XVIII O encontro
Salvador de Medonça translation
Antonino e Laura atravessaram a estreita facha arenosa que havia junto ao rochedo, e que era o unico ponto abordavel da ilha de Cézambre.
Na praia estava amarrado um barco.
Meio occulto n'uma especie de quebrada, encontraram o posto da Alfandega.
A casa estava aberta e vazia.
Sem duvida os guardas, tendo partido de manhã, não estavam ainda de volta.
Antonino lembrou-se que proximo d'aquelle sitio havia uma cabana de pescadores.
Depois de a terem procurado por alguns minutos, encontraram-a por fim, n'uma anfractuosidade dos rochedos.
A porta apenas estava fechada na tranqueta.
Abriram-a e entraram.
Depararam com uma velha, meio surda, que concertava uma rêde.{209}
A custo conseguiram saber que o velho—marido sem duvida—tinha partido de manhã para Saint-Malo e que ainda não voltára.
Muito instada, disse mais que nada tinha que se Comesse e bebesse, além de cidra, toucinho, peixe sêcco e pão.
Uma moeda d'ouro, que Antonino atirou para cima d'uma meza, abriu-lhe um pouco mais os ouvidos e a intelligencia.
A velha levantou-se então e tratou de fazer lume sem demora.
Pouco depois brilhavam as chammas na chaminé.
Laura approximou-se para se aquecer e seccar o fato.
Depois de estar tambem alguns momentos junto do lume, Antonino disse:
—E agora vou buscar as nossas provisões a bordo da chalupa, porque, antes d'embarcarmos novamente, necessitamos comer, e não me agrada o que a velha nos póde dar.
E voltando-se para a dona do tegurio, accrescentou:
—Acompanhe-me, porque, indicando-me o caminho, menos tempo me demorarei.
A velha levantou-se sem responder, e seguiu Antonino.
Laura conservou-se á chaminé, pensativa.{210}
Pouco depois ouviu uma voz conhecida dizer-lhe:
—Adeus, Linda, bom dia!
Levantou-se sobresaltada e olhou.
Tinha em frente Lauretto Mina.
—Como vaes tu, carissima?
Laura respondeu altivamente:
—Eu chamo-me viscondessa de Bizeux!
—Viscondessa?... Hum!... Emfim, seja! Effectivamente disseram-me, em Saint-Malo, que tinha casado com o sr. de Bizeux, e que pertencia officialmente á familia do visconde. Mas o casamento effectuou-se em Inglaterra, não é verdade? Ninguem desconhece essa especie de casamentos... enlaces pouco duraveis, tão faceis de fazer como de desfazer. Casa-se em frente d'um padre catholico, mas nem por isso o casamento deixa de ser civil, o que illude a lei.
—Mas affianço-lhe... replicou Laura.
Interrompeu-se para ajuntar em tom desprezador:
—Que me importa o que o senhor pense! Acredite ou não, é-me indifferente!
—Está bem! respondeu, rindo ironicamente, Lauretto Mina. Que a viscondessa esteja mal, ou bem tincta, é questão secundaria, que não me impede de prometter solemnemente tratal-a pelo seu titulo, com todas as attenções e o mais profundo respeito. Tomo a peito proceder de fórma que reconquiste as suas boas graças.{211}
Depois d'um momento de silencio, olhando-a de revez, accrescentou:
—É possivel que a sr.ª viscondessa tenha a maxima conveniencia de passar, para mim, como uma desconhecida em Saint-Malo. É possivel que não deseje que a reconheçam como sendo a celebre cantora Linda...
Laura, surprehendida e interrogando-o com o olhar, interrompeu-o:
—E se assim fosse!
—Bravo! Já vejo que acertei! Pois está combinado! Ámanhã, no concerto...
—Ah! o senhor canta no concerto d'ámanhã? perguntou a viscondessa.
—Canto. Foi para isso que vim a Saint-Malo... Ámanhã será para mim uma desconhecida. Prometto-lh'o sob minha palavra d'honra.
