já se ouve a voz de arroido sobre os montes, como de muito povo: a voz do reboliço de reinos e de nações já congregadas. O Senhor dos Exercitos passa a [UZ] mostra do exercito de guerra.
5 Já vem da terra de longe desde a extremidade do céu, assim o Senhor, como os instrumentos da sua indignação, para destruir toda aquella terra.
6 Uivae, [4] pois, porque o dia do Senhor já está perto: já vem como assolação do Todo-poderoso.
7 Pelo que todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará.
8 E assombrar-se-hão, e apoderar-se-hão d’elles dôres e ais, e se angustiarão, como a mulher com dôres de parto; cada um se espantará do seu proximo; os seus rostos serão rostos flammejantes.
9 Eis que [5] o dia do Senhor vem, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e destruir os peccadores d’ella.
10 Porque as estrellas dos céus e os seus astros não luzirão com a sua luz: [6] o sol se escurecerá em nascendo, e a lua não resplandecerá com a sua luz.
11 Porque visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os impios a sua iniquidade: [7] e farei cessar a arrogancia dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tyrannos.
12 Farei que um homem seja mais precioso do que o oiro puro, e um homem mais do que o oiro fino d’Ophir.
13 Pelo que [8] farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu logar, por causa do furor do Senhor dos Exercitos, e por causa do dia da sua ardente ira.
14 E cada um será como a corça que foge, e como a ovelha que ninguem recolhe: [9] cada um voltará para o seu povo, e cada um fugirá para a sua terra.
15 Qualquer que fôr achado será traspassado; e qualquer que se ajuntar com elle cairá á espada.
16 E suas creanças serão [10] despedaçadas perante os seus olhos: as suas casas serão saqueadas, e as suas mulheres forçadas.
17 Eis que [11] eu despertarei contra elles os médos, que não farão caso da prata, nem tão pouco desejarão oiro.
18 E os seus arcos despedaçarão os mancebos, e não se compadecerão do fructo do ventre; o seu olho não poupará aos filhos.
19 Assim será Babylonia, [12] o ornamento dos reinos, a gloria e a soberba dos chaldeos, [13] como Sodoma e Gomorrha, quando Deus as transtornou.
20 Nunca mais [14] haverá habitação n’ella, nem se habitará de geração em geração: nem o arabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores ali [VA] farão as suas malhadas.
21 Mas as bestas feras do deserto repousarão ali, [15] e as suas casas se encherão de horriveis animaes: e ali habitarão as avestruzinhas, e os satyros pularão ali.
22 E as bestas feras que uivam se apuparão umas ás outras nos seus palacios vazios, como tambem os [VB] dragões nos seus palacios de prazer; pois bem perto já vem chegando o seu tempo, e os seus dias se não prolongarão.
14 Porque o Senhor se compadecerá [1] de Jacob, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua propria terra: [2] e ajuntar-se-hão com elles os estranhos, e se achegarão á casa de Jacob.
2 E os povos os receberão, [3] e os levarão aos seus logares, e a casa d’Israel os possuirá por servos e por servas, na terra do Senhor: e captivarão aquelles que os captivaram, [4] e dominarão sobre os seus oppressores.
3 E acontecerá que no dia em que Deus vier a dar-te descanço do teu trabalho, e do teu tremor, e da dura servidão com que te fizeram servir,
4 Então levantarás este dito contra o rei de Babylonia, e dirás: Como já cessou o oppressor? como já cessou a cidade [VC] dourada?
5 Já quebrantou o Senhor o bastão dos impios e o sceptro dos dominadores.
6 Aquelle que feria aos povos com furor, com praga sem cessar, o que com ira dominava sobre as nações agora é perseguido, sem que alguem o possa impedir.
7 Já descança, já está socegada toda a terra: exclamam com jubilo.
8 Até as faias [5] se alegram sobre ti, e os cedros do Libano, dizendo: Desde que tu ahi estás por terra já ninguem sobe contra nós que nos possa cortar.
9 O [VD] inferno [6] debaixo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda: desperta por ti os mortos, e todos os principes da terra, e faz levantar dos seus thronos a todos os reis das nações.
10 Estes todos responderão, e te dirão: Tu tambem adoeceste como nós, e foste similhante a nós.
11 Já foi derribada no inferno a tua soberba com o som dos teus alaudes: os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.
12 Como [7] caiste desde o céu, ó estrella da manhã, filha da alva do dia? como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações?
13 E tu dizias no teu coração: [8] Eu subirei ao céu, por cima das estrellas de Deus exaltarei o meu throno, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte.
14 Subirei sobre as alturas das nuvens, [9] e serei similhante ao Altissimo.
15 E comtudo derribado [10] serás no inferno, aos lados da cova.
16 Os que te virem te contemplarão, considerar-te-hão, e dirão: É este o varão que fazia estremecer a terra, e que fazia tremer os reinos?
17 Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? que a seus presos não deixava ir soltos para suas casas?
18 Todos os reis das nações, todos quantos elles são, jazem com honra, cada um na sua casa.
19 Porém tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominavel, como um vestido de mortos atravessados á espada, como os que descem ao covil de pedras, como corpo morto e atropellado.
20 Com elles não serás ajuntado na sepultura; porque destruiste a tua terra e mataste o teu povo: a semente dos malignos não será nomeada para sempre.
21 Preparae a matança [11] para os seus filhos pela maldade de seus paes, para que não se levantem, e possuam a terra, e encham o mundo de cidades.
22 Porque me levantarei contra elles, diz o Senhor dos Exercitos, [12] e desarraigarei de Babylonia o nome, e os residuos, e o filho, e o neto, diz o Senhor.
23 E pôl-a-hei [13] por possessão [VE] das corujas e lagôas d’aguas: e varrel-a-hei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exercitos.
Prophecia contra os assyrios.
24 O Senhor dos Exercitos jurou, dizendo: Como pensei, assim succederá, e como determinei, assim se effectuará.
25 Quebrantarei a Assyria na minha terra, e nas minhas montanhas a atropellarei, para que o seu jugo se aparte [14] d’elles e a sua carga se desvie dos seus hombros.
26 Este é o conselho que se consultou sobre toda esta terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações.
27 Porque o Senhor dos Exercitos o determinou; [15] quem pois o invalidará? e a sua mão estendida está; quem pois a tornará atraz?
Prophecia contra os philistinos.
