+EM VIAGEM+
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Noite de lua cheia, pura brisa Agita caprichosamente o mar Onde o navio rapido desliza,
Dentro da superficie circular Formada pelas aguas buliçosas Que a abobada celeste vem ta upar.
As nuvens, em manadas caprichosas, O vapor desafiam na carreira, Passando em turbilhões vertiginosas.
Deffendendo o navio, precavida, As aguas vae tingir de rubra côr, A lanterna vermelha, suspendida,
E faz correr do flanco do vapor Um jacto côr de sangue, qual baleia, Ferida pela mão do trancador.
A proa corta a vaga que volteia. Ha um arfar giganteo, convulsivo, D'um immenso coração que bate e anceia.
E d'aquelle organismo, forte, vivo, Saem soluços de estridor medonho, Saem rugidos d'um toar altivo.
Esse gigante que se ri do oceano É creação, quasi milagre, sonho, D'outro gigante, o pensamento humano!
A bordo do Funchal, 1891