ISAIAS. (continued 2)
João Ferreira d' Almeida translation
27 Eis que o nome do Senhor vem de longe, a sua ira está ardendo, e a carga é pesada: os seus labios estão cheios de indignação, e a sua lingua como um fogo consumidor.
28 E o seu assopro [21] como o ribeiro trasbordando, que chega até ao pescoço: para sacudir as nações com sacudidura de [WD] vaidade, e como um freio de fazer errar nas queixadas dos povos.
29 Um cantico haverá entre vós, como na noite em que se sanctifica a festa; e alegria de coração, como aquelle que anda com gaita, [22] para vir ao monte do Senhor, á Rocha d’Israel.
30 E o Senhor [23] fará ouvir a gloria da sua voz, e fará ver o abaixamento do seu braço, com indignação de ira, e labareda de fogo consumidor, [24] raios e diluvio e pedra de saraiva.
31 Porque [25] com a voz do Senhor será desfeita em pedaços Assyria, que feriu com a vara.
32 E será, em todas as partes por onde passar o bordão affincado, que, sobre aquelle que o Senhor o puzer, ali estarão com tamboris e harpas; porque com combates de agitação combaterá contra elles.
33 Porque [26] já Tophet está preparada desde hontem, e já está preparada para o rei, já a afundou e alargou: a sua facha é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do Senhor como a torrente de enxofre a accenderá.
31 Ai dos que [1] descem ao Egypto a buscar soccorro, e se estribam em cavallos; e teem confiança em carros, porque são muitos, e nos cavalleiros, porque são poderosissimos: [2] e não attentam para o Sancto d’Israel, e não buscam ao Senhor.
2 Todavia tambem elle é sabio, e faz vir o mal, [3] e não retirou as suas palavras; e se levantará contra a casa dos malfeitores, e contra a ajuda dos que obram a iniquidade.
3 Porque os egypcios são homens, e não Deus; e os seus cavallos carne, e não espirito; e o Senhor estenderá a sua mão, e dará comsigo em terra o auxiliador, e cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos.
4 Porque assim me disse o Senhor: [4] Como o leão, e o cachorro do leão, ruge sobre a sua preza, ainda que se convoquem contra elle uma multidão de pastores; não se espanta das suas vozes, nem se abate pela sua multidão: [5] assim o Senhor dos Exercitos descerá, para pelejar pelo monte de Sião, e pelo seu outeiro.
5 Como as aves [6] andam voando, assim o Senhor dos Exercitos amparará a Jerusalem: e, amparando, a livrará, e, passando, a salvará.
6 Convertei-vos pois áquelle contra quem os filhos d’Israel se rebellaram tão profundamente.
7 Porque n’aquelle dia cada um lançará [7] fóra os seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que vos fabricaram as vossas mãos para peccardes.
8 E a Assyria cairá pela espada, não de varão; e a espada, não de homem, a consumirá; e fugirá perante a espada, e os seus mancebos serão derrotados.
9 E de medo se passará [8] á sua rocha, e os seus principes se assombrarão da bandeira, diz o Senhor, cujo fogo está em Sião e a sua fornalha em Jerusalem.
32 Eis ahi está que reinará [1] um Rei em justiça, e dominarão os principes segundo o juizo.
2 E será aquelle Varão como um esconderijo contra o vento, [2] e um refugio contra a tempestade, como ribeiros d’aguas em logares seccos, e como a sombra d’uma grande rocha em terra sedenta.
3 E os olhos dos que veem não olharão para [3] traz: e os ouvidos dos que ouvem estarão attentos.
4 E o coração dos imprudentes entenderá a sabedoria; e a lingua dos gagos estará prompta para fallar distinctamente.
5 Ao louco nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso.
6 Porque o louco falla louquices, e o seu coração obra a iniquidade, para usar d’hypocrisia, e para fallar erros contra o Senhor, para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de beber.
7 Tambem todos os instrumentos do avarento são maus: elle maquina invenções malignas, para destruir os afflictos com palavras falsas, como tambem ao juizo, quando o pobre chega a fallar.
8 Mas o liberal projecta liberalidade, e pela liberalidade está em pé.
9 Levantae-vos, mulheres que estaes em repouso, e ouvi a minha voz: e vós, filhas, que estaes tão seguras, inclinae os ouvidos ás minhas palavras.
10 Muitos dias de mais do anno vireis a ser turbadas, ó filhas que estaes tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá.
11 Tremei vós que estaes em repouso, e turbae-vos vós, filhas, que estaes tão seguras: despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi com sacco os vossos lombos.
12 Lamentar-se-ha sobre os peitos, sobre os campos desejaveis, e sobre as vides fructuosas.
13 Sobre a terra [4] do meu povo virão espinheiros e sarças; como tambem sobre todas as casas de alegria, [5] na cidade que anda pulando de prazer.
14 Porque [6] o palacio será desamparado, o arroido da cidade cessará: e Ophel e as torres da guarda servirão de cavernas eternamente, para alegria dos jumentos montezes, e para pasto dos gados;
15 Até que se derrame sobre nós o espirito [7] do alto: então o deserto se tornará em campo fertil, e o campo fertil será reputado por um bosque.
16 E o juizo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fertil.
17 E o effeito [8] da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, para sempre.
18 E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em logares quietos de descanço.
19 Mas, descendo ao bosque, [9] saraivará e a cidade se abaixará inteiramente.
20 Bemaventurados vós os que semeaes sobre todas as aguas: [10] e para lá enviaes o pé do boi e do jumento.
Os inimigos do povo de Deus serão destruidos: Jerusalem será restaurada á sua gloria e felicidade.
33 Ai de ti [1] desolador, que não foste desolado, e que obras perfidamente contra os que não obraram perfidamente contra ti! acabando tu de desolar, serás desolado: e, acabando tu de tratar perfidamente, se tratará perfidamente contra ti.
2 Senhor, tem misericordia de nós, [2] por ti temos esperado: sê tu o seu braço nas madrugadas, como tambem a nossa salvação no tempo da tribulação.
3 Á voz do arroido fugirão os povos: á tua exaltação as gentes serão dispersas.
4 Então ajuntar-se-ha o vosso despojo como se apanha o pulgão: como os gafanhotos saltam, ali saltará.
5 O Senhor está exalçado, pois habita nas alturas: encheu a Sião de juizo e justiça.
6 E será que a firmeza dos teus tempos, e a força das tuas salvações, será a sabedoria e a sciencia: e o temor do Senhor será o seu thesouro.
7 Eis-que os seus embaixadores estão clamando de fóra; e os mensageiros de paz estão chorando amargamente.
8 As estradas estão desoladas, [3] cessam os que passam pelas veredas: desfaz a alliança, despreza as cidades, e a homem nenhum estima.
9 A terra geme e pranteia, o Libano se envergonha e se murcha; Saron se tornou como um deserto; e Basan e Carmelo foram sacudidos.
10 Agora pois me levantarei, diz o Senhor: agora serei exaltado, agora serei posto em alto.
11 Concebestes [4] palha, parireis pragana: e o vosso espirito vos devorará como fogo.
12 E os povos serão como os incendios de cal: [5] como espinhos cortados arderão no fogo.
13 Ouvi, [6] vós os que estaes longe, o que tenho feito: e vós, que estaes visinhos, conhecei o meu poder.
14 Os peccadores de Sião se assombraram, o tremor surprehendeu os hypocritas. Quem d’entre nós habitará com o fogo consumidor? quem d’entre nós habitará com as labaredas eternas?
15 O que [7] anda em justiça, e o que falla equidades; o que arremessa para longe de si o ganho de oppressões; o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir ácerca de sangue [8] e fecha os seus olhos para não ver o mal,
16 Este habitará nas alturas, as fortalezas das rochas serão o seu alto refugio, o seu pão se lhe dá, as suas aguas são certas.
17 Os teus olhos verão o Rei na sua formosura, e verão a terra que está longe.
18 O teu coração considerará o assombro, dizendo: [9] Onde o escrivão, onde o [WE] pagador? onde o que conta as torres?
19 Não verás [10] mais aquelle povo espantavel, povo de falla tão profunda, que não se pode perceber e de lingua tão estranha que não se pode entender.
20 Olha [11] para Sião, a cidade das nossas solemnidades: os teus olhos verão a Jerusalem, habitação quieta, tenda que não será derribada, [12] cujas estacas nunca serão arrancadas, e de cujas cordas nenhuma se quebrará.
21 Mas o Senhor ali nos será grandioso, logar de rios e correntes largas será: barco nenhum de remo passará por elles, nem navio grande navegará por elles.
22 Porque o Senhor é o nosso Juiz: O Senhor é o nosso Legislador: [13] O Senhor é o nosso Rei, elle nos salvará.
23 As tuas cordas se affrouxaram: não poderam ter firme o seu mastro, e vela não estenderam: então a preza d’abundantes despojos se repartirá; e até os côxos roubarão a preza.
24 E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar n’ella será absolto d’iniquidade.
34 Chegae-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutae: [1] ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.
2 Porque a indignação do Senhor está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o seu exercito: elle as destruiu totalmente, entregou-as á matança.
3 E os seus mortos serão arremeçados [2] e dos seus corpos subirá o seu fedor; e os montes se derreterão com o seu sangue.
4 E todo o exercito [3] dos céus se [WF] gastará, e os céus se enrolarão como um livro: [4] e todo o seu exercito cairá, como cae a folha da vide, e como cae o figo da figueira.
5 Porque [5] a minha espada se embriagou nos céus: eis que sobre Edom descerá, e sobre o povo do meu anathema para juizo.
6 A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura de sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; [6] porque o Senhor tem sacrificio em Bozra, e grande matança na terra de Edom.
7 E os unicornios descerão com elles, e os bezerros com os toiros: e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura engordará.
8 Porque será o dia da vingança [7] do Senhor, anno de retribuições pela porfia de Sião.
9 E os seus ribeiros [8] se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em pez ardente.
10 Nem de noite nem de dia se apagará; [9] para sempre o seu fumo subirá: de geração em geração será assolada; de seculo em seculo ninguem passará por ella.
11 Mas o pelicano e a coruja a [10] possuirão, e o bufo e o corvo habitarão n’ella: porque estenderá sobre ella cordel de confusão e nivel de vaidade.
12 Os seus nobres (que já não ha n’ella) ao reino chamarão; porém todos os seus principes não serão coisa nenhuma.
13 E nos seus palacios [11] crescerão espinhos, ortigas e cardos nas suas fortalezas; e será uma habitação de dragões, e sala para os filhos do avestruz.
