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Scenas da Roça

XV

Reading edition

«Desculpe vossa excellencia, mas eu creio que já a vi! —Póde ser, responde a moça, quasi sempre eu venho aqui...» «—Não foi aqui, foi ha um anno... na côrte, se não me engano, n'um baile que eu a encontrei... —Oh! gentes! está enganado, se perguntar p'ra que lado a côrte fica, não sei!»[35]

«—Era então o seu retrato divinamente imitado... os mesmos olhos divinos! o mesmo rosto adorado!... «—Oh! senhor, parece incrivel! deveras será possivel tão pasmosa semelhança?! —Oh! natura eterna e infinda! nunca vi mulher tão linda!... —Eu sou linda? que esperança!

«—Então não vio Guanabara da metrop'le no regaço, sonhando loucos edyllios co'os olhos fitos no espaço?! «—Não senhor! se eu não conheço!» «—Escuta, diva, eu te peço: sou talvez um sonhador... —Oh! moço, mal comparando, quando o senhor está fallando parece-me um pregador!»

«—Serei tudo, ó casta diva, innocente Julieta! tu'alma exhala o perfume da modesta violeta!... —Ué! que moço engraçado! já deu-me o nome trocado...[36] eu me chamo Margarida. —Margarida? Oh! doce encanto! teu nome tão puro e santo guardarei além da vida!

«Escuta, sylpho do empirio, dos céus aerea visão, não sentes do amor as lavas que arroja o meu coração? partamos, além na selva sobre um tapete de relva, pousemos o floreo ninho! partamos, a noite é densa... —Ó moço, eu peço licença, eu vou fallar com dindinho!

«—Comment celà! não me deixes com tua ausencia obumbrado! queres tu que um cenotaphio erga a um amor desgraçado? —Oh! seu aquelle, me deixa! senão eu vou fazer queixa a meu pai, largue meu braço!.. —Não partas, anjo bemdito... —Eu sou grossa p'ra palito... —Ao menos dá-me um abraço!...»[37]

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