LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS.
João Ferreira d' Almeida translation
A humilhação de Jerusalem; os peccados e afflicções do povo.
Antes de Christo 588
Aleph. 1 Como assim solitaria está assentada aquella cidade, d’antes tão populosa! [1] tornou-se como viuva; a que foi grande entre as nações, como a princeza entre as provincias, tornou-se tributaria!
Beth. 2 Continuamente chora [2] de noite, e as suas lagrimas estão correndo pelas suas faces; não tem quem a console entre todos os seus amadores: todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ella, se lhe tornaram inimigos.
Gimel. [3] 3 Judah passou em captiveiro por causa da afflicção, e por causa da grandeza da sua servidão: [4] ella habita entre as nações, não acha descanço: todos os seus perseguidores a alcançam entre as angustias.
Daleth. 4 Os caminhos de Sião pranteam, porque não ha quem venha á solemnidade; todas as suas portas estão assoladas; os seus sacerdotes suspiram: as suas virgens estão tristes, e ella mesma tem amargura.
He. 5 Os seus adversarios [5] se lhe fizeram cabeça, os seus inimigos prosperam; porque o Senhor a entristeceu, por causa da multidão das suas prevaricações: os seus filhinhos vão em captiveiro adiante do adversario.
Vau. 6 E da filha de Sião foi-se toda a sua gloria: os seus principes ficaram sendo como veados que não acham pasto e caminham sem força adiante do perseguidor.
Zain. 7 Lembrou-se Jerusalem nos dias da sua afflicção, e das suas rebelliões, de todas as suas mais queridas coisas, que tivera dos tempos antigos: quando cahia o seu povo na mão do adversario, e ella não tinha quem a soccorresse, os adversarios a viram, e fizeram escarneo dos seus sabbados.
Heth. 8 Jerusalem [6] gravemente peccou, por isso se fez instavel: todos os que a honravam, a desprezaram, [7] porque viram a sua nudez; ella tambem suspirou e se voltou para traz.
Teth. 9 A sua immundicia está nas suas fraldas, [8] nunca se lembrou do seu fim: por isso foi pasmosamente abatida, não tem consolador; vê, Senhor, a minha afflicção, porque o inimigo se engrandece.
Jod. 10 Estendeu o adversario a sua mão a todas [9] as coisas mais preciosas d’ella; [10] pois já viu ter entrado no seu sanctuario as nações ácerca das quaes mandaste que não entrassem na tua congregação.
Caph. 11 Todo o seu povo anda suspirando, [11] buscando o pão, deram as suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para refrescarem a alma: vê, Senhor, e contempla, que sou desprezivel.
Lamed. 12 Porventura não vos toca a todos os que passaes pelo caminho? attendei, e vêde, se ha dôr como a minha dôr, que se me fez a mim, com que me entristeceu o Senhor, no dia do furor da sua ira.
Mem. 13 Desde o alto enviou um fogo em meus ossos, o qual se assenhoreou: [12] estendeu uma rede aos meus pés, fez-me voltar para traz, fez-me assolada e enferma todo o dia.
Nun. 14 Já [13] o jugo das minhas prevaricações está atado pela sua mão, estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço, prostrou a minha força: entregou-me o Senhor nas mãos dos inimigos, não posso levantar-me.
Samech. 15 O Senhor atropellou todos os meus valentes no meio de mim; apregoou contra mim um ajuntamento, para quebrantar os meus mancebos: [14] o Senhor pisou como n’um lagar a virgem filha de Judah.
Ain. 16 Por estas coisas eu ando chorando, [15] e o meu olho, o meu olho se desfaz em aguas; porque se alongou de mim o consolador que devia restaurar a minha alma: os meus filhos estão assolados, porque prevaleceu o inimigo.
Pe. 17 Estende [16] Sião as suas mãos, não ha quem a console: mandou o Senhor ácerca de Jacob que lhe fossem inimigos os que estão em redor d’elle; Jerusalem é como uma mulher immunda.
