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Scenas da Roça

XXII

Reading edition

«—Que é isto, minha louquinha? quem é que falla em morrer?! viste um espinho na vida e já te cança o viver! Nas tuas suppostas dôres[43] só recordas-te os amores, mas esqueceste teu pai!... Margarida, és muito ingrata!... queres matal-o?... pois mata! vae pedir a morte, vae!

«Ao pobre e cançado velho que vive do teu carinho, em vez de beijos e abraços, crava-lhe n'alma um espinho! Arrufos de um namorado valem mais que um velho honrado?! Pensas bem, minha afilhada!.. vaes morrer? não te demores! mas o que é isto? não chores! que vale um pai?... quasi nada!

«—Misericordia, madrinha! não falle assim que enlouqueço! meu Deus! qual foi o meu crime que tal castigo mereço?! —Teu crime é não ter juizo.... e sabes o que é preciso? é: pedir a Deus perdão. Limpa esses olhos, menina! a gente assim se amofina; tu choras sem ter rasão![44]

«—Mas elle está mal commigo e meu pai nem o quer ver! —Cala a boca, te prometto que tudo se ha-de fazer. Socega, filha: descança, se ainda tens confiança na tua velha madrinha! Amanhã em santa paz tudo se arranja e se faz; vae dormir, minha louquinha?»

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