INDICE
Reading edition
TRANSFORMAÇÕES DO ROMANCE POPULAR DO SECULO XVI A XVIII
Os romances populares soffrem a mesma transformação que em Hespanha receberam no seculo XVI V
Originalidade dos romances portuguezes VI
O cyclo da Tavola Redonda em Portugal, o tempo de D. João I VII
A poesia palaciana exclue os romances populares VIII
As glossas do romance popular IX
Pliegos sueltos e cadernos de uso popular X
O Cancioneiro de Resende não allude a romances populares XI
Gil Vicente e a Comedia de Rubena XIII
Edições portuguezas de Romanceiros hespanhoes XIII{214}
Luctas da Escóla italiana em Portugal XIV
O metro encadecasyllabo e octosyllabo XV
Reacção do metro popular XVIII
Lucta de Sá de Miranda XX
Os poetas classicos desprezam a poesia do povo XXIII
A reacção contra a Reforma extingue em Portugal a poesia popular XXIV
Influencia jesuitica nos cantos do povo XXV
Condemnação dos Livros de cordel XXVI
O Index Expurgatorio XXVII
Extinção de varias festas populares XXVIII
Instrumentos musicos do seculo XVII XXIX
Introducção dos romances hespanhoes em Portugal XXX
Romances portuguezes em Hespanha XXXI
Causa da extensão do Romanceiro hespanhol XXXII
Romances conhecidos em Portugal hoje obliterados na tradição XXXII
Addições a pag. XXXII. Vid p. 211 e 212.
A comedia do Fidalgo Aprendiz encerra a historia do romance em Portugal XXXIII
Os romances populares postos em musica XLI
Letra castelhana em moda XLII
Romances trovados ou glosados XLIII
Romances ao divino XLIV
As Xacarandinas XLV
O que era o cantar de algaravia en aravia XLVI
Os romances mouriscos XLVIII
Forma lyrica dos romances LI
Os romances amorosos dos Mosteiros LII
Estado actual da poesia popular LIII{215}
ROMANCES COM FORMA LITTERARIA, DO SECULO XVI A XVII
Alvaro de Brito—Trovas á morte do principe Dom Affonso, filho de D. João II 1
Garcia de Resende—Trovas á maneira de romance feitas á morte de Dona Inez de Castro 3
Francisco de Sousa—Trovas a um Vilancete 8
Gil Vicente—Romance em memoria da partida da Infanta Dona Beatriz 9
—Romance burlesco, glosando o celebre romance Yo me estaba en Coimbra 11
—Cantiga dos romeiros 12
—Romance ao nascimento do Infante Dom Felipe 13
—Romance á morte de Dom Manuel 14
—Romance á acclamação de Dom João III 16
—Cantiga do Natal 19
—Vilancete de Abel 20
—Fragmento da Bella mal maridada 21
—Cantiga cantada em Chacota 22
—Cantiga do Auto da Luzitania 22
—Cantiga da Comedia de Rubena 23
Bernardim Ribeiro—Cantar a maneira de Soláo 24
—Romance de Avalor 25
—Romance de Cuidado e Desejo 27
Christovam Falcam—Cantiga com suas voltas 33
Sá de Miranda—Cantiga 32
Jorge de Monte-Mór—Canção 34
—Outra cançoneta 35
Jorge Ferreira de Vasconcellos—Romance da batalha de El-rei Arthur com Morderet 36
—Romance sobre a Guerra de Troya 38{216}
—Romance da morte de Achilles 39
—Romance da morte de Policena 42
—Romance da Historia de Roma 44
—Romance da Batalha da Pharsalia 46
—Romance á morte do principe D. Affonso 49
—Romance á morte do Principe D. João 52
Luiz de Camões—Endechas a Barbara escrava 54
—Mote com sua volta 55
Francisco Rodrigues Lobo—Cantiga 56
—Outra 57
—Romance do Desenganado 58
Dom Francisco de Portugal—Romance pastoril 60
Balthazar Dias—Romance do Marquez de Mantua e do Imperador Carlos Magno 62
—Historia da Imperatriz Porcina (tirada do Speculum historiale) 104
Dom Francisco Manoel de Mello—Romance picaresco 149
Quintana de Vasconcellos—Romance de Claridea 152
