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Scenas da Roça

VII

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São horas, tudo está prompto; todos seguem p'ra capella. Na frente caminha ella pelo braço da madrinha; logo atraz Pedro, Simão, Medeiros, uma sobrinha do vigario, e a multidão que caminha alegremente em ruidosa confusão.[75] Era um quadro interessante de belleza original o que eu vi naquelle instante: cabeças brancas de neve, rostos graves enrugados pendidos p'ra sepultura, a par de frontes divinas, de olhos meigos namorados derramando mocidade! Oh! como é bella essa idade em que tudo é só prazer! em que a existencia é um sorriso, em que o amor é um paraiso, em que o sonhar é viver! O grupo entrou na capella ajoelhou-se, benzeu-se, resou e depois ergueu-se e cochichava em segredo; mas callou-se de repente quando o padre appareceu. Margarida estremeceu e disse machinalmente: «Agora vou ser feliz.»[76]

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Estava emfim realisado aquelle sonho dourado de su'alma casta e pura! a embriaguez da ventura tornava-a mais que divina! aquellas faces rosadas levemente afogueadas de prazer e commoção, traziam-lhe tal encanto, que eu creio que até um santo succumbia á tentação!

Era finda a ceremonia. Pedro, qu'inda não fallara, por pouco não desmaiara nos braços do fazendeiro, fulminado de alegria! e no sorriso nervoso que d'alma aos labios lhe vinha, quem é que não traduzia o que n'alma o pobre tinha?

Passados alguns momentos, já depois dos comprimentos de todos que os rodeavam, sahiram de braços dados[77] sob uma chuva de flôres que em cima lhe despejavam á porfia, os convidados.

Chegados todos á casa, Simão e Pedro de um lado á meia voz conversavam. Dizia o velho alquebrado: «Nesta filha que te entrego, dou-te tudo quanto tenho, dou-te os olhos, fico cégo, mas risonho e satisfeito... eu já estava tão affeito que não sei como sem elles eu possa agora viver!... ella era o sol bemfazejo ao qual eu me ia aquecer; porém fico descansado, porque em ti achou arrimo.... eu somente o que lastimo é ser velho e não ter nada, não p'ra mim que não preciso, era por ella, coitada! que é um anjo como tu sabes. Olha, Pedro, eu só te peço, se alguma cousa mereço, que trates bem minha filha! minha pobre Margarida![78] Ella ha de adoçar-te a vida porque é muito carinhosa, e como foi boa filha deve ser tambem esposa.»

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E em quanto o velho fallava da filha por quem vivia, dos olhos se lhe escapava uma baga que rolava e na barba se escondia.

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