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A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

[MT] O LIVRO DE JOB.

João Ferreira d' Almeida translation

[MT] O LIVRO DE JOB.

A virtude, tentação e perdas de Job.

Antes de Christo 1520

1 Havia um homem [1] na terra d’Uz, cujo nome era Job: e era este homem sincero, recto e temente a Deus e desviando-se do mal.

2 E nasceram-lhe sete filhos e tres filhas.

3 E era o seu gado sete mil ovelhas, e tres mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era tambem muitissima a gente ao seu serviço, de maneira que era este homem maior do que todos os do oriente.

4 E iam seus filhos, e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam, e convidavam as suas tres irmãs a comerem e beberem com elles.

5 Succedeu pois que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Job, e os sanctificava, e se levantava de madrugada, [2] e offerecia holocaustos segundo o numero de todos elles; porque dizia Job: Porventura peccaram meus filhos, e [MU] amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim o fazia Job continuamente.

6 E vindo [3] um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles.

7 Então o Senhor disse a Satanaz: D’onde vens? [4] E Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.

8 E disse o Senhor a Satanaz: [5] Consideraste tu a meu servo Job? porque ninguem ha na terra similhante a elle, homem sincero e recto, temente a Deus, e desviando-se do mal.

9 Então respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: Porventura teme Job a Deus debalde?

10 Porventura não [6] o circumvallaste tu a elle, e a sua casa, e a tudo quanto tem? [7] A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está augmentado na terra.

11 Mas estende [8] a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se te não amaldiçoa na tua face!

12 E disse o Senhor a Satanaz: Eis-que tudo quanto tem está na tua mão; sómente contra elle não estendas a tua mão. E Satanaz saiu da presença do Senhor.

13 E succedeu um [9] dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogenito,

14 Que veiu um mensageiro a Job, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a elles;

15 E deram sobre elles os sabeos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.

16 Estando este ainda fallando, veiu outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu, e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.

17 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Ordenando os chaldeos tres tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada: e só eu escapei tão sómente para te trazer a nova.

18 Estando ainda este fallando, veiu outro, e disse: Estando [10] teus filhos, tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogenito,

19 Eis que um grande vento sobreveiu d’além do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, e caiu sobre os mancebos, e morreram: e só eu escapei tão sómente, para te trazer a nova.

20 Então Job [11] se levantou, e rasgou o seu manto, e tosquiou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou,

21 E disse: Nu sahi do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, [12] e o Senhor o tomou: bemdito seja o nome do Senhor.

22 Em tudo [13] isto Job não peccou, nem attribuiu a Deus falta alguma.

A adversidade e cruel afflicção de Job.

2 E, vindo [1] outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veiu tambem Satanaz entre elles, apresentar-se perante o Senhor.

2 Então o Senhor [2] disse a Satanaz: D’onde vens? E respondeu Satanaz ao Senhor, e disse: De rodeiar a terra, e passeiar por ella.

3 E disse o Senhor a Satanaz: Consideraste ao meu servo Job? porque ninguem ha na terra similhante a elle, homem sincero e [3] recto, temente a Deus, e desviando-se do mal, e que ainda retem [4] a sua sinceridade; havendo-me tu incitado contra elle, para o consumir sem causa.

4 Então Satanaz respondeu ao Senhor, e disse: Pelle por pelle, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.

5 Porém estende [5] a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se te não amaldiçoa na tua face!

6 E disse [6] o Senhor a Satanaz: Eis-que elle está na tua mão; porém guarda a sua vida.

7 Então saiu Satanaz da presença do Senhor, e feriu a Job [MV] d’uma chaga maligna, [7] desde a planta do pé até ao alto da cabeça.

8 E tomou um caco para se raspar com elle: e estava [8] assentado no meio da cinza.

9 Então sua mulher lhe disse: Ainda [9] retens a tua sinceridade? amaldiçoa a Deus, e morre.

10 Porém elle lhe disse: Como falla qualquer das doidas, fallas tu; receberemos [10] o bem de Deus, e não receberiamos o mal? Em tudo isto não peccou Job com os seus labios.

11 Ouvindo [11] pois tres amigos de Job todo este mal que tinha vindo sobre elle, vieram cada um do seu logar; Eliphaz o temanita, e Bildad o suhita, e Sofar o naamathita; e concertaram juntamente de virem condoer-se d’elle, [12] e para o consolarem.

12 E, levantando de longe os seus olhos, não o conheceram: e levantaram a sua voz e choraram; e rasgaram cada um o seu manto, e sobre as suas cabeças lançaram [13] pó ao ar.

13 E se assentaram juntamente com elle na terra, sete dias [14] e sete noites: e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dôr era mui grande.

Job amaldiçoa o seu nascimento e lamenta a sua miseria.

3 Depois d’isto abriu Job a sua bocca, e amaldiçoou o seu dia.

2 E Job respondeu, e disse:

3 Pereça [1] o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!

4 Converta-se aquelle dia em trevas; e Deus de cima não tenha cuidado d’elle, nem resplandeça sobre elle a luz.

5 Contaminem-n’o as trevas [2] e a sombra de morte; habitem sobre elle nuvens: a escuridão do dia o espante!

6 A escuridão tome aquella noite, e não se goze entre os dias do anno, e não entre no numero dos mezes!

7 Ah que solitaria seja aquella noite, e suave musica não entre n’ella!

8 Amaldiçoem-n’a aquelles que amaldiçoam o dia, [3] que estão promptos para levantar o seu pranto.

9 Escureçam-se as estrellas do seu crepusculo; que espere a luz, e não venha: e não veja as pestanas dos olhos da alva!

10 Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canceira?

11 Porque [4] não morri eu desde a madre? e em saindo do ventre, não expirei?

12 Porque [5] me receberam os joelhos? e porque os peitos, para que mamasse?

13 Porque já agora jazera e repousara; dormiria, e então haveria repouso para mim.

14 Com os reis e conselheiros da terra, que se edificavam casas nos logares [6] assolados,

15 Ou com os principes que tinham oiro, que enchiam as suas casas de prata,

16 Ou como aborto occulto, não existiria: como as creanças que não viram a luz.

17 Ali os maus cessam de perturbar: e ali repousam os cançados.

18 Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem [7] a voz do exactor:

19 Ali está o pequeno e o grande, e o servo fica livre de seu senhor.

20 Porque [8] se dá luz ao miseravel, e vida aos [9] amargosos d’animo?

21 Que esperam [10] a morte, e não se acha: e cavam em busca d’ella mais do que de thesouros occultos:

22 Que d’alegria saltam, e exultam, achando a sepultura:

23 Ao homem, cujo caminho é occulto, e a quem [11] Deus o encobriu?

24 Porque antes do meu pão vem o meu suspiro: e os meus gemidos se derramam como agua.

25 Porque o temor que temo me veiu: e o que receiava me aconteceu.

26 Nunca estive descançado, nem soceguei, nem repousei, mas veiu sobre mim a perturbação.

Eliphaz reprehende Job.

4 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:

2 Se intentarmos fallar-te, enfadar-te-has? mas quem poderia conter as palavras?

3 Eis que ensinaste a muitos, e esforçaste [1] as mãos fracas.

4 As tuas palavras levantaram os que tropeçavam [2] e os joelhos desfallecentes fortificaste.

5 Mas agora a ti te vem, e te enfadas: e, tocando-te a ti, te perturbas.

6 Porventura não era o [3] teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a sinceridade dos teus caminhos?

7 Lembra-te agora qual é o innocente que jamais perecesse? e onde foram os sinceros destruidos?

8 Como eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeam trabalho segam [4] o mesmo.

9 Com o bafo de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem.

10 O bramido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebrantam.

11 Perece o leão velho, porque não ha preza; e os filhos da leoa andam esparzidos.

12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro d’ella.

13 Entre imaginações de visões da noite, quando cae sobre os [5] homens o somno profundo;

14 Sobreveiu-me o espanto e o [6] tremor, e todos os meus ossos estremeceram.

15 Então um espirito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabellos da minha carne;

16 Parou elle, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos: e, calando-me, ouvi uma voz que dizia:

17 Seria porventura [7] o homem mais justo do que Deus? seria porventura o varão mais puro do que o seu Creador?

18 Eis-que [8] nos seus servos não confiaria, e aos seus anjos imputaria loucura:

19 Quanto [9] menos n’aquelles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são machucados como a traça!

20 Desde a manhã até á tarde são despedaçados: e eternamente perecem sem que d’isso se faça caso.

21 Porventura se não passa com elles a sua excellencia? morrem, porém sem sabedoria.

Eliphaz exhorta a Job a que busque a Deus.

5 Chama agora; ha alguem que te responda? e para qual dos sanctos te virarás?

2 Porque a ira destroe o louco; e o zelo mata o tolo.

3 Bem vi eu [1] o louco lançar raizes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.

4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados ás portas, e não ha quem os livre.

5 A sua sega a devora o faminto, e até d’entre os [2] espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.

6 Porque do pó não procede a afflicção, nem da terra brota o trabalho.

7 Mas o homem [3] nasce para o trabalho, como as faiscas das brazas se levantam para voarem.

8 Porém eu buscaria a Deus; e a Elle dirigiria a minha falla.

9 Elle faz [4] coisas tão grandiosas, que se não podem esquadrinhar; e tantas maravilhas, que se não podem contar.

10 Que dá [5] a chuva sobre a terra, e envia aguas sobre os campos,

11 Para pôr [6] aos abatidos n’um logar alto: e para que os enlutados se exaltem na salvação.

12 Elle aniquila [7] as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a effeito.

13 Elle apanha [8] os sabios na sua propria astucia; e o conselho dos perversos se precipita.

14 Elles de dia [9] encontrem as trevas; e ao meio dia andem como de noite, ás apalpadelas.

15 Porém ao necessitado livra da espada, e da bocca d’elles, e da mão do forte.

16 Assim ha esperança para o pobre; [10] e a iniquidade tapa a sua bocca.

17 Eis que bemaventurado é o homem a quem [11] Deus castiga; pois não desprezes o castigo do Todo-poderoso.

18 Porque [12] elle faz a chaga, e elle mesmo a liga: elle fere, e as suas mãos curam.

19 Em seis angustias [13] te livrará; e na setima o mal te não tocará.

20 Na fome te livrará da morte; e na guerra da violencia da espada.

21 Do açoite da lingua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.

22 Da assolação e [14] da fome te rirás, e os animaes da terra não temerás.

23 Porque até [15] com as pedras do campo terás a tua alliança; e os animaes do campo serão pacificos comtigo.

24 E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não falharás.

25 Tambem saberás que se multiplicará a tua semente e a tua posteridade como a herva da terra.

26 Na [16] velhice virás á sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

27 Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita n’isso para teu bem.

Job justifica as suas queixas.

6 Então Job respondeu, e disse:

2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse n’uma balança!

3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia [1] dos mares: por isso é que as minhas palavras se me afogam.

4 Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim.

5 Porventura zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto?

6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do ovo?

7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta.

8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me désse o que espero!

9 E que [2] Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!

10 Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me perdoando elle; porque não occultei [3] as palavras do Sancto.

11 Qual é a minha força, para que eu espere? ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida?

12 É porventura a minha força a força de pedra? Ou é de cobre a minha carne?

13 Ou não está em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?

14 Ao [4] que está afflicto devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso.

15 Meus irmãos [5] aleivosamente me fallaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam.

16 Que estão encobertos com a geada, e n’elles se esconde a neve.

17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desapparecem do seu logar.

18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vacuo, e perecem.

19 Os caminhantes de [6] Tema os vêem; os passageiros de Sheba olham para elles.

20 Foram [7] envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.

21 Agora [8] sois similhantes a elles: vistes o terror, e temestes.

22 Disse-vos eu: Dae-me ou offerecei-me da vossa fazenda presentes?

23 Ou livrae-me das mãos do oppressor? ou redemi-me das mãos dos tyrannos?

24 Ensinae-me, e eu me calarei: e dae-me a entender em que errei.

25 Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição?

26 Porventura buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento?

27 Mas antes lançaes sortes sobre o orphão; e cavaes uma cova para o vosso amigo.

28 Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e vede se minto em vossa presença.

29 Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, [9] digo, que ainda a minha justiça apparecerá n’isso.

30 Ha porventura iniquidade na minha lingua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas miserias?

7 Porventura [1] não tem o homem guerra sobre a terra? e não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2 Como o cervo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3 Assim me deram [2] por herança mezes de vaidade: e noites de trabalho me prepararam.

4 Deitando-me a dormir, então digo, [3] Quando me levantarei? mas comprida é a noite, e farto-me de me voltar na cama até á alva.

5 A minha carne se tem vestido de bichos [4] e de torrões de pó: a minha pelle está gretada, e se fez abominavel.

6 Os meus dias [5] são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e pereceram sem esperança.

7 Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8 Os olhos dos que agora me vêem não me verão [6] mais: os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.

9 Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquelle que desce á sepultura [7] nunca tornará a subir.

10 Nunca mais tornará á sua casa, nem o seu logar [8] jámais o conhecerá.

11 Por isso não reprimirei a [9] minha bocca: fallarei na angustia do meu espirito; queixar-me-hei na amargura da minha alma.

12 Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?

