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Lyra da Mocidade

+OS CREPES DE CAMÕES+

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Portugal jáz por terra! Esta patria querida Dos fortes, dos heroes, dos rudes marinheiros, Esta nação valente, homerica, aguerrida Que soube rechaçar outr'ora os estrangeiros,

Jáz por terra abatida! A bandeira de gloria Que fulgurou ovante ao sol de cem combates E sempre ha-de brilhar, aqui, em toda a historia Que foi desde o Brazil ás regiões do Gates.

Hoje roja-se no pó! De tudo o que tivemos De brio, heroicidade, altivez e coragem Nada nos resta já! Parece que viemos Perdendo tudo, tudo, em funebre viagem!

A propria honra se foi! Um insulto cruel Fez agitar um dia o lodaçal enorme, Houve gritos de raiva, amarguras de fel Mas já tudo passou! E o povo dorme… dorme!

O derradeiro arranco! Ao pobre muribundo Não resta d'esperança um lampejo fugaz, Hoje existe sómente a mostrar-nos ao mundo Um sepulcro marmoreo, um funebre aqui jaz.

Synthetizou outr'ora um esperançoso ideal Em honra do cantor das nossas tradicções, Hoje existe de pé por sobre o tremedal Um symbolo de morte: O lucto de Camões!

Lisboa, 11-1-91

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