*SCENA ULTIMA.*
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*SCENA ULTIMA.*
Os ditos, e a Policia, que, ouvindo as ultimas palavras, sahe de repente.
Policia.
Foi sempre este lugar franco á Virtude, Entrai. [1]
[1] Entrão as duas.
Hospitalidade.
Longe de vós hum vão receio.
Policia.
Cumpri vosso dever, tecei contentes De Luceno o louvor. Materia summa As Virtudes vos dão, que resplandecem Em brilhantes Estatuas magestosas Neste brilhante, Magestoso Alcaçar. Aquella, que risonha os olhos firma, Como que rosto súpplice attentando, He a Benevolencia, e diz no affago, Que alguns, havendo a honra em mais que os lucros, Ante duro Ministro enfrêão preces, E só do Compassivo, e só do Affavel A presença demandão, que os conforte, Que ao rogo n'hum sorriso o effeito augure, E não de altiva injúria avilte o rogo. Esta he Exemplo, est'outra he a Inteireza; Alli Fidelidade o jaspe anima; Desinteresse além reluz, e avulta; Mais perto voluntaria Obediencia Curva o docil joelho: eis as Virtudes, Que fórmão, bom Luceno, o teu caracter, Todas egregias, necessarias todas.
Sciencia.
Verdade, e Gratidão nos lábios nossos, Approvão quanto sôa em honra delle.
Indigencia.
Oh Reinante feliz com taes Vassallos!
Policia.
Folga, Sciencia, e tu, Penuria, folga: Dado me he recrear-vos, ser-vos guia Ao Principe immortal, de quem reflectem Raios de luz para o Ministro excelso, Que o seu mór premio tem na Regia Gloria. Curvai-vos, e admirai o Heróe sublime, Que Lysia adora, e que adorára o Mundo, Se o Mundo todo merecesse olhallo.[1] Vêde a seus pés o Magistrado insigne, Que nelle se revê, que a bem da Patria A Grandeza Real submisso implora.
[1] Abre-se o fundo do Theatro, apparece o Retratro do Principe R. com o Magistrado a seus pés, offerecendo-lhe os Votos mais puros da Nação.
Hospitalidade.
Quanto a Virtude altêa a Dignidade.
Sciencia.
Oh Júbilo: Oh Ventura!
Indigencia.
Eu pasmo, eu tremo.
Genio. (Dirigindo-se para o retrato do Principe R.)
Heróe, sacro aos Mortaes, acceito aos Numes, Olympico Fulgor compõe teus dias; Os Ceos na minha voz mil dons te abonão, Com meus olhos teu Povo os Ceos vigião, O Commercio por ti de fé se nutre; As Artes, a Virtude, as Leis triunfão; No Solio, no Poder tens base eterna; Tua alma sobresahe aos teus Destinos; E de teu puro arbitrio esse orgão puro, He digna escolha tua, aos Astros vea No rasto de oiro, com que o Pólo esmaltas. Subditos de JOÃO, rendei mil cultos Ao grão Regente, ao inclyto Carácter, Que nelle diviniza a especie humana: A voz da Gratidão se alongue em Vivas, E cordeal ternura os labios honre.
(CORO.)
Oh Luso Heróe! Baixaste Da Estancia divinal! Tu és hum Deos visivel, Oh Principe immortal!
FIM.
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