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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

O SANCTO EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS. (continued 2)

João Ferreira d' Almeida translation

21 E o filho lhe disse: Pae, pequei contra o céu [8] e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

22 Mas o pae disse aos seus servos: Trazei depressa o vestido melhor, e vesti-lh’o, e ponde-lhe um annel na mão, e alparcas nos pés;

23 E trazei o bezerro cevado, e matae-o; e comamos, e alegremo-nos;

24 Porque [9] este meu filho era morto, e reviveu, tinha-se perdido, e é achado. E começaram a alegrar-se.

25 E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veiu, e chegou perto de casa, ouviu a musica e as danças.

26 E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquillo.

27 E elle lhe disse: Veiu teu irmão; e teu pae matou o bezerro cevado, porquanto o recuperou são e salvo.

28 Indignou-se, porém, elle, e não queria entrar. E, saindo o pae, o rogava.

29 Mas, respondendo elle, disse ao pae: Eis que te sirvo ha tantos annos, e nunca transgredi o teu mandamento, e nunca me déste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;

30 Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

31 E elle lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;

32 Portanto era justo alegrarmo-nos e folgarmos, [10] porque este teu irmão era morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Parabola do mordomo infiel.

16 E dizia tambem aos seus discipulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi accusado perante elle de dissipar os seus bens.

2 E elle, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás mais ser mordomo.

3 E o mordomo disse comsigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

4 Eu sei o que hei-de fazer, para que, quando fôr desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

5 E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6 E elle disse: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e, assentando-te já, escreve cincoenta.

7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E elle disse: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

8 E louvou aquelle senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos d’este mundo são mais prudentes na sua geração [1] do que os filhos da luz.

9 E eu vos digo: [2] Grangeae amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando necessitardes, vos recebam nos tabernaculos eternos.

10 Quem [3] é fiel no minimo, tambem é fiel no muito; quem é injusto no minimo, tambem é injusto no muito.

11 Pois, se na riqueza injusta não fostes fieis, quem vos confiará a verdadeira?

12 E, se no alheio não fostes fieis, quem vos dará o que é vosso?

13 Nenhum [4] servo pode servir dois senhores; porque, ou ha de aborrecer um e amar o outro, ou se ha de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a [AHG] Mammon.

A auctoridade da lei.

14 E os phariseos, [5] que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam d’elle.

15 E disse-lhes: Vós sois os que vos [6] justificaes a vós mesmos diante dos homens, [7] mas Deus conhece os vossos corações, porque, [8] o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16 A lei [9] e os prophetas duraram até João: desde então é annunciado o reino de Deus, e todo o homem forceja por entrar n’elle.

17 E [10] é mais facil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

18 Qualquer [11] que deixa sua mulher, e casa com outra, adultéra; e aquelle que casa com a repudiada pelo marido tambem adultéra.

A parabola do rico e Lazaro.

19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de purpura e de linho finissimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20 Havia tambem um certo mendigo, chamado Lazaro, que jazia cheio de chagas á porta d’aquelle;

21 E desejava saciar-se com as migalhas que cahiam da mesa do rico; e até vinham os cães, e lambiam-lhe as chagas.

22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio d’Abrahão; e morreu tambem o rico, e foi sepultado.

23 E no inferno, erguendo os olhos, estando em tormentos, viu ao longe Abrahão, e Lazaro no seu seio.

24 E elle, clamando, disse: Pae Abrahão, tem misericordia de mim, e manda a Lazaro que molhe na agua a ponta do seu dedo e me [12] refresque a lingua, porque estou [13] atormentado n’esta chamma.

25 Disse, porém, Abrahão: Filho, lembra-te [14] de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lazaro sómente males; e agora este é consolado e tu atormentado;

26 E, além d’isso, está posto um grande abysmo entre nós e vós, de sorte que os que quizessem passar d’aqui para vós não poderiam, nem tão pouco os de lá passar para cá.

27 E disse elle: Rogo-te pois, ó pae, que o mandes a casa de meu pae,

28 Porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, afim de que não venham tambem para este logar de tormento.

29 Disse-lhe Abrahão: [15] Teem Moysés e os prophetas; ouçam-n’os.

30 E disse elle: Não, pae Abrahão; mas, se alguem dos mortos fosse ter com elles, arrepender-se-hiam.

31 Porém Abrahão lhe disse: Se não ouvem a Moysés e aos prophetas, [16] tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos resuscite.

Ácerca dos escandalos, do perdão, do poder da fé e dos servos inuteis.

17 E disse aos discipulos: [1] É impossivel que não venham escandalos, mas ai d’aquelle por quem vierem!

2 Melhor lhe fôra que lhe pozessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que escandalizar um d’estes pequenos.

3 Olhae por vós mesmos. [2] E, se teu irmão peccar contra ti, reprehende-o, [3] e, se elle se arrepender, perdoa-lhe.

4 E, se peccar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia tornar a ti, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

5 Disseram então os apostolos ao Senhor: Accrescenta-nos a fé.

6 E disse o [4] Senhor: Se tivesseis fé como um grão de mostarda, dirieis a esta amoreira: Desarreiga-te d’aqui, e planta-te no mar; e vos obedeceria.

7 E qual de vós terá um servo lavrando ou apascentando, e, voltando elle do campo, lhe diga: Chega-te, e assenta-te á mesa?

8 E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, [5] e serve-me, até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu?

9 Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não.

10 Assim tambem vós, quando fizerdes tudo o que vos fôr mandado, dizei: Somos [6] servos inuteis, porque fizemos sómente o que deviamos fazer.

Cura de dez leprosos.

11 E aconteceu [7] que, indo elle a Jerusalem, passou pelo meio da Samaria e da Galilea;

12 E, entrando n’uma certa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez homens leprosos, [8] os quaes pararam de longe;

13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericordia de nós.

14 E elle, vendo-os, [9] disse-lhes: Ide, e mostrae-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo elles, ficaram limpos.

15 E um d’elles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;

16 E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças: e este era samaritano.

17 E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?

18 Não houve quem voltasse a dar gloria a Deus senão este estrangeiro?

19 E disse-lhe: [10] Levanta-te, e vae; a tua fé te salvou.

A vinda subita do reino de Deus.

20 E, interrogado pelos phariseos sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com [AHH] apparencia exterior.

21 Nem dirão: [11] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali; porque eis que o reino de Deus está [12] entre vós.

22 E disse aos discipulos: [13] Dias virão em que desejareis vêr um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.

23 E dir-vos-hão: [14] Eil-o aqui, ou, Eil-o ali está; não vades, nem os sigaes:

24 Porque, [15] como o relampago, fuzilando de uma parte debaixo do céu, resplandece até á outra debaixo do céu, assim será tambem o Filho do homem no seu dia.

25 Mas [16] primeiro convem que elle padeça muito, e seja reprovado por esta geração.

26 E, [17] como aconteceu nos dias de Noé, assim será tambem nos dias do Filho do homem:

27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veiu o diluvio, e os consumiu a todos.

28 Como [18] tambem da mesma maneira aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam.

29 Mas [19] no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.

30 Assim será no dia em que o Filho do homem se ha [20] de manifestar.

31 N’aquelle dia, [21] quem estiver no telhado, e as suas alfaias em casa, não desça a tomal-as; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para traz.

32 Lembrae-vos [22] da mulher de Lot.

33 Qualquer [23] que procurar salvar a sua vida perdel-a-ha, e qualquer que a perder salval-a-ha.

34 Digo-vos [24] que n’aquella noite estarão dois n’uma cama; um será tomado, e outro será deixado.

35 Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

36 Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado.

37 E, respondendo, [25] disseram-lhe: Onde, Senhor? E elle lhes disse: Onde estiver o corpo, ahi se ajuntarão as aguias.

A parabola do juiz iniquo.