28 No anno em que morreu [16] o rei Achaz, aconteceu esta carga.
29 Não te alegres, ó tu, toda a Philistia, [17] de que é quebrantada a vara que te feria; porque da raiz da cobra sairá um basilisco, e o seu fructo será uma serpente ardente, voadora.
30 E os primogenitos dos pobres serão apascentados, e os necessitados se deitarão seguros; porém farei morrer de fome a tua raiz, e elle matará os teus residuos.
31 Dá uivos, ó porta, grita, ó cidade, que já tu, ó Philistia, estás toda derretida; porque do norte vem um fumo, e nenhum solitario haverá nas suas congregações.
32 Que se responderá pois aos mensageiros do povo? Que o Senhor fundou a Sião, [18] para que os oppressos do seu povo n’ella tenham refugio.
Predicção da ruina de Moab.
Antes de Christo 726
15 Pezo [1] de Moab. Certamente de noite foi destruida Ar de Moab, e foi desfeita: certamente de noite foi destruida Kir de Moab, e foi desfeita.
2 Vae subindo [2] a Bayith, e a Dibon, aos logares altos, a chorar: por Nebo e por Medeba Moab uivará; sobre todas as suas cabeças haverá calva, e toda a barba será rapada.
3 Cingiram-se de saccos nas suas ruas; [3] nos seus terraços e nas suas praças todos andam uivando, e veem descendo e chorando.
4 Assim Hesbon como Eleale, andam gritando, [4] até Jahas se ouve a sua voz; pelo que os armados de Moab fazem grande grita, a sua alma lhes será penosa.
5 O meu coração [5] dá gritos por Moab: fugiram os seus [VF] fugitivos até Zoar, como a novilha de tres annos: porque vae subindo com choro pela subida de Luhith, porque no caminho de Horonaim levantam um lastimoso pranto.
6 Porque as aguas de Nimrim serão uma pura assolação; porque já seccou o feno, pereceu a herva, e não ha verdura alguma.
7 Pelo que a abundancia que ajuntaram, e o de mais que guardaram, ao ribeiro dos salgueiros o levaram.
8 Porque o pranto rodeará aos limites de Moab; até Eglaim chegará o seu uivo, e ainda até Beerelim chegará o seu uivo.
9 Porquanto as aguas de Dimon estão cheias de sangue, porque ainda accrescentarei a Dimon os sobejos; [6] a saber, leões contra aquelles que escaparem de Moab, como tambem contra as reliquias da terra.
16 Enviae [1] o cordeiro ao dominador da terra desde Sela, ao deserto, até ao monte da filha de Sião.
2 D’outro modo succederá que serão as filhas de Moab junto aos váos [2] de Arnon como o passaro vagueante, lançado do ninho.
3 Toma conselho, faze juizo, põe a tua sombra no pino do meio-dia como a noite; esconde os desterrados, e não descubras os vagueantes.
4 Habitem entre ti os meus desterrados, ó Moab: serve-lhes de refugio perante a face do destruidor; porque o oppressor tem fim; a destruição é desfeita, e os atropelladores já são consumidos sobre a terra.
5 Porque [3] o throno se confirmará em benignidade, e sobre elle no tabernaculo de David em verdade se assentará um que julgue, e busque o juizo, e se apresse á justiça.
6 Já ouvimos a [4] soberba de Moab, que é soberbissimo: a sua altivez, e a sua soberba, e o seu furor; [5] [VG] os seus ferrolhos não são tão seguros.
7 Portanto Moab [6] uivará por Moab; todos uivarão: gemereis pelos fundamentos de Kir-hareseth, pois já estão quebrados.
8 Porque [7] já os campos d’Hesbon enfraqueceram, como tambem a vide de Sibma; já os senhores das nações atropellaram as suas melhores plantas; vão chegando a Jazer; andam vagueando pelo deserto: os seus renovos se estenderam e já passaram além do mar.
9 Pelo que prantearei, [8] com o pranto de Jazer, a vide de Sibma; regar-te-hei com as minhas lagrimas, [9] ó Hesbon e Eleale; porque já o jubilo dos teus fructos de verão e da tua sega caiu.
10 Assim que já se tirou o folguedo e a alegria [10] do fertil campo, e já nas vinhas se não canta, nem jubilo algum se faz: já o pisador não pisará as uvas nos lagares; já fiz cessar o jubilo.
11 Pelo que minhas entranhas fazem ruido [11] por Moab como harpa, e o meu interior por Kirheres.
12 E será que, quando virem que já Moab está cançado [12] nos altos, então entrará no seu sanctuario a orar, porém nada alcançará.
13 Esta é a palavra que fallou o Senhor desde então contra Moab.
14 Porém agora fallou o Senhor, dizendo: Dentro em tres annos (taes quaes os annos [13] de jornaleiros), então se virá a envilecer a gloria de Moab, com toda a sua grande multidão; e o residuo será pouco, pequeno e impotente.
Prophecia contra Damasco e Ephraim.
Antes de Christo 714
17 Pezo [1] de Damasco. Eis que Damasco será tirada, e mais não será cidade, antes será um montão de ruinas.
2 As cidades d’Aroer serão desamparadas: hão de ser para os rebanhos que se deitarão [2] sem que alguem os espante.
3 E a fortaleza [3] d’Ephraim cessará, como tambem o reino de Damasco e o residuo da Syria; serão como a gloria dos filhos de Israel, diz o Senhor dos Exercitos.
4 E será n’aquelle dia que ficará attenuada a gloria de Jacob, e a gordura da sua carne se emmagrecerá.
5 Porque será [4] como o segador que colhe a ceara e com o seu braço sega as espigas: e será tambem como o que colhe espigas no valle de Rephaim.
6 Porém ainda ficarão [5] n’elle alguns rabiscos, como no sacudir da oliveira, em que só duas ou tres azeitonas ficam na mais alta ponta dos ramos, e quatro ou cinco em seus ramos fructiferos, diz o Senhor Deus d’Israel.
7 N’aquelle dia attentará [6] o homem para o seu Creador, e os seus olhos olharão para o Sancto d’Israel.
8 E não attentará para os altares, obra das suas mãos, nem tão pouco olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens do sol.
9 N’aquelle dia serão as suas cidades fortes como [VH] plantas desamparadas, e como os mais altos ramos, os quaes vieram a deixar por causa dos filhos d’Israel, e haverá assolação.
10 Porquanto te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da rocha da tua fortaleza: pelo que bem plantarás plantas formosas, e as cercarás de sarmentos estranhos.