Antonio Serrão de Castro—Romance da Briga de um Cego com um Corcovado 154
Anonymo (1620)—Romances e cantigas da canonisação de S. Francisco Xavier 156
—Cantiga de Abel (1659) 159
Francisco Lopes—Romance de Santo Antonio e a Princeza 160{217}
ROMANCES DA HISTORIA DE PORTUCAL, TIRADOS DAS COLLECÇÕES HESPANHOLAS
1—Romance del Conde Don Henrique 163
2—Romance de Egas Moniz 165
3—Romance del Rey Don Affonso, quando libertó Portugal del tributo 171
4—Romances de Don Pedro I de Portugal y Dona Inez de Castro—I 174
5—Don Pedro I y Dona Inez—II 175
6—Don Pedro I y Dona Inez—III 177
7—Dona Inez de Castro, Cuello de Garsa de Portugal—IV 178
8—Romance de Dona Isabel 185
9—Romance de Dona Isabel de Liar—I 187
10—Al mismo asunto—II 191
11—Romances del Duque de Guimarans, I 193
12—La Duqueza de Guimarans se queja al Rey por la muerte que hizo dar a su esposo—II 196
13—Romance del Duque de Bragança Don Jayme 197
14—A la muerte del Principe de Portugal 200
15—Romance de la muerte del enamorado Bernaldino 202
16—Romances del Rey Don Sebastiano, I 204
17—El-Rey Don Sebastiano—II 206
18—El-Rey Don Sebastiano—III 208
FIM DO INDICE.{218}
Mis arreos son las armas Mi descanso es pelear. Mi cama las duras peñas, Mi dormir siempre velar. Las manidas son escuras, Los caminos por usar, El cielo con sus mudanzas Ha por bien de me dañar, Andando de sierra en sierra Por as illas de la mar, Por probar si en mi ventura Hay logar donde avadar; Pero por vos mi señora Todo se hade comportar.
OS CATIVOS DO PECCADO
Voces daban prisoneros, Luengo tiempo estan llorando, En el triste cárcel escuro Padeciendo y suspirando, Con palabras dolorosas Sus prisiones quebrantando: —Que es de ti, Virgen y Madre, Que á ti estamos esperando? Despierta el Señor del mundo, No estemos mas penando.— Oyendo sus voces tristes, La Virgem estaba orando Cuando vino la embajada Por el ángel saludando; «Ave rosa gracia plena,» Su prenez anunciando. Suelta los encarcelados, Que por ti estan suspirando; Por la muerte de tu hijo Á su padre estan rogando. Cresca el nino glorioso, Que la cruz está esperando. Su muerte será cuchillo, Tu anima trespassando. Sufre su muerte, Senora, Nuestra vida deseando. Obras t. I, p. 233.
CANCIONEIRO
E
ROMANCEIRO GERAL
PORTUGUEZ
5 volumes in-8.º
VOLUME I—HISTORIA DA POESIA POPULAR PORTUGUESA.—Primeira parte: Vestigios da primitiva poesia popular portugueza.—Segunda parte: Unidade dos romances populares do Meio Dia da Europa. VIII, 221 pag. Porto, 1867.
VOLUME II—CANCIONEIRO POPULAR, colligido da tradição oral. Reliquias da poesia portugueza do seculo XIV a XVI. Sylva de cantigas soltas, Fados e Canções da rua, Orações, Prophecias nacionaes, Proverbial de aphorismos poeticos da lavoura. VII, 223 pag. Coimbra, 1867.
VOLUME III—ROMANCEIRO GERAL, contendo a Flor dos romances anonymos dos cyclos Bretão e Carlingiano; e um Vergel de Romances mouriscos, Contos de cativos, Lendas piedosas e Xacaras, com sessenta e uma notas extensas sobre as origens de cada romance, VIII, 224 pag. Coimbra, 1867.
VOLUME IV—CANTOS POPULARES DO ARCHIPELAGO AÇORIANO, Cancioneiro das Ilhas: Rosal de Enamorados, Serenadas do luar, Doutrinal de Orações. Romanceiro de Aravias: Enselada de Romances novelescos, Primavera de Romances maritimos, Rosa de Romances mouriscos, Silva de Romances historicos, Coro de Romances sacros, Enseladilha de romances entretenidos. Com oitenta e cinco notas sobre as origens e paradigmas das varias cantigas e romances, XVI, 478 pag. Porto, 1869.