Tsade. 18 Justo [17] é o Senhor, pois me rebellei contra a sua bocca: ouvi, pois, todos os povos, e vêde a minha dôr; as minhas virgens e os meus mancebos se foram para o captiveiro.
Koph. 19 Chamei os meus amadores, [18] porém elles me enganaram: os meus sacerdotes e os meus anciãos expiraram na cidade; [19] porque buscavam para si mantimento, para refrescarem a sua alma.
Resch. 20 Olha, Senhor, porque estou angustiada; [20] turbadas estão as minhas entranhas, o meu coração está transtornado no meio de mim, porque gravemente me rebellei: [21] de fóra me desfilhou a espada, de dentro está a morte.
Schin. 21 Bem ouvem que eu suspiro, [22] porém não tenho quem me console: todos os meus inimigos que ouviram o meu mal folgam, porque tu o fizeste: [23] trazendo tu o dia que apregoaste, então serão como eu.
Tau. 22 Venha todo o seu mal diante de ti, e faze-lhes como me fizeste a mim por causa de todas as minhas prevaricações; porque os meus suspiros são muitos, [24] e o meu coração está desfallecido.
O cerco, fome e ruina de Jerusalem.
Aleph. 2 Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião? [1] derribou do céu á terra a gloria de Israel, e não se lembrou do escabello de seus pés, no dia da sua ira.
Beth. 2 Devorou [2] o Senhor todas as moradas de Jacob, e não se apiedou: derribou no seu furor as fortalezas da filha de Judah, e as achegou á terra: profanou o reino e os seus principes.
Gimel. 3 Cortou no furor da sua ira [AAA] toda a força de Israel: retirou para traz a sua dextra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacob, como labareda de fogo que consome em redor.
Daleth. 4 Armou [3] o seu arco como inimigo: firmou a sua dextra como adversario, [4] e matou tudo o que era formoso á vista; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
He. 5 Tornou-se [5] o Senhor como inimigo; devorou a Israel, devorou a todos os seus palacios, destruiu as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judah a lamentação e tristeza.
Vau. 6 E arrancou a sua cabana com violencia, como a de uma horta, [6] e destruiu a sua congregação: o Senhor em Sião poz em esquecimento a solemnidade e o sabbado, e na indignação da sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote.
Zain. 7 Rejeitou o Senhor o seu altar, detestou o seu sanctuario; entregou na mão do inimigo os muros dos seus palacios: levantaram grita na casa do Senhor, como em dia de solemnidade.
Heth. 8 Intentou o Senhor destruir o muro da filha de Sião: já estendeu o cordel sobre elle, não retirou a sua mão de devorar; [7] já fez gemer o antemuro e o muro juntamente, já estão enfraquecidos.
Teth. 9 Já subverteram as suas portas, [8] destruiu e quebrou os seus ferrolhos: estão entre as nações o seu rei e os seus principes: já não ha lei, nem acham visão alguma do Senhor os seus prophetas.
Jod. 10 Estão assentados [9] por terra, estão calados os anciãos da filha de Sião; lançam pó sobre as suas cabeças, cingiram saccos: as virgens de Jerusalem abaixam as suas cabeças até á terra.
Caph. 11 Já se consumiram os meus olhos [10] com lagrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu figado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfallecem o menino e a creança de mama pelas ruas da cidade.
Lamed. 12 A suas mães dizem: Onde ha trigo e vinho? [11] quando desfallecem como o ferido pelas ruas da cidade, derramando-se a sua alma no regaço de suas mães.
Mem. 13 Que testemunho te trarei? [12] a quem te compararei, ó filha de Jerusalem? a quem te assimilharei, para te consolar a ti, ó virgem filha de Sião? porque grande é como o mar a tua quebradura; quem te sarará?
Nun. 14 Os teus prophetas [13] virão para ti, vaidade e loucura, e não manifestaram a tua maldade, para desviarem o teu captiveiro: antes viram para ti cargas vãs e expulsões.
