I
Reading edition
Os peralvilhos da côrte, ou cidades principaes, todos querem ser poetas, todos fazem madrigaes quando estão apaixonados. Em versos estropiados, alguns que tem legoa e tanto, a pobre da musa súa, suspirando á luz da lua em cada suspiro um canto!
Aquelles que nem a tiro se lhes abre a cachimonia, assignam versos roubados com toda a sem ceremonia! Não fazem questão de auctor... querem provar seu amor[66] á deidade que os inspira? lá vão direitos á estante, e d'ali por um instante geme e canta a alheia lyra.
São estes os commodistas e os que tem mais razão... p'ra que quebrar-se a cabeça se ha versos em profusão?! é obra feita, é verdade: mas escolhe-se á vontade onde ha tanto p'ra escolher... lá vai a amostra do panno que um typo fez por engano, por não ter tempo a perder: