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A virtude laureada

*EPISTOLA.*

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*EPISTOLA.*

Ruindo lá do Bárathro medonho Lúgubre som, motivador do pranto, Que as faces mólha de enlutada Lysia, De ti, ó Vate, reclamava o feudo; Já lá do Abismo horrendo as furias torpes, Por ordem de Plutão na terra surgem; Da vil materia, do que he pó, que he nada, Opaco manto de endeosados genios, Rabidas rompem o ordenado todo. "Murchas esp'ranças mais a mais fraquejem, Sentimento mortal, tristeza baça Nos Lusos corações a dor espalhe; Apenas cinza, o que já foi Elmano." Esta do Averno a voz, a lei da Morte, Que ás funeraes Irmans o Monstro intima! Do Sena pelas margens saborosas, Pelas praias do Ganges, do Aureo Téjo, Assustadas de horror as Ninfas clamão; A lei maldizem, que lhes rouba a gloria, Carpindo o mimo, que as honrava tanto. Os alumnos de Apollo ao nume envião Entre cortados ais, sentidas vozes, Votos provindos do profundo d'alma, Quaes os da Gratidão, e os da Verdade: Co'as mentes cheias de saudade infinda, Teu nome, ó caro Elmano, a Jove lembrão; No fogo ardente de sonóros Hymnos, Escudados da candida amizade, Da justiça, é dever, da gloria Tua, Hum Nume Creador, que uniu os Entes, Hum Deos, hum justo Deos piedoso dobrão. Eis de repente na brilhante Esfera Risonho assoma o dia, a noite fóge; Raia alegre o prazer, somem-se as trévas; Abrem-se as portas do sulfureo Averno, E á feia escuridão as Furias tornão. Esforça-se a razão, estudo, e arte Das garras a salvar a prêza excelsa: Angelico tropel ao leito adeja; Da Sacra Região baixando os vôos Do Vate aos lares, a melhora guia. No Olympo os Numes a harmonia prézão, Affeitos a escutar da terra os Vates. Oh como de prazer exulta o peito! E mano, Elmano vive, oh Ceos, oh dita! Por elle a gloria, e honra em Lysia abundão; Cisne do Téjo, que trespassa a méta, Licita a raros de adejar cançados. Fadem teus dias fortunosos lances. Praza aos Ceos compassivos, que inda eu possa Ver-te immune ao mal, que te consterna; Porque possas tambem dar vida á Fama De deslizado Heróe, que a cobardia Pendura nos portaes do Esquecimento; E as azas desprender em canto altivo, (Dos Voltaires, Camões, dos Tassos digno) Em lustres de Varão, que immortalizes. Virente louro não me cinge a frente; Tolhem meus gressos as varedas ínvias Ao bipartido Cume, ao sacro asilo Dos almos Genios, onde entrar não posso: A ser-me dado, intrepido verias Em duravel engaste, em Padrão d'oiro Ir assomar teu nome além dos Evos; A ardentes Vates, que o Porvir esconde, Engenhos como Tu, mover-lhes pasmo; Mostrar-te como exemplo ás Plagas Lusas, Disparando o trovão, vibrando os raios, Imagens vivas, que dão alma ás pedras; Em quanto as graças em Gertruria bella Co'os doces folgazões amores brincão; Quando surge da Estancia a torva invéja, Ou trilhas sem desdouro o Lacio augusto: Do filho de Sulmona unindo a cinza, Fazendo-o reviver com pompa egregia Em veste alheia; mas tão nobre, e rica, Que equivale ao valor dos proprios trajes. Quizera agora ter o dom de Elpino, Invadir com teu nome a Eternidade…… Mas ah que delirei: oh mente louca! Não precisas de quem de ti precisa: Rite, rite de mim, ó grande Elmano Mas dos desejos não, dos sãos desejos.

De João Galvão Mexia de Sousa Mascarenhas.

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Ao Senhor Manoel Maria de Barbosa du Bocage.

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