DELIRIO
Reading edition
Não posso crêr na morte do Menino! E julgo ouvi-lo e vê-lo, a cada passo… É ele? Não. Sou eu que desatino; É a minha dôr soffrida, o meu cansaço.
Delirio que me prendes num abraço, Emendarás a obra do Destino? Vê-lo-ei sorrir, de novo, no regaço Da mãe? Verei seu rosto pequenino?
Misterio! Sombra imensa! Alto segredo! Jamais! jamais! Quem sabe? Tenho mêdo! Que vejo em mim? A treva? a luz futura?
Ah, que a dôr infinita de o perder Seja a alegria de o tornar a ver, Meu Deus, embora noutra creatura!