ALVARO DE BRITO
Reading edition
Trouas á morte do principe D. Affonso filho de D. João 2.º
Morto he o bem d'Espanha, nosso principe rreal, chora, chora Portugal, choremos perda tamanha! E carpindo lamentemos dous em huum triste responso, rrey & prinçepe choremos dom Affonso, dom Affonso! Ho que morte tam estranha, ho que nojo, ho que mal! chore, chore Portuguall, choremos perda tamanha!{2} Ho que queeda tam sanhosa pera chorar & carpir, ho que queeda tam danosa que nos fez todos cayr! Ho quanta nobre companha Sente tristeza mortall! chora, chora Portugall choremos perda tamanha! Choremos, que tal cayda por nossos grandes pecados nos leyxa desemparados, mata toda nossa vyda. Que pesar nos acompanha, que nunca foi visto tall; he perdido Portugual, choremos perda tamanha! Choremos huum jnoçente, huma santa creatura, que por nossa desventura morreo tam supitamente. Ho que mall, que nojo, sanha, que desemparo mortall nota todo Portugual, choremos perda tamanha! Morreo nossa defensam, & morreo nossa liança, morreo nossa esperança de nom vyr a ssogeyçam. Asy nos desacompanha nosso senhor natural; o senhor çelestrial o rreçeba em sa companha!
Cancioneiro Geral de 1516, t. I, p. 221. Edição de Stuttgart.{3}