JEREMIAS.
João Ferreira d' Almeida translation
A vocação e primeira visão de Jeremias.
Antes de Christo 629
1 Palavras de Jeremias, filho de Hilkias, [1] dos sacerdotes que estavam em Anathoth, na terra de Benjamin:
2 Ao qual veiu a palavra do Senhor, nos dias de Josias, filho d’Ammon, rei de Judah, no decimo terceiro anno do seu reinado.
3 Assim lhe veiu tambem nos dias de Jeheiakim, filho de Josias, rei de Judah, [2] até ao fim do anno undecimo de Zedekias, filho de Josias, rei de Judah, [3] até que Jerusalem foi levada em captiveiro no quinto mez.
4 Assim que veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
5 Antes que te formasse [4] no ventre, te conheci, e antes que saisses da madre, te sanctifiquei; ás nações te dei por propheta.
6 Então disse eu: [5] Ah Senhor Jehovah! Eis que não sei fallar; porque ainda sou um menino.
7 Porém disse-me o Senhor: Não digas que és um menino; porque aonde quer que eu te enviar, irás; [6] e tudo quanto te mandar fallarás.
8 Não [7] temas diante d’elles; porque estou comtigo para te livrar, diz o Senhor.
9 E estendeu o Senhor a sua mão, [8] e tocou-me na bocca: e disse-me o Senhor: Eis que ponho as minhas palavras na tua bocca:
10 Olha, [9] ponho-te n’este dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derribares, e para destruires, e para arruinares; e tambem para edificares e para plantares.
11 Veiu a mim mais a palavra do Senhor, dizendo: Que é o que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira.
12 E disse-me o Senhor: Bem viste; porque apressurar-me-hei sobre a minha palavra para cumpril-a.
13 E veiu a mim a palavra do Senhor segunda vez, dizendo: Que é o que vês? E eu disse: [10] Vejo uma panella fervente, cuja face está para a banda do norte.
14 E disse-me o Senhor: [11] Do norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra.
15 Porque eis que eu convoco [12] todas as familias dos reinos do norte, diz o Senhor; e virão, e cada um porá o seu throno á entrada das portas de Jerusalem, e contra todos os seus muros em redor, e contra todas as cidades de Judah.
16 E eu pronunciarei contra elles os meus juizos, por causa de toda a sua malicia; [13] pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, e se encurvaram diante das obras das suas mãos.
17 Tu, pois, [14] cinge os teus lombos, e levanta-te, e dize-lhes tudo quanto eu te mandar: [15] não sejas espantado diante d’elles, para que eu te não espante diante d’elles.
18 Porque, eis que te ponho hoje por cidade [16] forte, e por columna de ferro, e por muros de bronze, contra toda a terra; contra os reis de Judah, contra os seus principes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra.
19 E pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu estou comtigo, diz o Senhor, para te livrar.
Jeremias é enviado a Jerusalem para reprehender a sua rebellião.
2 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Vae, e clama aos ouvidos de Jerusalem, dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, [1] da beneficencia da tua mocidade, e do amor dos teus desposorios, [2] quando andavas após mim no deserto, n’uma terra que se não semeava.
3 Então Israel [3] era sanctidade para o Senhor, e as primicias da sua novidade: todos os que comiam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre elles, diz o Senhor.
4 Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacob, e todas as familias da casa de Israel:
5 Assim diz o Senhor: [4] Que injustiça acharam vossos paes em mim, para se alongarem de mim, e se foram após a vaidade, e se tornaram levianos?
6 E não disseram: Onde está o Senhor, [5] que nos fez subir da terra do Egypto? que nos guiou pelo deserto, por uma terra de charnecas, e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra pela qual ninguem passava, e homem nenhum morava n’ella?
7 E eu vos introduzi [6] n’uma terra fertil, para comerdes o seu fructo e o seu bem; [7] mas quando entrastes n’ella contaminastes a minha terra, e da minha herança fizestes uma abominação.
8 Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? [8] E os que tratavam da lei não me conheciam, e os pastores prevaricavam contra mim, e os prophetas prophetizavam por Baal, e andavam após o que de nada aproveita.
9 Portanto ainda [9] contenderei comvosco, diz o Senhor; e até com os filhos de vossos filhos contenderei.
10 Porque, passae ás ilhas de Chittim, e vêde; e enviae a Kedar, e attentae bem, e vêde se succedeu coisa similhante.
11 Houve [10] alguma nação que tenha trocado os seus deuses, ainda que não sejam deuses? Todavia o meu povo trocou a sua gloria pelo que de nada aproveita.
12 Espantae-vos [11] d’isto, ó céus! e pasmae; e sêde grandemente assolados, diz o Senhor.
13 Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de aguas vivas, e cavaram cisternas, [12] cisternas fendidas, que já não reteem aguas.
14 Acaso [13] é Israel um servo, ou nascido em casa? porque pois veiu a ser preza?
15 Os filhos de leão bramaram [14] sobre elle, levantaram a sua voz; e pozeram a sua terra em assolação; as suas cidades se queimaram, e ninguem habita n’ellas.
16 Até os filhos de Noph e de Tachphanes [15] te quebraram o alto da cabeça.
17 Porventura [16] tu não te fazes isto a ti mesmo? pois deixas ao Senhor teu Deus, no tempo em que elle te guia pelo caminho.
18 Agora, pois, que te importa a ti o caminho [17] do Egypto, para beberes as aguas de Sihor? e que te importa a ti o caminho da Assyria, para beberes as aguas do [YO] rio?
19 A tua malicia te castigará, e os teus apartamentos te reprehenderão: sabe, pois, e vê, quão mal e amargo é deixares ao Senhor teu Deus, e não teres o meu temor comtigo, diz o Senhor Jehovah dos Exercitos.
20 Quando eu já ha muito quebrava o teu jugo, e rompia as tuas ataduras, dizias tu: [18] Nunca mais transgredirei; comtudo em todo o outeiro alto e debaixo de toda a arvore verde te andas encurvando e fornicando.
21 Eu mesmo te [19] plantei por vide excellente, e todo fiel semente: como pois te tornaste para mim uma planta degenerada de vide estranha?
22 Pelo que ainda [20] que te laves com salitre, e amontoes sabão, comtudo a tua iniquidade está apontada diante de mim, diz o Senhor Jehovah.
23 Como [21] dizes logo: Não estou contaminado nem andei após os baalins? vê o teu caminho no valle, conhece o que fizeste: dromedaria ligeira és, que anda torcendo os seus caminhos.
24 Jumenta montez, [22] acostumada ao deserto, que, conforme o desejo da sua alma, sorve o vento, [YP] quem deteria o seu encontro? todos os que a buscarem, não se cançarão; no mez d’ella a acharão.
25 Retem o teu pé de ser descalço, e a tua garganta de ter sêde: [23] porém tu dizes: Não ha esperança: não; porque amo os estranhos, e após elles andarei.
26 Como fica confundido o ladrão quando o apanham, assim se confundem os da casa de Israel; elles, os seus reis, os seus principes, e os seus sacerdotes, e os seus prophetas,
27 Que dizem ao páu: Tu és meu pae; e á pedra: Tu me geraste; porque me viraram as costas, e não o rosto: [24] porém no tempo do seu trabalho dirão: Levanta-te, e livra-nos.
28 Onde pois estão os teus deuses, [25] que fizeste para ti? que se levantem, se te podem livrar no tempo do teu trabalho: porque os teus deuses, ó Judah, são tantos em numero como as tuas cidades.
29 Porque [26] contendeis comigo? todos vós transgredistes contra mim, diz o Senhor.
30 Em vão [27] castigareis os vossos filhos; não acceitarão o castigo: a vossa espada devorou os vossos prophetas como um leão destruidor.
31 Oh geração! considerae vós a palavra do Senhor: [28] porventura tenho eu sido para Israel um deserto? ou uma terra da mais espessa escuridão? porque pois diz o meu povo: [YQ] Temos determinado nunca mais vir a ti.
32 Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a esposa dos seus sendaes? [29] todavia o meu povo se esqueceu de mim, innumeraveis dias.
33 Porque enfeitas o teu caminho, para buscares o amor? de sorte que até ás malignas ensinaste os teus caminhos.
34 Até nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue [30] das almas dos innocentes e necessitados: o que não achei minando, [YR] mas em todas estas coisas.
35 E ainda dizes: [31] Devéras que estou innocente, pois já a sua ira se desviou de mim: eis que entrarei em juizo comtigo, porquanto dizes: Não pequei.
36 Porque te desvias tanto, mudando o teu caminho? tambem do Egypto serás envergonhada, como foste envergonhada da Assyria.
37 Tambem d’aquelle sairás com as mãos [32] sobre a tua cabeça; porque o Senhor rejeitou as tuas confianças, e não prosperarás com ellas.
3 Dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ella se fôr d’elle, [1] e se ajuntar a outro homem, porventura tornará a ella mais? porventura aquella terra de todo se não profanaria? Ora, pois, [2] tu fornicaste com tantos amantes; ainda assim, torna para mim, diz o Senhor.
2 Levanta os teus olhos [3] aos altos, e vê onde não te prostituiste? nos caminhos te assentavas para elles, como o arabe no deserto: assim profanaste a terra com as tuas fornicações e com a tua malicia.
3 Pelo que foram [4] retiradas as chuvas, e chuva tardia não houve: porém tu tens a testa de uma prostituta, e não queres ter vergonha.
4 Ao menos desde agora não chamarás por mim, dizendo: Pae meu, [5] tu és o guia da minha mocidade?
5 Porventura conservará elle para sempre a ira? ou a guardará continuamente? [6] Eis que fallas, e fazes as ditas maldades, e prevaleces.
Israel e Judah são exhortados a arrepender-se com a promessa de redempção.
Antes de Christo 612
6 Disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: [7] Viste o que fez a rebelde Israel? ella foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda a arvore verde, e ali andou fornicando.
7 E [8] eu disse, depois que fez tudo isto: Volta para mim; porém não voltou: [9] e viu isto a sua aleivosa irmã Judah.
8 E vi, [10] quando por causa de tudo isto, em que commettera adulterio a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei o seu libello de divorcio, que a aleivosa Judah, [11] sua irmã, não temeu; porém foi-se e tambem ella mesmo fornicou.
9 E succedeu, pela [YS] fama da sua fornicação, que contaminou [12] a terra; porque adulterou com a pedra e com o lenho.
10 E, comtudo, nem por tudo isso voltou para mim a sua aleivosa irmã Judah, [13] de todo o seu coração, mas falsamente, diz o Senhor.
11 E o Senhor me disse: Já a rebelde Israel justificou a sua alma mais do que a aleivosa Judah.
12 Vae, pois, e apregoa estas palavras para a banda do norte, dize: Volta, ó rebelde Israel, diz o Senhor, e não farei cair a minha ira sobre vós; porque benigno sou, diz o Senhor, e não conservarei para sempre a minha ira.