18 E disse-lhes tambem uma parabola ácerca de que importa [1] orar sempre, e nunca desfallecer,

2 Dizendo: Havia n’uma cidade um certo juiz, que nem a Deus temia nem respeitava ao homem.

3 Havia tambem n’aquella mesma cidade uma certa viuva, e ia ter com elle, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversario.

4 E por algum tempo não quiz; mas depois disse entre si: Ainda que não temo a Deus, nem respeito ao homem,

5 Todavia, [2] como esta viuva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que emfim não venha, e me importune muito.

6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

7 E Deus [3] não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a elle de dia e de noite, sendo [AHI] tardio para com elles?

8 Digo-vos [4] que depressa lhes fará justiça. Porém, quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

A parabola do phariseo e do publicano.

9 E disse tambem esta parabola a uns [5] que confiavam em si mesmos, que eram justos, e desprezavam aos outros:

10 Dois homens subiram ao templo, a orar; um phariseo, e o outro publicano.

11 O phariseo, [6] estando em pé, orava comsigo d’esta maneira. [7] Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adulteros; nem ainda como este publicano.

12 Jejuo duas vezes na semana, e dou os dizimos de tudo quanto possuo.

13 O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericordia de mim, peccador!

14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não [8] aquelle; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Jesus abençoa os meninos.

Mat. 19.13-15 e refs.

15 E traziam-lhe [9] tambem meninos, para que elle os tocasse; e os discipulos, vendo isto, reprehendiam-n’os.

16 Mas Jesus, chamando para si os meninos, disse: Deixae vir a mim os meninos, e não os impeçaes, [10] porque de taes é o reino de Deus:

17 Em [11] verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará n’elle.

O mancebo de qualidade.

Mat. 19.16-30.

18 E [12] perguntou-lhe um certo principe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

19 Jesus lhe disse: Porque me chamas bom? Ninguem ha bom, senão um, que é Deus.

20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, [13] não furtarás, não darás falso testemunho, [14] honra a teu pae e tua mãe.

21 E disse elle: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.

22 Porém Jesus, ouvindo isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: [15] vende tudo quanto tens, reparte-o entre os pobres, e terás um thesouro no céu; vem, e segue-me.

23 E elle, ouvindo isto, ficou muito triste, porque era muito rico.

24 E, vendo Jesus que elle ficára muito triste, disse: [16] Quão difficilmente entrarão no reino de Deus os que teem riquezas!

25 Porque é mais facil entrar um camelo pelo fundo d’uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

26 E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se?

27 E elle disse: [17] As coisas que são impossiveis aos homens são possiveis a Deus.

28 E disse Pedro: [18] Eis que nós deixámos tudo e te seguimos.

29 E elle lhes disse: Na verdade vos digo [19] que ninguem ha, que tenha deixado casa, ou paes, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,

30 [20] E não haja de receber muito mais n’este tempo, e no seculo vindouro a vida eterna.

Jesus annuncia a sua paixão.

Mat. 20.17-19 e refs.

31 [21] E, tomando comsigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalem, e se cumprirá no Filho do homem tudo o [22] que pelos prophetas está escripto;

32 Porque [23] será entregue ás gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido,

33 E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia resuscitará.

34 E [24] elles nada d’estas coisas entendiam, e esta palavra lhes era encoberta; e não entendiam o que se lhes dizia.

O cego de Jericó.

Mat. 20.29-34 e refs.

35 E aconteceu [25] que, chegando elle perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando:

36 E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquillo:

37 E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.

38 Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de David, tem misericordia de mim.

39 E os que iam passando reprehendiam-n’o para que se calasse; porém elle clamava ainda mais: Filho de David, tem misericordia de mim.

40 Então Jesus, parando, mandou que lh’o trouxessem; e, chegando elle, perguntou-lhe,

41 Dizendo: Que queres que te faça? E elle disse: Senhor, que eu veja.

42 E Jesus lhe disse: [26] Vê: a tua fé te salvou.

43 E logo viu, e seguia-o, [27] glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

Zaqueo o publicano.

19 E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2 E eis que havia ali um varão chamado Zaqueo; e este era um dos principaes dos publicanos, e era rico.

3 E procurava vêr quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura.

4 E, correndo adiante, subiu [AHJ] a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.

5 E, quando Jesus chegou áquelle logar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueo, desce depressa, porque hoje me convem pousar em tua casa.

6 E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso.

7 E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo [1] que entrara para ser hospede de um homem peccador.

8 E, levantando-se Zaqueo, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se n’alguma coisa [2] tenho defraudado alguem, [3] o restituo quadruplicado.

9 E disse-lhe Jesus: Hoje houve salvação n’esta casa, [4] porquanto tambem este [5] é filho de Abrahão:

10 Porque [6] o Filho do homem veiu buscar e salvar o que se havia perdido.

Parabola dos dez servos e das dez minas.

Mat. 25.14-30.

11 E, ouvindo elles estas coisas, elle proseguiu, e disse uma parabola; porquanto estava perto de Jerusalem, [7] e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12 Disse [8] pois: Um certo homem nobre partiu para uma terra remota, a tomar para si um reino e voltar depois.

13 E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociae até que eu venha.

14 Mas [9] os seus cidadãos aborreciam-n’o, e mandaram após elle embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

15 E aconteceu que, voltando elle, havendo tomado o reino, disse que lhe chamassem aquelles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

16 E veiu o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

17 E elle lhe disse: Bem está, servo bom, porque no minimo foste fiel, [10] sobre dez cidades terás auctoridade.

18 E veiu o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina grangeou cinco minas.

19 E a este disse tambem: Sê tu tambem sobre cinco cidades.

20 E veiu outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei n’um lenço;

21 Porque tive [11] medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não pozeste, e segas o que não semeaste.

22 Porém elle lhe disse: [12] Servo maligno, pela tua bocca te julgarei; sabias [13] que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não puz, e sego o que não semeei;

23 Porque não metteste pois o meu dinheiro no banco, e eu, vindo, o demandaria com os juros?

24 E disse aos que estavam com elle: Tirae-lhe a mina, e dae-a ao que tiver dez minas.

25 (E disseram-lhe elles: Senhor, tem dez minas).

26 Pois eu vos digo [14] que a qualquer que tiver ser-lhe-ha dado, mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado.

27 Porém trazei aqui aquelles meus inimigos que não quizeram que eu reinasse sobre elles, e matae-os diante de mim.

A entrada triumphal de Jesus em Jerusalem.

Mat. 21.1-11 e refs.

28 E, dito isto, [15] ia caminhando adiante, subindo para Jerusalem.

29 E aconteceu [16] que, chegando perto de Bethphage, e de Bethania, ao monte chamado das Oliveiras, mandou dois dos seus discipulos,

30 Dizendo: Ide á aldeia que está defronte, e ahi, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda se assentou; soltae-o e trazei-o;

31 E, se alguem vos perguntar: Porque o soltaes? assim lhe direis: Porque o Senhor o ha de mister.

32 E, indo os que haviam sido mandados, acharam como lhes dissera.

33 E, soltando o jumentinho, seus donos lhes disseram: Porque soltaes o jumentinho?

34 E elles disseram: O Senhor o ha de mister.

35 E trouxeram-n’o a Jesus: [17] e, lançando sobre o jumentinho os seus vestidos, pozeram a Jesus em cima.

36 E, indo elle, [18] estendiam no caminho os seus vestidos.

37 E, quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discipulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,

38 Dizendo: [19] Bemdito o Rei que vem em nome do Senhor; [20] paz no céu, e gloria nas alturas.

39 E disseram-lhe d’entre a multidão alguns dos phariseos: Mestre, reprehende os teus discipulos.

40 E, respondendo elle, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, [21] logo as pedras clamarão.

41 E, quando já ia chegando, vendo a cidade, [22] chorou sobre ella,

42 Dizendo: Ah! se tu conhecesses tambem, ao menos n’este teu dia, o que á tua paz pertence! mas agora isto está encoberto aos teus olhos.

