← Table of contents
O Assassino de Macario

SCENA VI

Reading edition

Os mesmos e Barnabé

BARNABÉ

(entrando cautamente pelo fundo e vendo Sebastiana que encobre a senhora) Sebastiana! A senhora ainda está no gabinete?

ITELVINA

(indo para o pae) Meu pae!

BARNABÉ

(querendo safar-se) Olha!...

ITELVINA

Venha cá!...

BARNABÉ

Eu volto logo.

ITELVINA

Fique, meu pae. Vae-te embora, Sebastiana.

SEBASTIANA

Sim, minha senhora. (Sahe pelo fundo).

BARNABÉ

Vou-te contar... Descobri outra quinta no Candal.

ITELVINA

Meu pae, eu volto para o Mexico.

BARNABÉ

Com teu homem?

ITELVINA

Já não tenho homem.

BARNABÉ

Não tens homem? Então Liborio o que é? Parece que tens razão... Elle para homem parece-me muito atrazado... Tu lá sabes...

ITELVINA

Fujo de Portugal, das suas leis, do seu codigo, dos seus costumes (ironicamente) e da sua justiça...

BARNABÉ

Mas, desgraçada, tu vaes encontrar a mesma coisa no Mexico.

ITELVINA

No Mexico?

BARNABÉ

Portugal não tarda a lá chegar com a sua influencia, com os seus jornaes...

ITELVINA

Irei para a China.

BARNABÉ

Não sabes que Portugal está em Macáo! Basta lá estar o Camoens na gruta.

ITELVINA

Vou para o Japão.

BARNABÉ

Estão lá missionarios portuguezes... os jesuitas que tem um olho muito fino...

ITELVINA

Irei para uma ilha deserta. (Passa para a esquerda).

BARNABÉ

Ah! sim! se achares uma... Ilhas desertas são hoje rarissimas... Não se apanha meia...

ITELVINA

O pae vae comigo?

BARNABÉ

Eu!

ITELVINA

É indispensavel...

BARNABÉ

Nunca! Pede-me o que quizeres; mas viver só comtigo, isso, nunca!

ITELVINA

Não importa. Vou sosinha. (Repassa para a direita).

BARNABÉ

Filha!... juisinho, filha.

ITELVINA

Eu já não tenho pae... nem marido... nem familia. Parto! adeus! (sahe pela porta da direita).

BARNABÉ

(vendo-a sahir, depois diz tranquillamente) Fallaram-me d'uma casinha no Candal, e, se não fôr humida, tem muitas commodidades. Fiquei de me encontrar com o agente ás cinco horas, e...

Explore with AITake your curiosity a little further.

Reading settings