14 E [WG] os cães bravos se encontrarão com [WH] os gatos bravos; e o [WI] demonio clamará ao seu companheiro: e os animaes nocturnos ali pousarão, e acharão logar de repouso para si.
15 Ali se aninhará a melroa e porá os seus ovos, e tirará os seus pintãos, e os recolherá debaixo da sua sombra: tambem ali os abutres se ajuntarão uns com os outros.
16 Buscae no livro [12] do Senhor, e lêde; nenhuma d’estas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha propria bocca o ordenou, e o seu espirito mesmo as ajuntará.
17 Porque elle mesmo lançou as sortes por elles, e a sua mão lh’a repartiu com o cordel: para sempre a possuirão, de geração em geração habitarão n’ella.
A grandeza e gloria do reino do Messias.
35 O deserto [1] e os logares seccos se alegrarão d’isto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa.
2 Abundantemente florescerá, [2] e tambem se alegrará d’alegria e exultará; a gloria do Libano se lhe deu, o ornato do Carmelo e Saron: elles verão a gloria do Senhor, o ornato do nosso Deus.
3 Confortae [3] as mãos fracas, e esforçae os joelhos trementes.
4 Dizei aos turbados de coração: Confortae-vos, não temaes: eis-que o vosso Deus virá a tomar vingança, com pagos de Deus; elle virá, e vos salvará.
5 Então os olhos [4] dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão.
6 Então os coxos [5] saltarão como cervos, e a lingua dos mudos cantará; porque aguas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a terra secca se tornará em tanques, e a terra sedenta em mananciaes d’aguas; [6] e nas habitações em que jaziam os [WJ] dragões haverá herva com cannas e juncos.
8 E ali haverá estrada e caminho, que se chamará o caminho sancto; [7] o immundo não passará por elle, mas será para estes: os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem besta fera subirá a elle, nem se achará n’elle: porém só os remidos andarão por elle.
10 E os resgatados do Senhor tornarão, [8] e virão a Sião com jubilo: e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, e d’elles fugirá a tristeza e o gemido.
Senacherib cerca Jerusalem. A oração de Ezequias. O exercito dos assyrios é destruido.
Antes de Christo 710
36 E aconteceu [1] no anno decimo quarto do rei Ezequias que Senacherib, rei da Assyria subiu contra todas as cidades fortes de Judah, e as tomou.
2 Então o rei da Assyria enviou a Rabsaké, desde Lachis a Jerusalem, ao rei Ezequias com um grande exercito, e parou junto ao cano de agua do viveiro mais alto, junto ao caminho do campo do lavandeiro.
3 Então saiu a elle Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceller.
4 E Rabsaké [2] lhes disse: Ora dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assyria: Que confiança é esta, em que confias?
5 Bem podera eu dizer (porém palavra de labios é): Ha conselho e poder para a guerra: em quem pois agora confias, que contra mim te rebellas?
6 Eis que confias n’aquelle [3] bordão de canna quebrada, a saber, no Egypto, o qual, se alguem se encostar n’elle lhe entrará pela mão, e lh’a furará: assim é Pharaó, rei do Egypto, para com todos os que n’elle confiam.
7 Porém se me disseres: No Senhor, nosso Deus, confiamos; porventura não é este aquelle cujos altos e cujos altares Ezequias tirou, e disse a Judah e a Jerusalem: Perante este altar vos inclinareis?
8 Ora, pois, dá agora refens ao meu senhor, o rei da Assyria, e dar-te-hei dois mil cavallos, se tu poderes dar cavalleiros para elles.
9 Como pois farias que se torne o rosto a um só principe dos minimos servos do meu senhor? porém tu confias no Egypto, por causa dos carros e cavalleiros.
10 Agora, pois, subi eu porventura sem o Senhor contra esta terra, para destruil-a? O Senhor mesmo me disse: Sobe contra esta terra, e destroe-a.
11 Então disse Eliakim, e Sebna, e Joah, a Rabsaké: Pedimos-te que falles aos teus servos em syriaco, porque bem o entendemos, e não nos falles em judaico, aos ouvidos do povo que está em cima do muro.
12 Porém Rabsaké disse: Porventura mandou-me o meu senhor só ao teu senhor e a ti, para fallar estas palavras? e não antes aos homens que estão assentados em cima do muro, para que comam comvosco o seu esterco, e bebam a sua urina?
13 Rabsaké pois se poz em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse: Ouvi as palavras do grande rei, do rei da Assyria.
14 Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar.
15 Nem tão pouco Ezequias vos faça confiar no Senhor, dizendo: Infallivelmente nos livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assyria.
16 Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assyria: Contratae comigo por presentes, e sahi a mim, [4] e comei vós cada um da sua vide, e da sua figueira, e bebei cada um da agua da sua cisterna;
17 Até que eu venha, e vos leve para uma terra como a vossa: terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas.
18 Não vos engane Ezequias, dizendo: O Senhor nos livrará. Porventura os deuses das nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da Assyria?
19 Onde estão os deuses d’Hamath e d’Arpad? onde estão os deuses de Sepharvaim? porventura livraram a Samaria da minha mão?
20 Quaes são elles, d’entre todos os deuses d’estas terras, os que livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor livrasse a Jerusalem das minhas mãos?
21 Porém elles se calaram, e palavra nenhuma lhe responderam; porque havia mandado do rei, dizendo: Não lhe respondereis.
22 Então Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceller, vieram a Ezequias, com os vestidos rasgados, e lhe fizeram saber as palavras de Rabsaké.
37 E aconteceu [1] que, tendo-o ouvido o rei Ezequias, rasgou os seus vestidos, e se cobriu de sacco, e entrou na casa do Senhor.
2 Então enviou a Eliakim, o mordomo, e a Sebna, o escrivão, e aos anciãos dos sacerdotes, cobertos de saccos, a Isaias, filho d’Amós, o propheta.
3 E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia é dia d’angustia e de vituperação, e de blasphemias; porque chegados são os filhos ao parto, e força não ha para parir.
4 Porventura o Senhor teu Deus ouvirá as palavras de Rabsaké, a quem enviou o seu senhor, o rei da Assyria, para affrontar o Deus vivo, e para vituperal-o com as palavras que o Senhor teu Deus tem ouvido: faze oração pelo resto que ainda se acha.
5 E os servos do rei Ezequias vieram a Isaias.
6 E Isaias lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: Não temas á vista das palavras que ouviste, com as quaes os servos do rei da Assyria me blasphemaram.
7 Eis que metterei n’elle um espirito, e elle ouvirá um arroido, e voltará para a sua terra; e fal-o-hei cair morto á espada na sua terra.
8 Voltou pois Rabsaké, e achou ao rei da Assyria pelejando contra Libna; porque ouvira que já se havia retirado de Lachis.
9 E, ouvindo elle dizer que Tirhaká, rei da Ethiopia, tinha saido para lhe fazer guerra, assim como o ouviu, tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:
10 Assim fallareis a Ezequias, rei de Judah, dizendo: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalem não será entregue na mão do rei da Assyria.
11 Eis que já tens ouvido o que fizeram os reis da Assyria a todas as terras, destruindo-as totalmente: e escaparias tu?
12 Porventura as livraram os deuses das nações ás quaes meus paes destruiram, como a Gozan, e a Haran, e a Reseph, e aos filhos d’Eden, que estavam em Telassar?
13 Onde está o rei [2] d’Hamath, e o rei d’Arpad, e o rei da cidade de Sepharvaim, Hena e Iva?
14 Recebendo pois Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e lendo-as, subiu á casa do Senhor e Ezequias as estendeu perante o Senhor.
15 E orou Ezequias ao Senhor, dizendo:
16 Ó Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel, que habitas entre os cherubins; tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.
17 Inclina, [3] ó Senhor, o teu ouvido, e ouve: abre, Senhor, os teus olhos, e olha; e ouve todas as palavras de Senacherib, o qual enviou para affrontar o Deus vivo.
18 Verdade é, Senhor, que os reis da Assyria assolaram todas as terras, com as suas comarcas,
19 E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra de mãos d’homens, madeira e pedra; por isso os destruiram.
20 Agora pois, ó Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão; e assim saberão todos os reinos da terra, que só tu és o Senhor.
21 Então Isaias, filho d’Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Quanto ao que me pediste ácerca de Senacherib, rei da Assyria,
22 Esta é a palavra que o Senhor fallou d’elle: A virgem, a filha de Sião, te despreza, de ti zomba; a filha de Jerusalem menea a cabeça por detraz de ti.
23 A quem affrontaste e blasphemaste? e contra quem alçaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? Contra o Sancto d’Israel.
24 Por meio de teus servos affrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão dos meus carros subi eu aos cumes dos montes, aos lados do Libano; e cortarei os seus altos cedros e as suas faias escolhidas, e entrarei na altura do seu cume, ao bosque do seu campo fertil.
25 Eu cavei, e bebi as aguas; e com as plantas de meus pés sequei todos os rios do Egypto.
26 Porventura não ouviste que já muito d’antes eu fiz isto, e já desde os dias antigos o formei? agora porém o fiz vir, para que tu fosses o que destruisses as cidades fortes, e as reduzisses a montões assolados.
27 Por isso os seus moradores, com as mãos caidas, andaram atemorisados e envergonhados: eram como a herva do campo, e a hortaliça verde, e o feno dos telhados, e o trigo queimado antes da seara.
28 Porém eu sei o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, e o teu furor contra mim.
29 Por causa do teu furor contra mim, e porque o teu tumulto subiu até aos meus ouvidos, [4] portanto porei o meu anzol no seu nariz e o meu freio nos teus beiços, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste.
30 E isto te seja por signal, que este anno se comerá o que de si mesmo nascer, e no segundo anno o que d’ahi proceder: porém no terceiro anno semeae e segae, e plantae vinhas, e comei os fructos d’ellas.
31 Porque o que escapou da casa de Judah, e ficou de resto, tornará a lançar raizes para baixo, e dará fructo para cima.
32 Porque de Jerusalem sairá o restante, e do monte de Sião o que escapou: [5] o zelo do Senhor dos Exercitos fará isto.
33 Pelo que assim diz o Senhor ácerca do rei da Assyria: Não entrará n’esta cidade, nem lançará n’ella frecha alguma: tão pouco virá perante ella com escudo, nem levantará contra ella tranqueira alguma.
34 Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; porém n’esta cidade não entrará, diz o Senhor.
