+A BORDO+
Reading edition
Vamos no alto mar, a noite lentamente Encobre pouco a pouco a abobada celeste; Ha pallidos clarões das bandas do occidente E sopra uma rajada aguda de Nordeste.
Corre a todo o vapor, com impeto potente O navio rasgando a superficie agreste Do gigantesco oceano. As ondas febrilmente Tem o tom verde-negro e triste do cypreste.
Só vemos ceo e mar, o horizonte enorme, Cercados pelo gigante immenso que não dorme No monotono circo é plena a solidão.
N'essa tremenda lucta o pensamento humano Mostra pujantemente, ao dominar o oceano, Um cerebro o que vale! o que é um coração!
A bordo do Funchal, 1891