+AS REVOLUÇÕES+
Reading edition
Excerpto
. . . . . . . . . . . . . . . Um de nós que cahir Das entranhas da terra ha-de fazer surgir Milhares de vingadores promptos a combater. Pela causa da patria a quem custa morrer? O sangue vae regar a arvore bemdita Da santa liberdade! O fogo que crepita Aldeias a queimar, cidades e castellos, A forca gemebunda, os gumes dos cutellos, As algemas de ferro, as fortes legiões, A chuva da metralha, a boca dos canhões, Sacrificios crueis, o jugo do tyranno, Esmagando o direito, o pensamento humano, Isso tudo o que vale! Conseguirá deter O carro do Progresso?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tu lembras-te de ver O mar quando revolto agita o dorso hiruto, N'um palpitar gigante, ameaçador e brusto O que faz ao navio, o mais forte que seja? Sabes a vaga enorme que elle altivo dardeja, Como destroe as naus mais ricas e possantes, As frotas que sepulta numerosas, gigantes, Como galga furioso anteparos muralhas. Elle joga os rochedos como se fossem palhas, E vae cavando sempre e sempre transformado A miseria, a ruina, o lodo sepultando? Detenham-no vão por-lhe um dique, uma corrente Para que não avance, obstaculo potente, Elle deve temer os fortes paredões. Galga tudo porém!. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Assim as revolucções Por sobre a sociedade avançam triumphaes Entre os hymnos de amor e furias de chacaes, Entre rios de sangue e tremedaes de lama Hasteando por fim libertadora flamma Os povos redimindo!. . . . . . . . . . . . . .
Guerrilheiro—Acto IV—Scena II