13 Dizendo eu: [10] Consolar-me-ha a minha cama: meu leito alliviará a minha ancia;

14 Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras:

15 Pelo que a minha alma escolheria antes a estrangulação: e antes a morte do que [MW] a vida.

16 A minha vida abomino, [11] pois não viveria para sempre: retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.

17 Que é [12] o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre elle o teu coração,

18 E cada manhã o visites, e cada momento o proves?

19 Até quando me não deixarás, nem me largarás, até que engula o meu cuspo?

20 Se pequei, que te farei, [13] ó Guarda dos homens? porque fizeste de mim um alvo para ti por tropeço, para que a mim mesmo me seja pesado?

21 E porque me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá.

Bildad combate as palavras de Job e justifica a Deus.

8 Então respondeu Bildad o suhita, e disse:

2 Até quando fallarás taes coisas, e as razões da tua bocca serão como um vento impetuoso?

3 Porventura perverteria [1] Deus o direito? e perverteria o Todo-poderoso a justiça?

4 Se teus filhos [2] peccaram contra elle, tambem elle os lançou na mão da sua transgressão.

5 Mas, [3] se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-poderoso pedires misericordia,

6 Se fôres puro e recto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.

7 O teu principio, na verdade, terá sido pequeno, porém o teu ultimo estado crescerá em extremo.

8 Porque, pergunta [4] agora ás gerações passadas: e prepara-te para a inquirição de seus paes.

9 Porque [5] nós somos de hontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.

10 Porventura não te ensinarão elles, e não te fallarão, e do seu coração não tirarão razões?

11 Porventura sobe o junco sem lodo? ou cresce a espadana sem agua?

12 Estando [6] ainda na sua verdura, ainda que a não cortem, todavia antes de qualquer outra herva se secca.

13 Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus: e a esperança do hypocrita [7] perecerá.

14 Cuja esperança fica frustrada: e a sua confiança será como a teia d’aranha.

15 Encostar-se-ha [8] á sua casa, mas não se terá firme: apegar-se-ha a ella, mas não ficará em pé.

16 Está sumarento antes que venha o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim;

17 As suas raizes se entrelaçam junto á fonte, para o pedregal attenta.

18 Absorvendo-o [9] elle do seu logar, negal-o-ha este, dizendo: Nunca te vi?

19 Eis que este é alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó.

20 Eis que Deus não rejeitará ao recto; nem toma pela mão aos malfeitores:

21 Até que de riso te encha a bocca, e os teus labios de jubilação.

22 Teus aborrecedores se vestirão de confusão, e a tenda dos impios não existirá mais.

Job confessa a justiça de Deus e pede allivio á sua miseria.

9 Então Job respondeu, e disse:

2 Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o [1] homem para com Deus?

3 Se quizer contender com elle, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.

4 Elle é sábio [2] de coração, e forte de forças: quem se endureceu contra elle, e teve paz?

5 Elle é o que transporta as montanhas, sem que o sintam, e o que as transtorna no seu furor.

6 O que remove [3] a terra do seu logar, e as suas columnas estremecem.

7 O que falla ao sol, e não sae, e sella as estrellas.

8 O que só estende [4] os céus, e anda sobre os altos do mar.

9 O que faz [5] a Ursa, o Orion, e o Setestrello, e as recamaras do sul.

10 O que [6] faz coisas grandes, que se não podem esquadrinhar: e maravilhas taes que se não podem contar.

11 Eis que passa [7] por diante de mim, e não o vejo: e torna a passar perante mim, e não o sinto.

12 Eis que [8] arrebata; quem lh’o fará restituir? quem lhe dirá: Que é o que fazes?

13 Deus não revogará a sua ira: [9] debaixo d’elle se encurvam os auxiliadores soberbos.

14 Quanto menos lhe responderia eu! ou escolheria diante d’elle as minhas palavras!

15 A quem, [10] ainda que eu fosse justo, lhe não responderia: antes ao meu Juiz pediria misericordia.

16 Ainda que chamasse, e elle me respondesse, nem por isso creria que désse ouvidos á minha voz.

17 Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas [11] sem causa.

18 Nem me concede o respirar, antes me farta d’amarguras.

19 Quanto ás forças, eis que elle é o forte: e, quanto ao juizo, quem me citará com elle?

20 Se eu me justificar, a minha bocca me condemnará: se fôr recto, então me declarará por perverso.

21 Se fôr recto, não estimo a minha alma: deprezo a minha vida.

22 A coisa é esta; por isso eu digo que elle [12] consome ao recto e ao impio.

23 Matando o açoite de repente, então se ri da prova dos innocentes.

24 A terra se entrega na mão do impio; elle cobre [13] o rosto dos juizes: se não é elle, quem é logo?

25 E os meus [14] dias são mais velozes do que um correio: fugiram, e nunca viram o bem.

26 Passam como navios veleiros: como aguia [15] que se lança á comida.

27 Se eu [16] disser: Me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu rosto, e tomarei alento;

28 Receio todas as minhas dôres, porque bem [17] sei que me não terás por innocente.

29 E, sendo eu impio, por que trabalharei em vão?

30 Ainda que me lave [18] com agua de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,

31 Ainda me submergirás no fosso, e os meus proprios vestidos me abominarão.

32 Porque elle não é homem, como eu, a quem eu [19] responda, vindo juntamente a juizo.

33 Não [20] ha entre nós arbitro que ponha a mão sobre nós ambos.

34 Tire [21] elle a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.

35 Então fallarei, e não o temerei; porque assim não estou comigo.

10 A minha alma [1] tem tedio á minha vida: darei livre curso á minha queixa, fallarei [2] na amargura da minha alma.

2 Direi a Deus: Não me condemnes: faze-me saber porque contendes comigo.

3 Parece-te bem que me opprimas? que rejeites o trabalho das tuas mãos? e resplandeças sobre o conselho dos impios?

4 Tens tu porventura olhos de carne? vês [3] tu como vê o homem?

5 São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus annos como os annos de um homem,

6 Para te informares da minha iniquidade, e averiguares o meu peccado?

7 Bem sabes tu que eu não sou impio: todavia ninguem ha que me livre da tua mão.

8 As tuas mãos me fizeram e me formaram todo em roda; comtudo me consomes.

9 Peço-te que te lembres de que como barro me formaste [4] e me farás tornar em pó.

10 Porventura não me vasaste como leite, e como queijo me não coalhaste?

11 De pelle e carne me vestiste, e com ossos e nervos me ligaste.

12 Vida e beneficencia me fizeste: e o teu cuidado guardou o meu espirito.

13 Porém estas coisas as occultaste no teu coração: bem sei eu que isto esteve comtigo.

14 Se eu peccar, tu me observas; e da minha iniquidade não me escusarás.

15 Se fôr impio, ai [5] de mim! e se fôr justo, não levantarei a minha cabeça: farto estou de affronta; e olho para a minha miseria.

16 Porque se vae crescendo; tu me caças [6] como a um leão feroz: tornaste, e fazes maravilhas contra mim.

17 Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; revezes e combate estão comigo.

18 Por [7] que pois me tiraste da madre? Ah se então dera o espirito, e olhos nenhuns me vissem!

19 Que tivera sido como se nunca fôra: e desde o ventre fôra levado á sepultura!

20 Porventura não são poucos os meus dias? [8] cessa pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento;

21 Antes que vá e d’onde nunca torne, á terra da escuridão e da sombra da morte;

22 Terra escurissima, como a mesma escuridão, terra da sombra, da morte e sem ordem alguma e onde a luz é como a escuridão.

Sofar reprehende Job, mostra a sabedoria de Deus e exhorta ao arrependimento.

11 Então respondeu Sofar, o naamathita, e disse:

2 Porventura não se dará resposta á multidão de palavras? E o homen fallador será justificado?

3 Ás tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguem te envergonhe?

4 Pois [1] tu disseste: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.

5 Mas, na verdade, oxalá que Deus fallasse e abrisse os seus labios contra ti!

6 E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que ella é multiplice em efficacia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos [2] do que merece a tua iniquidade.

7 Porventura [3] alcançarás os caminhos de Deus? ou chegarás á perfeição do Todo-poderoso?

8 Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? mais profunda do que [MX] o inferno, que poderás tu saber?

9 Mais comprida é a sua medida do que a terra: e mais larga do que o mar.

10 Se [4] elle destruir, e encerrar, ou se recolher, quem o fará tornar para traz?

11 Porque elle conhece aos homens vãos, e vê o vicio; e não o terá em consideração?

12 Mas o homem vão é [5] falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montez.

13 Se tu preparaste [6] o teu coração, e estendeste as tuas mãos para elle!

14 Se ha iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.

15 Porque então [7] o teu rosto levantarás sem macula: e estarás firme, e não temerás.

16 Porque te esquecerás dos [8] trabalhos, e te lembrarás d’elles como das aguas que já passaram.

17 E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que seja trevas, será como a manhã.

18 E terás confiança; porque haverá esperança; e buscarás e repousarás seguro.

19 E deitar-te-has, e ninguem te espantará; muitos supplicarão o teu rosto.

20 Porém os olhos [9] dos impios desfallecerão, e perecerá o seu refugio: e a sua esperança será o expirar da alma.

Job defende-se contra as accusaçoes de seus amigos.

12 Então Job respondeu, e disse:

2 Na verdade, que só vós sois o povo, e comvosco morrerá a sabedoria.

3 Tambem eu tenho [1] um coração como vós, e não vos sou inferior: e quem não sabe taes coisas como estas?

4 Eu sou irrisão aos [2] meus amigos; eu, que invoco a Deus, e elle me responde; o justo e o recto servem de irrisão.

5 Tocha desprezivel é [3] na opinião do que está descançado, aquelle que está prompto a tropeçar com os pés.

6 As tendas [4] dos assoladores teem descanço, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.

7 Mas, pergunta agora ás bestas, e cada uma d’ellas t’o ensinará: e ás aves dos céus, e ellas t’o farão saber;

8 Ou falla com a terra, e ella t’o ensinará: até os peixes do mar t’o contarão.

9 Quem não entende por todas estas coisas que a mão do Senhor faz isto?

10 Em cuja mão está [5] a alma de tudo quanto vive, e o espirito de toda a carne humana.

11 Porventura o [6] ouvido não provará as palavras, como o paladar gosta as comidas?

12 Com os edosos está a [7] sabedoria, e na longura de dias o entendimento.

13 Com elle está a sabedoria [8] e a força: conselho e entendimento tem.

14 Eis que elle derriba, e não se reedificará: encerra o homem, e não se lhe abrirá.

15 Eis que elle retem [9] as aguas, e se seccam; e as larga, e transtornam a terra.

16 Com elle está a força e a sabedoria: seu é o errante e o que o faz errar.

17 Aos conselheiros leva despojados, e aos juizes faz [10] desvairar.

18 Solta a atadura dos reis, e ata o cinto aos seus lombos.

19 Aos principes leva despojados, aos poderosos transtorna.

20 Aos acreditados tira a [11] falla, e toma o entendimento aos velhos.

21 Derrama desprezo sobre os principes, e affrouxa o cinto dos violentos.

22 As profundezas das [12] trevas manifesta, e a sombra da morte traz á luz.

23 Multiplica [13] as gentes e as faz perecer; espalha as gentes, e as guia.

24 Tira o coração aos chefes das gentes da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.

25 Nas trevas andam ás apalpadelas, [14] sem terem luz, e os faz desatinar como ebrios.

13 Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.

2 Como [1] vós o sabeis, o sei eu tambem; não vos sou inferior.

3 Mas [2] eu fallarei ao Todo-poderoso, e quero defender-me para com Deus.

4 Vós porém sois [3] inventores de mentiras, e vós todos medicos que não valem nada.

5 Oxalá vos calasseis de todo! que isso seria [4] a vossa sabedoria.

6 Ouvi agora a minha defeza, e escutae os argumentos dos meus labios.

7 Porventura [5] por Deus fallareis perversidade? e por elle fallareis engano?

8 Ou fareis acceitação da sua pessoa? ou contendereis por Deus?

9 Ser-vos-hia bom, se elle vos esquadrinhasse? ou zombareis d’elle, como se zomba d’algum homem?

10 Certamente vos reprehenderá, se em occulto fizerdes acceitação de pessoas.

11 Porventura não vos espantará a sua alteza? e não cairá sobre vós o seu temor?

12 As vossas memorias são como a cinza: as vossas alturas como alturas de lodo.

13 Calae-vos perante mim, e fallarei eu, e que fique alliviado algum tanto.

Job confia em Deus e deseja conhecei os seus peccados.

14 Por que razão tomo [6] eu a minha carne com os meus dentes, e ponho a minha [MY] vida na minha mão?

15 [7] Ainda que me matasse, n’elle esperarei; comtudo os meus caminhos defenderei diante d’elle.

16 Tambem elle será a salvação minha: porém o hypocrita não virá perante o seu rosto.

17 Ouvi com attenção as minhas razões, e com os vossos ouvidos a minha declaração.

18 Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo.

19 Quem [8] é o que contenderá comigo? se eu agora me calasse, daria o espirito.

20 Duas coisas sómente [9] não faças para comigo; então me não esconderei do teu rosto:

21 Desvia a tua mão para longe, de sobre mim, e não me espante o teu terror.

22 Chama, pois, e eu responderei; ou eu fallarei, e tu responde-me.

23 Quantas culpas e peccados tenho eu? notifica-me a minha transgressão e o meu peccado.

24 Porque escondes [10] o teu rosto, e me [11] tens por teu inimigo?

25 Porventura quebrantarás a [12] folha arrebatada do vento? e perseguirás o restolho secco?

26 Porque escreves contra mim amarguras [13] e me fazes herdar as culpas da minha mocidade?

27 Tambem pões [14] no tronco os meus pés, e observas todos os meus caminhos, e marcas as solas dos meus pés.

28 Envelhecendo-se entretanto elle com a podridão, e como o vestido, ao qual roe a traça.

Job roga o favor de Deus por causa da brevidade e miseria da vida humana.