43 Porque dias virão sobre ti, [23] em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todas as bandas;

44 E te [24] derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não [25] deixarão em ti pedra sobre pedra, porquanto [26] não conheceste o tempo da tua visitação.

A purificação do templo.

Mat. 21.12-17 e refs.

45 E, entrando [27] no templo, começou a expulsar todos os que n’elle vendiam e compravam,

46 Dizendo-lhes: [28] Está escripto: A minha casa é casa de oração; mas vós [29] fizestes d’ella covil de salteadores.

47 E todos os dias ensinava no templo, [30] e os principaes dos sacerdotes, e os escribas, e os principaes do povo procuravam matal-o.

48 E não achavam meio de o fazer, porque todo o povo pendia para elle, escutando-o.

O baptismo de João.

Mat. 21.23-27 e refs.

20 E aconteceu n’um d’aquelles dias que, estando elle ensinando o povo no templo, e annunciando o evangelho, sobrevieram os principaes dos sacerdotes e os escribas com os anciãos,

2 E fallaram-lhe, dizendo: Dize-nos, [1] com que auctoridade fazes estas coisas? Ou, quem é que te deu esta auctoridade?

3 E, respondendo elle, disse-lhes: Tambem eu vos farei uma pergunta: dizei-me pois:

4 O baptismo de João era do céu ou dos homens?

5 E elles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, elle nos dirá: Então porque o não crestes?

6 E se dissermos: Dos homens; todo o povo nos apedrejará, pois [2] teem por certo que João era propheta.

7 E responderam que não sabiam d’onde era.

8 E Jesus lhes disse: Nem tão pouco eu vos digo com que auctoridade faço estas coisas.

Parabola dos lavradores maus.

Mat. 21.33-46 e refs.

9 E começou a dizer ao povo esta parabola: Um [3] certo homem plantou uma vinha, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fóra da terra por muito tempo;

10 E a seu tempo mandou um servo aos lavradores, para que lhe déssem dos fructos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-n’o vazio.

11 E tornou ainda a mandar outro servo; mas elles, espancando tambem a este, e affrontando-o, mandaram-n’o vazio.

12 E tornou ainda a mandar terceiro; mas elles, ferindo tambem a este, o expulsaram.

13 E disse o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; talvez que, vendo-o, o respeitem.

14 Mas, vendo-o os lavradores, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; vinde, matemol-o, para que a herdade seja nossa.

15 E, lançando-o fóra da vinha, o mataram. Que lhes fará pois o senhor da vinha?

16 Irá, e destruirá estes lavradores, e dará a outros a vinha. E, ouvindo elles isto, disseram: Assim não seja!

17 Mas elle, olhando para elles, disse: Que é isto pois que está escripto? [4] A pedra, que os edificadores reprovaram, essa foi feita cabeça da esquina.

18 Qualquer que cair sobre aquella pedra será quebrantado, e aquelle [5] sobre quem ella cair será feito em pedaços.

A questão do tributo.

Mat. 22.15-22 e refs.

19 E os principaes dos sacerdotes e os escribas procuravam lançar mão d’elle n’aquella mesma hora; mas temeram o povo; porque entenderam que contra elles dissera esta parabola.

20 E, trazendo-o debaixo de olho, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanhar n’alguma palavra, e entregal-o á jurisdicção e poder do [AHK] presidente.

21 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, [6] nós sabemos que fallas e ensinas bem e rectamente, e que não attentas para a apparencia da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus:

22 É-nos licito dar tributo a Cesar ou não?

23 E, entendendo elle a sua astucia, disse-lhes: Porque me tentaes?

24 Mostrae-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscripção? E, respondendo elles, disseram: De Cesar.

25 Disse-lhes então: Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus.

26 E não poderam apanhal-o em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.

Os sadduceos e a resurreição.

Mat. 22.23-33 e refs.

27 E, chegando-se [7] alguns dos sadduceos, [8] que dizem não haver resurreição, perguntaram-lhe,

28 Dizendo: Mestre, [9] Moysés escreveu-nos que, se o irmão d’algum fallecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão d’elle tome a mulher, e suscite posteridade a seu irmão.

29 Houve pois sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos;

30 E o segundo tomou-a, e tambem este morreu sem filhos;

31 E o terceiro tomou-a, e egualmente tambem os sete: e morreram, e não deixaram filhos.

32 E por ultimo, depois de todos, morreu tambem a mulher.

33 Portanto, na resurreição, de qual d’elles será a mulher, pois que os sete a tiveram por mulher?

34 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos d’este seculo casam-se, e dão-se em casamento;

35 Mas os que forem havidos por dignos de alcançar aquelle seculo, e a resurreição dos mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento;

36 Porque não podem [10] mais morrer; pois são eguaes aos anjos, e são filhos de Deus, [11] visto que são filhos da resurreição.

37 E que os mortos hão de resuscitar [12] tambem o mostrou Moysés junto da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abrahão, e Deus de Isaac, e Deus de Jacob.

38 Ora Deus não é Deus de mortos, porém de vivos; porque para [13] elle vivem todos.

39 E, respondendo alguns dos escribas, disseram: Mestre, disseste bem.

40 E não ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma.

O Christo Filho de David.

Mat. 22.41, etc. e refs.

41 E elle lhes disse: [14] Como dizem que o Christo é filho de David?

42 Dizendo o mesmo David no livro dos Psalmos: [15] Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te á minha direita,

43 Até que eu ponha os teus inimigos por escabello de teus pés.

44 De sorte que David lhe chama Senhor; e como é seu filho?

Jesus censura os escribas.

Mat. 23.1, etc. e refs.

45 E, [16] ouvindo-o todo o povo, disse Jesus aos seus discipulos:

46 Guardae-vos dos escribas, que querem andar com vestidos compridos; e amam as [17] saudações nas praças, e as principaes cadeiras nas synagogas, e os primeiros logares nos banquetes;

47 Que [18] devoram as casas das viuvas, fazendo, como pretexto, largas orações. Estes receberão maior condemnação.

A pequena offerta da viuva pobre.

Mar. 12.41, etc.

21 E, olhando elle, viu os ricos lançarem as suas offertas na arca do thesouro;

2 E viu tambem uma pobre viuva lançar ali duas pequenas moedas;

3 E disse: Em verdade vos [1] digo que lançou mais do que todos esta pobre viuva;

4 Porque todos aquelles deitaram para as offertas de Deus, do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.

O sermão prophetico: o principio das dôres.

Mat. 24.1-14 e refs.

5 E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dadivas, disse:

6 Quanto a estas coisas que vêdes, dias virão em [2] que se não deixará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

7 E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando serão pois estas coisas? E que signal haverá quando estas coisas estiverem para acontecer?

8 Disse então elle: [3] Vêde não vos enganem, porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Christo, e já o tempo está proximo; não vades portanto após elles.

9 E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessario que estas coisas aconteçam primeiro, mas o fim não será logo.

10 Então [4] lhes disse: Levantar-se-ha nação contra nação, e reino contra reino;

11 E haverá em varios logares grandes terremotos, e fomes e pestilencias; haverá tambem coisas espantosas, e grandes signaes do céu.

12 Mas [5] antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos ás synagogas e [6] ás prisões, [7] e conduzindo-vos á presença de reis e [AHL] presidentes, [8] por amor do meu nome.