13 Mas [14] comtudo conhece a tua iniquidade, porque contra o Senhor teu Deus transgrediste; e espalhaste os teus caminhos aos estranhos, [15] debaixo de toda a arvore verde; e não déste ouvidos á minha voz, diz o Senhor.
14 Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; [16] pois eu vos desposei comigo; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma geração; e vos levarei a Sião.
15 E vos darei pastores [17] segundo o meu coração, que vos apascentem com sciencia e com intelligencia.
16 E succederá que, quando vos multiplicardes e fructificardes na terra n’aquelles dias, diz o Senhor, nunca mais dirão: [18] A arca do concerto do Senhor nem lhes subirá ao coração; nem d’ella se lembrarão, nem a visitarão; nem isto se fará mais.
17 N’aquelle tempo chamarão a Jerusalem o throno do Senhor, e todas as nações se ajuntarão a ella, á causa do nome do Senhor em Jerusalem; e nunca mais andarão segundo o proposito do seu coração maligno.
18 N’aquelles dias [19] irá a casa de Judah para a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos paes.
19 Bem dizia eu: Como te porei entre os filhos, [20] e te darei a terra desejavel, a excellente herança dos exercitos das nações? Porém eu disse: Pae meu, e de após mim te não desviarás.
20 Devéras, como a mulher se aparta aleivosamente do seu companheiro, [21] assim aleivosamente te houvestes comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor.
21 Nos logares altos [22] se ouviu uma voz, pranto e supplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho, e se esqueceram do Senhor seu Deus.
22 Tornae-vos, [23] ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebelliões. Eis-nos aqui, vimos a ti; porque tu és o Senhor nosso Deus.
23 Devéras em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas: devéras no Senhor nosso Deus está a salvação de Israel.
24 Porque a [YT] confusão devorou [24] o trabalho de nossos paes desde a nossa mocidade: as suas ovelhas e as suas vaccas, os seus filhos e as suas filhas.
25 Jazemos na nossa vergonha; e estamos cobertos da nossa confusão, [25] porque peccámos contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos paes, desde a nossa mocidade até o dia de hoje; [26] e não démos ouvidos á voz do Senhor nosso Deus.
4 Se te converteres, ó Israel, diz o Senhor, [1] volta para mim: e, se tirares as tuas abominações de diante de mim, não andarás mais vagueando,
2 E jurarás: [2] Vive o Senhor na verdade, no juizo e na justiça; e n’elle se bemdirão as gentes, e n’elle se gloriarão.
3 Porque assim diz o Senhor aos homens de Judah e a Jerusalem: [3] Lavrae para vós o campo de lavoura, e não semeeis entre espinhos.
4 Circumcidae-vos [4] ao Senhor, e tirae os prepucios do vosso coração, ó homens de Judah e habitadores de Jerusalem, para que a minha indignação não venha a sair como fogo, e arda, e não haja quem a apague, por causa da malicia das vossas obras.
A invasão estrangeira annunciada e descripta.
5 Annunciae em Judah, e fazei ouvir em Jerusalem, e dizei, e tocae a trombeta na terra, gritae em alta voz, e dizei: Ajuntae-vos, [5] e entremos nas cidades fortes.
6 Arvorae a bandeira para Sião, retirae-vos em tropas, não estejaes parados; porque eu trago um mal do norte, e [YU] um grande quebrantamento.
7 Já um leão subiu [6] da sua ramada, e um destruidor das nações; elle já partiu, e saiu do seu logar para fazer da tua terra uma desolação; que as tuas cidades sejam destruidas, e ninguem habite n’ellas.
8 Por isto cingi-vos [7] de saccos, lamentae, e uivae; porque o ardor da ira do Senhor não se desviou de nós.
9 E succederá n’aquelle tempo, diz o Senhor, que se desfará o coração do rei e o coração dos principes; e os sacerdotes pasmarão, e os prophetas se maravilharão.
10 Então disse eu: Ah Senhor Jehovah! [8] verdadeiramente enganaste grandemente a este povo e a Jerusalem, dizendo: Tereis paz; e chegas-lhes a espada até á alma.
11 N’aquelle tempo se dirá a este povo e a Jerusalem: [9] Um vento secco das alturas do deserto veiu ao caminho da filha do meu povo; não para padejar, nem para alimpar;
12 [YV] Mas um vento me virá a mim, que lhes será mais vehemente: [10] agora tambem eu pronunciarei juizos contra elles.
13 Eis que virá subindo como nuvens [11] e os seus carros como a tormenta; os seus cavallos serão mais ligeiros do que as aguias; ai de nós! que somos assolados!
14 Lava [12] o teu coração da malicia, ó Jerusalem, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os pensamentos da tua vaidade?
15 Porque uma voz annuncia desde Dan, e faz ouvir a calamidade desde o monte de Ephraim.
16 D’isto fazei menção ás nações; eis aqui fazei-o ouvir contra Jerusalem; que vigias veem de uma terra remota, e levantarão a sua voz contra as cidades de Judah.
17 Como as guardas de um campo, estão contra ella ao redor; porquanto ella se rebellou contra mim, diz o Senhor.
18 O teu caminho [13] e as tuas obras te fizeram estas coisas: esta é a tua malicia, que tão amargosa é que te chega até ao coração.
19 Ah entranhas [14] minhas, entranhas minhas! estou com dôres [YW] no meu coração! ruge em mim o meu coração, já não me posso calar; porque tu, ó alma minha, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra.
20 [YX] Quebranto sobre quebranto [15] se apregoa: porque já toda a terra está destruida: de repente foram destruidas as minhas tendas, e as minhas cortinas n’um momento.
21 Até quando verei a bandeira, e ouvirei a voz da trombeta?
22 Devéras o meu povo está louco, já a mim me não conhecem; são filhos [YY] nescios, e não entendidos: [16] sabios são para mal fazer, mas para bem fazer nada sabem.
23 Vi [17] a terra, e eis que estava assolada e vazia; e os céus, e não tinham a sua luz.
24 Vi [18] os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.
25 Vi, e eis que homem [19] nenhum havia; e já todas as aves do céu eram fugidas.
26 Vi, e eis que a terra fertil era um deserto; e todas as suas cidades estavam derribadas diante do Senhor, diante do furor da sua ira.
27 Porque assim diz o Senhor: Toda esta terra [20] será assolada: de todo, porém, a não consumirei.
28 Por isto lamentará [21] a terra, e os céus em cima se ennegrecerão; porquanto assim o disse, assim o propuz, e não me arrependi [22] nem me desviarei d’isso.
29 Do clamor dos cavalleiros e dos frecheiros já fugiram todas as cidades; entraram pelas [YZ] nuvens, e treparam pelos penhascos: todas as cidades ficaram desamparadas, e já ninguem habita n’ellas.
30 Agora, pois, que farás, ó assolada? ainda que te vistas de carmezim, ainda que te enfeites de enfeites de oiro, [23] ainda que te pintes em volta dos teus olhos com o antimonio, debalde te enfeitarias: já os amantes te desprezam, e a vida te procurarão tirar.
31 Porquanto ouço uma voz, como de uma que está de parto, uma angustia como da que está com dôres de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, offegante, que [24] estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos matadores.
5 Dae voltas ás ruas de Jerusalem, e vêde agora; e informae-vos, e buscae pelas suas praças, [1] a ver se achaes alguem, ou se ha algum que faça juizo ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ella.
2 E ainda que digam: [2] Vive o Senhor, comtudo falsamente juram.
3 Ah Senhor, [3] porventura os teus olhos não attentam para a verdade? feriste-os, e não lhes doeu: consumiste-os, e não quizeram receber [ZA] castigo: endureceram as suas faces mais do que uma rocha; não quizeram voltar.
4 Eu, porém, disse: Devéras pobres são estes: estão enlouquecidos; [4] pois não sabem o caminho do Senhor, o juizo do seu Deus.
5 Irei aos grandes, e fallarei com elles; [5] porque elles sabem o caminho do Senhor, o juizo do seu Deus; porém estes juntamente quebrantaram o jugo, e romperam as ataduras.
6 Por isso um leão [6] do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; [7] um leopardo vigia contra as suas cidades: qualquer que sair d’ellas será despedaçado; porque as suas transgressões se multiplicaram, multiplicaram-se as suas apostasias.
7 Como, vendo isto, te perdoaria? teus filhos me deixam a mim [8] e juram pelos que não são deuses: quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretriz se ajuntaram em tropas.
8 Como cavallos [9] bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um á mulher do seu companheiro.
9 Porventura [10] não faria visitação por estas coisas, diz o Senhor, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?
10 Subi aos seus muros, e destrui-os (porém não façaes uma destruição final); tirae [ZB] as suas ameias; porque não são do Senhor.
11 Porque aleivosissimamente se houveram contra mim [11] a casa de Israel e a casa de Judah, diz o Senhor.
12 Negam [12] ao Senhor, e dizem: Não é Elle: e; Nem nos sobrevirá mal, nem veremos espada nem fome.
13 E até os prophetas pararão em vento, porque a palavra não está com elles: assim lhes succederá a elles mesmos.
14 Portanto assim diz o Senhor, o Deus dos Exercitos: Porquanto fallaste tal palavra, [13] eis que converterei as minhas palavras na tua bocca em fogo, e a este povo em lenha, e os consumirá.
15 Eis que trarei sobre vós [14] uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o Senhor: é uma nação robusta, é uma nação antiquissima, uma nação cuja lingua ignorarás, e não entenderás o que ella fallar.
16 A sua aljava é como uma sepultura aberta: todos elles são valentes.
17 E comerão a tua sega [15] e o teu pão, que haviam de comer teus filhos e tuas filhas; comerão as tuas ovelhas e as tuas vaccas; comerão a tua vide e a tua figueira: as tuas cidades fortes, em que confiavas, empobrecerão á espada.
18 Comtudo, ainda n’aquelles dias, diz o Senhor, [16] não farei de vós uma destruição final.
19 E succederá que, quando disserdes: [17] Porque nos fez o Senhor nosso Deus todas estas coisas? então lhes dirás: Como vós me deixastes, [18] e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa.
20 Annunciae isto na casa de Jacob, e fazei-o ouvir em Judah, dizendo:
21 Ouvi [19] agora isto, ó povo louco, e sem coração, que tendes olhos e não vêdes, que tendes ouvidos e não ouvis.
22 Porventura me não temereis [20] a mim? diz o Senhor; não temereis diante de mim, [21] que puz a areia por limite ao mar, por ordenança eterna, a qual não traspassará? ainda que se levantem as suas ondas, comtudo não prevalecerão; ainda que bramam, comtudo não a traspassarão.