35 Porque eu ampararei [6] a esta cidade, para a livrar, por amor de mim e por amor do meu servo David.
36 Então saiu [7] o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assyrios a cento e oitenta e cinco mil d’elles; e, levantando-se pela manhã cedo, eis que tudo eram corpos mortos.
37 Assim Senacherib, rei da Assyria, se retirou, e se foi, e voltou, e se ficou em Ninive.
38 E succedeu que, estando elle prostrado na casa de Nisroch, seu deus, Adramelech e Sarezer, seus filhos, o feriram á espada; porém elles se escaparam para a terra d’Ararat, e Esarhaddon, seu filho, reinou em seu logar.
A doença de Ezequias e a sua cura maravilhosa.
38 N’aquelles dias [1] Ezequias adoeceu d’uma enfermidade mortal: e veiu a elle Isaias, filho d’Amós, o propheta, e lhe disse: Assim diz o Senhor: [2] Ordena a tua casa, porque morrerás, e não viverás.
2 Então virou Ezequias o seu rosto para a parede; e orou ao Senhor.
3 E disse: Ah Senhor, [3] lembra-te, te peço, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era recto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitissimo.
4 Então veiu a palavra do Senhor a Isaias, dizendo:
5 Vae, e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de David teu pae: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lagrimas; eis que accrescento sobre os teus dias quinze annos.
6 E livrar-te-hei das mãos do rei da Assyria, a ti, e a esta cidade, [4] e ampararei a esta cidade.
7 E isto te será por [5] signal da parte do Senhor de que o Senhor cumprirá esta palavra que fallou.
8 Eis que farei tornar a sombra dos graus, que declinou com o sol pelos graus do relogio d’Achaz dez graus atraz. Assim tornou o sol dez graus atraz, pelos graus que já tinha descido.
9 Escripturas d’Ezequias, rei de Judah, de quando adoeceu e sarou de sua enfermidade.
10 Eu disse no cessar de meus dias: Ir-me-hei ás portas da sepultura: já estou privado do resto de meus annos.
11 Disse tambem: Já não verei mais ao Senhor, digo, na terra dos viventes: jámais verei o homem [WK] com os moradores do mundo.
12 Já o tempo da minha vida se [6] foi, e foi trespassado de mim, como choça de pastor: cortei a minha vida, como tecelão que corta a sua teia; como desde os liços me cortará; desde o dia até á noite me acabarás.
13 Isto me propunha até á madrugada, que, como um leão, quebrantaria todos os meus ossos: desde o dia até á noite me acabarás.
14 Como o grou, ou a andorinha, assim chilreava, [7] e gemia como a pomba: alçava os meus olhos ao alto; ó Senhor ando opprimido, fica por meu fiador.
15 Que direi? como m’o prometteu, assim o fez: [8] assim passarei mansamente por todos os meus annos, por causa da amargura da minha alma.
16 Senhor, com estas coisas se vive, e em todas ellas está a vida do meu espirito, porque tu me curaste e me saraste.
17 Eis que até na paz a amargura me foi amarga; tu porém tão amorosamente abraçaste a minha alma, que não caiu na cova da corrupção; porque lançaste para traz das tuas costas todos os meus peccados.
18 Porque não te louvará a sepultura, nem a morte te glorificará: nem tão pouco esperarão em tua verdade os que descem á cova.
19 O vivente, o vivente, esse te louvará como eu hoje o faço: [9] o pae aos filhos fará notoria a tua verdade.
20 O Senhor veiu salvar-me; pelo que, tangendo em meus instrumentos, lhe cantaremos todos os dias de nossa vida na casa do Senhor.
21 E dissera Isaias: [10] Tomem uma pasta de figos, e a ponham como emplasto sobre a chaga; e sarará.
22 Tambem dissera Ezequias: [11] Qual será o signal de que hei de subir á casa do Senhor?
Os embaixadores de Babylonia enviados a Jerusalem. O orgulho de Ezequias.
Antes de Christo 712
39 N’aquelle tempo [1] enviou Merodach-baladan, filho de Baladan, rei de Babylonia, cartas e um presente a Ezequias, porque tinha ouvido dizer que havia estado doente e que já tinha convalescido.
2 E Ezequias [2] se alegrou d’elles, e lhes mostrou a casa do seu thesouro, a prata, e o oiro, e as especiarias, e os melhores unguentos, e toda a sua casa d’armas, e tudo quanto se achou nos seus thesouros: coisa nenhuma houve, nem em sua casa, nem em todo o seu dominio, que Ezequias lhes não mostrasse.
3 Então o propheta Isaias veiu ao rei Ezequias, e lhe disse: Que é o que aquelles homens disseram, e d’onde vieram a ti? E disse Ezequias: D’uma terra remota vieram a mim, de Babylonia.
4 E disse elle: Que é o que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram tudo quanto ha em minha casa; coisa nenhuma ha nos meus thesouros que eu deixasse de lhes mostrar.
5 Então disse Isaias a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor dos Exercitos:
6 Eis que [3] veem dias em que tudo quanto houver em tua casa, e o que enthesouraram teus paes até ao dia d’hoje será levado para Babylonia: não ficará coisa alguma, disse o Senhor.
7 E ainda até de teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares, tomarão, para que sejam eunuchos no palacio do rei de Babylonia.
8 Então disse Ezequias a Isaias: Boa é a palavra do Senhor que disseste. Disse mais: Pois haja paz e verdade em meus dias.
O livramento promettido ao povo de Israel.
40 Consolae, consolae o meu povo, diz o vosso Deus.
2 Fallae benignamente a Jerusalem, e bradae-lhe que já a sua malicia é acabada, que já a sua iniquidade está expiada [1] e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus peccados.
3 [WL] Voz [2] do que clama no deserto: Apparelhae o caminho do Senhor: [3] endireitae no ermo vereda a nosso Deus.
4 Todo o valle será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro serão abatidos: e o torcido se endireitará, e o aspero se aplainará.
5 E a gloria do Senhor se manifestará, [4] e toda a carne juntamente verá que a bocca do Senhor o disse.
6 Voz que diz: Clama; e disse: Que hei de clamar? Toda a carne é herva e toda a sua [WM] benignidade como as flores do campo.
7 Secca-se a herva, e caem as flores, soprando n’ellas o Espirito do Senhor. Na verdade que herva é o povo.
8 Secca-se a herva, e caem as flores, [5] porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.
9 Ah Sião, annunciadora de boas novas, sobe tu a um monte alto. Ah Jerusalem, annunciadora de boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize ás cidades de Judah: Eis aqui está o vosso Deus.
10 Eis que o Senhor Jehovah virá contra o forte, [6] e o seu braço se assenhoreará d’elle: eis que o seu galardão vem com elle, e o seu salario diante da sua face.
11 Como pastor apascentará [7] o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu seio: as paridas guiará suavemente.
12 Quem [8] mediu com o seu punho as aguas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu na maior medida o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças?
13 Quem [9] guiou o Espirito do Senhor? e que conselheiro o ensinou?
14 Com quem tomou conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juizo? lhe ensinasse sabedoria, e lhe fizesse notorio o caminho da sciencia?
15 Eis que as nações são consideradas por elle como a gota d’um balde, e como o pó miudo das balanças: eis que lança por ahi as ilhas como a pó miudo.
16 Nem todo o Libano basta para o fogo, nem os seus animaes bastam para holocaustos.
17 Todas as nações são como nada perante elle; e [10] as reputa por menos que nada e como uma coisa vã.
18 A quem pois fareis [11] similhante a Deus? ou que similhança lhe apropriareis?
19 O artifice [12] funde a imagem, e o ourives a cobre de oiro, e cadeias de prata lhe funde.
20 O empobrecido, que já não tem que offerecer, escolhe madeira que não se corrompe: artifice sabio se busca, [13] para apparelhar uma imagem que se não possa mover.
21 Porventura não sabeis? porventura não ouvis? ou desde o principio se vos não notificou? ou não attentastes para os fundamentos da terra?
22 Elle é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para elle como gafanhotos: [14] elle é o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para habitar n’elles:
23 O que torna em nada os principes, e faz como em coisa vã os juizes da terra.
24 E nem se plantam, nem se semeiam, nem se arraiga na terra o seu tronco cortado, e n’elles, soprando, se seccaram, e um tufão como pragana os levará.
25 A quem [15] pois me fareis similhante, que lhe seja similhante? diz o Sancto.
26 Levantae ao alto os vossos olhos, e vede quem creou estas coisas, quem produz por conta o seu exercito, quem a todas chama pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças, e porquanto é forte em poder, nenhuma d’ellas vem a faltar.
27 Porque pois dizes, ó Jacob, e tu fallas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu juizo passa de largo pelo meu Deus?
28 Porventura não sabes, porventura não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Creador dos fins da terra, nem se cança nem se fatiga? [16] não ha esquadrinhação do seu entendimento.
29 Dá esforço ao cançado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.
30 Os moços se cançarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão.
31 Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com azas como aguias: correrão, e não se cançarão; caminharão, e não se fatigarão.
Jehovah é o unico Deus: Israel deve ter confiança unicamente n’Elle.
41 Calae-vos [1] perante mim, ó ilhas, e os povos renovem as forças: cheguem-se, e então fallem: cheguemo-nos juntos a juizo.
2 Quem suscitou do oriente [2] o justo? e o chamou para o seu pé? quem deu as [3] nações á sua face? e o fez dominar sobre reis? elle os entregou á sua espada como o pó, e como pragana arrebatada do vento ao seu arco.
3 Perseguiu-os, e passou em paz, por uma vereda por onde com os seus pés nunca tinha caminhado.
4 Quem obrou [4] e fez isto, chamando as gerações desde o principio? eu o Senhor, o primeiro, e com os ultimos eu mesmo.
5 As ilhas o viram, e temeram: os fins da terra tremeram: approximaram-se, e vieram.
6 Um ao outro ajudou, e ao seu companheiro disse: Esforça-te.
7 E o artifice [5] animou ao ourives, e o que alisa com o martello ao que bate na safra, dizendo da soldadura: Boa é. Então com pregos o firma, [6] para que não venha a mover-se.
8 Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacob, a quem elegi [7] e tu semente de Abrahão, meu amigo?
9 Tu a quem tomei desde os fins da terra, e te chamei d’entre os seus mais excellentes, e te disse: Tu és o meu servo, a ti te escolhi e nunca te rejeitei.
10 Não temas, [8] porque eu estou comtigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus: eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a dextra da minha justiça.
11 Eis que, envergonhados e confundidos serão [9] todos os que se indignaram contra ti: tornar-se-hão como nada, e os que contenderem comtigo, perecerão.