—Obrigada.
—E agora que está certa da seriedade das minhas intenções, deixe-me dizer-lhe rapidamente, antes que... seu marido volte, o que vim fazer aqui, porque vim exclusivamente por sua causa.
—Por minha causa? repetiu Laura como um echo.
—Não me refiro precisamente á ilha de Cézambre. A estes rochedos conduziu-me apenas o acaso, a minha boa estrella. Esta manhã propozeram-me um passeio até á ilha, que me affiançaram ser extraordinariamente{212} pittoresca. A tempestade reteve-nos por mais tempo do que desejavamos. Mas a Saint-Malo, vim exclusivamente por sua causa, repito.
Em seguida a uma pausa calculada, o tenor ajuntou:
—O tempo passa. Vou direito ao fim. Sabe que no proximo mez é a inauguração da nova Opera. O director encarregou-me de dizer-lhe que tinha o maximo empenho em contratar a Linda. Elle acceita uma escriptura nas condições que mais lhe agradem, sr.ª viscondessa, ou seja por anno e por serie de representações.
Laura córou, e esteve sem responder durante alguns segundos.
Por fim disse:
—É impossivel. Eu sou a esposa do visconde de Bizeux.
—Ora adeus!... Nada de patetices!... replicou Lauretto com desdem. A sr.ª é e será sempre a Linda! É possivel que seja viscondessa, mas não deixou de ser artista! Usa agora, legitamente ou não, pouco importa, o nome dos nobres avós d'um fidalgo da provincia, mas, per Bacco! não lhe merecerá mais consideração, não collocará cem vezes mais alto o seu nome pessoal, o seu nome artistico, o grande nome que conquistou pelo seu talento previlegiado? Não posso deixar de lhe lembrar que seu pae tambem{213} era conde. Mas ninguem o conhecia por conde de Marcia, todos lhe chamavam o grande violinista, o grande artista Marcia. Acho extranho que a filha proceda de fórma contraria, deixando offuscar o seu glorioso nome de artista pelo vulgar titulo de nobreza!
O tenor fallava com vehemencia e emphase italiana, mas as suas palavras correspondiam aos intimos pensamentos de Laura.
A viscondessa não respondeu.
Inclinara a cabeça para o peito, pensativamente.
O tenor perguntou:
—Então?... Que resposta devo dar ao director da Opera? Que acceita, não é verdade?
Laura disse, como se fallasse comsigo mesma:
—Ha uma coisa que a tudo sobreleva: amo meu marido!
—Mas ha trinta mezes já que o ama! Parece-me sufficiente! O visconde confiscou-a por mais de dois annos, é tempo de a restituir a si propria, á arte, aos seus admiradores. Se a amasse, seria o primeiro a dar-lhe esse conselho. E apesar disso a sr.ª continua amando-o, se é que não a engana o coração. Mas eu conheço-a bem, e iria apostar em como está farta da vida que leva. Convença-se: a sr.ª não pertence a um só homem, pertence a todos! Eu nem um instante{214} duvidei que a Linda voltaria para o theatro. Se não fôr hoje, será ámanhã!
Laura, fugindo de responder ao tenor, perguntou:
—Como soube o director da Opera que eu estava em Saint-Malo?