VOLUME V—FLORESTA DE VARIOS ROMANCES com forma litteraria. Estudo sobre as transformações do romance popular do seculo XVI a XVIII.—Romances com forma litteraria doseculo XVI e XVII—Romances da Historia de Portugal, tirados das Colleções hespanholas. LIII, 218 pag. Porto, 1869.
Desde 1867 até 1869 entrou em curso de publicaçäo o livro dos cantos populares da nação portugueza; eis finalmente completo o quadro das antigas tradições epicas da edade media, ainda hoje repetidas pelo nosso povo com esse colorido de maravilhoso e da aventura do genio celtico. Todas as provincias do reino e ilhas dos Açores contribuiram para o monumento do seu Cancioneiro e Romanceiro geral; a Beira Baixa, interrogada por differentes collectores, apresentou as velhas rhapsodias, em um grande estado de perfeição, rivalisando com os mais velhos romances hespanhoes, e ás vezes completando-os, como se vê pelo romance de conde Grifos Lombardo; logo depois, Traz-os-Montes, é a mais rica de lendas cavalheirescas, introduzindo principalmente em cada romance o elemento do maravilhoso e do milagre, como se vê no romance da Justiça de Deos e do Conde Ninho. O Algarve deu as lendas religiosas dos primeiros seculos da monarchia, e as zambras mouriscas, similhantes á aventura do mouro Galvan. A provincia do Minho contribuiu com as lendas piedosas dos santos e da hospitalidade. Coimbra, a terra das serenadas e das cantigas, deu a mais vasta collecção da Sylva, verdadeiro colar de perolas, a que o povo prendeu a historia dos seus amores. Sobre tudo, a genuina poesia popular portugueza foi encontrada no estado da inteireza e rudeza primitiva, nas Ilhas dos Açores; ali a tradição está pura e simples, como nos fins de seculo XIV, quando começou a elaboração poetica do Romanceiro da Peninsula; a linguagem d'ella é esse portuguez archaico do tempo do Cancioneiro de Resende; conserva ainda a designação de aravias, que revela o segredo da sua origem mosarabica; n'ella se encontram allusões sem numero aos costumes juridicos das Cartas de Foral, por onde se determina a epoca da sua formação, por isso que nas ilhas dos Açores nunca existiram foraes com o caracter politico e revolucionario que tiveram no seculo XII e XIII. Todos estes diversos cantos epicos da tradição portugueza foram estudados e comparados com a totalidade dos cantos epicos dos romanceiros do Meio Dia da Europa, descobrindo-se ás vezes debaixo de forma novellesca os factos historicos que tem passado até hoje como desapercebidos; acham-se classificados com o maior rigor, adoptando como base os trabalhos de Jacob Grimm, Lafuente y Alcantara e Don Agustin Duran.
No ultimo volume recentemente publicado, a Floresta de Romances, se mostra como o romance rude do povo foi imitado pelos nossos quinhentistas e seiscentistas e como lhe imprimiram uma fórma culta e litteraria, substituindo aos grandes e profundos traços dramaticos a expressão subjectiva e um exagerado lyrismo. O quadro termina no principio do seculo XVIII, justamente quando o romance caiu outra vez em desuso, ficando privativamente das classes baixas. O Cancioneiro e Romanceiro geral portuguez é tão vasto, como a gigante collecção hespanhola, se attendermos a que n'este o numero dos romances anonymos, ou perfeitamente do povo, não se eleva a mais de cem, que outros tantos repete a tradição portugueza. Este trabalho lento, completado com mais de dez annos consecutivos de esforços, e com sacrificios pecuniarios, tem encontrado em Vienna, em Paris e em Madrid um acolhimento, que compensa o collector da indifferença que a imprensa e o publico portuguez, por malevolencia ou por incapacidade tem manifestado. No momento em que um povo se extingue ai ficam recolhidos os seus cantos; praza a Deos que o que se recolhe como um despojo da ruina, seja um incentivo de renovaçao.
A obra está á venda em todas as livrarias; avisam-se os senhores subscriptores, para virem receber o ultimo volume da collecção.
Preço da obra completa 2$500