12 Buscal-os-has, porém não os acharás; porém os que pelejarem comtigo, tornar-se-hão como nada, e como coisa que não é nada, os que guerrearem comtigo.
13 Porque eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, [10] que eu te ajudo.
14 Não temas, ó bicho Jacob, povosinho d’Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redemptor é o Sancto d’Israel.
15 Eis que [11] te puz por trilho agudo novo, que tem dentes agudos: os montes trilharás e moerás; e os outeiros tornarás como a folhelho.
16 Tu os padejarás [12] e o vento os levará, e o tufão os espalhará, porém tu te alegrarás no Senhor e te gloriarás no Sancto d’Israel.
17 Os afflictos e necessitados buscam aguas, mas nenhumas ha, e a sua lingua se secca de sêde: eu o Senhor os ouvirei, eu o Deus d’Israel os não desampararei.
18 Abrirei rios [13] em logares altos, e fontes no meio dos valles: tornarei o deserto em tanques de aguas, e a terra secca em mananciaes d’aguas.
19 Plantarei no deserto o cedro, a arvore de sitta, e a murta, e a oliveira: juntamente porei no ermo a faia, o olmeiro e o alamo;
20 Para que todos vejam, [14] e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto, e o Sancto d’Israel o creou.
21 Produzi a vossa demanda, diz o Senhor: trazei as vossas firmes razões, diz o Rei de Jacob.
22 Produzam [15] e annunciem-nos as coisas que hão de acontecer: annunciae-nos quaes foram as coisas passadas, para que attentemos para ellas, e saibamos o fim d’ellas; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras.
23 Annunciae-nos [16] as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses: ou fazei bem, ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o veremos.
24 Eis que sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada: abominação é quem vos escolhe.
25 Desperto a um do norte, que ha de vir do nascimento do sol, [17] e invocará o meu nome; e virá sobre os magistrados, como sobre o lodo, e, como o oleiro pisa o barro, os pisará.
26 Quem annunciou isto desde o principio, para que o possamos saber, ou desde antes, para que digamos: Justo é? Porém não ha quem annuncie, nem tão pouco quem manifeste, nem tão pouco quem ouça as vossas palavras.
27 Eu, o primeiro, [18] sou o que digo a Sião: Eis que ali estão: e a Jerusalem darei um annunciador de boas novas.
28 Porque olhei, [19] porém ninguem havia; nem mesmo entre estes conselheiro algum havia a quem perguntasse ou que me respondesse palavra.
29 Eis que [20] todos são vaidade; as suas obras não são nada; as suas imagens de fundição são vento e nada.
O Servo do Senhor.
42 Eis aqui o meu Servo, [1] a quem sustenho, o meu Eleito, em quem se apraz a minha alma; [2] puz o meu espirito sobre elle; juizo produzirá aos gentios.
2 Não clamará, nem alçará a sua voz, nem fará ouvir a sua voz na praça.
3 A canna trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega: com verdade produzirá o juizo;
4 Não se encobrirá, nem será quebrantado, até que ponha na terra o juizo: e as ilhas aguardarão a sua doutrina.
5 Assim diz Deus, o Senhor, que creou [3] os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz: que dá a respiração [4] ao povo que habita n’ella, e o espirito aos que andam n’ella.
6 Eu o Senhor [5] te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios;
7 Para abrir [6] os olhos cegos, para tirar da prisão os presos, e da casa do carcere os que jazem em trevas.
8 Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha gloria pois a outrem não darei, [7] nem o meu louvor ás imagens de esculptura.
9 Eis que as coisas d’antes já vieram, e as novas eu vos annuncio, e, antes que venham á luz, vol-as faço ouvir.
10 Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu louvor desde o fim da terra: como tambem vós os que navegaes pelo mar, e tudo quanto ha n’ella; vós, ilhas, e seus habitadores.
11 Alcem a voz o deserto e as suas cidades, com as aldeias que Kedar habita: exultem os que habitam nas rochas, e clamem do cume dos montes.
12 Dêem a gloria ao Senhor, e annunciem o seu louvor nas ilhas.
13 O Senhor como valente sairá, como homem de guerra despertará o zelo: exultará, e fará grande arruido, e sujeitará a seus inimigos.
14 Já ha muito me calei; estive posto em silencio, e me retive: darei gritos como a que está de parto, e a todos os assolarei e juntamente devorarei.
15 Os montes e outeiros tornarei em deserto, e toda a sua herva farei seccar, e tornarei os rios em ilhas, e as lagoas seccarei.
16 E guiarei os cegos pelo caminho que nunca conheceram, os farei caminhar pelas veredas que não conheceram: tornarei as trevas em luz perante elles, e as coisas tortas farei direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os desampararei.
17 Mas serão tornados atraz e confundir-se-hão de vergonha os que confiam em imagens de esculptura, e dizem ás imagens de fundição: Vós sois nossos deuses.
18 Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhae, para que possaes ver.
19 Quem [8] é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? e quem é cego como o perfeito, e cego como o servo do Senhor?
20 Bem vêdes vós muitas [9] coisas, porém vós as não guardaes: ainda que abre os ouvidos, comtudo nada ouve.
21 O Senhor se agradava d’elle por amor da sua justiça: engrandeceu pela lei, e o fez glorioso.
22 Porém este é um povo roubado e saqueado: todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos nas casas dos carceres: são postos por preza, e ninguem ha que os livre, por despojo, e ninguem diz: Restitue.
23 Quem ha entre vós que ouça isto? que attenda e ouça o que ha de ser depois?
24 Quem entregou a Jacob por despojo, e a Israel aos roubadores? porventura não foi o Senhor, aquelle contra quem peccámos, e nos caminhos do qual não queriam andar e não davam ouvidos á sua lei?
25 Pelo que derramou sobre elles a indignação da sua ira, e a força da guerra, e [10] lhes poz labaredas em redor: porém n’isso não attentaram; e os queimou, porém não pozeram n’isso o coração.
Só Deus resgata Israel.
43 Porém agora, assim diz o Senhor que [1] te creou, ó Jacob, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi: chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
2 Quando passares pelas aguas [2] estarei comtigo, e quando pelos rios, não te submergirão: quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chamma arderá em ti.
3 Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Sancto d’Israel, o teu Salvador: dei [3] ao Egypto por teu resgate a Ethiopia e a Seba, em teu logar.
4 Emquanto foste precioso aos meus olhos, tambem foste glorificado, e eu te amei, pelo que dei os homens por ti, e os povos pela tua alma.
5 Não temas, [4] pois, porque estou comtigo: trarei a tua semente desde o oriente, e te ajuntarei desde o occidente.
6 Direi ao norte; Dá; e ao sul; Não retenhas: trazei meus filhos de longe, e minhas filhas das extremidades da terra.
7 Todos os chamados [5] do meu nome, e os que creei para a minha gloria, os formei, e tambem os fiz.
8 Trazei [6] o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que teem ouvidos.
9 Todas as nações se congreguem juntamente, e os povos se reunam; [7] quem d’entre elles pode annunciar isto, e fazer-nos ouvir as coisas antigas? produzam as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se ouça, e se diga: Verdade é.
10 Vós sois [8] as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibaes, e me creiaes, e entendaes que eu sou o mesmo, [9] e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.
11 Eu, [10] eu sou o Senhor, e fóra de mim não ha Salvador.
12 Eu annunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, [11] e Deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor; eu sou Deus.
13 Ainda antes que houvesse dia, eu sou; [12] e ninguem ha que possa fazer escapar das minhas mãos: obrando eu, quem o desviará?
14 Assim diz o Senhor, teu Redemptor, o Sancto d’Israel: Por amor de vós enviei a Babylonia, e a todos os fiz descer como fugitivos, a saber, os chaldeos, nos navios em que exultavam.
15 Eu sou o Senhor, vosso Sancto, o Creador d’Israel, vosso Rei.
16 Assim [13] diz o Senhor, o que preparou no mar um caminho, e nas aguas impetuosas uma vereda;
17 O que trouxe [14] o carro e o cavallo, o exercito e a força: elles juntamente se deitaram, e nunca se levantarão: já estão apagados; como um pavio se apagaram.
18 Não vos lembreis [15] das coisas passadas, nem considereis as antigas.
19 Eis que farei uma coisa [16] nova, agora sairá á luz: porventura não a sabereis? [17] porque porei um caminho no deserto, e rios no ermo.
20 Os animaes do campo me servirão, os [WN] dragões, e os filhos do abestruz; [18] porque porei aguas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu eleito.
21 A este povo formei para mim; o meu louvor relatarão.
22 Comtudo tu não me invocaste a mim, ó Jacob, mas te cançaste de mim, ó Israel.
23 Não [19] me trouxeste o gado miudo dos teus holocaustos, nem me honraste com os teus sacrificios; não te fiz servir com presentes, nem te fatiguei com incenso.
24 Não me compraste por dinheiro canna aromatica, nem com a gordura dos teus sacrificios me encheste, mas me déste trabalho com os teus peccados, e me cançaste com as tuas maldades.
25 Eu, [20] eu sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus peccados me não lembro.
26 Faze-me lembrar; entremos em juizo juntamente: aponta tu as tuas razões, para que te possa justificar.
27 Teu primeiro pae peccou, e os teus [WO] interpretes prevaricaram contra mim.
28 Pelo que profanarei [21] os maioraes do sanctuario; e farei de Jacob um anathema, e de Israel um opprobrio.
A soberania de Deus; a vaidade dos idolos.
44 Agora pois, ouve [1] ó Jacob, servo meu, e tu ó Israel, a quem escolhi.
2 Assim diz o Senhor que te creou e te [2] formou desde o ventre, e que te ajudará: Não temas, ó Jacob, servo meu, e tu, Jeshurun, a quem escolhi.
3 Porque derramarei [3] agua sobre o sedento, e rios sobre a terra secca: derramarei o meu Espirito sobre a tua semente, e a minha benção sobre os teus descendentes.
4 E brotarão entre a herva, como salgueiros junto aos ribeiros das aguas.
5 Este dirá: Eu sou do Senhor; e aquelle se chamará do nome de Jacob; e aquell’outro escreverá com a sua mão: Eu sou do Senhor, e por sobrenome se tomará o nome de Israel.
6 Assim diz o Senhor, Rei d’Israel, [4] e seu Redemptor, o Senhor dos Exercitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o ultimo, e fóra de mim não ha Deus.
7 E quem [5] chamará como eu, e d’antes annunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? e annunciem-lhes as coisas futuras, e as que ainda hão de vir.