14 O homem nascido da mulher é curto de dias e farto [1] de inquietação.

2 Sae como [2] a flôr, e se corta; foge tambem como a sombra, e não permanece.

3 E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juizo comtigo.

4 Quem do immundo tirará [3] o puro? Ninguem.

5 Visto que os seus dias estão [4] determinados, comtigo está o numero dos seus dias; e tu lhe pozeste limites, e não passará além d’elles.

6 Desvia-te [5] d’elle, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.

7 Porque ha esperança para a arvore que, se fôr cortada, ainda se renovará, [6] e não cessarão os seus renovos

8 Se se envelhecer na terra a sua raiz, e morrer o seu tronco no pó,

9 Ao cheiro das aguas brotará, e dará ramos para a planta.

10 Porém, morrendo o homem, está abatido: e dando o homem o espirito, então onde está?

11 Como as aguas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica secco,

12 Assim o homem se deita, e não se levanta: até [7] que não haja mais céus não acordarão nem se erguerão de seu somno.

13 Oxalá me escondesses [MZ] na sepultura, e me occultasses até que a tua ira se desviasse: e me pozesses um limite, e te lembrasses de mim!

14 Morrendo o homem, porventura tornará a viver? todos os dias de meu combate esperaria, [8] até que viesse a minha mudança?

15 Chama-me, [9] e eu te responderei, e affeiçoa-te á obra de tuas mãos.

16 Pois agora [10] contas os meus passos: porventura não vigias sobre o meu peccado?

17 A minha transgressão está sellada [11] n’um sacco, e amontoas as minhas iniquidades.

18 E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se: e a rocha se remove do seu logar.

19 As aguas gastam as pedras, as cheias afogam o pó da terra: e tu fazes perecer a esperança do homem.

20 Tu para sempre prevaleces contra elle, e elle passa; tu, mudando o seu rosto, o despedes.

21 Os seus filhos estão em honra, sem que elle o saiba: ou ficam minguados [12] sem que elle o perceba:

22 Mas a sua carne n’elle tem dôres: e a sua alma n’elle lamenta.

Eliphaz accusa Job de impiedade.

15 Então respondeu Eliphaz o themanita, e disse:

2 Porventura dará o sabio por resposta sciencia de vento? e encherá o seu ventre de vento oriental?

3 Arguindo com palavras que de nada servem e com razões, com que nada aproveita?

4 E tu tens feito vão o temor, e diminues os rogos diante de Deus.

5 Porque a tua bocca declara a tua iniquidade; e tu escolheste a lingua dos astutos.

6 A tua bocca [1] te condemna, e não eu, e os teus labios testificam contra ti.

7 És tu porventura o primeiro homem que foi nascido? [2] ou foste gerado antes dos outeiros?

8 Ou ouviste [3] o secreto conselho de Deus? e a ti só limitaste a sabedoria?

9 Que sabes [4] tu, que nós não sabemos? e que entendes, que não haja em nós?

10 Tambem [5] ha entre nós encanecidos e edosos, muito mais edosos do que teu pae.

11 Porventura as consolações de Deus te são pequenas? ou alguma coisa se occulta em ti?

12 Porque te arrebata o teu coração? e porque acenam os teus olhos?

13 Para virares contra Deus o teu espirito, e deixares sair taes palavras da tua bocca?

14 Que [6] é o homem, para que seja puro? e o que nasce da mulher, para que fique justo?

15 Eis que nos [7] seus sanctos não confiaria, e nem os céus são puros aos seus olhos.

16 Quanto mais [8] abominavel e fedorento é o homem que bebe a [9] iniquidade como a agua?

Eliphaz mostra que o impio é atormentado n’esta vida.

17 Escuta-me, mostrar-t’o-hei: e o que vi te contarei

18 (O que os sabios annunciaram, ouvindo-o de seus paes, e o não [10] occultaram.

19 Aos quaes sómente se déra a terra, e nenhum estranho passou [11] por meis d’elles):

20 Todos os dias o impio se dá pena a si mesmo, e se reservam para o tyranno um certo numero d’annos.

21 O sonido dos horrores está nos seus [12] ouvidos: até na paz lhe sobrevem o assolador.

22 Não crê que tornará das trevas, e que está esperado da espada.

23 Anda vagueando por pão, dizendo: Onde está? Bem sabe que já o dia [13] das trevas lhe está preparado á mão.

24 Assombram-n’o a angustia e a tribulação; prevalecem contra elle, como o rei preparado para a peleja.

25 Porque estende a sua mão contra Deus, e contra o Todo-poderoso se embravece.

26 Arremette contra elle com a dura cerviz, e contra os pontos grossos dos seus escudos.

27 Porquanto cobriu o seu rosto com a sua gordura, e criou enxundia nas ilhargas.

28 E habitou em cidades assoladas, em casas em que ninguem morava, que estavam a ponto de fazer-se montões de ruinas.

29 Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, nem se estenderão pela terra as suas possessões.

30 Não escapará das trevas; a chamma do fogo seccará os seus renovos, e ao assopro da sua bocca [14] desapparecerá.

31 Não confie pois na [15] vaidade enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa.

32 Antes [16] do seu dia ella se lhe cumprirá; e o seu ramo não reverdecerá.

33 Sacudirá as suas uvas verdes, como as da vide, e deixará cair a sua flor como a da oliveira.

34 Porque o ajuntamento dos hypocritas se fará esteril, e o fogo consumirá as tendas do soborno.

35 Concebem [17] o trabalho, e parem a iniquidade, e o seu ventre prepara enganos.

Job accusa a seus amigos de falta de compaixão e misericordia.

16 Então respondeu Job, e disse:

2 Tenho ouvido muitas coisas como estas: todos vós sois consoladores [1] molestos.

3 Porventura não terão fim estas palavras de vento? ou que te irrita, para assim responderes?

4 Fallaria eu tambem como vós fallaes, se a vossa alma estivesse em logar da minha alma? ou amontoaria palavras contra vós, e menearia contra vós a minha cabeça?

5 Antes vos fortaleceria com a minha bocca, e a consolação dos meus labios abrandaria a dôr.

6 Se eu fallar, a minha dôr não cessa, e, calando-me eu, que mal me deixa?

7 Na verdade, agora me molestou: tu assolaste toda a minha companhia.

8 Testemunha d’isto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim, e no meu rosto testifica contra mim.

9 Na sua ira me [2] despedaçou, e elle me perseguiu; rangeu os seus dentes contra mim: aguça o meu adversario os seus olhos [3] contra mim.

10 Bocejam [4] com a sua bocca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos, e contra mim se ajuntam todos.

11 Entrega-me [5] Deus ao perverso, e nas mãos dos impios me faz cair.

12 Descançado estava eu, porém elle me quebrantou; e pegou-me pela cerviz, e me despedaçou; tambem me poz por seu alvo.

13 Cercam-me os seus frecheiros; atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama em terra.

14 Quebranta-me com quebranto sobre quebranto: arremette contra mim como um valente.

15 Cosi sobre a minha [6] pelle o sacco, e revolvi a minha cabeça no pó.

16 O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas palpebras está a sombra da morte:

17 Não havendo porém violencia nas minhas mãos, e sendo pura a minha oração.

18 Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não [7] haja logar para o meu clamor!

19 Eis que tambem agora está a minha [8] testemunha no céu, e a minha testemunha nas alturas.

20 Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lagrimas diante de Deus.

21 Ah! [9] se se podesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo!

22 Porque se passarão poucos annos; e eu seguirei o caminho por onde não tornarei.

17 O meu espirito se vae corrompendo, os meus dias se vão apagando, e tenho perante mim as [1] sepulturas.

2 Porventura não estão zombadores comigo? e os meus olhos não passam a noite chorando pelas suas amarguras?

3 Promette agora, e dá-me um fiador para comtigo: [2] quem ha que me dê a mão?

4 Porque aos seus corações encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás.

5 O que lisongeando falla aos amigos tambem os olhos de seus filhos desfallecerão.

6 Porém a mim me [3] poz por um proverbio dos povos, de modo que já sou uma abominação perante o rosto de cada um.

7 Pelo que já se escureceram de magoa os meus olhos, e já todos os meus membros são como a sombra:

8 Os rectos pasmarão d’isto, e o innocente se levantará contra o hypocrita.

9 E o justo seguirá o seu caminho firmemente, e o puro de mãos irá crescendo em força.

10 Mas, na verdade, tornae [4] todos vós, e vinde cá; porque sabio nenhum acho entre vós.

11 Os meus dias [5] passam, os meus propositos se quebraram, [NA] os pensamentos do meu coração.

12 Trocaram o dia em noite; a luz está perto do fim, por causa das trevas.

13 Se eu esperar, a sepultura será a minha casa; nas trevas estenderei a minha cama.

14 Á corrupção clamo: Tu és meu pae; e aos bichos: Vós sois minha mãe e minha irmã.

15 Onde pois estaria agora a minha esperança? emquanto á minha esperança, quem a poderá ver?

16 As barras da [6] sepultura descerão quando juntamente no pó haverá descanço.

Bildad accusa Job de presumpção e impaciencia.

18 Então respondeu Bildad, o suhita, e disse:

2 Até quando não fareis fim de palavras? considerae bem, e então fallaremos.

3 Porque somos estimados como bestas, e immundos aos vossos olhos?

4 Oh tu, que despedaças [1] a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tua causa? e remover-se-hão as rochas do seu logar?

5 Na verdade, [2] a luz dos impios se apagará, e a faisca do seu fogo não resplandecerá.

6 A luz se escurecerá nas suas tendas, e a sua lampada [3] sobre elle se apagará.

7 Os passos do seu poder se estreitarão, e o seu conselho o derribará.

8 Porque [4] por seus proprios pés é lançado na rede, e andará nos fios enredados.

9 O laço o apanhará pelo calcanhar, e prevalecerá [5] contra elle o salteador.

10 Está escondida debaixo da terra uma corda, e uma armadilha na vereda.

11 Os assombros o espantarão em redor, e o farão correr d’uma parte para a outra, por onde quer que [6] apresse os passos.

12 Será faminto o seu rigor, [7] e a destruição está prompta ao seu lado.

13 O primogenito da morte consumirá as costellas da sua pelle: consumirá, digo, os seus membros.

14 A sua confiança [8] será arrancada da sua tenda, e isto o fará caminhar para o rei dos assombros.

15 Morará na sua mesma tenda, não lhe ficando nada: espalhar-se-ha enxofre sobre a sua habitação.

16 Por debaixo se seccarão as suas raizes, [9] e por de cima serão cortados os seus ramos.

17 A sua memoria [10] perecerá da terra, e pelas praças não terá nome.

18 Da luz o lançarão nas trevas, e afugental-o-hão do mundo.

19 Não terá filho [11] nem neto entre o seu povo, e resto nenhum d’elle ficará nas suas moradas.

20 Do seu dia se espantarão os vindouros, e os antigos serão sobresaltados de horror.

21 Taes são, na verdade, as moradas do perverso, e este é o logar do que não [12] conhece a Deus.

Job queixa-se da obstinação e dureza dos seus amigos.

19 Respondeu porém Job, e disse:

2 Até quando entristecereis a minha alma, e me quebrantareis com palavras?

3 Já dez vezes [1] me envergonhastes; vergonha não tendes: contra mim vos endureceis.

4 Embora haja eu, na verdade, errado, comigo ficará o meu erro.

5 Se devéras vos levantaes contra mim, e me arguis com o meu opprobrio,

6 Sabei agora que Deus é o que me transtornou, e com a sua rede me cercou.

7 Eis que clamo: Violencia; porém não sou ouvido; grito: Soccorro; porém não ha justiça.

8 O meu [2] caminho entrincheirou, e já não posso passar, e nas minhas veredas poz trevas.

9 Da minha honra me despojou; e tirou-me a corôa da minha cabeça.

10 Derribou-me elle em roda, e eu me vou, e arrancou a minha esperança, como a uma arvore.

11 E fez inflammar contrar mim a sua ira, [3] e me reputou para comsigo, como a seus inimigos.

12 Juntas vieram as suas tropas, [4] e prepararam contra mim o seu caminho, e se acamparam ao redor da minha tenda.

13 Poz longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem devéras me estranharam.

14 Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim.

15 Os meus domesticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos.

16 Chamei a meu creado, e elle me não respondeu, supplicando-lhe eu por minha propria bocca.

17 O meu bafo se fez estranho a minha mulher, e eu a supplico pelos filhos do meu corpo.

18 Até os rapazes [5] me desprezam, e, levantando-me eu, fallam contra mim.

19 Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.

20 Os meus ossos se [6] apegaram á minha pelle e á minha carne, e escapei só com a pelle dos meus dentes.

21 Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, [7] porque a mão de Deus me tocou.

22 Porque me perseguis assim como Deus, e da minha carne vos não fartaes?

23 Quem me déra agora, que as minhas palavras se escrevessem! quem me dera, que se gravassem n’um livro!

24 E que, com penna de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!

25 Porque eu sei que o meu Redemptor vive, e que estará em pé no derradeiro dia sobre o pó.

26 E depois de roida a minha pelle, comtudo desde a minha carne [8] verei a Deus,

27 A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro: e por isso os meus rins se consomem no meu seio.

28 Na verdade, que devieis dizer: [9] Porque o perseguimos? Pois a raiz da [NB] accusação se acha em mim.

29 Temei vós mesmos a espada; porque o furor traz os castigos da espada, para saberdes que haverá um juizo.

Sofar descreve as calamidades que os impios soffrem.