13 E sobrevir-vos-ha [9] isto para testemunho.

14 Proponde [10] pois em vossos corações não premeditar como haveis de responder,

15 Porque eu vos darei bocca e sabedoria [11] a que não poderão contradizer nem resistir todos quantos se vos oppozerem.

16 E até pelos paes, e irmãos, e parentes, e amigos sereis [12] entregues; e matarão [13] alguns de vós.

17 E por todos sereis [14] aborrecidos por amor do meu nome.

18 Mas [15] não perecerá nem um cabello da vossa cabeça.

19 Na vossa paciencia possui as vossas almas.

O sermão prophetico continúa: a grande tribulação.

Mat. 24.15-18.

20 Porém, quando virdes Jerusalem cercada d’exercitos, sabei então que já é chegada a sua assolação.

21 Então, os que estiverem na Judea, fujam para os montes; e, os que estiverem no meio d’ella, saiam: e, os que nos campos, não entrem n’ella.

22 Porque dias de vingança são estes, para que [16] se cumpram todas as coisas que estão escriptas.

23 Mas ai [17] das gravidas, e das que criarem n’aquelles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados captivos; e Jerusalem será pisada pelos gentios, até que os tempos dos [18] gentios se completem.

O sermão prophetico continúa: a volta do Filho do homem.

Mat. 24.29-35.

25 E haverá signaes no sol, e na lua e nas estrellas; e na terra aperto das nações em perplexidade, pelo bramido do mar e das ondas;

26 Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. [19] Porque as virtudes do céu serão abaladas.

27 E então verão vir o Filho do homem [20] n’uma nuvem, com poder e grande gloria.

28 Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhae para cima, e levantae as vossas cabeças, [21] porque a vossa redempção está proxima.

29 E disse-lhes uma parabola: [22] Olhae para a figueira, e para todas as arvores;

30 Quando já teem brotado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão.

31 Assim tambem vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto.

32 Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça.

33 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.

O sermão prophetico continúa: a vigilancia.

Mat. 24.36-44.

34 E olhae [23] por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glotonaria, embriaguez, e dos cuidados d’esta vida, e venha sobre vós de improviso aquelle dia.

35 Porque [24] virá como um laço sobre todos os que habitam sobre a face de toda a terra.

36 Vigiae [25] pois [26] em todo o tempo, orando, para que sejaes havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em [27] pé diante do Filho do homem.

O pacto da traição.

Mat. 26.1-5, 14-16.

37 E [28] de dia ensinava no templo, [29] e á noite, saindo, ficava no monte chamado das Oliveiras.

38 E todo o povo ia ter com elle ao templo, de manhã cedo, para o ouvir.

22 Estava [1] pois perto a festa dos pães asmos, chamada a paschoa.

2 E os [2] principaes dos sacerdotes, e os escribas, procuravam como o matariam; porque temiam o povo.

3 Entrou, [3] porém, Satanaz em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do numero dos doze;

4 E foi, e fallou com os principaes dos sacerdotes, e com os capitães, de como lh’o entregaria,

5 Os quaes se alegraram, [4] e convieram em lhe dar dinheiro.

6 E elle prometteu; e buscava opportunidade para lh’o entregar sem alvoroço.

A ultima paschoa: a sancta ceia.

Mat. 26.17-30 e refs.

7 Chegou, porém, o dia dos pães asmos, em que importava sacrificar a paschoa.

8 E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparae-nos a paschoa, para que a comamos.

9 E elles lhe disseram: Onde queres que a preparemos?

10 E elle lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, vos encontrará um homem, levando um cantaro d’agua: segui-o até á casa em que elle entrar.

11 E direis ao pae de familia da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a paschoa com os meus discipulos?

12 Então elle vos mostrará um grande cenaculo mobilado; ahi fazei preparativos.

13 E, indo elles, acharam como lhes tinha dito; e prepararam a paschoa.

14 E, chegada [5] a hora, poz-se á mesa, e com elle os doze apostolos.

15 E disse-lhes: Desejei muito comer comvosco esta paschoa, antes que padeça;

16 Porque vos digo que não a comerei mais [6] até que ella se cumpra no reino de Deus.

17 E, tomando o calix, e havendo dado graças, disse: Tomae-o, e reparti-o entre vós;

18 Porque [7] vos digo que já não beberei do fructo da vide, até que venha o reino de Deus.

19 E, [8] tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lh’o, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; [9] fazei isto em memoria de mim.

20 Similhantemente tomou o calix, depois da ceia, dizendo: [10] Este calix é o Novo [AHM] Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.

21 Porém [11] eis que a mão do que me trahe está comigo á mesa.

22 E, na verdade, [12] o Filho do homem vae [13] segundo o que está determinado; porém ai d’aquelle homem por quem é trahido!

23 E começaram [14] a perguntar entre si qual d’elles seria o que havia de fazer isto.

O maior será como o menor.

Mat. 20.25-28 e refs.

24 E houve [15] tambem entre elles contenda, sobre qual d’elles parecia ser o maior.

25 E [16] elle lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre elles, e os que teem auctoridade sobre elles são chamados bemfeitores.

26 Mas não [17] sereis vós assim; antes o maior entre vós [18] seja como o menor; e quem governa como quem serve.

27 Pois [19] qual é maior: quem está á mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está á mesa? Porém eu [20] entre vós sou como aquelle que serve.

28 E vós sois os que tendes permanecido comigo nas [21] minhas tentações.

29 [22] E eu vos ordeno o reino, como meu Pae m’o ordenou;

30 Para [23] que comaes e bebaes á minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre thronos, julgando as doze tribus d’Israel.

Pedro é avisado.

Mat. 26.33-35 e refs.

31 Disse tambem o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanaz vos pediu [24] para vos [25] cirandar como trigo;

32 Mas [26] eu roguei por ti, para que a tua fé não desfalleça; e tu, quando te converteres, conforta a teus irmãos.

33 E elle lhe disse: Senhor, estou prompto a ir comtigo até á prisão e á morte.

34 Mas [27] elle disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o gallo antes que tres vezes negues que me conheces.

As duas espadas.

35 E disse-lhes: Quando [28] vos mandei sem bolsa, sem alforge, e sem alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? E disseram: Nada.

36 Disse-lhes pois: Mas agora, aquelle que tiver bolsa, tome-a, como tambem o alforge; e, o que não tem espada, venda o seu vestido e compre-a;

37 Porque vos digo que importa que em mim se cumpra ainda aquillo que está escripto: [29] E com os malfeitores foi contado. Porque o que está escripto de mim tem seu cumprimento.

38 E elles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E elle lhes disse: Basta.

Jesus em Gethsemane.

Mat. 26.36-46.

39 E, saindo, [30] foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e tambem os seus discipulos o seguiram.

40 E, quando chegou áquelle logar, disse-lhes: [31] Orae, para que não entreis em tentação.

41 E [32] apartou-se d’elles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava,

42 Dizendo: Pae, se queres, passa de mim este calix, [33] porém não se faça a minha vontade, senão a tua.

43 E appareceu-lhe um [34] anjo do céu, que o confortava.

44 E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor fez-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.

45 E, levantando-se da oração, veiu para os seus discipulos, e achou-os dormindo de tristeza.

46 E disse-lhes: Que, estaes dormindo? Levantae-vos, e [35] orae, para que não entreis em tentação.

Jesus é preso.

Mat. 26.47-56 e refs.

47 E, estando elle ainda a fallar, [36] eis que a multidão, e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante d’elles, e chegou-se a Jesus para o beijar.

48 E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trahes o Filho do homem?

49 E os que estavam com elle, vendo o que ia succeder, disseram-lhe: Senhor, feriremos á espada?

50 E [37] um d’elles feriu o servo do summo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.

51 E, respondendo Jesus, disse: Deixae-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou.

52 [38] E disse Jesus aos principaes dos sacerdotes, e capitães do templo, e anciãos, que tinham ido contra elle: Saistes, como a um salteador, com espadas e varapaus?