8 Não vos assombreis, nem temaes; [6] porventura desde então não t’o fiz ouvir, e não annunciei? porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura ha outro Deus fóra de mim? Não, não ha Rocha alguma mais, que eu conheça.
9 Todos [7] os artifices de imagens de esculptura são vaidade, e as suas coisas mais desejaveis são de nenhum prestimo; e ellas mesmas são as suas testemunhas; nada vêem nem entendem; pelo que serão confundidos.
10 Quem forma um deus, e funde uma imagem de esculptura, [8] que é de nenhum prestimo?
11 Eis que todos os seus companheiros ficarão confundidos, pois os mesmos artifices são de entre os homens: ajuntem-se todos, e levantem-se; assombrar-se-hão, e serão juntamente confundidos.
12 O ferreiro faz o machado, [9] e trabalha nas brazas, e o forma com martellos, e o lavra á força do seu braço: elle tem fome, e a sua força enfraquece, e não bebe agua, e desfallece.
13 O carpinteiro estende a regoa, o debuxa com a almagra, o aplaina com o cepilho, e o debuxa com o compasso: e o faz á similhança d’um homem, segundo a forma d’um homem, para se ficar em casa.
14 Quando corta para si cedros, então toma um cypreste, ou um carvalho, e esforça-se contra as arvores do bosque: planta um olmeiro, e a chuva o faz crescer.
15 Então servirá ao homem para queimar, e toma d’elles, e se aquenta, e os accende, e coze o pão: tambem faz um deus, e se prostra diante d’elle; tambem fabrica d’elle uma imagem d’esculptura, e ajoelha diante d’ella.
16 Metade d’elle queima no fogo, com a outra metade [WP] come carne; assa-a, e farta-se d’ella: tambem se aquenta, e diz: Ora já me aquentei, já vi o fogo.
17 Então do resto faz um deus, uma imagem de esculptura: ajoelha-se diante d’ella, e se inclina, e ora-lhe, e diz: Livra-me, porquanto tu és o meu deus.
18 Nada sabem, nem entendem; porque untou-lhes os olhos, para que não vejam, e os seus corações, para que não entendam.
19 E nenhum d’elles [10] toma isto a peito, e já não teem conhecimento nem entendimento para dizer: Metade queimei no fogo, e cozi pão sobre as suas brazas, assei a ellas carne, e a comi: e faria eu do resto uma abominação? ajoelhar-me-hia eu ao que saiu d’uma arvore?
20 Apascenta-se de cinza: [11] o seu coração enganado o desviou; de maneira que já não pode livrar a sua alma, nem dizer: Porventura não ha uma mentira na minha mão direita?
A promessa de livramento. A vinda de Cyro.
21 Lembra-te d’estas coisas ó Jacob e Israel, [12] porquanto és meu servo; eu mesmo te formei, meu servo és, ó Israel; não me esquecerei de ti.
22 Desfaço [13] as tuas transgressões como a nevoa, e os teus peccados como a nuvem: torna-te para mim, porque já eu te remi.
23 Cantae alegres, ó vós, [14] céus, porque o Senhor o fez: exultae vós, as partes mais baixas da terra, vós, montes, retumbae com jubilo; tambem vós, bosques, e todas as arvores que estão n’elles; porque o Senhor remiu a Jacob, e glorificou-se em Israel.
24 Assim diz o Senhor, [15] teu redemptor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço tudo, [16] que, só eu, estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo;
25 Que desfaço os signaes [17] dos inventores de mentiras, e enlouqueço aos adivinhos; que faço tornar atraz os sabios, e endoideço a sciencia d’elles;
26 Que confirma [18] a palavra do seu servo, e cumpre o conselho dos seus mensageiros; que diz a Jerusalem: Tu serás habitada, e ás cidades de Judah: Sereis reedificadas, e eu levantarei as suas ruinas;
27 Que diz á profundeza: [19] Secca-te, e eu seccarei os teus rios;
28 Que diz de Cyro: É meu pastor, e cumprirá todo o meu contentamento; dizendo tambem a Jerusalem: [20] Sê edificada; e ao templo: Funda-te.
45 Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Cyro, [1] a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face, e eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante d’elle as portas, e as portas não se fecharão.
2 Eu irei diante de ti, e endireitarei os caminhos tortos: quebrarei as portas de bronze, e despedeçarei os ferrolhos de ferro.
3 E te darei os thesouros das escuridades, e as riquezas encobertas, [2] para que possas saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome.
4 Por amor de meu servo Jacob, [3] e de Israel, meu eleito, eu a ti te chamei pelo teu nome, puz-te o teu sobrenome, ainda que me não conhecesses.
5 Eu sou o Senhor, [4] e não ha outro: fóra de mim não ha Deus: eu te cingirei, ainda que tu me não conheças.
6 Para que se saiba [5] desde o nascente do sol, e desde o poente, que fóra de mim não ha outro: eu sou o Senhor, e não ha outro.
7 Eu fórmo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, [6] e crio o mal: eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
8 Distillae vós, céus, d’essas alturas, e as nuvens chovam justiça, abra-se a terra, e produza-se toda a sorte de salvação, e a justiça fructifique, juntamente; eu o Senhor, as creei.
9 Ai d’aquelle que contende com o que [7] o formou; o caco contenda com os cacos de barro: porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?
10 Ai d’aquelle que diz ao pae: Que é o que geras? e á mulher: Que é o que pares?
11 Assim diz o Senhor, o Sancto de Israel, aquelle que o formou: Perguntae-me as coisas futuras; [8] demandae-me ácerca de meus filhos, e ácerca da obra das minhas mãos.
12 Eu fiz [9] a terra, e creei n’ella o homem; eu o fiz; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exercitos dei as minhas ordens.
13 Eu o [10] despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei: elle edificará a minha cidade, e soltará os meus captivos, não por preço nem por presentes, diz o Senhor dos Exercitos.
14 Assim diz o Senhor: [11] O trabalho do Egypto, e o commercio dos ethiopes, e dos sabeos, homens d’alta estatura, se passarão para ti, e serão teus; irão atraz de ti, passarão em grilhões, e a ti se prostrarão; far-te-hão as suas supplicas diante de ti, dizendo: [12] Devéras Deus está em ti, e nenhum outro deus ha mais.
15 Verdadeiramente tu és o Deus que se encobre, o Deus de Israel, o Salvador.
16 Envergonhar-se-hão, e tambem se confundirão todos: [13] cairão juntamente na affronta os que fabricam imagens.
17 Porém Israel é [14] salvo pelo Senhor, por uma eterna salvação; pelo que não sereis envergonhados nem confundidos em todas as eternidades.
18 Porque assim diz o Senhor que tem creado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; elle a confirmou, não a creou vasia, mas a formou para que fosse habitada: [15] Eu sou o Senhor e não ha outro.
19 Não fallei em occulto, [16] nem em logar algum escuro da terra: não disse á semente de Jacob: Buscae-me em vão: eu sou o Senhor, que falla a justiça, e annuncio coisas rectas.
20 Congregae-vos, e vinde; chegae-vos juntos, os que escapastes das nações: [17] nada sabem os que [WQ] trazem em procissão as suas imagens de esculptura, de madeira feitas, e rogam a um deus que não pode salvar.
21 Annunciae, e chegae-vos, e tomae conselho todos juntos: quem fez ouvir isto desde a antiguidade? [18] quem desde então o annunciou? porventura não sou eu, o Senhor? e não ha outro Deus senão eu; Deus justo e Salvador não o ha fóra de mim.
22 Virae-vos para mim, [19] e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não ha outro.
23 Por mim mesmo tenho jurado, e já saiu da minha bocca a palavra de justiça, e não tornará atraz: que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a lingua.
24 De mim se dirá: [20] Devéras no Senhor ha justiças e força: até elle chegarão; mas serão envergonhados todos os que se indignarem contra elle.
25 Porém no Senhor [21] será justificada, e se gloriará toda a semente de Israel.
A queda dos idolos de Babylonia.
46 Já Bel [1] abatido está, já Nebo se encurvou, os seus idolos são postos sobre os animaes e sobre as bestas: as cargas dos vossos fardos são canceira para as bestas já cançadas.
2 Juntamente se encurvaram e se abateram; [2] não poderam escapar da carga, mas a sua alma entrou em captiveiro.
3 Ouvi-me, ó casa de Jacob, e todo o residuo da casa de Israel; [3] vós a quem trouxe nos braços desde o ventre, e levei desde a madre.
4 E até á velhice eu serei o mesmo, [4] e ainda até ás cãs eu vos trarei: eu o fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei, e vos guardarei.
5 A quem [5] me fareis similhante, e com quem me egualareis, e me comparareis, para que sejamos similhantes?
6 Gastam [6] o oiro da bolsa, e pesam a prata com as balanças: alugam o ourives, e d’aquillo faz um deus, e diante d’elle se prostram e se inclinam.
7 Sobre [7] os hombros o tomam, o levam, e o põem no seu logar; ali está em pé, do seu logar não se move: e, se alguem clama a elle, resposta nenhuma dá, nem o livra da sua tribulação.
8 Lembrae-vos d’isto, [8] e tende animo: reconduzi-o ao coração, ó prevaricadores.
9 Lembrae-vos [9] das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não ha outro Deus, não ha outro similhante a mim;
10 Que annuncio [10] o fim desde o principio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não succederam; que digo: [11] O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade;
11 Que chamo [12] a ave de rapina desde o oriente, e o homem do meu conselho desde terras remotas; porque assim o disse, e assim o farei vir; eu o formei, e tambem o farei.
12 Ouvi-me, ó duros de coração, [13] os que estaes longe da justiça.
13 Faço chegar [14] a minha justiça, e não estará ao longe, e a minha salvação não tardará: mas estabelecerei em Sião a salvação, e em Israel a minha gloria.
A queda de Babylonia.
47 Desce, [1] e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babylonia; assenta-te no chão; não ha já throno, ó filha dos chaldeos, porque nunca mais serás chamada a tenra nem a delicada.
2 Toma [2] a mó, e moe a farinha: descobre as tuas guedelhas, descalça os pés, descobre as pernas e passa os rios.
3 A tua vergonha [3] se descobrirá, e ver-se-ha o teu opprobrio: tomarei vingança, mas não irei contra ti como homem.
4 O nome do nosso redemptor é o Senhor dos Exercitos, o Sancto d’Israel.
5 Assenta-te calada, [4] e entra nas trevas, ó filha dos chaldeos, porque nunca mais serás chamada senhora de reinos.
6 Muito me agastei [5] contra o meu povo, profanei a minha herança, e os entreguei na tua mão: porém não usaste com elles de misericordia, e até sobre os velhos fizeste muito pesado o teu jugo.