11 E no dia em que as plantares as farás crescer, e pela manhã farás que a tua semente brote: porém sómente será um montão do segado no dia da enfermidade e das dôres insoffriveis.
Prediz-se a ruina do exercito dos assyrios.
12 Ai da multidão dos grandes povos que bramam como bramem os mares, [7] e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas aguas.
13 Bem rugirão as nações, como rugem as muitas aguas, porém reprehendel-o-ha e fugirá para longe; [8] e será afugentado como a pragana dos montes diante do vento, e como a bola diante do tufão.
14 No tempo da tarde eis que ha pavor, mas antes que amanheça já não apparece: esta é a parte d’aquelles que nos despojam, e a sorte d’aquelles que nos saqueiam.
A destruição dos assyrios é annunciada á Ethiopia.
2 Que envia embaixadores por mar, e em navios de junco sobre as aguas, dizendo: Ide, mensageiros ligeiros, [2] á nação arrastada e pellada, a um povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; a uma nação [VK] de regra em regra e de atropellar, cuja terra [VL] despojam os rios.
3 Vós, todos os habitadores do mundo, e vós os moradores da terra, [3] quando se arvorar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis.
4 Porque assim me disse o Senhor: Estarei quieto, olhando desde a minha morada, como o ardor resplandecente depois da chuva, como a nuvem do orvalho no ardor da sega.
5 Porque antes da sega, quando já o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem depois de brotarem, então podará os sarmentos com a podoa, e, cortando os ramos, os tirará d’ali.
6 Juntamente serão deixados ás aves dos montes e aos animaes da terra: e sobre elles passarão o verão as aves de rapina, e todos os animaes da terra invernarão sobre elles.
7 N’aquelle tempo trará um presente [4] ao Senhor dos exercitos o povo arrastado e pellado, e o povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; uma nação de regra em regra e d’atropellar, cuja terra despojam os rios, ao logar do nome do Senhor dos exercitos, ao monte de Sião.
Prophecia contra o Egypto.
19 Pezo [1] do Egypto. Eis que o Senhor vem cavalgando n’uma nuvem ligeira, e virá ao Egypto: [2] e os idolos do Egypto serão movidos perante a sua face, e o coração dos egypcios se derreterá no meio d’elles.
2 Porque farei [3] com que os egypcios se levantem contra os egypcios, e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu proximo, cidade contra cidade, reino contra reino.
3 E o espirito dos egypcios se esvaecerá no seu interior, e [VM] destruirei o seu conselho: [4] então consultarão aos seus idolos, e encantadores, e adivinhos e magicos.
4 E entregarei [5] os egypcios nas mãos de um senhor duro, e um rei rigoroso dominará sobre elles, diz o Senhor, o Senhor dos Exercitos.
5 E farão perecer [6] as aguas do mar, e o rio se esgotará e seccará.
6 Tambem aos rios farão apodrecer e os esgotarão [7] e farão seccar [VN] as correntes das cavas: as canas e os juncos se murcharão.
7 [VO] A relva junto ao rio, junto ás ribanceiras dos rios, e tudo o semeado junto ao rio, se seccará, ao longe se lançará, e mais não subsistirá.
8 E os pescadores gemerão, e suspirarão todos os que lançam anzol ao rio, e os que estendem rede sobre as aguas desfallecerão.
9 E envergonhar-se-hão os que trabalham em linho fino, e os que tecem panno branco.
10 E juntamente com os seus fundamentos [VP] serão quebrantados todos os que fazem por pago viveiros de prazer.
11 Na verdade loucos são os principes de Zoan, [8] o conselho dos sabios conselheiros de Pharaó se embruteceu: como pois a Pharaó direis: Sou filho dos sabios, filho dos antigos reis?
12 Onde [9] estão agora os teus sabios? notifiquem-te agora, ou informem-se sobre o que o Senhor dos Exercitos determinou contra o Egypto.
13 Loucos se tornaram os principes de Zoan, [10] enganados estão os principes de Noph: elles farão errar o Egypto, aquelles que são a pedra de esquina das suas tribus.
14 Já o Senhor derramou no meio d’elle um perverso [11] espirito, e fizeram errar o Egypto em toda a sua obra, como o bebado quando se revolve no seu vomito.
15 E não aproveitará ao Egypto obra nenhuma que possa fazer a [12] cabeça, a cauda, o ramo, ou o junco.
16 N’aquelle tempo os egypcios serão como mulheres, [13] e tremerão e temerão por causa do movimento da mão do Senhor dos Exercitos, que ha de mover contra elles.
17 E a terra de Judah será um espanto para os egypcios, e quem d’isso fizer menção se assombrará de si mesmo, por causa do conselho do Senhor dos Exercitos, que determinou contra elles.
18 N’aquelle tempo haverá cinco cidades na terra do Egypto que fallem a lingua de Canaan e façam juramento ao Senhor dos Exercitos: e uma se chamará: Cidade de destruição.
19 N’aquelle tempo o Senhor [14] terá um altar no meio da terra do Egypto, e um titulo ao Senhor, arvorado junto do seu termo.
20 E servirá de signal [15] e de testemunho ao Senhor dos Exercitos na terra do Egypto, porque ao Senhor clamarão por causa dos oppressores, e elle lhes enviará um Redemptor e um Protector, que os livre.
21 E o Senhor se fará conhecer aos egypcios, e os egypcios conhecerão ao Senhor n’aquelle dia, [16] e servirão com sacrificios e offertas, e votarão votos ao Senhor, e os pagarão.
22 E ferirá o Senhor aos egypcios, e os curará: e converter-se-hão ao Senhor, e mover-se-ha ás suas orações, e os curará;
23 N’aquelle [17] dia haverá estrada do Egypto até á Assyria, e os assyrios virão ao Egypto, e os egypcios á Assyria: e os egypcios servirão com os assyrios ao Senhor.
24 N’aquelle dia Israel será o terceiro com os egypcios e os assyrios, uma benção no meio da terra.
25 Porque o Senhor dos Exercitos os abençoará, dizendo: Bemdito seja o meu povo do Egypto e Assyria, [18] a obra de minhas mãos, e Israel a minha herança.
Prophecia symbolica do captiveiro dos egypcios e dos ethiopes.
20 No anno em que [1] veiu Tartan a Asdod, enviando-o Sargon, rei da Assyria, e guerreou contra Asdod, e a tomou;
2 No mesmo tempo fallou o Senhor pelo ministerio d’Isaias, filho d’Amós, dizendo: [2] Vae, solta o sacco de teus lombos, e descalça os teus sapatos dos teus pés. E assim o fez, indo nú e descalço.