53 Tendo estado todos os dias comvosco no templo, não estendestes as mãos contra mim, [39] porém esta é a vossa hora e o poder das trevas.

Pedro nega a Jesus.

Mat. 26.69-75 e refs.

54 Então, prendendo-o, [40] o conduziram, e o metteram em casa do summo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe.

55 E, [41] havendo-se accendido fogo no meio da sala, e assentando-se juntos, assentou-se Pedro entre elles.

56 E uma certa creada, vendo-o estar assentado ao fogo, e, postos os olhos n’elle, disse: Este tambem estava com elle.

57 Porém elle negou-o, dizendo: Mulher, não o conheço.

58 E, [42] um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és tambem d’elles. Porém Pedro disse: Homem, não sou.

59 E, [43] passada quasi uma hora, um outro affirmava, dizendo: Tambem este verdadeiramente estava com elle, pois tambem é galileo.

60 E Pedro disse: Homem, não sei o que dizes. E logo, estando elle ainda a fallar, cantou o gallo.

61 E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, [44] e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o gallo cante hoje, me negarás tres vezes.

62 E, saindo Pedro para fóra, chorou amargamente.

Jesus perante o synhedrio.

Mat. 26.57-68 e refs.

63 E os homens que detinham Jesus zombavam d’elle, ferindo-o.

64 E, cobrindo-o, feriam-n’o no rosto, e perguntavam-lhe, dizendo: Prophetiza quem é o que te feriu?

65 E outras muitas coisas diziam contra elle, blasphemando.

66 E, [45] logo que foi dia, ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principaes dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concilio,

67 Dizendo: [46] És tu o Christo? dize-nol-o. E disse-lhes: Se vol-o disser, não o crereis;

68 E tambem, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis.

69 Desde [47] agora o Filho do homem se assentará á direita do poder de Deus.

70 E disseram todos: Logo, és tu o Filho de Deus? E elle lhes disse: [48] Vós dizeis que eu sou.

71 E disseram elles: [49] De que mais testemunho necessitamos? pois nós mesmos o ouvimos da sua bocca.

Jesus perante Pilatos e perante Herodes.

Mat. 27.1, 2, 11-31 e refs.

23 E, levantando-se [1] toda a multidão d’elles, o levaram a Pilatos.

2 E começaram a accusal-o, dizendo: Havemos achado este, [2] que perverte a nação, e prohibe dar o tributo a Cesar, dizendo que elle mesmo é [AHN] Christo, o rei.

3 E [3] Pilatos perguntou-lhe, dizendo: Tu és o Rei dos Judeos? E elle, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

4 E disse Pilatos aos principaes dos sacerdotes, e á multidão: [4] Não acho culpa alguma n’este homem.

5 Mas elles insistiam cada vez mais, dizendo: Alvoroça o povo, ensinando por toda a Judea, começando desde Galilea até aqui.

6 Então Pilatos, ouvindo fallar da Galilea, perguntou se aquelle homem era galileo.

7 E, entendendo que era [5] da jurisdicção de Herodes, remetteu-o a Herodes, que tambem n’aquelles dias estava em Jerusalem.

8 E Herodes, quando viu a Jesus, alegrou-se muito; porque [6] havia muito que desejava vêl-o, por ter ouvido d’elle muitas coisas; e esperava que lhe veria fazer algum signal;

9 E interrogava-o em muitas palavras, porém elle nada lhe respondia.

10 E estavam os principaes dos sacerdotes, e os escribas, accusando-o com grande vehemencia.

11 E Herodes, [7] com os seus soldados, desprezando-o, e escarnecendo d’elle, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a envial-o a Pilatos.

12 E no mesmo [8] dia Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; porque d’antes andavam em inimizade um com o outro.

13 E, convocando [9] Pilatos os principaes dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, disse-lhes:

14 Haveis-me [10] apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o accusaes, acho n’este homem.

15 Nem mesmo Herodes, porque a elle vos remetti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte.

16 Castigal-o-hei [11] pois, e soltal-o-hei.

17 E [12] era-lhe necessario soltar-lhes um pela festa.

18 Porém [13] toda a multidão clamou á uma, dizendo: Fóra d’aqui com este, e solta-nos Barrabas:

19 O qual fôra lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicidio.

20 Fallou pois outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21 Mas elles clamavam em contrario, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o.

22 Então elle, pela terceira vez, lhes disse: Pois que mal fez este? Não acho n’elle culpa alguma de morte. Castigal-o-hei pois, e soltal-o-hei.

23 Mas elles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principaes dos sacerdotes, redobravam.

24 Então [14] Pilatos julgou que devia fazer o que elles pediam.

25 E soltou-lhes o que fôra lançado na prisão por uma sedição e homicidio, que era o que pediam; porém entregou Jesus á vontade d’elles.

Jesus no caminho do Golgotha.

26 E, quando o iam [15] levando, tomaram um certo Simão, cyreneo, que vinha do campo, e pozeram-lhe a cruz ás costas, para que a levasse após Jesus.

27 E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quaes batiam nos peitos, e o lamentavam.

28 Porém Jesus, voltando-se para ellas, disse: Filhas de Jerusalem, não choreis por mim, chorae antes por vós mesmas, e por vossos filhos.

29 Porque [16] eis que hão de vir dias em que dirão: Bemaventuradas as estereis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não crearam!

30 Então [17] começarão a dizer aos montes: Cahi sobre nós, e aos outeiros: Cobri-nos.

31 Porque, [18] se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao secco?

32 E [19] tambem conduziram outros dois, que eram malfeitores, para com elle serem mortos.

A crucifixão.

Mat. 27.33-56 e refs.

33 E, [20] quando chegaram ao logar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um á direita e outro á esquerda.

34 E dizia Jesus: Pae, [21] perdôa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo os seus vestidos, lançaram sortes.

35 E [22] o povo estava olhando; e juntamente com elles tambem os [AHO] principes zombavam d’elle, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Christo, o escolhido de Deus.

36 E tambem os soldados o escarneciam, chegando-se a elle, e apresentando-lhe vinagre,

37 E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeos, salva-te a ti mesmo.

38 E [23] tambem por cima d’elle estava um titulo, escripto em lettras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEOS.

39 E [24] um dos malfeitores que estavam pendurados blasphemava d’elle, dizendo: Se tu és o Christo, salva-te a ti mesmo, e a nós.

40 Respondendo, porém, o outro, reprehendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condemnação?

41 E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.

42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

43 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraiso.

44 E [25] era já quasi a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona.

45 E o sol escureceu, e rasgou-se [26] ao meio o véu do templo.

46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: [27] Pae, nas tuas mãos entrego o meu espirito. E, havendo dito isto, expirou.

47 E o [28] centurião, vendo o que tinha acontecido, deu gloria a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.

48 E toda a multidão que se ajuntára a este espectaculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos.

A sepultura de Jesus.

Mat. 27.55.

49 E todos [29] os seus conhecidos, e as mulheres que juntamente o haviam seguido desde a Galiléa, estavam de longe vendo estas coisas.

50 E [30] eis que um varão por nome José, senador, homem de bem e justo,

51 Que não tinha consentido no seu conselho, nem em seus feitos, de Arimathea, cidade dos judeos, [31] e que tambem esperava o reino de Deus:

52 Este, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus;

53 E, [32] havendo-o tirado, envolveu-o n’um lençol, e pôl-o n’um sepulchro lavrado n’uma [AHP] penha, onde ninguem ainda havia sido posto.