23 Porém este povo é de coração rebelde e pertinaz: já se rebellaram e se retiram.
24 E não dizem no seu coração: Temamos agora ao Senhor nosso Deus, [22] que dá chuva, a temporã e a tardia, ao seu tempo; e as semanas determinadas da sega nos conserva.
25 As vossas iniquidades desviam estas coisas, e os vossos peccados apartam de vós o bem.
26 Porque impios se acham entre o meu povo: [23] cada um anda espiando, como se acaçapam os passarinheiros; armam laços perniciosos, com que prendem os homens.
27 Como a gaiola está cheia de passaros, assim estão cheias as suas casas de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram.
28 Engordam-se, [24] alisam-se, e sobrepujam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do orphão; todavia prosperam: nem julgam o direito dos necessitados.
29 Porventura [25] sobre estas coisas não faria visitação? diz o Senhor; não se vingaria a minha alma d’uma nação como esta?
30 Coisa espantosa [26] e horrenda se anda fazendo na terra.
31 Os prophetas prophetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos d’elles, e o meu povo assim o deseja: mas que fareis ao fim d’isto?
6 Fugi em tropas, filhos de Benjamin, do meio de Jerusalem; e tocae a buzina em Tekoa, [1] e levantae o facho sobre Beth-accerem: porque da banda do norte apparece um mal e um grande quebrantamento.
2 A uma mulher formosa e delicada assimilhei a filha de Sião.
3 Mas a ella virão pastores com os seus rebanhos; [2] levantarão contra ella tendas em redor, e cada um apascentará no seu logar.
4 Preparae [3] a guerra contra ella, levantae-vos, e subamos ao pino do meio-dia: ai de nós! que já declinou o dia, que já se vão estendendo as sombras da tarde.
5 Levantae-vos, e subamos de noite, e destruamos os seus palacios.
6 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos: Cortae arvores, e levantae tranqueiras contra Jerusalem; esta é a cidade que ha de ser visitada, mera oppressão ha no meio d’ella.
7 Como [4] a fonte produz as suas aguas, assim ella produz a sua malicia: violencia e estrago se ouvem n’ella; enfermidade e feridas ha diante de mim continuadamente.
8 Corrige-te, ó Jerusalem, para [5] que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada.
9 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Diligentemente rabiscarão os residuos de Israel com a vinha: torna a tua mão, como o vindimador, aos cestos.
10 A quem fallarei e testemunharei, que ouça? [6] eis que os seus ouvidos estão incircumcisos, e já não podem escutar; [7] eis que a palavra do Senhor lhes é coisa vergonhosa, e já não gostam d’ella.
11 Pelo que já estou cheio do furor do Senhor, [8] e cançado de o conter: derramal-o-hei sobre os meninos pelas ruas, e sobre o ajuntamento dos mancebos juntamente; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho com o que está cheio de dias.
12 E as suas casas [9] passarão a outros, herdades e mulheres juntamente: porque estenderei a minha mão contra os habitantes d’esta terra, diz o Senhor.
13 Porque desde o menor d’elles até ao maior d’elles, [10] cada um se dá á avareza; e desde o propheta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade.
14 E curam [11] o quebrantamento da filha do meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; e não ha paz.
15 Porventura envergonham-se [12] de fazerem abominação? antes de maneira nenhuma são envergonhados, nem tão pouco sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem; no tempo da sua visitação tropeçarão, diz o Senhor.
16 Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vêde, e perguntae pelas [13] veredas antigas, qual seja o bom caminho, e andae por elle; e achareis descanço para a vossa alma: e dizem: Não andaremos por elle.
17 Tambem puz atalaias [14] sobre vós, dizendo: Estae attentos á voz da buzina: e dizem: Não escutaremos.
18 Portanto ouvi, vós, nações; e informa-te tu, ó congregação, do que se faz entre elles!
19 Ouve tu, ó terra! [15] Eis que eu trarei mal sobre este povo, a saber, o fructo dos seus pensamentos; porque não estão attentos ás minhas palavras, e rejeitam a minha lei.
20 Para que pois me virá [16] o incenso de Saba [17] e a melhor cana aromatica de terras remotas? vossos holocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrificios.
21 Portanto assim diz o Senhor: Eis que armarei a este povo tropeços; e tropeçarão n’elles paes e filhos juntamente: o visinho e o seu companheiro; e perecerão.
22 Assim diz o Senhor: [18] Eis que um povo vem da terra do norte, e uma grande nação se levantará das bandas da terra.
23 Arco e lança trarão, crueis são, e não usarão de misericordia, [19] a sua voz rugirá como o mar, e em cavallos irão montados, dispostos como homens de guerra contra ti, ó filha de Sião.
24 Já ouvimos a sua fama, [20] affrouxaram-se as nossas mãos; já angustia nos tomou, e dôres como da mulher que está de parto.
25 Não saias ao campo, nem andeis pelo caminho; porque espada do inimigo e espanto ha ao redor.
26 Ó filha do meu povo, [21] cinge-te de sacco, e revolve-te na cinza: pranteia como por um filho unico, pranto de amarguras; porque presto virá o destruidor sobre nós.
27 Por torre de guarda [22] te puz entre o meu povo, por fortaleza, para que soubesses e examinasses o seu caminho.
28 Todos [23] elles são os mais rebeldes; que andam murmurando; são duros como bronze e ferro: todos elles são corruptores.
29 Já o folle se queimou, o chumbo se consumiu com o fogo: em vão fundiu o fundidor tão diligentemente, pois os maus não são arrancados.
30 Prata rejeitada lhes chamarão, porque o Senhor os rejeitou.
Promessas e ameaças proferidas á porta do templo.
Antes de Christo 600
7 A palavra que foi dita a Jeremias pelo Senhor, dizendo:
2 Põe-te [1] á porta da casa do Senhor, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do Senhor, ó todo Judah, os que entraes por estas portas, para adorardes ao Senhor.
3 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: [2] Melhorae os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar n’este logar.
4 Não vos fieis [3] em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor são estes.
5 Mas, se devéras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, [4] se devéras fizerdes juizo entre um homem e entre o seu companheiro,
6 Não opprimirdes o estrangeiro, e orphão, e viuva, nem derramardes sangue innocente n’este logar [5] nem andardes após os deuses alheios para vosso mal,
7 Eu vos farei habitar [6] n’este logar, na terra que dei a vossos paes, de seculo em seculo.
8 Eis que vós confiaes [7] nas palavras falsas, que não aproveitam para nada.
9 Porventura furtareis, [8] e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após os deuses alheios, a quem não conheceis?
10 E então vireis, [9] e vos poreis diante de mim n’esta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos [ZC] entregues para fazermos todas estas abominações.
11 É pois [10] esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? eis que tambem eu o vi, diz o Senhor.
12 Porque ide agora ao meu logar, [11] que estava em Silo, onde fiz habitar o meu nome ao principio, e vêde o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo Israel.
13 Agora, pois, porquanto fazeis todas estas obras, diz o Senhor, e eu vos fallei, [12] madrugando, e fallando, e não ouvistes, e chamei-vos, e não respondestes,
14 Farei tambem a esta casa, que se chama pelo meu nome, em que confiaes, e a este logar, que vos dei [13] a vós e a vossos paes, como fiz a Silo.
15 E vos lançarei de diante da minha face, [14] como lancei a todos os vossos irmãos, a toda a geração d’Ephraim.
16 Tu pois não ores [15] por este povo, nem levantes por elle clamor nem oração, nem me importunes, [16] porque eu não te ouvirei.
17 Porventura tu não vês o que andam fazendo nas cidades de Judah, e nas ruas de Jerusalem?
18 Os filhos [17] apanham a lenha, e os paes accendem o fogo, e as mulheres amassam a massa, para fazerem bolos á rainha dos céus, e offerecem [18] libações a deuses alheios, para me provocarem á ira.
19 Acaso [19] elles a mim me provocam á ira? diz o Senhor, e não antes a si mesmos, para confusão dos seus rostos?
20 Portanto assim diz o Senhor Jehovah: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este logar, sobre os homens e sobre as bestas, e sobre as arvores do campo, e sobre os fructos da terra; e accender-se-ha, e não se apagará.
21 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: [20] Ajuntae os vossos holocaustos aos vossos sacrificios, e comei carne.
22 Porque [21] nunca fallei a vossos paes, no dia em que vos tirei da terra do Egypto, nem lhes ordenei coisa alguma ácerca de holocaustos ou sacrificios.
23 Porém esta coisa lhes ordenei, dizendo: [22] Dae ouvidos á minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andae em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem.
24 Porém não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, [23] mas andaram nos seus proprios conselhos, no proposito do seu coração malvado; e tornaram-se para traz, e não para diante.
25 Desde o dia em que vossos paes sairam da terra do Egypto, até ao dia de hoje, [24] enviei-vos todos os meus servos, os prophetas, cada dia madrugando e enviando-os;
26 Porém não me deram [25] ouvidos, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz, e fizeram peior do que seus paes.
27 Fallar-lhes-has [26] pois todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamal-os-has, mas não te responderão.
28 E lhes dirás: Esta é gente que não dá ouvidos á voz do Senhor seu Deus [27] e não acceita castigo: já pereceu a verdade, e se arrancou da sua bocca.
29 Tosquia [28] o cabello da tua cabeça, e lança-o fóra, e levanta o teu pranto sobre as alturas; porque já o Senhor rejeitou e desamparou a geração do seu furor;
30 Porque os filhos de Judah fizeram o que parece mal aos meus olhos, diz o Senhor; [29] pozeram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para contaminal-a.
31 E edificaram [30] os altos de Topheth, que está no valle do filho de Hinnom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas; o que nunca ordenei, nem me subiu sobre o coração.
32 Portanto, [31] eis que veem dias, diz o Senhor, em que nunca se chamará mais Topheth, nem valle do filho de Hinnom, mas o valle da matança; [32] e enterrarão em Topheth, por não haver logar.
33 E os cadaveres [33] d’este povo servirão de pasto ás aves dos céus e aos animaes da terra; e ninguem os espantará.
34 E farei [34] cessar das cidades de Judah, e das ruas de Jerusalem, a voz de folguedo, e a voz de alegria, a voz de esposo e a voz de esposa; [35] porque a terra se tornará em desolação.
8 N’aquelle tempo, diz o Senhor, tirarão os ossos dos reis de Judah, e os ossos dos seus principes, e os ossos dos sacerdotes, e os ossos dos prophetas, e os ossos dos habitantes de Jerusalem para fóra das suas sepulturas;
2 E expôl-os-hão ao sol, e á lua, e a todo o exercito do céu, a quem tinham amado, e a quem tinham servido, e após quem tinham ido, [1] e a quem tinham buscado e diante de quem se tinham prostrado: não serão recolhidos nem sepultados; serão por esterco sobre a face da terra.