20 Então respondeu Sofar, o naamathita, e disse:

2 Por isso é que os meus pensamentos me fazem responder, e portanto me apresso.

3 Eu ouvi a reprehensão, que me envergonha, mas o espirito do meu entendimento responderá por mim.

4 Porventura não sabes isto, que foi desde todo o tempo, desde que o homem foi posto sobre a terra?

5 A saber: que o jubilo dos impios é breve, e a alegria dos hypocritas como d’um momento?

6 Ainda que a sua altura [1] subisse até ao céu, e a sua cabeça chegasse até ás nuvens,

7 Comtudo como o seu proprio esterco perecerá para sempre: e os que o viam dirão: Onde está?

8 Como um sonho vôa, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite.

9 O olho [2] que já o viu jamais o verá, nem olhará mais para elle o seu logar.

10 Os seus filhos procurarão agradar aos pobres, e as suas mãos restaurarão [3] a sua fazenda.

11 Os seus ossos [4] se encherão dos seus peccados occultos, e juntamente se deitarão com elle no pó.

12 Ainda que o mal lhe seja doce na bocca, e elle o esconda debaixo da sua lingua,

13 E o guarde, e o não deixe, antes o retenha no seu paladar,

14 Comtudo a sua comida se mudará nas suas entranhas; fel d’aspides será interiormente.

15 Enguliu fazendas, porém vomitalas-ha; do seu ventre Deus as lançará.

16 Veneno d’aspides sorverá; lingua de vibora o matará.

17 Não verá as correntes, [5] os rios e os ribeiros de mel e manteiga.

18 Restituirá do seu trabalho, [6] e não o engulirá: conforme ao poder de sua mudança, e não saltará de gozo.

19 Porquanto opprimiu, desamparou os pobres, e roubou a casa que não edificou.

20 Porquanto não sentiu socego [7] no seu ventre; da sua tão desejada fazenda coisa nenhuma reterá.

21 Nada lhe sobejará do que coma; pelo que a sua fazenda não será duravel.

22 Estando já cheia a sua abastança, estará angustiado: toda a mão dos miseraveis virá sobre elle.

23 Haja porém ainda de que possa encher o seu ventre; comtudo Deus mandará sobre elle o ardor da sua ira, e a fará chover [8] sobre elle quando elle fôr a comer.

24 Ainda que fuja [9] das armas de ferro, o arco d’aço o atravessará.

25 Desembainhada a espada, sairá do seu corpo, e resplandecendo [10] virá do seu fel: e haverá sobre elle assombros.

26 Toda a escuridão se occultará nos seus esconderijos: um fogo não assoprado o consumirá: e com o que ficar na sua tenda irá mal.

27 Os céus manifestarão a sua iniquidade: e a terra se levantará contra elle.

28 As rendas de sua casa serão transportadas: no dia da sua ira todas se derramarão.

29 Esta, [11] da parte de Deus, é a porção do homem impio: e, da parte de Deus, a herança dos seus ditos.

Job mostra que os impios muitas vezes gozam prosperidade n’esta vida.

21 Respondeu porém Job, e disse:

2 Ouvi attentamente as minhas razões; e isto vos sirva de consolações.

3 Soffrei-me, e eu fallarei: e, havendo eu fallado, [1] zombae.

4 Porventura eu me queixo a algum homem? porém, ainda que assim fosse, porque se não angustiaria o meu espirito?

5 Olhae para mim, e pasmae: e ponde a mão [2] sobre a bocca.

6 Porque, quando me lembro d’isto, me perturbo, e a minha carne é sobresaltada d’horror.

7 Por que razão [3] vivem os impios? envelhecem, e ainda se esforçam em poder?

8 A sua semente se estabelece com elles perante a sua face; e os seus renovos perante os seus olhos.

9 As suas casas teem paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre elles.

10 O seu touro gera, e não falha: pare a sua vacca, [4] e não aborta.

11 Mandam fóra as suas creanças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando.

12 Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos orgãos.

13 Na prosperidade gastam [5] os seus dias, e n’um momento descem á sepultura.

14 E, todavia, [6] dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.

15 Quem [7] é o Todo-poderoso, para que nós o sirvamos? e que nos aproveitará que lhe façamos orações?

16 Vêde porém que o seu bem não está na mão d’elles: [8] esteja longe de mim o conselho dos impios!

17 Quantas [9] vezes succede que se apaga a candeia dos impios, e lhes sobrevem a sua destruição? [10] e Deus na sua ira lhes reparte dôres!

18 Porque [11] são como a palha diante do vento, e como a pragana, que arrebata o redemoinho.

19 Deus guarda [12] a sua violencia para seus filhos, e lhe dá o pago, que o sente.

20 Seus olhos vêem a sua ruina, [13] e elle bebe do furor do Todo-poderoso.

21 Porque, que prazer teria na sua casa, depois de si, cortando-se-lhe o numero dos seus mezes?

22 Porventura [14] a Deus se ensinaria sciencia, a elle que julga os excelsos?

23 Este morre na força da sua plenitude, estando todo quieto e socegado.

24 Os seus baldes estão cheios de leite, e os seus ossos estão regados de tutanos.

25 E outro morre, ao contrario, na amargura do seu coração, não havendo comido do bem.

26 Juntamente [15] jazem no pó, e os bichos os cobrem.

27 Eis que conheço bem os vossos pensamentos: e os maus intentos com que injustamente me fazeis violencia.

28 Porque direis: [16] Onde está a casa do principe? e onde a tenda das moradas dos impios?

29 Porventura o não perguntastes aos que passam pelo caminho? e não conheceis os seus signaes?

30 Que [17] o mau é preservado para o dia da destruição; e são levados no dia do furor.

31 Quem accusará diante d’elle [18] o seu caminho? e quem lhe dará o pago do que faz?

32 Finalmente é levado ás sepulturas, e vigia no montão.

33 Os torrões do valle lhe são doces, e attrahe a si a todo o homem; e diante de si ha innumeraveis.

34 Como pois me consolaes com vaidade? pois nas vossas respostas ainda resta a transgressão.

Eliphaz accusa Job de diversos peccados e o exhorta ao arrependimento.

22 Então respondeu Eliphaz o temanita, e disse:

2 Porventura [1] o homem será d’algum proveito a Deus? antes a si mesmo o prudente será proveitoso.

3 Ou tem o Todo-poderoso prazer em que tu sejas justo? ou lucro algum que tu faças perfeitos os teus caminhos?

4 Ou te reprehende, pelo temor que tem de ti? ou entra comtigo em juizo?

5 Porventura não é grande a tua malicia? e sem termo as tuas iniquidades?

6 Porque penhoraste a teus irmãos sem causa [2] alguma, e aos nus despiste os vestidos.

7 Não déste de beber agua ao cançado, [3] e ao faminto retiveste o pão.

8 Mas para o violento era a terra, e o homem tido em respeito habitava n’ella.

9 As viuvas despediste vazias, e os braços dos orphãos foram [4] quebrantados.

10 Por isso é que estás cercado de laços, [5] e te perturbou um pavor repentino,

11 Ou as trevas que não vês, e a abundancia [6] d’agua que te cobre.

12 Porventura Deus não está na altura dos céus? olha pois para o cume das estrellas, quão levantadas estão.

13 E dizes que sabe Deus d’isto? porventura julgará por entre a escuridão?

14 As nuvens são escondedura para elle, para que não veja: e passeia pelo circuito dos céus.

15 Porventura consideraste a vereda do seculo passado, que pisaram os homens iniquos?

16 Os quaes foram arrebatados [7] antes do seu tempo: sobre cujo fundamento um diluvio se derramou.

17 Diziam [8] a Deus: Retira-te de nós. E que é o que o Todo-poderoso lhes fez?

18 Sendo elle o que enchera de bens as suas casas: mas o [9] conselho dos impios esteja longe de mim.

19 Os justos o viram, e se alegraram, e o innocente escarneceu d’elles.

20 Porquanto o nosso estado não foi destruido, mas o fogo consumiu o resto d’elles.

21 Acostuma-te pois a elle, e [10] tem paz, e assim te sobrevirá o bem.

22 Acceita, peço-te, a lei da sua bocca, e põe as suas palavras no teu coração.

23 Se te converteres [11] ao Todo-poderoso, serás edificado: affasta a iniquidade da tua tenda.

24 Então amontoarás [12] oiro como pó, e o oiro d’Ophir como pedras dos ribeiros.

25 E até o Todo-poderoso te será por oiro, e a tua prata amontoada.

26 Porque então te deleitarás [13] no Todo-poderoso, [14] e levantarás o teu rosto para Deus.

27 Devéras orarás, a elle, e elle te ouvirá, e pagarás os teus votos.

28 Determinando tu algum negocio, ser-te-ha firme, e a luz brilhará em teus caminhos.

29 Quando abaterem, então tu dirás: Haja exaltação: e Deus salvará [15] ao humilde.

30 E livrará até ao que não é innocente; porque fica livre pela pureza de tuas mãos.

Job deseja apresentar-se perante Deus e confia na sua misericordia.

23 Respondeu porém Job, e disse:

2 Ainda hoje a minha queixa está em amargura: a violencia da minha praga mais se aggrava do que o meu gemido.

3 Ah se eu [1] soubesse que o poderia achar! então me chegaria ao seu tribunal.

4 Com boa ordem exporia ante elle a minha causa, e a minha bocca encheria d’argumentos.

5 Saberia as palavras com que elle me responderia, e entenderia o que me dissesse.

6 Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia [2] comigo? não; elle só o põe em mim.

7 Ali o recto pleitearia com elle, e eu me livraria para sempre do meu Juiz.

8 Eis que se me [3] adianto, ali não está: se torno para traz, não o percebo.

9 Se obra a mão esquerda, não o vejo: se se encobre á mão direita, não o diviso.

10 Porém elle sabe o meu caminho: prove-me, [4] e sairei como o oiro.

11 Nas suas pizadas os meus pés se affirmaram: guardei o seu caminho, e não me desviei d’elle.

12 Do preceito de seus labios nunca me apartei, e as palavras da sua bocca guardei mais do que a minha porção.

13 Mas, se elle está contra alguem, quem então [5] o desviará? o que a sua alma quizer isso fará.

14 Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem [6] comsigo.

15 Por isso me perturbo perante elle, considero, e temo-me d’elle.

16 Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-poderoso me perturbou.

17 Porquanto não fui desarreigado antes das trevas, e nem encobriu com a escuridão o meu rosto.

Job contesta que os impios, muitas vezes, ficam sem castigo n’esta vida.

24 Visto que do Todo-poderoso se não encobriram os tempos [1] porque, os que o conhecem, não vêem os seus dias?

2 Até os limites removem: [2] roubam os rebanhos, e os apascentam.

3 Levam [3] o jumento do orphão: tomam em penhor o boi da viuva.

4 Desviam do caminho aos necessitados; e os miseraveis da terra juntos se escondem [4] d’elles.

5 Eis que, como jumentos montezes no deserto, saem á sua obra, madrugando para a preza: o campo raso dá mantimento a elles e aos seus filhos.

6 No campo segam o seu pasto, e vindimam a vinha do impio.

7 Ao nu [5] fazem passar a noite sem roupa, não tendo elle coberta contra o frio.

8 Das correntes das montanhas são molhados, e, não tendo refugio, abraçam-se [6] com as rochas.

9 Ao orphãosinho arrancam dos peitos, e penhoram o que ha sobre o pobre.

10 Fazem com que os nus vão sem vestido e famintos aos que carregam com as espigas.

11 Entre as suas paredes espremem o azeite: pisam os lagares, e ainda teem sêde.

12 Desde as cidades gemem os homens, e a alma dos feridos exclama, e comtudo Deus lh’o não imputa como loucura.

13 Elles estão entre os que se oppõem á luz: não conhecem os seus caminhos d’ella, e não permanecem nas suas veredas.

14 De madrugada se levanta o homicida, mata o pobre e necessitado, e de noite é como o ladrão.

15 Assim como o [7] olho do adultero aguarda o crepusculo, dizendo: Não me verá olho nenhum: e occulta o rosto,

16 Nas trevas minam as casas que de dia se assignalaram: não [8] conhecem a luz.

17 Porque a manhã para todos elles é como a sombra de morte; porque, sendo conhecidos, sentem os pavores da sombra da morte.

18 É ligeiro sobre a face das aguas; maldita é a sua parte sobre a terra: não se vira pelo caminho das vinhas.

19 A seccura e o calor desfazem as aguas da neve; assim desfará a sepultura aos que peccaram.

20 A madre se esquecerá d’elle, os bichos o comerão gostosamente; nunca mais haverá lembrança [9] d’elle: e a iniquidade se quebrará como arvore.

21 Afflige á esteril que não pare, e á viuva não faz bem:

22 Até aos poderosos arrasta com a sua força: se se levanta, não ha vida segura.

23 Se Deus lhes dá descanço, estribam-se n’isso: seus [10] olhos porém estão nos caminhos d’elles.

24 Por um pouco se alçam, e logo desapparecem: são abatidos, encerrados como todos, e cortados como as cabeças das espigas.

