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Scenas da Roça

VII

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Na fazenda do Tymbira era velha a devoção de fazer-se grande festa em dias de S. João. O velho Joaquim Medeiros, que era a flôr dos fazendeiros d'aquella localidade, esfregava as mãos contente quando via em casa gente a que o prendia a amizade.

D. Olympia, sua esposa; mãi dos pobres do logar, tres dias antes da festa não parava a trabalhar.[20] Mandava as suas mucamas dos quartos fazer as camas, espanar tudo e varrer, e, doceira de bom gosto, lá estava firme no posto, fazendo o tacho ferver.

Fazia doce de côco, laranja, cidra, limão, bom-bocado, arroz de leite, bolinhos de S. João, pamonha, cus-cus de milho, manouê, biju, sequilho, biscoutinhos de araruta, tarécos, baba-de-moça, e, mil doces que na roça se fazem de toda a fructa.

No terreiro da fazenda preparava-se a fogueira, e o mastro todo enfeitado de folhagens de mangueira; e dentre as folhas escuras sahiam fructas maduras, como é o costume geral, e uma boneca vistosa de vestido côr de rosa, fazia o tópe final.[21]

No campo desde a porteira de verde murta vestida, duas linhas de coqueiros vem a porta da saida. De um lado a outro correndo, dirigindo ou desfazendo o que não estava direito, andava o rei dos festeiros o nosso velho Medeiros sempre alegre e satisfeito.

«—Vamos com isso, rapazes, que temos mais que fazer e d'aqui por uma hora ninguem se póde mecher. Joaquina e Manuela, vocês vão lá p'ra capella capinar ali na frente. Olá, moleque, ó vadio! chega ali embaixo no rio, vê se vem alguma gente.

«Vicente, traze as bandeiras, vai tu com elle, Francisco; Manuel, varre p'ra um canto e apanha depois o cisco. Não quero ver uma palha!... veja depois como espalha[22] essas folhas de mangueira!... Ó Job, pergunta á sinhá se já tem café por lá, que mande aqui na porteira.»

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