7 E dizias: [6] Eu serei senhora para sempre: até agora não tomastes estas coisas em teu coração, nem te lembraste do fim d’ellas.
8 Agora pois ouve isto, tu que és dada a delicias, que habitas tão segura, que dizes no teu coração: Eu o sou, [7] e fóra de mim não ha outra; não ficarei viuva, nem conhecerei a perda de filhos.
9 Porém [8] ambas estas coisas virão sobre ti n’um momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez: em toda a sua [WR] perfeição virão sobre ti, [9] por causa da multidão das tuas feitiçarias, por causa da abundancia dos teus muitos encantamentos.
10 Porque confiaste na tua maldade e disseste: Ninguem me pode ver; [10] a tua sabedoria e a tua sciencia, essa te fez desviar, e disseste no teu coração: Eu o sou, e fóra de mim não ha outro.
11 Pelo que sobre ti virá mal de que não saberás a origem, e tal destruição cairá sobre ti, que a não poderás expiar; porque virá sobre ti de repente tão tempestuosa desolação, que a não poderás conhecer.
12 Deixa-te estar com os teus encantamentos, e com a multidão das tuas feitiçarias, em que trabalhaste desde a tua mocidade, a ver se te podes aproveitar, ou se porventura te podes fortificar.
13 Cançaste-te [11] na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que ha de vir sobre ti.
14 Eis que [12] serão como a pragana, o fogo os queimará; não poderão arrancar a sua vida do poder da labareda; não serão brazas, para se aquentar a ellas, nem fogo para se assentar a elle.
15 Assim te serão aquelles com quem trabalhaste, [13] os teus negociantes desde a tua mocidade: cada qual irá vagueando pelo seu caminho; ninguem te salvará.
Arrazoamentos, admoestações e promessas de Deus para com Israel.
48 Ouvi isto, casa de Jacob, que vos chamaes do nome d’Israel, e saistes das aguas de Judah, [1] que juraes pelo nome do Senhor, e fazeis menção do Deus de Israel, porém não em verdade nem em justiça.
2 E até da sancta cidade se [2] nomeiam, e se firmam sobre o Deus de Israel; o Senhor dos Exercitos é o seu nome.
3 As coisas passadas já [3] desde então annunciei, e procederam da minha bocca, e eu as fiz ouvir: apressuradamente as fiz, e vieram.
4 Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze.
5 Por [4] isso t’o annunciei desde então, e t’o fiz ouvir antes que viesse, para que porventura não dissesses: O meu idolo fez estas coisas, ou a minha imagem de esculptura, ou a minha imagem de fundição as mandou.
6 Já o tens ouvido; olha bem para tudo isto; porventura assim vós o não annunciareis? desde agora te faço ouvir coisas novas e occultas, e que nunca conheceste.
7 Agora foram creadas, e não desde então, e antes d’este dia não as ouviste, para que porventura não digas: Eis que já eu as sabia.
8 Nem tu as ouviste, nem tu as conheceste, nem tão pouco desde então foi aberto o teu ouvido, porque eu sabia que obrarias muito perfidamente, e que foste chamado prevaricador desde o ventre.
9 Por [5] amor do meu nome dilatarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para comtigo, para que te não venha a cortar.
10 Eis que já te purifiquei, porém não como a prata: escolhi-te na fornalha da afflicção.
11 Por amor de mim, [6] por amor de mim o farei, porque como seria profanado o meu nome? e a minha honra não a darei a outrem.
12 Dá-me ouvidos, ó Jacob, e tu, [7] ó Israel, [WS] a quem chamei; eu sou o mesmo, eu o primeiro, eu tambem o ultimo.
13 Tambem [8] a minha mão fundou a terra, e a minha dextra mediu os céus a palmos; eu os chamarei, e apparecerão juntos.
14 Ajuntae-vos [9] todos vós, e ouvi: Quem ha, d’entre elles, que annunciasse estas coisas? O Senhor o amou, e executará a sua vontade contra Babylonia, e o seu braço será contra os chaldeos.
15 Eu, eu o tenho dito; tambem já eu o chamei, e o farei vir, e farei prospero o seu caminho.
16 Chegae-vos a mim, ouvi isto: [10] Não fallei em occulto desde o principio, mas desde o tempo em que aquillo se fez eu estava ali, e agora o Senhor Jehovah me enviou o seu Espirito.
17 Assim diz [11] o Senhor, o teu Redemptor, o Sancto de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é util, e te guia pelo caminho em que deves andar.
18 Ah! [12] se déras ouvidos aos meus mandamentos! então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar.
19 Tambem a tua semente [13] seria como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como o burgalhão d’ella, cujo nome nunca seria cortado nem destruido da minha face.
20 Sahi [14] de Babylonia, fugi de entre os chaldeos. E annunciae com voz de jubilo; fazei ouvir isso, e levae-o até ao fim da terra: dizei: O Senhor remiu a [15] seu servo Jacob.
21 E não tinham sêde, [16] quando os levava pelos desertos; fez-lhes correr agua da rocha: fendendo elle as rochas, as aguas manavam d’ellas.
22 Porém os impios [17] não teem paz, disse o Senhor.
O servo do Senhor é a luz dos gentios.
49 Ouvi-me, ilhas, e escutae vós, povos de longe: [1] O Senhor me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome.
2 E fez a minha bocca [2] como uma espada aguda, com a sombra da sua mão me cobriu: e me poz como uma frecha limpa, e me escondeu na sua aljava.
3 E me disse: [3] Tu és meu servo: e Israel aquelle por quem hei de ser glorificado.
4 Porém eu disse: Debalde tenho trabalhado, inutil e vãmente gastei as minhas forças: todavia o meu direito está perante o Senhor, e o meu galardão perante o meu Deus.
5 E agora diz o Senhor, [4] que me formou desde o ventre para seu servo, que lhe tornasse a trazer Jacob a elle; [5] porém Israel não se deixára ajuntar: comtudo aos olhos do Senhor serei glorificado, e o meu Deus será a minha força.
6 Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribus de Jacob, e tornares a trazer os guardados em Israel: [6] tambem te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até á extremidade da terra.
7 Assim diz o Senhor, o Redemptor de Israel, o seu Sancto, á alma desprezada, [7] ao que a gente abomina, ao servo dos que dominam: Os reis o verão, e se levantarão, tambem os principes, e diante de ti se inclinarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Sancto de Israel, que te escolheu.
8 Assim diz o Senhor: No tempo favoravel te ouvi [8] e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por concerto do povo, para restaurares a terra, para fazer possuir as herdades assoladas;
9 Para dizeres [9] aos presos: Sahi; e aos que estão em trevas: Apparecei: pastarão nos caminhos, e em todos os logares altos haverá o seu pasto.
10 Nunca [10] terão fome nem sêde, nem a calma nem o sol os affligirá; porque o que se compadece d’elles os guiará, e os levará mansamente aos mananciaes das aguas.
11 E tornarei [11] a todos os meus montes em caminho; e as minhas veredas serão levantadas.
12 Eis que estes virão [12] de longe, e eis que aquelles do norte, e do occidente, e aquell’outros da terra Sinim.
13 Exultae, [13] ó céus, e alegra-te tu, terra, e vós, montes, estalae com jubilo, porque já o Senhor consolou o seu povo, e dos seus afflictos se compadecerá.
14 Porém [14] Sião diz: Já me desamparou o Senhor, e o Senhor se esqueceu de mim.
15 Porventura [15] pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se não compadeça d’elle, do filho do seu ventre? ora ainda que esta se esquecesse d’elle, [16] comtudo eu me não esquecerei de ti.
16 Eis que em ambas as palmas das minhas mãos te tenho gravado: os teus muros estão continuamente perante mim.
17 Os teus filhos apressuradamente virão, porém os teus destruidores e os teus assoladores sairão para fóra de ti.
18 Levanta [17] os teus olhos ao redor, e olha: todos estes que se ajuntam veem a ti: vivo eu, diz o Senhor, que de todos estes te vestirás, [18] como d’um ornamento, e te cingirás d’elles como noiva.
19 Porque nos teus desertos, e nos teus logares solitarios, [19] e na tua terra destruida, agora te verás apertada de moradores, e os que te devoravam se apartarão para longe de ti.
20 E ainda até os filhos [20] da tua orphandade dirão aos teus ouvidos: Mui estreito é para mim este logar; aparta-te de mim, para que possa habitar n’elle.
21 E dirás no teu coração: Quem me gerou estes? pois eu estava desfilhada e solitaria; entrara em captiveiro, e me retirara; pois quem me creou estes? eis que eu só fui deixada de resto? e estes onde estavam?
22 Assim [21] diz o Senhor: Eis que levantarei a minha mão para as nações, e aos povos arvorarei a minha bandeira: então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os hombros.
23 E os reis serão [22] os teus aios, e as suas princezas as tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra, e lamberão o pó dos teus pés, e saberás que eu sou o Senhor, que os que confiam em mim não serão confundidos.
25 Porém assim diz o Senhor: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a preza do tyranno escapará; porque eu contenderei com os teus contendedores, e os teus filhos eu remirei.
26 E sustentarei [24] os teus oppressores com a sua propria carne, e com o seu proprio sangue se embriagarão, como com mosto; e toda a carne saberá que eu sou o Senhor, o teu Salvador e o teu Redemptor, o Forte de Jacob.
O servo do Senhor ultrajado e soccorrido.
50 Assim diz o Senhor: [1] Que libello de divorcio é este de vossa mãe, pelo qual eu a repudiei? ou quem é o meu crédor, a quem eu vos tenha vendido? eis que por vossas maldades fostes vendidos, [2] e por vossas prevaricações vossa mãe foi repudiada.
2 Por que razão vim eu, e ninguem appareceu? chamei, [3] e ninguem respondeu? [4] porventura tanto se encolheu a minha mão, que já não possa remir? ou não ha mais força em mim para livrar? eis que com a minha reprehensão faço seccar o mar, torno os rios em deserto, [5] até que cheirem mal os seus peixes, porquanto não teem agua e morrem de sêde.
3 Eu visto [6] os céus de negridão, e pôr-lhes-hei um sacco para a sua cobertura.
4 O Senhor [7] Jehovah me deu uma lingua erudita, para que saiba fallar a seu tempo uma boa palavra com o cançado: desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça, como aquelles que aprendem.