3 E escolher-se-ha antes a morte [2] do que a vida de todo o resto dos que restarem d’esta raça maligna, em todos os logares dos que restam, onde os lancei, diz o Senhor dos Exercitos.
A apostasia do povo de Deus. O castigo é inevitavel.
4 Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Porventura cairão e não se tornarão a levantar? desviar-se-hão, e não voltarão?
5 Porque pois se desvia [3] este povo de Jerusalem com uma apostasia tão continua? retem o engano, não quer voltar.
6 Bem escutei [4] e ouvi; não fallam o que é recto, ninguem ha que se arrependa da sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se volta para a sua carreira, como um cavallo que arremette com impeto na batalha.
7 Até a cegonha [5] no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, e o grou e a andorinha attentam para o tempo da sua vida; [6] mas o meu povo não conhece o juizo do Senhor.
8 Como pois dizeis: Nós somos sabios, [7] e a lei do Senhor está comnosco? eis que devéras em vão trabalha a falsa penna dos escribas.
9 Os sabios foram envergonhados, [8] foram espantados e presos: eis que rejeitaram a palavra do Senhor; que sabedoria pois teriam?
10 Portanto darei [9] suas mulheres a outros, e as suas herdades a quem as possua; [10] porque desde o menor até ao maior cada um d’elles se dá á avareza; desde o propheta até ao sacerdote, cada um d’elles usa de falsidade.
11 E curam [11] a quebradura da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; e não ha paz.
12 Porventura [12] envergonham-se de fazerem abominação? antes de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo da sua visitação, diz o Senhor.
13 Certamente os apanharei, diz o Senhor: [13] já não ha uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará d’elles.
14 Porque nos assentamos aqui? juntae-vos [14] e entremos nas cidades fortes, e ali nos calemos; pois já o Senhor nosso Deus nos fez calar [15] e nos deu a beber agua de fel; porquanto peccámos contra o Senhor.
15 Espera-se [16] a paz, mas não ha bem: o tempo da cura, e eis o terror.
16 Já desde [17] Dan se ouve o ronco dos seus cavallos: toda a terra está tremendo á voz dos rinchos dos seus fortes; e veem, e devoram a terra, e a abundancia n’ella, a cidade e os que habitam n’ella.
17 Porque eis que envio entre vós serpentes e basiliscos, contra os quaes não ha encantamento, e vos morderão, diz o Senhor.
18 [ZD] O meu refrigerio está em tristeza: o meu coração desfallece em mim.
19 Eis que a voz do clamor da filha do meu povo já se ouve da terra [18] mui remota; porventura não está o Senhor em Sião? ou não está o seu rei n’ella? porque me provocaram á ira com as suas imagens de esculptura, com as vaidades dos alheios.
20 Já se passou a sega, já se acabou o verão, e nós não estamos salvos.
21 Já estou quebrantado pela quebradura [19] da filha do meu povo: já ando de preto: o espanto se apoderou de mim.
22 Porventura não ha unguento [20] em Gilead? ou não ha lá medico? porque pois não teve logar a cura da filha do meu povo?
9 Oxalá a minha [1] cabeça se tornasse em aguas, e os meus olhos n’uma fonte de lagrimas! então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.
2 Oxalá tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! então deixaria o meu povo, e me apartaria d’elle, [2] porque todos elles são adulteros, e um bando d’aleivosos.
3 E estendem [3] a sua lingua como o seu arco, para mentira; fortalecem-se na terra, porém não para verdade; porque se avançam de malicia em malicia, [4] e a mim me não conhecem, diz o Senhor.
4 Guardae-vos cada um [5] do seu amigo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, [6] e todo o amigo anda calumniando.
5 E zombará cada um do seu amigo, e não fallam a verdade: ensinam a sua lingua a fallar a mentira, andam-se cançando em obrar perversamente.
6 A tua habitação está no meio do engano: com engano recusam conhecer-me, diz o Senhor.
7 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: [7] Eis que eu os fundirei e os provarei; porque, como d’outra maneira faria com a filha do meu povo?
8 Uma frecha mortifera [8] é a sua lingua, falla engano: com a sua bocca falla de paz com o seu companheiro, mas no seu interior arma-lhe ciladas.
9 Porventura [9] por estas coisas não os visitaria? diz o Senhor; ou não se vingaria a minha alma de gente tal como esta?
10 Sobre os montes levantarei choro e pranto, [10] e sobre as cabanas do deserto lamentação; porque já estão queimadas, e ninguem ha que passe por ali, nem ouçam berro de gado: [11] já desde as aves dos céus, até ás bestas, andaram vagueando, e fugiram.
11 E farei de Jerusalem [12] montões de pedras, morada de [ZE] dragões, e das cidades de Judah farei uma assolação, de sorte que não haja habitante.
12 Quem é o homem sabio, que entenda isto? e a quem fallou a bocca do Senhor, que o possa annunciar? porque razão pereceu a terra, e se queimou como deserto, sem que ninguem passe por ella.
13 E disse o Senhor: Porquanto deixaram a minha lei, que dei perante a sua face, e não deram ouvidos á minha voz, nem andaram conforme ella,
14 Antes andaram após [13] o proposito do seu coração, e após os baalins, [14] o que lhes ensinaram os seus paes,
15 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel: [15] Eis que darei de comer alosna a este povo, e lhe darei a beber agua de fel.
16 E os espalharei [16] entre nações, que não conheceram, nem elles nem seus paes, e mandarei a espada após elles, até que venha a consumil-os.
17 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Considerae, [17] e chamae carpideiras que venham; e enviae por sabias, para que venham.
18 E se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós; [18] e desfaçam-se os nossos olhos em lagrimas, e as nossas palpebras se distillem em aguas.
19 Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como somos destruidos! estamos mui envergonhados, porque deixámos a terra, [19] porquanto transtornaram as nossas moradas.
20 Ouvi pois, vós, mulheres, a palavra do Senhor, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua bocca: e ensinae o pranto a vossas filhas, e cada uma á sua companheira a lamentação.
21 Porque já a morte subiu pelas nossas janellas, e entrou em nossos palacios, [20] para exterminar os meninos das ruas e os mancebos das praças.
22 Falla: [21] Assim diz o Senhor: Até os cadaveres dos homens jazerão como esterco sobre a face do campo, e como gavela detraz do segador, e não ha quem a recolha.
23 Assim diz o Senhor: [22] Não se glorie o sabio na sua sabedoria, nem se glorie o valente na sua valentia; não se glorie o rico nas suas riquezas.
24 Mas [23] o que se gloriar glorie-se n’isto, em que me entende e me conhece, que eu sou o Senhor, que faço beneficencia, juizo e justiça na terra; [24] porque d’estas coisas me agrado, diz o Senhor.
26 Ao Egypto, e a Judah, e a Edom, e aos filhos d’Ammon, e a Moab, [26] e a todos os [ZG] que moram nos ultimos cantos da terra, que habitam no deserto; porque todas as nações são incircumcisas, e toda a casa d’Israel é incircumcisa de coração.
Os idolos e o Senhor.
Antes de Christo 608
10 Ouvi a palavra que o Senhor vos falla a vós, ó casa d’Israel.
2 Assim diz o Senhor: [1] Não aprendaes o caminho das nações, nem vos espanteis dos signaes dos céus: porque com elles se atemorisam as nações.
3 Porque os estatutos dos povos são vaidade: [2] pois corta-se do bosque um madeiro, obra das mãos do artifice, com machado;
4 Com prata e com oiro o enfeitam, [3] com pregos e com martelos o firmam, para que não se abale.
5 São como a palma da obra magica, [4] porém não podem fallar; necessitam de ser levados aos hombros, porquanto não podem andar; não tenhaes temor d’elles, pois não podem fazer mal, nem tão pouco teem poder de fazer bem.
6 Pois ninguem [5] ha similhante a ti, ó Senhor: tu és grande, e grande o teu nome em força.
7 Quem [6] te não temeria a ti, ó Rei das nações? pois isto te compete a ti; porquanto entre todos os sabios das nações, e em todo o seu reino, não ha similhante a ti.
8 Pois juntamente todos se embruteceram [7] e vieram a enlouquecer: ensino de vaidades é o madeiro.
9 Trazem prata estendida de Tarsis [8] e oiro d’Uphaz, para obra do artifice, e das mãos do fundidor: fazem seus vestidos d’azul celeste e purpura; obra de sabios são todos elles.
10 Porém o Senhor Deus é a verdade; elle mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem supportar a sua indignação.
11 Assim lhes direis: [9] Os deuses que não fizeram os céus e a terra perecerão da terra e de debaixo d’este céu.
12 Elle é aquelle que [10] fez a terra com o seu poder, que estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua intelligencia estendeu os céus.
13 Dando elle a [11] sua voz, logo ha arroido de aguas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra: faz os relampagos juntamente com a chuva, e faz sair o vento dos seus thesouros.
14 Todo [12] o homem se embruteceu, e não tem sciencia; envergonha-se todo o fundidor da imagem d’esculptura; [13] porque sua imagem fundida mentira é, e não ha espirito n’ellas.
15 Vaidade são, [14] obra d’enganos: no tempo da sua visitação virão a perecer.
16 Não é similhante a estes a porção [15] de Jacob; porque elle é o que o formou, e Israel é a vara da sua herança: Senhor dos Exercitos é o seu nome.
17 Ajunta da terra a tua mercadoria, ó moradora na fortaleza.
18 Porque assim diz o Senhor: Eis que d’esta vez lançarei [16] como com funda aos moradores da terra, e os angustiarei, para que venham a achal-o, dizendo:
19 Ai [17] de mim por causa do meu quebrantamento! a minha chaga me causa grande dôr; e eu havia dito: Certamente enfermidade é esta que poderei supportar.
20 Já a minha tenda está destruida, e todas as minhas cordas se romperam; já os meus filhos sairam de mim, e não são; ninguem ha mais que estenda a minha tenda, nem que levante as minhas cortinas.
21 Porque os pastores se embruteceram, e não buscaram ao Senhor: por isso não prosperaram, e todos os seus gados se espalharam.
22 Eis que vem uma voz de fama, [18] grande tremor da terra do norte, para fazer das cidades de Judah uma assolação, uma morada de [ZH] dragões.
23 Bem sei eu, ó Senhor, [19] que não é do homem o seu caminho nem do homem que caminha o dirigir os seus passos.
24 Castiga-me, [20] ó Senhor, porém com medida, não na tua ira, para que me não reduzas a nada.
25 Derrama [21] a tua indignação sobre as nações que te não conhecem, e sobre as gerações que não invocam o teu nome; porque comeram a Jacob, [22] e o devoraram, e o consumiram, e assolaram a sua [ZI] morada.
O pacto é violado.
