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Floresta de varios romances

ANONYMO

Reading edition

Romances e cantigas da canonisação de Sam Francisco Xavier

Pérola muy bella Nos traz Oriente; Mais resplandecente Qu'hũa nova Estrella. Quanto tem valia Muito áquem lhe fica; Pérola tam rica No mar não se cria. Orvalho dos céos Gerou tal belleza, Contra a natureza Junt'os Pyreneos. Vêdes quam ditosas São nossas montanhas, Pois tem nas entranhas Pedras preciosas. Não sei se notaes Grandeza tão rara, Pedras de Navarra Vencem orientaes.

Outra cantiga, que fala com o Piloto da Nau, que é o Sancto

Piloto da Nau ligeira, Que corre por terra e mar! A maré é de rosas, O porto seguro, As velas mandae tomar. No meio do coração Vos darêmos gasalhado, Que por bem aventurado Se terá com tal patrão.{157} Tendes vara de codão Pera todos cativar. A maré é de rosas, O porto seguro, etc.

Enchestes o Oriente De luz e de piedade; Visitae esta cidade Qu'é senhora d'essa gente, E vereis quão diligente, Se mostr'em vos festejar. A maré é de rosas, O porto seguro, etc.

De drogas celestiaes Vindes muito carregado, Vede que sois obrigado Repartir c'os naturaes: Amor quero, e nada mais Por ser pedra de bazar. A maré é de rosas, O porto seguro As velas mandai tomar.

——

Oh Nau que pera a viagem, Marinheiros não temais, Pois tal Piloto levaes, Poderá com segurança Quem tal Piloto levar, Ou pollo mar com bonança Ou por terra navegar. Espertae a confiança Que dos céos vereis o caes, Pois tal Piloto levaes.{158} Desferi todas as velas, E botae de foz em fóra, Pera que possam enchel-as Ventos galernos emb'ora. Alegres todos a ellas, Tempestades não temaes, Pois tal Piloto levaes. Assás covarde será Quem receiar a viagem, Pois Xavier governará Que é Piloto de vantagem. Elle franquêa a passagem, Iça, iça, mais e mais, Pois tal Piloto levaes.

——

Xavier ao leme, Anjos a cantar, Larguemos a vela Pera navegar. É sabio o Patrão Que assi manda a via, Vêm ao Galeão Todos á porfia. Ledos e contentes Pera embarcar, E tudo está lestes Pera se navegar. Galeão fermoso E bem artelhado, Em tudo lustroso, Em partes dourado. Quem póde temer, Ou arreceiar?{159} Já se faz á vela Pera navegar. Pois não teme guerra Na terra ou no mar; Por mar e por terra Pode caminhar. Vae esta Nau bella Ao Céo demandar, Larga, larga a vela Pera bolinar. Dourado pharol, Dourada bandeira, Francisco é o sol, Norte de carreira. É Nau de alto bordo, Não póde remar, Tende logo acordo Pera velejar. Xavier ao leme Anjos a cantar, Larguemos a vela, Pera navegar.

Relaçam das Festas que a religiam da Companhia de Jesus fez em a Cidade de Lisboa, na beatificação do Beato S. Francisco Xavier, segundo Padroeiro da mesma Companhia, e Primeiro apostolo dos reinos de Japão, em Dezembro de 1620, recolhidas pelo Padre Diogo Marques Salgueiro, etc. Lisboa, por João Rodrigues, 1621.

Cantiga de Abel

Doloroso gado De tanto primor, Dôa-te o fado Do triste pastor.{160} Lembrae-vos, cordeiros, Da minha tristura, Ovelhas, carneiros Que pastaes verdura. Abel sem ventura De vós apartado, Meu gado amado, De mim com amor, Dôa-te o fado Do triste pastor. Doei-vos de quem De vós se doía; Lembrae-vos tambem Minha companhia, De quem ser sohia Sou outro tornado, Ficaes só deixado. Sem ter guardador Doei-vos do fado Do triste pastor.

Auto do Dia do juizo;—Folha volante de 1659.

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