XVII
Reading edition
«—Pedro! Pedro! então que é isto?! valha-me Nossa Senhora! —Margarida, vae-te embora, tu não me queiras perder! —Pelo que tens mais sagrado, deixa esse moço, coitado! que mais lhe queres fazer?!...
«—Quero mostrar a um patife como se falla a uma moça; elles pensam que na roça é como lá na cidade?! «Estão enganados comigo!...» E com o joelho no umbigo dava-lhe sôcco á vontade!
«—Soccorro! gritava a moça quazi louca de terror; meu pai, accuda o senhor, porque elles se vão matar!... meu Pedro, não sejas louco, olha, escuta, espera um pouco; meu Deus! quem ha-de apartar?[39]
«—Sahe-te d'aqui co'os diabos! não me atormente a cabeça, puche já, não me aborreça... você pensa que me embaça? É tambem teu namorado? ha de amargar um bocado, hei de tirar-lhe a fumaça...
«—Repare que é minha filha; escutou, seu malcriado? sou velho, estou alquebrado, mas ninguem me offende em vão! sei tolerar n'essa idade loucuras da mocidade; mas insultal-a, isso não!
«Margarida é muito honesta! não é lá quem você pensa!... acho bom que se convença que ella tem alguem por si! Vem-te embora, minha filha, o homem, que assim te humilha, é mais que indigno de ti.»[40]