11 A palavra que veiu a Jeremias, da parte do Senhor, dizendo:
2 Ouvi as palavras d’este concerto, e fallae aos homens de Judah, e aos habitantes de Jerusalem.
3 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: [1] Maldito o homem que não escutar as palavras d’este concerto,
4 Que ordenei a vossos paes no dia em que os tirei da terra do Egypto, [2] da fornalha de ferro, dizendo: Dae ouvidos á minha voz, e fazei conforme tudo quanto vos mando; e vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós por Deus.
5 Para que confirme [3] o juramento que jurei a vossos paes de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como é n’este dia. Então eu respondi, e disse: Amen, ó Senhor.
6 E disse-me o Senhor: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judah, e nas ruas de Jerusalem, dizendo: [4] Ouvi as palavras d’este concerto, e fazei-as.
7 Porque devéras protestei a vossos paes, no dia em que os tirei da terra do Egypto, até ao dia de hoje, madrugando, [5] e protestando, e dizendo: Dae ouvidos á minha voz.
8 Porém não [6] ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um conforme o proposito do seu coração malvado: pelo que trouxe sobre elles todas as palavras d’este concerto que lhes mandei que fizessem porém as não fizeram.
9 Disse-me mais o Senhor: [7] Uma conjuração se achou entre os homens de Judah, entre os habitantes de Jerusalem.
10 Tornaram [8] ás maldades de seus primeiros paes, que não quizeram ouvir as minhas palavras; e elles andaram após deuses alheios para os servir: a casa de Israel e a casa de Judah quebrantaram o meu concerto, que tinha feito com seus paes.
11 Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre elles, de que não poderão escapar, [9] e clamarão a mim e eu não os ouvirei.
12 Então irão as cidades de Judah e os habitantes de Jerusalem [10] e clamarão aos deuses a quem elles queimaram incenso, porém de nenhuma sorte os livrarão no tempo do seu mal.
13 Porque, [11] segundo o numero das tuas cidades, foram os teus deuses, ó Judah! e, segundo o numero das ruas de Jerusalem, pozestes altares á impudencia, altares para queimares incenso a Baal.
14 Tu, pois, não [12] ores por este povo, nem levantes por elles clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que elles clamarem a mim, por causa do seu mal.
15 Que tem o meu amado na minha casa que fazer? pois muitos fazem n’ella grande abominação [13] e já as carnes sanctas se desviaram de ti: quando tu fazes mal, então andas saltando de prazer.
16 Chamou o Senhor o teu nome oliveira verde, [14] formosa por especiosos fructos, porém agora á voz d’um grande tumulto accendeu fogo ao redor d’ella, e se quebraram os seus ramos.
17 Porque o Senhor dos Exercitos, [15] que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade da casa d’Israel e da casa de Judah, que fizeram entre si mesmos, para me provocarem á ira, queimando incenso a Baal.
Conspiração contra Jeremias.
18 E o Senhor m’o fez saber, e assim o soube: então me fizeste ver as suas acções.
19 E eu era como um cordeiro, como um boi que levam á matança; [16] porque não sabia que pensavam contra mim pensamentos, dizendo: Destruamos a arvore com o seu fructo, e cortemol-o da terra dos viventes, e não haja mais memoria do seu nome.
20 Mas, ó Senhor dos Exercitos, justo Juiz, que provas [17] os rins e o coração, veja eu a vingança que tomarás d’elles; pois a ti descobri a minha causa.
21 Portanto assim diz o Senhor ácerca dos homens [18] d’Anathoth, que procuram a tua morte, dizendo: Não prophetizes no nome do Senhor, para que não morras ás nossas mãos.
22 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: Eis que fareis visitação sobre elles: os mancebos morrerão á espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão de fome.
23 E elles não terão um resto, porque farei vir o mal sobre os homens de Anathoth, no anno da sua visitação.
12 Justo serias, ó Senhor, ainda que eu contendesse contra ti: [1] comtudo fallarei comtigo dos teus juizos. Porque prospera o caminho dos impios, e vivem em paz todos os que commettem aleivosia aleivosamente?
2 Plantaste-os, arraigaram-se tambem, avançam, dão tambem fructo: [2] chegado estás á sua bocca, porém longe dos seus rins.
3 Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês, [3] e provas o meu coração para comtigo; arranca-os como a ovelhas para o matadouro, e dedica-os ao dia da matança.
4 Até [4] quando lamentará a terra, e se seccará a herva de todo o campo? pela maldade dos que habitam n’ella, perecem os animaes e as aves; porquanto dizem: Não verá o nosso ultimo fim.
5 Se corres com os homens de pé, fazem-te cançar; como pois competirás com os cavallos? se tão sómente na terra de paz te confias, [5] como farás na enchente do Jordão?
6 Porque [6] até os teus irmãos, e a casa de teu pae, elles tambem se hão deslealmente contra ti; até os mesmos clamam após ti em altas vozes: [7] Não te fies n’elles, quando te fallarem coisas boas.
O paiz é devastado. Prophecia contra os seus devastadores.
7 Já desamparei a minha casa, abandonei a minha herança: entreguei a amada da minha alma na mão de seus inimigos.
8 Tornou-se-me a minha herança como leão em brenha: levantou a sua voz contra mim, por isso eu a aborreci.
9 A minha herança me é ave de varias côres; andam as aves contra ella em redor: vinde, pois, ajuntae-vos todos os animaes do campo, [8] vinde a devoral-a.
10 Muitos pastores destruiram [9] a minha vinha, pisaram o meu campo: tornaram em deserto de assolação o meu campo desejado.
11 Em assolação [10] o tornaram, e assolado clama a mim: toda a terra está assolada, porquanto não ha nenhum que tome isso a peito.
12 Sobre todos os logares altos do deserto vieram destruidores; porque a espada do Senhor devora desde um extremo da terra até outro extremo da terra: não ha paz para nenhuma carne.
13 Semearam [11] trigo, e segaram espinhos; cançaram-se, mas de nada se aproveitaram: envergonhae-vos pois em razão de vossas colheitas, e por causa do ardor da ira do Senhor.
14 Assim diz o Senhor, ácerca de todos os meus maus visinhos, [12] que tocam a minha herança, a qual dei por herança ao meu povo Israel: Eis que os arrancarei da sua terra, e a casa de Judah arrancarei do meio d’elles.
15 E será que, depois [13] de os haver arrancado, tornarei, e me compadecerei d’elles, e os farei tornar cada um á sua herança, e cada um á sua terra.
16 E será que, se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, [14] jurando pelo meu nome, dizendo: Vive o Senhor, como ensinaram a meu povo a jurar por Baal, [15] edificar-se-hão no meio do meu povo.
17 Porém, se não quizerem [16] ouvir, totalmente arrancarei a tal nação, e a farei perecer, diz o Senhor.
O captiveiro é representado pelo symbolo d’um cinto de linho.
Antes de Christo 602
13 Assim me disse o Senhor: Vae, e compra um cinto de linho, e põe-n’o sobre os teus lombos, porém não o mettas na agua.
2 E comprei o cinto, conforme a palavra do Senhor, e o puz sobre os meus lombos.
3 Então veiu a palavra do Senhor a mim segunda vez, dizendo:
4 Toma o cinto que compraste, e trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vae ao Euphrates, e esconde-o ali na fenda d’uma rocha.
5 E fui, e escondi-o junto ao Euphrates, como o Senhor m’o havia ordenado.
6 Succedeu pois, ao cabo de muitos dias, que me disse o Senhor: Levanta-te, vae ao Euphrates, e toma d’ali o cinto que te ordenei que o escondesses ali.
7 E fui ao Euphrates, e cavei, e tomei o cinto do logar onde o havia escondido: e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava.
8 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
9 Assim diz o Senhor: [1] Assim farei apodrecer a soberba de Judah, como tambem a muita soberba de Jerusalem.
10 Este mesmo povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, [2] que caminha segundo o proposito do seu coração, e anda após deuses alheios, para servil-os, e inclinar-se diante d’elles, será tal como este cinto, que para nada presta.
11 Porque, como o cinto está pegado aos lombos do homem, assim eu fiz pegar a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judah, diz o Senhor, para me serem por povo, e por [3] nome, e por louvor, e por gloria: porém não deram ouvidos.
12 Pelo que dize-lhes esta palavra: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Todo o odre se encherá de vinho: e dir-te-hão: Porventura não sabemos mui bem que todo o odre se encherá de vinho?
13 Porém tu dize-lhes: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de embriaguez [4] a todos os habitantes d’esta terra, e aos reis da estirpe de David, que estão assentados sobre o seu throno, e aos sacerdotes, e aos prophetas, e a todos os habitantes de Jerusalem.
14 E fal-os-hei em pedaços um contra outro, e juntamente os paes com os filhos, diz o Senhor: não perdoarei nem pouparei, nem me apiedarei, para que os não destrua.
15 Escutae, e inclinae os ouvidos: não vos ensoberbeçaes; porque o Senhor disse.
16 Dae gloria [5] ao Senhor vosso Deus, antes que se faça vir a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; [6] e espereis a luz e elle a mude em sombra de morte, e a reduza a escuridão.
17 E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em logares occultos, por causa da vossa soberba; [7] e amargosamente lagrimejará o meu olho, e se desfará em lagrimas, porquanto o rebanho do Senhor foi levado captivo.
18 Dize [8] ao rei e á rainha: Humilhae-vos, e assentae-vos no chão; porque já caiu todo o ornato de vossas cabeças, a corôa de vossa gloria.
19 As cidades do sul estão fechadas, e ninguem ha que as abra: todo o Judah foi levado captivo, todo inteiramente foi levado captivo.
20 Levantae [9] os vossos olhos, e vêde os que veem do norte: onde está o rebanho que se te deu, e as ovelhas da tua gloria?
21 Que dirás, quando [ZJ] vier a fazer visitação sobre ti, pois tu já os ensinaste a serem principes, e cabeça sobre ti? [10] porventura não te tomarão as dôres, como á mulher que está de parto?
22 Quando pois disseres no teu coração: [11] Porque me sobrevieram estas coisas? Pela multidão das tuas maldades se descobriram as tuas fraldas, e tem-se feito violencia aos teus calcanhares.
23 Porventura mudará o ethiope a sua pelle, ou o leopardo as suas manchas? [ZK] assim podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.
24 Pelo que os espalharei como o rastolho, [12] rastolho que passa com o vento do deserto.
25 Esta será a tua sorte, a porção das tuas medidas que terás de mim, diz o Senhor; pois te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras.
26 Assim tambem [13] eu descobrirei as tuas fraldas até sobre o teu rosto: e apparecerá a tua ignominia.
27 Já vi as tuas abominações, e os teus adulterios, e os teus rinchos, [14] e a enormidade da tua fornicação sobre os outeiros [15] no campo; ai de ti, Jerusalem! não te purificarás? quanto ainda depois d’isto esperarás?
Jeremias em vão intercede pelo povo.
Antes de Christo 601
14 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, ácerca dos negocios da grande secca.
