XI
Reading edition
Simão ergueu-se a custo, e commovido fallou desta maneira aos assistentes:
«—Senhores, quando a alegria nos afoga o coração, não ha palavras que a digam, falta-nos toda a expressão!
Choramos quando soffremos, quando gosamos, sorrimos, mas o riso não exprime o que n'alma nós sentimos.[60]
«Assim 'stou eu; bem quizera dizer-vos neste momento tudo, tudo quanto sinto, qual é o meu contentamento,
«mas não posso, porque é tanta a minha felicidade, que mais me parece um sonho, que pura realidade!
«E sabeis a quem a devo? a quem posso agradecer? quem é que em duas palavras me embriaga de prazer?!
«É aqui a mãi dos pobres e o meu compadre Medeiros! este grande coração! a nata dos fazendeiros!
«Á saude, pois, d'aquelles que não tem ostentação, quando afogam na alegria um mirrado corração!»[61]
E todos gritavam co'os copos erguidos dos donos da casa, bebendo á saude: «Que Deus lhes dê vida, que Deus os conserve p'ra auxilio dos pobres, p'ra amparo á virtude.»
.............................. .............................. .............................. ..............................
Passados oito dias de prazer, oito dias de festa e de alegria, vão indo pouco a pouco os convidados saudosos, p'ra o lidar de cada dia.[62] [63]