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O Assassino de Macario

SCENA XIII

Reading edition

Liborio e Barnabé

BARNABÉ

(entrando alegremente pelo fundo) O meu negocio vae bem... optimamente.

LIBORIO

É elle!... (levanta-se e sobe um pouco).

BARNABÉ

Ah! meu amigo Liborio, obterei a casa. O Braga ainda hesita quanto ao preço, mas eu conheço-lhe o genio... elle é condescendente... e emfim, viverei em paz e socego.

LIBORIO

(dirigindo-se-lhe) Em paz?... Sorri-lhe essa esperança? Pois não viveste...

BARNABÉ

Sim... sorri-me esta esperança.

LIBORIO

O senhor é cumplice, não é?

BARNABÉ

Cumplice de quem?

LIBORIO

Da besta-fera de quem se intitula pae?

BARNABÉ

Snr. Liborio! Modere-se!

LIBORIO

É cumplice d'ella... Concorde... Apraz-me a sua confissão... Ao menos que a minha colera encontre um homem em frente d'ella...

BARNABÉ

Eu não o percebo! Será isto um ataque de somnambulismo?!

LIBORIO

Somnambulo! Ainda está n'isso, o senhor! Não sabe que a farça se desenvolveu depois... o véo veio á terra... descobri o inimigo do meu descanço, o ente mal-fazejo que se mettia, de noite, no meu quarto, para me transtornar tudo...

BARNABÉ

Então... quem é?

LIBORIO

A sua hedionda filha... a sua filha que o senhor teve artes de me impingir!...

BARNABÉ

Itelvina? o senhor está a mangar...

LIBORIO

Sim... finja-se espantado!...

BARNABÉ

Com um pé desnocado? a minha filha?

LIBORIO

(rindo amargamente) Pé desnocado! (rindo) Ah! ah! ah! ah! Não vê que ella me bigodeou?

BARNABÉ

Mas para quê?

LIBORIO

Para quê? para vingar Macario que ella me accusa de eu ter assassinado!

BARNABÉ

Isso é incrivel!

LIBORIO

E quer saber o futuro que ella me destina? A sorte de Meneláo de Sganarello, de Vulcano e d'outras testas celebres.

BARNABÉ

E ella disse-lh'o? Mas, quando isso se dá, as mulheres nunca previnem os maridos...

LIBORIO

É uma excepção...

BARNABÉ

Tudo isso é tão anormal... tão extravagante... (como assaltado por uma idea) Ah!

LIBORIO

Que é?

BARNABÉ

Lá vou... Foi a palavra extravagancia que me orientou... Estou no caminho...

LIBORIO

Caminho de quê?

BARNABÉ

O snr. Liborio sondou o pulso de sua mulher?

LIBORIO

Ora essa!... sondar-lhe o pulso!... Não.

BARNABÉ

Fez mal. Esta excentricidade no seu proceder, este humor extravagante... explica-se tudo...

LIBORIO

O quê? o que é que se explica?

BARNABÉ

É a crize ordinaria... Amigo Liborio, não succumba ao pezo da sua felicidade... Liborio, vou dar-lhe um jubilo immenso... Olhe que vae ser progenitor! Vae ser pae!

LIBORIO

(exasperado) Pae!

BARNABÉ

Sim! esses appetites desvairados... essa desordem moral...

LIBORIO

(agarrando-o pelo colete) Ah! patife!

BARNABÉ

Hein? você chame-me patife? a mim?

LIBORIO

É a minha deshonra que você apregôa!

BARNABÉ

(desagarrando-se sem poder) Que diz?

LIBORIO

Você sabia-o e não me gritou: acautele-se!

BARNABÉ

Você esgana-me!...

LIBORIO

Mas agora estou convencido... (sacode-o cada vez mais).

BARNABÉ

Largue-me! socorro! ó da guarda!

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