2 Anda chorando Judah, [1] e as suas portas estão enfraquecidas: andam de luto até ao chão, e o clamor de Jerusalem vae subindo.
3 E os seus mais illustres enviam os seus pequenos por agua; veem ás cavas, e não acham agua; voltam com os seus vasos vazios; [2] envergonham-se e confundem-se, e cobrem as suas cabeças.
4 Por causa da terra que se fendeu, porque não ha chuva sobre a terra, os lavradores se envergonham e cobrem as suas cabeças.
5 Porque até as cervas no campo parem, e deixam seus filhos, porquanto não ha herva.
6 E os jumentos montezes [3] se põem nos logares altos, sorvem o vento como os [ZL] dragões, desfallecem os seus olhos, porquanto não ha herva.
7 Ainda que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, obra por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti peccámos.
8 Ah! esperança [4] de Israel, e Redemptor seu no tempo da angustia! porque serias como um estrangeiro na terra? e como o viandante que se retira a passar a noite?
9 Porque serias [5] como homem cançado, como valoroso que não pode livrar? já tu estás no meio de nós, ó Senhor, e nós somos chamados pelo teu nome: não nos desampares.
10 Assim diz o Senhor, ácerca d’este povo: [6] Pois que tanto amaram mover-se, e não retiveram os seus pés, por isso o Senhor se não agrada d’elles, mas agora se lembrará da sua maldade d’elles, e visitará os seus peccados.
11 Disse-me mais o Senhor: [7] Não rogues por este povo para bem.
12 Quando [8] jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando offerecerem holocaustos e offertas de manjares, não me agradarei d’elles; antes eu [9] os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste.
13 Então disse eu: [10] Ah! Senhor, Senhor, eis que os prophetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira n’este logar.
14 E disse-me o Senhor: [11] Os prophetas prophetizam falso no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes fallei: visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração elles vos prophetizam.
15 Portanto assim diz o Senhor ácerca dos prophetas que prophetizam no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e comtudo dizem, [12] Nem espada, nem fome haverá n’esta terra: Á espada e á fome serão consumidos esses prophetas.
16 E o povo a quem elles prophetizam será lançado nas ruas de Jerusalem, por causa da fome e da espada: e não haverá quem o enterre, tanto a elle, como a suas mulheres, e a seus filhos e a suas filhas: assim derramarei sobre elles a sua maldade.
17 Portanto lhes dirás esta palavra: [13] Os meus olhos derramem lagrimas de noite e de dia, e não cessem: [14] porque a virgem, filha do meu povo, está quebrada de grande quebra, de chaga mui dolorosa.
18 Se eu saio [15] ao campo, eis aqui os mortos á espada, e, se entro na cidade, eis aqui os enfermos de fome: e até os prophetas e os sacerdotes correram em roda na terra, [ZM] e não sabem nada.
19 Porventura [16] já de todo rejeitaste a Judah? ou aborrece a tua alma a Sião? porque nos feriste de tal modo que já não ha cura para nós? [17] aguarda-se a paz, e nada ha de bem; e o tempo da cura, e eis aqui turbação.
20 Ah, Senhor! conhecemos a nossa impiedade e a maldade de nossos paes; [18] porque peccámos contra ti.
21 Não nos rejeites por amor do teu nome; não abatas o throno da tua gloria: lembra-te, e não annules o teu concerto comnosco.
22 Porventura [19] ha, entre as vaidades dos gentios, quem faça chover? ou podem os céus dar chuvas? não és tu aquelle, ó Senhor [20] nosso Deus? portanto em ti esperaremos, pois tu fazes todas estas coisas.
15 Disse-me, porém, o Senhor: [1] Ainda que Moysés e Samuel se pozessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo: lança-os de diante da minha face, e saiam.
2 E será que, quando te disserem: Para onde sairemos? dir-lhes-has: Assim diz o Senhor: [2] O que para a morte, para a morte; e o que para a espada, para a espada; e o que para a fome, para a fome; e o que para o captiveiro, para o captiveiro.
3 Porque visital-os-hei [3] com quatro generos de males, diz o Senhor: com espada para matar, e com cães, para os arrastarem, e com as aves dos céus, e com os animaes da terra, para os devorarem e destruirem.
4 Entregal-os-hei ao desterro [4] em todos os reinos da terra; [5] por causa de Manassés, filho d’Ezequias, rei de Judah, pelo que fez em Jerusalem.
5 Porque quem [6] se compadeceria de ti, ó Jerusalem? ou quem se entristeceria por ti? ou quem se desviaria a perguntar pela tua paz?
6 Tu me deixaste, [7] diz o Senhor, e tornaste-te para traz; por isso estenderei a minha mão contra ti, e te destruirei; já estou cançado de me arrepender.
7 E padejal-os-hei com a pá nas portas da terra: já desfilhei, e destrui o meu povo; [8] não se tornaram dos seus caminhos.
8 As suas viuvas mais se me multiplicaram do que as areias dos mares; trouxe ao meio dia um destruidor sobre a mãe dos mancebos: fiz que caisse de repente sobre ella, e enchesse a cidade de terrores.
9 A que paria [9] sete se enfraqueceu; expirou a sua alma; poz-se o seu sol sendo ainda de dia, confundiu-se, e envergonhou-se: e os que ficarem d’ella entregarei á espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
10 Ai [10] de mim, mãe minha, porque me pariste homem de rixa e homem de contendas para toda a terra? nunca lhes dei á usura, nem elles me deram a mim á usura, todavia cada um d’elles me amaldiçoa.
11 Disse o Senhor: Decerto que os teus residuos serão para bem, que intercederei por ti, no tempo da calamidade e no tempo da angustia, com o inimigo.
12 Porventura quebrará algum ferro, o ferro do norte, ou o aço?
13 A tua fazenda e os teus thesouros darei sem preço ao saque; e isso por todos os teus peccados, como tambem em todos os teus limites.
14 E levar-te-hei [11] com os teus inimigos para a terra que não conheces; porque o fogo se accendeu em minha ira, e sobre vós arderá.
15 Tu, ó [12] Senhor, o sabes; lembra-te de mim, e visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores: não me arrebates emquanto differes o teu furor: sabe que por amor de ti tenho soffrido affronta.
16 Achando-se as tuas palavras, [13] logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome me chamo, ó Senhor, Deus dos Exercitos.
17 Nunca me assentei no congresso dos zombadores, nem saltei de prazer: por causa da tua mão me assentei solitario; porque me encheste de indignação.
18 Porque dura a [14] minha dôr continuamente, e a minha ferida me doe, e já não admitte cura? Porventura ser-me-hias tu como um mentiroso [15] e como aguas inconstantes?
19 Portanto assim diz o Senhor: Se tu te tornares, [16] então te farei tornar, e estarás diante da minha face; [17] e se apartares o precioso do vil, serás como a minha bocca: tornem-se elles para ti, porém tu não te tornes para elles.
20 Portanto puz-te contra este povo por um [18] muro forte de bronze; e pelejarão contra ti, porém não prevalecerão contra ti; [19] porque eu estou comtigo para te guardar, para te arrebatar d’elles, diz o Senhor.
21 E arrebatar-te-hei da mão dos malignos, e livrar-te-hei da palma dos fortes.
Predicção do captiveiro e do livramento de Israel.
16 E veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas n’este logar.
3 Porque assim diz o Senhor, ácerca dos filhos e das filhas que nascerem n’este logar, ácerca de suas mães, que os parirem, e de seus paes que os gerarem n’esta terra:
4 Morrerão [1] de enfermidades dolorosas, e não serão pranteados nem sepultados: servirão d’esterco sobre a terra; e pela espada e pela fome serão consumidos [2], e os seus cadaveres servirão de mantimento para as aves do céu e para os animaes da terra.
5 Porque assim diz o Senhor: [3] Não entres na casa do luto, nem vás a lamentar, nem te compadeças d’elles; porque já d’este povo, diz o Senhor, tirei a minha paz, benignidade e misericordia.
6 E morrerão grandes e pequenos n’esta terra, e não serão sepultados, [4] e não os prantearão nem se farão por elles incisões, nem por elles se raparão os cabellos.
7 E nada se lhes repartirá por dó, para consolal-os por causa de morte: nem lhes darão a beber do [5] copo de consolação, nem por pae de alguem, nem por mãe de alguem.
8 Nem entres na casa do banquete, para te assentares com elles a comer e a beber.
9 Porque assim diz o Senhor dos Exercitos, [6] o Deus d’Israel: Eis que farei cessar d’este logar perante os vossos olhos, e em vossos dias, a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do esposo e a voz da esposa.
10 E será que, quando annunciares a este povo todas estas palavras, e elles te disserem: [7] Porque falla o Senhor sobre nós todo este grande mal? e qual é a nossa iniquidade, e qual é o nosso peccado, que peccámos contra o Senhor nosso Deus?
11 Então lhes dirás: [8] Porquanto vossos paes me deixaram, diz o Senhor, e se foram após deuses alheios, e os serviram, e se inclinaram diante d’elles, e a mim me deixaram, e a minha lei não a guardaram.
12 E vós fizestes [9] peior do que vossos paes; porque, eis que cada um de vós anda após o proposito do seu malvado coração, para me não dar ouvidos a mim.
13 E lançar-vos-hei fóra [10] d’esta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos paes; e ali servireis a deuses alheios de dia e de noite, porque não usarei de misericordia comvosco.
14 Portanto, [11] eis que dias veem, diz o Senhor, em que nunca mais se dirá: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do Egypto.
15 Mas: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; [12] porque fal-os-hei voltar á sua terra, a qual dei a seus paes.
16 Eis que mandarei muitos pescadores, [13] diz o Senhor, os quaes os pescarão, e depois enviarei muitos caçadores, os quaes os caçarão de sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das rochas.
17 Porque os meus olhos [14] estão sobre todos os seus caminhos; não se escondem perante a minha face, nem a sua maldade se encobre de diante dos meus olhos.
18 E primeiramente pagarei [15] em dobro a sua maldade e o seu peccado, porque profanaram a minha terra com os cadaveres das suas coisas detestaveis, e das suas abominações encheram a minha herança.
19 Ó Senhor, fortaleza minha, e força minha, [16] e refugio meu no dia da angustia: a ti virão as nações desde os fins da terra, e dirão: Nossos paes herdaram só mentiras, e vaidade, [17] em que não havia proveito.
20 Porventura fará um homem deuses para si, quando elles não são deuses?
21 Portanto, eis que os farei conhecer; d’esta vez os farei conhecer a minha mão e o meu poder; [18] e saberão que o meu nome é o Senhor.
17 O peccado de Judah está escripto com [1] um ponteiro de ferro, com ponta de diamante, gravado na taboa do seu coração e nos cornos dos vossos altares.
