*EPISTOLA.*
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*EPISTOLA.*
Vate, que adoro, portentoso Elmano, Imagem do Saber, do Pindo gloria, Apollineo Cantor, Cantor divino Dos Jardins, onde impéra a Natureza; Escuta os versos meus, escuta os versos, Que dicta o coração, dicta a amizade. Depois, com que pezar o pronuncio! Que entrei na estancia triste, onde succumbe, Aos impulsos da Dor, Razão, Constancia,[1] Diluvio amargo de saudoso pranto, Me innunda as faces, me consterna o rosto. Já mais hum só instante, ó caro Elmano, Se minóra a tristeza, que me opprime; Meu activo pezar, minha amargura, Bem não podem narrar toscas palavras: Excede a dor humano soffrimento! Saudades que a minha alma afflicta sente, Podem-se imaginar; mas não dizer-se. Ah quando penso em ti, eu me arrebato: Futuras producções imaginando, Não césso de chorar a falta, a perda, Que as Bellas Letras, Seculos vindouros Chorarão, como eu, se a morte horrivel Inda em flor decepar teus caros dias. Deste asilo da lúgubre Tristeza, Onde os dias, ás noites semelhantes, Eu passo envolto em luto, envolto em pranto,[2] Te envio tristes ais, ternas lembranças, Que meu peito fiel a ti consagra; Escuta-as, se he possivel, (pois o triste, Com as queixas do triste se consola,) No meigo coração grato as acolhe; E conhecendo a dor, que assim me fere, Pondéra as mágoas, que supporta, e sente Falmeno, que sem ti vive morrendo. Sugeito ao mando teu por lei, por gosto, Te envio (como amargo talvez util) O Folheto de meus insulsos versos: Quem quer escravo ser de teus preceitos, Sem já mais hesitar, deve cumprillos Embora o Zoilo vil louco me chame, E pura sugeição julgue vaidade.[3] Adeos, meu caro Elmano, adeos amigo, Os teus ais, aos meus ais unidos sejão; Unidos vão soar na azul esfera, Augurando amizade além da morte.
[1] Alludindo á exasperação em que o vi lutando, na occasião em que excessivas dores muito o atenuavão. [2] A grave molestia do Amigo, e o proximo falecimento da minha Mãi, me inspirou os tres versos acima, em tudo conformes aos meus sentimentos.
[3] Já mais me atrevera a enviar o Folheto dos meus insipidos versos a tão abalizado Mestre, se a sua determinação me não obrigasse a tanto: as desculpas que exijo, e as causas que allego no Prologo do dito Folheto, não bastão a evitar a critica, que na verdade merece a publicidade de semelhantes Poesias, ás quaes ao presente não dou valor algum.
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