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Educação nova

Pedologia Somática (continued 2)

Reading edition

(

fig. n.º 22

) regista, como pertencendo ao

período êmbrio-fetal

da

evolução humana

, sem dúvida que não representa qualquer

estado psíquico

que possa diferenciar-se da pura

cenestesia

. O

feto

, conquanto, em verdade, constitua

um reactivo mais enérgico até, do que a própria mãe

[189]

, contudo, carece de

vida consciente

, porque, com um

cérebro ainda incipiente

e

sentidos apenas esboçados

, não é susceptível das

operações orgânicas

, que condicionam aquela

vida

.

A expressão—

psicologia embriológica

—(de que, por vezes, usam os autores) nada mais pode significar, do que a

espécie de semi-consciência

, que se atribue ao

nascituro

, essa

consciência onírica, sui generis

, que se manifesta por um «

sôno, sem sonhos

», e à qual nós chamamos

consciência crepuscular

[190]

.

Para que haja

verdadeira consciência

(embora ainda

embrionária

ou

rudimentar

) é necessário que o

indivíduo humano

deixe a

vida parasitária

, em que persistiu, durante a

gestação

; e, pelo

nascimento

, adquira a

vida independente

, que usufruirá, até à morte.

Illustration from Educação nova: As bases

Passiva

, chamamos nós à

consciência do recém-nascido

, para significar que ela se reduz às

sensações, que as impressões sensoriais determinam no seu cérebro ainda virgem; e aos instintos que deve à hereditariedade

.

E será esta, depois do

período êmbrio-fetal

, a

primeira

fase

da

vida psíquica da criança

, na sua

evolução

para a

idade adulta

.

Durante êste primeiro mês, o

recêm-nascido

sofrerá a

crise grave

, que deriva da

mudança de meio

, a que foi coagido, pelas

energias do crescimento

, e ensaiará as primeiras

adaptações às novas condições de vida

[191]

.

Os

progressos

, todavia, serão rápidos. Desde o fim do primeiro mês, até aos cinco anos (

infância

e primeira fase da

puerícia

), a actividade da

consciência

não cessará de intensificar-se, adquirindo a criança

faculdades

e

aptidões

, que lhe assegurarão (cada vez, com maior persistência e eficácia) o

equilíbrio

, de que carece, com o

novo meio

, em que tem de viver.

Por isso, atribuímos

consciência activa

ao

organismo

, que se encontra neste estádio da

evolução psíquica

; isto é,

qualidades

,

energias

e

possibilidades

, que se traduzem por

actos neuro-psíquicos

, de complexidade crescente, à medida que decorre a

infância

, e se entra na

puerícia

, a época inicial da

auto-consciência

, ou seja das

operações superiores da vida mental

.

Assim, com a

puerícia

(época do

pensamento espontâneo

, ou

idade preguntadora

, de Sully), alêm do

desenvolvimento da linguagem

(substituição gradual da

palavra concreta

, pelo

conceito geral ou abstracto

)

[192]

, aparece o

espírito de curiosidade

(tam peculiar às crianças desta idade); radica-se a

atenção espontânea

, e esboça-se a

atenção voluntária

; imperam as

tendências

que se inspiram nos

interêsses perceptivos e glóssicos

; surgem os

primeiros ensaios da personalidade

; e afirmam-se já, embora com carácter rudimentar, as

leis bio-psiquicas

da

vontade consciente

.

Depois, com a

adolescência

, e com a

puberdade

, a

curva da dinâmica mental

subirá sempre e, cada vez, com maior celeridade, para nunca mais se deter, senão na

idade madura

, em que, havendo atingido o

máximo de intensidade

, aí perdurará, até à

decadência

[193]

.

O

quadro

(

n.º 6

) que, a seguir, publicamos, resume as

características das idades de evolução

, distribuindo-as, pela

ordem cronológica do seu aparecimento

, e mantendo a

subordinação

em que se encontram, umas em relação às outras.