25 Se agora não é assim, quem me desmentirá e desfará as minhas razões?

Bildad sustenta que o homem não pode, sem presumção, justificar-se diante de Deus.

25 Então respondeu Bildad o suhita, e disse:

2 Com elle estão dominio e temor; elle faz paz nas suas alturas.

3 Porventura teem numero as suas tropas? e sobre quem não surge a sua [1] luz?

4 Como pois seria justo [2] o homem para com Deus? e como seria puro aquelle que nasce da mulher?

5 Olha, até a lua não resplandece, e as estrellas não são puras aos seus olhos.

6 E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho.

Job reprehende Bildad e exalta o poder de Deus.

26 Porém Job respondeu e disse:

2 Como ajudaste aquelle que não tinha força? e sustentaste o braço que não tinha vigor?

3 Como aconselhaste aquelle que não tinha sabedoria, e plenamente lhe fizeste saber a causa, assim como era?

4 A quem proferiste palavras? e cujo é o espirito que saiu de ti?

5 Os mortos tremem debaixo das aguas, com os seus moradores d’ellas.

6 O inferno está nú [1] perante elle, e não ha coberta para a perdição.

7 O norte estende [2] sobre o vazio: a terra pendura sobre o nada.

8 Prende as [3] aguas nas suas nuvens, todavia a nuvem não se rasga debaixo d’ellas.

9 Encobre a face do seu throno, e sobre ella estende a sua nuvem.

10 Assignalou limite [4] sobre a superficie das aguas ao redor d’ellas, até que se acabem a luz e as trevas.

11 As columnas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.

12 Com a sua força [5] fende o mar, e com o seu entendimento abate a sua soberba.

13 Pelo seu Espirito ornou os céus: a sua mão formou a serpente [6] enroscadiça.

14 Eis que isto são só as bordas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido d’elle! Quem pois entenderia o trovão do seu poder?

Job sustenta sua integridade e sinceridade.

27 E proseguiu Job em proferir o seu dito, e disse:

2 Vive Deus, [1] que desviou a minha causa, e o Todo-poderoso, que amargurou a minha alma.

3 Que, emquanto em mim houver alento, e o sopro de Deus nos meus narizes,

4 Não fallarão os meus labios iniquidade, nem a minha lingua pronunciará engano.

5 Longe de mim que eu vos justifique: até que [2] eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade.

6 A minha justiça me apegarei [3] e não a largarei: não me remorderá o meu coração em toda a minha vida.

7 Seja como o impio o meu inimigo, e o que se levantar contra mim como o perverso.

8 Porque [4] qual será a esperança do hypocrita, havendo sido avaro, quando Deus lhe arrancar a sua alma?

9 Porventura [5] Deus ouvirá o seu clamor, sobrevindo-lhe a tribulação?

10 Ou deleitar-se-ha no Todo-poderoso? ou invocará a Deus em todo o tempo?

11 Ensinar-vos-hei [6] ácerca da mão de Deus, e não vos encobrirei o que está com o Todo-poderoso.

12 Eis que todos vós já o vistes: porque pois vos desvaneceis na vossa vaidade?

13 Esta pois é a [7] porção do homem impio para com Deus, e a herança, que os tyrannos receberão do Todo-poderoso.

14 Se [8] os seus filhos se multiplicarem, será para a espada, e os seus renovos se não fartarão de pão.

15 Os que ficarem d’elle na morte serão enterrados, e as suas viuvas não chorarão.

16 Se amontoar prata como pó, e apparelhar vestidos como lodo;

17 Elle os apparelhará, porém [9] o justo os vestirá, e o innocente repartirá a prata.

18 E edificará a sua casa como a traça, e como o guarda que faz a [10] cabana.

19 Rico se deita, e não será recolhido: seus olhos abre, e elle não será.

20 Pavores se [11] apoderam d’elle como aguas: de noite o arrebatará a tempestade.

21 O vento oriental o levará, e ir-se-ha, e o tempestuoso o arrebatará do seu logar.

22 E Deus lançará isto sobre elle, e não lhe poupará; irá fugindo da sua mão.

23 Cada um baterá contra elle as palmas das mãos, e do seu logar o assobiará.

O homem tem sciencia das coisas da terra, mas a sabedoria é dom de Deus.

28 Na verdade, ha veia d’onde se tira a prata, e para o oiro logar em que o derretem.

2 O ferro se toma do pó, e da pedra se funde o metal.

3 Elle poz fim ás trevas, e toda a extremidade elle esquadrinha, a pedra da escuridão e da sombra da morte.

4 Trasborda o ribeiro junto ao que habita ali, de maneira que se não possa passar a pé: então se esgota do homem, e as aguas se vão.

5 Da terra procede o pão, e debaixo d’ella se converte como em fogo.

6 As suas pedras são o logar da saphira, e tem pósinhos d’oiro.

7 Vereda que ignora a ave de rapina, e que não viu os olhos da gralha.

8 Nunca a pisaram filhos d’animaes altivos, nem o feroz leão passou por ella.

9 Estendeu a sua mão contra o rochedo, e transtorna os montes desd’as suas raizes.

10 Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho viu tudo o que ha precioso.

11 Os rios tapa, e nem uma gotta sae d’elles, e tira á luz o que estava escondido.

12 Porém d’onde se achará [1] a sabedoria? e onde está o logar da intelligencia?

13 O homem não sabe [2] a sua valia, e não se acha na terra dos viventes.

14 O abysmo diz: [3] Não está em mim: e o mar diz: Ella não está comigo.

15 Não se [4] dará por ella oiro fino, nem se pesará prata em cambio d’ella.

16 Nem se pode comprar por oiro fino d’Ophir, nem pelo precioso onyx, nem pela saphira.

17 Com ella se não póde comparar o oiro nem o crystal; nem se dá em troca d’ella joia d’oiro fino.

18 Não se fará menção de coral nem de perolas; porque o desejo da sabedoria é melhor que o dos rubins.

19 Não se lhe igualará o topazio de Cus, nem se póde comprar por oiro puro.

20 D’onde pois [5] vem a sabedoria? e onde está o logar da intelligencia?

21 Porque está encoberta aos olhos de todo o vivente, e occulta ás aves do céu.

22 A perdição [6] e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama.

23 Deus entende o seu caminho, e elle sabe o seu logar.

24 Porque elle vê as extremidades da terra; e vê tudo [7] o que ha debaixo dos céus:

25 Dando peso ao vento, e tomando a medida das aguas.

26 Prescrevendo [8] lei para a chuva e caminho para o relampago dos trovões.

27 Então a viu e relatou, a preparou, e tambem a esquadrinhou.

28 Porém disse ao homem: Eis que o temor [9] do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal, a intelligencia.

Lamentação de Job lembrando-se do seu primeiro estado.

29 E proseguiu Job em proferir o seu dito, e disse:

2 Ah! quem me dera ser como eu fui nos mezes [1] passados! como nos dias em que Deus me guardava!

3 Quando [2] fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça e quando eu pela sua luz caminhava pelas trevas:

4 Como era nos dias da minha mocidade, quando [NC] o segredo de Deus estava sobre a minha tenda:

5 Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos em redor de mim.

6 Quando [3] lavava os meus passos na manteiga, e da rocha me corriam ribeiros de azeite:

7 Quando sahia a porta pela cidade, e na praça fazia preparar a minha cadeira:

8 Os moços me viam, e se escondiam, e até os edosos se levantavam e se punham em pé:

9 Os principes continham as suas palavras, e punham a [4] mão sobre a sua bocca:

10 A voz dos chefes se escondia: e a sua lingua se pegava ao seu paladar:

11 Ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bemaventurado: vendo-me algum olho, dava testemunho de mim;

12 Porque eu [5] livrava o miseravel, que clamava: como tambem o orfão que não tinha quem o soccoresse.

13 A benção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que jubilasse o coração da viuva.

14 Vestia-me da [6] justiça: e ella me servia de vestido: como manto e diadema era o meu juizo.

15 Eu fui o olho do cego, como tambem os pés do coxo:

16 Aos necessitados era pae, e as causas [7] de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligencia;

17 E quebrava os queixaes do perverso, e dos seus dentes tirava a preza.

18 E dizia: No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.

19 A minha [8] raiz se estendia junto ás aguas, e o orvalho fazia assento sobre os meus ramos;

20 A minha honra se renovava em mim, [9] e o meu arco se reforçava na minha mão.

21 Ouvindo-me esperavam, e em silencio attendiam ao meu conselho.

22 Acabada a minha palavra, não replicavam, e minhas razões distillavam sobre elles;

23 Porque me esperavam, como a chuva; e abriam a sua bocca, como a chuva [10] tardia.

24 Se me ria para elles, não o criam, e não faziam abater a luz do meu rosto;

25 Eu escolhia o seu caminho, assentava-me como chefe, e habitava como rei entre as tropas: como aquelle que consola os que pranteiam.

Job descreve o estado miseravel em que caiu.

30 Porém agora se riem de mim os de menos edade do que eu, cujos paes eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.

2 De que tambem me serviria a força das suas mãos? já de velhice se tinham esgotado n’elles.

3 De mingua e fome andavam sós, e recolhiam-se para os logares seccos, tenebrosos, assolados e desertos.

4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raizes dos zimbros.

5 Do meio dos homens foram expulsos, e gritavam contra elles, como contra o ladrão:

6 Para habitarem nos barrancos dos valles, e nas cavernas da terra e das rochas.

7 Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das ortigas.

8 Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos.

9 Porém [1] agora sou a sua canção, e lhes sirvo de rifão.

10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, [2] e do meu rosto não reteem o seu escarro.

11 Porque Deus [3] desatou o meu cordão, e me opprimiu, pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto.

12 Á direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra [4] mim os seus caminhos de destruição.

13 Desbarataram-me o meu caminho: promovem a minha miseria: não teem ajudador.

14 Veem contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação.

15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha [ND] honra, e como nuvem passou a minha felicidade.

16 E agora derrama-se em mim a minha alma: os dias da afflicção se apoderaram de mim.

17 De noite se me traspassam os meus ossos, e os pulsos das minhas veias não descançam.

18 Pela grandeza da força das dôres se demudou o meu vestido, e elle como o cabeção da minha tunica me cinge.

19 Lançou-me na lama, e fiquei similhante ao pó e á cinza.

20 Clamo a ti, porém tu não me respondes: estou em pé, porém para mim não attentas.

21 Tornaste-te a ser cruel contra mim: com a força da tua mão resistes violentamente.

22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre elle, e derretes-me o ser.

23 Porque eu sei que me levarás á morte e á casa do ajuntamento determinado [5] a todos os viventes.

24 Porém não estenderá a mão para o montão de terra, se houve clamor n’elles contra mim na sua desventura.

25 Porventura, não chorei sobre aquelle que estava afflicto? ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?

26 Todavia aguardando [6] eu o bem, então me veiu o mal, e esperando eu a luz, veiu a escuridão.

27 As minhas entranhas ferveram e não estão quietas: os dias da afflicção me surprehenderam.

28 Denegrido ando, porém não do sol, e, levantando-me na congregação, clamo por soccorro.

29 Irmão [7] me fiz dos [NE] dragões, e companheiro dos abestruzes.

30 Ennegreceu-se a minha pelle [8] sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor.

31 Pelo que se trocou a minha harmonia em lamentação, e o meu orgão em voz dos que choram.

Job declara sua integridade nos seus deveres.

31 Fiz concerto com os meus olhos: [1] como pois attentaria n’uma virgem?

2 Porque qual seria a parte [2] de Deus de cima? ou a herança do Todo-poderoso para mim desde as alturas?

3 Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que obram iniquidade?

4 Ou não vê [3] elle os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?

5 Se andei com vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano

6 (Pese-me em balanças fieis, e saberá Deus a minha sinceridade),

7 Se os meus passos se desviavam do caminho, e se o meu coração [4] segue os meus olhos, e se ás minhas mãos se apegou coisa alguma,

8 Então semeie eu [5] e outro coma, e seja a minha descendencia arrancada até á raiz.

9 Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições á porta do meu proximo,

10 Então môa minha mulher para [6] outro, e outros se encurvem sobre ella.

11 Porque é uma infamia, [7] e é delicto pertencente aos juizes.

12 Porque fogo é que consomem até á perdição, e desarreigaria toda a minha renda.

13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando elles contendiam comigo,

14 Então que faria eu quando Deus se levantasse? e, inquirindo a causa, que lhe responderia?

15 Aquelle [8] que me fez no ventre não o fez tambem a elle? ou não nos formou do mesmo modo na madre?

16 Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfallecer os olhos da viuva,

17 Ou só comi o meu bocado, e o orphão não comeu d’elle.

18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pae, e o guiei desde o ventre de minha mãe),

19 Se a alguem vi perecer por falta de vestido, e ao necessitado por não ter coberta,

20 Se os seus lombos me não [9] abençoaram, se elle não se aquentava com as pelles dos meus cordeiros,

21 Se eu levantei a minha mão contra [10] o orphão, porquanto na porta via a minha ajuda,

22 Então caia do hombro a minha espadoa, e quebre-se o meu braço do osso.

23 Porque o castigo de Deus era para mim um [11] assombro, e eu não podia supportar a sua alteza.

24 Se [12] no oiro puz a minha esperança, ou disse ao oiro fino: Tu és a minha confiança;

25 Se [13] me alegrei de que era muita a minha fazenda, e de que a minha mão tinha alcançado muito;

26 Se olhei [14] para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa,

27 E o meu coração se deixou enganar em occulto, e a minha bocca beijou a minha mão,

28 Tambem isto seria [15] delicto pertencente ao juiz: pois assim negaria a Deus que está em cima.

29 Se me alegrei [16] da desgraça do que me tem odio, e se eu exultei quando mal o achou.

30 (Tambem não deixei [17] peccar o meu paladar, desejando a sua morte com maldição),

31 Se a gente da minha tenda não disse: Ah, quem nos désse da sua carne! nunca nos fartariamos d’ella:

32 O estrangeiro [18] não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.

33 Se, como Adão, encobri as minhas [19] transgressões, occultando o meu delicto no meu seio;

34 Porque eu temia [20] a grande multidão, e o desprezo das familias me apavoraria, e eu me calaria, e não sairia da porta.