3 Então disse o Senhor: Assim como anda o meu servo Isaias, nú e descalço, [3] por signal e prodigio de tres annos sobre o Egypto e sobre a Ethiopia,
4 Assim o rei da Assyria levará em captiveiro os presos do Egypto, e os captivados da Ethiopia, assim moços como velhos, nús e descalços, [4] e descobertas as nadegas para vergonha dos egypcios.
5 E assombrar-se-hão, [5] e envergonhar-se-hão, por causa dos ethiopes, para quem attentavam, como tambem dos egypcios, sua gloria.
6 Então dirão os moradores d’esta ilha n’aquelle dia: Olhae que tal foi aquelle, para quem attentavamos, a quem nos acolhemos por soccorro, para nos livrarmos da face do rei da Assyria! como pois escaparemos nós?
Predicção da queda de Babylonia.
21 Pezo do deserto da banda do mar. [1] Como os tufões de vento passam por meio da terra do sul, assim do deserto virá, da terra horrivel.
2 Visão dura se notificou: o perfido trata perfidamente, [2] e o destruidor anda destruindo: sobe, [3] ó Elam, sitía, ó médo, que já fiz cessar todo o seu gemido.
3 Pelo que [4] os meus lombos estão cheios de grande enfermidade, angustias se apoderaram de mim como as angustias da que pare: já me encurvo de ouvir, e estou espantado de ver.
4 O meu coração anda errado, espavorece-me o horror: e o crepusculo, que desejava, [5] me tornou em tremores.
5 Põe a mesa, vigia na atalaia, come, bebe: levantae-vos, principes, e untae o escudo.
6 Porque assim me disse o Senhor: Vae, põe uma sentinella, e que diga o que vir.
7 E viu [6] um carro com um par de cavalleiros, um carro de jumentos, e um carro de camelos, e attentou attentamente com grande attenção.
8 E clamou: Um leão vejo, Senhor, [7] sobre a atalaia de vigia estou em pé continuamente de dia, e sobre a minha guarda me ponho noites inteiras.
9 E eis agora vem um carro de homens, e cavalleiros aos pares. Então respondeu e disse: [8] Caída é Babylonia, caída é! e todas as imagens de esculptura dos seus deuses quebrantou contra a terra.
10 Ah malhada [9] minha, e trigo da minha eira! o que ouvi do Senhor dos Exercitos, Deus de Israel, isso vos notifiquei.
Prophecia contra Duma.
11 Pezo [10] de Duma. Dão-me gritos de Seir: Guarda, que houve de noite? guarda, que houve de noite?
12 E disse o guarda: Vem a manhã, e tambem a noite; se quereis perguntar, perguntae; tornae-vos, e vinde.
Prophecia contra Arabia.
13 Pezo contra Arabia. Nos bosques de Arabia passareis a noite, ó viandantes de Dedanim.
14 Sahi ao encontro dos sequiosos com agua: os moradores da terra de Tema com o seu pão encontraram os que fugiam.
15 Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada nua, e de diante do arco armado, e de diante do pezo da guerra.
16 Porque assim me disse o Senhor: [11] Ainda dentro d’um anno, como os annos de jornaleiro, será arruinada toda a gloria de Kedar.
17 E os residuos do numero dos frecheiros, os valentes dos filhos de Kedar, serão diminuidos, porque assim o disse o Senhor, Deus de Israel.
Quadro prophetico do cerco de Jerusalem.
Antes de Christo 712
22 Pezo do valle da visão. Que tens agora, que toda tu subiste aos telhados?
2 Tu, cheia de arroidos, cidade turbulenta, [1] cidade que salta de alegria, os teus mortos não foram mortos á espada, nem morreram na guerra.
3 Todos os teus principes juntamente fugiram, os frecheiros os amarraram: todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram de longe.
4 Portanto digo: Virae de mim a vista, e chorarei amargamente: [2] não vos canceis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo.
5 Porque [3] é um dia d’alvoroço, e de atropellamento, e de confusão da parte do Senhor Jehovah dos Exercitos, no valle da visão: dia de derribar o muro e de gritar até ao monte.
6 Porque já Elam [4] tomou a aljava, já o homem está no carro, tambem ha cavalleiros: e Kir descobre os escudos.
7 E será que os teus mais formosos valles se encherão de carros, e os cavalleiros se porão em ordem ás portas.
8 E descobrirá a coberta de Judah, [5] e n’aquelle dia olharás para as armas da casa do bosque.
9 E vereis [6] as roturas da cidade de David, porquanto já são muitas, e ajuntareis as aguas do viveiro de baixo.
10 Tambem contareis as casas de Jerusalem, e derribareis as casas, para fortalecer os muros.
11 Fareis tambem [7] uma cova entre ambos os muros para as aguas do viveiro velho, porém não olhastes acima para o que fez isto, nem considerastes o que o formou desde a antiguidade.
12 E o Senhor, o Senhor dos Exercitos chamará n’aquelle [8] dia ao choro, e ao pranto, e á rapadura da cabeça, e ao cingidouro do sacco.
13 Porém eis aqui gozo e alegria, matando-se vaccas e degolando-se ovelhas, comendo-se carne, e bebendo-se vinho, e dizendo-se: [9] Comamos e bebamos, porque ámanhã morreremos.
14 Mas [10] o Senhor dos Exercitos se manifestou nos meus ouvidos, dizendo: Vivo eu, que esta maldade não vos será [VQ] perdoada até que morraes, diz o Senhor Jehovah dos Exercitos.
Sebna é degradado; Eliakim é exaltado.
15 Assim diz o Senhor Jehovah dos Exercitos: Anda e vae-te com este thesoureiro, com Sebna, o mordomo, e dize-lhe:
16 Que é o que tens aqui? ou a quem tens tu aqui, que te lavrasses aqui sepultura? [11] como o que lavra em logar alto a sua sepultura e debuxa na penha uma morada para si.
17 Eis que o Senhor d’aqui te transportará do transporte de varão, e de todo te cobrirá.
18 Certamente te fará rodar, como se faz rodar a bola em terra larga e espaçosa: ali morrerás, e ali acabarão os carros da tua gloria, ó opprobrio da casa do teu Senhor.
19 E rejeitar-te-hei do teu estado, e te repuxará do teu assento.
20 E será n’aquelle dia que chamarei a meu servo Eliakim [12] filho d’Hilkias.
21 E vestil-o-hei da tua tunica, e esforçal-o-hei com o teu talabarte, e entregarei nas suas mãos o teu dominio, e será como pae para os moradores de Jerusalem, e para a casa de Judah.
