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Tratado das Cores

NOTA XIIII. §. 27.

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NOTA XIIII. §. 27.

Quanto mais obliquamente cahem os rayos da luz sobre a superficie de algum meyo, tanto mais forte, e mayor he a sua refracçaõ. Daqui vem que a Luz de Sol entrando obliquamente na atmosphera da terra, quando aquelle luminar coincide com o horizonte, padece huma refracçaõ mais sensivel, que faz ver huma Cor, em que domina o Vermelho, a qual se desvanece à proporção, que o Sol se eleva sobre o horizonte, e se deminue a obliquidade da luz. Por hum similhante mechanismo se formaõ todas as mais Cores. A Azul de que se trata neste §., bem se vè, que he produsida da mera refracçaõ da Cor da Aurora.

Homero caracterisa admiravelmente esta decantada Cor nos seguintes versos.

Ηυς μεν κροκοπεπλος απ᾽ Ωκεανοιο ροαων Ωρνυθ᾽, ιν αθανατοισι φοως φεροι ηδε βροτοισιν. Iliad. liv. XIX. v. I.

O Licor alkalino phlogisticado, de que se compoem o Azul de Prussia, se prepara com o sangue dos animaes; e unindo-se ou mixturando-se com vetriolo de Marte, produz a Cor azul. Naõ he só no reyno animal, que o ferro produz este effeito. O páo do Brasil, que em agoa natural, larga huma Cor vermelha, metendo-o de infusaõ em agoa ferrea, dá huma Cor azul, como a de Anil. O Dr. Sehort falla munto desta experiencia; e eu a fiz algumas vezes analysando agoas mineraes. A affinidade destas duas Cores, Vermelho, e Azul, se prova ainda, em rasaõ inversa, do constante facto, que o Azul dos vegetaes se muda em Vermelho, por meyo dos ácidos mineraes, e vegetaes.

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