54 E era o dia [33] da preparação, e amanhecia o sabbado.

55 E tambem as mulheres, [34] que tinham saido com elle da Galiléa, o seguiram, e viram o sepulchro, e como foi posto o seu corpo.

56 E, voltando [35] ellas, prepararam especiarias e unguentos; [36] e no sabbado repousaram, conforme o mandamento.

A resurreição.

Mat. 28.1-10 e refs.

24 E [1] no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram estas, e algumas outras com ellas, ao sepulchro, [2] levando as especiarias que tinham preparado.

2 E [3] acharam já a pedra revolvida do sepulchro.

3 E, entrando, [4] não acharam o corpo do Senhor Jesus.

4 E aconteceu que, estando ellas perplexas [5] por isto, eis que pararam junto d’ellas dois varões, com vestidos resplandecentes.

5 E, estando ellas muito atemorisadas, e abaixando o rosto para o chão, elles lhes disseram: Porque buscaes o vivente entre os mortos?

6 Não está aqui, porém já resuscitou. Lembrae-vos [6] como vos fallou, estando ainda na Galilea,

7 Dizendo: Convem que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens peccadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia resuscite.

8 E [7] lembraram-se das suas palavras.

9 E, [8] voltando do sepulchro, annunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais.

10 E eram Maria Magdalena, [9] e Joanna, e Maria, mãe de Thiago, e as outras que com ellas estavam, que diziam estas coisas aos apostolos.

11 E [10] as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram.

12 Pedro, porém, [11] levantando-se, correu ao sepulchro, e, abaixando-se, viu só os lenços ali postos; e retirou-se, admirando comsigo aquelle caso.

Dois discipulos no caminho de Emmaus.

13 E [12] eis que no mesmo dia iam dois d’elles para uma aldeia, que distava de Jerusalem sessenta estadios, cujo nome era Emmaus;

14 E iam fallando entre si de todas aquellas coisas que haviam succedido.

15 E aconteceu que, indo elles fallando entre si, e perguntando-se um ao outro, o mesmo Jesus se [13] approximou, e ia com elles;

16 Mas [14] os olhos d’elles estavam retidos para que o não conhecessem.

17 E elle lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocaes entre vós, e porque estaes tristes?

18 E, [15] respondendo um, cujo nome era Cleophas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalem, e não sabes as coisas que n’ella teem succedido n’estes dias?

19 E elle lhe disse: Quaes? E elles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que [16] foi varão propheta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo:

20 E [17] como os principaes dos sacerdotes, e os nossos principes o entregaram á condemnação de morte, e o crucificaram:

21 E nós esperavamos [18] que fosse elle o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram:

22 Ainda que tambem [19] algumas mulheres d’entre nós nos maravilharam, as quaes da madrugada foram ao sepulchro;

23 E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que tambem tinham visto uma visão de anjos, que dizem que elle vive:

24 E [20] alguns dos que estão comnosco foram ao sepulchro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém a elle não o viram.

25 E elle lhes disse: O nescios, e tardos de coração para crer tudo o que os prophetas disseram!

26 Porventura [21] não convinha que o Christo padecesse estas coisas e entrasse na sua gloria?

27 E, [22] começando de Moysés, e de todos os [23] prophetas, explicava-lhes em todas as Escripturas o que d’elle estava escripto.

28 E chegaram á aldeia para onde iam, e elle [24] fez como quem ia para mais longe.

29 E [25] elles o constrangeram, dizendo: Fica comnosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com elles.

30 E aconteceu que, estando com elles á mesa, [26] tomando o pão, o abençoou, e partiu-o, e lh’o deu.

31 Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e elle desappareceu-lhes.

32 E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho nos fallava, e quando nos abria as Escripturas?

33 E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalem, e acharam congregados os onze, e os que estavam com elles,

34 Que diziam: Resuscitou verdadeiramente o Senhor, [27] e já appareceu a Simão.

35 E elles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como d’elles foi conhecido no partir do pão.

Apparição de Jesus entre os doze.

João 20.19, etc. e refs.

36 E, [28] fallando elles d’estas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio d’elles, e disse-lhes: Paz seja comvosco.

37 E elles, espantados e atemorisados, pensavam que viam [29] algum espirito.

38 E elle lhes disse: Porque estaes perturbados, e porque sobem taes pensamentos aos vossos corações?

39 Vêde as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: [30] apalpae-me e vêde; pois um espirito não tem carne nem ossos, como vêdes que eu tenho.

40 E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.

41 E, não o crendo elles ainda [31] por causa da alegria, e maravilhados, disse-lhes: [32] Tendes aqui alguma coisa que comer?

42 Então elles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel.

43 O [33] que elle tomou, e comeu diante d’elles.

44 E disse-lhes: [34] São estas as palavras que vos disse estando ainda comvosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escripto na lei de Moysés, e nos prophetas, e nos psalmos.

45 Então [35] abriu-lhes o entendimento para comprehenderem as Escripturas.

46 E disse-lhes: [36] Assim está escripto, e assim convinha que o Christo padecesse, e ao terceiro dia resuscitasse dos mortos;

47 E em seu nome se prégasse o arrependimento [37] e a remissão dos peccados, em todas as nações, começando por Jerusalem.

48 E d’estas coisas [38] sois vós testemunhas.

49 E [39] eis que sobre vós envio a promessa de meu Pae: ficae, porém, vós na cidade de Jerusalem, até que do alto sejaes revestidos de poder.

A ascenção.

Act. 1.9-11.

50 E levou-os fóra, até Bethania; e, levantando as suas mãos, os abençoou.

51 [40] E aconteceu que, abençoando-os elle, se apartou d’elles e foi elevado ao céu.