2 Como tambem seus filhos se lembram dos seus altares, [2] e dos seus bosques junto ás arvores verdes, sobre os altos outeiros.
3 A minha montanha juntamente com o campo, a tua riqueza e todos os teus thesouros, darei por preza, como tambem os teus altos, pelo peccado, em todos os teus termos.
4 Assim por ti mesmo te deixarás da tua herança que te dei, e far-te-hei servir os teus inimigos, [3] na terra que não conheces; porque o fogo que accendeste na minha ira arderá para sempre.
5 Assim diz o Senhor: [4] Maldito o varão que confia no homem, e põe a carne por seu braço, e cujo coração se aparta do Senhor!
6 Porque será como [5] a tamargueira no deserto, que não sente quando vem o bem; antes morará nos logares seccos do deserto, na terra salgada e inhabitavel.
7 Porém bemdito o varão que confia no Senhor, [6] e cuja confiança é o Senhor.
8 Porque será como a arvore [7] plantada junto ás aguas, que estende as suas raizes para o ribeiro, e não sente quando vem o calor, e a sua folha fica verde, e no anno de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fructo.
9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso: quem o conhecerá?
10 Eu, o Senhor, [8] esquadrinho o coração e experimento os rins: e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fructo das suas acções.
11 Como a perdiz que ajunta [ZN] ovos que não choca, assim é o que ajunta riquezas, mas não com direito; no meio de seus dias as deixará, [9] e no seu fim se fará um insensato.
12 Um throno de gloria e altura, desde o principio, é o logar do nosso sanctuario.
13 Ó Senhor, [10] Esperança d’Israel! todos aquelles que te deixam serão envergonhados [11] e os que se apartam de mim serão escriptos sobre a terra; porque deixam ao Senhor, a fonte das aguas vivas.
14 Sara-me, Senhor, e sararei: salva-me, e serei salvo; [12] porque tu és o meu louvor.
15 Eis que elles me dizem: Onde [13] está a palavra do Senhor? venha agora.
16 Porém eu não me apressei em ser o pastor após ti; nem tão pouco desejei o dia mortal, tu o sabes; o que saiu dos meus labios está diante de tua face.
17 Não me sejas por espanto: [14] meu refugio és tu no dia do mal.
18 Envergonhem-se os que me perseguem, e não me envergonhe eu; assombrem-se elles, e não me assombre eu; traze sobre elles o dia do mal, e [15] com dobrada esmigalhadura os esmigalha.
A sanctificação do sabbado.
19 Assim me disse o Senhor: Vae, e põe-te á porta dos filhos do povo, pela qual entram os reis de Judah, e pela qual saem; como tambem a todas as portas de Jerusalem.
20 E dize-lhes: Ouvi [16] a palavra do Senhor, vós, reis de Judah e todo o Judah, e todos os moradores de Jerusalem, que entraes por estas portas.
21 Assim diz o Senhor: [17] Guardae as vossas almas, e não tragaes cargas no dia de sabbado, nem as introduzaes pelas portas de Jerusalem:
22 Nem tireis cargas de vossas casas no dia de sabbado, nem façaes obra alguma: antes sanctificae o dia de sabbado, como eu dei [18] ordem a vossos paes.
23 Porém não [19] deram ouvidos, nem inclinaram as suas orelhas; mas endureceram a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem correcção.
24 Será pois que, se diligentemente me ouvirdes, diz o Senhor, não introduzindo cargas pelas portas d’esta cidade no dia de sabbado, e sanctificardes o dia de sabbado, não fazendo n’elle obra alguma:
25 Então entrarão [20] pelas portas d’esta cidade reis e principes, assentados sobre o throno de David, andando em carros e montados em cavallos, assim elles como os seus principes, os homens de Judah, e os moradores de Jerusalem: e esta cidade será para sempre habitada.
26 E virão das cidades de Judah, e dos contornos [21] de Jerusalem, e da terra de Benjamin, e das planicies, e das montanhas, e do sul, trazendo holocaustos, e sacrificios, e offertas de manjares, e incenso, como tambem trazendo sacrificios de louvores á casa do Senhor.
27 Porém, se não me derdes ouvidos, para sanctificardes o dia de sabbado, e para não trazerdes carga alguma, quando entrardes pelas portas de Jerusalem no dia de sabbado, [22] então accenderei fogo nas suas portas, que consumirá os palacios de Jerusalem, e não se apagará.
O vaso do oleiro. A impenitencia do povo.
Antes de Christo 605
18 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, dizendo:
2 Levanta-te, e desce á casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.
3 E desci á casa do oleiro, e eis que estava fazendo a sua obra sobre as rodas.
4 E o vaso, que elle fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro: então tornou a fazer d’elle outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.
5 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:
6 Porventura [1] não poderei eu fazer de vós como este oleiro, ó casa d’Israel? diz o Senhor: eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa d’Israel.
7 No momento em que fallarei contra uma nação, [2] e contra um reino para arrancar, e para derribar, e para destruir,
8 Se [3] a tal nação, porém, contra a qual fallar se converter da sua maldade, tambem [4] eu me arrependerei do mal que lhe cuidava fazer.
9 No momento em que fallarei de uma gente e de um reino, para edificar e para plantar,
10 Se fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos á minha voz, então me arrependerei do bem que tinha dito lhe faria.
11 Ora pois, falla agora aos homens de Judah, e aos moradores de Jerusalem, dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que estou forjando mal contra vós: e penso um pensamento contra vós: [5] convertei-vos pois agora cada um do seu mau caminho, e melhorae os vossos caminhos e as vossas acções.
12 Porém elles dizem: [6] Não ha esperança, porque após as nossas imaginações andaremos: e faremos cada um o proposito do seu malvado coração.
13 Portanto assim diz o [7] Senhor: Perguntae agora entre os gentios quem ouviu tal coisa? coisa mui horrenda fez a virgem de Israel.
14 Porventura deixar-se-ha a neve do Libano por uma rocha do campo? ou deixar-se-hão as aguas estranhas, frias e correntes?
15 Comtudo o meu povo se tem esquecido de mim, [8] queimando incenso á vaidade; porque os fizeram tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas antigas, [9] para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas;
16 Para [10] pôr a sua terra em espanto e perpetuos assobios; todo aquelle que passa por ella se espantará, e meneará a sua cabeça.
17 Como com vento oriental [11] os espalharei diante da face do inimigo: mostrar-lhes-hei as costas e não o rosto, no dia da sua perdição.
18 Então disseram: Vinde, [12] e maquinemos maquinações contra Jeremias; porque não perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sabio, nem a palavra do propheta: vinde, e firamol-o com a lingua, e não escutemos a nenhuma das suas palavras.
19 Olha para mim, Senhor, e ouve a voz dos que contendem comigo.
20 Porventura pagar-se-ha mal por bem? porque cavaram uma cova para a minha alma: lembra-te de que eu me apresentei na tua presença, para fallar por seu bem, para desviar d’elles a tua indignação.
21 Portanto entrega seus filhos á fome, e entrega-os ao poder da espada, e sejam suas mulheres roubadas dos filhos, e viuvas; e seus maridos sejam mortos de morte, e os seus mancebos sejam feridos á espada na peleja.
22 Ouça-se o clamor de suas casas, quando trouxeres esquadrões sobre elles de repente. Porquanto cavaram uma [13] cova para prender-me e armaram laços aos meus pés.
23 Mas tu, ó Senhor, sabes todo o seu conselho contra mim para matar-me; [14] não perdoes a sua maldade, nem apagues o seu peccado de diante da tua face; mas tropecem perante a tua face; assim usa com elles no tempo da tua ira.
A botija quebrada. A ruina de Jerusalem.
19 Assim diz o Senhor: Vae, e compra uma botija de oleiro, e toma comtigo dos anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes;
2 E sae [1] ao valle do filho d’Hinnom, que está á entrada da porta do sol, e apregoa ali as palavras que eu te disser.
3 E dize: [2] Ouvi a palavra do Senhor, ó reis de Judah, e moradores de Jerusalem; assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: Eis que trarei um mal sobre este logar, que quem quer que ouvir [3] retinir-lhe-hão as orelhas:
4 Porquanto me deixaram [4] e alienaram este lugar, e n’elle queimaram incenso a outros deuses, que nunca conheceram, nem elles nem seus paes, nem os reis de Judah; [5] e encheram este logar de sangue de innocentes.
5 Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; [6] o que nunca lhes ordenei, nem fallei, nem subiu ao meu coração.
6 Por isso eis que dias veem, diz o Senhor, em que este logar não se chamará mais Topheth, [7] nem o valle do filho de Hinnom, mas o valle da matança.
7 Porque dissiparei o conselho de Judah e de Jerusalem n’este logar, [8] e os farei cair á espada diante de seus inimigos, e pela mão dos que buscam a sua vida d’elles; e darei os seus cadaveres para pasto ás aves dos céus e aos animaes da terra.
8 E porei [9] esta cidade em espanto e por assobio: todo aquelle que passar por ella se espantará, e assobiará sobre todas as suas pragas.
9 E os farei comer [10] a carne de seus filhos, e a carne de suas filhas, e comerá cada um a carne do seu proximo, no cerco e no aperto em que os apertarão os seus inimigos, e os que buscam a vida d’elles.
10 Então quebrarás [11] a botija aos olhos dos homens que forem comtigo.
11 E dir-lhes-has: Assim diz o Senhor dos Exercitos: Assim quebrarei eu a este povo, [12] e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não póde mais refazer-se, e os enterrarão em Topheth, porque não haverá mais logar para os enterrar.
12 Assim farei a este logar, diz o Senhor, e aos seus moradores; e isso para pôr a esta cidade como a Topheth.
13 E as casas de Jerusalem, e as casas dos reis de Judah, serão immundas [13] como o logar de Topheth: como tambem todas as casas, sobre cujos terraços queimaram incenso a todo o exercito dos céus, [14] e offereceram libações a deuses estranhos.
14 Vindo pois Jeremias de Topheth, onde o tinha enviado o Senhor a prophetizar, se poz [15] em pé no atrio da casa do Senhor, e disse a todo o povo:
15 Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade, e sobre todas as suas cidades, todo o mal que fallei contra ella, [16] porquanto endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as minhas palavras.
Pashur fere a Jeremias e mette-o no cepo.
Antes de Christo 589
20 E Pashur, filho [1] de Immer, o sacerdote, que havia sido nomeado presidente na casa do Senhor, ouviu a Jeremias, que prophetizava estas palavras.
2 E feriu Pashur ao propheta Jeremias, e o metteu no cepo que está na porta superior de Benjamin, a qual está na casa do Senhor.
3 E succedeu que no dia seguinte Pashur tirou a Jeremias do cepo. Então disse-lhe Jeremias: O Senhor não chama o teu nome Pashur, mas [ZO] Magor-missabib.
