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Educação nova

A CRIANÇA PORTUGUESA

Reading edition

Relator: Dr. Alves dos Santos, professor de Filosofia e director do Laboratório de Psicologia Experimental, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; professor de Psicologia Infantil, na Escola Normal Superior; e director da Biblioteca da mesma Universidade; sócio efectivo da Academia das Sciências de Portugal.

INTRODUÇÃO

1) A Criança; sua concepção bio-psíquica e social.

2) Sciências da Criança: Pedologia; Psico-pedagogia; Pedagogia experimental.

3) A vida da Criança; fases que atravessa, durante o «Crescimento», ou idades de evolução do sólido humano: infância, puerícia, adolescência, puberdade, nubilidade.

4) Características de cada uma destas idades, sua importância e influência na marcha do «Crescimento».

5) Divisão dêste estudo em três partes, versando a primeira sobre o Corpo da Criança; a segunda, sobre a Mentalidade da Criança; e a terceira, sobre a Personalidade da Criança.

6) Elementos e subsídios, de que podemos dispor para a constituição de uma Pedologia nacional: observações, mensurações, e experiências realizadas em estabelecimentos de ensino, e noutros meios infantis, assim como no Laboratório de psicologia experimental, de Coimbra. Resumo das aquisições de factos, em primeira mão, que permitem, a nosso ver, desde já, algumas generalizações sobre o modo de crescimento da criança portuguesa.

PRIMEIRA PARTE O corpo da criança

CAPÍTULO I

Noção do «Crescimento». Fenómenos que o constituem. Causas que o determinam. Leis que o regem. Influências que o modificam.

CAPÍTULO II

Método

a empregar no estudo dos fenómenos do «Crescimento».

CAPÍTULO III

Manifestações do «Crescimento» em altura, largura, espessura, grossura e densidade; ou projecções verticais, diâmetros, circunferências, cubagens, e pêso do sólido humano.

CAPÍTULO IV

«Crescimento» absoluto ou global, e «Crescimento» relativo ou segmentar.

Ritmo

do «Crescimento» absoluto da Criança portuguesa. Fundamentos da Curva que exprime êsse ritmo.

CAPÍTULO V

Insuficiência das medidas sintéticas (estatura, perímetro torácico, e pêso) para a avaliação rigorosa dos fenómenos do «Crescimento».

CAPÍTULO VI

«Crescimento» relativo, ou proporções métricas do corpo da Criança, desde o nascimento até à idade adulta.

NOTA:

O relator apresentará ao Congresso as fórmulas do «Crescimento» ou os cânones antropométricos das idades de evolução da criança portuguesa; e exporá os fundamentos dessas fórmulas.

SEGUNDA PARTE A mentalidade da criança

CAPÍTULO I

Origem e evolução da mentalidade infantil. Leis que a regulam; influências que a modificam. Curva desta evolução. Relações do desenvolvimento somático com o desenvolvimento psíquico.

CAPÍTULO II

Os sentidos e a inteligência. Estudo experimental da inteligência. A atenção; a memória, e a imaginação das crianças.

CAPÍTULO III

Comparação do psiquismo animal com a psicologia das primeiras idades da evolução.

NOTA:

O relator apresentará ao Congresso as conclusões dos seus estudos sôbre a medida do trabalho mental, pelo método de Kraeplin, assim como sôbre a análise quantitativa e qualitativa da Memória; e sôbre a psicometria da atenção.

TERCEIRA PARTE A personalidade da criança

CAPÍTULO I

Noção da «personalidade». O carácter; seus elementos constitutivos e manifestações. Noção bio-psíquica e moral do carácter. Formação do carácter, princípios em que deve assentar.

CAPÍTULO II

Estados mórbidos da personalidade: a mentira; a preguiça; a timidez; a cólera; as fobias das crianças. Patologia da vontade.

CAPÍTULO III

Os vícios da educação tradicional; necessidade de uma reforma na processologia da educação. Resumo e conclusões.

NOTA:

O relator apresentará ao Congresso os resultados dos seus trabalhos experimentais, realizados no Laboratório de psicologia, sôbre a sugestibilidade das crianças; e o valor do testemunho infantil.

CONCLUSÕES GERAIS

I

Crescimento físico

1) Existem em Portugal, em relação ao sexo masculino, elementos mais do que suficientes para a organização de uma tabela de médias, baseada nas observações e mensurações, que exprimem o «Crescimento» absoluto da Criança portuguesa, isto é, nas medidas sintéticas da altura, do perímetro torácico, e do pêso.

2) Mas o simples conhecimento do ritmo do «Crescimento» é insuficiente para a perfeita inteligência da natureza física da Criança, e das leis do seu desenvolvimento integral.

3) Donde resulta a necessidade de prosseguir activamente, em nossos meios didascálicos e infantis, pela aplicação do método auxanológico, na colheita de elementos (mensurações segmentares do sólido humano), que permitam generalizações seguras sobre as proporções métricas do corpo das crianças, nas idades de evolução.

4) Emquanto, porêm, não existir, entre nós, um número suficiente de observações e mensurações daquela natureza, que justifiquem a adopção definitiva das fórmulas antropométricas do «Crescimento» da Criança Portuguesa, podemos e devemos adoptar provisóriamente cânones antropométricos, cujos fundamentos se encontram, em parte, nas medidas que são comuns ao «Crescimento» absoluto; e, em parte, nas percentagens que resultam das médias de mensurações obtidas em crianças de países estrangeiros, que reúnem maior número de afinidades com as nossas crianças.

II

Desenvolvimento mental

1) Não há diferença de natureza entre o psiquismo dos animais superiores e a mentalidade infantil das primeiras idades.

2) A curva do desenvolvimento mental coincide, em quási tôda a sua extensão, com a curva do «Crescimento» físico; e, em todo o caso, acompanha sempre a trajectória da evolução do cérebro.

III

Formação do carácter

1) Os factores da educação moral devem ser os mesmos da educação física, porque a disciplina em que se baseiam ambas estas educações tem as mesmas origens orgânicas, e produz análogos efeitos psíquicos.

2) Os estados mórbidos da Personalidade são mais eficazmente combatidos pela higiene, do que pela autoridade.

III Programas de Pedologia e de higiene escolar; prescrições de higiene dentária; e instruções sôbre Pedometria, destinadas às novas escolas normais primárias. (Regulamento e programas para execução da lei n. 233, publicados no «Diário do Govêrno» n.º 24, de 10 de fevereiro de 1916.)

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