22 E porei a chave da casa de David sobre o seu hombro, [13] e abrirá, e ninguem fechará, e fechará, e ninguem abrirá.
23 E pregal-o-hei como a um [14] prego n’um logar firme, e será como um throno de honra para a casa de seu pae.
24 E n’elle pendurarão toda a honra da casa de seu pae, dos renovos e dos descendentes, como tambem todos os vasos menores, desde os vasos das taças até todos os vasos dos odres.
25 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, o prego pregado em logar firme será tirado: e será cortado, e cairá, e a carga que n’elle está se cortará, porque o Senhor o disse.
A ruina e restauração de Tyro.
Antes de Christo 715
23 Pezo [1] de Tyro. Uivai, navios de Tharsis, porque já assolada está até n’ella casa nenhuma mais ficar e n’ella ninguem mais entrar: desde a terra de Chittim lhes foi isto revelado.
2 Calae-vos, moradores da ilha, vós a quem encheram os mercadores de Sidon, navegando pelo mar.
3 E a sua provisão era a semente de Sichor, que vinha com as muitas aguas da sega do rio, e era a feira das nações.
4 Envergonha-te, ó Sidon, porque já o mar, a fortaleza do mar, falla, dizendo: Eu não tive dôres de parto, nem pari, nem ainda creei mancebos, nem eduquei donzellas.
5 Como com as novas do Egypto, assim haverá dôres quando se ouvirem as de Tyro.
6 Passae a Tharsis: uivae, moradores da ilha.
7 É esta porventura [2] a vossa cidade que andava pulando de alegria? cuja antiguidade é dos dias antigos? pois leval-a-hão os seus proprios pés para longe andarem a peregrinar.
8 Quem formou este designio contra Tyro, a coroadora? cujos mercadores são principes e cujos negociantes os mais nobres da terra?
9 O Senhor dos Exercitos formou este designio para profanar a soberba de todo o ornamento, e envilecer os mais nobres da terra.
10 Passa-te como rio pela tua terra, ó filha de Tharsis, pois já não ha precinta.
11 A sua mão estendeu sobre o mar, e turbou os reinos: o Senhor deu mandado contra Canaan, que se destruissem as suas fortalezas.
12 E disse: [3] Nunca mais pularás de alegria, ó opprimida donzella, filha de Sidon: levanta-te, passa a Chittim, e ainda ali não terás descanço.
13 Vêde a terra dos chaldeos, ainda este povo não era povo; a Assyria o fundou para os que moravam no deserto: levantaram as suas fortalezas, e edificaram os seus paços; porém a arruinou de todo.
14 Uivae, [4] navios de Tharsis, porque já é destruida a vossa força.
15 E será n’aquelle dia que Tyro será posta em esquecimento por setenta annos, como os dias d’um rei: porém no fim de setenta annos haverá em Tyro cantigas, como a cantiga d’uma prostituta.
16 Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento; toca bem, canta e repete a aria, para que haja memoria de ti.
17 Porque será no fim de setenta annos que o Senhor visitará a Tyro, e se tornará á sua ganancia de prostituta, e fornicará com todos os reinos da terra que ha sobre a face da terra.
18 E o seu commercio e a sua ganancia de prostituta será [5] consagrado ao Senhor; não se enthesourará, nem se fechará; mas o seu commercio será para os que habitam perante o Senhor, para que comam até se saciarem, e tenham vestimenta duravel.
Predicção do castigo dos israelitas, e o seu bom effeito. A promessa de livramento e da ruina dos seus inimigos. Cantico de louvor pela misericordia de Deus.
Antes de Christo 712
24 Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face, e espalha os seus moradores.
2 E assim como fôr o povo, [1] assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; [2] como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura.
3 De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra.
4 A terra pranteia e se murcha: o mundo enfraquece e se murcha: enfraquecem os mais altos do povo da terra.
5 Porque a terra [3] está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e aniquilam a alliança eterna.
6 Por isso [4] a maldição consome a terra; e os que habitam n’ella serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens ficarão de resto.
7 Pranteia o mosto, [5] enfraquece a vida; e suspirarão todos os alegres de coração.
8 Já cessou o folguedo [6] dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam de prazer, e descançou a alegria da harpa.
9 Com cantares não beberão vinho; a bebida forte será amarga para os que a beberem.
10 Já demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguem já pode entrar.
11 Um lastimoso clamor por causa do vinho se ouve nas ruas: toda a alegria se escureceu, já se desterrou o gozo da terra.
12 Desolação ainda ficou de resto na cidade, e com estalidos se quebra a porta.
13 Porque assim será no interior da terra, e no meio d’estes povos, [7] como a sacudidura da oliveira, e como os rabiscos, quando está acabada a vindima.
14 Estes alçarão a sua voz, e cantarão com alegria; e por causa da gloria do Senhor exultarão desde o mar.
15 Por isso glorificae ao Senhor nos valles, [8] e nas ilhas do mar ao nome do Senhor Deus d’Israel.
16 Dos ultimos fins da terra ouvimos psalmos para gloria do Justo; porém agora digo eu: Emmagreço, emmagreço, ai de mim! [9] os perfidos tratam perfidamente, e com perfidia tratam os perfidos perfidamente.
17 O temor, e a cova, e o laço veem sobre ti, [10] ó morador da terra.
18 E será que aquelle que fugir da voz do temor cairá na cova, e o que subir da cova o laço o prenderá; [11] porque já as janellas do alto se abrem, e os fundamentos da terra tremerão.
19 De todo será quebrantada a terra, [12] de todo se romperá a terra, e de todo se moverá a terra.
20 De todo balanceará [13] a terra como o bebado, e será movida e removida como a choça de noite; e a sua transgressão se aggravará sobre ella, e cairá, e nunca mais se levantará.
21 E será que n’aquelle dia o Senhor visitará os exercitos do alto na altura, e os reis da terra sobre a terra.
22 E juntamente serão amontoados como presos n’uma masmorra, e serão encarcerados n’um carcere: e outra vez serão visitados depois de muitos dias.
23 E a lua [14] se envergonhará, e o sol se confundirá quando [15] o Senhor dos Exercitos reinar no monte de Sião e em Jerusalem; e então perante os seus anciãos haverá gloria.
25 Ó Senhor, tu és o meu Deus; [1] exaltar-te-hei a ti, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas: os teus conselhos antigos são verdade e firmeza.
