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Scenas da Roça

III

Reading edition

Elle era um moço bonito como na côrte não ha, tinha os olhos e os cabellos da côr do jacarandá. Um porte airoso, engraçado, rapagão desempenado de metter inveja a cem! se na estrada elle passava, a moça que o espiava lhe ficava querendo bem.

Mas elle guardava firme no fundo do coração pela bella Margarida a mais ardente paixão. E as moças da visinhança ao verem sua esquivança ás festas, se ella não ia, diziam de enciumadas: «—Pedro está de azas quebradas; pobre moço! quem diria?!

«—E tem só vinte e tres annos e alguma cousa de seu! vejam só o que é fortuna; tão feliz nunca fui eu! —E dizem que casa breve?[15] —Eu não sei, mas elle deve casar-se p'ra o fim do anno. —Que lhe faça bom proveito... —E o velho está satisfeito? —Pudera não! bem ufano!»

Tal eram os commentarios que em toda a parte faziam as moças da visinhança, que em festas se reuniam; mas elle, surdo aos rumores que faziam seus amores nas discussões femenis, nada via além do encanto d'aquelle amor puro e santo, d'aquelles olhos gentis.

Mas quem era a linda moça a quem Pedro tanto amava? quem era a virgem formosa que elle assim idolatrava? era rica ou pobresinha? tinha-lhe amor ou não tinha? Não é o que queres saber? lá vamos, leitor querido, satisfazer teu pedido, já tudo vamos dizer.[16]

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