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Cartilha Maternal

VIGESIMA TERCEIRA LIÇÃO

Reading edition

Chegámos finalmente ao n, última das consoantes incertas, que á similhança do m umas vezes é letra, representando inflexão; outras vezes é simples signal nasal, valendo de til; outras vezes nem representa inflexão nem vale de til; outras vezes vale de til e representa inflexão; e ainda outras vezes, accentuado ou carregado com o h, vale a inflexão conhecida, de que havemos de tratar.

Propriamente um caracter só é letra quando representa um elemento mais ou menos distincto da palavra fallada. Ninguem diz que vã se escreve com tres letras, porque nem a anályse nem o ouvido distinguem senão duas partes nessa palavra. Ora se em vã ha só duas letras, tambem ha só duas letras em van. Se chamamos letra a este último caracter, é referindo-nos ao papel que elle muitas vezes representa, e para não estarmos com explicações e rigores desnecessarios: mas fallando com exactidão, aqui o n não passa dum signal.

Quando é letra profere-se pegando a lingua ao ceo da bôca: pegando-se ou despegando-se; estes termos são geralmente reciprocos no valor fysiologico das letras; para se despegar, tem de se pegar. Mas se merecesse a pena levar a anályse a uma certa altura, diriamos que mais consiste aquella inflexão no apego que no despego, pois como se póde observar em iman, pollen, talisman, em summa nas palavras onde o n final vale inflexão, este n profere-se perfeitamente deixando a lingua pegada ao ceo da bôca: o mesmo que dissemos do l, ao qual, apezar da differença para o ouvido, se assemelha muito na pronuncia.

Por isso bom é recommendar ao alumno, na leitura do n final, o que dissemos a respeito do l.

Este n final valendo inflexão (e sempre tambem de til, pela influencia nasal retroactiva, que indicámos a respeito do m) é raro. Poucas são as palavras que assim acabam. E é só nessas palavras que a ortografia moderna o admitte. Caiu em desuso escrever van, lan, manhan. O n final valendo de til, foi com razão substituido pelo til.

Nesta qualidade de til, o mesmo que dissemos do m lhe é applicavel. Nasala a vogal anterior quando não tem vogal adiante, dando-se tambem casos excepcionaes como succede com o m, porém esta é a regra. Nós lemos:

anda, ente, indo, onda, unto, do mesmo modo que: ãda, ẽte, ĩdo, õda, ũto.

Como letra, nasalando ao mesmo tempo a vogal anterior, temos milhares de exemplos: todos lemos: ufano, pena, tina, tona, puna, como se estivesse escrito ufãno, pẽna, tĩna, tõna, pũna.

Escrito só por etymologia, tambem não escaceiam exemplos. Em annel, anniversario, annunciar, etc., o primeiro n não tem nenhum valor.

Resumindo esta doutrina ao nosso discipulo:

—Que letra é esta?—Netil.

—Porque se chama netil?—Porque umas vezes vale n', outras vezes vale de til.

—Quando vale n'?—Em tendo vogal adiante.

—E quando vale de til?—Em não tendo vogal adiante.

—Portanto com a, e, i, o, u atraz, como se lê?—Lê-se ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.

Adverte-se a excepção do n final.

n nós nau clina nomes manos nada meninos anões pernas imaginavam carne esquina afinação não somno iman an = ~ en in on un antes singelo anca segundo banco andam ancias brinco anjo trancam entendimento

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