—Ah! isso é descoberta minha, replicou Lauretto Mina envaidecido. Quando a sr.ª desappareceu com o visconde, disse-se que tinha partido para a America do Norte ou do Sul. A verdade é que nunca se soube ao certo para onde tinham ido. Pouco tempo depois ninguem se lembrava da Linda, excepto eu, que nunca a esqueci. Velava, espiava. Ha pouco soube pelo barytono Gressier, que elle fôra convidado para cantar n'um espectaculo de beneficencia, em Saint-Malo. Lembrei-me que Saint-Malo era a terra da naturalidade do visconde de Bizeux. Tratei de ler os jornaes da provincia, e n'um, o Correio d'Ille-et-Vilaine, vi que o conde de Bizeux era o vice-presidente da commissão que promovia o espectaculo. Li o programma do concerto e n'elle encontrei os nomes da baroneza de P... e da viscondessa de B... Procurei immediatamente «o director de Opera, para onde, tenho a honra de lh'o participar, estou escripturado. Logo que o vi, disse-lhe: Encontrei a Linda! Meia hora depois escrevia ao sr. conde de Bizeux, offerecendo-me desinteressadamente para cantar no concerto. O conde acceitou reconhecidamente o meu{215} valioso concurso, em telegramma. No dia seguinte, munido de plenos poderes pelo director da Opera, parti para Saint-Malo, onde cheguei ha poucos dias. Eu desejava ficar hospedado em casa de seu sogro. Infelizmente, porem, elle hospedava Nobillet e Gressier que considerava como patricios, e tive de contentar-me em ser hospede da sr.ª baroneza de Pontual—uma mulher encantadora, palavra d'honra! disse o tenor como que em aparte com sorriso fatuo. Pena é que a voz não corresponda á belleza com que Deus a dotou!
—Está hospedado em casa da baroneza de Pontual? perguntou Laura inquieta. Disse-lhe quem eu era?
—Admire a minha prudencia e delicadeza: fazendo com que a baroneza fallasse da minha ex-companheira de theatro, percebi com facilidade que a sr.ª viscondessa tinha realmente guardado o mais rigoroso incognito, e não trahi o seu segredo. Como antecipadamente tinha admittido essa hypothese e resolvido não a denunciar, guardei o mais absoluto silencio.
—Agradeço-lhe, disse Laura pela segunda vez, durante a sua conversação com Lauretto.
D'esta vez, porém, pronunciou a palavra mais delicadamente do que da primeira.
—Nada tem que agradecer-me, replicou Lauretto. Repito-lhe; tenho o maximo desejo em que veja em{216} mim apenas um amigo. Escute-me, Laura: ha mais de dois annos que nem um só momento deixei de pensar em si. A sua imagem está sempre presente ao meu coração. Os sonhos de felicidade que tenho architectado teem sido tantos e taes que nem mesmo me atrevo a relatar-lh'os. É uma verdadeira obsessão! Ah! permitta-me que lhe diga, o que ainda, sentido, nunca disse a qualquer mulher: adoro-a, Laura!
A viscondessa endireitou o corpo, irritada.
Depois d'olhar fixamente, com altivez, o tenor, disse-lhe desdenhosa:
—Creio que ha bocado prometteu tratar-me com todas as attenções e respeito?
Lauretto não poude responder.
Olhando pela porta, viu o visconde, que se approximava.
Portanto disse a Laura, sorrindo maldosamente:
—Não falle tão alto, que póde ouvil-a seu marido.
Laura olhou tambem, e viu Antonino, seguido pela velha, que conduzia um cabaz.
Ao transpor o limiar da porta, o visconde recuou, estupefacto.
A voz tremia-lhe ao pronunciar o nome do tenor.
—Lauretto Mina! disse elle apenas.
—Em pessoa! respondeu o tenor com toda a presença d'espirito. Diz-se, e assim é, que o mundo é{217} enorme. Pois apesar d'isso os amigos encontram-se sempre. Portanto o nosso encontro, sr. visconde, apesar de ser perfeitamente casual, não é para admirar. Vim a Saint-Malo para cantar no concerto d'ámanhã. Uns amigos convidaram-me a passeio n'esta ilha. A tempestade, retendo-nos, fez com que nos encontrassemos. Os seus charutos devem estar molhados; permitti-me que lhe offereça um?
—Obrigado, disse friamente Antonino, acompanhando a palavra com um gesto de recusa.
O tenor fingiu não perceber a frieza com que o visconde o tratava.
