A LOTERIA DE AMOR
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Tenha-se um saquinho no qual haja tantos bilhetes quantos forem os jogadores, uns brancos e outros que digam:—«Vale um favor; ou differentes favores. Vale uma confidencia ou tres varas de amor. Eu que subscrevo confesso dever uma canção; uma, duas ou mais prendas. Vale para porteiro, peregrino, mendigo, navegante. Vale um beijo em cada jogador, vale um sacrificio, vale um elogio, vale uma dadiva aos jogadores, vale um recitativo, vale aperto de mão, vale sete pinchos ao ar, vale um ditinho engraçado, vale uma declaração amorosa, vale uma conquista, etc.»
Uma pessoa de sociedade, administrando o jogo, toma o sacco em que estão os bilhetes enrolados, mexe-os e apresenta-os á pessoa que estiver á sua direita; esta mette a mão no saquinho, tira um bilhete, desenrola-o e declara em voz alta o que lhe indica o papel que tirou. O dono da administração faz gyrar o saquinho até ao ultimo jogador do circulo, e cada um é obrigado a fazer o que lhe ditar o bilhete que{38} tiver tirado, menos os que tiverem a sorte de tiral-o branco, os quaes não farão nada.
Quando a loteria de amor fôr dupla ou tripla, isto é, quando haja uma ou duas vezes, mais bilhetes que jogadores, tire-se uma ou duas vezes antes que se ponha em execução os sacrificios que cada qual tenha a fazer; pois acontece que, para muitas pessoas, a segunda extracção annulla a primeira. Com effeito, um bilhete em branco, tirado na segunda sorte, isenta o obedecer á primeira; e assim este ultimo modo de verificar o jogo, torna-o divertidissimo.