Samech. 15 Todos [14] os que passam pelo caminho palmeiam sobre ti com as mãos, assobiam e meneiam as suas cabeças, sobre a filha de Jerusalem, dizendo: É esta a cidade de que se dizia: Perfeita é em formosura, o gozo de toda a terra.
Pe. 16 Todos [15] os teus inimigos abrem as suas boccas sobre ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Já a temos devorado; pois este é o dia que esperavamos; já o achámos, já o vimos.
Ain. 17 Fez o Senhor [16] o que intentou; cumpriu a sua palavra, que mandára desde os dias da antiguidade: derrubou, e não se apiedou; e alegrou o inimigo sobre ti, [AAB] exaltou o poder dos teus adversarios.
Tsade. 18 O coração d’elles clamou ao Senhor: [17] Ó muralha da filha de Sião: derrama lagrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanço, nem parem as meninas de teus olhos.
Koph. 19 Levanta-te, dá vozes de noite no principio das velas; derrama o teu coração como aguas diante da face do Senhor: levanta a elle as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, [18] que desfallecem de fome á entrada de todas as ruas.
Resch. 20 Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste de tal modo: [19] porventura comerão as mulheres o fructo das suas entranhas, as creanças que trazem nos braços? [20] ou matar-se-ha no sanctuario do Senhor o sacerdote e o propheta?
Schin. 21 Jazem em terra pelas ruas o moço [21] e o velho, as minhas virgens e os meus mancebos vieram a cair á espada: tu os mataste no dia da tua ira; [22] degolaste e não te apiedaste.
Tau. 22 Convocaste os meus temores em redor como n’um dia de solemnidade; [23] nem houve alguem no dia da ira do Senhor que escapasse, nem quem ficasse: [24] aos que trouxe nas mãos e sustentei o meu inimigo os consumiu.
A tristeza de Jeremias; elle convida o povo a reconhecer o seu peccado, e a voltar para Deus para obter misericordia.
Aleph. 3 Eu sou aquelle homem que viu a afflicção pela vara do seu furor.
2 A mim me guiou e levou ás trevas e não á luz.
3 Devéras se tornou contra mim e virou a sua mão todo o dia.
Beth. 4 Fez [1] envelhecer a minha carne e a minha pelle, quebrantou os meus ossos.
5 Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho.
6 Assentou-me em logares tenebrosos, como os que estavam mortos ha muito.
Gimel. 7 Cercou-me [2] de sebe, e não posso sair: aggravou os meus grilhões.
8 Ainda [3] quando clamo e grito, elle exclue a minha oração.
9 Cercou de sebe os meus caminhos com pedras lavradas, [AAC] divertiu as minhas veredas.
Daleth. 10 Fez-se-me [4] como urso de emboscada, um leão em esconderijos.
11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado.
12 Armou o seu arco, [5] e me poz como alvo á frecha.
He. 13 Faz [6] entrar nos meus rins as frechas da sua aljava.
14 Fui [7] feito um objecto de escarneo a todo o meu povo, de canção sua todo o dia.
15 Fartou-me [8] de amarguras, embriagou-me de absintho.
Vau. 16 Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes; [9] abaixou-me na cinza.
17 E affastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem.
18 Então disse eu: Já pereceu a minha força, como tambem a minha esperança no Senhor.
Zain. 19 Lembra-te da minha afflicção e do meu pranto, [10] do absintho e do fel.
20 Minha alma certamente d’isto se lembra, e se abate em mim.
21 D’isto me recordarei no meu coração; por isso esperarei.
Heth. 22 As misericordias [11] do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericordias não teem fim.
23 Novas [12] são cada manhã; grande é a tua fidelidade.
24 A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei n’elle.
Teth. 25 Bom é o Senhor para os que se ateem a elle, [13] para a alma que o busca.
26 Bom é esperar, e aguardar em silencio a salvação do Senhor.
27 Bom é para o homem levar o jugo na sua mocidade.
Jod. 28 Assentar-se-ha [14] solitario, e ficará em silencio; porquanto Deus o poz sobre elle.