35 Ah quem me dera um que me ouvisse! eis que o meu intento é que o Todo-poderoso [21] me responda, e que o meu adversario escreva um livro.

36 Por certo que o levaria sobre o meu hombro, sobre mim o ataria por corôa.

37 O numero dos meus passos lhe mostraria: como [22] principe me chegaria a elle.

38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus regos juntamente chorarem,

39 Se comi a sua novidade sem dinheiro, e suffoquei a alma dos seus donos,

40 Por trigo me produza cardos, [23] e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Job.

Elihu reprehende Job e os seus tres amigos.

32 Então aquelles tres homens cessaram de responder a Job; porque era [1] justo aos seus proprios olhos.

2 E accendeu-se a ira d’Elihu, filho de Baracheel [2] o buzita, da familia de Ram: contra Job se accendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus.

3 Tambem a sua ira se accendeu contra os seus tres amigos: porque, não achando que responder, todavia condemnavam a Job.

4 Elihu porém esperou que Job fallasse; porquanto tinham mais edade do que elle.

5 Vendo pois Elihu que já não havia resposta na bocca d’aquelles tres homens, a sua ira se accendeu.

6 E respondeu Elihu, filho de Baracheel o buzita, e disse: Eu sou de menos [3] edade, e vós sois edosos; receei-me e temi de vos declarar a minha opinião.

7 Dizia eu: Fallem os dias, e a multidão doa annos ensine a sabedoria.

8 Na verdade, ha um espirito no homem, [4] e a inspiração do Todo-poderoso os faz entendidos.

9 Os grandes não são [5] os sabios, nem os velhos entendem juizo.

10 Pelo que digo: Dae-me ouvidos, e tambem eu declararei a minha opinião.

11 Eis que aguardei as vossas palavras, e dei ouvidos ás vossas considerações, até que buscasseis razões.

12 Attentando pois para vós, eis que nenhum de vós ha que possa convencer a Job, nem que responda ás suas razões:

13 Para que não digaes: [6] Achamos a sabedoria; Deus o derribou, e não homem algum.

14 Ora elle não dirigiu contra mim palavra alguma, nem lhe responderei com as vossas palavras.

15 Estão pasmados, não respondem mais, faltam-lhes as palavras.

16 Esperei pois, porém não fallam: porque já pararam, e não respondem mais.

17 Tambem eu responderei pela minha parte: tambem eu declararei a minha opinião.

18 Porque estou cheio de palavras, e aperta-me o espirito do meu ventre.

19 Eis que o meu ventre é como o mosto, sem respiradouro, e virá a arrebentar, como odres novos.

20 Fallarei, e respirarei: abrirei os meus labios, e responderei.

21 Oxalá eu não faça accepção [7] de pessoas, nem use de sobrenomes com o homem!

22 Porque não sei usar de sobrenomes: em breve me levaria o meu Creador.

Elihu accusa Job de se oppôra Deus e de entender mal os seus caminhos.

33 Assim, na verdade, ó Job, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras.

2 Eis que já abri a minha bocca: já fallou a minha lingua debaixo do meu paladar.

3 As minhas razões sairão da sinceridade do meu coração, e a pura sciencia dos meus labios.

4 O Espirito [1] de Deus me fez: e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida.

5 Se podes responde-me, põe por ordem diante de mim a tua causa, e levanta-te.

6 Eis que sou de Deus, como tu: do lodo tambem eu fui cortado.

7 Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.

8 Na verdade que disseste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das palavras, dizendo:

9 Limpo [2] estou, sem transgressão: puro sou; e não tenho culpa.

10 Eis que acha contra mim achaques, e me considerou [3] como seu inimigo.

11 Põe [4] no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas.

12 Eis que n’isto te respondo: Não foste justo; porque maior é Deus do que o homem.

13 Por que razão [5] contendeste com elle? porque não responde ácerca de todos os seus feitos.

14 Antes Deus [6] falla uma e duas vezes; porém ninguem attenta para isso.

15 Em sonho [7] ou em visão de noite, quando cae somno profundo sobre os homens, e adormecem na cama,

16 Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sella a sua instrucção.

17 Para apartar o homem d’aquillo que faz, e esconder do homem a soberba.

18 Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.

19 Tambem na sua cama é com dôres castigado; como tambem a multidão de seus ossos com fortes dôres.

20 De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida appetecivel.

21 Desapparece a sua carne á vista d’olhos, e os seus ossos, que se não viam, agora apparecem:

22 E a sua alma se vae chegando á cova, e a sua vida ao que traz morte.

23 Se com elle pois houver um [NF] mensageiro, um interprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua rectidão,

24 Então terá misericordia d’elle, e lhe dirá: Livra-o, que não desça á cova; já achei resgate.

25 Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade, e tornará aos dias da sua juventude.

26 Devéras orará a Deus, o qual se agradará d’elle, e verá a sua face com jubilo, e restituirá ao homem a sua justiça.

27 Olhará para os homens, e dirá: Pequei, [8] e perverti o direito, o que de nada me aproveitou.

28 Porém Deus livrou [9] a minha alma de que não passasse a cova; assim que a minha vida vê a luz.

29 Eis que tudo isto obra Deus, duas e tres vezes para com o homem;

30 Para desviar [10] a sua alma da perdição, e o alumiar com a luz dos viventes.

31 Escuta pois, ó Job, ouve-me: cala-te, e eu fallarei.

32 Se tens alguma coisa que dizer, responde-me: falla, porque desejo justificar-te.

33 Se não, escuta-me tu: cala-te, e ensinar-te-hei a sabedoria.

Elihu accusa Job de fallar injustamente de Deus.

34 Respondeu mais Elihu, e disse:

2 Ouvi, vós, sabios, as minhas razões: e vós, entendidos, inclinae, os ouvidos para mim.

3 Porque [1] o ouvido prova as palavras, como o paladar gosta a comida.

4 O que é direito escolhamos para nós: e conheçamos entre nós o que é bom.

5 Porque Job disse: [2] Sou justo; e Deus [3] tirou o meu direito.

6 No meu direito me é forçoso mentir: [4] dolorosa é a minha frecháda sem transgressão.

7 Que homem ha como Job, que bebe a zombaria como agua?

8 E caminha em companhia com os que obram a iniquidade, e anda com homens impios?

9 Porque disse: [5] De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.

10 Pelo que vós, homens d’entendimento, escutae-me: Deus esteja [6] longe da impiedade, e o Todo-poderoso da perversidade!

11 Porque, segundo [7] a obra do homem, elle lh’o paga; e segundo o caminho de cada um lh’o faz achar.

12 Tambem, na verdade, Deus não obra impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juizo.

13 Quem lhe pedia conta do governo da terra? e quem dispoz a todo o mundo?

14 Se pozesse o seu coração contra elle, recolheria para si o seu espirito e o seu folego.

15 Toda [8] a carne juntamente expiraria, e o homem se voltaria para o pó.

16 Se pois ha em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos á voz do meu discurso.

17 Porventura o que aborrece o direito ataria as feridas? [9] e tu condemnarias aquelle que é justo?

18 Ou dir-se-ha a um rei, [10] Oh! Belial? aos principes, Oh! impios?

19 Quanto menos áquelle, que não faz accepção das pessoas de [11] principes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque [12] todos são obras de suas mãos.

20 Elles n’um momento morrem; e até á meia [13] noite os povos são perturbados, e passam, e o poderoso será tomado sem mão.

21 Porque [14] os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e elle vê todos os seus passos.

22 Não ha trevas [15] nem sombra de morte, onde se escondam os que obram a iniquidade.

23 Porque não se faz tanto caso do homem que contra Deus possa entrar em juizo.

24 Quebranta [16] aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu logar.

25 Elle conhece pois as suas obras, de noite os transtorna, e ficam moidos.

26 Elle os bate como impios que são, no logar dos expectadores:

27 Porquanto se [17] desviaram d’atraz d’elle, e não comprehenderam nenhum de seus caminhos.

28 Para fazer que o clamor do pobre subisse até elle, e que ouvisse o clamor dos afflictos.

29 Se elle aquietar, quem então inquietará? se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só?

30 Para que o homem hypocrita nunca mais reine, e não haja laços [18] do povo.

31 Na verdade, quem a Deus disse: [19] Supportei castigo, não perecerei.

32 O que não vejo, ensina-m’o tu: se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer.

33 Virá de ti como o recompensará, pois tu o desprezas? farias tu pois, e não eu, a escolha: que é logo o que sabes? falla.

34 Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sabio me ouvirá.

35 Job [20] fallou sem sciencia; e ás suas palavras falta prudencia.

36 Pae meu! provado seja Job até ao fim, para as suas respostas entre os homens malignos.

37 Porque ao seu peccado accrescenta a transgressão; entre nós bateria as palmas das mãos, e multiplicaria contra Deus as suas razões.

O bem e o mal não podem affectar a Deus, mas algumas vezes, por falta de fé dos afflictos não os ouve.

35 Respondeu mais Elihu e disse:

2 Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?

3 Porque disseste: [1] De que te serviria elle? ou de que mais me aproveitarei do que do meu peccado?

4 Eu te farei resposta, a ti e aos teus amigos comtigo.

5 Attenta [2] para os céus, e vê; e contempla as mais altas nuvens, que são mais altas do que tu.

6 Se peccares, que effectuarás [3] contra elle? se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás.

7 Se fôres justo, que lhe darás? [4] ou que receberá da tua mão?

8 A tua impiedade damnaria outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.

9 Por causa da grandeza da oppressão fazem clamar [5] aos opprimidos: exclamam por causa do braço dos grandes.

10 Porém ninguem diz: [6] Onde está Deus que me fez, que dá psalmos na noite.

11 Que nos faz mais doutos do que os animaes da terra, e nos faz mais sabios do que as aves dos céus.

12 Ali clamam, [7] porém elle não responde, por causa da arrogancia dos maus.

13 Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem attentará para ella o Todo-poderoso.

14 E [8] quanto ao que disseste, que o não verás: juizo ha perante elle; por isso espera n’elle.

15 Mas agora, ainda que a ninguem a sua ira visitasse, nem advertisse muito na multidão dos peccadores:

16 Logo Job em vão abriu a sua bocca, e sem sciencia multiplicou palavras.

Elihu justifica a Deus e diz a Job que o seu peccado estorva a benção d’Aquelle.

36 Proseguiu ainda Elihu, e disse:

2 Espera-me um pouco, e mostrar-te-hei que ainda ha razões a favor de Deus.

3 Desde longe repetirei a minha opinião; e ao meu Creador attribuirei a justiça.

4 Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas: comtigo está um que é sincero na sua opinião.

5 Eis que Deus é mui grande, comtudo [1] a ninguem despreza: grande é em força de coração.

6 Não deixa viver ao impio, e faz justiça aos afflictos.

7 Do justo não tira os seus olhos; antes estão com os reis no throno; ali os assenta para sempre, e assim são exaltados.

8 E, se estando presos em grilhões, os detem amarrados com cordas de afflicção,

9 Então lhes faz saber a obra d’elles, e as suas transgressões; porquanto prevaleceram n’ellas.

10 E revela-lh’o aos [2] seus ouvidos, para seu ensino; e diz-lhes que se convertam da maldade.

11 Se o ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias [3] em bem, e os seus annos em delicias.

12 Porém se o não ouvirem, á espada os passarão, e expirarão sem conhecimento.

13 E os hypocritas de coração amontoam para [4] si a ira; e amarrando-os elle, não clamam por soccorro.

14 A sua alma morre [5] na mocidade, e a sua vida entre os sodomitas.

15 Ao afflicto livra, da sua afflicção, e na oppressão o revelará aos seus ouvidos.

16 Assim tambem te desviará da bocca da angustia para um logar espaçoso, em que não haja aperto, e as iguarias da tua mesa serão cheias de gordura.

17 E estarás satisfeito com o juizo do impio: o juizo e a justiça te sustentarão.

18 Porquanto ha furor, guarda-te de que porventura te não tire de pancada, pois por grande preço te não poderiam retirar d’ali.