QUADRO N.º 6

Idades de Evolução Caracteristicas essenciais

Recêm-nascença (Durante o 1.º mês) Vida vegetativa, e puro automatismo (a princípio) nas relações do indivíduo com o meio. Reacções mecânicas a excitações exteriores. Necessidade máxima: nutrição. Primeiras adaptações.

Infância (Desde o segundo mês até aos três anos) 1) Até aos doze meses Vida afectiva simples: prazer e dôr física. Adaptações sensorio-motoras. Linguagem balbuciada. Interesses perceptivos.

2) Dos doze meses até aos très anos Vida afectiva complexa: acção emocional. Aquisição de hábitos. Espontaneidade mental. Imitação passiva. Linguagem rudimentar.

Puerícia (Desde os très aos sete anos) 1) Dos très aos cinco anos Atenção voluntária. Imaginação incipiente. Desenvolvimento da memória orgânica. Curiosidade. Interesses glóssicos. Puerícia. Sugestibilidade. Imitação activa. Linguagem racional.

2) Dos cinco aos sete anos Organização da vida mental. Poder de análise. Memória psíquica. Diferenciação das funções psíquicas. Interesses gerais. Linguagem integral. Actividade lúdica intensa.

Adolescência (Desde os oito aos doze anos) 1) Sexo masculino Fixação e expansão da personalidade. Egocentrismo. Sociabilidade. Desenvolvimento da vontade. Dinamogenia dos sentimentos. Interesses morais e estéticos.

2) Sexo feminino Período sentimental. Plasticidade orgânica e psíquica. Exuberância de movimentos. Espírito de iniciativa, e de emulação. Pudor.

Puberdade (Dos doze aos dezasseis anos) 1) Sexo masculino Instinto sexual. Instabilidade psíquica. Impulsões do temperamento. Formação definitiva do carácter. Concentração mental; e diferenciação de tòdas as faculdades. Interesses éticos e sociais.

2) Sexo feminino Exaltação do sentimento. Imaginação viva. Diferenciação sexual. Aquisição dos hábitos característicos da mulher. Perfeita adaptação ao seu fim fisiológico. Coquetismo. Interesses éticos e sociais.

4.—O

estudo sintético

, que temos feito da

evolução mental

, revela, nessa evolução, do mesmo modo que no

«crescimento» físico

, a existência, tanto de

leis gerais

(relativas à

dinâmica psíquica

, considerada

in totum

), como de

leis especiais

(privativas de cada

função

).

Entre aquelas, ocupam primacial lugar as duas seguintes:

1) O

processo bio-psíquico da evolução mental

depende, em grande parte, do

crescimento físico

, e acompanha sempre o

desenvolvimento do sistema nervoso

[194]

;

2) O

conteúdo da consciência

(quantidade de

conhecimentos

, e valorização de

funções

) está na razão directa da

complexidade das relações da criança com o meio

.

Quanto às

leis especiais

, indicaremos estas, apenas:

1) a

atenção

é a condição primária da

consciência

;

2) a

memória

depende da

plasticidade do cérebro

;

3) entre o

pensamento

e a

vida das imagens cerebrais

a relação é a mesma que existe entre a

conclusão

e as

premissas

dum

raciocínio

;

4) as

formas de expressão

derivam de

actos reflexos

, e passam dos

gestos

às

palavras

, e destas aos

sinais

, que as exprimem.

5.—Para conclusão dêste capítulo, resta enumerar ainda os

factores bio-psíquicos do «crescimento»

; isto é, tôdas aquelas

energias

, e todos aqueles

meios de acção

, que podem influir no

processo da evolução

(tanto

somática

, como

psíquica

). Êsses

factores

, condensá-los hemos, no seguinte

esquêma

:

ancestrais (hereditariedade).

Factores da evolução orgânica naturais actividade lúdica (jogos).

pessoais passiva.

imitação

exercícios físicos. activa.

artificiais

gimnástica.

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