Deu um passo para a porta, olhou para o espaço e disse:
—O tempo melhorou. O demonio do vento começa a socegar um pouco. Nada me prende já n'esta especie d'ilha selvagem. Não desejo importunal-os por mais tempo; deixo-os com a sua refeição. Senhor visconde, tenho a honra de o cumprimentar!... Senhora viscondessa, apresento-lhe a homenagem do meu mais profundo respeito!
Tirou o chapéu n'um gesto largo e saiu da cabana.
Antonino seguiu Lauretto com olhar colerico.
—Que tempo esteve este homem aqui? perguntou elle a Laura.
—Entrou pouco depois de tu sahires. Não sei d'onde veiu!{218}
O visconde interrogou a velha.
—Este senhor, respondeu a mulher, veiu passeiar á ilha para ver a vista. Trouxe almoço, e como a tempestade rebentou, demorou-se. Estava deitado entre as rochas a descançar, quando o senhor chegou.
—O que te disse elle? interrogou o visconde logo que a velha terminou as explicações.
—Fallou-me da nova Opera, onde está contractado. O director mandou-me offerecer escriptura, tambem.
—E que lhe respondeste?
—Que era tua mulher, que não podia pensar em voltar ao theatro.
—É provavel que esse insolente continue a amar-te. Dirigiu-te algumas palavras offensivas?
Deveria ella provocar um conflicto entre seu marido e o tenor?
Lauretto Mina, em duello, era adversario muito mais para temer que Pozzoli.
Por isso Laura respondeu, tremendo-lhe a voz:
—Lauretto foi attencioso d'esta vez. Está ha alguns dias, em Saint-Malo, por causa do concerto, como te disse, e não fallou em mim, promettendo-me até fingir que não me conhecia.
—Oh! E ficaste-lhe muito reconhecida, não é verdade? disse Antonino ironicamente.
—O que tens? perguntou Laura com meiguice.{219} Não admira que te contrariasse o encontro com esse homem, mas isso não é rasão para me tratares com modos bruscos!
—Perdoa-me, Laura! Não sei porque, mas a presença d'este homem irritou-me sobremaneira. Não podia nem devia provocal-o pela impertinente polidez com que me tratou, mas cada uma das palavras que pronunciava fizeram-me ferver o sangue nas veias!
—Socega, não te exaltes. Vamos almoçar, que necessitamos readquirir forças, tu principalmente. Senta-te, que eu te sirvo.
Auxiliada pela velha, Laura poz a mesa.
Depois tirou do cabaz pão, vinho de Bordeus, e carne assada.
O appetite que sentiram ao desembarcar, desapparecera.
Mal provaram os alimentos.
Emquanto estiveram á mesa poucas palavras trocaram.
Pensavam.
Antonino, que desembarcara na ilha, alegre e triumphante, apesar da fadiga physica, como se está sempre depois d'um combate de que se sae victorioso, estava agora triste e inquieto.
Laura fallara-lhe com a costumada meiguice, mas o instincto do amor que sentia pela esposa, fazia{220} com que o visconde visse para além das apparencias, e entendesse o que as palavras não diziam.
Esse instincto dizia-lhe que ella lhe occultava o quer que fosse, e que, no pensamento intimo da mulher amada, havia um segredo, como que uma sombra que lhe fugia e lhe era contraria.
Pelo seu lado, Laura, repassando pelo espirito as tentadoras perspectivas que Lauretto lhe desenrolara, dizia comsigo que Antonino nem pronunciára uma palavra d'agradecimento pelo sacrificio que ella de novo fazia regeitando as propostas do director da Opera.
Parecia-lhe que o marido se esquecera do compromisso tomado, de, quando ella lh'o pedisse, deixal-a em plena liberdade, ou, segundo as proprias palavras que então pronunciára, deixar-lhe a gaiola aberta.
Porque seria que, em vez de profundo reconhecimento, elle lhe testemunhava uma especie de desconfiança amargurada?
Porque pareceria temer a presença do insolente Lauretto Mina, que, como mulher honesta, ella repellira?