19 Estimaria [6] elle tanto tuas riquezas, ou alguns esforços da força, que por isso não estivesses em aperto?

20 Não suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu logar.

21 Guarda-te, e não declines para a iniquidade: [7] porquanto n’isto a escolheste, por causa da tua miseria.

22 Eis que Deus exalta com a sua força; [8] quem ensina como elle?

23 Quem [9] lhe pedirá conta do seu caminho? ou, quem lhe disse: Tu commetteste maldade?

24 Lembra-te de que engrandeças a sua obra [10] que os homens contemplam.

25 Todos os homens a veem, e o homem a enxerga de longe.

26 Eis que [11] Deus é grande, e nós o não comprehendemos, e o numero dos seus annos se não pode esquadrinhar.

27 Porque faz miudas as gottas das aguas que derramam a chuva do seu vapor.

28 A qual as nuvens distillam [12] e gotejam sobre o homem abundantemente.

29 Porventura tambem se poderão entender as extensões das nuvens, e os estalos [13] da sua tenda?

30 Eis que estende sobre ellas a sua luz, e encobre os altos do mar.

31 Porque por [14] estas coisas julga os povos e lhes dá mantimento em abundancia.

32 Com as mãos encobre a luz, e faz-lhe prohibição pela que passa por entre ellas.

33 O que dá a entender o seu pensamento, como tambem aos gados, [15] ácerca do temporal que sobe.

O homem, por conhecer as obras de Deus e a sua sabedoria, deve temel-o.

37 Sobre isto tambem treme o meu coração, e salta do seu logar.

2 Attentamente ouvi o movimento da sua voz, e o sonido que sae da sua bocca.

3 Elle o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra.

4 Depois d’isto brama com grande voz, troveja com a sua alta voz; e, ouvida a sua voz, não tarda com estas coisas.

5 Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente: faz grandes [1] coisas, e nós as não comprehendemos.

6 Porque á neve diz: Está sobre a terra: como tambem ao aguaceiro e á sua forte chuva.

7 Elle sella as mãos de todo o homem, para que conheça todos os homens de sua obra.

8 E as bestas entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.

9 Da recamara sae o pé de vento, e dos ventos dispersivos o frio.

10 Pelo [2] assopro de Deus se dá a geada, e as largas aguas se endurecem.

11 Tambem com a humidade carrega as grossas nuvens, e esparge a nuvem [NG] da sua luz.

12 Então ellas, segundo o seu prudente conselho, se tornam pelas espheras, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superficie do mundo habitavel,

