*SONETO.*
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*SONETO.*
Meu ser evaporei na lida insana Do tropel de paixões, que me arrastava, Ah! cégo eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim, quasi immortal, a essencia humana:
De que innumeros sóes a mente ufana Existencia fallaz me não doirava! Mas eis succumbe a Natureza escrava, Ao mal, que a vida em sua origem damna.
Prazeres, socios meus, e meus tyrannos, Esta alma, que sedenta em si não coube, No abysmo vos sumio dos Desenganos.
Deos… oh Deos! quando a morte a luz me roube, Ganhe hum momento o que perdêrão annos, Saiba morrer o que viver não souve.
Bocage.
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*SONETO.*
De peito impenetravel sempre ao susto, Lédo entre as armas, a folfar no p'rigo, Ó França, teu magnanimo inimigo, Por timbre teu não triunfou sem custo.
Ardendo em gloria o coração robusto, Onde teve o troféo, teve o jazigo: Nelson venceo, venceo por uso antigo; Mas da victoria foi desconto injusto.
Bem que nadante a Gallia em rubro lago, (Domando a morte quem seus brios doma) Crê reparar com isto immenso estrago!
Ah! donde um Nelson cahe, logo outro assoma, Assim,de Heróes privando-te Carthago, Heróes fervião no teu seio, ó Roma.
Bocage.
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*SONETO.*
Mãi de Chefes Heróes, de Heróes soldados A Gallia herdou de Roma o genio, a sorte; Seus filhos no igneo jogo da Mavorte Virão Marcios Leões tremer curvados.
Mas alta Lei dos Penetraes Sagrados Baixou, que o fatal impeto reporte: Fervendo em raios no Oceano a morte, Te obedece, ó Britania, ao mando, aos Fados.
No Continente o Gallo he Deus da guerra; O Anglo audaz sobre o pelago iracundo Da victoria os pendões, troando, afferra…
Ah! nutrão sempre assim rancor profundo. Hum triunfa no mar, outro na terra: Se as mãos se derem, que será do Mundo!
Bocage.
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*SONETO.*
C'hum Diadema de luz no Elysio entrava Envolto Nelson em sanguineo manto! Lavrou nos Manes desusado espanto, E a turba dos Heróes o rodeava.
Grita Alexandre (e nelle os olhos crava) Quem hes, que entre immortaes fulguras tanto? Sou (lhes diz) quem remio de vil quebranto Europa curva, oppressa, e quasi escrava.
Deixei de sangue o pégo rubicundo; Troféos em meu sepulcro a Patria arvora; Raio ardi sobre o Gallo furibundo…
Nisto de novo o Macedonio chora: O que immensa extensão venceo do Mundo, Quem vencêra hum só povo inveja agora.
Bocage.
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Á Memoria de Ulmia.