*SONETO.*
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*SONETO.*
Nesta horrivel morada da saudade, Onde chóro, e lamento o teu Destino, Dirijo preces mil ao Ser Divino, Que dicta o coração, dicta a amizade.
Fiel inclinação, pura verdade Repete ardentes votos de contino: Tranquillo supportára o mal ferino, Se podésse escusar-te a Enfermidade.
Quanto fôra feliz, meu caro Elmano, Se a vida, que te offerto, vida escura, En teu lugar soffrêra o cruel dano;
Então com gosto olhára a sepultura; E resgatando o Heróe, alegre, e ufano, Meus dias entregára á Morte dura.[1]
Por Felisberto Ignacio Januario Cordeiro.
[1] Se os versos dos dous tercetos parecerem affectados, e excessivos; para se pensar de modo contrario, baste a lembrança, de que o homem verdadeiramente Filosofo, que tem huma existencia triste, e pouco interessante, não terá nunca dúvida (sendo possivel) em sacrificar a sua vida á duração da dos homens sabios, uteis, e necessarios á Republica das Letras, e á Sociedade Civil.