+O MAR+
Reading edition
Gigante irrequieto, immenso mar, Inspira-me tão funda nostalgia O teu sonoro e doce murmurar!
Quando ao sol posto a areia luzidia Tu vens traquillamente rebeijar N'alma despertas maga poesia.
O teu esverdeado transparente Fala-nos meigamente d'esperança A ondular poetico, dolente,
Beijado pelas auras da bonança; Parece-me o brincar puro, innocente, Inofensivo e meigo da creança!
* * * * *
Mas quando agitas o teu seio immenso No voltear das vagas alterosas Rugindo com fragor enorme, intenso,
Já não tem expressões harmoniosas Teu palpitar e n'essa hora eu penso Em coisas bem sinistras, pavorosas.
Ó monstro, no teu seio tens sumido Victimas aos milhões, causas terror, Tens navios, cidades engulido.
Será um côro de vingança e dôr Das victimas, ó mar, o teu rugido, Ou do remorso o pávido clamor?
Angra do Heroismo 1890