52 E, [41] adorando-o elles, tornaram com grande jubilo para Jerusalem.

53 E estavam sempre no [42] templo, louvando e bemdizendo a Deus. Amen.

Notes in this chapter

Note 1 · Psa. 51.4.Note 2 · ver. 32. Eph. 2.1 e 5.14. Apo. 3.1.Note 3 · ver. 24.Note 4 · João 12.36. Eph. 5.8. I The. 5.5.Note 5 · Dan. 4.27. Mat. 6.19 e 19.21. cap. 11.41. I Tim. 6.17, 18, 19.Note 6 · Mat. 25.21. cap. 19.17.Note 7 · Mat. 6.24.Note 8 · ou, riqueza.Note 9 · Mat. 23.14.Note 10 · cap. 10.29.Note 11 · Psa. 7.10.Note 12 · I Sam. 16.7.Note 13 · Mat. 4.17 e 11.12, 13. cap. 7.29.Note 14 · Psa. 102.26, 27. Isa. 40.8 e 51.6. Mat. 5.18. I Ped. 1.25.Note 15 · Mat. 5.32 e 19.9. Mar. 10.11. I Cor. 7.10, 11.Note 16 · Zac. 14.12.Note 17 · Isa. 66.24. Mar. 9.43, etc.Note 18 · Job 21.13. cap. 6.24.Note 19 · Isa. 8.20 e 34.16. João 5.39, 45. Act. 15.21 e 17.11.Note 20 · João 12.10, 11.Note 21 · Mat. 18.6, 7. Mar. 9.42. I Cor. 11.19.Note 22 · Mat. 18.15, 21.Note 23 · Lev. 19.17. Pro. 17.10. Thi. 5.19.Note 24 · Mat. 17.20 e 21.21. Mar. 9.23 e 11.23.Note 25 · cap. 12.37.Note 26 · Job 22.3 e 35.7. Mat. 25.30. Rom. 3.12 e 11.35. I Cor. 9.16, 17. Phi. 11.Note 27 · Luc. 9.51, 52. João 4.4.Note 28 · Lev. 13.46.Note 29 · Lev. 13.2 e 14.2. Mat. 8.4. cap. 5.14.Note 30 · Mat. 9.22. Mar. 5.34 e 10.52. cap. 7.50 e 8.48 e 18.42.Note 31 · ou, observação.Note 32 · ver. 23.Note 33 · Rom. 14.17.Note 34 · Mat. 9.15. João 17.12.Note 35 · Mat. 24.23. Mar. 13.21. cap. 21.8.Note 36 · Mat. 24.27.Note 37 · Mar. 8.31 e 9.34 e 10.33. cap. 9.22.Note 38 · Gen. 7. Mat. 24.37.Note 39 · Gen. 19.Note 40 · Gen. 19.16, 24.Note 41 · II The. 1.7.Note 42 · Mat. 24.17. Mar. 13.15.Note 43 · Gen. 19.26.Note 44 · Mat. 10.39 e 16.25. Mar. 8.35. cap. 9.24. João 12.25.Note 45 · Mat. 24.40, 41. I The. 4.17.Note 46 · Job 39.30. Mat. 24.28.Note 47 · cap. 11.5 e 21.36. Rom. 12.12. Eph. 6.18. Col. 4.2. I The. 5.17.Note 48 · cap. 11.8.Note 49 · Apo. 6.10.Note 50 · ou, longanimo.Note 51 · Heb. 10.37. II Ped. 3.8, 9.Note 52 · cap. 10.29 e 16.15.Note 53 · Psa. 135.2.Note 54 · Isa. 1.15 e 58.2. Apo. 3.17.Note 55 · Job 22.29. Mat. 23.12. cap. 14.11. Thi. 4.6. I Ped. 5.5, 6.Note 56 · Mar. 10.13.Note 57 · I Cor. 14.20. I Ped. 2.2.Note 58 · Mar. 10.15.Note 59 · Mar. 10.17.Note 60 · Exo. 20.12, 16. Deu. 5.16, 20. Rom. 13.9.Note 61 · Eph. 6.2. Col. 3.20.Note 62 · Mat. 6.19, 20 e 19.21. I Tim. 6.19.Note 63 · Pro. 11.28. Mat. 19.23. Mar. 10.23.Note 64 · Jer. 32.17. Zac. 8.6. Mat. 19.26. cap. 1.37.Note 65 · Mat. 19.27.Note 66 · Deu. 33.9.Note 67 · Job 42.10.Note 68 · Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 10.32.Note 69 · Psa. 21. Isa. 53.Note 70 · Mat. 27.2. cap. 23.1. João 18.28. Act. 3.13.Note 71 · Mar. 9.32. cap. 2.50 e 9.45. João 10.6 e 12.16.Note 72 · Mar. 10.46.Note 73 · cap. 17.19.Note 74 · cap. 5.26. Act. 4.21 e 11.18.Note 75 · ou, a um sycomoro.Note 76 · Mat. 9.11. cap. 5.30.Note 77 · cap. 3.14.Note 78 · Exo. 22.1. I Sam. 12.3. II Sam. 12.6.Note 79 · Rom. 4.11, 12, 16. Gal. 3.7.Note 80 · cap. 13.16.Note 81 · Mat. 18.11 e 10.6 e 15.24.Note 82 · Act. 1.6.Note 83 · Mar. 13.34.Note 84 · João 1.11.Note 85 · Mat. 25.21. cap. 16.10.Note 86 · Mat. 25.24.Note 87 · II Sam. 1.16. Job 15.6. Mat. 12.37.Note 88 · Mat. 25.26.Note 89 · Mat. 13.12 e 25.29. Mar. 4.25. cap. 8.18.Note 90 · Mar. 10.32.Note 91 · Mar. 11.1.Note 92 · II Reis 9.13. Mat. 21.7. Mar. 11.7. João 12.14.Note 93 · Mat. 21.8.Note 94 · Psa. 118.26. cap. 13.35.Note 95 · cap. 2.14. Eph. 2.14.Note 96 · Hab. 2.11.Note 97 · João 11.35.Note 98 · Isa. 29.3, 4. Jer. 6.3, 6. cap. 21.20.Note 99 · I Reis 9.7, 8. Miq. 3.12.Note 100 · Mat. 24.2. Mar. 13.2. cap. 21.6.Note 101 · Dan. 9.24. cap. 1.68, 78. I Ped. 2.12.Note 102 · Mar. 11.11, 15. João 2.14, 15.Note 103 · Isa. 56.7.Note 104 · Jer. 7.11.Note 105 · Mar. 11.18. João 7.19 e 8.37.Note 106 · Act. 4.7 e 7.27.Note 107 · Mat. 14.5 e 21.26. cap. 7.29.Note 108 · Mar. 12.1.Note 109 · Psa. 118.22. Mat. 21.42.Note 110 · Dan. 2.34, 35. Mat. 21.44.Note 111 · ou, governador.Note 112 · Mat. 22.16. Mar. 12.14.Note 113 · Mar. 12.18.Note 114 · Act. 23.6, 8.Note 115 · Deu. 25.5.Note 116 · I Cor. 15.42, 49, 52. I João 3.2.Note 117 · Rom. 8.23.Note 118 · Exo. 3.6.Note 119 · Rom. 6.10, 11.Note 120 · Mat. 22.42. Mar. 12.35.Note 121 · Psa. 110.1. Act. 2.34.Note 122 · Mar. 12.38.Note 123 · cap. 11.43.Note 124 · Mat. 23.14.Note 125 · II Cor. 8.12.Note 126 · cap. 19.44.Note 127 · Mat. 24.4. Mar. 13.5. Eph. 5.6. II The. 2.3.Note 128 · Mat. 24.7.Note 129 · Mar. 13.9. Apo. 2.10.Note 130 · Act. 4.3 e 5.18 e 12.4 e 16.24.Note 131 · Act. 25.23.Note 132 · ou, governadores.Note 133 · I Ped. 2.13.Note 134 · Phi. 1.28. II The. 1.5.Note 135 · Mat. 10.19. Mar. 13.11. cap. 12.11.Note 136 · Act. 6.10.Note 137 · Miq. 7.6. Mar. 13.12.Note 138 · Act. 7.59 e 12.2.Note 139 · Mat. 10.22.Note 140 · Mat. 10.30.Note 141 · Dan. 9.26, 27. Zac. 11.1.Note 142 · Mat. 24.19.Note 143 · Dan. 9.27 e 12.7. Rom. 11.25.Note 144 · Mat. 24.29.Note 145 · Mat. 24.30. Apo. 1.7 e 14.14.Note 146 · Rom. 8.19, 23.Note 147 · Mat. 24.32. Mar. 13.28.Note 148 · Rom. 13.13. I The. 5.6. I Ped. 4.7.Note 149 · I The. 5.2. II Ped. 3.10. Apo. 3.3 e 16.15.Note 150 · Mat. 24.42 e 25.13. Mar. 13.33.Note 151 · cap. 18.1.Note 152 · Psa. 1.5. Eph. 6.13.Note 153 · João 8.1, 2.Note 154 · cap. 22.39.Note 155 · Mat. 26.2. Mar. 14.1.Note 156 · Psa. 2.2. João 11.47. Act. 4.27.Note 157 · Mat. 26.14. Mar. 14.10. João 13.2, 27.Note 158 · Zac. 11.12.Note 159 · Mat. 26.20. Mar. 14.17.Note 160 · cap. 14.15. Act. 10.41. Apo. 19.9.Note 161 · Mat. 26.29. Mar. 14.25.Note 162 · Mat. 26.26. Mar. 14.22.Note 163 · I Cor. 11.24.Note 164 · I Cor. 10.16.Note 165 · ou, pacto.Note 166 · Psa. 41.9. Mat. 26.21, 23. Mar. 14.18. João 13.21, 26.Note 167 · Mat. 26.24.Note 168 · Act. 2.23 e 4.28.Note 169 · Mat. 26.22. João 13.22, 25.Note 170 · Mar. 9.34. cap. 9.46.Note 171 · Mat. 20.25. Mar. 10.42.Note 172 · Mat. 20.26. I Ped. 5.3.Note 173 · cap. 9.48.Note 174 · cap. 12.37.Note 175 · Mat. 20.28. João 13.13, 14. Phi. 2.7.Note 176 · Heb. 4.15.Note 177 · Mat. 24.47. cap. 12.32. II Cor. 1.7. II Tim. 2.12.Note 178 · Mat. 8.11 e 19.28. cap. 14.15. Apo. 19.9 e 3.21. I Cor. 6.2.Note 179 · I Ped. 5.8.Note 180 · Amós 9.9.Note 181 · João 17.9, 11, 15 e 21.15, 16, 17.Note 182 · Mat. 26.34. Mar. 14.30. João 13.38.Note 183 · Mat. 10.9. cap. 9.3 e 10.4.Note 184 · Isa. 53.12. Mar. 15.28.Note 185 · Mar. 14.32. cap. 21.37.Note 186 · Mat. 6.13 e 26.41. Mar. 14.38. ver. 46.Note 187 · Mat. 26.39. Mar. 14.35.Note 188 · João 5.30 e 6.38.Note 189 · Mat. 4.11. João 12.27. Heb. 5.7.Note 190 · ver. 40.Note 191 · Mar. 14.43. João 18.3.Note 192 · Mat. 26.51. Mar. 14.47. João 18.10.Note 193 · Mat. 26.55. Mar. 14.48.Note 194 · João 12.27.Note 195 · Mat. 26.57. João 18.15.Note 196 · Mar. 14.66. João 18.17, 18.Note 197 · Mat. 26.71. Mar. 14.69. João 18.25.Note 198 · Mat. 26.73. Mar. 14.70. João 18.26.Note 199 · Mat. 26.75 e 26.34. Mar. 14.72. João 13.38.Note 200 · Mat. 27.1. Act. 4.26 e 22.5.Note 201 · Mat. 26.63. Mar. 14.61.Note 202 · Mat. 26.64. Mar. 14.62. Heb. 1.30 e 8.1.Note 203 · Mat. 26.64. Mar. 14.62.Note 204 · Mat. 26.65. Mar. 14.63.Note 205 · Mar. 15.1. João 18.28.Note 206 · Act. 17.7. Mat. 17.27 e 22.21. Mar. 12.17. João 19.12.Note 207 · ou, um rei ungido.Note 208 · Mat. 27.11. I Tim. 6.13.Note 209 · I Ped. 2.22.Note 210 · cap. 3.1.Note 211 · cap. 9.9. Mat. 14.1. Mar. 6.14.Note 212 · Isa. 53.3.Note 213 · Act. 4.27.Note 214 · Mat. 27.23. Mar. 15.14. João 18.38 e 19.4.Note 215 · ver. 1, 2, 4.Note 216 · Mat. 27.26. João 19.1.Note 217 · Mat. 27.15. Mar. 15.6. João 18.39.Note 218 · Act. 3.14.Note 219 · Mat. 27.26. Mar. 15.15. João 19.16.Note 220 · Mat. 27.32. Mar. 15.21. João 19.17.Note 221 · Mat. 24.19. cap. 21.23.Note 222 · Isa. 2.19. Ose. 10.8. Apo. 6.16 e 9.6.Note 223 · Pro. 11.31. Jer. 25.29. Eze. 20.47 e 21.3, 4. I Ped. 4.17.Note 224 · Isa. 53.12. Mat. 27.33.Note 225 · Mar. 15.22. João 19.17, 18.Note 226 · Mat. 5.44 e 27.35. Act. 3.17. I Cor. 4.12. Mar. 15.24. João 19.23.Note 227 · Psa. 22.17. Zac. 12.10. Mat. 27.39. Mar. 15.29.Note 228 · ou, magistrados.Note 229 · Mat. 27.37. Mar. 15.26. João 19.19.Note 230 · Mat. 27.44. Mar. 15.32.Note 231 · Mat. 27.45. Mar. 15.33.Note 232 · Mat. 27.51. Mar. 15.38.Note 233 · Psa. 31.5. I Ped. 2.23. Mat. 27.50. Mar. 15.37. João 19.30.Note 234 · Mat. 27.54. Mar. 15.39.Note 235 · Psa. 38.11. Mar. 15.40. João 19.25.Note 236 · Mat. 27.57. Mar. 15.42. João 19.38.Note 237 · Mar. 15.43. cap. 2.25, 38.Note 238 · Mat. 27.59. Mar. 15.46.Note 239 · ou, rocha.Note 240 · Mat. 27.62.Note 241 · cap. 8.2.Note 242 · Mar. 16.1.Note 243 · Exo. 20.10.Note 244 · Mar. 16.1. João 20.1.Note 245 · cap. 23.56.Note 246 · Mat. 28.2. Mar. 16.4.Note 247 · ver. 23. Mar. 16.5.Note 248 · João 20.12. Act. 1.10.Note 249 · Mat. 16.21 e 17.22. Mar. 8.31 e 9.30. cap. 9.22.Note 250 · João 2.22.Note 251 · Mar. 16.10.Note 252 · cap. 8.3.Note 253 · Mar. 16.11. ver. 25.Note 254 · João 20.3, 6.Note 255 · Mar. 16.12.Note 256 · Mat. 18.20. ver. 36.Note 257 · João 20.14 e 21.4.Note 258 · João 19.25.Note 259 · Mat. 21.11. cap. 7.16. João 3.2 e 4.19. Act. 2.22 e 7.22.Note 260 · cap. 23.1. Act. 13.27, 28.Note 261 · cap. 1.68 e 2.38. Act. 1.6.Note 262 · Mat. 28.8. Mar. 16.10. ver. 9, 10. João 20.18.Note 263 · ver. 12.Note 264 · ver. 46. Act. 17.3. I Ped. 1.11.Note 265 · ver. 45. Gen. 3.15 e 22.18 e 26.4 e 49.10. Num. 21.9. Deu. 18.15.Note 266 · Psa. 16.9, 10. Jer. 23.5. Eze. 34.23. Dan. 9.24. Miq. 7.20. Mal. 3.1. João 1.45.Note 267 · Gen. 32.26 e 42.7. Mar. 6.48.Note 268 · Gen. 19.3. Act. 16.15.Note 269 · Mat. 14.19.Note 270 · I Cor. 15.5.Note 271 · Mar. 16.14. I Cor. 15.5.Note 272 · Mar. 6.49.Note 273 · João 20.20, 27.Note 274 · Gen. 45.26.Note 275 · João 21.5.Note 276 · Act. 10.41.Note 277 · Mat. 16.21 e 17.22 e 20.18. Mar. 8.31. cap. 9.22 e 18.31. ver. 6.Note 278 · Act. 16.14.Note 279 · ver. 26. Psa. 22. Isa. 50.6 e 53.2, etc. Act. 17.3.Note 280 · Dan. 9.24. Act. 13.38, 46. I João 2.12. Gen. 12.3. Isa. 49.6, 22. Jer. 31.34. Miq. 4.2. Mal. 1.11.Note 281 · João 15.27. Act. 1.8, 22.Note 282 · Isa. 44.3. Joel 2.28. João 14.16, 26 e 15.26 e 16.7. Act. 1.4 e 2.1, etc.Note 283 · II Reis 2.11. Mar. 16.19. João 20.17. Act. 1.9. Eph. 4.8.Note 284 · Mat. 28.9, 17.Note 285 · Act. 2.46 e 5.42.
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