13 Seja que por vara, ou para a sua terra, [3] ou por beneficencia [4] as faça vir.

14 A isto, ó Job, inclina os teus ouvidos: põe-te em pé, e considera as maravilhas de Deus.

15 Porventura sabes tu quando Deus considera n’ellas, e faz resplandecer a lua da sua nuvem?

16 Tens [5] tu noticia do equilibrio das grossas nuvens e das maravilhas de aquelle que é perfeito nos conhecimentos,

17 Ou de como os teus vestidos aquecem, quando do sul ha calma sobre a terra?

18 Ou estendeste com [6] elle os céus, que estão firmes como espelho fundido?

Notes in this chapter

Note 1 · Suppõe-se que Moysés escreveu este livro quando se achava entre os midianitas, cerca de 1520 A. C.Note 2 · Gen. 22.20, 21. Eze. 14.14. Thi. 5.11. Gen. 6.9 e 17.1. cap. 2.3. Pro. 8.13 e 16.6.Note 3 · Gen. 8.20. cap. 42.8. I Reis 21.10, 13.Note 4 · ou, renunciaram, ou, blasphemaram.Note 5 · cap. 2.1. I Reis 22.19. cap. 38.7.Note 6 · cap. 2.2. Mat. 12.43. I Ped. 5.8.Note 7 · cap. 2.3. ver. 1.Note 8 · Isa. 5.2.Note 9 · Pro. 10.22.Note 10 · cap. 2.6 e 19.21. Mal. 3.13, 14.Note 11 · Ecc. 9.12.Note 12 · ver. 4, 13.Note 13 · Gen. 37.29. Esd. 9.3. I Ped. 5.6.Note 14 · Ecc. 5.15. I Tim. 6.7. Ecc. 5.19. Thi. 1.17. Mat. 20.15. I The. 5.18.Note 15 · cap. 2.10.Note 16 · cap. 1.6.Note 17 · cap. 1.7.Note 18 · cap. 1.1, 8.Note 19 · cap. 27.5, 6. cap. 9.17.Note 20 · cap. 1.11 e 19.20.Note 21 · cap. 1.12.Note 22 · ou, de tumores malignos.Note 23 · Isa. 1.6.Note 24 · II Sam. 13.19. cap. 42.6. Eze. 27.30. Mat. 11.21.Note 25 · cap. 21.15. ver. 3.Note 26 · cap. 1.21. Rom. 12.12. Thi. 5.10, 11. cap. 1.22.Note 27 · Pro. 17.17. Gen. 36.11. Jer. 49.7. Gen. 25.2.Note 28 · cap. 42.11. Rom. 12.15.Note 29 · Neh. 9.1. Lam. 2.10. Eze. 27.30.Note 30 · Gen. 50.10.Note 31 · cap. 10.18, 19. Jer. 15.10, 20, 14.Note 32 · cap. 10.21, 22 e 16.16 e 28.3. Jer. 13.16. Amós 5.8.Note 33 · Jer. 9.17, 18.Note 34 · cap. 10.18.Note 35 · Gen. 30.3. Isa. 66.12.Note 36 · cap. 15.28.Note 37 · cap. 39.7.Note 38 · Jer. 20.18.Note 39 · I Sam. 1.10. II Reis 4.27. Pro. 31.6.Note 40 · Apo. 9.6. Pro. 2.4.Note 41 · cap. 19.8. Lam. 3.7.Note 42 · Isa. 35.3.Note 43 · Isa. 35.3.Note 44 · cap. 1.1. Pro. 3.26.Note 45 · Pro. 22.8. Ose. 10.13. Gal. 6.7, 8.Note 46 · cap. 33.15.Note 47 · Hab. 3.16.Note 48 · cap. 9.2.Note 49 · cap. 15.15 e 25.5. II Ped. 2.4.Note 50 · cap. 15.16. II Cor. 4.7 e 5.1.Note 51 · Jer. 12.2, 3.Note 52 · Gen. 3.17, 18, 19. I Cor. 10.13.Note 53 · Gen. 3.17, 18, 19.Note 54 · cap. 9.10 e 37.5.Note 55 · cap. 28.23. Jer. 5.24 e 10.13 e 51.16. Act. 14.17.Note 56 · I Sam. 2.7.Note 57 · Neh. 4.15. Isa. 8.10.Note 58 · I Cor. 3.19.Note 59 · Deu. 28.29. Isa. 59.10. Amós 8.9.Note 60 · I Sam. 2.9.Note 61 · Pro. 3.11, 12. Heb. 12.5. Thi. 1.12. Apo. 3.19.Note 62 · Deu. 32.39. I Sam. 2.6. Isa. 30.26. Ose. 6.1.Note 63 · Pro. 24.16. I Cor. 10.13.Note 64 · Isa. 11.9 e 35.9 e 65.25. Eze. 34.25.Note 65 · Ose. 2.18.Note 66 · Pro. 9.11 e 10.27.Note 67 · Pro. 27.3.Note 68 · I Reis 19.4.Note 69 · Act. 20.20. Lev. 19.2. Isa. 57.15. Ose. 11.9.Note 70 · Pro. 17.17.Note 71 · Jer. 15.18.Note 72 · Gen. 25.15. I Reis 10.1. Eze. 27.22, 23.Note 73 · Jer. 14.3.Note 74 · cap. 13.3.Note 75 · cap. 17.10.Note 76 · cap. 14.5, 13, 14.Note 77 · cap. 29.2.Note 78 · Deu. 28.67. cap. 17.12.Note 79 · Isa. 14.11.Note 80 · cap. 9.25 e 16.22 e 17.11. Isa. 38.12. Thi. 4.14.Note 81 · cap. 20.9.Note 82 · II Sam. 12.23.Note 83 · cap. 8.18 e 20.9.Note 84 · I Sam. 1.10. cap. 10.1.Note 85 · cap. 9.27.Note 86 · Heb. estes ossos.Note 87 · cap. 10.20 e 14.6.Note 88 · Heb. 2.6.Note 89 · cap. 16.12. Lam. 3.12.Note 90 · Gen. 18.25. Deu. 32.4. II Chr. 19.7. cap. 34.12, 17. Dan. 9.14. Rom. 3.5.Note 91 · cap. 1.5, 18.Note 92 · cap. 5.8 e 11.13 e 22.23, etc.Note 93 · Deu. 4.32 e 32.7. cap. 15.18.Note 94 · Gen. 47.9. I Chr. 29.15. cap. 7.6.Note 95 · Jer. 17.6.Note 96 · cap. 11.20 e 18.14 e 27.8. Pro. 10.28.Note 97 · cap. 27.18.Note 98 · cap. 7.10 e 20.9.Note 99 · Rom. 3.20.Note 100 · cap. 36.5.Note 101 · Ecc. 9.2, 3. Eze. 21.3.Note 102 · II Sam. 15.30 e 19.4. Jer. 14.4.Note 103 · cap. 7.6, 7.Note 104 · Hab. 1.8.Note 105 · Jer. 2.22.Note 106 · Exo. 20.7.Note 107 · Jer. 2.22.Note 108 · cap. 10.15.Note 109 · cap. 2.3 e 34.6.Note 110 · Isa. 2.19, 21. Heb. 12.26. cap. 26.11.Note 111 · Gen. 1.6.Note 112 · Gen. 1.16. cap. 38.31, etc. Amós 5.8.Note 113 · cap. 5.9.Note 114 · cap. 23.8, 9 e 35.14.Note 115 · Isa. 45.9. Rom. 9.20.Note 116 · cap. 26.12.Note 117 · Ecc. 6.10. Rom. 9.20.Note 118 · ver. 19. I Sam. 2.25.Note 119 · cap. 13.20, 21, 22 e 33.7.Note 120 · I Reis 19.4. cap. 7.16. Jon. 4.3, 8.Note 121 · cap. 7.11.Note 122 · I Sam. 16.7.Note 123 · Gen. 2.7 e 3.19. Isa. 64.8.Note 124 · Isa. 3.11. cap. 9.12, 15, 20, 21.Note 125 · Isa. 38.13. Lam. 3.10.Note 126 · cap. 3.11.Note 127 · cap. 7.16, 19.Note 128 · cap. 6.10 e 10.7.Note 129 · Esd. 9.13.Note 130 · Ecc. 3.1, 1. Rom. 11.33.Note 131 · Heb. Sheol.Note 132 · cap. 9.12 e 12.14. Apo. 3.7.Note 133 · Ecc. 3.18. Rom. 1.22.Note 134 · cap. 5.8 e 22.21. I Sam. 7.3.Note 135 · Gen. 4.5, 6. cap. 22.26. I João 3.21.Note 136 · Isa. 65.16.Note 137 · Lev. 26.16. Deu. 28.65. cap. 8.14 e 18.14. Pro. 11.7.Note 138 · cap. 13.2.Note 139 · cap. 16.10 e 21.3 e 30.1.Note 140 · Pro. 14.2.Note 141 · cap. 21.7. Jer. 12.1. Mal. 3.15.Note 142 · Num. 16.22. Dan. 5.23. Act. 17.29.Note 143 · cap. 34.3 e 6.30.Note 144 · cap. 32.7.Note 145 · cap. 9.4 e 36.5. cap. 11.10. Isa. 22.22. Apo. 3.7.Note 146 · I Reis 8.35 e 17.1.Note 147 · II Reis 15.31. Isa. 19.12 e 29.14. I Cor. 1.19.Note 148 · cap. 32.9. Isa. 3.1, 2, 3. Dan. 2.21.Note 149 · Dan. 2.22. Mat. 10.26. I Cor. 4.5.Note 150 · Isa. 9.3 e 26.15.Note 151 · Deu. 28.29. cap. 5.14.Note 152 · cap. 12.3.Note 153 · cap. 23.3 e 31.35.Note 154 · cap. 6.21 e 16.2.Note 155 · Pro. 17.28.Note 156 · Deu. 28.29. cap. 5.14.Note 157 · cap. 18.4. I Sam. 28.21.Note 158 · ou, alma.Note 159 · Pro. 14.32. cap. 27.5.Note 160 · Isa. 50.8.Note 161 · cap. 9.34.Note 162 · Deu. 32.20. Isa. 8.17.Note 163 · Deu. 32.42. Lam. 2.5.Note 164 · Isa. 42.3.Note 165 · cap. 20.11.Note 166 · cap. 33.11.Note 167 · cap. 5.7. Ecc. 2.22.Note 168 · cap. 8.9. Isa. 40.6. Thi. 1.10, 11 e 4.14. I Ped. 1.24.Note 169 · Gen. 5.3. João 3.6. Rom. 5.12. Eph. 2.3.Note 170 · cap. 7.1.Note 171 · cap. 7.16, 19 e 10.20. cap. 7.1.Note 172 · ver. 14.Note 173 · Isa. 51.6 e 65.17 e 66.22. Act. 3.21. Rom. 8.20. II Ped. 3.7, 10, 11. Apo. 20.11 e 21.1.Note 174 · Heb. no Sheol.Note 175 · cap. 13.15. ver. 7.Note 176 · cap. 13.22.Note 177 · cap. 10.6, 14 e 13.27 e 31.4 e 34.21. Pro. 5.21. Jer. 32.19.Note 178 · Deu. 32.34. Ose. 13.12.Note 179 · Ecc. 9.5. Isa. 63.16.Note 180 · Luc. 19.22.Note 181 · Pro. 8.25.Note 182 · Rom. 11.25, 34. I Cor. 2.11.Note 183 · cap. 13.2.Note 184 · cap. 32.6, 7.Note 185 · I Sam. 8.46. II Chr. 6.36. cap. 14.4. Pro. 20.9. Ecc. 7.20. I João 18.10.Note 186 · cap. 4.18 e 25.5.Note 187 · cap. 4.19.Note 188 · cap. 34.7. Pro. 19.28.Note 189 · cap. 8.8.Note 190 · Joel 3.17.Note 191 · I The. 5.3.Note 192 · cap. 18.12.Note 193 · cap. 4.9.Note 194 · Isa. 59.4.Note 195 · cap. 22.16.Note 196 · Isa. 59.4. Ose. 10.13.Note 197 · cap. 13.4.Note 198 · cap. 10.16, 17.Note 199 · cap. 13.24.Note 200 · Lam. 3.30. Miq. 5.1.Note 201 · cap. 1.15, 17.Note 202 · cap. 30.19.Note 203 · cap. 27.9.Note 204 · Rom. 1.9.Note 205 · cap. 31.25. Ecc. 6.10. Isa. 45.9. Rom. 9.20.Note 206 · I Sam. 1.6, 7.Note 207 · Pro. 6.1 e 17.18 e 22.26.Note 208 · cap. 30.9.Note 209 · cap. 6.29.Note 210 · cap. 7.6 e 9.25.Note 211 · Heb. as possessões.Note 212 · cap. 18.13. cap. 3.17.Note 213 · cap. 13.14.Note 214 · Pro. 13.9 e 20.20 e 24.20.Note 215 · cap. 21.17.Note 216 · cap. 32.10.Note 217 · cap. 5.5.Note 218 · cap. 15.21 e 20.25. Jer. 6.25 e 20.3 e 46.5 e 49.29.Note 219 · cap. 15.23.Note 220 · cap. 8.14 e 11.20. Pro. 10.28.Note 221 · cap. 29.19. Isa. 5.24. Amós 2.9. Mal. 4.1.Note 222 · Pro. 2.22 e 10.7.Note 223 · Isa. 14.22. Jer. 22.30.Note 224 · Jer. 9.3 e 19.25. I The. 4.5. II The. 1.8. Tito 1.16.Note 225 · Gen. 31.7. Lev. 26.26.Note 226 · cap. 3.23.Note 227 · cap. 13.24. Lam. 2.5.Note 228 · cap. 30.12.Note 229 · II Reis 2.23.Note 230 · cap. 30.30. Lam. 4.8.Note 231 · cap. 1.11.Note 232 · I Cor. 13.12. I João 3.2.Note 233 · ver. 22.Note 234 · Heb. palavra ou, materia.Note 235 · Isa. 14.13, 14. Abd. 3, 4.Note 236 · cap. 7.8, 10 e 8.18.Note 237 · ver. 18. cap. 13.26.Note 238 · cap. 21.26.Note 239 · Jer. 17.6.Note 240 · ver. 10, 15.Note 241 · Ecc. 5.13, 14.Note 242 · Num. 11.33.Note 243 · Isa. 24.18. Jer. 48.43. Amós 5.19.Note 244 · cap. 16.13 e 18.11.Note 245 · cap. 17.13 e 31.2, 3.Note 246 · cap. 16.10 e 17.2.Note 247 · Jui. 18.19. cap. 29.9 e 40.4.Note 248 · cap. 12.6. Jer. 12.1. Hab. 1.16.Note 249 · Exo. 23.26.Note 250 · cap. 36.11.Note 251 · cap. 22.17.Note 252 · Exo. 5.2. cap. 34.9. cap. 35.3. Mal. 3.14.Note 253 · cap. 22.18. Pro. 1.10.Note 254 · cap. 18.6.Note 255 · cap. 20.28, 29.Note 256 · Isa. 17.13 e 29.5. Ose. 13.3.Note 257 · Exo. 20.5.Note 258 · Isa. 51.17. Jer. 25.15. Apo. 14.10 e 19.15.Note 259 · Isa. 40.13 e 45.9. Rom. 11.34. I Cor. 2.16.Note 260 · cap. 20.11. Ecc. 9.2.Note 261 · cap. 20.7.Note 262 · Pro. 16.4. II Ped. 2.9.Note 263 · Gal. 2.11.Note 264 · cap. 35.7. Luc. 17.10.Note 265 · Exo. 22.26, 27. Deu. 24.10, etc. cap. 24.3, 9. Eze. 18.12.Note 266 · cap. 31.17. Deu. 15.7, etc. Isa. 58.7. Eze. 18.7, 16. Mat. 25.42.Note 267 · cap. 31.21. Isa. 10.2. Eze. 22.7.Note 268 · cap. 18.8, 9, 10 e 19.6.Note 269 · Lam. 3.54.Note 270 · cap. 15.32.Note 271 · cap. 21.14. Psa. 4.6.Note 272 · cap. 21.16.Note 273 · Isa. 27.5.Note 274 · cap. 8.5, 6 e 11.13, 14.Note 275 · II Chr. 1.15.Note 276 · cap. 27.10. Isa. 58.14.Note 277 · cap. 11.15. Isa. 58.9.Note 278 · Pro. 29.23. Thi. 4.6. I Ped. 5.5.Note 279 · cap. 13.3 e 16.21.Note 280 · Isa. 57.16.Note 281 · cap. 9.11.Note 282 · Thi. 1.12.Note 283 · cap. 12.14. Rom. 9.19.Note 284 · I The. 3.3.Note 285 · Act. 1.7.Note 286 · Deu. 19.14 e 27.17. Pro. 22.28 e 23.10. Ose. 5.10.Note 287 · Deu. 24.6, 10, 12, 17. cap. 22.6.Note 288 · Pro. 28.28.Note 289 · Exo. 22.26, 27. Deu. 24.12, 13. cap. 22.6.Note 290 · Lam. 4.5.Note 291 · Pro. 7.9.Note 292 · João 3.20.Note 293 · Pro. 10.7.Note 294 · Pro. 15.3.Note 295 · Thi. 1.17.Note 296 · cap. 4.17, etc. e 15.14, etc.Note 297 · Pro. 15.11. Heb. 4.13.Note 298 · cap. 9.8.Note 299 · Pro. 30.4.Note 300 · cap. 38.8. Pro. 8.29. Jer. 5.22.Note 301 · Isa. 51.15. Jer. 31.35.Note 302 · Isa. 27.1.Note 303 · cap. 34.5.Note 304 · cap. 2.9 e 13.15.Note 305 · Act. 24.16.Note 306 · Mat. 16.26. Luc. 12.20.Note 307 · cap. 35.12. Pro. 1.28 e 28.9. Eze. 8.18. Miq. 3.4. João 9.31. Thi. 4.3.Note 308 · cap. 22.26, 27.Note 309 · cap. 20.29.Note 310 · Deu. 28.41. Ose. 9.13.Note 311 · Pro. 28.8. Ecc. 2.26.Note 312 · Isa. 1.8. Lam. 2.6.Note 313 · cap. 18.11.Note 314 · ver. 20. Ecc. 7.24.Note 315 · Pro. 3.35.Note 316 · ver. 22. Rom. 11.32, 34.Note 317 · Pro. 3.13, 14, 15 e 8.10, 11, 19 e 16.16.Note 318 · ver. 12.Note 319 · ver. 14.Note 320 · Pro. 15.3.Note 321 · cap. 38.25.Note 322 · Deu. 4.6. Pro. 1.7 e 9.10. Ecc. 12.13.Note 323 · cap. 7.3.Note 324 · cap. 18.6.Note 325 · ou, a amizade.Note 326 · Gen. 49.11. Deu. 32.13 e 33.24. cap. 20.17.Note 327 · cap. 21.5.Note 328 · Pro. 21.13 e 34.11.Note 329 · Isa. 59.17 e 61.10. Eph. 6.14, etc. Num. 10.31.Note 330 · Pro. 29.7.Note 331 · cap. 18.16. Jer. 17.8.Note 332 · Gen. 49.24.Note 333 · Zac. 10.1.Note 334 · cap. 17.6. Lam. 3.14, 63.Note 335 · Pro. 3.15.Note 336 · ver. 22. Rom. 11.33, 34.Note 337 · Pro. 3.13, 14, 15 e 8.10, 11, 19 e 16.1.Note 338 · ou, nobreza.Note 339 · Heb. 9.27.Note 340 · Jer. 8.15.Note 341 · Miq. 1.8.Note 342 · ou chacaes.Note 343 · Lam. 4.8 e 5.10.Note 344 · Mat. 5.28.Note 345 · cap. 20.29 e 27.13.Note 346 · II Chr. 16.9. cap. 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 32.19.Note 347 · Num. 15.39. Ecc. 11.9. Eze. 6.9. Mat. 5.29.Note 348 · Lev. 26.16. Deu. 28.30, 38, etc.Note 349 · II Sam. 12.11. Jer. 8.10.Note 350 · Gen. 38.24. Lev. 20.10. Deu. 22.22. ver. 28.Note 351 · cap. 34.19. Pro. 14.31 e 22.2. Mal. 3.10.Note 352 · Deu. 24.13.Note 353 · cap. 22.9.Note 354 · Isa. 13.7. Joel 1.15.Note 355 · Mar. 10.24. I Tim. 6.17.Note 356 · Pro. 11.28.Note 357 · Deu. 4.19 e 11.16 e 17.3. Eze. 8.16.Note 358 · ver. 11.Note 359 · Pro. 17.5.Note 360 · Mat. 5.44. Rom. 12.14.Note 361 · Gen. 19.2, 3.Note 362 · Gen. 3.8, 12. Pro. 28.13.Note 363 · Exo. 23.2.Note 364 · cap. 13.22.Note 365 · Thi. 5.4. I Reis 21.19.Note 366 · Gen. 3.18.Note 367 · cap. 33.9.Note 368 · Gen. 22.21.Note 369 · II Chr. 16.9. cap. 34.21. Pro. 5.21 e 15.3. Jer. 32.19.Note 370 · Mat. 11.25. Thi. 1.5.Note 371 · I Cor. 1.26.Note 372 · Jer. 9.23. I Cor. 1.29.Note 373 · Lev. 19.15. Deu. 1.17 e 16.19. Pro. 24.23. Mat. 22.16.Note 374 · Gen. 2.7.Note 375 · cap. 9.17.Note 376 · cap. 13.24 e 16.9 e 19.11.Note 377 · cap. 13.27 e 14.16 e 31.4.Note 378 · Isa. 45.9.Note 379 · cap. 38.35.Note 380 · Num. 12.6. cap. 4.13.Note 381 · ou, anjo.Note 382 · II Sam. 12.13. Pro. 28.13. Luc. 15.21. I João 1.9.Note 383 · Isa. 38.17.Note 384 · ver. 28. Psa. 56.13.Note 385 · cap. 6.30 e 12.11.Note 386 · cap. 33.9.Note 387 · cap. 27.2.Note 388 · cap. 9.17.Note 389 · cap. 9.23 e 23.30 e 35.3. Mal. 3.14.Note 390 · Gen. 18.25. Deu. 32.4. Rom. 9.14.Note 391 · Pro. 24.12. Jer. 32.19. Eze. 33.20. Mat. 16.27. Rom. 2.6. II Cor. 5.10. I Ped. 1.17. Apo. 22.12.Note 392 · Gen. 3.19. Ecc. 12.7.Note 393 · Gen. 18.25.Note 394 · Exo. 22.28.Note 395 · Deu. 10.17. II Chr. 19.7. Act. 10.34. Rom. 2.11. Col. 3.25. I Ped. 1.17.Note 396 · cap. 31.15.Note 397 · Exo. 12.29, 30.Note 398 · II Chr. 16.9. cap. 31.4. Jer. 16.17 e 32.19.Note 399 · Psa. 140.12. Amós 9.2, 3. Heb. 4.18.Note 400 · Dan. 2.21.Note 401 · I Sam. 15.11. Isa. 5.12.Note 402 · I Reis 12.28, 30. II Reis 21.9.Note 403 · Dan. 9.7, 14.Note 404 · cap. 35.16.Note 405 · cap. 34.9.Note 406 · cap. 22.12.Note 407 · Pro. 8.36. Jer. 7.19.Note 408 · cap. 22.2, 3. Pro. 9.12. Rom. 11.35.Note 409 · Exo. 2.23. cap. 34.28.Note 410 · Isa. 51.13.Note 411 · Pro. 1.28. Jer. 11.11.Note 412 · cap. 9.11.Note 413 · cap. 9.4 e 12.13, 16 e 37.23.Note 414 · cap. 33.16, 23.Note 415 · cap. 21.13.Note 416 · Rom. 2.5.Note 417 · cap. 15.33 e 22.16.Note 418 · Pro. 11.4.Note 419 · Heb. 11.25.Note 420 · Isa. 40.13, 14. Rom. 11.34.Note 421 · cap. 34.10.Note 422 · Apo. 15.3.Note 423 · I Cor. 13.12. Heb. 1.12.Note 424 · Pro. 3.20.Note 425 · cap. 37.3.Note 426 · cap. 27.13. Act. 14.17.Note 427 · I Reis 18.45.Note 428 · cap. 5.9 e 9.10 e 36.26. Apo. 15.3.Note 429 · cap. 38.29, 30.Note 430 · ou, do seu relampago.Note 431 · Exo. 9.18, 23. I Sam. 12.18, 19. Esd. 10.9. cap. 36.31.Note 432 · cap. 38.26, 27. II Sam. 21.10. I Reis 18.45.Note 433 · cap. 36.4, 29.Note 434 · Gen. 1.6. Isa. 44.24.
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