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A virtude laureada

*SCENA V.*

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*SCENA V.*

Carcere subterraneo, onde estarão os Vicios, e os Crimes agrilhoados, exprimindo variamente nos géstos a sua desesperação.

A Policia com Guardas.

Contra os Vicios communs, que pouco empecem, Exercer correcções não só me he dado. Velai, Guardas fieis, sobre os Perversos, Que a Policia commette ao zello vosso, Até que o raio Némesis dispare Co'a férrea voz de Tribunal supremo. Eu dos crimes terror, dos crimes freio, A supplicio exemplar, que sare a Patria D'impia contagião, reservo aquelle De todos o mais duro, o mais funesto, Que, instrumento servil de atroz vingança, Tingio vendida mão no sangue alheio. Ao cutélo de Astréa em vão furtaste Colo rebelde ás Leis, ó tu, cruento, Lobo nocturno, que, vibrando as garras, A mansos Cidadãos oiro, existencia De mistura usurpavas, sem que ao menos Tremesse o coração, e as mãos tremessem. Estes, mais que nenhuns, velar se devem, Estes nas feias, subterraneas sombras Para o pavor da Morte a mente ensaiem. Eu, Luz do bom Luceno, eu Alma, eu Tudo, Corro, entre-tanto, a suggerir-lhe idéas, Com que os públicos Bens floreção, medrem. A Sciencia, e Penuria, antigas Socias, Em seus Lares por elle ha pouco ouvidas, O fertil patrocinio lhe implorárão. Em lagrimas lhes deo penhor singelo De firme protecção: vós, Indigentes, Seus effeitos vereis, vereis, ó Sabios, Que a Mente, e o Coração por vós divido.[1]

[1] Vai-se.

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