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Paginas Archeologicas III - Situação conjectural de Talabriga

VI

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Os castros ou montes habitados encontram-se precisamente no seguimento da via romana; os oppidos referidos pelos AA. antigos, as brigae, e as cidades romanizadas não são mais que uma evolução d'aquellas estancias, consoante as denominações que lhes applicaram[16]; era por essa corda alem, que o terreno baixo e plano da zona maritima começava de elevar-se. A estrada romana desenrolava-se por entre esses centros da habitação, abandonando ao lado um país chato, pouco firme e talvez quasi invio.

Do sul para o norte Anadia está situada nas abas de um monte de Crasto (Pinho Leal e M. Gomes).

Agueda está tambem perto de um Crasto (Pinho Leal).{17}

Nas margens do Vouga, naquelle logar onde subsiste ainda a ponte medieval (Pinho Leal), encontra-se na aldeia de Vouga um morro que foi castro (Brito e P.e Carvalho, II, 161); explica Francisco do Nascimento Silveira (Mappa breve da Lusitania, p. 239) que Vacca existia em sitio forte por natureza, entre as pontes de Vouga e Marnel, porque alli se vêem vestigios de muros antigos e sinaes de uma majestosa grandeza; existem ainda tijolos, cantarias, muralhas em Lamas de Vouga (Arch. Port., V, 50 e VII, 191)[17], e havia ahi a civitas Marnele (Port. Mon. Hist., «Diplom. de Chart.», n.º 819)[18], cuja origem deve ter sido outro castro.{18}

Na carta geodesica vê-se, junto ao rio, um Castello (111). Isto é ainda do concelho de Agueda[19].

Na freguesia de Serem, tambem concelho de Agueda, outra civitas (Viterbo, s. v. Cidade); ha lá sitios elevados a norte e a sul (Cfr. M. Gomes).

Na freguesia da Branca ha um logar de Cristellos (M. Gomes e Arch. Port., II, 313).

Na serra de S. Julião, mesma freguesia, onde passa a estrada real, diz o Sr. M. Gomes que ha ruinas de muralhas e fossos: acreditava-se (Arch. Port., loc. cit.) que ahi era a antiga Langobria (sic). Não sei se é precisamente o mesmo local a que Brito (Mon. Lusit., II, V, p. 3) chama castello de S. Gião, onde havia ruinas de muros e elle encontrou o tal padrão suspeito e onde presume Lancobriga, não na Feira, diz, mas entre Albergaria e Bemposta, defronte de Pinheiro. Significativa confusão! Aquelle logar de Cristello vem na carta geodesica entre Estarreja e a estrada real[20].

Na freguesia de Ul ha outro castro (aldeia do crasto), de que porém não conheço o ubi. Tem uma cintura de muralha de pedra solta ou cousa que o valha. (Pinho Leal, s. v. Ul).

Nas proximidades de Azemeis parece que não são escassos estes monumentos (Quatro Dias na Serra da Estrella, por E. Navarro, Porto 1884, p. 174).

Em Ossella ha um castro com ruinas de muralhas (Brito, loc. cit.).

Entre S. Martinho e S. Tiago vê-se na carta geodesica um crasto, a O. da estrada real; isto é no parallelo de Ovar. Será aquelle a que Pinho Leal chama Castro Troncal ou Francal (s. v. C. de Cucujães)?

No Arch. Port., VI, 68, diz-se que ha em Oliveira de Azemeis um logar de Lações, onde foi a antiga Lancobriga (sic), porque ahi se ajustam as medidas do Itinerario e não na Feira ou Bemposta. Este sitio é elevado e estrategico; a sua cota é de 287 metros e fica na fronte de um promontorio fechado por duas ribeiras e no extremo de uma chapada em cujo prolongamento se conta ainda a altitude de 274 metros. É, pelo que se vê, um castro. Lancobriga e que não.{19}

Em Macieira de Cambra ha um castro (Arch. Port., VII, 54)[21].

Em Romariz informa o Sr. M. Gomes que ha um Crasto, onde appareceram antiqualhas da epoca romana; o que é presumivel e prova ter recebido a influencia dos seus conquistadores.

Os antigos chorographos portugueses não teem dado valor aos cabeços elevados, onde se encontram os vestigios do que póde ter sido um castro, uma citania, emfim uma estacão archeologica pre-romana, e isso não admira; mas o facto é esse e constitue uma deficiencia na descrição dos logares, que actualmente seria imperdoavel, e que, num caso como o que estou versando, sonega lamentavelmente elementos aproveitaveis de estudo.

Junto ao mar, e bastante para o norte, em Esmoriz, encontro menção de um castro, especializado hoje pelo erudito estudo que d'elle fez documentalmente o meu erudito amigo Sr. Pedro de Azevedo (Arch. Port., III, 137). Era o castro de Aville, Ouvil, Ubile e Obil, denominações que se applicavam á lagoa que ainda existe, e que elle dominava. Crê o distincto publicista que aquelle castro é o mesmo outeiro a que o parocho depoente de 1758 chamou Monte do Murado, pertencente á freguesia de S. Martinho de Mozellos. Fico porém em duvida, pois que estando o castro prope litore maris (Docs. de 1055, 1076) bem como a lagoa (Docs. de 1057 e 1090), Mozellos parece um pouco afastado para o interior. Confessando que, sem a inspecção dos logares, a base é instavel, em todo o caso affiguram-se-me aqui dois castros distinctos.

Em S.ta Maria de Fiães apparece outro castro ou «povoação de Mouros» (Arch. Port., IV, 250).

E d'ahi para o norte, são frequentes na faixa atravessada pelo caminho romano. Será algum d'estes castros o jazigo de Langobriga?

Este inventario, tendo origem, como tem, exclusivamente bibliographica, não póde deixar de ser omisso. A averiguação local e a informação competente accrescentá-lo-hiam, se eu d'estes dois factores me tivesse soccorrido. Para o meu intento, o pouco que joeirei, era colheita bastante.

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