V
Reading edition
Tal era a mimosa filha do velho Simão da Cruz; de sua velhice o arrimo, alegria, vida e luz. Revia no rosto della a companheira extremosa, que lhe deixara, murchando, o rebentão de outra rosa.
Vio-a crescer sob os olhos; estudou-lhe o coração, e lia nelle os mysterios d'aquella ardente paixão. Um dia toma-lhe o braço, fal-a sentar a seu lado, e diz-lhe rindo o bom velho: «Já tens algum namorado?»
Enrubece, treme, ensaia dizer uma phrase, em vão! repete o velho a pergunta, e ella responde «—Não... —Não mintas, filha! não sabes que é um peccado mentir? —Perdão meu pai!—Não perdôo a quem me busca illudir.»[18]
Dos bellos olhos da moça o pranto desce a torrentes, cujas bagas vão no seio embeber-se encandescentes. O velho, ameigando a falla, apoz miral-a um instante, lhe torna: «—Vamos! não chores! não é Pedro o teu amante?
«Bom rapaz! é de meu gosto... já fallou-te em casamento? e tu disseste que sim, sem o meu consentimento?! Como os filhos são ingratos! este mundo como vae! quem de uma filha os segredos guardará melhor que um pai?
«Mas vamos lá! estou por tudo; disseste que sim? está dito!... fizeste mal em negal-o; isto assim não é bonito. Não chores, dá-me um abraço! será Pedro o teu marido; é justo, se o amas tanto... se foi o teu preferido...[19]