5 O Senhor Jehovah me [8] abriu os ouvidos, e eu não sou rebelde: não me retiro para traz.
6 As minhas costas dou [9] aos que me ferem, e as minhas faces aos que me arrancam os cabellos: não escondo a minha face de opprobrios e de escarros.
7 Porque o Senhor Jehovah me ajuda, pelo que me não confundo: [10] por isso puz o meu rosto como um seixo, porque sei que não serei confundido.
8 Perto [11] está o que me justifica; quem contenderá comigo? compareçamos juntamente: quem [WU] tem alguma causa contra mim? chegue-se para mim.
9 Eis que o Senhor Jehovah me ajuda; quem ha que me condemne? [12] eis que todos elles como vestidos se envelhecerão, e a traça os comerá.
10 Quem ha entre vós que tema a Jehovah, e ouça a voz do seu servo? quando andar em trevas, [13] e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.
11 Eis que todos vós, que accendeis fogo, e vos cingis com faiscas, andae entre as labaredas do vosso fogo, e entre as faiscas que accendestes: isto vos vem da minha mão, e em [WV] tormentos jazereis.
A restauração e salvação de Israel.
51 Ouvi-me [1] vós, os que seguis justiça, os que buscaes ao Senhor: olhae para a rocha d’onde fostes cortados, e para a caverna do poço d’onde fostes cavados.
2 Olhae [2] para Abrahão, vosso Pae, e para Sarah, que vos pariu; porque, sendo elle só, o chamei, e o abençoei e multipliquei.
3 Porque o Senhor consolará a Sião; [3] consolará a todos os seus logares desertos, e fará o seu deserto como o Eden, e a sua solidão como o jardim do Senhor: gozo e alegria se achará n’ella, acção de graças, e voz de melodia.
4 Attendei-me, povo meu, e, nação minha, inclinae os ouvidos para mim; [4] porque de mim sairá a lei, e o meu juizo farei repousar para luz dos povos.
5 Perto está a minha [5] justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos: as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão.
6 Levantae [6] os vossos olhos para os céus, e olhae para a terra de baixo, porque os céus desapparecerão como o fumo, e a terra se envelhecerá como um vestido, e os seus moradores morrerão similhantemente; porém a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será [WW] quebrantada.
7 Ouvi-me, [7] vós que conheceis a justiça, vós, povo em cujo coração está a minha lei: não temaes o opprobrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injurias.
8 Porque [8] a traça os roerá como a um vestido, e o bicho os comerá como á lã: mas a minha justiça durará para sempre, e a minha salvação de geração em geração.
9 Desperta-te, desperta-te, veste-te de força, ó braço do Senhor: desperta-te como nos dias já passados, como nas gerações antigas; [9] porventura não és tu aquelle que cortou em pedaços a [10] Rahab, o que feriu ao dragão?
10 Não és tu aquelle que [11] seccou o mar, as aguas do grande abysmo? o que fez o caminho no fundo do mar, para que passassem os remidos?
11 Assim [12] tornarão os resgatados do Senhor, e virão a Sião com jubilo, e perpetua alegria haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, a tristeza e o gemido fugirão.
12 Eu, eu sou aquelle que [13] vos consola; quem pois és tu, para que temas o homem, que é mortal? ou o filho do homem, que se tornará em feno?
13 E te esqueces do Senhor que te fez, [14] que estendeu os céus, e fundou a terra, e temes continuamente todo o dia o furor do angustiador, quando se prepara para destruir: [15] pois onde está o furor do que te attribulava?
14 O exilado captivo depressa será solto, e não morrerá na caverna, e o seu pão lhe não faltará.
15 Porque eu sou o Senhor teu Deus, [16] que fendo o mar, e bramem as suas ondas. O Senhor dos Exercitos é o seu nome.
16 E ponho [17] as minhas palavras na tua bocca, e te cubro com a sombra da minha mão; para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo.
17 Desperta, desperta, [18] levanta-te, ó Jerusalem, que bebeste da mão do Senhor o calix do seu furor; bebeste e chupaste as fezes do calix [WX] da vagueação.
18 De todos os filhos que pariu nenhum ha que a guie mansamente; e de todos os filhos que creou nenhum que a tome pela mão.
19 Estas duas [19] coisas te aconteceram; quem tem compaixão de ti? a assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! por quem te consolarei?
20 Já os teus filhos desmaiaram, jazem nas entradas de todos os caminhos, como o boi montez na rede; cheios estão do furor do Senhor e da reprehensão do teu Deus.
21 Pelo que agora ouve isto, ó oppressa, e embriagada, [20] mas não de vinho.
22 Assim diz o teu Senhor, Jehovah, e teu Deus, [21] que pleiteará a causa do seu povo: Eis que eu tomo da tua mão o calix [WY] da vagueação, as fezes do calix do meu furor; nunca mais o beberás.
23 Porém pôl-o-hei [22] nas mãos dos que te entristeceram, que dizem á tua alma: Abaixa-te, e passaremos sobre ti: e tu pozeste as tuas costas como chão, e como caminho, aos viandantes.
52 Desperta [1] desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião: veste-te dos teus vestidos formosos, ó Jerusalem, cidade sancta; [2] porque nunca mais entrará em ti nem incircumciso nem immundo.
2 Sacode-te [3] do pó, levanta-te, e assenta-te, ó Jerusalem: solta-te das ataduras de teu pescoço, ó captiva filha de Sião.
3 Porque assim diz o Senhor: Por nada fostes vendidos: [4] tambem sem dinheiro sereis resgatados.
4 Porque assim diz o Senhor Jehovah: O meu povo em tempos passados desceu ao Egypto, para peregrinar lá, e a Assyria sem razão o opprimiu.
5 E agora, que tenho eu aqui que fazer? diz o Senhor; pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão: e os que dominam sobre elle o fazem uivar, diz o Senhor; [5] e o meu nome é blasphemado incessantemente todo o dia.
6 Portanto o meu povo saberá o meu nome, por esta causa, n’aquelle dia; porque eu mesmo sou o que digo: Eis-me aqui.
7 Quão suaves [6] são sobre os montes os pés do que annuncia as boas novas, o que faz ouvir a paz; do que annuncia o bem, que faz ouvir a salvação: do que diz a Sião: O teu Deus reina.
8 Uma voz dos teus atalaias se ouve, alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor tornar a trazer a Sião.
9 Clamae cantando, exultae juntamente, desertos de Jerusalem; [7] porque o Senhor consolou o seu povo, remiu a Jerusalem.
10 O Senhor desnudou o seu sancto braço perante os olhos de todas as nações; [8] e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.
11 Retirae-vos, [9] retirae-vos, sahi d’ahi, não toqueis coisa immunda: sahi do meio d’ella, [10] purificae-vos, os que levaes os vasos do Senhor.
12 Porque [11] não sairieis apressadamente, nem vos ireis fugindo; porque o Senhor irá diante de vós, e o Deus d’Israel será a vossa rectaguarda.
A apparição, as dôres e a gloria do Messias.
13 Eis que [12] o meu servo obrará com prudencia: será exaltado, e elevado, e mui sublime.
14 Como pasmaram muitos á vista de ti, de que o seu parecer estava tão desfigurado mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens,
15 Assim [13] [WZ] borrifará muitas nações, e os reis fecharão as suas boccas por causa d’elle; porque aquillo que não lhes foi annunciado o verão, e aquillo que elles não ouviram o entenderão.
53 Quem [1] deu credito á nossa prégação? e a quem se manifestou o braço do Senhor?
2 Porque foi subindo como renovo [2] perante elle, e como raiz d’uma terra secca; não tinha [XA] parecer nem formosura; e, olhando nós para elle, não havia apparencia n’elle, para que o desejassemos.
3 Era desprezado, [3] e [XB] o mais indigno entre os homens, homem de dôres, e experimentado nos trabalhos; e como um de quem os homens escondiam o rosto era desprezado, [4] e não fizemos d’elle caso algum.
4 Verdadeiramente [5] elle tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dôres levou sobre si; e nós o reputavamos por afflicto, ferido de Deus, e opprimido.
5 Porém elle foi ferido [6] pelas nossas transgressões, e [XC] moido pelas nossas iniquidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre elle, [7] e pelas suas pisaduras fomos sarados.
6 Todos [8] nós andavamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho: porém o Senhor fez cair sobre elle a iniquidade de nós todos.
7 Exigindo-se-lhe, elle foi opprimido, [9] porém não abriu a sua bocca: [10] como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim não abriu a sua bocca.
8 [XD] Da ancia e do juizo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? [11] porque foi cortado da terra dos viventes: pela transgressão do meu povo a praga estava sobre elle.
9 E pozeram [12] a sua sepultura com os impios, e com o rico estava na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, [13] nem houve engano na sua bocca.
10 Porém ao Senhor agradou [XE] moel-o, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se pozer por expiação do peccado, [14] verá a sua semente e prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.
11 O trabalho da sua alma elle verá, e se fartará; [15] com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos: porque as suas iniquidades levará sobre si.
12 Pelo [16] que lhe darei [XF] a parte de muitos, e com os poderosos repartirá elle o despojo; porque derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; e levou sobre si o peccado de muitos, e intercede pelos transgressores.
O progresso e a gloria da Egreja.
54 Canta alegremente, [1] ó esteril, que não parias: exclama de prazer com alegre canto, e exulta, tu [2] que não tiveste dôres de parto; porque mais são os filhos da solitaria, do que os filhos da casada, diz o Senhor.
2 Alarga [3] o logar da tua tenda, e as cortinas das tuas habitações se estendam; não o impeças: alonga as tuas cordas, e affixa bem as tuas estacas.
3 Porque trasbordarás á mão direita e á esquerda; [4] e a tua semente possuirá as nações e farão habitar as cidades assoladas.
4 Não temas, porque não serás envergonhada; e não te envergonhes, porque não serás confundida: antes te esquecerás da vergonha da tua mocidade, e não te lembrarás mais do opprobrio da tua viuvez.
5 Porque [5] o teu Creador é o teu marido, o Senhor dos Exercitos é o seu nome; e o Sancto de Israel é o teu Redemptor; [6] será chamado o Deus de toda a terra.
6 Porque o Senhor te chamou [7] como a mulher desamparada, e triste de espirito: comtudo tu és a mulher da mocidade, ainda que foste desprezada, diz o teu Deus.
7 Por um pequeno momento [8] te deixei, porém com grandes misericordias te recolherei;
8 Com uma pouca de ira escondi a minha face [9] de ti por um momento; porém com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o Senhor, o teu Redemptor.
9 Porque isto será para mim como as [10] aguas de Noé, quando jurei que as aguas de Noé não passariam mais sobre a terra: assim jurei que não me irarei mais contra ti, nem te reprehenderei.
10 Porque [11] os montes [XG] se desviarão, e os outeiros [XH] tremerão; porém a minha benignidade se não [XI] desviará de ti, e o concerto da minha paz [XJ] se não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti.
11 Tu, opprimida, arrojada com a tormenta e desconsolada, eis que eu porei as tuas pedras com todo o ornamento, e te fundarei sobre as safiras.
12 E as tuas janellas farei crystallinas, e as tuas portas [12] de rubins, e todos os teus termos de pedras apraziveis.
13 E todos os teus filhos serão [XK] doutrinados [13] do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante.
14 Com justiça serás confirmada: alonga-te da oppressão, porque já não temerás; como tambem do espanto, porque não chegará a ti.
15 Eis que certamente se ajuntarão contra ti, porém não comigo: quem se ajuntar contra ti cairá por amor de ti.
16 Eis que eu creei o ferreiro, que assopra as brazas no fogo, e que produz a ferramenta para a sua obra: tambem eu creei o destruidor, para desfazer.
17 Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a lingua que se levantar contra ti em juizo tu a condemnarás: esta é a herança dos servos do Senhor, [14] e a sua justiça vem de mim, diz o Senhor.
Todo o povo é convidado a procurar a salvação.
55 Ó vós, todos os que tendes sêde, [1] vinde ás aguas, e os que não tendes dinheiro, vinde, [2] comprae, e comei; sim, vinde, pois, comprae, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.
2 Porque gastaes o dinheiro n’aquillo que não é pão? e o producto do vosso trabalho n’aquillo que não pode fartar? ouvi-me attentamente, e comei o bem, e a vossa alma se deleite com a gordura.
3 Inclinae os vossos ouvidos, [3] e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma [4] viverá; porque comvosco farei um concerto perpetuo, dando-vos as firmes beneficencias de David.
4 Eis que eu o dei por testemunha aos povos, [5] por principe e mandador dos povos.
5 Eis que [6] chamarás a uma nação que nunca conheceste, e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do Senhor teu Deus, e do Sancto de Israel; porque elle te glorificou.
6 Buscae [7] ao Senhor emquanto se pode achar, invocae-o emquanto está perto.
7 O impio deixe [8] o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor; e se compadecerá d’elle; como tambem ao nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.
8 Porque [9] os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.
9 Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
10 Porque, assim como desce [10] a chuva e a neve dos céus, e para lá não torna, porém rega a terra, e a faz produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,
11 Assim será a minha palavra, que sair da minha bocca; ella não tornará a mim vazia; antes fará o que me apraz, e prosperará n’aquillo para o que a enviei.
12 Porque [11] com alegria saireis, e em paz sereis guiados: os montes e os outeiros exclamarão de prazer perante a vossa face, [12] e todas as arvores do campo baterão as palmas.
13 Em logar [13] do espinheiro crescerá a faia, e em logar da sarça crescerá a murta: o que será para o Senhor por nome, e por signal eterno, que nunca se apagará.
Promessas áquelles que guardam o sabbado.
56 Assim diz o Senhor: Guardae o juizo, e fazei justiça, [1] porque já a minha salvação está perto, para vir, e a minha justiça, para se manifestar.
2 Bemaventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão d’isto; [2] que se guarda de profanar o sabbado, e guarda a sua mão de perpetrar algum mal.
3 E não falle [3] o filho do estrangeiro, que se houver chegado ao Senhor, dizendo: De todo me apartou o Senhor do seu povo: nem tão pouco diga o eunucho: Eis que eu sou uma arvore secca.
4 Porque assim diz o Senhor dos eunuchos, que guardam os meus sabbados, e escolhem aquillo em que eu me agrado, e abraçam o meu concerto:
5 Tambem lhes darei na minha casa [4] e dentro dos meus muros um logar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas: um nome eterno darei a cada um d’elles, que nunca se apagará.
6 E aos filhos dos estrangeiros, que se chegarem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, e para lhe servirem de servos, todos os que guardarem o sabbado, não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto,
7 Tambem os levarei [5] ao meu sancto monte, e os festejarei na minha casa de oração, os seus holocaustos e os seus sacrificios serão acceitos no meu altar; [6] porque a minha casa será chamada a casa de oração para todos os povos.
As faltas e os crimes de Israel.
8 Assim diz o Senhor Jehovah, [7] que ajunta os dispersos de Israel: Ainda mais lhe ajuntarei com os que já se lhe ajuntaram.
9 Vós, [8] todas as bestas do campo, todas as bestas dos bosques, vinde a comer.
10 Todos os seus atalaias [9] são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar: andam adormecidos, estão deitados, e amam o tosquenejar.
11 E estes cães [10] são golosos, não se podem fartar; e elles são pastores que nada sabem entender: todos elles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganancia, cada um por sua parte.
12 Vinde, dizem, trarei vinho, e beberemos bebida forte; e o dia d’ámanhã será como este, [11] e ainda maior e mais famoso.
57 Perece o justo, e não ha quem considere n’isso em seu coração, [1] e os homens compassivos são recolhidos, sem que alguem considere que o justo é recolhido antes do mal.
Antes de Christo 698
2 Entrará em paz: descançarão nas suas camas, os que houverem andado na sua rectidão.
3 Porém chegae-vos aqui, [2] vós os filhos da agoureira, semente adulterina, e que commetteis fornicação.
4 De quem fazeis o vosso passatempo? contra quem alargaes a bocca, e deitaes para fóra a lingua? porventura não sois filhos da transgressão, semente da falsidade,
5 Que vos esquentaes com os deuses [3] debaixo de toda a arvore verde, e sacrificaes os filhos nos ribeiros, debaixo dos cantos dos penhascos?
6 Nas pedras lisas dos ribeiros está a tua parte; estas, estas são a tua sorte; a estas tambem derramas a tua libação, e lhes offereces offertas: contentar-me-hia eu d’estas coisas?
7 Sobre [4] os montes altos e levantados pões a tua cama; e lá sobes para sacrificar sacrificios.
8 E detraz das portas e dos umbraes pões os teus memoriaes; porque, desviando-te de mim, a outros te descobres, e sobes, alargas a tua cama, e fazes concerto com alguns d’elles: [5] amas a sua cama, onde quer que a vês.
9 E vaes [6] ao rei com oleo, e multiplicas os teus perfumes; e envias os teus embaixadores para longe, e te abates até [XL] aos infernos.
10 Na tua comprida [7] viagem te cançaste; porém não dizes: É coisa desesperada: o que buscavas achaste; por isso não adoeces.
11 Mas [8] de que tiveste receio, ou a quem temeste? porque mentiste, e não te lembraste de mim, nem no teu coração me pozeste? não é porventura porque eu me calo, e isso já desde muito tempo, e me não temes?
12 Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão.
13 Quando vieres a clamar, livrem-te os teus congregados; porém o vento a todos levará, e a vaidade os arrebatará: mas o que confia em mim possuirá a terra, e herdará o meu sancto monte.
14 E dir-se-ha: Aplainae, [9] aplainae a estrada, preparae o caminho: tirae os tropeços do caminho do meu povo.
15 Porque assim diz o alto e o sublime, que habita na eternidade, [10] e cujo nome é sancto: Na altura e no logar sancto habito; como tambem com o contrito e abatido de espirito, [11] para vivificar o espirito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.
16 Porque para sempre não contenderei, nem continuamente me indignarei; porque o espirito perante a minha face [XM] se opprimiria, e as almas que eu fiz.
17 Pela iniquidade da sua avareza [12] me indignei, e os feri: escondi-me, e indignei-me; comtudo, rebeldes, seguiram o caminho do seu coração.
18 Eu vejo os seus caminhos, [13] e os sararei, e os guiarei, e lhes tornarei a dar consolações, a saber, aos seus pranteadores.
19 Eu crio [14] os fructos dos labios: paz, paz, para os que estão longe, e para os que estão perto, diz o Senhor, e eu os sararei.
20 Mas [15] os impios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas aguas [XN] lançam de si lama e lodo.
21 Os impios, [16] diz o meu Deus, não teem paz.
58 Clama em alta voz, não te retenhas, levanta a tua voz como a trombeta e annuncia ao meu povo a sua transgressão, e á casa de Jacob os seus peccados.
2 Ainda que me buscam cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que obra justiça, e não deixa [XO] o direito do seu Deus: perguntam-me pelos direitos da justiça, e teem prazer em se chegarem a Deus,
3 Dizendo: Porque jejuamos nós, e tu não attentas para isso? Porque affligimos as nossas almas, e tu o não sabes? Eis que no dia em que jejuaes achaes o vosso contentamento, e estreitamente requereis todo o vosso trabalho.
4 Eis que [1] para contendas e debates jejuaes, e para dardes punhadas impiamente: não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto.
5 Seria este [2] o jejum que eu escolheria, que o homem um dia afflija a sua alma? que incline a sua cabeça como o junco, [3] e estenda debaixo de si sacco e cinza? chamarias tu a isto jejum e dia aprazivel ao Senhor?
6 Porventura não é este o jejum que escolhi? que soltes as ligaduras da impiedade, [4] que desfaças as ataduras do jugo? e que deixes livres os [XP] quebrantados, e despedaces todo o jugo?
7 Porventura não é tambem que repartas [5] o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? e, [6] vendo o nú, o cubras, e não te escondas da tua carne?
8 Então [7] romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, [8] e a gloria do Senhor será a tua rectaguarda.
9 Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e elle dirá: Eis-me aqui: se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o fallar vaidade;
10 E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma afflicta: então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.
11 E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em grandes sequidões, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial de aguas, cujas aguas nunca faltam.
12 E os que de ti procederem edificarão os logares antigamente assolados; [9] e levantarás os fundamentos de geração em geração: e chamar-te-hão reparador das [XQ] roturas, e restaurador de veredas para morar.
13 Se [10] desviares o teu pé do sabbado, de fazeres a tua vontade no meu sancto dia, e chamares ao sabbado deleitoso, e o sancto dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua propria vontade, nem fallares as tuas proprias palavras,
14 Então [11] te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu [12] pae Jacob; porque a bocca do Senhor o fallou.
59 Eis que a mão do Senhor não está encolhida, [1] para que não possa salvar; nem o seu ouvido aggravado, para não poder ouvir.
2 Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus: e os vossos peccados encobrem o seu rosto de vós, para que não ouça.