SCENA VIII
Reading edition
Liborio e Itelvina
ITELVINA
(entrando pela direita com uma malêta) Creio que deixei aqui o meu chaile e o meu chapeu (Põe a malêta sobre a meza).
LIBORIO
(sahindo do gabinete com a mala) Onde diabo deixei eu a minha Guia de viajantes?
ITELVINA
(achando o chaile e o chapeo sobre a cama) Cá estão.
LIBORIO
(achando a Guia) Ella aqui está.
ITELVINA
(parando junto d'elle) Ah!... o senhor...
LIBORIO
(surprehendido) Ólé!... a senhora.
ITELVINA
Você parte?
LIBORIO
Parto.
ITELVINA
É boa! temos a mesma ideia!
LIBORIO
Tambem vae?
ITELVINA
Sim senhor... As ideas encontram-se.
LIBORIO
Muito bem; mas, embora se encontrem as ideas, é necessario que nós nos desencontremos. Para onde vae?
ITELVINA
Para onde o senhor não fôr.
LIBORIO
Temos o mesmo itinerario. (Assenta-se perto da jardineira, tendo a mala sobre os joelhos cujas correias afivela, depois de lá ter mettido pequenos objectos que tirou do marmore do fogão).
ITELVINA
Eu vou para o sul.
LIBORIO
Paizes quentes... vae muito bem. N'esse cazo, tomarei o caminho de ferro do norte.
ITELVINA
Ás mil maravilhas.
LIBORIO
Ora olhe... (consulta o Guia) Segue para Lisboa?
ITELVINA
Sigo no expresso.
LIBORIO
Ás 7 da tarde.
ITELVINA
Tão tarde!
LIBORIO
Vejamos a linha do norte. Quatro e quarenta e cinco... que zanga!
ITELVINA
D'aqui até lá, que se hade fazer?
LIBORIO
Uma ideia que o estomago me inspira. Estou em jejum. Jantarei antes de partir.
ITELVINA
Na estação de Campanhã? Pois vá!... Eu faço o mesmo.
LIBORIO
(a sahir com a mala) Adeusinho, e estimo que coma com bom appetite.
ITELVINA
Da mesma sorte. (Vão ambos a sahir pela porta do fundo, e param, cedendo a passagem um ao outro cortezmente). Faz favor.
LIBORIO
Queira passar, minha senhora...