29 Ponha [15] a sua bocca no pó, dizendo: Porventura haverá esperança.
30 Dê [16] a sua face ao que o fere; farte-se de affronta.
Caph. 31 Porque o Senhor não rejeitará para sempre.
32 Antes, se entristeceu a alguem, compadecer-se-ha d’elle, segundo a grandeza das suas misericordias.
33 Porque não afflige nem entristece aos filhos dos homens do seu coração.
Lamed. 34 Para atropellar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra.
35 Para perverter o direito do homem perante a face do Altissimo.
36 Para subverter ao homem no seu pleito; [17] porventura não o veria o Senhor?
Mem. 37 Quem é aquelle que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?
38 Porventura da bocca do Altissimo [18] não sae o mal e o bem?
39 De [19] que se queixa logo o homem vivente? queixe-se cada um dos seus peccados.
Nun. 40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, e investiguemol-os, e voltemos para o Senhor.
41 Levantemos os nossos corações com as mãos a Deus nos céus, dizendo:
42 Nós prevaricámos, [20] e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste.
Samech. 43 Cobriste-nos da tua ira, e nos perseguiste; [21] mataste, não perdoaste.
44 Cobriste-te [22] de nuvens, para que não passe a nossa oração.
45 Por [23] cisco e rejeitamento nos pozeste no meio dos povos.
Pe. 46 Todos [24] os nossos inimigos abriram contra nós a sua bocca.
47 Temor e cova [25] vieram sobre nós, assolação e quebrantamento.
48 Correntes de aguas derramou o meu olho [26] pelo quebrantamento da filha do meu povo.
Ain. 49 O [27] meu olho manou, e não cessa, porquanto não ha descanço,
50 Até [28] que attente e veja o Senhor desde os céus.
51 O meu olho move a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.
Tsade. 52 Como ave me caçaram os que são meus inimigos sem causa.
53 Arrancaram [29] a minha vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
54 Derramaram-se as aguas sobre a minha cabeça; [30] eu disse: Estou cortado.
Coph. 55 Invoquei [31] o teu nome, Senhor, desde a mais profunda cova.
56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
57 Tu te chegaste no dia em que te invoquei; [32] disseste: Não temas.
Resch. 58 Pleiteaste, [33] Senhor, os pleitos da minha alma, remiste a minha vida.
59 Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
60 Viste toda a sua vingança, [34] todos os seus pensamentos contra mim.
Schin. 61 Ouviste o seu opprobrio, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim,
62 Os ditos dos que se levantam contra mim e as suas imaginações contra mim todo o dia.
63 Observa-os a elles ao assentarem-se e ao levantarem-se; [35] eu sou a sua canção.
Tau. 64 Rende-lhes recompensa, Senhor, [36] conforme a obra das suas mãos.
65 Dá-lhes ancia de coração, maldição tua sobre elles.
66 Na tua ira persegue-os, [37] e desfal-os de debaixo dos céus do Senhor.
As grandes afflicções de varias classes de pessoas.
Aleph. 4 Como se escureceu o oiro! como se mudou [1] o oiro fino e bom! como estão espalhadas as pedras do sanctuario ao canto de todas as ruas!
Beth. 2 Os preciosos filhos de Sião, avaliados a puro oiro, [2] como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!
Gimel. 3 Até as vaccas marinhas abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; [3] porém a filha do meu povo fez-se cruel como as abestruzes no deserto.
Daleth. 4 A lingua do mesmo que mama de sêde fica pegada ao seu paladar: [4] os meninos pedem pão, e não ha quem lh’o reparta.
He. 5 Os que comiam delicadezas agora desfallecem nas ruas; [5] os que se crearam em carmezim abraçam o esterco.
Vau. 6 E maior é a maldade da filha do meu povo do que o peccado de Sodoma, [6] a qual se subverteu como n’um momento, sem que trabalhassem n’ella mãos algumas.
Zain. 7 Os seus nazireos eram mais alvos do que a neve, eram mais brancos do que o leite, eram mais roxos de corpo do que os rubis, e mais lisos do que a saphira.