2 Porque da cidade fizeste [2] um montão de pedras, e da forte cidade uma inteira ruina, e do paço dos estranhos, que não seja mais cidade, e jámais se torne a edificar.
3 Pelo que te glorificará [3] um poderoso povo, e a cidade das nações formidaveis te temerá.
4 Porque foste a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado, na sua angustia: refugio contra o alagamento, [4] e sombra contra o calor; porque o sopro dos tyrannos é como o alagamento contra o muro.
5 Como o calor em logar secco, assim abaterás o impeto dos estranhos; como se aplaca o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o cantico dos tyrannos será humilhado.
6 E o Senhor dos Exercitos [5] fará n’este monte a todos os povos um convite de cevados, convite de vinhos puros, de tutanos gordos, e de vinhos puros, bem purificados.
7 E devorará n’este monte a mascara do rosto, com que todos os povos andam cobertos, [6] e a cobertura com que todas as nações se cobrem.
8 Devorará tambem [7] a morte com victoria, [8] e assim enxugará o Senhor Jehovah as lagrimas de todos os rostos, e tirará o opprobrio do seu povo de toda a terra; porque o Senhor o disse.
9 E n’aquelle dia se dirá: [9] Eis-que este é o nosso Deus, a quem aguardavamos, e elle nos salvará: este é o Senhor, a quem aguardavamos: na sua salvação pois nos gozaremos e alegraremos.
10 Porque a mão do Senhor descançará n’este monte; mas Moab será trilhado debaixo d’elle, como se trilha a palha no monturo.
11 E estenderá as suas mãos por entre elles, como as estende o nadador para nadar: e abaterá a sua altivez com as ciladas das suas mãos d’elles.
12 E abaixará as altas fortalezas dos teus muros, as abaterá e as derribará em terra até ao pó.
26 N’aquelle dia [1] se cantará este cantico na terra de Judah: Uma forte cidade temos, Deus lhe poz a salvação por muros e antemuros.
2 Abri as portas, para que entre n’ellas a nação justa, que observa a verdade.
3 Tu conservarás em paz aquelle cuja mente está firme em ti, porque confiará em ti.
4 Confiae no Senhor perpetuamente; [2] porque em Deus Senhor ha uma rocha eterna.
5 Porque elle abate os que habitam em logares sublimes, como tambem a cidade exalçada [3] humilhará até ao chão, e a derribará até ao pó.
6 O pé a atropellará; os pés dos afflictos, e os passos dos pobres.
7 O caminho do justo é todo plano: tu rectamente pesas o andar do justo.
8 Até no caminho dos teus juizos, Senhor, te esperamos, [4] no teu nome e na tua lembrança está o desejo da nossa alma.
9 Na minha alma [5] te desejei de noite, e com o meu espirito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juizos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça.
10 Ainda que se faça favor [6] ao impio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da rectidão obra iniquidade, e não olha para a alteza do Senhor.
11 Ó Senhor, ainda que esteja exaltada a tua mão, [7] nem por isso a vêem: vel-a-hão, porém, e confundir-se-hão por causa do zelo que tens do teu povo; e o fogo consumirá a teus adversarios.
12 Ó Senhor, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras.
13 Ó Senhor Deus nosso, [8] já outros senhores teem tido dominio sobre nós; porém, por ti só, nos lembramos do teu nome.
14 Morrendo elles, não tornarão a viver; fallecendo, não resuscitarão; por isso os visitaste e destruiste, e apagaste toda a sua memoria.
15 Tu, Senhor, augmentaste a esta gente, tu augmentaste a esta gente, fizeste-te glorioso; mas longe os lançaste, a todos os fins da terra.
16 Ó Senhor, no aperto te visitaram; [9] vindo sobre elles a tua correcção, derramaram a sua oração secreta.
17 Como [10] a mulher gravida, quando está proxima ao parto, tem dôres do parto, e dá gritos nas suas dôres, assim fomos nós por causa da tua face, ó Senhor!
18 Bem concebemos nós, e tivemos dôres de parto, porém parimos só vento: livramento não trouxemos á terra, nem cairam os moradores do mundo.
19 Os [11] teus mortos viverão, como tambem o meu corpo morto, e assim resuscitarão; despertae e exultae, os que habitaes no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho de hortaliças, e a terra lançará de si os mortos.
20 Vae pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti: [12] esconde-te por um só momento, até que passe a ira.
21 Porque eis-que o Senhor [13] sairá do seu logar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos á espada.
27 N’aquelle dia o Senhor castigará com a sua espada dura, grande e forte, ao Leviathan, aquella serpente [VR] comprida, e ao Leviathan, aquella serpente [1] tortuosa, e matará o dragão, que está no mar.
2 N’aquelle dia haverá uma vinha de vinho tinto; [2] cantae d’ella.
3 Eu o Senhor a guardo, e cada momento a regarei; para que ninguem lhe faça damno, de noite e de dia a guardarei.
4 Já não ha furor em mim: [3] quem me poria sarças e espinheiros diante de mim na guerra? eu iria contra elles e juntamente os queimaria.
5 Ou pegue [4] da minha força, e faça paz comigo: paz fará comigo.
6 Dias virão em que Jacob lançará raizes, [5] e florescerá e brotará Israel, e encherão de fructo a face do mundo.
7 Porventura feriu-o elle como feriu aos que o feriram? ou matou-o elle assim como matou aos que foram mortos por elle?
8 Com medida contendeste com ella, quando a rejeitaste, [6] quando a tirou com o seu vento forte, no tempo do vento leste.
9 Por isso se expiará a iniquidade de Jacob, e este será todo o fructo, de se ter dado peccado: quando fizer a todas as pedras do altar como pedras de cal feitas em pedaços, então os bosques e as imagens do sol não poderão ficar em pé.
10 Porque a forte cidade ficará solitaria, e a morada será rejeitada e desamparada como um deserto; ali [7] pastarão os bezerros, e ali se deitarão, e devorarão as suas ramas.
11 Quando as suas ramas se seccarem, serão quebradas, e, vindo as mulheres, as accenderão, [8] porque este povo não é povo de entendimento, pelo que aquelle que o fez não se compadecerá d’elle, nem aquelle que o formou lhe fará graça alguma.
12 E será [9] n’aquelle dia que o Senhor o padejará como se padeja o trigo, desde as correntes do rio, até ao rio do Egypto; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um.
