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The Oxford book of Portuguese verse

ANONIMO

Reading edition

16th c.

147. Soneto em que cotejando o estado livre e namorado julga o segundo por milhor.

Ponho-me a contemplar na fantasia quando me vi em mais ditoso estado, se agora que me vejo namorado, se quando deste amor livre vivia: entam destes cuidados só fugia, tendo por riso a vida com cuidados, agora pesaroso do passado tenho por gloria aquilo que temia. Bem vejo que era vida deleitosa aquela que passava sem temores quando os gostos de amor tinha por vento, mas vendo agora Silvia tam formosa julgo as cousas presentes por milhores e as antigas por sombra de tormento.

148. Ao Rio Tejo

Formoso Tejo meu, quam diferente te vejo e vi, me ves agora e viste: turvo te vejo a ti, tu a mim triste, claro te vi eu ja, tu a mim contente; a ti foi-te trocando a grossa enchente a quem teu largo campo não resiste, a mim trocou-me a vista em que consiste o meu vivir contente ou descontente. Ja que somos no mal participantes, sejamo-lo no bem. Ó quem me dera que fossemos em tudo semelhantes! La virá entam a fresca primavera: tu tornarás a ser quem eras d’ antes, eu não sei se serei quem d’ antes era.

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