Heth. 8 Mas [7] agora escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume, não se conhecem nas ruas: a sua pelle se lhes pegou aos ossos, seccou-se, tornou-se como um pau.
Teth. 9 Os mortos á espada mais ditosos são do que os mortos á fome; porque estes se esgotam como traspassados, por falta dos fructos dos campos.
Jod. 10 As [8] mãos das mulheres compassivas cozeram seus filhos: [9] serviram-lhes de comida no quebrantamento da filha do meu povo.
Caph. 11 Deu o Senhor cumprimento ao seu furor: [10] derramou o ardor da sua ira, e accendeu fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos.
Lamed. 12 Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversario e o inimigo pelas portas de Jerusalem.
Mem. 13 Pelos [11] peccados dos prophetas, [12] pelas maldades dos seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos no meio d’ella,
Nun. 14 Erraram cegos nas ruas, [13] andavam contaminados de sangue; [AAD] e, não podendo, levantavam as extremidades das suas roupas.
Samech. 15 Chamavam-lhes: Desviae-vos, [14] é immundo; desviae-vos, desviae-vos, não toqueis, certo é que já voaram, tambem erraram: disseram entre as nações: Nunca mais morarão aqui.
Pe. 16 A face do Senhor os apartou, nunca mais tornará a olhar para elles: [15] não reverenciaram a face dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos.
Ain. 17 Emquanto subsistiamos, [16] ainda desfalleciam os nossos olhos, esperando o nosso vão soccorro: olhavamos attentamente pela gente que não podia livrar.
Tsade. 18 Espiaram os nossos passos, [17] de maneira que não podiamos andar pelas nossas ruas: está chegado o nosso fim, estão cumpridos os nossos dias, [18] porque é vindo o nosso fim.
Coph. 19 Os nossos perseguidores foram [19] mais ligeiros do que as aves dos céus: sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas.
Resch. 20 O respiro [20] dos nossos narizes, o ungido do Senhor, [21] foi preso nas suas covas; do qual diziamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações.
Schin. 21 Regozija-te, e [22] alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz; [23] porém ainda até a ti passará o copo; embebedar-te-has, e te descobrirás.
Tau. 22 Já se cumpriu [24] a tua maldade, ó filha de Sião, nunca mais te levará em captiveiro: visitará a tua maldade, ó filha de Edom, descobrirá os teus peccados.
Males presentes, e tristes recordações.
5 Lembra-te, Senhor, do que nos tem succedido: considera, e olha o nosso opprobrio.
2 A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros.
3 Orphãos somos sem pae, nossas mães são como viuvas.
4 A nossa agua por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha.
5 Padecemos perseguição sobre os nossos pescoços: [1] estamos cançados, e nós não temos descanço.
6 Aos egypcios estendemos [2] as mãos, e aos syros, para nos fartarem de pão.
8 Servos dominam sobre nós; ninguem ha que nos arranque da sua mão.
9 Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto.
10 Nossa pelle [5] se ennegreceu como um forno, por causa do ardor da fome.
11 Forçaram [6] as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judah.
12 Os principes foram enforcados pelas mãos; [7] as faces dos velhos não foram reverenciadas.
13 Aos [8] mancebos tomaram para moer, e os moços tropeçaram debaixo da lenha.
14 Os velhos cessaram de se assentarem á porta, os mancebos de sua canção.
15 Cessou o gozo de nosso coração, converteu-se em lamentação a nossa dança.
16 Já caiu [9] a corôa da nossa cabeça; ai agora de nós, porque peccámos.
17 Portanto desmaiou [10] o nosso coração, por isto se escureceram os nossos olhos.
18 Pelo monte de Sião, que está assolado, as raposas andam por elle.
19 Tu, Senhor, [11] permaneces eternamente, e o teu throno de geração em geração.
20 Porque te esquecerias de nós para sempre? porque nos desampararias tanto tempo?
21 Converte-nos, [12] Senhor, a ti, e nos converteremos: renova os nossos dias como d’antes.
22 Porque nos rejeitarias totalmente? te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?