13 E será n’aquelle dia que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assyria, e os que foram desterrados para a terra do Egypto tornarão a vir, e adorarão ao Senhor no monte sancto em Jerusalem.
O annuncio do castigo de Ephraim e de Judah por causa da sua impenitencia.
Antes de Christo 725
28 Ai da corôa [1] de soberba dos bebados de Ephraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cae, que está sobre a cabeça do fertil valle dos feridos do vinho.
2 Eis que o Senhor tem um valente e poderoso que [2] como um alagamento de saraiva, tormenta de destruição, e como um alagamento de impetuosas aguas que trasbordam, com a mão derribará por terra.
3 A corôa [3] de soberba dos bebados de Ephraim será pisada aos pés.
4 E a flor caida do seu [4] glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do fertil valle, será como a bêbera antes do verão, que, vendo a alguem, e tendo-a ainda na mão, a engole.
5 N’aquelle dia o Senhor dos Exercitos será por corôa gloriosa, e por grinalda formosa, para os residuos de seu povo;
6 E por espirito de juizo, para o que se assenta a julgar, e por fortaleza para os que fazem retirar a peleja até á porta.
7 Mas tambem estes [VS] erram com o vinho [5] e com a bebida forte se desencaminham: até [6] o sacerdote e o propheta erram por causa da bebida forte; são devorados do vinho; se desencaminham com a bebida forte, andam errados na visão, e tropeçam no juizo.
8 Porque todas as suas mesas estão cheias de vomitos e sujidade, até não haver mais logar limpo.
9 A quem [7] pois se ensinaria a sciencia? e a quem se daria a entender o que se ouviu? ao desmamado do leite, e ao arrancado dos peitos.
10 Porque é mandamento, sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra: um pouco aqui, um pouco ali.
11 Pelo que por [8] labios de gago, e por outra lingua, fallará a este povo.
12 Ao qual disse: Este é o descanço, dae descanço ao cançado, e este é o refrigerio: porém não quizeram ouvir.
13 Assim pois a palavra do Senhor lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para traz, e se quebrantem, e se enlacem, e sejam presos.
14 Pelo que ouvi a palavra do Senhor, homens escarnecedores, que dominam este povo, que está em Jerusalem.
15 Porquanto dizeis: Fizemos concerto com a morte, e com o [VT] inferno fizemos alliança; quando passar o diluvio do açoite, não chegará a nós, porque pozemos a mentira por nosso refugio, e debaixo da falsidade nos escondemos.
16 Portanto assim diz o Senhor Jehovah: [9] Eis que eu fundo em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada: aquelle que crer não se apresse.
17 E regrarei o juizo ao cordel, e a justiça ao nivel, [10] e a saraiva varrerá o refugio da mentira, e as aguas cobrirão o esconderijo.
18 E o vosso concerto com a morte se annulará; e a vossa alliança com o inferno não subsistirá; e, quando o diluvio do açoite passar, então sereis d’elle pisados.
19 Desde que começa a passar, vos arrebatará, porque todas as manhãs passará, de dia e de noite: e será que sómente o ouvir a fama causará grande turbação.
20 Porque a cama será tão curta que ninguem se poderá estender n’ella; e o cobertor tão estreito que se não possa cobrir com elle.
21 Porque o Senhor se levantará como no monte [11] de Perazim, e se irará, como no valle de Gibeon, para fazer a sua obra, a sua estranha obra, e para executar o seu acto, o seu estranho acto.
22 Agora pois mais não escarneçaes, para que vossas ataduras se não façam mais fortes: porque já ao Senhor Jehovah dos Exercitos ouvi [12] fallar d’uma [VU] destruição, e essa já está determinada sobre toda a terra.
23 Inclinae os ouvidos, e ouvi a minha voz: attendei bem, e ouvi o meu discurso.
24 Porventura lavra todo o dia o lavrador, para semear? ou abre e desterroa todo o dia a sua terra?
25 Porventura não é assim? quando já tem gradado a sua superficie, então esparge n’ella ervilhaca, e derrama cominho: ou lança n’ella do melhor trigo, ou cevada escolhida, ou centeio, cada qual no seu logar.
26 O seu Deus o ensina, e o instrue ácerca do que ha de fazer.
27 Porque a ervilhaca não se trilha com trilho, nem sobre o cominho passa roda de carro; mas com uma vara se sacode a ervilhaca, e o cominho com um páu.
28 O trigo é esmiuçado, mas não se trilha continuamente, nem se esmiuça com as rodas do seu carro, nem se quebranta com os seus cavallos.
29 Até isto procede do Senhor dos Exercitos; [13] porque é maravilhoso em conselho e grande em obra.
Prophecia contra Judah infiel: promessa de livramento.
Antes de Christo 712
29 Ai d’Ariel, [1] Ariel, a cidade em que David assentou o seu arraial! accrescentae anno a anno, e [VV] sacrifiquem sacrificios festivos.
2 Comtudo porei a Ariel em aperto, e haverá pranto e tristeza: e a cidade me será como Ariel.
3 Porque te cercarei com o meu arraial, e te sitiarei com baluartes, e levantarei tranqueiras contra ti.
4 Então serás abatida, fallarás desde debaixo da terra, e a tua falla desde o pó sairá fraca, [2] e será a tua voz desde debaixo da terra, como a d’um feiticeiro, e a tua falla assobiará desde debaixo do pó.
5 E a multidão dos teus [VW] inimigos será como [3] o pó miudo, e a multidão dos [VX] tyrannos como a pragana que passa, e n’um momento repentino succederá.
6 Do Senhor dos Exercitos serás visitada com trovões, e com terremotos, e grande arroido com tufão de vento, e tempestade, e labareda de fogo consumidor.
7 E como o sonho de visão de noite, assim será a multidão de todas as nações que pelejarão contra Ariel, como tambem todos os que pelejarão contra ella e contra os seus muros, e a porão em aperto.
8 Será tambem como [4] o faminto que sonha, e eis-que lhe parece que come, porém, acordando, se acha a sua alma vazia, ou como o sequioso que sonha, e eis-que lhe parece que bebe, porém, acordando, eis-que ainda desfallecido se acha, e a sua alma com sêde: assim será toda a multidão das nações, que pelejarem contra o monte de Sião.
9 Tardam, porém, pelo que vos maravilhae, andam folgando, portanto clamae: [5] bebados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte.
10 Porque [6] o Senhor derramou sobre vós um espirito de profundo somno, e fechou os vossos olhos; vendou os prophetas, e os vossos cabeças, e os videntes.
