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Reading edition
El Rey Don Sebastiano.—III
(ANONYMO)
Discurriendo en la batalla El Rey Sebastiano bravo, Bañado en sangre enemiga Toda la espada y el brazo, Herida su real persona, Pero no de herir cansado; Que en tal valeroso pecho No pudo caber cansacio, A todas partes acude, Do el peligro está mas claro, Poniendo en orden su gente Y temor en el contrario, Entre los alarbes fieros, Haciendo en ellos estrago Con la prisa y peso de armas Sale cansado el caballo. A remediar su peligro Venir vió un valiente hidalgo;{209} Las armas traia sangrientas, Por muchas partes pasado, En un caballo lijero Contra moros peleando, Y sacando de flaqueza La voz, dice suspirando: —D'este caballo te sirve, Inclito Rey Sebastiano Y salvarás en salvarte Lo que queda de tu campo: Mira el destrozo sangriento, De tu pueblo lusitano, Cuya lastimosa sangre Hace lastimoso lago; Sin orden tu infanteria, Rompidos los de a caballo, Senal de triste suceso Favorable en el contrario. Que te apartes d'esa furia Te suplican tus vasallos Llenos de sangre los pechos, Puestas las vidas al caso: Pon los ojos en tu fé, Y recibe mi caballo; Prefierase el bien comun A la vida de un hidalgo: No abaldones mi deseo, Huye las manos del daño.— De cuyos ruegos movido, Respondió el Rey acetando: «A tel estrecho he venido, Que tengo de ser forzado A receber con tu muerte La vida que yá desamo; Pero poca es la ventaja Que me llevaras, hidalgo,{210} Que aqui do quiere fortuna, No está mal morir temprano.» Decende, le dice el Rey; Pero no puede el vasallo, Que mil honrosas heridas Le traian en tal estado: Ayudale a decender El Rey con sus proprios brazos, Echandoselos al cuello, Y subiendo en el caballo. «Adiós, dice, caballero: Que a buscar venganza parto En los fieros enemigos Y a morir con mis vasallos.»
Romancero generale, fl. 73 v.
FIM{211}
ADDIÇÕES Á PAG. XXXII
Nos Livros de Linhagens, dos fins do seculo XIV, já lá se fala nas façanhas dos Doze Pares, do cyclo de Carlos Magno: «muitos rricos homeens que hiam pera lhes acorrerem disseram a el-rey dom Fernando que numca virom cavalleiros nem ouviram falar que tam sofredores fossem, e poseram-nos em par dos doze pares:» Mon. Hist. Scriptores. Vol. I, fasciculo III, p. 283.
Dos romances populares feitos á morte de Dona Inez de Castro, cantados pelo povo em Coimbra, fala o P.e Dom Marcos de Sam Lourenço, no manuscripto dos Lusiadas commentados, cujo autographo existe na Bibliotheca das Necessidades: «As filhas de Mondego, diz Camões que, longo tempo fizeram memoria d'esta morte de Dona Inez, o que se entende nas cantigas que logo saem e se compõem quando algum caso notavel acontece, como quando mataram D. Alvaro de Luna, em Castella. Estas cantigas e romances duraram mais na bocca das moças de cantaro e lavandeiras, principalmente onde a gente é alegre e prezenteira como a de Coimbra, onde esta historia aconteceu[78].» Este commento foi escripto depois de 1633, e é natural que andassem ainda na tradição os cantos que agora vão apparecendo em cadernos de uso popular.
Entre os peccados de bocca, el-rei Dom Duarte ennumera, no Leal Conselheiro (p. 357), o cantar «cantigas sagraes.» N'esta passagem refere-se aos romances da paixão que começaram no principio do seculo XV, os quaes foram prohibidos no tempo{212} da Reforma, e condemnados nos Index Expurgatorios de Portugal e Hespanha no seculo XVI.
Sá de Miranda na ecloga VIII, allude a um romance antigo:
o baboso da aldeia Que traz sempre a bocca cheia Das Filhas de Dom Beltrane.[79]
Gil Vicente tambem allude á morte de Roland, do cyclo de Carlos Magno:
É o precioso terçado Qoe foi no campo tomado Depois de morto Roldão.[80]
Seropita faz allusão ao romance dos Sete Infantes de Lara, quando fala dos namorados que aos domingos galanteiam do canto das travessas, «os quaes, pela maior parte, não sahem de obreiros de official que para este passo se almofaçam de maneira que vos pareceram uns Sete infantes de Lara.» (p. 109 das Poesias e Prosas ineditas).
No tempo de Dom Constantino de Bragança, vice rei da India, o povo, ao vel-o mandar construir uma Nau, vinha cantar-lhe injustamente debaixo da janella uma parodia do romance hespanhol:
Mira Nero de Tarpeia A Roma como ardia,
d'esta forma:
Mira Nero da janella La nave como se hacia.[81]
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