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O Assassino de Macario

SCENA XII

Reading edition

Liborio, Barnabé, Itelvina

BARNABÉ

(fóra) Confio-lh'a; mas não lhe dê grandes abalos. (Entra pela esquerda com Liborio).

LIBORIO

(com uma grande mala) Peza que tem diabo!

BARNABÉ

Peza, peza... Obrigado... Eu é que já não posso com isso.

LIBORIO

(vendo Itelvina, baixo a Barnabé) Cá está ella... Álerta!

BARNABÉ

Justo... Façamos caras dolorosas. (Avança e pára) Cuidei que ella estava arranjando as malas...

LIBORIO

(baixo) Está a pensar n'elle...

BARNABÉ

(aproximando-se em tom maguado) Itelvina, Itel...

ITELVINA

Quem me chama?

BARNABÉ

Ninguem... isto é, sou eu, teu pae. (Aponta para Liborio e faz com que ella o veja com a mala). Estamos promptos para partir...

ITELVINA

(como se não entendesse) Partir não entendo...

BARNABÉ

Não entendes? boa!... O snr. Liborio contou-me...

ITELVINA

Então já sabe?

BARNABÉ

Sim, sei. Que se lhe ha de fazer? A Parca é inflexivel!

ITELVINA

E o papá tem grande pena, não tem?

BARNABÉ

E que pena! aqui tens a prova... ali está a mala... Resigno-me a ir a Braga, auxiliar-te nas tuas indagaçoens.

ITELVINA

Quaes indagaçoens?

BARNABÉ

Então nós não vamos procurar o assassino de...

ITELVINA

(erguendo-se de golpe) O assassino de Macario?... (Avança para Liborio, que sustenta sempre a mala, e recua deante do olhar d'ella) O senhor que tem? que tem o snr. Liborio?

LIBORIO

Eu?... nada...

ITELVINA

Pensei que estava atarantado...

LIBORIO

Um pouco, com esta mala...

ITELVINA

(á parte) O remorso estrangula-o!... (alto) O senhor era amigo d'elle, não era? muito amigo d'elle, pois não?

BARNABÉ

Está bom, está bom... tem muito tempo de conversar na jornada...

ITELVINA

Qual jornada?

BARNABÉ

Pois nós não vamos a Braga?

ITELVINA

Fazer o quê?

BARNABÉ

Mas o snr. Liborio não me disse que tu...

ITELVINA

Ah! sim... no primeiro momento, queria... pensava mas mudei de tenção... Não vamos.

LIBORIO

(deixando cahir a mala) Hein?

BARNABÉ

Boa vae ella!

ITELVINA

De que serve procurar esse feliz contendor... O duelo é um jogo d'azar... e a minha vingança não se submette ao acaso... (Passa para a direita)

BARNABÉ

Apoiada! tens muita rasão! isso é que é ter juiso! (A Liborio) Está applacada!... Bravo!

LIBORIO

(á parte) É o arco da velha a annunciar trovoada.

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