4 Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti um espanto para ti mesmo, e para todos os teus amigos, e cairão á espada de seus inimigos, e teus olhos o verão: a todo o Judah entregarei na mão do rei de Babylonia, e leval-os-ha presos a Babylonia, e feril-os-ha á espada.
5 Tambem darei [2] toda a fazenda d’esta cidade, e todo o seu trabalho, e todas as suas coisas preciosas, e todos os thesouros dos reis de Judah entregarei na mão de seus inimigos, e saqueal-os-hão, e tomal-os-hão e leval-os-hão a Babylonia.
6 E tu, Pashur, e todos os moradores da tua casa ireis para o captiveiro; e virás a Babylonia, e ali morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos os teus amigos, aos quaes [3] prophetizaste falsamente.
7 Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; [4] mais forte foste do que eu, e prevaleceste; sirvo de escarneo todo o dia, cada um d’elles zomba de mim.
8 Porque desde [5] que fallo, grito; clamo violencia e destruição; porque se tornou a palavra do Senhor em opprobrio e em ludibrio todo o dia.
9 Então disse eu: Não me lembrarei d’elle, e não fallarei mais no seu nome; [6] mas foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e fiquei fatigado de soffrer, e não pude.
10 Porque ouvi a murmuração de muitos ácerca de Magor-missabib, que diziam: Denunciae-nol-o, e o denunciaremos; [7] todos os que teem paz comigo aguardam o meu manquejar, dizendo: Bem pode ser que se deixará persuadir; então prevaleceremos contra elle e nos vingaremos d’elle.
11 Porém [8] o Senhor está comigo como um valente terrivel; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão: ficarão mui confundidos; porque não se houveram [ZP] prudentemente, [9] terão uma confusão perpetua que nunca se esquecerá.
12 Tu pois, ó Senhor dos Exercitos, que esquadrinhas [10] ao justo, e vês os rins e o coração, veja eu a tua vingança d’elles; pois já te descobri a minha causa.
13 Cantae ao Senhor, louvae ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores.
14 Maldito [11] o dia em que nasci; o dia em que minha mãe me pariu não seja bemdito.
15 Maldito o homem que deu as novas a meu pae, dizendo: Nasceu-te um filho macho; alegrando-o grandemente.
16 E seja esse homem como as cidades [12] que o Senhor destruiu e não se arrependeu: e ouça clamor pela manhã, e ao tempo do meio-dia um alarido.
17 Porque [13] não me matou desde a madre? ou minha mãe não foi minha sepultura? ou porque não ficou a sua madre gravida perpetuamente?
18 Porque [14] sahi da madre, para ver trabalho e tristeza? para que se consumam os meus dias na confusão.
O annuncio da destruição de Jerusalem por Nabucodonozor.
21 A palavra que veiu a Jeremias da parte do Senhor, quando o rei Zedekias lhe enviou [1] a Pashur, filho de Malchias, [2] e a Zephanias filho de Maaseia, o sacerdote, dizendo:
2 Pergunta agora por nós ao Senhor; porque Nabucodonozor, rei de Babylonia, guerreia contra nós: bem pode ser que o Senhor obre comnosco segundo todas as suas maravilhas, e o faça subir de nós.
3 Então Jeremias lhes disse: Assim direis a Zedekias:
4 Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Eis que virarei contra vós as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejaes contra o rei de Babylonia, e contra os chaldeos, [3] que vos teem cercado de fóra do muro, e ajuntal-os-hei no meio d’esta cidade.
5 E eu pelejarei contra vós com mão estendida, [4] e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furor.
6 E ferirei os habitantes d’esta cidade, assim os homens como as bestas: de grande pestilencia morrerão.
7 E depois d’isto, diz o Senhor, entregarei Zedekias, [5] rei de Judah, e seus servos, e o povo, e os que d’esta cidade restarem da pestilencia, e da espada, e da fome, na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na mão de seus inimigos, e na mão dos que buscam a sua vida; e feril-os-ha ao fio da espada: [6] não os poupará, nem se compadecerá, nem terá misericordia.
8 E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante [7] de vós o caminho da vida e o caminho da morte.
9 O que ficar [8] n’esta cidade ha de morrer á espada, ou á fome, ou da pestilencia; porém o que sair, e se render aos chaldeos, que vos teem cercado, viverá, e terá a sua vida [9] por despojo.
10 Porque puz o meu rosto [10] contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o Senhor: na mão do rei de Babylonia se entregará, [11] e queimal-a-ha a fogo.
11 E á casa do rei de Judah dirás: Ouvi a palavra do Senhor:
12 Ó casa de David, assim diz o Senhor: [12] Julgae pela manhã justamente, e livrae o roubado da mão do oppressor; para que não saia o meu furor como fogo, e se accenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade de vossas acções.
13 Eis que [13] eu sou contra ti, ó moradora do valle, ó rocha da campina, diz o Senhor: os que dizeis: Quem descerá contra nós? ou, Quem entrará nas nossas moradas?
14 Porém farei visitação sobre vós segundo [14] o fructo das vossas acções, diz o Senhor; e accenderei o fogo no seu bosque, [15] que consumirá a tudo o que está em redor d’ella.
Prophecia contra a casa real de Judah.
Antes de Christo 609
22 Assim diz o Senhor: Desce á casa do rei de Judah, e falla ali esta palavra.
2 E dize: [1] Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judah, que te assentas no throno de David: tu, e os teus servos, e o teu povo, que entraes por estas portas.
3 Assim diz o Senhor: [2] Fazei juizo e justiça, e livrae o roubado da mão do oppressor; e não opprimaes ao estrangeiro, nem ao orphão, nem á viuva; não façaes violencia, nem derrameis sangue innocente n’este logar.
4 Porque, se devéras fizerdes esta palavra, [3] entrarão pelas portas d’esta casa os reis que se assentam no logar de David sobre o seu throno, em carros e montados em cavallos, elles, e os seus servos, e o seu povo.
5 Porém, se não derdes ouvidos a estas palavras, [4] por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação.
6 Porque assim diz o Senhor ácerca da casa do rei de Judah: Tu és para mim Gilead, e a altura do Libano: por certo que farei de ti um deserto e cidades deshabitadas.
7 Porque prepararei contra ti destruidores, cada um com as suas armas: [5] e cortarão os teus cedros escolhidos, e lançal-os-hão no fogo.
8 E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu companheiro: [6] Porque obrou o Senhor assim com esta grande cidade?
9 E dirão: [7] Porque deixaram o concerto do Senhor seu Deus, e se inclinaram diante de deuses alheios, e os serviram.
10 Não choreis o morto, [8] nem o lastimeis: chorae abundantemente aquelle que sae, porque nunca mais tornará, nem verá a terra onde nasceu.
11 Porque assim diz o Senhor [9] ácerca de Shallum, filho de Josias, rei de Judah, que reinava em logar de Josias seu pae, que saiu d’este logar: Nunca ali tornará mais.
12 Mas no logar para onde o levaram captivo ali morrerá, e nunca mais verá esta terra.
13 Ai d’aquelle [10] que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem razão, que se serve do serviço do seu proximo sem paga, e não lhe dá o salario do seu trabalho.
14 Que diz: Edificar-me-hei uma casa espaçosa, e aposentos largos: e lhe abre janellas, e está forrada de cedro, e pintada de vermelhão.
15 Porventura reinarás, porque te encerras em cedro? acaso teu pae não comeu e bebeu, e não usou de juizo e justiça? e então lhe succedeu bem.
16 Julgou a causa do afflicto e necessitado; então lhe succedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o Senhor.
17 Porém [11] os teus olhos e o teu coração não attentam senão para a tua avareza, e para o sangue innocente, para derramal-o, e para a oppressão, e para a violencia, para os levar a effeito.
18 Portanto assim diz o Senhor ácerca de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah: [12] Não lamentarão por elle, dizendo: Ai, irmão meu, ou, Ai, irmã minha! nem lamentarão por elle, dizendo: Ai, Senhor, ou, Ai, sua magestade!
19 Em sepultura de jumento será [13] sepultado, arrastando-o e lançando-o para bem longe, fóra das portas de Jerusalem.
20 Sobe ao Libano, e clama, e levanta a tua voz em Basan, e clama pelas passagens, que já estão quebrantados os teus namorados.
21 Fallei comtigo na tua posteridade, porém tu disseste: Não ouvirei. [14] Este é o teu caminho, desde a tua mocidade, que nunca déste ouvidos á minha voz.
22 O vento apascentará a todos [15] os teus pastores, e os teus namorados irão para o captiveiro: certamente então te confundirás, e te envergonharás, por causa de toda a tua maldade.
23 Ó tu, que habitas no Libano e fazes o teu ninho nos cedros, [16] quão lastimada serás quando te vierem as dôres e os ais como da que está de parto!
24 Vivo eu, [17] diz o Senhor, que ainda que Conias, filho de Joaquim, rei de Judah, fosse o annel do sello na minha mão direita, que d’ali te arrancaria.
25 E te entregarei [18] na mão dos que buscam a tua vida, e na mão d’aquelles diante de quem tu temes, a saber, na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na mão dos chaldeos.
26 E lançar-te-hei, [19] a ti e á tua mãe que te pariu, a uma terra estranha, em que não nasceste, e ali morrereis.
27 E á terra, para a qual elles levantam a sua alma, para tornarem a ella, a ella não tornarão.
28 É pois porventura este homem Conias um vil idolo quebrantado? [20] ou um vaso de que ninguem se agrada? por que razão foram arremessados fóra, elle e a sua geração, e arrojados para uma terra que não conhecem?
29 Ó terra, [21] terra, terra! ouve a palavra do Senhor.
30 Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem está [ZQ] roubado de filhos, homem que não prosperará nos seus dias; porque não prosperará algum da sua geração, [22] que se assentar no throno de David, e que reinar mais em Judah.
23 Ai [1] dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor.
2 Portanto assim diz o Senhor, o Deus d’Israel, ácerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes: [2] eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas acções, diz o Senhor.
3 E eu mesmo recolherei [3] o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus curraes; e fructificarão, e se multiplicarão.
4 E levantarei sobre ellas [4] pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, nem faltarão, diz o Senhor.
O Renovo de David.
5 Eis que [5] veem dias, diz o Senhor, em que levantarei a David um Renovo justo; e, sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juizo e a justiça na terra.
6 Nos seus dias Judah será salvo, e Israel habitará seguro: e este será o seu nome, com que o nomearão: [6] O Senhor justiça nossa.
7 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, e nunca mais dirão: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do Egypto;
8 Mas: Vive o Senhor, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, [7] e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra.
Contra os falsos prophetas.
9 Quanto aos prophetas, já o meu coração está quebrantado dentro de mim mesmo, [8] todos os meus ossos tremem; sou como um homem bebado, e como um homem vencido de vinho, por causa do Senhor, e por causa das palavras da sua sanctidade.