Aquelles dois entes que se amavam, que acabavam de escapar, juntos, d'um perigo terrivel, e que se considerariam felizes de succumbir a elle, enlaçados n'um abraço ultimo, ao entrarem de novo na vida social,{221} procuravam divergencias e sentiam egoismos, que separam e dilaceram.
No fundo do coração é provavel que se recordassem, saudosos, da tempestade.
E comtudo essa tempestade passára, como se nada mais tivesse a fazer, uma vez que lhe fugira o encantador par que desejara victimar.
A ilha de Cézambre dista apenas cinco kilometros de Saint-Malo, mas necessitavam apressar-se para poderem chegar á cidade antes d'anoitecer.
Prepararam-se para partir.
Antonino continuava pensativo.
Laura perguntou-lhe porque estava triste.
Elle desculpou-se com a fadiga.
A verdade, porém, era que deixára de a sentir desde que chegara á ilha.
O abalo moral quebrantára-o muito mais do que a lucta contra a borrasca.
Laura insistiu com sollicitude.
—Mas sentes apenas fadiga? Nada mais te atormenta e incommoda?
Antonino hesitou, mas por ultimo disse:
—Porque não hei-de confessar-te tudo? É verdade, sim, estou desgostoso! Sabes o que me incommoda? É a idéa de que devemos a Lauretto Mina o obsequio de fingir que te não conhece, de não se indicar como teu antigo companheiro no theatro, e, principalmente,{222} a certeza de que elle, como dantes, cantará ao teu lado, diante de numeroso publico. Se tivesse supposto que esse insolente cantaria no concerto, affianço que não consentiria que tu cantasses tambem.
—Lembra-te de que, se vou cantar, é exclusivamente para te comprazer e a teu pae. De resto, é tempo ainda. Queres que não cante? Affianço-te que essa tua resolução não me entristecerá, pelo contrario, porque talvez assim tu fiques completamente socegado.
—Sim, replicou Antonino. Se não cantares socegarei, porque desapparecerá a inexplicavel apprehensão que me assaltou, e de que só por essa fórma conseguirei libertar-me.
—Abraça-me e socega. Não cantarei ámanhã, e ficarei tão satisfeita como tu.
Quando chegaram a Saint-Malo a cidade estava já envolta em trevas. Prepararam-se rapidamente para o jantar, que era de cerimonia.
Os artistas que cantariam no dia seguinte jantavam em casa do barão de Pontual.
O conde de Bizeux tinha á sua meza, além do arcebispo de Rennes, todas as pessoas d'importancia que tinham chegado de varios pontos da Bretanha para assistir ao concerto, que em toda a provincia despertára o maior enthusiasmo.{223}
Findo o jantar, Antonino e Laura chamaram o conde de parte.
O visconde explicou ao pae a razão porque desejava que o nome de sua mulher fosse riscado do programma do espectaculo.
Mas o conde declarou:
—É completamente impossivel! É tarde para isso!
E depois, um pouco exaltado por semelhante resolução, deu a sua opinião sobre o caso.
Não comprehendia os escrupulos do filho.
Vira e fallára com Lauretto Mina.
O tenor parecera-lhe um homem delicadissimo.
Era para agradecer-lhe que não tivesse feito a mais ligeira allusão á sua antiga collega, a Linda, e estava certo que o tenor se portaria com a viscondessa de Bizeux com todas as attenções e respeitos.
O arcebispo de Rennes dissera a toda a gente que a admiravel voz que iam ouvir não a possuiam muitas cantoras de profissão, que o talento de Laura era inegualavel, despertando assim a geral curiosidade. Se, depois disto, fossem riscar do programma o nome de Laura era collocar pessimamente o conde que, como vice-presidente da commissão promotora do espectaculo, como que offenderia as numerosas pessoas que tinham ido a Saint-Malo para ouvir a viscondessa.{224}
Ora Antonino de certo não quereria que o pae fizesse má figura.
Ante estas razões apresentadas pelo conde, era impossivel a insistencia.
Portanto Antonino disse:
—Pois bem, Laura cantará!