11 Pelo que toda a visão vos é como as palavras d’um [7] livro sellado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora lê isto: e elle dirá: Não posso, [8] porque está sellado.
12 Ou dá-se o livro ao que não sabe lêr, dizendo: Ora lê isto: e elle dirá: Não sei ler.
13 Porque o Senhor disse: [9] Pois que este povo se chega para mim com a sua bocca, e com os seus labios me honra, porém o seu coração afugenta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em [10] mandamentos de homens, [VY] em que foi instruido;
14 Portanto [11] eis-que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio d’este povo; uma obra maravilhosa e um assombro, porque [12] a sabedoria dos seus sabios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá.
15 Ai [13] dos que querem esconder profundamente o conselho do Senhor, e fazem as suas obras ás escuras, e dizem: Quem nos vê? e quem nos conhece?
16 Vossa perversidade é, como se o oleiro fosse egual ao barro, [14] e a obra dissesse ao seu artifice: Não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe.
17 Porventura não se converterá o Libano, n’um breve momento, em campo fertil? e o campo fertil não se reputará por um bosque?
18 E n’aquelle dia [15] os surdos ouvirão as palavras do livro, e d’entre a escuridão e d’entre as trevas as verão os olhos dos cegos.
19 E os mansos [16] terão gozo sobre gozo no Senhor; e os necessitados entre os homens se alegrarão no sancto de Israel:
20 Porque o [VZ] tyranno fenece, [17] e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão á iniquidade são extirpados;
21 Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, [18] e armam laços ao que os reprehende na porta, e os que [WA] lançam o justo para o deserto.
22 Portanto assim diz o Senhor, [19] que remiu a Abrahão, ácerca da casa de Jacob: Jacob não será agora mais envergonhado, nem agora se descorará mais a sua face.
23 Mas vendo elle a seus filhos, [20] a obra das minhas mãos, no meio d’elle, então sanctificarão o meu nome, e sanctificarão ao Sancto de Jacob, e temerão ao Deus de Israel.
24 E os errados [21] de espirito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão [WB] doutrina.
30 Ai dos filhos que se rebellam, diz o Senhor, [1] que tomaram conselho, mas não de mim; e que se cobriram com cobertura, mas não que venha do meu espirito; para assim accrescentarem peccado sobre peccado.
Antes de Christo 713
2 Que [2] vão descer ao Egypto, e não perguntam á minha bocca; para se fortificarem com a força de Pharaó, e para confiarem na sombra do Egypto.
3 Porque a força de Pharaó se vos tornará [3] em vergonha, e a confiança na sombra do Egypto em confusão.
4 Havendo estado [4] os seus principes em Zoan, e havendo chegado os seus embaixadores a Hanes,
5 Então todos [5] se envergonharão de um povo que de nada lhes aproveitará nem d’ajuda, nem de proveito, antes de vergonha, e até d’opprobrio, lhes servirá.
6 Peso [6] das bestas do sul. Para a terra d’afflicção e de angustia (d’onde vem a leôa e o leão, o basilisco, e o aspide ardente voador) levarão ás costas de jumentinhos as suas fazendas, e sobre as corcovas de camelos os seus thesouros, a um povo que de nada lhes aproveitará.
7 Porque [7] o Egypto os ajudará em vão, e por demais: pelo que clamei ácerca d’isto: No estarem quietos será a sua força.
8 Vae pois agora, [8] escreve isto n’uma taboa perante elles, e aponta-o n’um livro; para que fique firme até ao dia ultimo, para sempre e perpetuamente.
9 Porque [9] um povo rebelde é este, são filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor.
10 Que dizem aos videntes: Não vejaes; e aos que attentam: Não attenteis para nós no que é recto: dizei-nos coisas apraziveis, e vede para nós enganadoras lisonjas.
11 Desviae-vos do caminho, apartae-vos da vereda: fazei que cesse o Sancto de Israel de vir perante nós.
12 Pelo que assim diz o Sancto de Israel: Porquanto rejeitaes esta palavra, e confiaes na oppressão e perversidade, e sobre isso vos estribaes,
13 Por isso esta maldade vos será como a parede fendida, que vae caindo e já fórma barriga desde o mais alto muro, cuja queda virá subitamente n’um momento.
14 E os quebrará [10] como quebram o vaso do oleiro, e, quebrando-os, não se compadecerá d’elles: nem ainda um se achará entre os seus pedaços para tomar fogo do lar, ou tirar agua da poça.
15 Porque assim diz o Senhor Jehovah, o Sancto d’Israel: [11] Tornando-vos e descançando, ficarieis livres, e no socego e na confiança estaria a vossa força, porém não quizestes.
16 E dizeis: Não; antes sobre cavallos fugiremos; mas por isso mesmo fugireis; e, Sobre cavallos ligeiros cavalgaremos; por isso os vossos perseguidores tambem serão ligeiros.
17 Mil [12] homens fugirão ao grito d’um, e ao grito de cinco todos vós fugireis, até que sejaes deixados como o mastro no cume do monte, e como a bandeira no outeiro.
18 Por isso pois o Senhor esperará, para ter misericordia de vós; e por isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de equidade: [13] bemaventurados todos os que o esperam.
19 Porque o povo em Sião habitará, em Jerusalem: não chorarás de nenhuma sorte; certamente se compadecerá de ti, á voz do teu clamor, e, ouvindo-a, te responderá.
20 Bem vos dará [14] o Senhor, pão d’angustia e agua d’aperto, [15] mas os teus [WC] doutores nunca mais fugirão de ti, como voando com azas; antes os teus olhos verão a todos os teus mestres.
21 E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detraz de ti, dizendo: Este é o caminho, andae n’elle, [16] sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda.
22 E terás por contaminadas [17] as coberturas das tuas esculpturas de prata, e a coberta das tuas esculpturas fundidas d’oiro; e as lançarás fóra como um panno immundo, e dirás a cada uma d’ellas: Fóra d’aqui.
23 Então te dará [18] chuva sobre a tua semente, com que semeares a terra, como tambem pão da novidade da terra; e esta será fertil e cheia; n’aquelle dia tambem o teu gado pastará em logares largos de pasto.
24 E os bois e os jumentinhos que lavram a terra, comerão grão puro, que fôr padejado com a pá, e cirandado com a ciranda.
25 E haverá em todo [19] o monte alto, e em todo o outeiro levantado, ribeiros e correntes d’aguas, no dia da grande matança, quando cairem as torres.
26 E será a [20] luz da lua como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor soldar a quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida.